Escritos Reunidos VOLUME XII 1889- ÍNDICE Prefácio Levantamento Cronológico

A Onda de Maré Folhetos Populares Russos Gênio Notas Diversas Aviso Oficial "Indo e Vindo na Terra" Notas de Rodapé a "Minhas Experiências no Ocultismo e no Desenvolvimento Oculto" A Queda dos Ideais Notas de Rodapé a "Os Alquimistas" "Indo e Vindo na Terra" Notas Diversas Os Fatos Apresentados aos Mestres [A Voz do Silêncio]

1890! Na Manhã do Ano Novo Foi Cagliostro um "Charlatão"? [Coronel Henry S. Olcott e a Seção Esotérica] Notas Diversas Pensées sur le Nouvel An et les Faux Nez Pensamentos sobre o Ano Novo e os Narizes Falsos (Tradução do texto francês anterior) O Último Canto do Cisne [Coronel H. S. Olcott e a Seção Britânica] Medidas Confusas Notas Diversas O Ciclo Avança Mente Cósmica [Nota do Compilador] Terceira Carta de H.P.B. à Quarta Convenção Anual Americana Por Que Não Retorno à Índia La Légende du Lotus Bleu A Lenda do Lótus Azul (Tradução do texto francês anterior) Pensamentos sobre os Elementais Notas de Rodapé e Editoriais a "As Cartas de Johann Caspar Lavater" [Regras para os Residentes da Sede de Londres] Magia Negra na Ciência Um Profeta Astral Noções Equivocadas sobre "A Doutrina Secreta" Pena de Morte Crueldade contra os Animais Diagnósticos e Paliativos Apóstolos Modernos e Pseudo-Messias A Sociedade Teosófica na Europa Ciência e a Doutrina Secreta Progresso e Cultura A Acha e a Trave Netuno Progresso Recente na Teosofia [Nomeação de Bertram Keightley] O Duplo Aspecto da Sabedoria Perguntas e Respostas Aos Teosofistas da Europa Mme.

Blavatsky Apela à Lei Neo-Budismo Ação Psíquica e Noética [A Sociedade Teosófica e seus Detratores] À Tous les Membres de la Société Théosophique en France A Todos os Membros da Sociedade Teosófica na França (Tradução do texto francês anterior) Notas Diversas Esperanças Abandonadas Hipnotismo e suas Relações com Outros Modos de Fascinação Problemas da Vida Por Que o "Vahan"? [O Departamento Oriental] Página de Amostra de Gemas do Oriente Gemas do Oriente.

Um Livro de Aniversário de Preceitos e Axiomas

INSTRUÇÕES ESOTÉRICAS A Seção Esotérica: Introdução do Compilador Instrução Nº I Instrução Nº II Instrução Nº III [Nota do Compilador] Instrução Nº IV Primeiro Suplemento à Instrução Nº IV Instrução Nº V Duplos e Ex-Duplos

APÊNDICE: Nota sobre a Transliteração do Sânscrito

ILUSTRAÇÕES:      H.P. Blavatsky      Conde Alessandro Di Cagliostro      Lorenza Serafina Feliciani, Condessa Di Cagliostro      Coronel Henry Steel Olcott      William Quan Judge, cerca de 1888      Johann Kaspar Lavater      General Alexey Petrovich Yermolov      Condessa Constance Wachtmeister      A Casa de H.P.B., 19 Avenue Road, Londres      Dr. Franz Hartmann      O Escritório do Secretário-Geral em 19 Avenue Road, Londres      "O Caminho" – Pintura de Reginald Willoughby Machell   (Com interpretação do simbolismo pelo artista)      Dr. Nikolay Ivanovich Pirogov      "O Pródigo" – Pintura de Reginald Willoughby Machell      Sir Edwin Arnold      Jean Sylvain Bailly      Isabel Cooper-Oakley      Comandante Dominique Albert Courmes      Dr. Henry Travers Edge      Reginald Willoughby Machell      Urna Simbólica para as Cinzas de H.P.B.      James Morgan Pryse      Gottfried De Purucker      George William Russell, conhecido como "Æ"                         Escritos Reunidos VOLUME XII

PREFÁCIO                                            xxii

PREFÁCIO AO VOLUME XII     O material do presente Volume está em sequência cronológica direta com os escritos do Volume Onze e inclui alguns ensaios muito importantes da pena de H.P.B.

Além disso, o estudante encontrará em suas páginas o texto completo, inalterado e não editado das Instruções Esotéricas de H.P.B.

O contínuo interesse e a valiosa assistência de nossos colaboradores e amigos são reconhecidos com gratidão.

Menção especial deve ser feita a Dara Eklund, Nicholas Curtis Weeks, Shelley von Strunckel e Peter S. Ryan, que leram as provas em vários estágios da produção.

Também apreciamos o cuidadoso trabalho de Dara Eklund na preparação do Índice.

Nosso reconhecimento grato é estendido a Grace F. Knoche e Kirby van Mater pela ajuda especial e pelo sério interesse que demonstraram em relação ao texto das Instruções Esotéricas.

Desejamos também reconhecer o trabalho técnico especializado realizado por Jim Burgener na reprodução das Lâminas Coloridas nas Instruções, que acrescentam consideravelmente ao valor do Volume como um todo.

BORIS DE ZIRKOFF,                                                                                                 Compilador.

LOS ANGELES, CALIFÓRNIA 23 de maio,                    Escritos Reunidos VOLUME XII                                     A ONDA DE MARÉ                         [Lucifer, Vol.

V, No. 27, Novembro, 1889, pp. 173-178]                                                  “A onda de maré das almas mais profundas                                                  Em nosso íntimo ser se derrama,                                                  E nos eleva sem que percebamos                                                  Para além de todas as preocupações mesquinhas.”

LONGFELLOW, Santa Filomena.

A grande mudança psíquica e espiritual que ora se processa no reino da Alma humana é deveras notável.

Começou bem no início do agora lentamente desaparecente último quartel do nosso século, e terminará — assim o diz uma profecia mística — seja para o bem ou para o mal da humanidade civilizada, com o presente ciclo que se encerrará em 1897. Mas a grande mudança não se efetua em solene silêncio, tampouco é percebida apenas por poucos.

Ao contrário, ela se afirma em meio a um estrondo ensurdecedor de línguas atarefadas e ruidosas, a um choque de opinião pública, em comparação ao qual o incessante e sempre crescente rugido até mesmo da mais ruidosa agitação política parece o sussurro da jovem folhagem da floresta, em um cálido dia de primavera.

Em verdade, o Espírito no homem, por tanto tempo oculto da vista pública, tão cuidadosamente dissimulado e tão longamente exilado da arena do saber moderno, por fim despertou.

Ele agora se afirma e reivindica em alta voz os seus direitos jamais reconhecidos, porém sempre legítimos.

Recusa-se a ser por mais tempo pisoteado pelo pé brutal do Materialismo, especulado pelas Igrejas, e transformado em fonte insondável de renda por aqueles que se autoconstituíram seus universais

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

guardiões.

Os primeiros negariam à Presença Divina qualquer direito à existência; os últimos a acentuariam e a comprovariam por meio de seus Sacristães e Zeladores de Igreja armados com bolsas de dinheiro e caixas de coleta.

Mas o Espírito no homem — o raio direto, embora agora apenas fragmentado, e a emanação do Espírito Universal — por fim despertou.

Até então, enquanto tão frequentemente vilipendiado, perseguido e aviltado pela ignorância, ambição e cobiça; enquanto tão amiúde convertido pela Insânia do Orgulho “em um errante cego, qual bufão zombado por uma hoste de bufões,” no reino da Ilusão, permaneceu não ouvido e não considerado.

Hoje, o Espírito no homem retornou como o Rei Lear, da aparente insanidade aos seus sentidos; e, erguendo a voz, fala agora naqueles tons autoritários aos quais os homens de outrora ouviram em silêncio reverente por eras incalculáveis, até que, ensurdecidos pelo estrondo e rugido da civilização e da cultura, não mais puderam ouvi-lo. . . . Olhe ao seu redor e contemple! Pense no que vê e ouve, e tire daí as suas conclusões.

A era do materialismo grosseiro, da insanidade e cegueira da Alma, está passando rapidamente.

Uma luta de morte entre o Misticismo e o Materialismo não está mais próxima, mas já está em plena fúria.

E o partido que vencer o dia nesta hora suprema tornar-se-á o mestre da situação e do futuro; isto é, tornar-se-á o autocrata e o dispostor de almas dos milhões de homens já nascidos e por nascer, até o final do século XX.

Se os sinais dos tempos podem ser confiáveis, não são os Animalistas que permanecerão conquistadores.

Isto nos é garantido pelos muitos bravos e prolíficos autores e escritores que se levantaram recentemente para defender os direitos do Espírito de reinar sobre a matéria.

Muitas são as honestas e aspirantes Almas que agora se erguem como um muro contra a torrente das águas turvas do Materialismo.

E, enfrentando a inundação até então dominante que ainda carrega continuamente para abismos desconhecidos os fragmentos do naufrágio do Espírito humano destronado e derrubado, elas agora ordenam: “Até aqui chegaste; mas não irás mais além!” Em meio a toda essa discórdia externa e desorganização da harmonia social; em meio à confusão e à hesitação fraca e covarde

A ONDA DE MARÉ

das massas, presas aos estreitos quadros da rotina, do decoro e do fingimento; em meio àquela calmaria morta do pensamento público que exilou da literatura toda referência à Alma e ao Espírito e ao seu divino funcionamento durante todo o período médio do nosso século—ouvimos um som se erguer.

Como uma nota clara, definida e de longo alcance de promessa, a voz da grande Alma humana proclama, em tons não mais tímidos, a ascensão e quase a ressurreição do Espírito humano nas massas.

Ele agora desperta nos representantes mais proeminentes do pensamento e do saber; fala nos mais humildes como nos mais elevados, e estimula a todos à ação.

O renovado e vivificante Espírito no homem está corajosamente se libertando das sombrias algemas da vida animal e da matéria até então tudo-capturantes.

Contemplai-o, diz o poeta, enquanto, ascendendo em suas largas asas brancas, eleva-se às regiões da vida real e da luz; de onde, calmo e divino, contempla com piedade não fingida aqueles ídolos dourados do culto material moderno com seus pés de barro, que até agora ocultaram das massas sem visão os seus verdadeiros e vivos deuses . . . . . .     A literatura — escreveu uma vez um crítico — é a confissão da vida social, refletindo todos os seus pecados, e todos os seus atos de baixeza como de heroísmo.

Nesse sentido, um livro é de importância muito maior do que qualquer homem.

Os livros não representam um homem, mas são o espelho de uma multidão de homens.

Daí o grande poeta-filósofo inglês ter dito dos livros que sabia que eles eram tão difíceis de matar e tão prolíficos quanto os dentes do fabuloso dragão; semeai-os aqui e ali e guerreiros armados crescerão deles.

Matar um bom livro equivale a matar um homem.

O “poeta-filósofo” tem razão.

Uma nova era começou na literatura, isso é certo.

Novos pensamentos e novos interesses criaram novas necessidades intelectuais; daí uma nova raça de autores está surgindo. E essa nova espécie gradual e imperceptivelmente excluirá a antiga, aqueles velhos antiquados de outrora que, embora ainda reinem nominalmente, são permitidos a fazê-lo mais pela força do hábito do que por predileção.

Não é aquele que repete obstinada e papagaiamente as velhas fórmulas literárias e se agarra desesperadamente às tradições dos editores, que se verá respondendo às novas necessidades; não o homem que prefere sua estreita disciplina partidária à busca do Espírito do homem há muito exilado e das VERDADES agora perdidas; não esses, mas verdadeiramente aquele que, separando-se de sua amada “autoridade”, ergue corajosamente e carrega inabalável o estandarte do Homem Futuro.

São finalmente aqueles que, em meio ao atual domínio total do culto à matéria, aos interesses materiais e ao EGOÍSMO, terão lutado bravamente pelos direitos humanos e pela natureza divina do homem, que se tornarão, se apenas vencerem, os mestres das massas no próximo século e, assim, seus benfeitores.

Mas ai do século XX se a escola de pensamento agora reinante prevalecer, pois o Espírito seria mais uma vez feito cativo e silenciado até o fim da era que agora se aproxima.

Não são os fanáticos da letra morta em geral, nem os iconoclastas e Vândalos que combatem o novo Espírito do pensamento, nem tampouco os modernos Cabeças Redondas, partidários das antigas tradições religiosas e sociais puritanas, que jamais se tornarão os protetores e Salvadores do agora ressurgente pensamento e Espírito humanos.

Não são esses apoiadores demasiado dispostos do antigo culto, e das heresias medievais daqueles que guardam como relíquia todo erro de sua seita ou partido, que zelosamente vigiam seu próprio pensamento para que não, saindo da adolescência, assimile alguma ideia mais fresca e benéfica — não são esses os sábios do futuro.

Não é para eles que a hora da nova era histórica terá soado, mas para aqueles que terão aprendido a expressar e pôr em prática as aspirações, bem como as necessidades físicas, das gerações ascendentes e das massas ora espezinhadas.

Para que alguém compreenda plenamente a vida individual com seus mistérios fisiológicos, psíquicos e espirituais, deve dedicar-se com todo o fervor da filantropia desinteressada e do amor por seus irmãos humanos a estudar e conhecer a vida coletiva, ou a Humanidade.

Sem preconceitos ou prevenções, como também sem o menor temor de possíveis resultados em uma ou outra direção, deve decifrar, compreender e recordar os sentimentos mais profundos e íntimos e as aspirações do grande e sofredor coração do povo.

A ONDA DE MARÉ

Para fazer isso, deve primeiro "sintonizar sua alma com a da Humanidade", como ensina a antiga filosofia; dominar minuciosamente o significado correto de cada linha e palavra nas páginas que rapidamente se viram do Livro da Vida da HUMANIDADE e estar completamente saturado da verdade óbvia de que esta é um todo inseparável do seu próprio EU.

Quantos desses leitores profundos da vida podem ser encontrados em nossa época vangloriada de ciências e cultura? Naturalmente, não nos referimos apenas a autores, mas antes aos filantropos e altruístas práticos e ainda não reconhecidos, embora bem conhecidos, de nossa época; os amigos do povo, os amantes desinteressados do homem e os defensores do direito humano à liberdade do Espírito.

Poucos, na verdade, são tais; pois são as raras flores da época e, geralmente, os mártires das multidões preconceituosas e dos oportunistas.

Como aquelas maravilhosas "Flores de Neve" do Norte da Sibéria, que, para brotar do solo frio e congelado, precisam perfurar uma espessa camada de neve dura e gelada, assim esses raros caracteres têm de travar suas batalhas por toda a vida contra a fria indiferença e a dureza humana, e contra o mundo egoísta e sempre zombeteiro da riqueza.

Contudo, são apenas eles que podem realizar a tarefa da perseverança.

A eles somente é dada a missão de desviar os "Dez Mil Superiores" dos círculos sociais da ampla e fácil estrada da riqueza, da vaidade e dos prazeres vazios para o árduo e espinhoso caminho dos problemas morais superiores, e da percepção de deveres morais mais elevados do que aqueles que atualmente perseguem.

São também aqueles que, já despertos para uma atividade mais elevada da Alma, são ao mesmo tempo dotados de talento literário, cujo dever é empreender a tarefa de despertar a Bela Adormecida e a Fera, em seu Castelo Encantado da Frivolidade, para a vida real e a luz.

Que todos aqueles que puderem prossigam destemidamente com essa ideia em primeiro plano em suas mentes, e terão sucesso.

São os ricos que primeiro precisam ser regenerados, se quisermos fazer o bem aos pobres; pois é nos primeiros que reside a raiz do mal, da qual as classes "deserdadas" são apenas o crescimento demasiado luxuriante.

Isso pode parecer à primeira vista paradoxal, mas é verdadeiro, como se pode demonstrar.

Diante da presente degradação de todo ideal, assim como das mais nobres aspirações do coração humano, tornando-se

BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

cada dia mais proeminente nas classes superiores, o que se pode esperar da "grande massa ignara"? É a cabeça que deve guiar os pés, e estes dificilmente podem ser responsabilizados por suas ações.

Trabalhai, portanto, para efetuar a regeneração moral das classes cultas, porém muito mais imorais, antes de tentardes fazer o mesmo por nossos ignorantes Irmãos mais jovens.

Isto foi empreendido anos atrás, e é levado a cabo até hoje, contudo sem resultados perceptíveis de bem.

Não é evidente que a razão disso reside no fato de que, para alguns poucos trabalhadores sinceros, sérios e que tudo sacrificam nesse campo, a grande maioria dos voluntários consiste naquelas mesmas classes frívolas e ultraegoístas, que "brincam de caridade" e cujas ideias sobre a melhoria da condição física e moral dos pobres se limitam ao passatempo de que o dinheiro e a Bíblia, por si sós, podem realizá-la? Dizemos que nenhum desses dois pode produzir qualquer bem; pois a pregação de letra morta e a leitura forçada da Bíblia desenvolvem irritação e, mais tarde, ateísmo, e o dinheiro, como ajuda temporária, encontra seu caminho para os caixas dos bares, em vez de servir para comprar pão.

A raiz do mal reside, portanto, numa causa moral, não física.

Se perguntarem: o que então ajudará? Respondemos com ousadia: — A literatura teosófica; apressando-nos a acrescentar que, sob esse termo, não se entendem nem livros sobre adeptos e fenômenos, nem as publicações da Sociedade Teosófica.

Aproveitem e tirem proveito da "onda de maré" que agora, felizmente, subjuga metade da Humanidade.

Falem ao Espírito desperto da Humanidade, ao espírito humano e ao Espírito no homem, esses três em Um e o Um em Todos.

Dickens e Thackeray, ambos nascidos um século tarde demais ou um século cedo demais — vieram entre duas ondas de maré do pensamento espiritual humano e, embora tenham prestado serviço leal individualmente e induzido certas reformas parciais, não conseguiram, contudo, tocar a Sociedade e as massas em geral.

O que o mundo europeu agora precisa é de uma dúzia de escritores como Dostoiévski, o autor russo, cujas obras, embora terra incógnita para a maioria, ainda são bem conhecidas no continente, como também na Inglaterra e na América, entre as classes cultas.

E o que o romancista russo fez foi isto: — ele falou

A ONDA DE MARÉ

com ousadia e sem medo as verdades mais indesejáveis às classes superiores e até mesmo às classes oficiais — estas últimas um procedimento muito mais perigoso do que as primeiras.

E, no entanto, eis que a maioria das reformas administrativas dos últimos vinte anos se deve à influência silenciosa e indesejável de sua pena.

Como observa um de seus críticos, as grandes verdades por ele proferidas foram sentidas por todas as classes de modo tão vívido e tão forte que pessoas cujas opiniões eram diametralmente opostas às suas não puderam deixar de sentir a mais calorosa simpatia por esse escritor ousado e até mesmo a expressaram a ele.

Aos olhos de todos, amigos ou inimigos, ele se tornou o porta-voz da necessidade irreprimível, não mais adiável, sentida pela Sociedade, de olhar com absoluta sinceridade para as profundezas mais íntimas de sua própria alma, de tornar-se o juiz imparcial de suas próprias ações e aspirações.

Toda nova corrente de pensamento, toda nova tendência da época teve e sempre terá seus rivais, como seus inimigos, alguns a contrabalançando ousadamente mas sem sucesso, outros com grande habilidade.

Mas tais são sempre feitos da mesma pasta, por assim dizer, comum a todos.

Eles são impelidos à resistência e objeções pelos mesmos objetos externos, egoístas e mundanos, os mesmos fins materiais e cálculos que guiaram seus oponentes.

Enquanto apontam outros problemas e advogam outros métodos, na verdade, não cessam nem por um momento de viver com seus inimigos em um mundo de interesses comuns e iguais, como também de continuar nas mesmas visões fundamentais idênticas sobre a vida.

Aquilo que então se tornou necessário foi um homem que, permanecendo fora de qualquer partidarismo ou luta pela supremacia, trouxesse sua vida passada como garantia da sinceridade e honestidade de suas visões e propósitos; alguém cujo sofrimento pessoal fosse um imprimatur à firmeza de suas convicções, um escritor, finalmente, de inegável gênio literário: — pois somente tal homem poderia pronunciar palavras capazes de despertar o verdadeiro espírito em uma Sociedade que se desviara em uma direção errada.

Exatamente tal homem foi Dostoiévski — o patriota-condenado, o escravo das galés, retornado da Sibéria; aquele escritor, famoso na Europa e na Rússia, o pobre enterrado por subscrição voluntária, o coração comovente de tudo que é pobre, insultado, injuriado, humilhado; aquele que desvendou com tão impiedosa crueldade as pragas e chagas de sua época.

. .

É escritores desse tipo que são necessários em nosso dia de despertar; não autores escrevendo por riqueza ou fama, mas apóstolos destemidos da Palavra Viva da Verdade, curadores morais 8                        BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

das chagas pustulentas do nosso século.

A França tem seu Zola que aponta, brutalmente o suficiente, mas ainda fiel à vida — a degradação e a lepra moral do seu povo.

Mas Zola, enquanto castiga os vícios das classes baixas, nunca ousou açoitar mais alto com sua pena do que a pequena burguesia, sendo a imoralidade das classes altas ignorada por ele.

Resultado: os camponeses que não leem romances não foram minimamente afetados por seus escritos, e a burguesia, pouco se importando com a plebe, deu tanta atenção a Pot-Bouille que fez o realista francês perder todo o desejo de queimar novamente os dedos nas panelas de suas famílias.

Desde o início, portanto, Zola trilhou um caminho que, embora o tenha levado à fama e à fortuna, não o conduziu a lugar algum no que diz respeito a efeitos salutares.

Se os Teosofistas, no presente ou no futuro, algum dia conseguirão elaborar uma aplicação prática da sugestão, é duvidoso.

Escrever romances com um senso moral profundo o bastante para comover a Sociedade exige um grande talento literário e um teosofista nato, como foi Dostoiévski — Zola estando fora de qualquer comparação com ele.

Mas tais talentos são raros em todos os países.

Contudo, mesmo na ausência de tão grandes dons, pode-se fazer o bem de maneira menor e mais humilde, tomando nota e expondo em narrativas impessoais os vícios e males gritantes da época, por palavra e ação, por publicações e exemplo prático.

Que a força desse exemplo impressione outros a segui-lo; e então, em vez de ridicularizar nossas doutrinas e aspirações, os homens do século XX, senão do XIX, verão com mais clareza e julgarão com conhecimento e de acordo com os fatos, em vez de pré-julgar conforme equívocos arraigados.

Então, e somente então, o mundo se verá forçado a reconhecer que estava errado, e que somente a Teosofia pode gradualmente criar uma humanidade tão harmoniosa e de alma tão simples quanto o próprio Cosmos; mas, para efetuar isso, os teosofistas têm de agir como tais.

Tendo ajudado a despertar o espírito em muitos homens — dizemos isto ousadamente desafiando a contradição — pararemos agora, em vez de nadar com a MARÉ MONTANTE?                        Collected Writings VOLUME XII                                           TRATADOS POPULARES RUSSOS

TRATADOS POPULARES RUSSOS

SELEÇÕES DOS CONTOS DO CONDE L. N. TOLSTÓI

[Lucifer, Vol.

V, No. 27, novembro de 1889, pp. 195-98]     [Considerou-se aconselhável incluir na presente Série esta tradução de H.P.B. de um dos conhecidos contos do Conde Lev Nikolayevich Tolstói, pelas razões apresentadas em sua própria nota introdutória.

No entanto, contrariamente à sua declaração, nenhuma outra história foi encontrada nas edições subsequentes de Lucifer.]

Desde que o Ocidente demonstrou tão devida apreciação pelos escritos do maior romancista e místico da Rússia de hoje, suas melhores obras foram todas traduzidas.

O russo, no entanto, não reconhece em nenhuma dessas traduções aquele espírito nacional popular que permeia os contos e histórias originais.

Fecundos como são de misticismo popular e do espírito do altruísmo teosófico, alguns deles são encantadores, mas dificílimos de verter para uma língua estrangeira.

Contudo, pode-se tentar.

Uma coisa é certa: nenhum tradutor estrangeiro, por mais hábil que seja, a menos que tenha nascido e sido criado na Rússia e conheça a vida camponesa russa, será capaz de fazer-lhes justiça, ou mesmo de transmitir ao leitor seu pleno significado, devido à sua linguagem idiomática absolutamente nacional.

Se o gênio da língua literária russa é tão *sui generis* a ponto de ser dificílimo de verter em tradução, o russo das classes baixas — a fala de pequenos comerciantes, camponeses e trabalhadores — é dez vezes mais. Por mais difícil que possa parecer a um estrangeiro, um russo nato pode tentar, talvez, com um pouco mais de sucesso.

De todo modo, como se disse, pode-se tentar.

Selecionando, portanto, de tais folhetos populares — alegorias e histórias morais em forma de contos populares — traduzimos alguns para os leitores de *Lucifer*.

Os Números de Natal, de dezembro, janeiro e fevereiro, conterão encantadoras pequenas histórias, bem dignas de uma nova tradução.

Duas delas, *Onde Há Amor, Aí Está Deus*; *Deus Está na Justiça, e não na Força*, e algumas outras são marcadas pelo espírito do misticismo verdadeiramente religioso.


Cada uma merece ser lida pelos admiradores desse grande autor russo.

Para este número, no entanto, selecionamos uma de espírito menos místico, porém mais satírico; uma touca calculada para servir à cabeça de qualquer nação cristã bebedora, *ad libitum*, e apenas esperamos que seu título, traduzido *verbatim et literatim*, não choque ainda mais as suscetibilidades dos opositores do título desta revista.

A Rússia está afligida pelo demônio da bebida, tanto quanto, embora não mais do que, a Inglaterra ou qualquer outro país; contudo, não é tanto o Karma da nação, mas sim o de seus respectivos governos, cujo fardo kármico se torna mais pesado e mais terrível a cada ano.

Essa maldição e íncubo universal, a bebida, é a prole direta e legítima dos Governantes; é gerada por sua ganância por dinheiro, e IMPOSTA por eles às infelizes massas.

Por que, em nome do Karma, deveriam estes ser feitos sofrer aqui e no além?

COMO UM DIABINHO RESGATOU SEU PÃO;                               OU O PRIMEIRO DESTILADOR

Um pobre camponês saiu cedo para arar; e, como saía de casa sem quebrar o jejum, levou consigo um pão.

Uma vez no campo, virou o arado, ajustou a rabiça, pôs as cordas debaixo de um arbusto e, sobre elas, o seu pão de centeio, cobrindo tudo com o seu cafetã.

Por fim, o cavalo cansou-se e o mujique sentiu fome.

Então, parou o arado no sulco, desatrelou o cavalo e, deixando-o pastar, dirigiu-se ao cafetã para a sua refeição.

Mas, quando o levantou — eis que não se via pão algum.

Nosso mujique procurou-o aqui, procurou-o ali; sacudiu a roupa e virou-a de um lado para o outro — nada de pão! Ficou surpreso.

Coisas maravilhosas! Ninguém por perto, e, no entanto, o pão foi levado por alguém.

Esse alguém, na verdade, era um Diabrete, que, enquanto o camponês arava, roubara-lhe o pão e agora se escondia atrás de um arbusto, preparando-se para anotar a blasfêmia do homem, quando este começasse a praguejar e a invocar o nome do diabo.

O camponês sentiu-se um pouco contrariado.

“Mas, afinal,” disse ele, “isto não me fará morrer de fome; e quem levou o meu pão, porventura precisava dele. Que o coma então, e boa sorte para ele.”

TRATADOS POPULARES RUSSOS

Assim, indo ao poço, bebeu um pouco de água, descansou um instante; depois, pegando o cavalo, atrelou-o novamente ao arado e voltou tranquilamente ao seu trabalho.

O Diabrete ficou bastante perturbado com tamanho fracasso em tentar o homem ao pecado e, dirigindo-se imediatamente para casa, no inferno, narrou ao seu Superior — o Diabo-Mor — como roubara o pão do mujique, que, em vez de amaldiçoar, apenas dissera “para a sua boa sorte!” Satanás ficou muito irado com isso.

“Se,” argumentou ele, “o mujique te venceu neste assunto, então a culpa é tua; não soubeste conduzir a coisa.

Seria um mau negócio para nós,” acrescentou, “se os camponeses e, depois deles, as suas mulheres, adotassem tais artimanhas: nenhuma vida nos seria possível depois disso, e tal acontecimento não pode ser deixado sem atenção.

“Vai,” continuou Satanás, “e compensa o fracasso do pão.

E se ao fim de três anos não tiveres vencido esse homem, eu te banharei em água benta.” O Diabrete ficou terrivelmente assustado com essa ameaça e, correndo de volta à terra, pôs-se a pensar em como expiar a sua culpa.

Assim ele pensou, pensou ainda, e pensou mais, e continuou pensando até encontrar o que tinha de fazer. Assumindo a aparência de um bom sujeito, ofereceu-se como trabalhador ao pobre camponês; e como aconteceu de haver uma seca, aconselhou-o a semear sua semente num pântano.

Assim, enquanto os campos de todos os outros camponeses estavam ressecados, e suas colheitas queimadas pelo sol, a plantação do pobre camponês cresceu alta e espessa, cheia e graúda.

Sua família teve pão à vontade até a próxima colheita, e o excedente foi considerável.

No ano seguinte, sendo o verão chuvoso, o diabinho ensinou o camponês a semear sua semente nas montanhas.

Enquanto o milho de seus vizinhos foi queimado, caiu e apodreceu, o campo do camponês nas colinas produziu a mais rica colheita.

O mujique armazenou ainda mais milho; e não sabia o que fazer com ele. Então seu trabalhador ensinou-lhe a prensar o milho e destilá-lo em aguardente.

Tendo destilado bastante, o mujique passou a beber e a fazer outros beberem dela.

Um dia o Diabinho voltou ao Ancião, gabando-se de que havia resgatado seu pão.

O Chefe subiu para ver por si mesmo.

Então o Ancião foi ao mujique, e encontrou-o tendo convidado os mais ricos e abastados de seus vizinhos, entretendo-os com uísque.

Lá estava a dona da casa levando os copos aos convidados.

Mal começara sua volta, quando tropeçando na mesa, derrubou a bebida.

Para ela voou o mujique, xingando sua esposa à vontade.

"Vede", gritou ele, "o tolo do diabo.

Tomas uma boa bebida por lavagem? Tu, estúpida de mãos pesadas, a derramar no chão tal tesouro!"

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

Aqui o Diabinho cutucou o Ancião nas costelas, "Observa", disse ele, "e vê, se ele não vai regatear um pão agora." Tendo xingado sua esposa, o mujique começou a oferecer a bebida ele mesmo.

Justamente então um pobre trabalhador que voltava do trabalho apareceu, sem ser convidado, e desejando um dia alegre a todos, sentou-se.

Vendo a companhia bebendo, ele também desejou ter um gole após seu árduo dia de trabalho.

Lá ficou ele, estalando os lábios repetidas vezes, mas o anfitrião não lhe oferecia nada, apenas resmungando: "Quem pode arcar com uísque para todos vocês!" Isso agradou imensamente ao Diabo Chefe; quanto ao Diabinho, ele se gabou mais do que nunca: "Espere e veja o que virá a seguir!", sussurrou.

Assim bebiam os camponeses ricos, assim bebia o anfitrião, condescendendo uns com os outros e lisonjeando-se mutuamente, com palavras doces, proferindo discursos melosos e falsos.

O Ancião ouviu tudo isso e também elogiou o Diabrete por isso.

“Sem qualquer dúvida”, disse ele, “esta bebida, fazendo-os virar tais raposas, eles passarão a enganar uns aos outros em seguida; e nesse ritmo, logo cairão, todos eles, em nossas mãos.” “Espere e veja”, disse o Diabrete, “o que virá a seguir, quando cada um tiver mais um copo.

Agora eles são apenas como raposas astutas; com o tempo, transformar-se-ão em lobos ferozes.” Os camponeses tomaram mais um copo cada um, e imediatamente sua conversa tornou-se mais alta e mais brutal.

Em vez de discursos melosos, passaram a se insultar, e, tornando-se gradualmente mais ferozes, acabaram por entrar numa briga generalizada e danificando gravemente os narizes uns dos outros.

Então o anfitrião também entrou na briga e foi severamente surrado.

Enquanto o Ancião observava, ele também se sentiu muito satisfeito com isso.

“É bom”, disse ele, “muito, muito bom.” “Espere e veja”, disse o Diabrete, “algo ainda melhor está reservado, assim que eles esvaziarem o terceiro copo.

Agora eles estão lutando como lobos famintos; no terceiro copo, terão se tornado como porcos.” Os camponeses tomaram a terceira rodada e perderam completamente a razão.

Resmungando e soluçando, gritando uns com os outros, sem saber o que diziam, saíram correndo, alguns sozinhos, alguns em pares, outros em trios, e se espalharam pelas ruas.

O anfitrião, tentando se despedir de seus convidados, caiu com o nariz numa poça de lama, rolou nela e, incapaz de se levantar, ficou ali grunhindo como um porco... Isso agradou ao Diabo Ancião mais do que tudo.

“Bem”, disse ele, “tu inventaste uma bela bebida, de fato, e redimiste o teu pão! Dize-me”, acrescentou, “como conseguiste compô-la? Certamente deves tê-la fermentado primeiro com o sangue da raposa; daí a astúcia do camponês bêbado, que se torna imediatamente uma raposa. Depois a destilaste com sangue de lobo, o que o torna tão perverso quanto um lobo? Finalmente, misturaste tudo com o sangue do porco; portanto, o camponês tornou-se como um porco.” “Não é assim”, disse o Diabrete. “Eu apenas o ajudei a obter alguns cereais extras.”

O sangue da fera selvagem está sempre presente no homem, mas permanece latente e não encontra vazão enquanto ele não tem mais pão do que necessita para seu alimento, e é então que ele não inveja ao outro seu último pedaço de pão.

Mas não tardou para que o homem obtivesse mais grão do que precisava, e passou a inventar coisas com as quais satisfazer suas paixões.

Foi então que lhe ensinei o prazer — da bebida intoxicante.

E não bem ele começou a destilar o dom de Deus em espírito, para sua gratificação, que seu sangue original de raposa, de lobo e de porco se ergueu nele.

Deixe-o agora apenas continuar bebendo vinho e licor, e ele permanecerá para sempre uma besta.” Pela qual invenção o Diabo Ancião louvou livremente seu Diabrete, perdoou-lhe seu fracasso com o pão roubado, e o promoveu no Inferno.

––––––––                     Escritos Reunidos VOLUME XII                                              GÊNIO                         [Lucifer, Vol.

V, No. 27, Novembro, 1889, pp. 227-233]

“Gênio! tu dom do Céu! tu luz divina!                                             Em meio a que perigos estás destinado a brilhar!                                             Muitas vezes a fraqueza do corpo conterá tua força,                                             Muitas vezes amortecerá teu vigor, e impedirá teu curso;                                             E nervos trêmulos te compelirão a refrear                                             Teus nobres esforços, a contender com a dor;                                             Ou a Penúria (triste hóspede!) . . . . . .”                                                                    CRABBE, Tales, XI, linhas 1-7.

Entre muitos problemas até agora não resolvidos no Mistério da Mente, destaca-se proeminente a questão do Gênio.

Donde vem, e o que é o gênio, sua raison d'être, as causas de sua excessiva raridade? É ele de fato “um dom do Céu”? E se assim é, por que tais dons a um, e a obtusidade do intelecto, ou mesmo a idiotia, o destino de outro? Considerar o aparecimento de homens e mulheres de gênio como um mero acidente, um prêmio do acaso cego, ou, como dependente apenas de causas físicas, só é concebível para um materialista.


Como um autor verdadeiramente diz, resta então apenas esta alternativa; concordar com o crente em um deus pessoal, "atribuir o aparecimento de cada indivíduo singular a um ato especial de vontade divina e energia criativa", ou "reconhecer, em toda a sucessão de tais indivíduos, um grande ato de alguma vontade, expresso em uma lei eterna e inviolável". O gênio, como Coleridge o definiu, é certamente—para toda aparência externa, ao menos—"a faculdade do crescimento"; contudo, para a intuição interior do homem, é uma questão saber se é o gênio—uma aptidão anormal da mente—que se desenvolve e cresce, ou o cérebro físico, seu veículo, que se torna, através de algum processo misterioso, mais apto a receber e manifestar de dentro para fora a natureza inata e divina da alma superior do homem.

Talvez, em sua sabedoria ingênua, os filósofos da antiguidade estivessem mais próximos da verdade do que nossos modernos sabichões, quando dotaram o homem de uma divindade tutelar, um Espírito a quem chamaram de gênio.

A substância dessa entidade, para não dizer nada de sua essência—observe a distinção, leitor,—e a presença de ambas se manifesta de acordo com o organismo da pessoa que ela informa.

Como Shakespeare diz do gênio dos grandes homens—o que percebemos de sua substância "não está aqui"—                                "Pois o que vedes é apenas a menor parte                                E a menor proporção da humanidade:                                     Digo-vos, senhora, se todo o arcabouço estivesse aqui,                                     É de tal amplitude e altura elevada,                                     Vosso teto não seria suficiente para contê-lo."

Isto é precisamente o que a filosofia esotérica ensina.

A chama do gênio é acesa por nenhuma mão antropomórfica, exceto a do próprio Espírito de cada um.

É a própria natureza da Entidade Espiritual em si, de nosso Ego, que continua tecendo novas tramas de vida na teia da reencarnação no tear do tempo, dos começos aos fins do grande Ciclo da Vida. É isto que se afirma mais fortemente do que no homem comum, através de sua personalidade; de modo que o que chamamos de "manifestações do gênio" em uma pessoa são apenas os esforços mais ou menos bem-sucedidos desse EGO para se afirmar no plano externo de sua forma objetiva—o homem de barro—na vida prática e cotidiana deste último.

Os EGOS de um Newton, um Ésquilo ou um Shakespeare são da mesma essência e substância que os Egos de um caipira, um ignorante, um tolo, ou mesmo um idiota; e a autoafirmação de seus gênios informantes depende da construção fisiológica e material do homem físico.

Nenhum Ego difere de outro Ego em sua essência e natureza primordial ou original.

O que faz um mortal ser um grande homem e outro uma pessoa vulgar e tola é, como foi dito, a qualidade e a constituição do invólucro ou casca física, e a adequação ou inadequação do cérebro e do corpo para transmitir e dar expressão à luz do homem real e interior; e essa aptidão ou inaptidão é, por sua vez, o resultado do Carma.

Ou, para usar outra símile, o homem físico é o instrumento musical, e o Ego, o artista executante.

A potencialidade da melodia perfeita do som está no primeiro — o instrumento — e nenhuma habilidade do último pode despertar uma harmonia impecável de um instrumento quebrado ou mal construído.

Essa harmonia depende da fidelidade da transmissão, por palavra ou ato, ao plano objetivo, do pensamento divino não proferido nas profundezas mesmas da natureza subjetiva ou interior do homem.

O homem físico pode — para seguir nossa símile — ser um Stradivarius inestimável, ou um violino barato e rachado, ou ainda uma mediocridade entre os dois, nas mãos do Paganini que o anima.

Todas as nações antigas sabiam disso.

Mas embora todas tivessem seus Mistérios e seus Hierofantes, nem todas podiam ser igualmente ensinadas na grande doutrina metafísica; e enquanto alguns eleitos recebiam tais verdades em sua iniciação, as massas eram autorizadas a se aproximar delas com a maior cautela e apenas dentro dos limites mais distantes do fato.

Do TODO DIVINO procedeu Amon, a Sabedoria Divina . . . . . . não a deis aos indignos,” diz um Livro de Hermes.

Paulo, o “sábio –––––––––– O período de um Manvantara completo composto de Sete Rondas.

–––––––––– 16 BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

Mestre-Construtor,” (I Cor.

iii, 10) apenas ecoa Thoth-Hermes ao dizer aos Coríntios: “Falamos sabedoria entre os perfeitos [os iniciados] . . . . . . a sabedoria de Deus em MISTÉRIO, a sabedoria oculta” (ibid., ii, 6-7). No entanto, até hoje os Antigos são acusados de blasfêmia e fetichismo por sua ‘adoração de heróis’. Mas terão os historiadores modernos alguma vez sondado a causa de tal ‘adoração’! Acreditamos que não.

De outra forma, eles seriam os primeiros a perceber que aquilo que era "adorado", ou melhor, a quem se prestavam honras, não era o homem de barro, nem a personalidade — o Herói ou Santo Fulano de Tal, que ainda prevalece na Igreja Romana, uma igreja que beatifica o corpo em vez da alma — mas o Espírito divino aprisionado, o "deus" exilado dentro dessa personalidade.

Quem, no mundo profano, está ciente de que até a maioria dos magistrados (os Arcontes de Atenas, traduzidos erroneamente na Bíblia como "Príncipes") — cujo dever oficial era preparar a cidade para tais procissões — ignorava o verdadeiro significado do suposto "culto"? Verdadeiramente Paulo estava certo ao declarar que "falamos sabedoria . . . não a sabedoria deste mundo . . . que nenhum dos Arcontes deste [mundo] profano conheceu", mas a sabedoria oculta dos MISTÉRIOS.

Pois, como novamente a Epístola do apóstolo implica, a linguagem dos Iniciados e seus segredos, nenhum profano, nem mesmo um 'Arconte' ou governante fora do santuário dos sagrados Mistérios, a conhece; ninguém "senão o espírito do homem [o Ego] que nele está" (ibid., ii, 11). Se os capítulos ii e iii de I Coríntios fossem alguma vez traduzidos no Espírito em que foram escritos — mesmo sua letra morta está agora desfigurada — o mundo poderia receber estranhas revelações.

Entre outras coisas, teria uma chave para muitos ritos até então inexplicados do antigo Paganismo, um dos quais é o mistério desse mesmo culto ao Herói.

E aprenderia que, se as ruas da cidade que honrava um tal homem fossem cobertas de rosas para a passagem do –––––––––– Um termo absolutamente teúrgico, maçônico e oculto.

Paulo, ao usá-lo, declara-se um Iniciado com o direito de iniciar outros.

––––––––––

GÊNIO

Herói do dia; se todo cidadão fosse chamado a curvar-se em reverência àquele que era assim festejado; e se tanto o sacerdote quanto o poeta rivalizassem em seu zelo para imortalizar o nome do herói após sua morte — a filosofia oculta nos diz a razão pela qual isso era feito.

"Eis", diz ela, "em toda manifestação de gênio — quando combinada com virtude — no guerreiro ou no Bardo, no grande pintor, artista, estadista ou homem de Ciência, que se eleva muito acima das cabeças da multidão vulgar, a presença inegável do exilado celestial, o Ego divino do qual tu és o carcereiro, ó homem da matéria!" Assim, aquilo que chamamos de deificação aplicava-se ao Deus imortal interior, não às paredes mortas ou ao tabernáculo humano que o continha.

E isso foi feito em tácito e silencioso reconhecimento dos esforços feitos pelo divino cativo que, sob as mais adversas circunstâncias da encarnação, ainda assim conseguiu manifestar-se.

O Ocultismo, portanto, não ensina nada de novo ao afirmar o supracitado axioma filosófico.

Ampliando o amplo truísmo metafísico, ele apenas lhe dá um toque final ao explicar certos detalhes.

Ensina, por exemplo, que a presença no homem de vários poderes criativos—chamados gênio em sua coletividade—não se deve a um acaso cego, nem a qualidades inatas através de tendências hereditárias—embora o que se conhece como atavismo possa frequentemente intensificar essas faculdades—mas a uma acumulação de experiências individuais anteriores do Ego em sua vida precedente, e vidas.

Pois, embora onisciente em sua essência e natureza, ele ainda assim necessita de experiência através de suas personalidades das coisas da terra, terrenas no plano objetivo, a fim de aplicar a fruição dessa onisciência abstrata a elas.

E, acrescenta nossa filosofia—a cultivação de certas aptidões ao longo de uma longa série de encarnações passadas deve finalmente culminar em alguma vida, num desabrochar como gênio, em uma ou outra direção.

O Grande Gênio, portanto, se verdadeiro e inato, e não meramente uma expansão anormal de nosso intelecto humano—nunca pode copiar ou condescender em imitar, mas será sempre original, sui generis em seus impulsos criativos e realizações.

Como aqueles lírios indianos gigantes que brotam das

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

fendas e fissuras das rochas nuas, alimentadas pelas nuvens, dos mais altos planaltos das Colinas Nilgiri, o verdadeiro Gênio necessita apenas de uma oportunidade para irromper na existência e florescer à vista de todos no solo mais árido, pois sua marca é sempre inconfundível.

Para usar um ditado popular, o gênio inato, como o assassinato, virá à tona mais cedo ou mais tarde, e quanto mais tiver sido suprimido e ocultado, maior será a torrente de luz lançada pela súbita irrupção.

Por outro lado, o gênio artificial, tão frequentemente confundido com o primeiro, e que em verdade é apenas o resultado de longos estudos e treinamento, nunca será mais do que, por assim dizer, a chama de uma lâmpada queimando fora do portal do templo; pode lançar um longo rastro de luz através do caminho, mas deixa o interior do edifício na escuridão.

E, como toda faculdade e propriedade na Natureza é dual—isto é, cada uma pode ser feita para servir a dois fins, o mal tanto quanto o bem—assim também o gênio artificial se trairá.

Nascido do caos das sensações terrestres das faculdades perceptivas e retentivas, embora de memória finita, permanecerá para sempre escravo do seu corpo; e esse corpo, devido à sua falta de confiabilidade e à tendência natural da matéria para a confusão, não deixará de conduzir até mesmo o maior gênio, assim chamado, de volta ao seu elemento primordial, que é novamente o caos, ou o mal, ou a terra.

Assim, entre o gênio verdadeiro e o artificial — um nascido da luz do Ego imortal, o outro do fogo-fátuo evanescente do intelecto terrestre ou puramente humano e da alma animal — há um abismo, que só pode ser transposto por aquele que aspira sempre adiante; que nunca perde de vista, mesmo quando nas profundezas da matéria, aquela estrela-guia, a Alma e mente Divina, ou o que chamamos de Buddhi-Manas.

Este último não requer, como o primeiro, cultivo.

As palavras do poeta que afirma que a lâmpada do gênio—

“Se não protegida, podada e alimentada com cuidado,                    Logo morre, ou se dissipa em clarão errático—”

—só podem se aplicar ao gênio artificial, o resultado da cultura e da acuidade puramente intelectual.

Não é a luz direta dos Manasaputras, os Filhos da Sabedoria, pois o verdadeiro

GÊNIO

gênio aceso na chama da nossa natureza superior, ou o EGO, não pode morrer.

É por isso que é tão raro.

Lavater calculou que “a proporção de gênio (em geral) para o vulgar é de um para um milhão; mas gênio sem tirania, sem pretensão, que julga o fraco com equidade, o superior com humanidade e os iguais com justiça, é de um em dez milhões.” Isso é de fato interessante, embora não muito lisonjeiro para a natureza humana, se, por “gênio”, Lavater tivesse em mente apenas o tipo superior de intelecto humano, desdobrado pelo cultivo, “protegido, podado e alimentado”, e não o gênio de que falamos. Além disso, tal gênio é sempre propenso a levar aos extremos do bem ou do mal aquele através de quem essa luz artificial da mente terrestre se manifesta.

Como os bons e maus gênios da antiguidade, com os quais o gênio compartilha tão apropriadamente o nome, ele toma pela mão seu possuidor indefeso e o conduz, um dia, aos pináculos da fama, fortuna e glória, mas para mergulhá-lo no dia seguinte em um abismo de vergonha, desespero, frequentemente de crime.

Mas, conforme ensina o grande Fisionomista, há mais do primeiro do que do segundo tipo de gênio neste nosso mundo, porque, como o Ocultismo nos ensina, é mais fácil para a personalidade, com seus aguçados sentidos físicos e tattvas, gravitar em direção ao quaternário inferior do que elevar-se à sua tríade — a filosofia moderna, embora bastante proficiente em tratar desse lugar inferior do gênio, nada sabe de sua forma espiritual superior — o "um em dez milhões". Assim, é apenas natural que, confundindo um com o outro, os melhores escritores modernos tenham falhado em definir o verdadeiro gênio.

Como consequência, continuamente ouvimos e lemos muito daquilo que, para o Ocultista, parece bastante paradoxal.

"O gênio requer cultivo", diz um; "O gênio é vaidoso e autossuficiente", declara outro; enquanto um terceiro prosseguirá definindo a luz divina apenas para apequená-la no leito de Procusto de sua própria estreiteza intelectual.

Ele falará da grande excentricidade do gênio e, aliando-a como regra geral a uma "constituição inflamável", chegará a mostrá-lo "presa de todas as paixões, mas raramente de delicadeza de gosto!" (Lord Kaimes.) É inútil argumentar com tais pessoas, ou dizer-lhes que o gênio original e grandioso emite os mais deslumbrantes raios da intelectualidade humana, assim como o sol extingue a luz da chama de uma fogueira em campo aberto; que ele nunca é excêntrico, embora sempre sui generis; e que nenhum homem dotado de verdadeiro gênio pode jamais ceder às suas paixões animais físicas.

Na visão de um humilde Ocultista, apenas um caráter tão grandiosamente altruísta como o de Buda ou Jesus, e o de seus poucos imitadores próximos, pode ser considerado, em nosso ciclo histórico, como GÊNIO plenamente desenvolvido.

Portanto, o verdadeiro gênio tem de fato pouca chance de receber seu fio condutor em nossa era de convencionalismos, hipocrisia e servilismo.

À medida que o mundo cresce em civilização, expande-se em feroz egoísmo e apedreja seus verdadeiros profetas e gênios em benefício de seus imitadores macaqueadores.

Somente as massas ondulantes dos milhões ignorantes, o grande coração do povo, são capazes de sentir intuitivamente uma verdadeira "grande alma" cheia de amor divino pela humanidade, de compaixão divina pelo homem sofredor.

Portanto, somente a plebe ainda é capaz de reconhecer um gênio, pois sem tais qualidades nenhum homem tem direito ao nome.

Nenhum gênio pode ser encontrado hoje na Igreja ou no Estado, e isso é comprovado por sua própria admissão.

Parece que há muito tempo, no século XIII, o "Doutor Angélico" desdenhou o Papa Inocêncio IV que, vangloriando-se dos milhões que obtivera com a venda de absolvições e indulgências, observou a Aquino que "a era da Igreja em que ela dizia 'Não tenho prata nem ouro!' já passou". "Verdade", foi a pronta resposta, "mas também passou a era em que ela podia dizer a um paralítico: 'Levanta-te e anda'." E, no entanto, desde aquela época, e muito antes, até os nossos dias, a crucificação horária de seu Mestre ideal, tanto pela Igreja quanto pelo Estado, nunca cessou.

Enquanto todo Estado cristão viola com suas leis e costumes cada mandamento dado no Sermão da Montanha, a Igreja Cristã justifica e aprova isso através de seus próprios Bispos, que proclamam desesperadamente: "Um Estado cristão é impossível sobre Princípios Cristãos." Portanto, nenhum modo de vida semelhante ao de Cristo (ou "semelhante ao de Buda") é possível nos Estados civilizados.

––––––––––     Ver "Indo e Vindo pela Terra" 1º artigo [p. 27 do presente Volume.] ––––––––––

GÊNIO

O ocultista, então, para quem "o verdadeiro gênio é um sinônimo de mente autoexistente e infinita", espelhada mais ou menos fielmente pelo homem, não encontra nas definições modernas do termo nada que se aproxime da correção.

Por sua vez, a interpretação esotérica da Teosofia certamente será recebida com escárnio.

A própria ideia de que todo homem com uma "alma" em si é o veículo de (um) gênio parecerá sumamente absurda, mesmo para os crentes, enquanto o materialista a atacará como uma "superstição grosseira". Quanto ao sentimento popular — o único aproximadamente correto por ser puramente intuitivo — nem sequer será levado em consideração.

O mesmo epíteto elástico e conveniente de "superstição" será, mais uma vez, usado para explicar por que nunca houve ainda um gênio universalmente reconhecido — seja de um ou de outro tipo — sem que uma certa quantidade de contos e lendas estranhas, fantásticas e muitas vezes sinistras se ligasse a um caráter tão singular, perseguindo-o e até mesmo sobrevivendo-lhe.

Contudo, são apenas os não sofisticados, e portanto somente as chamadas massas incultas, justamente por lhes faltar esse raciocínio sofístico, que sentem, sempre que entram em contato com um caráter anormal e fora do comum, que há nele algo mais do que o mero homem mortal de carne e atributos intelectuais.

E sentindo-se na presença daquilo que na enorme maioria das vezes está oculto, de algo incompreensível para suas mentes positivistas, experimentam o mesmo temor que as massas populares sentiam nos velhos tempos, quando sua fantasia, muitas vezes mais infalível do que a razão culta, criava de seus heróis deuses, ensinando:

. . . . . "a curvar o fraco, a orar o orgulhoso                            A poderes invisíveis e mais poderosos que eles . . ."

Isso agora se chama SUPERSTIÇÃO . . . . . Mas o que é Superstição? É verdade, tememos aquilo que não podemos explicar claramente a nós mesmos.

Como crianças no escuro, todos nós somos propensos, os educados igualmente aos ignorantes, a povoar essa escuridão com fantasmas de nossa própria criação; mas esses "fantasmas" não provam de modo algum que essa "escuridão"—que é apenas outro termo para o invisível e o não visto—esteja realmente vazia de qualquer Presença além da nossa.


Assim, se em sua forma exagerada, a "superstição" é um incubo estranho, como crença em coisas acima e além de nossos sentidos físicos, ela é também um modesto reconhecimento de que há coisas no universo, e ao nosso redor, das quais nada sabíamos.

Nesse sentido, a "superstição" torna-se não um sentimento irracional de meio espanto e meio pavor, misturado com admiração e reverência, ou com medo, conforme os ditames de nossa intuição.

E isso é muito mais razoável do que repetir com os sábios demasiado eruditos que não há nada, "nada absolutamente, nessa escuridão"; nem pode haver qualquer coisa, uma vez que eles, os sábios, não conseguiram discerni-la. Eppur si muove! Onde há fumaça, deve haver fogo; onde há vapor, deve haver água.

Nossa afirmação se apoia apenas sobre uma verdade axiomática eterna: nihil sine causa.

O gênio e o sofrimento imerecido provam um Ego imortal e a Reencarnação em nosso mundo.

Quanto ao resto, i.e., a opróbrio e o escárnio com que tais doutrinas teosóficas são recebidas, Fielding—uma espécie de Gênio à sua maneira também—cobriu nossa resposta há mais de um século.

Nunca proferiu verdade maior do que no dia em que escreveu que "Se a superstição faz de um homem um tolo, o CETICISMO O ENLOUQUECE." H.P.B.

–––––––– Escritos Coligidos VOLUME XII NOTAS DIVERSAS [Lucifer, Vol.

V, No. 27, Novembro, 1889, pp. 179, 226, 249]

Se a época tem seus grandes criminosos, tem também seus mártires, santos e heróis, essas diferenciações do homem divino em relação à revoltante mediocridade do animalismo.

NOTAS DIVERSAS

SPORTIANA

“ ‘Theosophist’, em novembro, venceu o Grande Handicap de Lancashire, em uma milha, em 2 min. 5 seg., segundo o cronôgrafo de Benson, e creditou a seu proprietário 450.” E agora a brisa da popularidade levou a Teosofia para a pista de corridas; a boa sorte segue o nome onde quer que ele apareça.

––––––––

É com o maior prazer que imprimimos o seguinte, do Washington People’s Advocate:

CIÊNCIA ESPIRITUAL ARIANA

A uma sociedade verdadeiramente religioso-científica, como a “Sociedade Teosófica Blavatsky”, agora incorporada em Washington, e cujo primeiro objetivo é a formação de um núcleo de uma verdadeira Irmandade da Humanidade, independentemente de seita, sexo ou cor, e que, com rara consistência com suas profissões, aboliu a linha de cor, que em toda parte recusa admissão ao homem de cor inteligente em sociedades de homens brancos de natureza científica, filosófica ou fraternal, nós livremente concedemos três quartos de coluna ou mais de espaço (circunstancialmente) toda semana, solicitado para defender e expor suas doutrinas.

Por não estar suficientemente informado sobre o assunto, o editor não pode afirmar nem negar essas doutrinas.

Não assumimos responsabilidade além de justamente conceder a liberdade de nosso jornal a uma sociedade que concede ao homem de cor igualdade de associação.

Além disso, como provedor, e não ditador, de informações ao público, The People’s Advocate, para ser consistente com seu título, deve conceder a seus leitores o direito de seleção e a oportunidade de investigar todos os tipos de conhecimento, livres tanto de preconceitos sectários quanto raciais.

A Filial acima deve seu nascimento ao nosso enérgico irmão Prof. Anthony Higgins, e, embora de data recente, promete, segundo The Path de outubro, tornar-se “uma de nossas Lojas mais poderosas”. Mas seja a filial jovem ou velha, está esplendidamente feita; não que todas as nossas Lojas

BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

não dariam uma calorosa boas-vindas a um irmão “de cor”.

Mas aqui reside o mérito: que esta filial conseguiu estabelecer relações com seus irmãos de cor.

Esta é a parte mais importante de seu empreendimento, pois uma vez estabelecido um ponto de contato, a corrente fluirá livremente.

Verdadeiramente “sem distinção de raça” tem sido feito, e tal é, de fato, a obra dos verdadeiros Teosofistas.

Nem é, neste caso, uma questão de pouca monta, pois a distinção racial entre o negro e o branco na América é talvez mais acentuada do que entre nações geograficamente separadas de diferentes cores.

Que chegue rapidamente o tempo em que, de igual modo, vejamos membros “de cor” em todas as nossas filiais, e assim, “abolida a linha de cor”, nossos irmãos de tez escura possam subir o primeiro degrau da escada da “admissão a sociedades de homens brancos de natureza científica, filosófica ou fraterna”.

––––––––                     Escritos Reunidos VOLUME XII                                     AVISO OFICIAL                          [Lucifer, Vol.

V, nº 27, novembro de 1889, pp. 250-251]

Aqueles que leem *Light* devem ter visto em sua edição de 9 de novembro a seguinte carta de Washington, intitulada:—

A SOCIEDADE TEOSÓFICA GNÓSTICA

assinada por “Elliott Coues, Presidente, etc.” Nesse documento, este último pede para “corrigir as falsas declarações” feitas “no sentido de que a organização acima mencionada está extinta”. O escritor então continua: “Como seu fundador e presidente, estou plenamente informado sobre a questão.

A Sociedade Teosófica Gnóstica nunca foi tão forte nem tão ativa quanto hoje.

Suas filiações e ramificações se estendem a quase todos os Estados da União.

Desde outubro de 1886, quando foi formalmente dissolvida, como uma associação de qualquer modo dependente de outra de nome semelhante, e imediatamente reformada em uma base independente, tem crescido constantemente

AVISO OFICIAL

etc., etc.”

A carta termina com as palavras: “Desejamos especialmente acentuar o fato de que repudiamos e negamos toda conexão com certas pessoas cujos nomes foram até agora identificados pelo público com o movimento comumente chamado de ‘Teosófico’.” (Segue a assinatura.)     Como Secretário Correspondente vitalício e um dos fundadores originais, em Nova York em 1875, da Sociedade Teosófica, cujas ramificações se estendem às cinco partes do mundo — sendo os Estados Unidos apenas uma das cinco — declaro aqui que as declarações acima são simplesmente sem sentido.

É uma piada, evidentemente.

E estas são nossas provas e razões:—

1. Não pode haver uma Sociedade Teosófica autêntica, ou mesmo uma filial dela, fora da jurisdição da chamada Sociedade “Mãe”, que agora tem sua Sede em Adyar, Madras, Índia.

Seu título, sendo a S.T. em geral uma entidade sem carta constitutiva, pode, naturalmente, ter sido usurpado até agora, mas não o pode mais ser, sobretudo no Distrito de Colúmbia, como se verá adiante.

2. Isso se aplica especialmente à “Gnóstica” ex-Sociedade Teosófica de Washington, D.C., por razões que menciono abaixo.

(a) Tendo a filial Gnóstica sido agraciada com carta constitutiva pelo Presidente-Fundador antes de 1886, a referida filial Gnóstica, se desejasse retirar-se de nossa jurisdição, teria, por dever de honra, de abandonar seu título de “Teosófica”; portanto—
(b) Se “formalmente dissolvida” em outubro de 1886 e “imediatamente reformada”, do que nunca foi dado aviso a Adyar, ela teria de permanecer simplesmente como a Sociedade GNÓSTICA, título ao qual tinha, e tem, pleno direito; mas,
(c) Como agora é questão de registro oficial que a Filial com esse nome só foi descartada em maio do presente ano, e seu Presidente, Dr. Elliott Coues, expulso pela Seção Americana do Conselho Geral da S.T., ela não poderia, portanto, ter permanecido desde até a primavera de 1889, como uma associação de qualquer modo independente da Sociedade Mãe.


Aqui está a piada.

3. Como existe no presente momento em Washington, D.C., uma Sociedade Teosófica legalmente agraciada com carta constitutiva (a S.T. Blavatsky), formada e devidamente incorporada em julho de 1889 pelo Prof.

A. Higgins, seu Presidente, e seus associados, nenhuma outra Sociedade que se autodenomine “Teosófica” seria agora reconhecida por lei naquele Distrito.

A “Gnóstica”, portanto, se ainda existe e acrescenta ao seu nome “Teosófica”, é uma fora da lei.

E é por isso que a carta do Presidente da Sociedade “Gnóstica” de Washington, D.C., é uma brincadeira de mau gosto com a inocência dos leitores de *Light*.

H. P. BLAVATSKY,
Secretária Correspondente da Sociedade Teosófica.

P.S. Quanto à questão geral de seus ataques abusivos contra “certas pessoas”, que são o Sr. Judge, Sec.

Geral da Seção Americana da S.T., e eu mesma, direi o seguinte.

Não posso fazer melhor do que adotar a linha de conduta recomendada por meu antigo, egrégia e bajuladoramente lisonjeiro amigo, o mesmo Dr. E. Coues, em uma carta a mim datada de 22 de novembro de 1885, da qual citarei algumas linhas.

Ela responde plenamente à frase final (pretensamente) desdenhosa de sua carta a *Light*:—

. . . . . . Você é uma mulher grandiosa e maravilhosa, a quem admiro tanto quanto aprecio . . . . . Admiro sua fortaleza e resistência em suportar fardos suficientes para matar qualquer um, exceto a Blavatsky, cuja igual nunca antes foi vista, nem jamais será . . . . . Não se importe com seus inimigos! Eles obterão uma reputação espúria e vicária ao atacá-la, o que você pode permitir que tenham, embora não queira conferir-lhes a imortalidade que obteriam se você condescendesse em lutar contra eles.

Quando a História for escrita, eles aparecerão, se é que aparecerão, agarrados às suas saias.

Sacuda-os e deixe-os ir!

(Assinado)                ELLIOTT COUES.”      e assim o faço.––H.P.B.                        Obras Completas VOLUME XII                              “INDO E VINDO NA TERRA”

“INDO E VINDO NA TERRA”                              [Lucifer, Vol.

V, No. 27, Novembro, 1889, pp. 251-254]

EVOE!!

Na benevolência de seus corações, os editores de Lucifer oferecem suas sinceras condolências aos seus equânimes vizinhos e imparciais, generosos críticos, o clero e os editores ingleses, cuja causa acaba de receber uma punhalada nas costas de um de seus mais eruditos e distintos prelados.

Sua Graça o Bispo de Peterborough, presidindo a Conferência Diocesana em Leicester, em 25 de outubro passado, fez a seguinte terrível admissão:—      O bispo, resumindo uma discussão sobre o Socialismo, disse que eles deveriam ser cuidadosos, embora soubessem que muitos dos advogados do Socialismo sustentavam doutrinas muito perigosas, em dar pleno crédito à nobreza de motivação e à ternura de simpatia pelo sofrimento e pela injustiça que haviam comovido muitas dessas pessoas.

O Cristianismo, no entanto, não reivindicava reorganizar as relações econômicas dos homens no Estado e na Sociedade, e ele esperava ser compreendido ao dizer claramente que era sua firme convicção que qualquer Estado Cristão que colocasse em prática, em todas as suas relações, o Sermão da Montanha não poderia existir por uma semana.

Doravante, que os editores dispostos a submeter à condenação pública a Sociedade Teosófica por causa de dissensões entre membros, e a escrever editoriais cômicos sobre a “Teosofia de Kilkenny”, sejam mais reservados, para que esta confissão grave do Grande Bispo Anglicano não seja citada contra eles.

Quando o Cel.

Olcott, em sua palestra no South Place Institute, respondendo a um questionador crítico que procurava confundi-lo acusando seus colegas de mau humor e falta de caridade, disse que o ideal teosófico era tão elevado que poucos poderiam realizá-lo plenamente na prática; ele proferiu uma verdade profunda.

Se agora for alegado que o Senhor Bispo apenas colocou o Cristianismo e a Teosofia no mesmo nível, a resposta natural será que isso deveria tornar os adversários cristãos de nossa Sociedade um pouco mais justos em seu comportamento para conosco. Há, no entanto, uma diferença notável entre as Igrejas Cristãs e nossa Sociedade, e é esta: enquanto toda criança ou adulto batizado é chamado de cristão, nós sempre traçamos uma linha clara e ampla entre um Teosofista e um simples membro da S. T. Para nós, um Teosofista é aquele que faz da Teosofia um poder vivo em sua vida.


Fomos frequentemente acusados de odiar o Cristianismo.

Isso é tão falso quanto injusto.

Parte do ensinamento atribuído a Cristo, ensinamento que ele compartilha com outros grandes líderes religiosos, é admirável.

Mas seríamos tão mentirosos quanto nossos acusadores se demonstrássemos qualquer tipo de sentimento amigável ou simpatia por dogmas e rituais, ou por aquilo que o falecido Lawrence Oliphant chamava de "cristianismo eclesiástico".

Pois é isto que merece, muito mais do que a S. T. jamais mereceu, ser proclamado em alta voz e sem medo — especialmente após a confissão do Bispo de Peterborough — cristianismo de Kilkenny.

VERB. SAP.

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A IDADE DO HOMEM E OS CONTINENTES

Temos o prazer de ver o Sr. Grant Allen confessando as doutrinas do Budismo Esotérico e sua concordância com A Doutrina Secreta.

Pois é isto que ele supostamente disse a um repórter do Pall Mall que entrevistou o Sr. Grant Allen sobre suas opiniões.

“. . . . . Todas as formas superiores de religião, mesmo agora, contêm traços dos estágios anteriores.

A raça humana remonta a tempos muito distantes.” Aqui intervim.

“Sim; onde você embala sua infância — na distante Caldeia ou, como a nova teoria afirma, no Noroeste da Europa, ou você sustenta o ‘homem primevo do período glacial’?” “Oh,” foi a resposta sorridente, “em minha opinião, a raça humana remonta ao período Mioceno, tão distante que nossos continentes existentes mal haviam assumido suas formas atuais quando o homem apareceu pela primeira vez, e como o mundo inteiro era então tropical em clima, o homem pode ter aparecido em qualquer lugar.”

O leitor do acima exposto é solicitado, em seu primeiro momento de lazer, a abrir *Esoteric Buddhism*, 4ª edição, p. 60, e comparar.

É consolador descobrir que os *beaux esprits se rencontrent* — pelo menos o espírito antediluviano de Dzyan e

“INDO E VINDO NA TERRA”

o espírito da especulação antropológica e geológica moderna, representado pelo Sr. Grant Allen.

Mas aí, acreditamos, toda concordância cessa, especialmente nos ensinamentos metafísicos e físicos.

Tanto pior — para a ciência moderna.

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AMOK! EM NOME DE CRISTO!!

Nossos amigos do *Methodist Times* estão com seus velhos truques novamente.

Encontrando suas próprias . . . . . variações intelectuais de Ficção insuficientes para a ocasião, eles convocam seu aliado de Madras — o *Christian College Magazine*, o órgão paradoxal do Colégio “pagão” dos hindus nunca convertíveis, que toca mais uma vez sua velha fuga na orquestra da calúnia.

Somos informados novamente na “Correspondência Patterson” que Madame Blavatsky fugiu da Índia em 1885, deixando Madras secretamente.

Considerando (1) que o certificado da Sra. Dra. Sharlieb foi publicado mais de uma vez em vários jornais; (2) o fato de que um amigo bondoso, então e até hoje, um dos magistrados de Madras, viu pessoalmente a Sra. Blavatsky embarcar no vapor; (3) que ele gentilmente enviou uma cadeira de inválido e seus próprios peões da polícia para carregar nela a personalidade agora acusada de ter deixado o país “secretamente”; e que, além disso, (4) sua partida ocorreu publicamente, e em plena luz do dia — a acusação é bastante arriscada! A verdade simples e os fatos conhecidos, no entanto, permanecem válidos até o presente dia, e para todos os homens.

Portanto, é totalmente desnecessário refutar ponto por ponto as outras tantas astúcias, todas tão estranhas quanto a fabricação acima mencionada.

Quanto aos epítetos elegantes e termos insultuosos enviados pelo Sr. Patterson ao endereço da Sra. Blavatsky, eles realmente não importam.

O que, ou onde está ela, quando comparada aos grandes e eminentes homens, e até mesmo a um deus, que foram tratados muito pior do que ela, pelos fanáticos de seus respectivos países, e isso invariavelmente apenas porque as vítimas estavam em seu caminho? Nenhuma comparação, é claro, é aqui contemplada, pois qualquer uma seria absurda.

No entanto, os registros da história estão aí para mostrar falsas acusações prodigalizadas, em todos os casos, sobre homens e mulheres inocentes quando a vida e a reputação de tais se tornavam um perigo para aqueles que os invejavam ou temiam.


Testemunhem Sócrates e Hipátia, Bruno e Joana d'Arc, etc., etc.

Lembrem-se das centenas de mártires, cujas correias dos sapatos a Sra. B. não é digna de desatar, que sofreram torturas e morte nas mãos de mentirosos inescrupulosos, de falsas testemunhas e assassinos fanáticos.

Não é o próprio Jesus que encabeça as hostes dos mártires pela verdade na era cristã? Se os reverendos detratores esgotassem todo o vocabulário do Hungerford Market para abusar e difamar dela, ainda assim nunca se aproximariam, quanto mais superariam, os insultos prodigalizados pelos fariseus sobre a cabeça de Jesus—seu Cristo.

"Tu tens o Demônio," disseram esses dignitários da igreja "avó", a Sinagoga, ao Deus da presente igreja mãe—"o Homem de Dores." E não denunciaram eles a Cristo como "aquele enganador que disse . . . . Depois de três dias ressuscitarei"? E por essa "enganação" foi Jesus açoitado, e cuspido, e crucificado; tudo o que de modo algum impediu o Sr. Patterson e uma hoste de difamadores da Sra. B. de adorar esse mesmo Jesus como seu Deus e Mestre.

Nem impede os descendentes daqueles que mataram o profeta de Nazaré, acrescentando, "Que o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos," de considerar sua vítima até hoje como um "enganador"; e ainda assim prosperando, apesar da maldição, tendo riqueza suficiente para comprar toda a cristandade em escravidão, e mantendo na verdade em cativeiro vil todas as cabeças coroadas da Europa cristã! Tudo o que prova que o destino brinca com deuses como com mortais; que todos nós nascemos, vivemos e morremos sob a lei cármica, em consequência da qual poucos de nós podem saber quem é quem, ou o que é o quê, neste mundo de maya.

Nosso sincero conselho ao irreprimível Sr. Patterson é que não tente, nas palavras de Jó, furar a mandíbula do leviatã "com um espinho," para que Karma não "ponha um anzol no seu (próprio) nariz" por esse trabalho.

ADVERSÁRIO.

Obras Completas VOLUME XII OCULTISMO E DESENVOLVIMENTO OCULTO

NOTAS DE RODAPÉ A "MINHAS EXPERIÊNCIAS EM OCULTISMO E DESENVOLVIMENTO OCULTO" [Lucifer, Vol. V, No. 27, Novembro, 1889, pp. 254-259] [A. F. Tindall, tendo sido um investigador do oculto por cerca de dezesseis anos, relata algumas de suas experiências nesse reino, e os ensinamentos que recebeu de várias agências ocultas. H.P.B. acrescenta uma série de notas de rodapé a várias de suas declarações.]

Não posso deixar de sentir que as Agências dos Adeptos não estão confinadas em suas manifestações à Sociedade Teosófica. Nem jamais foi isso por nós afirmado. Ao contrário, a doutrina até então muito esotérica dos Nirmanakayas foi recentemente apresentada como prova e explicada no tratado chamado A Voz do Silêncio.

Esses Nirmanakayas são os Bodhisattvas ou Adeptos tardios que, tendo alcançado o Nirvana e a libertação do renascimento, renunciam a isso voluntariamente para permanecer invisivelmente em meio ao mundo, a fim de ajudar a pobre e ignorante Humanidade dentro das linhas permitidas pelo Karma.

Esses são os verdadeiros ESPÍRITOS dos homens desencarnados, e não reconhecemos outros.

Os demais são ou Devachânicos, ao plano dos quais o espírito do médium vivo deve ascender, e que, portanto, jamais podem descer ao nosso plano, ou espectros da mais baixa categoria.

Mas então nenhum Nirmanakaya influenciará qualquer homem em benefício deste, para seu próprio bem-estar, ou para salvá-lo de qualquer coisa exceto a morte, e isso somente [se] a vida do homem for útil.

Pelo fruto conhecemos a árvore.

As unidades são como as folhas dessa árvore para eles; e eles buscam beneficiar e salvar o tronco, não se preocupar com cada uma de suas folhas, sejam boas, más ou indiferentes.

Mesmo os Adeptos vivos não têm tal direito.

[Nossas paixões devem ser queimadas.] Não no plano físico, pois isso equivaleria a uma gratificação deliberada de todas as nossas paixões, a fim de nos livrarmos delas pela saciedade, e isso é uma abominação.


[A experiência deve ser adquirida, e a Alma deve elevar-se acima delas, adquirindo amor por coisas superiores.] "A experiência deve ser adquirida" de toda paixão, tanto má quanto boa, mentalmente, e superada no pensamento, pela reflexão.

O amor e o anseio por coisas superiores em um plano Espiritual deixarão assim espaço para os anseios animais inferiores.

[. . . certos sinais a serem usados acompanhados de uma espécie de oração . . . . tal Magia só deve ser exercida quando a Alma não deseja nada além do cumprimento da Vontade da Inteligência Todo-Boa . . .] Se este ensinamento concorda com a Teosofia depende do significado que o místico atribui à "Inteligência Todo-Deus". Se esta é um Ser ou "Inteligência" fora de nós, então isso apontaria para um Deus pessoal ou um espírito, o que não faz parte dos ensinamentos teosóficos.

Mas se se refere ao nosso Eu Superior, então estamos de acordo com o escritor.

Somente neste caso ELE (Atman) não tem vontade própria, pois não é uma coisa condicionada.

A expressão é falha.

[Eu chamo os Espíritos dos Vivos, e então vejo um simulacro deles e os ouço falar.] Os teosofistas chamariam isso de necromancia e magia negra inconsciente.

[Ao ver a forma de um Adepto antes de receber uma carta] Certamente nenhum "indiano" nem qualquer outro adepto se daria ao trabalho de se incomodar para anunciar um evento tão trivial como o mencionado! Especialmente quando uma carta a esse respeito chegou "uma hora depois" e era tudo o que se requeria.

Isso foi simplesmente um caso de clarividência natural do próprio escritor.

O que um adepto teria a ver com isso?      [Há uma Inteligência boa e amorosa que permeia a Natureza.] Por que "amorosa"? Se é absoluta, não pode ter atributos de amor ou de ódio.

[Seja feita a Tua vontade.] Não reconhecemos nenhum Ser a quem tal frase possa ser dirigida.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                          A QUEDA DOS IDEAIS

A QUEDA DOS IDEAIS                             [Lucifer, Vol.

V, Nº 28, dezembro de 1889, pp. 261-274]

Ai de nós! sabemos que os ideais nunca podem ser completamente incorporados na                                        prática.

Os ideais devem sempre permanecer a uma grande distância—e nós nos contentaremos                                        agradecidamente com qualquer aproximação não intolerável deles! . . .                                        . E, no entanto, nunca se deve esquecer que os ideais existem; que se não forem                                        aproximados de forma alguma, todo o assunto vai por água abaixo!                                        Infallivelmente.

CARLYLE.

A aproximação de um NOVO ANO da Cristandade, e a chegada de outro aniversário da Sociedade Teosófica, no qual ela entra em seu décimo quinto ano, nos oferecem uma oportunidade mais adequada para olhar para trás e ver até que ponto os ideais públicos e privados ganharam ou perderam terreno, e quanto foram mudados para melhor ou para pior.

Isso mostrará, ao mesmo tempo, se o advento da S.T. foi oportuno, e até que ponto é verdade que tal Sociedade era uma necessidade imperiosa em nossa era.

Limitada pela exclusão da política de seu campo de observação, o único horizonte que Lúcifer tem para vigiar e sobre o qual emitir julgamento é aquele que delimita o reino do ser moral e espiritual do homem.

Que mudanças, então, ocorreram durante o ano que se esvai no homem mortal e imortal? Mas aqui novamente a esfera de nossa observação é limitada.

Lúcifer, como um espelho dos tempos, só pode refletir aquilo que se apresenta diante de sua própria superfície polida, e isso apenas em traços gerais; além disso, somente aquelas imagens passageiras de mais forte contraste — digamos, da vida do Cristão e do Herege; da multidão dos frívolos e dos restritos grupos de místicos.

––––––––––       A organização completa e final da S.T. teve lugar em Nova York, em 17 de novembro de 1875. –––––––––– Ai de nós, quer nos voltemos para o Leste, Oeste, Norte ou Sul, é apenas um contraste de exterioridades; quer se observe a vida entre Cristãos ou Pagãos, homens mundanos ou religiosos, em toda parte nos deparamos com o homem, o homem mascarado — apenas o HOMEM.


Embora séculos se desenrolem e décadas de eras caiam do colo do tempo, grandes reformas ocorram, impérios se ergam e caiam e se ergam novamente, e até raças inteiras desapareçam diante da marcha triunfante da civilização, em seu egoísmo terrível, o “homem” que era é o “homem” que é — julgado por seu elemento representativo, o público, e especialmente a sociedade.

Mas temos nós o direito de julgar o homem pelo padrão totalmente artificial desta última? Há um século, teríamos respondido negativamente.

Hoje, devido aos rápidos avanços da humanidade rumo à civilização, que geram egoísmo e o fazem acompanhar esse ritmo, respondemos decididamente, sim.

Hoje, todos, especialmente na Inglaterra e na América, são esse público e essa sociedade, e as exceções apenas provam e reforçam a regra.

O progresso da humanidade não pode ser resumido contando unidades, especialmente com base no crescimento interno e não externo.

Portanto, temos o direito de julgar esse progresso pelo padrão público de moralidade na maioria; deixando à minoria o lamento pela queda de seus ideais.

E o que encontramos? Em primeiro lugar, a Sociedade — Igreja, Estado e Lei — em conspiração convencional, coligada contra a exposição pública dos resultados da aplicação de tal teste.

Eles desejam que a dita minoria aceite a Sociedade e o restante en bloc, em suas belas roupas, e não investigue a podridão social subjacente.

Por consentimento comum, fingem adorar um IDEAL, um pelo menos, o Fundador de seu Cristianismo de Estado; mas também se combinam para reprimir e martirizar qualquer unidade pertencente à minoria que tenha a audácia, neste tempo de abatimento e corrupção social, de viver à altura dele.     Sra.

Eliza Lynn Linton castigou essa hipocrisia como com um chicote de escorpiões em sua magnífica sátira, *The True History of Joshua Davidson*.

Esse é um livro que certamente todo teosofista, tanto pagão quanto cristão, deveria ler.

Como infelizmente muitos não o leram, digamos que ela faz seu herói exemplificar praticamente os princípios e imitar as

A QUEDA DOS IDEAIS

virtudes humanas do Fundador da religião cristã.

O esboço não é nem uma caricatura nem uma perversão maliciosa da verdade.

Um homem verdadeiramente cristão, cujo coração transborda de uma compaixão terna e apaixonada, tenta elevar as classes ignorantes e esmagadas pelo pecado, e despertar sua espiritualidade sufocada.

Aos poucos, através de uma agonia de sofrimento e perseguição, ele revela a oca zombaria do cristianismo popular, antecipando assim, por poucos anos, o muito sincero Lorde Bispo de Peterborough.

Aquecido pelo espírito do código de Jesus, o pobre Joshua Davidson torna-se Socialista, e com o tempo um Comunardo de Paris; associa-se a ladrões e prostitutas, para ajudá-los; é perseguido e caçado pelo clero cristão e pelos piedosos leigos ao retornar à Inglaterra; e, finalmente, por instigação do muito respeitável vigário de sua paróquia, é pisoteado até a morte na plataforma, sob os saltões das botas de uma multidão clamorosa.

Isso é, talvez, apenas um romance; contudo, em seu desenvolvimento moral e gradual de uma evolução psicológica emocionante, é fiel à vida.

Não temos realidades de ontem, ainda frescas na mente pública, que se igualam a isso? Não conhecemos todos nós tais homens e mulheres autossacrificantes em nosso meio? Não temos todos nós acompanhado a carreira de certos indivíduos, semelhantes a Cristo em aspirações e caridade prática, embora, talvez, negadores de Cristo e desafiadores da Igreja em intelecto e palavras, que foram por anos tabuizados pela sociedade preconceituosa, pelo clero insolente, e perseguidos por ambos até os últimos limites da lei? Quantas dessas vítimas encontraram justiça e o reconhecimento que merecem? Após realizar o mais nobre trabalho entre os pobres por anos, embelezando nossa era fria e convencional com sua caridade altruísta, fazendo-se abençoados por velhos e jovens, amados por todos que sofrem, a recompensa que encontraram foi ouvir-se difamados e denunciados, caluniados e secretamente infamados por aqueles indignos de desatar as correias de seus sapatos — os hipócritas e fariseus frequentadores de igreja, o Sinédrio do Mundo da Hipocrisia! Verdadeiramente Joshua Davidson é um esboço da vida real.

Assim, dentre os muitos nobres ideais praticamente pisoteados na lama pela sociedade moderna, aquele que o Mundo Ocidental considera o mais elevado e grandioso de todos é, afinal, o mais maltratado.


A vida pregada no Sermão da Montanha, e os mandamentos deixados à Igreja por seu MESTRE, são precisamente aqueles ideais que mais caíram em nossos dias.

Todos estes são pisoteados sob o calcanhar dos covardes da casta hipócrita de fato — embora sub rosa, é claro, pois a hipocrisia impede que o façam de jure — e falsidades são substituídas em seu lugar.

––––––––––

Um incidente como a luta de luvas no "Pelican Club" deixa alguém em sérias dúvidas.

A sociedade moderna na Inglaterra é conscientemente hipócrita, ou simplesmente está tão desesperadamente desprovida de princípios morais orientadores que não percebe, em todos os casos, os seus próprios pecados? É claro que a transação pode ser criticada facilmente à luz do mero decoro convencional.

Há algo estranhamente desprezível num estado da lei que persegue com determinação irada os humildes brigões que organizam suas brutalidades honestas e diretas no salão dos fundos de uma taverna, e deixa respeitosamente intocados os nobres e cavalheiros que exibem seus pugilistas num clube elegante.

O campeão ajudante de bar que é colocado por seus admiradores para lutar contra um pedreiro briguento por alguns soberanos de cada lado, sabe que a chance de realizar sua luta reside na astúcia com que ele e seus amigos conseguem manter os arranjos em segredo da polícia.

Se forem suspeitos, serão prontamente caçados; se forem pegos desafiando a lei, certamente serão enviados à prisão.

Por outro lado, que uma associação aristocrática de pugilistas vicários organize uma exibição pugilística, atrás do véu fino de um pretexto de que é uma luta de boxe com luvas; e então, embora as próprias luvas possam ser tão finas que os nós dos dedos sob elas sejam capazes de desferir golpes bastante severos em seus efeitos quanto os do antigo ringue de prêmios, o procedimento cai dentro dos limites da legalidade, e os serviços da polícia podem ser abertamente contratados para manter a ordem na vizinhança                                        A QUEDA DOS IDEAIS

e proteger o seleto público da curiosidade demasiado ávida da multidão invejosa na rua.

O texto é um sobre o qual diatribes familiares contra os privilégios dos ricos podem ser lançadas em qualquer quantidade.

E, no caso que nos ocupa, o momento escolhido para o custoso confronto enfatiza, de maneira divertida, o cinismo de todo o empreendimento.

Nominalmente, a luta ocorreu na manhã de segunda-feira, mas, na realidade, na noite de domingo; naquela que era apenas a noite de domingo para os que jantavam tarde no "Pelican". O dia que uma multidão de decretos, tanto legais quanto não escritos, dedica-se a santificar — à custa de toda recreação saudável e natural para o povo, seja da mente ou do corpo — foi o dia selecionado pelos luxuosos lutadores de Soho para a exibição brutal com que se serviram, ao custo enorme de que todos ouvimos falar: 1.000 libras foram subscritas como recompensa dos combatentes, cujo zelo em punir um ao outro foi garantido — ou assim imaginam os promotores aristocráticos e cristãos da luta — atribuindo-se 800 libras ao homem que saísse vitorioso e apenas 200 ao outro.

Os homens entraram em treinamento regular para sua luta, como se ela devesse ser conduzida segundo o sistema não dissimulado dos dias antigos — e, em suma, todo o entretenimento foi uma luta de prêmios para todos os efeitos, e esperava-se que fosse uma disputa extremamente "bem" contestada.

Que tenha provado o contrário é uma circunstância que dificilmente precisa afetar quaisquer observações que tenhamos a fazer sobre o assunto.

Deixamos as comparações óbvias entre a lei que opera em tais matérias para os pobres e a outra lei que se acomoda deferentemente aos ricos, para serem traçadas por críticos que buscam aproveitar a ocasião no interesse da agitação política.

Não há princípio particular que afete a região mais elevada da moral no fato de que as leis são frequentemente estúpidas e desiguais.

Mas há considerações referentes à recente luta de prêmios que incidem sobre os grandes propósitos da Teosofia.

À parte todas as questões de lei, como é possível, perguntamos, que um grande corpo de ingleses de educação e respeitabilidade social possa achar a promoção de uma luta de prêmios um divertimento para seu lazer blasé, que mesmo as consciências que possuem possam permitir-lhes desfrutar? Pois lembrem-se, é mero abuso insensato de qualquer classe ou povo dizer que eles são sem consciência.


Os membros do "Pelican Club", podemos ter certeza, têm todos eles códigos de honra de algum tipo que respeitam de certa maneira, que suas consciências, por mais distorcidas que sejam pelo costume, lhes proibiriam de desconsiderar.

Se uma luta de prêmios num domingo à noite entra no esquema de prazeres que lhes parece permissível, isso se deve ao fato de que os princípios morais realmente enraizados em seu pensamento não se opõem a tal coisa; nem censuramos o dia escolhido, mas simplesmente tal divertimento em qualquer dia.

Para eles, contudo, filhos de famílias protestantes, há uma queda e um desrespeito de dois ideais implicados.

Com todos eles, provavelmente, seus princípios os impediriam de trapacear no jogo de cartas ou de bater numa mulher.

O problema não é que seus princípios sejam fracos ou suas consciências obscurecidas, no que diz respeito ao código de honra dos círculos a que pertencem; mas que todo o esquema ou ensinamento moral sobre o qual foram criados é aviltado, imperfeito e, acima de tudo, materialista.

A chamada religião à qual nominalmente pertencem quase não contribuiu para a formação desse código.

Ela certamente não veria com bons olhos lutas de prêmios aos domingos, mas não tem vitalidade suficiente para impor suas ideias aos corações ou às vidas de seus adeptos negligentes.

O grande escândalo da religião moderna como regra de vida é que, tomando a sociedade moderna em seu conjunto, de maneira ampla, ela não comanda atenção alguma.

Ela falhou não tanto em mostrar o que deveria ser feito ou deixado de fazer — pois, é claro, até as máximas da igreja, no que diz respeito às palavras, cobrem muito terreno — quanto falhou em mostrar com força adequada por que isto ou aquilo deveria ser um princípio orientador.

A igreja moderna, de fato, fracassou como agência prática que governa os atos de seus seguidores — isto é, dos milhões que se contentam em ser chamados seus seguidores, mas que nunca sonham em ouvir uma palavra do que ela diz.

Plenamente conscientes de que muito do que ela diz é muito bom, seus expoentes (ignorando placidamente quão ruim é grande parte do resto) pensam que é devido à perversidade da humanidade que

H.P. BLAVATSKY                                                 1831-                    Uma das seis fotografias tiradas por Enrico Resta, em 8 de janeiro de 1889, em                 seu estúdio na 4, Coburg Place, Bayswater, Londres W., cuja chapa de vidro                  original está nos Arquivos da Loja Blavatsky da Sociedade Teosófica na Inglaterra.

Reproduzida a partir de uma impressão original da                                               chapa de vidro.

A QUEDA DOS IDEAIS as pessoas em geral não são melhores do que são.

Eles nunca percebem que eles mesmos — o Monopole Seco dos vinhos sociais — são os principais culpados, por terem divorciado os bons códigos de moral, legados a eles pelas religiões de todos os tempos, das sanções fundamentais que uma correta apreciação da verdadeira ciência espiritual lhes atribuiria.

Eles converteram o ensinamento divino, que é a Teosofia de todas as eras, em uma caricatura bárbara, e esperam encontrar em seus ecos papagaios de credos absurdos um clamor que atraia os mundanos ao seu rebanho, um apelo que os desperte para a sublime tarefa de espiritualizar suas próprias naturezas.

Eles não percebem que o mandamento de amar uns aos outros deve ser ineficaz no cuidado de pessoas cuja concepção inteira do futuro gira em torno de suas chances de tirar um número da sorte na loteria dos eleitos, ou de escapar do castigo que naturalmente lhes seria devido, em um momento feliz em que a mente divina possa ser desequilibrada ao refletir sobre a beleza do sacrifício cristão.

Os mestres da religião moderna, de fato, perderam o contato com a sabedoria subjacente às suas próprias doutrinas pervertidas, e os seguidores cegos desses líderes cegos perderam o contato até mesmo com os princípios elementares da moralidade física que as igrejas ainda continuam a repetir, sem compreender seu propósito, e por mera força do hábito.

Os ministros da religião, em suma, do século XIX, comeram as uvas azedas da ignorância, e os dentes de seus infelizes filhos estão embotados.

Certamente houve uma boa quantidade de mau Karma feito no "Pelican Club" na noite da célebre luta de prêmios, mas não pequena parte dele terá sido creditada na conta dos pastores desolados que, ociosamente e ignorantemente, deixaram escapar suas oportunidades de ouro por toda a cidade naquela manhã, como em todas as outras, e deixaram suas congregações imóveis por qualquer pensamento que pudesse ajudá-las a perceber como sairiam das igrejas para o mundo novamente quando o serviço terminasse, para contribuir por cada ato e exemplo de suas vidas para a formação de seus próprios destinos e a cristalização em seu próprio futuro das aspirações e desejos que pudessem encorajar.


De todos os belos ideais do Passado, aquele verdadeiro sentimento religioso que se manifesta apenas na adoração do espiritualmente belo, e o amor à verdade nua, são os que têm sido mais rudemente tratados nesta era de dissimulação obrigatória. Estamos cercados por todos os lados pela Hipocrisia, e por aqueles seus seguidores de quem Pollok disse que eram homens: —

"Que roubaram a libré da corte do céu,                Para servir ao diabo."

Oh, a indizível hipocrisia de nossa era! A era em que tudo sob o Sol e a Lua está à venda e é comprado.

A era em que tudo o que é honesto, justo, nobre de espírito, é exposto ao ridículo público, zombado e condenado; em que todo homem que ama a verdade e a fala sem temor é vaiado para fora da Sociedade elegante, como transgressor das tradições cultas que exigem que cada membro aceite aquilo em que não acredita, diga o que não pensa, e minta para a própria alma! A era em que a busca aberta de qualquer um dos grandes ideais do Passado é tratada como quase insana excentricidade ou fraude; e a rejeição da forma vazia — a letra morta que mata — e a preferência pelo Espírito "que vivifica" — é chamada de infidelidade, e logo se levanta o grito: "Apedrejai-o até a morte!" Mal se faz o sacrifício das convenções vazias, que rendem recompensa e benefício apenas ao eu, em prol de se realizar praticamente alguma grande ideia humanitária que ajude as massas, e logo um uivo de indignação e horror piedoso se ergue; as portas da Sociedade elegante se fecham para o transgressor, e as bocas dos mexeriqueiros se abrem para desonrar o seu próprio nome.

Contudo, diariamente nos servem discursos santarrões sobre as bênçãos conferidas pela civilização cristã e as vantagens oferecidas por ambas, em contraste com as maldições do "paganismo" e as superstições e horrores de — digamos — a Idade Média.

A Inquisição, com sua queima de hereges e bruxas, suas torturas na fogueira e no potro,

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é contrastada com a grande liberdade do pensamento moderno, por um lado, e a segurança da vida e da propriedade humanas agora, em comparação com sua insegurança nos dias antigos.

"Não é a civilização que aboliu a Inquisição e agora concede ao mendigo a mesma proteção da lei que ao duque abastado?" — perguntam-nos.

"Não sabemos", dizemos.

A história nos levaria a pensar que foi Napoleão Primeiro, o Átila cujas guerras iníquas despojaram a França e a Europa de sua virilidade mais vigorosa, quem aboliu a Inquisição, e isso não de modo algum em prol da civilização, mas sim porque ele não estava disposto a permitir que a Igreja queimasse e torturasse aqueles que poderiam servir-lhe como carne de canhão.

Quanto à segunda proposição a respeito do mendigo e do duque, temos de qualificá-la antes de aceitá-la como verdadeira.

O mendigo, por mais que esteja com a razão, dificilmente encontrará justiça tão plena quanto o duque; e se por acaso for impopular, ou herege, é dez contra um que encontrará o oposto da justiça.

E isso prova que, se a Igreja e o Estado eram não-cristãos então, ainda o são, se não mais agora.

O verdadeiro cristianismo e a verdadeira civilização ambos deveriam opor-se ao assassinato, por mais legal que seja.

E, no entanto, encontramos, na última metade do nosso século que se encerra, mais vidas sacrificadas — devido ao sistema e às armas de guerra aperfeiçoados, graças ao progresso da ciência e da civilização — do que houve em sua primeira metade.

“Civilização cristã”, de fato! Civilização, talvez; mas por que “cristã”? O Papa Leão XIII a personificou quando, em agonia de desespero, se encerrou no dia em que o monumento de Bruno foi inaugurado, e o marcou como um *dies irae* na História da Igreja? Mas não poderíamos nos voltar para a civilização, pura e simples? “Nossos costumes, nossa civilização”, diz Burke, “e todas as boas coisas ligadas aos costumes... têm, neste nosso mundo europeu, dependido por séculos de dois princípios... quero dizer o espírito de um cavalheiro e o espírito da religião.” Estamos bastante dispostos a testar o caráter da época por esses ideais.

Somente, sempre foi difícil dizer exatamente que definição dar ao termo “cavalheiro”; enquanto quanto à religião, noventa e nove em cada cem pessoas que encontramos, se perguntadas, responderiam de tal maneira que ficaria claro que confundiram religião com teologia.

A definição de dicionário de “cavalheiro” é a de um homem bem-nascido, de “maneiras gentis e refinadas, e que porta armas”; um “cavalheiro fazendeiro” é aquele que cultiva sua própria propriedade, e um “cavalheiro porteiro” é um lacaio real não remunerado.


Mas isso dificilmente será suficiente. Pois quantos não há, no círculo mais aristocrático, com uma dúzia de quartéis de brasão em seus escudos, que são viciosos e depravados a um ponto cujo paralelo não deve ser buscado em Whitechapel, mas na Roma dos Césares.

Em comparação com os vícios desses, a Odisseia no "Pelican Club" pode ser vista como a travessura infantil de colegiais.

Nada disso, se a verdade deve ser dita, os hábitos de Filhos Reais e Herdeiros Imperiais são frequentemente indizivelmente imorais e incivilizados.

A fonte da honra, em vez de fornecer água pura, transborda com putridão moral.

Com tais exemplos, podemos nos admirar do desrespeito demonstrado por estrelas menores por ideais menores? Nossos "Admiráveis Crichtons" de hoje transformam suas espadas em varas de medir e emprestam a honra de seus brasões por um dividendo em companhias escusas manipuladas na Bolsa.

O trovador moderno não canta sob a sacada de sua amada, nem defende sua honra nas justas da cavalaria; mas, quando desprezado, escreve seu nome na lista de réus em processos por quebra de promessa de casamento e exige de um júri danos substanciais em libras, xelins e pence. As marcas de "honra" dadas em tempos antigos por salvar vidas humanas com risco próprio, por nobres feitos de valentia e heroísmo realizados, são agora com demasiada frequência reservadas àqueles que triunfam no campo de batalha incruento da luta comercial e da publicidade; e grandes "medalhas de ouro de HONRA" (!?) agora cabem à sorte dos proprietários de fósforos, pílulas e sabões.

Ó sombras de Leônidas de Esparta, de Sólon e Péricles, velai vossos rostos astrais! Regozijai-vos, vós espectros do demasiadamente casado Salomão e dos cambistas do Templo! E vós, espectros imperiais de Calígula, Constantino e dos Césares conquistadores do mundo, olhai vossas caricaturas nos tronos sérvio e outros.

As garras dos leões reais do século XIX estão aparadas, e seus dentes extraídos; contudo, eles tentam emular vossos vícios históricos de sua humilde maneira,

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suficientemente bem para terem perdido há muito tempo toda pretensão de serem considerados os "ungidos do Senhor", para serem alvo de orações, lisonjas e bajulações por suas respectivas igrejas.

E, no entanto, eles o são.

Que farsa sem paralelo! –––––––––– Mas talvez tenhamos que procurar o verdadeiro cristianismo e a verdadeira civilização e cultura nos modernos tribunais superiores de Justiça? Infelizmente, há juízes modernos de quem seu Senhor (nosso Karma) diria: “Ouvi o que diz o juiz injusto.” Pois, em nossos dias, o decreto da justiça é às vezes pronunciado pela voz dos fanáticos que se sentam no trono de Salomão e julgam como os antigos Inquisidores.

Em nosso século de civilização cristã, juízes que emulam seus predecessores do tribunal dos filhos de Loyola empregam os mais requintados instrumentos de tortura moral para insultar e levar ao desespero um indefeso autor ou réu.

Nisso são auxiliados por advogados, muitas vezes o tipo do antigo carrasco, que, metaforicamente, quebram os ossos do infeliz que busca justiça; ou, pior ainda, maculam seu bom nome e o apunhalam no coração com as mais vis insinuações, falsas suposições concoctadas para a ocasião, mas que a vítima sabe que dali em diante se tornarão verdades reais na boca da torpe fofoca e da calúnia.

Entre as extintas torturas brutais da não cristã Inquisição de outrora e as mais refinadas torturas mentais de sua cópia igualmente não cristã, porém mais civilizada — nossos Tribunais e truculentos interrogadores —, a palma da “gentileza” e da caridade quase que poderia ser dada à primeira.

Assim, encontramos todo ideal antigo, moral e espiritual, rebaixado para corresponder às atuais concepções baixas, morais e não espirituais do público.

Brutalizados por uma fome psíquica que durou gerações, estão prontos a dar todo Regenerador espiritual ideal como alimento para os cães, enquanto, como seus protótipos devassos, o populacho romano sob Nero, Calígula e Heliogábalo, acorrem para ver touradas em Paris, onde os infelizes cavalos arrastam suas entranhas sangrentas pela arena, almehs importadas dançando sua hedionda danse du ventre, pugilistas negros e brancos mutilando os rostos uns dos outros em polpa sangrenta, e “levantam o teto” com seus vivas quando os Sansões e Sandows rompem correntes e arrebentam fios ao expandir seus músculos preternaturais.


Por que manter a velha farsa por mais tempo? Por que não mudar a canção de Natal assim:—

Gladiator natus hodie.

Ou mudar o conhecido hino desta maneira:—

“GLÓRIA AO OURO NAS ALTURAS E NA TERRA LUTA, MAL-QUERENÇA ENTRE OS HOMENS.”

Para transmutar o deus da era “incivilizada” no ouro da presente era culta, basta a adição de um “l”: uma ninharia para esta geração de idólatras que adoram as moedas de seus respectivos reinos, como a encarnação concreta de seu mais elevado ideal.

Fora! Estamos prontos para fazer uma doação gratuita à Sociedade, com os nossos melhores cumprimentos, de todos esses finos “cavalheiros” europeus e campeões cristãos do nosso século—o século da falsa civilização e do falso cristianismo.

Assim como muitos dos primeiros não hesitam em enganar seus laboriosos comerciantes, privando-os de seus pagamentos, para saldar suas dívidas de jogo, muitos dos últimos não hesitam em receber, sob falsos pretextos, amplas “coletas” e benefícios pessoais, de rebanhos demasiado confiantes.

Pois quem pode negar que os induzem a trocar seus bens mundanos por notas promissórias pagáveis em um estado pós-morte, do qual eles próprios nada sabem e no qual muitos deles não acreditam? Nada seria então mais agradável do que construir um muro ao redor de Mayfair, transformado em um moderno Parc aux Cerfs e um Acampamento de Moisés combinados, para o confinamento dos modernos Bayards, preux chevaliers sem reprovação ou medo, e dos modernos fariseus, ambos os tipos da gloriosa civilização cristã com seu divino ideal de Humanidade culta e convertida.

Pois então, e somente então, nós, Teosofistas e outras pessoas decentes, seríamos livres para conviver sem molestamento com aqueles que são chamados de “pecadores e publicanos” pela moderna “Sinagoga de Jesuítas”—com os Joshua Davidsons de Whitechapel.

Nem as massas de almas verdadeiramente religiosas seriam as perdedoras, se fossem deixadas aos cuidados exclusivos dos poucos padres e clérigos verdadeiramente cristãos que conhecemos; aqueles que agora vivem no temor diário de serem levados a julgamento perante seus bispos e igrejas pelo crime imperdoável de servir seu ideal MESTRE em preferência às formas mortas de seus superiores eclesiásticos.

––––––––––

VISÕES TEOSÓFICAS SOBRE O PRECEDENTE

Em um mundo de ilusão no qual a lei da evolução opera, nada poderia ser mais natural do que os ideais do Homem—como unidade do todo, ou da humanidade—estarem em constante mudança.

Parte da Natureza ao seu redor, essa Natureza proteana, em constante mudança, cada partícula da qual é incessantemente transformada, enquanto o corpo harmonioso permanece como um todo sempre o mesmo, como essas partículas o homem está continuamente mudando física, intelectual, moral e espiritualmente.

Em um momento, ele está no ponto mais alto do círculo de desenvolvimento; em outro, no mais baixo.

E, assim como ele alternadamente ascende e descende, e sua natureza moral responde expandindo-se ou contraindo-se, assim também seu código moral ora incorporará os mais nobres ideais altruístas e aspirações, enquanto noutro momento a consciência dominante será apenas o reflexo do egoísmo, da brutalidade e da infidelidade.

Mas isso, no entanto, ocorre apenas no plano externo e ilusório.

Em sua constituição interna, ou melhor, essencial, tanto a natureza quanto o homem estão em unidade, pois sua essência é idêntica.

Tudo cresce, desenvolve-se e se esforça em direção à perfeição nos primeiros planos da externalidade, ou, como bem disse um filósofo, está "sempre se tornando"; mas no plano último da essência espiritual tudo É, e permanece, portanto, imutável.

É em direção a esse eterno Esse que tudo, assim como todo ser, está gravitando, gradualmente, quase imperceptivelmente, mas tão certamente quanto o Universo de estrelas e mundos se move em direção a um ponto misterioso conhecido, mas ainda não nomeado, pela astronomia e chamado pelos Ocultistas—o Sol Espiritual Central.

Até agora, observou-se em quase todas as épocas históricas que um amplo intervalo, quase um abismo, separava a perfeição prática da perfeição ideal.


No entanto, como de tempos em tempos certos grandes personagens apareceram na Terra que ensinaram a humanidade a olhar além do véu da ilusão, o homem aprendeu que o abismo não era intransponível; que é incumbência da humanidade, por meio de suas raças superiores e mais espirituais, preencher a grande lacuna cada vez mais a cada ciclo vindouro; pois cada homem, como unidade, tem em seu poder contribuir com sua parcela para preenchê-la. Sim; ainda há homens que, não obstante a presente condição caótica do mundo moral e os tristes escombros dos melhores ideais humanos, ainda persistem em acreditar e ensinar que a agora ideal perfeição humana não é um sonho, mas uma lei da natureza divina; e que, mesmo que a Humanidade tivesse de esperar milhões de anos, ainda assim ela deverá um dia alcançá-la e tornar-se novamente uma raça de deuses.

Enquanto isso, a ascensão e queda periódicas do caráter humano nos planos externos ocorrem agora, como ocorreram antes, e a percepção média comum do homem é fraca demais para ver que ambos os processos ocorrem cada vez em um plano mais elevado do que o anterior.

Mas, como tais mudanças nem sempre são obra de séculos, pois frequentemente mudanças extremas são operadas por forças de ação rápida—como guerras, especulações, epidemias, a devastação de fomes ou fanatismo religioso—por isso, as massas cegas imaginam que o homem sempre foi, é e será o mesmo.

Aos olhos de nós, toupeiras, a humanidade é como o nosso globo—aparentemente estacionária.

E, no entanto, ambos se movem no espaço e no tempo com igual velocidade, ao redor de si mesmos e—para frente.

Além disso, em qualquer extremidade de sua evolução, desde o nascimento de sua consciência, na verdade, o homem foi, e ainda é, o veículo de um espírito dual nele—bem e mal.

Como as irmãs gêmeas do grande poema póstumo de Victor Hugo, *La Fin de Satan*—a progênie emanada respectivamente da Luz e das Trevas—o anjo "Liberdade" e o anjo "Ísis-Lilith" escolheram o homem como sua morada na terra, e estes estão em eterna contenda nele.

As Igrejas dizem ao mundo que "o homem nasce em pecado", e João (1ª Epístola iii. 8) acrescenta que "Aquele que comete pecado é do diabo; pois o diabo peca desde o princípio." Aqueles que ainda creem na fábula da costela e da maçã e no

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anjo rebelde "Satanás", creem, como é natural, em um Diabo pessoal—como contraste em uma religião dualista—a um Deus pessoal.

Nós, Teosofistas da escola oriental, não cremos em nenhum dos dois.

No entanto, vamos, talvez, ainda mais longe do que a letra morta bíblica.

Pois dizemos que, embora como Entidades extra-cósmicas não existam nem deus nem diabo, ambos existem, não obstante.

E acrescentamos que ambos habitam a terra no homem, sendo, em verdade, o próprio homem, que é, como ser físico, o diabo, o verdadeiro veículo do mal, e como entidade espiritual—deus, ou o bem.

Portanto, dizer à humanidade, "tu tens o diabo", é proferir uma verdade tão metafísica quanto dizer a todos os seus homens, "Não sabeis que deus habita em vós?" Ambas as afirmações são verdadeiras.

Mas estamos no ponto de virada do grande ciclo social, e é o primeiro fato que tem a primazia no presente.

No entanto—para parafrasear um texto paulino—assim como "há muitos demônios . . . . mas há apenas um Satanás", assim, enquanto temos uma grande variedade de demônios constituindo coletivamente a humanidade, de tais personagens satânicos grandiosos como os pintados por Milton, Byron e recentemente por Victor Hugo, há poucos, se é que há algum.

Portanto, devido a tal mediocridade, os ideais humanos estão caindo, para permanecerem sem substitutos; uma vida prosaica tão espiritualmente morta quanto a névoa de novembro em Londres, e tão viva de materialismo brutal e vícios, os sete pecados capitais formando apenas uma porção destes, quanto essa névoa está de micróbios mortais.

Agora raramente encontramos aspirações ao ideal eterno no coração humano, mas, em vez disso, todo pensamento tendendo para a única ideia central do nosso século, o grande “eu”, o self sendo para cada um o único centro poderoso em torno do qual todo o Universo é feito para girar e voltar.

––––––––––

Quando o Imperador Juliano—chamado o Apóstata porque, acreditando nos grandes ideais de seus antepassados, os Iniciados, não aceitava a forma antropomórfica humana deles—viu pela última vez seus amados deuses aparecerem a ele, ele chorou.

Ai de mim, eles não eram mais os brilhantes seres espirituais que ele adorara, mas apenas as sombras decrépitas, pálidas e gastas dos deuses que ele tanto amara.


Talvez fossem a visão profética dos ideais que partiam de sua era, como também do nosso próprio ciclo.

Esses “deuses” são agora considerados pela Igreja como demônios e assim chamados; enquanto aquele que preservou um amor poético e persistente por eles é imediatamente rotulado como um Anticristo e um Satanás moderno.

Bem, Satanás é um termo elástico, e ninguém jamais deu uma definição sequer aproximadamente lógica do significado simbólico do nome.

O primeiro a antropomorfizá-lo foi John Milton; ele é seu verdadeiro pai intelectual putativo, como é amplamente concedido que o Satanás teológico da Queda é o “Filho nascido da mente” do poeta cego.

Despojado de seus atributos teológicos e dogmáticos, Satanás é simplesmente um adversário;—não necessariamente um “arquidemônio” ou um “perseguidor dos homens”, mas possivelmente também um inimigo do mal.

Ele pode assim tornar-se um Salvador dos oprimidos, um campeão dos fracos e pobres, esmagados pelos demônios menores (homens), os demônios da avareza, do egoísmo e da hipocrisia.

Michelet o chama de “Grande Deserdado” e o acolhe em seu coração.

O gigante Satanás do conceito poético é, na realidade, apenas o composto de toda a intelectualidade insatisfeita e nobre da época.

Mas Victor Hugo foi o primeiro a apreender intuitivamente a verdade oculta.

Satanás, em seu poema com esse nome, é uma Entidade verdadeiramente grandiosa, com humano suficiente nele para trazê-lo ao alcance dos intelectos médios.

Para compreender os Satãs de Milton e de Byron é como tentar agarrar um punhado de névoa matinal: não há nada de humano neles.

O Satã de Milton guerreia com anjos que são uma espécie de fantoches voadores, sem espontaneidade, puxados para o palco do ser e da ação pelo fio invisível da predestinação teológica; o Lúcifer de Hugo trava uma batalha terrível com suas próprias paixões horríveis e novamente se torna um Arcanjo de Luz, após as mais terríveis agonias já concebidas pela mente mortal e registradas pela pena humana.

Todos os outros ideais satânicos empalidecem diante do seu esplendor.

O Mefistófeles de Goethe é um verdadeiro demônio da teologia; o Ahriman do Manfred de Byron — um personagem sobrenatural demais, e até mesmo Manfred tem pouco a ver com o elemento humano, por maior que tenha sido o gênio de seu Criador.

Todas essas imagens empalidecem

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diante do SATÃ de Hugo, que ama tão fortemente quanto odeia.

Manfred e Caim são os Protestos encarnados da individualidade oprimida, injustiçada e perseguida contra o "Mundo" e a "Sociedade" — esses gigantescos demônios e monstros selvagens da injustiça coletiva.

Manfred é o tipo de uma vontade indomável, orgulhosa, que não cede a nenhuma influência terrena ou divina, valorizando sua plena e absoluta liberdade de ação acima de qualquer sentimento pessoal ou consideração social, mais elevada que a Natureza e tudo o que nela existe. Mas, com Manfred como com Caim, o Eu, o "ego" está sempre em primeiro plano; e não há neles uma centelha do amor que tudo redime, tampouco de medo.

Manfred não se submeterá nem mesmo ao Espírito Universal do Mal; sozinho, face a face com o escuro oponente de Ahura-Mazda — Luz Universal — Ahriman e suas inúmeras hostes das Trevas, ele ainda mantém sua posição.

Esses tipos despertam em alguém intensa admiração, assombro reverente por sua audácia desafiadora, mas não despertam nenhum sentimento humano: são ideais sobrenaturais demais.

Byron nunca pensou em vivificar seu Arcanjo com aquela centelha imorredoura de amor que forma — ou melhor, deve formar — a essência do "Primogênito" a partir da essência homogênea da Harmonia e Luz eternas, e é o elemento da reconciliação perdoadora, mesmo em seu (de acordo com nossa filosofia) último rebento terreno — a Humanidade.

A discórdia é concomitante à diferenciação, e Satã, sendo uma evolução, deve, nesse sentido, ser um adversário, um contraste, sendo um tipo da matéria caótica.

A essência amorosa não pode ser extinta, mas apenas pervertida.

Sem esse poder salvífico e redentor, encarnado em Satanás, ele simplesmente aparece como o fracasso absurdo da imbecilidade onipotente e onisciente que os opositores do cristianismo teológico, com escárnio e muita justiça, fazem dele; com ele, torna-se uma Entidade pensável, os Asuras dos mitos purânicos, os primeiros sopros de Brahmâ, que, após lutarem contra os deuses e os derrotarem, são finalmente eles próprios derrotados e então lançados à terra, onde encarnam na Humanidade.

Assim, a Humanidade Satânica torna-se compreensível.

Após percorrer seu ciclo de obstáculos, ele pode, com experiências acumuladas, depois de todas as dores da Humanidade, emergir novamente para a luz—como ensina a filosofia oriental.


Se Hugo tivesse vivido para completar seu poema, possivelmente com percepção fortalecida, ele teria mesclado seu conceito satânico com o das raças arianas, que faz todos os poderes menores, bons ou maus, nascerem no início e morrerem no fim de cada "Era Divina". Como a natureza humana é sempre a mesma, e a evolução sociológica, espiritual e intelectual é uma questão de passo a passo, é bem possível que, em vez de captar apenas metade do ideal satânico como Hugo fez, o próximo grande poeta o obtenha por inteiro: assim, expressando para sua geração a ideia eterna do equilíbrio cósmico tão nobremente enfatizada na mitologia ariana.

A primeira metade desse ideal aproxima-se suficientemente do ideal humano para tornar as torturas morais do Satanás de Hugo inteiramente compreensíveis para o Teosofista oriental.

Qual é o principal tormento desse grande Anarquista Cósmico? É a agonia moral causada por tal dualidade de natureza—o dilaceramento do Espírito do Mal e da Oposição do elemento imortal de amor primordial no Arcanjo.

Essa centelha de amor divino pela Luz e pela Harmonia, que nenhum ÓDIO pode sufocar por completo, causa-lhe uma tortura muito mais insuportável do que sua Queda e exílio por protesto e Rebelião.

Essa brilhante centelha celestial, brilhando em Satanás na escuridão negra de seu reino de noite moral, torna-o visível ao leitor intuitivo.

Fez Victor Hugo vê-lo soluçando em desespero sobre-humano, cada soluço poderoso sacudindo a terra de polo a polo; soluços primeiro de fúria frustrada por não poder extirpar de sua natureza o amor pela Bondade divina (Deus); depois transformando-se em um lamento de desespero por estar separado daquele amor divino pelo qual tanto anseia.

Tudo isso é intensamente humano.

Esse abismo de desespero é a salvação de Satanás.

Em sua Queda, uma pena cai de sua asa branca e outrora imaculada, é iluminada por um raio de radiação divina e imediatamente transformada em um Ser luminoso, o Anjo LIBERDADE.

Assim, ela é filha de Satanás, a criança conjunta de Deus e do Arcanjo Decaído, a progênie do Bem e do Mal, da Luz e das Trevas, e Deus reconhece essa paternidade comum e “sublime” que os une.

É a filha de Satanás que o salva.

No auge do desespero por sentir-se odiado pela LUZ, Satanás ouve as palavras divinas “Não; eu não te odeio”. Diz a

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Voz: “Um anjo está entre nós, e suas obras vão para o teu crédito.

O homem, por ti aprisionado, por ela agora é libertado.”

“O Satanás, tu podes dizer agora; eu viverei!                    Vem; o Anjo Liberdade, é tua filha e minha                    Esta paternidade sublime nos une! . . .”

Toda a concepção é uma floração de idealidade metafísica.

Este lótus branco do pensamento brota agora, como em eras passadas, da podridão do mundo da matéria, gerando Protesto e LIBERDADE.

Ele brota em nosso próprio meio e sob nossos próprios olhos, do lodo da civilização moderna, leito fecundo de virtudes contrastantes.

Nesse solo fétido germinaram os germes que finalmente se desenvolveram em protestadores que tudo negam, Ateus, Niilistas e Anarquistas — homens do Terror.

Maus, violentos, criminosos, alguns deles podem ser, mas nenhum deles poderia servir como cópia de Satanás; porém, tomando essa porção da humanidade de coração partido, sem esperança e amargurada em sua coletividade, eles são exatamente o próprio Satanás; pois ele é a síntese ideal de todas as forças discordantes, e cada vício ou paixão humana separada é apenas um átomo de sua totalidade.

No âmago mais profundo do coração dessa totalidade satânica HUMANA arde a centelha divina, não obstante todas as negações.

Ela se chama AMOR PELA HUMANIDADE, uma aspiração ardente por um reinado universal de Justiça — portanto, um desejo latente de luz, harmonia e bondade.

Onde encontramos tal centelha divina entre os orgulhosos e os ricos? Na sociedade respeitável e na porção correta e ortodoxa, assim chamada religiosa, do público, encontra-se apenas um sentimento predominante de egoísmo e um desejo de riqueza às custas dos fracos e dos indigentes, portanto, em paralelo, indiferença à injustiça e ao mal.

Antes que Satanás, o PROTEST0 encarnado, se arrependa e se reúna com seus semelhantes em uma fraternidade comum, toda causa de protesto deve ter desaparecido da terra.

E isso só poderá acontecer quando a Ganância, a Parcialidade e o Preconceito tiverem desaparecido diante dos elementos de Altruísmo e Justiça para todos.

Liberdade, ou –––––––––– [Seção: “Satan pardonné.”—Compilador.] –––––––––– Liberdade, é apenas uma palavra vã agora em todo o globo civilizado; liberdade é apenas um sinônimo astucioso para a opressão do povo em nome do povo, e ela existe para castas, nunca para indivíduos.


Para estabelecer o reinado da Liberdade como contemplado pelo Satã de Hugo, o “Anjo Liberdade” tem de nascer simultaneamente e pelo amor e consentimento comuns da casta “superior” e rica, e das classes “inferiores”— os pobres; em outras palavras, tornar-se a progênie de “Deus” e “Satã”, reconciliando assim os dois.

Mas isso é uma Utopia— por enquanto.

Não pode ocorrer antes que as castas dos levitas modernos e sua teologia— o fruto do Mar Morto da Espiritualidade— tenham desaparecido; e os sacerdotes do Futuro tenham declarado diante do mundo inteiro nas palavras de seu “Deus”— “Et j’efface la nuit sinistre, et rien n’en reste.

Satan est mort; renais, ô LUCIFER CÉLESTE! H.P.B.

–––––––––– Escritos Coligidos VOLUME XII NOTAS DE RODAPÉ A “OS ALQUIMISTAS” [Lucifer, Vol.

No. 28, dezembro de 1889, pp. 288-297]

[John Ransom Bridge, F.T.S., contribui com um ensaio em defesa dos Alquimistas da Idade Média.

Ele cita vários escritos alquímicos, e certas expressões simbólicas que neles ocorrem suscitam vários comentários de H.P.B.]

[Citando de Secrets Revealed: or an open entrance to the Shut Palace of the King, etc., de Eirenaeus Philaletha, Londres, 1669, a seguinte frase é apresentada: “Mas se procederes cautelosamente neste Regime, encontrarás estas coisas notáveis: primeiro observarás um certo suor citrino sobre o teu Corpo; e após esse vapor citrino, então o teu Corpo abaixo será tingido de uma cor violeta, com um púrpura obscuro intercalado.

. .”]

Não se referiria “o teu Corpo abaixo será tingido de uma cor violeta” antes ao Linga-®arira, que corresponde à cor violeta como um composto de vermelho (Kama-rupa)

NOTAS DE RODAPÉ A “OS ALQUIMISTAS”

e o azul-índigo escuro do Manas superior — o “púrpura” tornando-se obscuro, significando simplesmente o início da purificação do Quaternário inferior?

[“. . . tua matéria se converterá em grãos, tão finos quanto os átomos de Sol, e a cor será o mais alto vermelho imaginável que, por sua vermelhidão transcendente, parecerá enegrecida . . .”]

O vermelho transcendente ou laranja-dourado do Sol.

Isto não deve ser confundido com a vermelhidão escarlate do Kama-rupico.

Tenha em mente a cor das vestes dos Yogis, cuja cor é simbólica do sol da vida e do sangue vital humano.

[Referindo-se à Alma e ao Corpo do homem, as seguintes palavras são citadas da Clavis Alchymiae de Artephius: “. . . quando eles se elevam ou ascendem, nascem ou são trazidos à existência no Ar ou Espírito, e no mesmo são transformados, e feitos Vida com Vida, de modo que nunca podem ser separados, mas são como água misturada com água.

E portanto é sabiamente dito, que a Pedra nasce do Espírito, porque é totalmente espiritual.”]

Isto é, a “Alma [Manas] e o Corpo do Homem” (Corpo significando o homem astral) assimilam o Espírito (Buddhi); são feitos “Vida com Vida” (ou se fundem na VIDA UNA). Em outras palavras, o misterioso processo da transformação do chumbo (personalidade) em ouro (Espírito puro e homogêneo) é aqui significado.

Verdadeiramente a Pedra nasce do Espírito.

[Mais adiante, uma série de passagens é citada de Eirenaeus Philalethes, um Comentário sobre O Composto de Alquimia de Sir George Ripley.]

[louvores ao Senhor] Por “Senhor” o EU SUPERIOR é aqui significado — “aquele EU que é o Redentor do homem”, quer seja chamado Cristo ou Krishna.

[o Quadrângulo é reduzido a um Círculo] os quatro elementos da natureza são vistos correndo uns nos outros, de modo que constituem um círculo.

–––––––––– [Esta é a obra de Eirenaeus Philalethes intitulada Um Breviário de Alquimia: ou um Comentário sobre a Recapitulação de Ser G. Ripley, 1678, 8vo.—Compilador.] –––––––––– [Esta Videira filosófica (tu mesmo ainda) parece florescer e produzir cachos verdes] Esta “Videira filosófica” é o Manas inferior, finalmente fundido e reunido ao seu Alter Ego superior, quando começa a produzir os cachos verdes da “Videira verdadeira” para o Lavrador, o “Pai” ou Eu Superior (Atma-Buddhi); ver João, XV. [Tua Pedra (tu mesmo) já passou por muitos perigos, e ainda assim o perigo não terminou completamente] Este “perigo” vem do Antaskarana, a ponte de comunicação entre a Personalidade e a individualidade, que ainda não foi destruída.


Ver Vâkya Sudhâ, a Filosofia do Sujeito e do Objeto, página 3, 1ª nota, em Raja Yoga, Metafísica Prática do Vedanta.

[este verde será superado pelo azul; e este pela cor pálida e lívida, que finalmente chegará a um amarelo-citrino; que... durará por espaço de quarenta e seis dias] O verde do Manas inferior, a Alma Animal, será “superado pelo azul” ou pela reflexão do Superior (que é Índigo), em sua aura, que é azul, quando pura.

O ciclo dos 46 Fogos, o período entre a morte e o novo renascimento, em Devachan.

O ciclo dos 49 Fogos é o período entre dois manvantaras.

Os membros da E.S. compreenderão isso melhor do que os da F.T.S. [Então o Fogo Celestial descerá... nosso Sol se assentará no Sul, brilhando com vermelhidão incomparável] O EU SUPERIOR derramará seu esplendor sobre o coração (a câmara de Brahma) mesmo do homem ainda vivo.

[nosso Rei... passou da morte para a Vida, e possui as chaves tanto da morte quanto do inferno] Da morte na matéria para a Vida no Espírito.

O homem torna-se um CHRISTOS, o Mestre e guardião da “morte e do inferno”, i.e., da Terra, da Matéria e do corpo físico dos Sentidos.

[então os elementos são unidos] Todos os “Princípios” no homem fundem-se em um único “Princípio”—Atma-Buddhi, sendo os elementos terrestres mais grosseiros do corpo inferior, naturalmente, destruídos.

NOTAS DE RODAPÉ PARA “OS ALQUIMISTAS”

[Este é um passo notável, do Inferno ao Céu] Dificilmente é necessário tornar isso mais claro.

Com os antigos Místicos e mesmo os Ocultistas modernos, o corpo físico sempre foi chamado de “a sepultura” e o “Inferno”, enquanto o homem Espiritual era referido como o Poder Celestial, etc.

[a necessidade de ação alternada sobre os corpos naturais . . . . eles devem ser . . . . prosperados e entristecidos, a fim de se tornarem maleáveis e flexíveis . . . . . . tudo o que deve ser feito com um único Fogo . . .] O homem ascende à glória através do sofrimento, a fim de ser tornado "maleável e flexível", ou impermeável às emoções e sentimentos de seus sentidos físicos.

Este "Fogo" é o de Alaya, a "Alma do Mundo", cuja essência é o AMOR, i.e., a Simpatia homogênea, que é a Harmonia, ou a "Música das Esferas". Vide A Voz do Silêncio, IIIº Tratado, página 69.

––––––––––                        Obras Completas VOLUME XII                          "INDO E VINDO NA TERRA"                              [Lucifer, Vol.

V, No. 28, dezembro de 1889, pp. 349-350]

[Após algumas citações bastante extensas de jornais e órgãos missionários da época,      H.P.B. cita também uma passagem do Fire-Brand da Igreja Metodista Livre Americana.

Uma      visão bastante materialista é apresentada com relação a Deus e à maneira pela qual se alega que Ele      supre alimento aos seus trabalhadores.

Nesse contexto, H.P.B. faz a seguinte pergunta:]

O CATECISMO DA CIÊNCIA

Indo e vindo na terra, o adversário deparou-se com uma relíquia de Paul Bert, o vivisseccionista.

Ele era um homem prático, ao que parece; que, tendo obtido êxito em seus louváveis esforços para "exilar o deus" da teologia das escolas, tribunais, cemitérios e hospitais da França, passou a substituir os antigos por novos compêndios; daí seus "Catecismos Civis", para uso dos futuros cidadãos da grande República.

Ele próprio escreveu um Manual de Ética Cívica e convidou outros a fazerem o mesmo.

Seu apelo resultou na criação de uma biblioteca-modelo de Compêndios repletos de moral cívica e revelações científicas.


Escolhemos um fragmento do Catéchisme Laïque (de 1883), como amostra das grandes verdades neles contidas (reveladas à, e pela, Ciência).

PERGUNTA.

O que é Deus—RESPOSTA.

"Não sei."      P. Quem criou o Universo?—R. "Não sei.

"      P. De onde vem a humanidade? Para onde tende?—R. "Não sei.

"      P. O que devemos esperar após a morte?—R. "Não sei.

"      P. Quando e como o homem apareceu na terra?—R. "Não sei.

"     P. — Você não sente vergonha da sua ignorância? — R. — "Não há vergonha em ignorar aquilo que ninguém jamais conheceu."      P. — Se você nega todas as verdades da suposta religião, quais são as verdades que você aceita? — R. — "Creio na emancipação da humanidade por meio da ciência natural; creio na harmonia criada pelo cumprimento de todos os nossos deveres; creio na regeneração do meu país com a ajuda da democracia; creio no gênio conquistador da nossa nação, que sempre foi e será o portador e promotor da luz e da liberdade."

Em seguida, vem o ensino de outras verdades da religião natural, conforme a última palavra da ciência natural.

A evolução zoológica é explicada.

A descendência da ave a partir do lagarto é ensinada da seguinte forma: — O lagarto, nos dizem, era consumido por uma ambição gigantesca; queria tornar-se uma ave e voar em direção ao sol; essa era a sua ideia fixa.

Os sonhos e aspirações daquele réptil quadrúpede de cabeça chata eram tão decididos e intensos, sua vontade tão forte, que a natureza obediente teve de submeter-se e agir de acordo.

(sic).

P. — Obediente a quem, ou a quê? A que é que a natureza teve de se submeter? — R. — "Ao direito eterno, a lei da vida evolutiva, difundida por todo o universo em tal quantidade que transborda cada ponto dele, sempre absorvida e sempre renovada."

      P. — Continue! — R. — "Digo que, uma vez que o gosto pela evolução se desenvolveu no lagarto, a natureza teve de assumir o dever de transformá-lo em ave.

O lagarto sentiu um dia o aparecimento de penas em seu dorso escamoso e, erguendo-se sobre as patas traseiras, pôs-se a mover as quatro patas ritmicamente, até que estas gradualmente se transformaram em asas."

"INDO E VINDO NA TERRA"

É interessante notar que a mera ação ininterrupta da intensa força de vontade e do desejo é considerada pela Ciência como um agente mágico capaz de realizar aquilo que o ocultista chama de fenômenos por meio de Kriyaśakti ("vontade criativa"), que transforma um objeto em outro e até criou homens a partir do material disponível, nos dias da humanidade pré-adâmica.

Assim, um ponto é conquistado.

Mas se esses Catéchismes Laïques tivessem prevalecido e se tornado populares, que tipo de raça os franceses teriam se tornado, criados na fé exclusiva nos "princípios da evolução do lagarto", desprovidos até mesmo de um vislumbre de metafísica?

––––––––––

Um estudo muito curioso é o da Quiromancia, e um que bem poderia ser examinado pelo biólogo.

É sabido que em Paris o método mais infalível de registrar criminosos tem sido pela impressão das pontas dos dedos.

As pessoas podem mudar seus rostos, mas suas mãos nunca.

A forma da mão, como um todo, sem dúvida mostra caráter e treinamento.

Para ter certeza disso, basta colocar lado a lado a mão do artista, do homem de capacidade administrativa e do trabalhador braçal.

Contraste as pontas dos dedos do tecelão, do relojoeiro, do mineiro.

Os comprimentos relativos da palma e dos dedos também são ditos mostrar caráter, a natureza passional e física manifestando-se na parte indivisa da mão, a intelectual e psíquica nos dedos.

O polegar, novamente, é significativo, mostrando na forma e no comprimento o equilíbrio do caráter — "um polegar capaz", como disse um romancista, descrevendo uma mulher inteligente.

E então as linhas: mais escassas e simples nos caracteres mais diretos e simples, numerosas e complexas nas naturezas mais multifacetadas e sensíveis.

Se algum de nossos leitores se interessar em examinar este curioso desvio de especulação, encontrarão a Sra.

Louise Cotton, 43, Abington Villas, Kensington, W., uma expositora muito inteligente do assunto.

ADVERSÁRIO                        Collected Writings VOLUME XII 58                             BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

NOTAS DIVERSAS                            [Lucifer, Vol.

V, No. 28, 15 de dezembro de 1889, pp. 344, 351]

[Em conexão com uma palestra proferida pelo Dr. Jerome A. Anderson em uma reunião da Sociedade de Livre Pensamento de São Francisco, na qual ele teria sido citado como tendo dito que "a mônada espiritual no homem recebia persistência individual apenas durante um manvantara, ou ciclo de existência material".]

Esta frase não deve ser mal compreendida, pois é relatada de forma um pouco vaga demais.

A "Mônada Espiritual" é eterna porque incriada, mas sua "persistência individual" — em forma humana e corpos nesta cadeia terrestre ou durante o ciclo de vida — dura apenas "um manvantara". Isso não impede que a mesma Mônada Espiritual, ao final do Maha-pralaya (a Grande Era de Repouso), inicie outro "ciclo de vida" mais elevado e mais perfeito, com o fruto das experiências acumuladas de todas as personalidades que o Ego "individual" (manas) informou.

[Comentando uma frase em A Luz Astral, de Nizida (Londres: Theos.

Publishing Co.) que dizia: "A substância do pensamento do universo, ou seja, a luz astral . . ."]

Segundo o ensinamento oculto, a Luz Astral não é a "substância do pensamento" do Universo, mas o registrador de cada pensamento; o espelho universal que reflete cada evento e pensamento, assim como cada ser e coisa, animada ou inanimada.

Nós a chamamos o grande Mar da Ilusão, Maya.— (Ed.)                        Collected Writings VOLUME XII                        OS FATOS APRESENTADOS AOS MESTRES

OS FATOS APRESENTADOS AOS MESTRES

A reunião da última segunda-feira consistiu de entre 47 e 50 teosofistas.

Cada um havia sido convidado a trazer amigos.

A Condessa e I. C. O. convidaram a maioria deles, e destes, descubro que dois terços dos convidados estão interessados em Teosofia e metade deles aceitou ingressos para as reuniões de "quinta-feira".

Todos os nossos teosofistas de casa falaram sobre Teosofia, cada um tentando interessar seu grupo.

Disseram-me que trabalharam admiravelmente e a próxima quinta-feira mostrará os resultados.

Contudo, como A. B. parecia totalmente contra a coisa, decidi obter das fontes certas a opinião dos Mestres.

Descobri que eu estava certo e que não havia nada nas segundas-feiras que pudesse ser usado contra a S. T. ou contra nós.

São a Condessa e I. C. O. que arcam com as despesas, e como o fazem pela Teosofia, trabalham de acordo com o programa.

––––––––––

––––––––––       [O Manuscrito original desta declaração, na caligrafia de H.P.B., está nos Arquivos da antiga Sociedade Teosófica de Point Loma.

Não é assinado nem datado e foi aparentemente enviado a W. Q. Judge.

Deve ter sido escrito quando o Lodge Blavatsky, em Londres, começava a crescer e se expandir rapidamente, o que teria sido em 1888-89. Confrontada com opiniões diametralmente opostas de vários tipos de pessoas, H.P.B. deve ter sentido o impulso de fazer essas perguntas.

A Condessa Constance Wachtmeister estava na época administrando a Sociedade de Publicações Teosóficas e era a chefe da Biblioteca e do Fundo de Propaganda.

As iniciais I.C.O. significam Sra.

Isabel Cooper-Oakley.

Annie Besant era contra a ideia de convidar todas essas pessoas da moda para tais eventos como os aqui discutidos.

Este Manuscrito foi originalmente publicado em The Theosophical Forum, Covina, Calif., Vol.

XXVI, janeiro de 1948.—Compilador.] –––––––––– RESPOSTAS A ALGUMAS PERGUNTAS SOBRE ISTO.


Insegura quanto à correção de minhas próprias impressões, dirigi as seguintes perguntas e recebi as respostas como declarado.

P. Errei ao incentivar as recepções mensais propostas, com o objetivo de interessar alguns homens e mulheres da sociedade no movimento da S. T.?  
R. De modo algum.

O tempo é curto e, como diz o Sábio: “Nenhum esforço se perde.

Toda causa deve produzir seus efeitos.

O resultado pode variar conforme as circunstâncias que fazem parte da causa, mas é sempre mais sábio trabalhar e forçar a corrente dos acontecimentos do que esperar pelo tempo.” A menos que sejam procurados, nenhum homem ou mulher das classes mais elevadas e educadas virá até vocês nesta fase de oposição e luta; e, por não virem, jamais aprenderão a verdade sobre os teosofistas sinceros e seus meritórios esforços para vencer e desvelar a verdade.

P. É provável que os teosofistas que oferecem essas festas, bem como aqueles que os ajudam, sejam considerados frívolos?  
R. Se o motivo deles não é frívolo, o que importa se o forem? Que fixem os olhos na meta diante deles e nunca a percam de vista—e assim serão justificados.

P. É antiteosófico convidar para dentro de casa pessoas do mundo, ricas e abastadas, que têm suas carruagens e se vestem na moda?  
R. Questionar o direito de tais pessoas, ou de quaisquer outras, de participar do “Movimento” é, em si, antiteosófico.

Se os teosofistas percebem que todo homem é uma parte componente e integral da fraternidade universal e da Humanidade, então, quem quer que seja, ele tem direito a uma tentativa, ao menos.

O que afeta um, agirá e reagirá sobre todos.

O lema

OS FATOS APRESENTADOS AOS MESTRES

da Sede da S. T. deveria ser—“justiça rigorosa para todos.” Se é certo cuidar dos pobres e dos que sofrem, é igualmente certo cuidar dos ricos e de todos aqueles que, inevitavelmente, serão levados a sofrimentos muito maiores, a menos que sejam advertidos e lhes seja mostrada a verdadeira causa de todas essas dores kármicas.

Quanto mais pobre é um homem, mais triste é sua vida, mais próximo está do fim de seu Karma punitivo; quanto mais rico é seu vizinho, mais cheia de prazeres é sua vida, mais próximo está—a menos que aja no caminho certo—[de] sua sentença kármica.

Ajude os pobres, mas tenha piedade dos ricos ignorantes.

P. Quanta verdade há em que a festa de segunda-feira encheu a casa de Elementais, com os espectros da frivolidade, etc.?  
R. Você mesmo disse, e muito corretamente, que a multidão das reuniões de quinta-feira era tão ruim quanto, pois a maioria dos visitantes vem movida mais por curiosidade mórbida do que por simpatia, por mais preconceito latente e má vontade do que interesse em seu trabalho.

Toda multidão tem suas emanações; toda reunião — e quanto maior, mais potentes suas excreções ocultas — seus eflúvios criadores de espectros.

As reuniões no “Clube” são igualmente ruins; as multidões nos Salões de Conferências, piores ainda.

No entanto, sendo o motivo para enfrentá-las, em cada caso, meritório e puro, nenhum mal será permitido àqueles que enfrentam os “Elementais” com o santo objetivo de fazer o bem supremo.

P. Estou errado em pensar que nossos Teosofistas, ao fazerem o que fizeram, realmente fizeram um sacrifício? Que colocaram suas personalidades em desconforto e assumiram sobre si problemas, gastos de dinheiro, perda de tempo, etc., apenas pelo bem de ajudar o Movimento e a difusão de nossas ideias? R. Não; você não está errado.

Não foi prazer para a maioria deles, mas simplesmente dever.

P. Eles não devem ser culpados, então, por tais reuniões? Quero dizer, por tentar tornar essas recepções atraentes; por se vestirem bem e ter música, etc.?


R. Não vejo por que deveriam ser culpados.

Todo Teosofista faz o que pode e deve fazê-lo nas linhas em que pode trabalhar e que conhece.

Um leva suas energias entre um grupo de pessoas, trabalha para uma classe de homens.

Outro tenta fazer o mesmo entre aqueles com quem mais simpatiza.

Todo homem é uma encarnação de diferentes ideias e, enquanto vive e se move neste plano, tem que trabalhar através e com a ajuda de seu corpo físico, que é o instrumento necessário que lhe permite entrar em contato com a matéria e controlá-la, misturar-se com outras pessoas e influenciá-las.

Por que não deveriam vestir esses corpos? A personalidade não deve ser nem exaltada nem negligenciada.

A S. T. pode ser comparada a um corpo humano.

Cada órgão desempenha uma função diferente, separada das demais, mas todos trabalham para o corpo e ajudam uns aos outros.

Por que esperar que o cérebro digira sua comida e que os músculos de suas pernas pensem em ideias? Por que o coração deveria dizer à língua — “Não te movas, tua tagarelice me perturba”, se a língua cumpre seu dever atribuído pela Natureza e para o benefício de todo o corpo? O Self é o Mestre do corpo e é seu dever não permitir que seu equilíbrio mental seja perturbado por qualquer coisa que possa acontecer ao seu corpo físico, ou recusar seu uso sob quaisquer circunstâncias, se esse uso for de algum benefício ao seu próximo.

Mas também é seu dever guiar suas emoções do coração e não permitir que essas emoções o guiem.

Diga aos que o cercam que cada um deles é um Eu diferente do “Eu” de seu Irmão ou Irmã, e que tudo o que o corpo de um possa ser levado a fazer em benefício de todos e em um Espírito absoluto de altruísmo — é meritório . . . ....

P. Quando foi declarado que, caso o próprio Mestre desse ordens para permanecer em casa ou participar dessas “frivolidades”, as ordens do Mestre não seriam obedecidas, o que eu deveria ter dito?      R. Nada.

A parte que declarou isso sendo a única responsável pela afirmação.

OS FATOS APRESENTADOS AOS MESTRES

P. Exatamente; mas o que quero que o Senhor declare é o aspecto oculto de tal atitude, o Nidana despertado, para que eu possa repetir suas próprias palavras.

Essa observação foi certa? ou errada? e, se assim for — por quê?     R. Cada um tem o direito de agir de acordo com sua própria consciência; mas é a natureza de tal ato de consciência que decide se ele será certo ou errado.

Suponha que uma “ordem sob compromisso” viesse para fazer algo vil e criminoso — por exemplo, vender o próprio filho ou filha, ou roubar de maneira legal o vizinho.

Então nenhum compromisso poderia valer.

A “ordem” seria algo que vai inteiramente contra uma lei universalmente reconhecida, um princípio.

Mas no caso em questão a situação é bem diferente: aqui a “Ordem” diz respeito a algo que era apenas um preconceito pessoal baseado em espírito de partido.

A parte comprometida não pode ir contra algo tão inocente quanto uma reunião social em nome da Teosofia, mas o faz, opondo-se a seus colegas de estudo e companheiros por motivos inteiramente egoístas e pessoais, um pecado em si.

Se então tal ordem fosse alguma vez dada (o que, felizmente para todos os envolvidos, nunca será) e a pessoa comprometida se recusasse a obedecê-la, embora soubesse que, uma vez que foi dada, algo sério devia estar envolvido nela, então — você sabe quais seriam os efeitos disso.    P. Eu sei, mas então a “parte” não o sabe.    R. Então ela deveria saber. Uma “ordem” direta é de fato algo raro e muito sério.

Você não tem o direito de deixar qualquer um deles permanecer na ignorância.

Escritos Reunidos VOLUME XII 64                             BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

[“A VOZ DO SILÊNCIO”]      [Em julho e agosto de 1889, H.P.B. foi primeiro a Fontainebleau, França, e depois a St. Helier e St. Aubins, na Ilha de Jersey.

Ela foi acompanhada, pelo menos em parte do tempo, pela Sra.

Ida Garrison Candler, de Brookline, Boston, Mass., que foi Curadora da Sede Europeia da S.T., e amiga íntima de H.P.B. É durante essa breve viagem, cujo propósito principal era descansar e mudar de ambiente, que H.P.B. escreveu *A Voz do Silêncio*, sua joia devocional, publicada mais tarde no mesmo ano.

Pode ser encontrado, juntamente com *A Chave para a Teosofia*, publicado no mesmo ano, em um Volume separado da presente Série.]                     Escritos Reunidos VOLUME XII                                NA MANHÃ DO ANO NOVO

1890!                           NA MANHÃ DO ANO NOVO                            [Lucifer, Vol.

V, No 29, janeiro de 1890, pp. 357-364]                                                    "O véu que cobre a face do futuro é tecido pela                                                mão da Misericórdia."                                                                                     —BULWER-LYTTON.

UM FELIZ ANO NOVO A TODOS! Isso parece fácil de dizer, e todos esperam algum cumprimento assim.

No entanto, se o desejo, embora possa provir de um coração sincero, é provável que se realize mesmo no caso de poucos—é mais difícil de decidir.

De acordo com nossos princípios teosóficos, todo homem ou mulher é dotado, mais ou menos, de uma potencialidade magnética, que, quando auxiliada por uma vontade sincera, e especialmente por uma vontade intensa e indomável—é a mais eficaz das alavancas mágicas colocadas pela Natureza nas mãos humanas—tanto para a desgraça quanto para a ventura.

Usemos então, nós, Teosofistas, essa vontade para enviar um sincero cumprimento e um desejo de boa sorte para o Ano Novo a toda criatura viva sob o sol—incluindo inimigos e impiedosos detratores.

Procuremos sentir-nos especialmente bondosos e indulgentes para com nossos adversários e perseguidores, honestos ou desonestos, para que alguns de nós não enviem inconscientemente um cumprimento de "mau-olhado" em vez de uma bênção.

Tal efeito é produzido com demasiada facilidade, mesmo sem a ajuda da combinação oculta dos dois números, o 8 e o 9, do ano que se foi e do ano recém-nascido.

Mas com esses dois números a nos encarar, um desejo maligno, neste momento, seria simplesmente desastroso!     "Olá!" ouvimos alguns leitores casuais exclamarem.

"Aqui está uma nova superstição dos excêntricos teosóficos: ouçamo-la. . . . ."     Ouvireis, amados críticos, embora não seja uma superstição nova, mas muito antiga.

É uma compartilhada, outrora, por

tempo, e firmemente acreditado por todos os Césares e potentados mundiais.

Estes temiam o número 8, porque ele postula a igualdade de todos os homens.

Da unidade eterna e do misterioso número sete, do Céu e dos sete planetas e da esfera das estrelas fixas, na filosofia da aritmética, nasceu a ogdóada.

Era o primeiro cubo dos números pares e, portanto, considerado sagrado. Na filosofia oriental, o número oito simboliza a igualdade das unidades, a ordem e a simetria no céu, transformadas em desigualdade e confusão na terra, pelo egoísmo, o grande rebelde contra os decretos da Natureza.

“A figura 8 ou ∞ indica o movimento perpétuo e regular do Universo”, diz Ragon.

Mas, se é perfeito como número cósmico, é igualmente o símbolo do eu inferior, da natureza animal do homem.

Assim, auguramos mal para a porção altruísta da humanidade a partir da presente combinação dos números do ano.

Pois os números centrais 89 no ano de 1890 são apenas uma repetição dos dois números no final de 1889. E o nove era um dígito terrivelmente temido pelos antigos.

Para eles, era um símbolo de grandes mudanças, cósmicas e sociais, e de versatilidade, em geral; o triste emblema da fragilidade das coisas humanas. A figura representa a terra sob a influência de um princípio maligno; os cabalistas sustentando, além disso, que ela também simboliza o ato de reprodução e geração.

Ou seja, o ano de 1890 se prepara para reproduzir todos os males de seu progenitor 1889 e para gerar muitos dos seus próprios.

Três vezes três é o grande símbolo da corporificação, ou da materialização do espírito, segundo Pitágoras — portanto, da matéria grosseira. ––––––––––       Como mostrado por Ragon, o Maçom-Ocultista, a ogdóada gnóstica tinha oito estrelas representando os 8 Cabiri de Samotrácia, os 8 princípios dos egípcios e fenícios, os 8 deuses de Xenócrates, os 8 ângulos da pedra cúbica.

[Maçonnerie occulte, p. 435 nota de rodapé.]       A razão para isso é que, segundo os pitagóricos, cada um dos três elementos que constituem nossos corpos é uma tríade: a água contendo terra e fogo; a terra contendo partículas aquosas e ígneas; e o fogo sendo temperado por glóbulos aquosos e corpúsculos terrestres que lhe servem de alimento.

Daí o nome dado à matéria, o “envelope nonagoso”. ––––––––––

NA MANHÃ DO DIA DE ANO-NOVO

Toda extensão material, toda linha circular era representada pelo número 9, pois os antigos filósofos haviam observado aquilo que os filosofículos de nossa época ou não conseguem ver, ou então não lhe atribuem importância alguma.

No entanto, a depravação natural desse dígito e número é terrível.

Sendo sagrado para as esferas, ele se apresenta como o signo da circunferência, uma vez que seu valor em graus é igual a 9 — isto é, a 3 + 6 + 0. Daí ser também o símbolo da cabeça humana — especialmente da cabeça média moderna, sempre pronta a se exibir como se fosse um 3 quando mal chega a sê-lo. Além disso, esse bendito 9 possui a curiosa capacidade de se reproduzir integralmente em toda multiplicação, quer se queira, quer não; ou seja, quando multiplicado por si mesmo ou por qualquer outro número, essa figura atrevida e perniciosa resultará sempre numa soma de 9 — um truque vicioso da natureza material, que também se reproduz ao menor pretexto.

Portanto, torna-se compreensível por que os antigos fizeram do 9 o símbolo da Matéria, e nós, os ocultistas modernos, dele fazemos o símbolo do materialismo de nossa época — o fatal século XIX, agora felizmente em seu declínio.

––––––––––

Se essa sabedoria antediluviana dos tempos não conseguir penetrar na “circunferência” das “esferas” cefaloides de nossos modernos Cientistas e Matemáticos — então não sabemos o que o conseguirá. O futuro oculto de 1890 está oculto no passado exotérico de 1889 e em seus oito anos patronímicos precedentes.

Infelizmente — ou diremos, felizmente —, o homem neste ciclo sombrio é privado, como um todo coletivo, da faculdade de previsão.

Quer tomemos em nossa consideração mística o homem de negócios comum, o devasso, o materialista ou o fanático, é sempre o mesmo.

Obrigado a confinar sua atenção às preocupações do dia, o homem de negócios apenas imita a formiga previdente, acumulando provisões contra o inverno da velhice; enquanto o eleito da fortuna e das ilusões cármicas faz o possível para imitar o gafanhoto em seu zumbido perpétuo e canto de verão.

O cuidado egoísta de um e a absoluta imprudência do outro fazem com que ambos desconsiderem e muitas vezes permaneçam inteiramente ignorantes de qualquer dever sério para com a Humanidade.


Quanto aos dois últimos, a saber, o materialista e o fanático, seu dever para com o próximo e sua caridade para com todos começam e terminam em casa.

A maioria dos homens ama apenas aqueles que compartilham de suas respectivas maneiras de pensar, e não se importam com o futuro das raças ou do mundo; nem darão um pensamento, se puderem evitar, à vida pós-morte.

Devido aos seus respectivos temperamentos psíquicos, cada homem espera que a morte o introduza, seja através de pórticos dourados em um céu convencional, seja através de cavernas sulfurosas em um inferno de amianto, ou então à beira de um abismo de não-existência.

E eis que todos eles—exceto o materialista—temem a morte, com certeza! Não estará esse medo na base da aversão de certas pessoas à Teosofia e à Metafísica? Mas nenhum homem neste século—que gira loucamente em direção ao seu túmulo escancarado—tem tempo ou desejo de dar mais do que um pensamento casual, seja ao visitante sombrio que não deixará de vir a nenhum de nós, seja à Futuridade.

Eles estão, talvez, certos quanto a esta última.

O futuro reside no presente, e ambos incluem o Passado.

Com uma rara percepção oculta, Rohel fez uma observação verdadeiramente esotérica ao dizer que "o futuro não vem de frente para nos encontrar, mas flui de trás, por cima de nossas cabeças." Para o Ocultista e o Teosofista comum, o Futuro e o Passado estão ambos incluídos em cada momento de suas vidas, portanto, no eterno PRESENTE.

O Passado é uma torrente que passa loucamente, que enfrentamos incessantemente, sem um segundo de intervalo; cada onda sua, e cada gota sua, sendo um evento, seja grande ou pequeno.

No entanto, mal o enfrentamos, e quer traga alegria ou tristeza, quer nos eleve ou nos derrube, ele é levado e desaparece atrás de nós, para se perder, mais cedo ou mais tarde, no grande Mar do Esquecimento.

Depende de nós tornar cada tal evento inexistente para nós mesmos, obliterando-o de nossa memória; ou então criar de nossas tristezas passadas Abutres Prometeicos—aquelas "aves de asas escuras, as memórias encarnadas do Passado," que, na fantasia gráfica de Sala, "circulam e gritam sobre o lago Lete." No primeiro caso, somos verdadeiros                             NA MANHÃ DO ANO NOVO

filósofos; no segundo—mas soldados tímidos e até covardes do exército chamado humanidade, e comandados na grande batalha da Vida pelo "Rei Karma." Felizes aqueles de seus guerreiros por quem a Morte é considerada uma mãe terna e misericordiosa.

Ela embala seus filhos doentes em um doce sono em seu seio frio e suave, apenas para despertá-los um momento depois, curados de todos os males, felizes, e com uma recompensa dez vezes maior por cada suspiro amargo ou lágrima.

O esquecimento pós-morte de todo o mal — até o menor — é a característica mais venturosa do “paraíso” em que acreditamos. Sim: o esquecimento da dor e do sofrimento e a lembrança vívida apenas, ou melhor, o reviver mais uma vez de cada momento feliz do nosso drama terrestre; e, se tal momento jamais ocorreu na vida triste de alguém, então, a realização gloriosa de todo desejo legítimo, bem merecido, porém não satisfeito, que já tivemos, tão verdadeira quanto a própria vida e intensificada setenta e sete vezes sete....

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Os cristãos — especialmente os continentais — celebram seus dias de Ano Novo com pompa especial.

Esse dia é o Devachan das crianças e dos servos, e todos devem ser felizes, de Reis e Rainhas até os porteiros e as cozinheiras.

O festival é, naturalmente, puramente pagão, como o são, com pouquíssimas exceções, todos os nossos dias santos.

Os queridos costumes pagãos antigos não desapareceram, nem mesmo na Inglaterra protestante, embora aqui o Ano Novo não seja mais um dia sagrado — pena.

Os presentes, que na antiga Roma eram chamados de *strenae* (hoje, os *étrennes* franceses), ainda são trocados mutuamente.

As pessoas se cumprimentam com as palavras: — *Annum novum faustum felicemque tibi*, como antigamente; os magistrados, é verdade, não sacrificam mais um boi branco a Jano.

Mas magistrados, sacerdotes e todos ainda devoram, em comemoração ao cisne e ao boi, grandes e gordos bois e perus em seus jantares de Natal e Ano Novo.

As tâmaras douradas, as ameixas e figos secos e dourados passaram agora das mãos dos tribunos, a caminho do Capitólio, para as árvores de Natal das crianças.

Contudo, se o moderno Calígula não recebe mais pilhas de moedas de cobre com a cabeça de Jano em um dos lados, é porque sua própria efígie substitui a do deus em cada moeda, e que o cobre não é mais tocado por mãos reais.


Tampouco o costume de presentear os Soberanos com *strenae* foi abolido na Inglaterra há muito tempo.

Disraeli nos conta, em suas *Curiosidades da Literatura*, de 3.000 vestidos encontrados no guarda-roupa da Rainha Bess após sua morte, frutos de seu imposto de Ano Novo sobre seus súditos fiéis, de Duques a lixeiros.

Como o sucesso de qualquer empreendimento nesse dia era considerado um bom presságio para o ano inteiro na Roma antiga, assim a crença persiste até hoje em muitos países cristãos, na Rússia de modo preeminente. É porque, em vez do Ano Novo, o visco e o azevinho são agora usados no dia de Natal, que o símbolo se tornou cristão? O corte do visco do carvalho sagrado no dia de Ano Novo é um resquício dos antigos Druidas da Bretanha pagã.

A Bretanha cristã é tão pagã em seus costumes quanto sempre foi.

Mas há mais de uma razão pela qual a Inglaterra está obrigada a incluir o Ano Novo como um dia sagrado entre os festivais cristãos.

O 1º de janeiro, sendo o 8º dia após o Natal, é, segundo tanto as histórias profanas quanto eclesiásticas, o festival da circuncisão de Cristo, assim como seis dias depois é a Epifania.

E é um fato tão inegável e mundialmente conhecido quanto qualquer outro que, muito antes do advento dos três Magos zoroastrianos, da circuncisão de Cristo, ou mesmo de seu nascimento, o 1º de janeiro era o primeiro dia do ano civil dos romanos, e celebrado há 2.000 anos como o é agora.

É difícil ver a razão, uma vez que a Cristandade se apropriou das Escrituras judaicas, e junto com elas de sua curiosa cronologia, por que teria considerado inadequado adotar também o Rosh ha-Shanah judaico (a cabeça do ano), em vez do Ano Novo pagão.

Já que o 1º Capítulo do Gênesis permanece encabeçado em todos os países com as palavras "Antes de Cristo, 4004", só a consistência já deveria ter sugerido a conveniência de dar preferência ao calendário talmúdico sobre o romano pagão.

Tudo parecia convidar a Igreja a fazê-lo. Com a autoridade inegável da revelação, a tradição rabínica nos assegura que foi no 1º dia do mês de Tishri que o Senhor Deus de Israel

NA MANHÃ DO ANO NOVO

criou o mundo — há exatamente 5.848 anos.

Há também aquele outro fato histórico, a saber, que nosso pai Adão foi igualmente criado no primeiro aniversário desse mesmo dia de Tishri — um ano depois.

Tudo isso é muito importante, preeminentemente sugestivo, e sublinha de modo mais enfático nossa proverbial ingratidão ocidental.

Além disso, se nos é permitido dizê-lo, é perigoso.

Pois esse idêntico primeiro dia de Tishri é também chamado de "Yom ha-Din", o Dia do Julgamento.

O El Shaddai judaico, o Todo-Poderoso, é mais ativo do que o "Pai" dos cristãos.

Os últimos nos julgarão apenas após a destruição do Universo, no Grande Dia em que os Bodes e as Ovelhas se colocarão, cada um ao seu lado designado, aguardando a bem-aventurança ou a danação eterna.

Mas El Shaddai, somos informados pelos Rabinos, assenta-Se em julgamento em todo aniversário da criação do mundo — isto é, em todo Dia de Ano Novo.

Cercado por Seus arcanjos, o Deus de Misericórdia manda abrir os livros-ata astro-siderais, e o nome de cada homem, mulher e criança é Lhe lido em voz alta desses Registros, nos quais os mínimos pensamentos e ações de todo ser humano (ou será apenas judeu?) são anotados.

Se as boas ações superam as más ações, o mortal cujo nome é lido vive durante aquele ano.

O Senhor aflige por ele algum Faraó cristão ou dois, e o entrega a ele para tosquiar.

Mas se as más ações pesam mais do que as boas — então ai do culpado; ele é imediatamente condenado a sofrer a pena de morte durante aquele ano, e é enviado ao Sheol.

Isso implicaria que os judeus consideram o dom da vida algo de fato muito precioso.

Os cristãos são tão apegados às suas vidas quanto os judeus, e ambos geralmente ficam apavorados diante da aproximação da Morte.

Por que isso se dá nunca foi esclarecido.

Na verdade, isso parece um pobre elogio ao Criador, sugerindo a ideia de que nenhum dos cristãos se importa particularmente em encontrar a Glória Inefável do "Pai" face a face.

Queridos, amorosos filhos! Um piedoso católico romano nos assegurou um dia que não era assim, e atribuiu o pavor a um temor reverencial.

Além disso, ele tentou persuadir seus ouvintes de que a Santa Inquisição queimava seus "hereges" por pura bondade cristã.


Eles eram tirados do caminho da travessura terrestre dessa maneira, disse ele, pois a Mãe Igreja sabia bem que o Pai Deus cuidaria melhor das vítimas assadas do que qualquer autoridade mortal poderia, enquanto estivessem cruas e vivas.

Esta pode ser uma visão equivocada da situação, no entanto, foi feita com toda a caridade cristã.

Ouvimos uma versão menos caridosa da razão real para queimar hereges e todos aqueles de quem a Igreja estava determinada a se livrar; e, em comparação, essa razão colore a doutrina calvinista da predestinação à bem-aventurança ou danação eterna com um tom bastante rosado.

Diz-se que está registrado nos arquivos secretos do Vaticano que queimar até o último átomo de carne, após quebrar todos os ossos em pequenos fragmentos, era feito com um objetivo predeterminado.

Era o de impedir que o "inimigo da Igreja" tomasse sua parte e quinhão mesmo no último ato do drama do mundo — conforme concebido teologicamente — a saber, na "Ressurreição dos Mortos" ou de toda a carne, no grande Dia do Juízo.

Como a cremação é até hoje oposta pela Igreja com base no mesmo princípio — a saber, que um "Dorminhoco" cremado, ao despertar ao som da trombeta do anjo, achará impossível reunir a tempo seus membros dispersos — a razão dada para o auto-de-fé parece razoável o bastante e bem provável.

O mar entregará os mortos que nele estão, e a morte e o inferno entregarão os seus mortos (Vide Apocalipse xx, 13); mas não se deve creditar ao fogo terrestre igual generosidade, nem supor que ele compartilhe das características amiantínicas do fogo do inferno ortodoxo.

Uma vez cremado o corpo, é como se estivesse aniquilado no que diz respeito à última ressurreição dos mortos.

Se a razão oculta do auto-de-fé inquisitorial assenta em fato — e pessoalmente não nutrimos a menor dúvida disso, considerando a autoridade de onde foi recebida — então a Santa Inquisição e os Papas teriam muito pouco a dizer contra a doutrina protestante da Predestinação.

Esta última, conforme garantido no Apocalipse, permite alguma chance, ao menos, aos "Condenados" que o inferno entrega na última hora, e que assim ainda podem ser perdoados.

Enquanto que, se as coisas ocorressem na

NA MANHÃ DO ANO NOVO

natureza como a teologia de Roma decretou que deveriam, os pobres "Hereges" se achariam em situação pior do que qualquer um dos "condenados". Pergunta natural: qual dos dois, o Deus dos calvinistas ou o jesuíta de Deus, aquele que primeiro inventou a queima, supera o outro em crueldade refinada e diabólica? Permanecerá a questão em 1890, sub judice, como esteve em 1790?

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Mas a Inquisição, com sua fogueira e potro e torturas diabólicas, está felizmente abolida agora, mesmo na Espanha.

De outro modo, estas linhas jamais teriam sido escritas; nem teria nossa Sociedade tão zelosos e bons teosofistas na terra de Torquemada e no antigo paraíso dos festivais de assar homens, como tem agora.

Feliz ANO NOVO também a eles, como a todos os Irmãos espalhados por todo o vasto globo.

Somente nós, teosofistas, tão gentilmente apelidados de "sete lunáticos", preferiríamos outro dia para o nosso Ano Novo.

Como o Imperador apóstata, muitos de nós ainda temos um forte e persistente amor pelos deuses poéticos e brilhantes do Olimpo e repudiaríamos de bom grado o tessalônico de dupla face.

O primeiro de Januário foi sempre mais sagrado a Jano do que a Juno; e janua, significando "a porta que abre o ano", vale igualmente para qualquer dia de janeiro.

O dia 3 de janeiro, por exemplo, foi consagrado a Minerva-Atena, a deusa da sabedoria, e a Ísis, "aquela que gera a vida", a antiga senhora padroeira da boa cidade de Lutécia.

Desde então, a mãe Ísis caiu vítima da fé de Roma e da civilização, e Lutécia juntamente com ela.

Ambas foram convertidas no calendário juliano (a herança do pagão Júlio César, usada pela cristandade até o século XIII). Ísis foi batizada como Genoveva, tornou-se uma santa beatificada e mártir, e Lutécia foi chamada de Paris, para variar, preservando a mesma antiga padroeira, mas com o acréscimo de um nariz falso. A própria vida é uma mascarada sombria na qual a ––––––––––       Este festival permanece assim inalterado como o da senhora Padroeira de Lutécia-Paris, e até hoje Ísis recebe honras religiosas em todas as igrejas parisienses e latinas.

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BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

horripilante danse macabre é executada a cada instante; por que não deveriam os calendários e até mesmo a religião, nesse caso, ser permitidos a participar da paródia?      Para ser breve, é o dia 4 de janeiro que deveria ser selecionado pelos Teosofistas — especialmente pelos Esoteristas — como o seu Ano Novo.

Janeiro está sob o signo de Capricórnio, o misterioso Makara dos místicos hindus — os "Kumaras", sendo afirmado, tendo encarnado na humanidade sob o 10º signo do Zodíaco.

Por séculos, o dia 4 de janeiro tem sido sagrado a Mercúrio-Buda, ou Toth-Hermes.

Assim, tudo se combina para fazer dele um festival a ser celebrado por aqueles que estudam a Sabedoria antiga.

Seja chamado Budh ou Budhi pelo seu nome ariano, Mércuros, filho de Caelus e Hécate verdadeiramente, ou da magia divina (branca) e infernal (negra) pelo seu nome helênico, ou ainda Hermes ou Toth, seu nome greco-egípcio, o dia parece em todos os aspectos mais apropriado para nós do que 1º de janeiro, o dia de Jano, o "deus dos oportunistas" de dupla face.

Contudo, é bem nomeado, e tão bem escolhido para ser celebrado por todos os oportunistas políticos do mundo inteiro.

Pobre velho Jano! Como suas duas faces devem ter ficado perplexas com a última badalada da meia-noite de 31 de dezembro! Pensamos ver essas faces antigas.

Uma delas está voltada, com pesar, para o Passado, nas névoas que se adensam rapidamente, nas quais o corpo morto do ano velho está desaparecendo.

O olho pesaroso do Deus segue, com saudade, os principais eventos impressos no Annus que partiu: o desmoronamento da Torre Eiffel; o colapso da aliteração “monótona”—como a “décima mula” de Mark Twain—Parnell-Pigot; as várias abdicações, deposições e suicídios de realeza; a Hégira de Maomés aristocráticos, e tais esquisitices e fiascos da civilização.

Esta é a face de Jano do Passado.

A outra, a face de ––––––––––       Sendo o dia 4 de janeiro sagrado para Mercúrio, de quem os gregos fizeram Hermes, os Católicos Romanos incluíram São Hermes em seu Calendário.

Da mesma forma, tendo o dia 9 daquele mês sido sempre celebrado pelos pagãos como o dia do “sol conquistador”, os Católicos Romanos transformaram o substantivo em nome próprio, fazendo dele São Nicanor (do grego nikao, conquistar), a quem honram em 10 de janeiro.

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NA MANHÃ DO ANO NOVO

o Futuro, está voltado inquisitivamente para o outro lado, e olha fixamente para as próprias profundezas do ventre da Futuridade; o vazio desesperançado no olho bem aberto denota a ignorância do Deus.

Não; nem as duas faces, nem mesmo as ocasionais quatro cabeças de Jano e seus oito olhos podem penetrar a espessura dos véus que envolvem os mistérios cármicos dos quais o Ano Novo está grávido desde o instante de seu nascimento.

Com que dotarás o mundo, ó fatal ano de 1890, com teus algarismos entre uma unidade e um zero, ou simbolicamente entre o homem vivo ereto, a personificação da perversa travessura, e o universo da matéria. A “influenza” tu já tens em teu bolso, pois as pessoas a veem espreitando.

De pessoas mortas diariamente nas ruas de Londres ao tropeçarem nos fios elétricos da nova “mania de iluminação”, já temos uma premonição através de notícias da América.

Vês tu, ó Jano, empoleirado como a "irmã Ana" sobre o parapeito que divide os dois anos, um pequeno Davi matando o gigante Golias, o pequeno Portugal matando a grande Grã-Bretanha, ou o seu prestígio, ao menos, nos horizontes das zonas tórridas da África? Ou é um ®ûdra hindu, ajudado por um Bonzo budista do Império dos Celestiais, que te faz franzir tanto o cenho? Não vêm eles converter dois terços dos clérigos anglicanos ao culto do Krishna de cor azul e do Buda de orelhas pendentes como as de um elefante, que se senta de pernas cruzadas e sorri tão placidamente sobre um lótus que parece um repolho? Pois esses são os ideais teosóficos — não, a própria Teosofia, a Sabedoria divina — tal como distorcida na mente grosseiramente materialista e totalmente antropomorfizadora do filisteu britânico comum.

Que inenarráveis novos horrores desvendarás tu, ó ano de 1890, diante dos olhos do mundo? Haverá ele, embora encouraçado e rindo de toda tragédia da vida, de zombar também, quando Jano, cognominado por causa da chave em sua mão direita, Janitor, o porteiro do Céu — função que lhe foi confiada séculos antes de se tornar São Pedro — usar essa chave? É somente quando –––––––––– É somente quando a cifra ou o zero se encontra por si só e sem ser precedido por qualquer dígito que se torna o símbolo do Kosmos infinito e da Deidade absoluta.

–––––––––– ele tiver destrancado, uma após a outra, a porta de cada um dos 365 dias (verdadeiras "câmaras secretas do Barba Azul") que hão de tornar-se tua prole futura, ó misterioso estranho, que as nações poderão decidir se foste um Ano "Feliz" ou Nefasto.


Enquanto isso, que cada nação, como cada leitor, recorra em suas indagações aos seus respectivos deuses, se quiserem aprender os segredos da Futuridade.

Assim, o americano, à maneira de Nicodemos, pode ir a um de seus três Cristos vivos e realmente reencarnados, cada um chamando a si mesmo de Jesus, que ora florescem sob a Bandeira Estrelada da Liberdade.

O espiritualista está à vontade para consultar seu médium favorito, que pode erguer Saul ou evocar o Espírito de Débora para o benefício e informação de seu cliente.

O cavalheiro-esportista pode dirigir seus passos à morada misteriosa do jóquei de seu rival, e o político comum consultar a polícia secreta, um quiromante profissional, ou um astrólogo, etc., etc.

Quanto a nós, temos fé nos números e somente naquela face de Jano que se chama o Passado.

Pois—sabe o próprio Janus o futuro?—ou . . . . “talvez ele mesmo não o saiba.”

––––––––––                    Obras Completas VOLUME XII                      FOI CAGLIOSTRO UM “CHARLATÃO”?                           [Lucifer, Vol.

V, No. 29, janeiro de 1890, pp. 389-95]

Despedir o ofendido sem reparação,                                             Por maior que seja o ofensor, e o ofendido,                                             Por mais obscuro que seja, é perverso, fraco e vil—                                             Degrada, conspurca e deveria destronar um rei.

SMOLLETT

A menção do nome de Cagliostro produz um duplo efeito.

Para uns, toda uma sequência de eventos maravilhosos emerge do passado sombrio; para outros, a progênie moderna de uma era demasiado realista, o nome de Alexandre, Conde de Cagliostro, provoca admiração, se não desprezo.

FOI CAGLIOSTRO UM “CHARLATÃO”?

As pessoas são incapazes de compreender que este “encantador e mago” (leia-se “charlatão”) pudesse legitimamente produzir tal impressão como causou em seus contemporâneos.

Isto dá a chave para a reputação póstuma do siciliano conhecido como Joseph Balsamo, reputação que levou um crente nele, um irmão maçom, a dizer que (como o Príncipe Bismarck e alguns teosofistas) “Cagliostro poderia bem ser considerado o homem mais difamado e odiado da Europa.” No entanto, e apesar da moda de carregá-lo com nomes oprobriosos, ninguém deve esquecer que Schiller e Goethe estavam entre seus grandes admiradores, e assim permaneceram até suas mortes.

Goethe, ao viajar pela Sicília, dedicou muito trabalho e tempo para coletar informações sobre “Giuseppe Balsamo” em sua suposta terra natal; e foi a partir dessas notas copiosas que o autor de Fausto escreveu sua peça “O Grande Kophta.”     Por que este homem maravilhoso recebe tão pouca honra na Inglaterra, deve-se a Carlyle.

O historiador mais destemidamente veraz de sua época—ele, que abominava a falsidade sob qualquer aparência—estampou com o imprimatur de seu nome honesto e famoso, e assim santificou a mais iníqua das injustiças históricas já perpetradas pelo preconceito e pela intolerância.

Isso devido a falsos relatos que quase até o fim emanaram de uma classe que ele não desgostava menos do que odiava a inverdade, a saber, os jesuítas, ou—a mentira encarnada.

O próprio nome de Giuseppe Balsamo, que, quando traduzido por métodos cabalísticos, significa "Aquele que foi enviado", ou "O Dado", também "Senhor do Sol", mostra que não era esse o seu verdadeiro patronímico.

Como observa Kenneth R. H. MacKenzie, F.T.S., no final do século passado tornou-se moda entre certos professores teosóficos da época transliterar para forma oriental todo nome fornecido pelas Fraternidades Ocultas aos discípulos destinados a trabalhar no mundo.

Quem quer que tenham sido, então, os pais de Cagliostro, seu nome não era "Balsamo". Tanto é certo, de qualquer modo.

Além disso, como todos sabem que em sua juventude ele viveu com, e foi instruído por, um homem chamado, conforme se supõe, Althotas, "um grande Sábio Hermético Oriental", ou em outras palavras, um Adepto, não é difícil aceitar a tradição de que foi este quem lhe deu seu nome simbólico.


Mas o que se sabe com ainda mais certeza é a extrema estima em que ele era tido por alguns dos homens mais científicos e honrados de sua época.

Na França, encontramos Cagliostro — tendo antes servido como amigo de confiança e assistente químico no laboratório de Pinto, o Grão-Mestre dos Cavaleiros de Malta — tornando-se amigo e protegido do Príncipe Cardeal de Rohan.

Um Príncipe Siciliano de alta linhagem o honrou com seu apoio e amizade, como fizeram muitos outros nobres.

"É possível, então," pergunta MacKenzie pertinentemente, "que um homem de maneiras tão cativantes pudesse ter sido o impostor mentiroso que seus inimigos procuraram provar que ele era?" A principal causa de seus problemas de vida foi seu casamento com Lorenza [ou Serafina] Feliciani, um instrumento dos Jesuítas; e duas causas menores, sua extrema bondade, e a confiança cega que depositava em seus amigos — alguns dos quais se tornaram traidores e seus mais amargos inimigos.

Nenhum dos crimes dos quais ele é injustamente acusado poderia levar à destruição de sua honra e reputação póstuma; mas tudo se deveu à sua fraqueza por uma mulher indigna, e à posse de certos segredos da natureza, que ele não quis divulgar à Igreja.

Sendo natural da Sicília, Cagliostro nasceu, naturalmente, em uma família de católicos romanos, não importa qual fosse o seu nome, e foi criado pelos monges da "Boa Irmandade de Castiglione", como nos contam seus biógrafos; assim, para salvar a própria vida, teve de professar externamente crença e respeito por uma Igreja cuja política tradicional sempre foi: "quem não está conosco está contra nós", e imediatamente esmagar o inimigo pela raiz.

E, no entanto, é justamente por isso que Cagliostro é acusado até hoje de ter servido aos jesuítas como espião; e isso por maçons que deveriam ser os últimos a fazer tal acusação contra um Irmão erudito que foi perseguido pelo Vaticano ainda mais como maçom do que como ocultista.

Se assim fosse, esses mesmos jesuítas o caluniariam até os dias de hoje? Se ele os tivesse servido, não teria se mostrado útil aos seus fins, pois um homem de dons intelectuais tão inegáveis não poderia ter errado ou desconsiderado as ordens daqueles a quem

FOI CAGLIOSTRO UM "CHARLATÃO"? servia.

Mas, em vez disso, o que vemos? Cagliostro acusado de ser o impostor e charlatão mais astuto e bem-sucedido de sua época; acusado de pertencer ao Capítulo Jesuíta de Clermont, na França; de aparecer (como prova de sua filiação aos jesuítas) em trajes clericais em Roma.

No entanto, esse "astuto impostor" é julgado e condenado — pelos esforços desses mesmos jesuítas — a uma morte ignominiosa, que só posteriormente foi comutada em prisão perpétua, devido a uma misteriosa interferência ou influência exercida sobre o Papa! Não seria mais caridoso e condizente com a verdade dizer que foi sua conexão com a Ciência Oculta Oriental, seu conhecimento de muitos segredos — mortais para a Igreja de Roma — que trouxe sobre Cagliostro primeiro a perseguição dos jesuítas e, finalmente, o rigor da Igreja? Foi a sua própria honestidade, que o cegou para os defeitos daqueles por quem se importava, e o levou a confiar em dois patifes como o Marquês Agliato e Ottavio Nicastro, que está na base de todas as acusações de fraude e impostura agora lançadas sobre ele.

E são os pecados desses dois dignitários — posteriormente executados por gigantescos golpes e assassinato — que agora recaem sobre Cagliostro.

No entanto, sabe-se que ele e sua esposa (em 1770) ficaram ambos desamparados pela fuga de Agliato com todos os seus fundos, de modo que tiveram de mendigar o caminho através do Piemonte e de Genebra.

Kenneth MacKenzie provou claramente que Cagliostro nunca se envolveu em intrigas políticas — a própria alma das atividades dos Jesuítas.

"Ele era certamente desconhecido nessa capacidade para aqueles que guardaram zelosamente os arquivos preparatórios da Revolução, e sua aparição como defensor de princípios revolucionários não tem base em fatos." Ele era simplesmente um Ocultista e um Maçom, e como tal foi permitido sofrer nas mãos daqueles que, acrescentando insulto à injúria, primeiro tentaram matá-lo com prisão perpétua e depois espalharam o boato de que ele havia sido seu agente ignóbil.

Esse artifício astuto, em sua astúcia infernal, era bem digno de seus originadores primordiais.

Há muitos marcos nas biografias de Cagliostro que mostram que ele ensinava a doutrina oriental dos "princípios" no homem, do "Deus" que habita no homem — como potencialidade em ato (o "Eu Superior") — e em cada ser vivo e até mesmo em cada átomo — como potencialidade em potência — e que ele servia aos Mestres de uma Fraternidade que não podia nomear porque, devido ao seu compromisso, não lhe era permitido.


Sua carta à nova e mística, mas bastante heterogênea, Irmandade, a (Loja dos) Filaletes, é uma prova disso.

Os Filaletes, como todos os Maçons sabem, era um rito fundado em Paris na Loja dos Amigos Reunidos, baseado nos princípios do Martinismo, e cujos membros faziam um estudo especial das Ciências Ocultas.

A Loja-Mãe era uma loja filosófica e teosófica, e portanto Cagliostro estava certo em desejar purificar sua progênie, a Loja dos Filaletes.

Isto é o que a Royal Masonic Cyclopaedia (p. 95) diz sobre o assunto:

... em 15 de fevereiro de 1785, a Loja dos Filaletes (ou Amantes da Verdade), em Sessão solene — com Savalette de Langes, tesoureiro real; Tassin, o banqueiro, e Tassin, um oficial do serviço real — abriu uma Convenção Fraternal em Paris... Príncipes (russos, austríacos e outros), padres da Igreja, conselheiros, cavaleiros, financistas, advogados, barões, Teosofistas, cônegos, coronéis, professores de magia, engenheiros, literatos, médicos, mercadores, administradores de correios, duques, embaixadores, cirurgiões, professores de línguas, recebedores gerais, e notavelmente dois nomes londrinos — Boosie, um mercador, e Brooks de Londres — compõem esta Convenção, à qual podem ser adicionados o Sr. Conde de Cagliostro, e Mesmer, "o inventor", como Thory o descreve (Acta Latomorum, Vol.

II. p. 95), “da doutrina do magnetismo!” Certamente um grupo tão capaz de homens para pôr o mundo em ordem, como a França nunca viu antes ou depois!

A queixa da Loja era que Cagliostro, que a princípio prometera assumi-la, retirou suas ofertas, pois a “Convenção” não adotaria as Constituições do Rito Egípcio, nem os Filaletos consentiriam em ter seus arquivos entregues às chamas, que eram suas condições sine qua non.

É estranho que sua resposta àquela Loja deva ser considerada pelo Irmão K. R. H. ––––––––––      Os Martinistas eram Místicos e Teosofistas que afirmavam possuir o segredo de se comunicar com os Espíritos (Elementais e Planetários) das Esferas ultramundanas.

Alguns deles eram Ocultistas práticos.

––––––––––

CONDE ALESSANDRO DI CAGLIOSTRO                                               1743?-1795?                          Gravado por Robert Samuel Marcuard (1751-1792) a partir de uma                               Pintura de Francesco Bartolozzi (1727-1815).                            (Bibliothèque Nationale, Collect.

Caffarelli Calamy)

FOI CAGLIOSTRO UM “CHARLATÃO”?

MacKenzie e outros Maçons como emanando “de uma fonte jesuítica”. O próprio estilo é Oriental, e nenhum Maçom europeu — muito menos um jesuíta — escreveria de tal maneira.

É assim que a resposta se apresenta:

. . . . O desconhecido Grão-Mestre da verdadeira Maçonaria lançou seus olhos sobre os Filaletos . . . Tocados por sua piedade, movidos pela sincera confissão de seu desejo, ele se digna a estender sua mão sobre eles, e consente em dar um raio de luz para dentro das trevas de seu templo.

É o desejo do desconhecido Grão-Mestre provar-lhes a existência de um só Deus — a base de sua fé; a dignidade original do homem; seus poderes e destino . . . . É por feitos e fatos, pelo testemunho dos sentidos, que eles conhecerão DEUS, o HOMEM e os seres espirituais intermediários [princípios] criados entre eles; dos quais a verdadeira Maçonaria dá os símbolos e indica o caminho real.

Que então os Filaletos abracem as doutrinas desta Maçonaria real, submetam-se às regras de seu chefe supremo, e adotem suas constituições.

Mas acima de tudo, que o santuário seja purificado, que os Filaletos saibam que a luz só pode descer ao Templo da Fé [baseada no conhecimento], e não ao do ceticismo.

Que eles entreguem às chamas essa vã acumulação de seus arquivos; pois é somente sobre as ruínas da Torre da Confusão que o Templo da Verdade pode ser erguido.”

Na fraseologia oculta de certos ocultistas, "Pai, Filho e Anjos" representavam o símbolo composto do HOMEM físico e astro-espiritual. John G. Gichtel (final do séc. XVII), o ardente admirador de Böhme, o Vidente de quem de Saint-Martin relata que era casado "com a celeste Sophia," a Sabedoria Divina—fez uso deste termo.

Portanto, é fácil ver o que Cagliostro queria dizer ao provar aos Filaletos, com base no testemunho de seus "sentidos," "Deus, o homem e os seres espirituais intermediários," que existem entre Deus (Atma) e o Homem (o Ego). Tampouco é mais difícil compreender seu verdadeiro significado quando ele repreende os Irmãos em sua carta de despedida, que diz: "Oferecemos-vos a verdade; vós a desdenhastes. Oferecemo-la por si mesma, e vós a recusastes em consequência de um amor às formas . . . Podeis elevar-vos ––––––––––       Royal Masonic Cyclopaedia, p. 96.       Consultai os Três Princípios e as Sete Formas da Natureza de Böhme e sondai seu significado oculto, para vos assegurardes disso.

–––––––––– a (vosso) Deus e ao conhecimento de vós mesmos com a assistência de um Secretário e de uma Convocação?" etc.     Muitas são as afirmações absurdas e inteiramente contraditórias sobre Joseph Balsamo, o assim chamado Conde de Cagliostro, várias das quais foram incorporadas por Alexandre Dumas em seus Mémoires d'un Médecin, com aquelas prolíficas variações da verdade e dos fatos que tanto caracterizam os romances de Dumas pai.


Mas, embora o mundo possua uma massa de informações das mais variadas e heterogêneas sobre aquele notável e infeliz homem durante a maior parte de sua vida, ainda assim, dos últimos dez anos e de sua morte, nada de certo se sabe, salvo apenas a lenda de que ele morreu na prisão da Inquisição.

É verdade que alguns fragmentos publicados recentemente pelo sábio italiano Giovanni Sforza, da correspondência privada de Lorenzo Prospero Bottini, embaixador romano da República de Lucca no final do século passado, preencheram um pouco essa vasta lacuna. Essa correspondência com Pietro Calandrini, o Grande Chanceler da referida República, começa em 1784, mas o que realmente ––––––––––       A afirmação, com base na autoridade de Beswick, de que Cagliostro estava ligado à Loge des Amis Réunis sob o nome de Conde Grabianca não está comprovada.

Havia um Conde polonês com esse nome na época, na França, um místico mencionado nas cartas de Madame de Krüdner, que estão com a família da escritora, e um que pertencia, como diz Beswick, juntamente com Mesmer e o Conde de Saint-Germain, à Loja dos Filaletos.

Onde estão os Manuscritos e documentos de Savalette de Langes, por ele deixados após sua morte ao Rito Escocês Filosófico? Perdidos?       [Declaração de H.P.B. no sentido de que os fragmentos que ela está prestes a citar haviam sido recentemente publicados apresenta um problema que nunca foi totalmente resolvido.

Alguns dos excertos que ela cita neste artigo foram publicados sob a assinatura de Giovanni Sforza, em uma comunicação intitulada: "La Fine di Cagliostro", que apareceu no Archivio Storico Italiano, 5ª Série, Vol.

VII, fevereiro de 1891, pp. 144-151. Este Arquivo foi publicado em Florença por G. P. Vieusseux.

Obviamente, esta fonte é mais de um ano posterior ao próprio artigo de H.P.B., e não poderia ter sido usada por ela na época.

Ela também levanta vários pontos que não são mencionados na fonte acima.

Portanto, é necessária uma pesquisa adicional para identificar a fonte que ela usou.—Compilador.] ––––––––––

ERA CAGLIOSTRO UM "CHARLATÃO"?

informações interessantes começam apenas em 1789, em uma carta datada de 6 de junho daquele ano, e mesmo assim não aprendemos muito.

Ela fala do "célebre Conde di Cagliostro, que chegou recentemente com sua esposa de Trento via Turim a Roma.

Dizem que ele é natural da Sicília e extremamente rico, mas ninguém sabe de onde vem essa riqueza.

Ele tem uma carta de apresentação do Bispo de Trento para Albani . . . . Até agora, sua conduta diária na vida, bem como seu status privado e público, estão acima de qualquer reprovação.

Muitos são os que buscam uma entrevista com ele, para ouvir de seus próprios lábios a confirmação do que se diz a seu respeito." De outra carta, aprendemos que Roma havia se mostrado um solo ingrato para Cagliostro.

Ele tinha a intenção de se estabelecer em Nápoles, mas o plano não pôde ser realizado.

As autoridades do Vaticano, que até então haviam deixado o Conde em paz, de repente lançaram sua mão pesada sobre ele.

Em uma carta datada de 2 de janeiro de 1790, exatamente um ano após a chegada de Cagliostro, afirma-se que: "no último domingo, ocorreram debates secretos e extraordinários no conselho no Vaticano.

Ele (o conselho) consistia no Secretário de Estado e Antonelli, Pallotta e Campanelli, com Monsenhor Vicegerente desempenhando as funções de Secretário."

O objetivo daquele Conselho Secreto permanece desconhecido, mas o rumor público afirma que foi convocado devido à súbita prisão, na noite entre sábado e domingo, do Conde di Cagliostro, de sua esposa e de um capuchinho, Frei Giuseppe da S. Maurizio.

O Conde está encarcerado no Castel Sant'Angelo, a Condessa no Convento de Santa Apolônia, e o monge na prisão de Ara Coeli.

Esse monge, que se autodenomina 'Padre Svizzero', é considerado um confederado do famoso mago.

Entre os crimes de que é acusado inclui-se o da circulação de um livro de autor desconhecido, condenado à queima pública e intitulado 'As Três Irmãs'. O objetivo desta obra é 'pulverizar certos três indivíduos de alta linhagem'." O verdadeiro significado dessa interpretação extraordinariamente equivocada é fácil de adivinhar.

Era uma obra sobre Alquimia; as "três irmãs" representando simbolicamente os três "Princípios" em seu simbolismo dúplice.

No plano da química oculta

BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS eles "pulverizam" o ingrediente triplo usado no processo da transmutação dos metais; no plano da Espiritualidade, eles reduzem a um estado de pulverização os três "princípios" pessoais "inferiores" no homem — uma explicação que todo teosofista é obrigado a compreender.

O julgamento de Cagliostro durou muito tempo.

Em uma carta de 17 de março, Bottini escreve ao seu correspondente em Lucca que o famoso "feiticeiro" finalmente compareceu perante a Santa Inquisição.

A verdadeira causa da lentidão do processo era que a Inquisição, com toda a sua destreza em fabricar provas, não conseguia encontrar evidências contundentes para comprovar a culpa de Cagliostro.

No entanto, em 7 de abril de 1791, ele foi condenado à morte.

Foi acusado de vários e muitos crimes, sendo os principais o de ser maçom e um "Iluminado", um "Encantador" ocupado com estudos ilícitos; também foi acusado de zombar da santa Fé, de causar dano à sociedade, de apoderar-se por meios desconhecidos de grandes somas de dinheiro e de incitar outros, independentemente de sexo, idade ou posição social, a fazer o mesmo.

Em suma, encontramos o infeliz Ocultista condenado a uma morte ignominiosa por feitos cometidos, cujos semelhantes são hoje em dia cometidos diária e publicamente por mais de um Grão-Mestre dos maçons, bem como por centenas de milhares de cabalistas e maçons de inclinação mística.

Após esse veredito, os documentos do “arqui-herege”, diplomas de Cortes e Sociedades estrangeiras, insígnias maçônicas e relíquias de família foram solenemente queimados pelos carrascos públicos na Piazza della Minerva, diante de enormes multidões.

Primeiro, seus livros e instrumentos foram consumidos.

Entre eles estava o manuscrito sobre a Maçonaria Egípcia, que assim não pôde mais servir de testemunho em favor do homem difamado.

E agora o Ocultista condenado teria de ser entregue às mãos do Tribunal civil, quando um acontecimento misterioso se deu.

Um estranho, nunca visto por ninguém antes ou depois no Vaticano, apareceu e solicitou uma audiência privada com o Papa, enviando-lhe, por meio do Cardeal Secretário, uma palavra em vez de um nome.

Foi imediatamente recebido, mas permaneceu com o Papa apenas alguns minutos.

Mal ele saiu, Sua Santidade ordenou que a sentença de morte do Conde fosse comutada para prisão perpétua, na fortaleza chamada Castelo de San Leo, e que todo o processo fosse conduzido em grande segredo.

O monge Svizzero foi condenado a dez anos de prisão; e a Condessa Cagliostro foi posta em liberdade, mas apenas para ser confinada, sob uma nova acusação de heresia, em um convento.

Mas o que era o Castelo de San Leo? Ele se ergue nas fronteiras da Toscana e ficava então nos Estados Papais, no Ducado de Urbino.

Está construído no topo de uma rocha enorme, quase perpendicular em todos os lados; para entrar no “Castelo” naqueles dias, era preciso entrar numa espécie de cesto aberto, que era içado por cordas e roldanas.

Quanto ao criminoso, ele foi colocado numa caixa especial, após o que os carcereiros o puxaram para cima “com a rapidez do vento”. Em 23 de abril de 1792, Giuseppe Balsamo — se assim devemos chamá-lo — ascendeu aos céus na caixa do criminoso, encarcerado naquele túmulo vivo para o resto da vida.

Giuseppe Balsamo é mencionado pela última vez na correspondência de Bottini, numa carta datada de 10 de março de 1792. O embaixador fala de uma maravilha produzida por Cagliostro em sua prisão durante suas horas de lazer.

Um longo prego enferrujado, retirado do assoalho pelo prisioneiro, foi por ele transformado, sem ajuda de qualquer instrumento, num estilete triangular afiado, tão liso, brilhante e cortante como se fosse feito do mais fino aço.

Foi reconhecido como um velho prego apenas pela cabeça, deixada pelo prisioneiro para servir de cabo.

O Secretário de Estado ordenou que fosse retirado de Cagliostro, levado a Roma, e que se redobrasse a vigilância sobre ele.

E agora vem o último coice do asno no leão moribundo ou morto.

Luigi Angiolini, um diplomata toscano, escreve o seguinte: "Por fim, esse mesmo Cagliostro, que fez tantos acreditarem que fora contemporâneo de Júlio César, que alcançou tamanha fama e tantos amigos, morreu de apoplexia, em 26 de agosto de 1795. Semproni o fez enterrar num celeiro de madeira abaixo, de onde os camponeses costumavam pilhar constantemente a propriedade da coroa.

O capelão astuto calculou muito justamente que o homem que inspirara ao mundo tão supersticioso temor enquanto vivo inspiraria às pessoas os mesmos sentimentos após sua morte, e assim manteria os ladrões à distância..." — Mas ainda assim — uma indagação! Estaria Cagliostro de fato morto e enterrado em 1795, em San Leo? E, se assim fosse, por que os guardiões do Castel Sant'Angelo de Roma mostram aos turistas inocentes o pequeno buraco quadrado em que se diz que Cagliostro foi confinado e "morreu"? Por que tamanha incerteza — ou imposição — e tamanho desacordo na lenda? Há também maçons que até hoje contam histórias estranhas na Itália.


Alguns dizem que Cagliostro escapou de maneira inexplicável de sua prisão aérea e, assim, forçou seus carcereiros a espalhar a notícia de sua morte e sepultamento.

Outros sustentam que ele não apenas escapou, mas, graças ao Elixir da Vida, ainda vive, embora com mais de duas vezes três décadas e dez anos de idade! "Por que", pergunta Bottini, "se ele realmente possuía os poderes que alegava, não teria de fato desaparecido diante de seus carcereiros, e assim escapado inteiramente da punição degradante?" Ouvimos falar de outro prisioneiro, maior em todos os aspectos do que Cagliostro jamais alegou ser. Desse prisioneiro também se disse, em tom de zombaria: "Salvou os outros; a si mesmo não pode salvar... que desça agora da cruz, e creremos..." Por quanto tempo as pessoas caridosas construirão as biografias dos vivos e arruinarão as reputações dos mortos, com tamanha indiferença incomparável, por meio de fofocas ociosas e muitas vezes inteiramente falsas de pessoas, e estas geralmente escravas do preconceito! Por tanto tempo, somos forçados a pensar, enquanto permanecerem ignorantes da Lei do Karma e de sua justiça férrea.

H. P. B.

––––––––––

[Consulte o Apêndice Bio-Bibliográfico ao final do presente Volume.]

S.V. CAGLIOSTRO, para informações adicionais sobre ele.—Compilador.]                      Obras Completas VOLUME XII                           HENRY S. OLCOTT E A SEÇÃO ESOTÉRICA

[O CORONEL HENRY S. OLCOTT E A                             SEÇÃO ESOTÉRICA]                    [Lucifer, Vol.

V, No. 29, janeiro de 1890, p. 437; The Theosophist, Vol.

XI, Suplemento de março de 1890, p. cv]

Sociedade Teosófica, Seção Esotérica                                                           Londres, 25 de dezembro de 1889.

Por este meio, nomeio o Coronel H. S. Olcott meu agente confidencial e único representante oficial da Seção Esotérica para os países asiáticos.

Toda correspondência relativa à admissão na Seção e à renúncia a ela deverá ser encaminhada a ele, e todas as Instruções transmitidas por ele, e sua decisão deverá ser tomada e aceita como dada por mim.

Tal correspondência deverá ser invariavelmente marcada como "Privada" no envelope.

(Assinado) H. P. BLAVATSKY.

––––––––––

[A nomeação acima foi seguida em Lucifer por uma breve declaração assinada por H.P.B., que é aqui reproduzida:]

Os membros da Seção Esotérica em Londres e nos arredores formaram uma Loja, com o propósito, entre outros, de estimular a atividade teosófica e organizar membros da Sociedade em grupos ativos de trabalhadores.

Espera-se que, dessa forma, eles possam se tornar úteis à Sociedade em geral.

Nenhum membro precisa solicitar admissão na S.E. a menos que esteja preparado para adotar integralmente os três objetivos da S.T. e se tornar, na prática, um trabalhador sincero pela Teosofia.

H.P.B.                         Obras Completas VOLUME XII 90                              BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

NOTAS DIVERSAS                                  [Lucifer, Vol.

V, No. 29, janeiro de 1890, pp. 442-43]

Na América, como na Inglaterra e em todos os outros países civilizados, ouvem-se queixas da imprensa sobre o fracasso do cristianismo em influenciar a vida das pessoas.

Acabamos de nos deparar com um artigo em um jornal americano sobre "O Fracasso do Cristianismo nas Vilas", no qual nosso contemporâneo declara que:

Nada é mais marcante na vida social americana, ou mais de se lamentar, do que o evidente declínio da atividade religiosa e a perda de vitalidade em nossas cidades e vilas americanas, especialmente nas áreas rurais.

A Nova Inglaterra apresenta esse fracasso sob uma forma, e o Noroeste o apresenta sob outra, mas em quase todas as aldeias americanas, aonde quer que você vá, a religião cristã, nas formas existentes pelas quais seus amigos tentam recomendá-la ao público, é apresentada de maneiras que, na maioria das vezes, não são atraentes para o homem comum e não impressionam o povo com muito respeito pelas verdades que estão por trás delas.

A verdade é que a época está superando a interpretação da letra morta, que materializa a verdade em falsidade.

Em toda parte, mãos vazias se estendem para a escuridão, tateando em busca da Verdade.

Cabe aos teosofistas dissipar a escuridão com a "luz do Oriente".

––––––––––

Os teosofistas, e mais especialmente os ocultistas, terão interesse em saber que o Dr. Albertini descobriu que a cegueira às cores é acompanhada por uma surdez correspondente a certas notas.

As pessoas que não veem o vermelho não conseguem distinguir a nota Sol; aquelas que não veem o verde não conseguem distinguir o Ré. Assim, de tempos em tempos, as descobertas da ciência ocidental confirmam o conhecimento oriental; e, à medida que a ciência se aproxima do coração das coisas, podemos esperar que essas confirmações aumentem.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                   PENSÉES SUR LE NOUVEL AN

PENSÉES SUR LE NOUVEL AN ET LES FAUX NEZ                         [La Revue Théosophique, Paris, Vol.

II, No. 11, 21 janvier,                                           1890, pp. 193-98] 1 8 9 0, salve! «Annum novum faustum felicemque tibi!»     Tal foi a frase sacramental na boca de todo gentio, grande ou pequeno, rico ou pobre, durante o dia 1º de janeiro, séculos antes da era cristã; tal a ouvimos ainda hoje, especialmente em Paris.

Esse desejo mútuo era trocado no referido dia em toda a extensão do Império Romano.

Ele despertava os ecos do palácio dos Césares, alegrava o pobre tugúrio do escravo e subia às nuvens nas vastas galerias abertas do Coliseu, no Capitólio e no Fórum, em toda parte sob o céu azul de Roma.

Nesse dia, todos se fantasiavam, em honra a Janus, o de dupla face, com um nariz falso mais ou menos saliente, de bondade, de franca cordialidade e de sinceridade.

«Que o novo ANO lhe traga felicidade e prosperidade!» dizemos a cada um de nossos leitores! «Que ele lhe seja leve», dizemos aos nossos inimigos e detratores.

Irmãos! — dizemos a todos os teosofistas em todas as partes do mundo — Irmãos, livremo-nos, por este dia, ao menos, de nossos respectivos falsos narizes, para desejarmos reciprocamente saúde e sucesso, e, sobretudo, um pouco mais de entendimento cordial do que durante o ano de 1889, felizmente falecido.

Contudo, quer repitamos a velha fórmula latina de uma maneira ou de outra, em francês ou em inglês, isso não passará de uma variação sobre a antiga frase pagã.

Pois o ano-novo, assim como qualquer outra festa, não é senão um legado feito aos povos cristãos pelos adoradores dos deuses do Olimpo.

Troquemos, pois, votos e presentes de ano-novo, mas não sejamos ingratos, teosofistas.

Não esqueçamos que temos esses costumes do paganismo; e que felicitações e presentes nos vêm da mesma fonte.


Com efeito, os presentes de ano-novo não são senão as *strenae*, os presentes trocados pelos latinos em 1º de janeiro, o dia que abria o ano-novo. Como todo mundo sabe — ou não sabe, o que me é indiferente —, esse dia era consagrado a Jano, o qual deu seu nome ao mês de *Januarius* ou janeiro, e mesmo ao santo desse nome, padroeiro de Nápoles e de seus *lazzaroni*.

Mas esse amável santo não é, afinal, senão um dos falsos narizes do deus Bifronte.

O velho pagão chamava-se, em sua primeira juventude, *Diaus*, de seu nome védico, o belo deus do dia e da luz.

Depois de ter emigrado para a Tessália, e de lá para a Itália, onde se estabeleceu sobre o Tibre em sua pequena aldeia do Janículo, ele fez latinizar seu nome e tornou-se *Dianus*, deus da luz (donde Diana). Seus falsos narizes foram numerosos, e a história já não lhes sabe o número.

Mas ele se deixou converter desde então; e eis que há mais de dezoito séculos, tendo substituído seu último e modesto falso nariz por uma máscara mais respeitável, senão mais impenetrável — ele se chama São Pedro.

Que o leitor queira não se escandalizar, e que se abstenha sobretudo de epítetos malsoantes dirigidos a nós, os quais não nos fariam mal algum, mas poderiam prejudicá-lo — aos nossos olhos.

Não sou senão o humilde intérprete das verdades e símbolos mais ou menos velados, mas bem conhecidos de todos aqueles que estudaram seu Virgílio e seu Horácio, assim como seu Ovídio.

Nem falsos narizes, nem máscara poderiam impedir um velho pagão de reconhecer, no apóstolo que negou seu Mestre, seu Jano de dupla face.

Os dois são idênticos, e todo mundo tem o direito de tomar o que é seu onde o encontrar.

São Pedro não é o coeli Janitor senão porque Janus o foi.

O velho porteiro do céu, que puxava o cordão da porta do palácio do Sol, a cada novo dia, como a cada novo ano, e a fechava sobre eles, ao reconduzi-los, é por demais reconhecível em seu novo papel.

Estava escrito nas estrelas que governam o destino dos deuses como o dos mortais, que Janus,—que segurava a chave do céu em uma mão e uma alabarda na outra, tal como são ––––––––––     De Janus—“porta” ou entrada qualquer; a porta que abre o ano.

––––––––––

PENSAMENTOS SOBRE O ANO NOVO

Pedro o faz desde que lhe sucedeu,—cederia seu lugar de porteiro do Sol àquele que se tornaria o guardião das portas do Paraíso,—a morada do Cristo-Sol.

O novo coeli Janitor sucedeu a todas as funções e privilégios do antigo, e não vemos nisso nenhum mal.

Salomão o disse; “não há nada de novo sob o sol”;—e ele disse bem.

Seria bem tolo ir inventar novas funções ou novos deuses,—que criamos à nossa imagem,—quando nossos pais de além do Dilúvio já haviam tomado esse cuidado por nós.

É por isso que tudo permaneceu como no passado e que nada mudou neste mundo,—exceto os nomes.

Em todas as cerimônias religiosas, o nome de Janus era sempre invocado primeiro, pois não era senão por sua imediata intercessão que as preces dos fiéis idólatras podiam chegar aos ouvidos dos deuses imortais.

Agora, acontece o mesmo.

Aquele que acreditasse comunicar-se com uma das personagens da trindade por cima da cabeça de são Pedro seria bem enganado.

Sua prece sofreria a sorte de uma súplica que se tentasse deixar na guarita do porteiro, depois de ter tido palavras com ele e de tê-lo chamado de “velho porteiro”: ela nunca chegaria aos andares superiores.

O fato é que o Grande exército dos “Pipelets” e das “Anastasies” deveria ter como patrono reconhecido Janus Bifrons, o deus à imagem do qual se criou.

Não é senão então que teria direito legal às gratificações, no dia de ano-novo, enquanto seu grande patrono receberia sua moeda do começo ao fim do ano.

Tudo é relativo neste universo ilusório; no entanto, é necessário que entre um porteiro celestial e um porteiro terrestre exista uma diferença de grau.

Quanto às gratificações, elas existiram em todos os tempos tanto para os grandes quanto para os pequenos.

Calígula, por mais Imperador que fosse, não desdenhava permanecer de pé durante todo o dia de Ano-Novo, no vestíbulo de seu palácio, para receber as *strenae* de seus súditos trêmulos — com suas cabeças, às vezes — para variar.

A Rainha Virgem, ––––––––––       [Ver nota de rodapé anexada à tradução inglesa deste artigo.

—Compilador.] –––––––––– a «Queen Bess» da Inglaterra morreu, deixando 3.000 vestidos de gala, que representavam suas últimas *étrennes*.


E é assim que ainda agem os grandes e os pequenos, no ano do Senhor de 1890, sobre nossa bola desgovernada que chamamos de Terra — «o escabelo» de Deus.

Esse mesmo Deus de Abraão e de Jacó não se deixava enternecer por promessas e presentes, assim como os deuses das nações? Esse Deus e esses deuses não recebiam, tal como os mortais, *étrennes* por serviços prestados ou a prestar? O próprio Jacó não barganhava com seu Deus, prometendo-lhe como *étrennes* «o dízimo de tudo o que tu [Deus] me deres»? E acrescentava, esse bom patriarca, em Luz, diante de «Betel»: — «Se Deus está comigo . . . . se me der pão para comer, e roupas para me vestir . . . certamente, o Eterno me será Deus.» Dizendo isso, não se esquecia também, numa simples, mas bela cerimônia fálica, de *étrenner* a pedra «Betel» que havia erguido, derramando óleo sobre seu topo (Gênesis, xxviii, 18, 20-22). Essa tocante cerimônia vinha aos israelitas diretamente das Índias, onde a pedra de Shiva, o *lingam*, sofre hoje a mesma operação exotérica com óleo e flores, a cada festa dos adoradores do deus da Destrução (da matéria bruta) e dos Yogis.

Tudo permaneceu então como outrora.

O Ano-Novo faz sua entrada triunfal nos países cristãos — sobretudo na França — como a fazia há dois mil anos, quando os Pagãos o celebravam dando-se uma indigestão de figos e ameixas douradas.

Estas emigraram desde então para as árvores de Natal, o que não impede que elas nos venham dos templos de Janus.

É verdade que os sacerdotes não sacrificam mais sobre seu altar um jovem touro branco; — ele é substituído pelo cordeiro da mesma cor, — mas hecatombes de quadrúpedes e de aves são degoladas anualmente em sua honra, nesse dia. É certo que mais sangue inocente é derramado hoje, para satisfazer o apetite voraz de uma única rua de Paris, no dia de ano-novo, do que era necessário para alimentar toda uma cidade romana no tempo dos Césares.

O doce Juliano, o pagão, que reencontrou em

PENSAMENTOS SOBRE O ANO-NOVO

Lutécia seus deuses bem-amados, — depois que os deuses gauleses foram, por ordem de César, adornados com os falsos narizes das divindades romanas, — passava suas horas de lazer a domesticar pombas em honra de Vênus.

Os ferozes potentados que vieram depois dele, — os filhos mais velhos da Igreja, — não domesticavam senão Vênus, que deles faziam seus pombos.

A história servil apelidou o primeiro, para agradar à Igreja, de Apóstata, e fez seguir os nomes dos outros de epítetos sonantes: — o "Grande", o "Santo", "o Belo". Mas se Juliano se tornou "Apóstata" — foi, talvez, porque tinha horror aos falsos narizes; enquanto seus sucessores cristãos provavelmente não seriam apresentáveis em boa sociedade, sem esse apêndice artificial.

Um falso nariz torna-se, quando necessário, um anjo da guarda, até mesmo, por vezes, — um deus.

Isto é história.

A metamorfose das divindades da Gália bárbara em deuses do Olimpo e do Parnaso não parou aí. Por sua vez, esses Olímpicos tiveram de sofrer uma operação por ordem dos sucessores de Jano-São Pedro, — a do batismo forçado.

Com o auxílio de farrapos e de lantejoulas, de cola forte e de cimento romano, reencontramos os deuses amados de Juliano, figurando, desde sua morte violenta, sob os títulos de Santos e Santas beatas, na Lenda Dourada e no calendário do bom papa Gregório.

O mundo é como o mar: muda frequentemente de aspecto, mas permanece no fundo o mesmo.

Os falsos narizes da civilização e dos beatos pouco o embelezaram, contudo... Bem ao contrário, pois a cada novo ano ele se torna mais feio e mais perigoso.

Refletimos e comparamos, e o dia do ano-novo moderno nada ganha com essa comparação com seus predecessores, do tempo da antiguidade, aos olhos de um filósofo.

Os bilhões nos cofres e bancos dos governos não tornam o pobre povo mais feliz, nem os ricos tampouco.

Dez moedas de bronze, com a efígie de Jano, dadas como presentes de Ano Novo, valiam, naqueles dias, mais do que dez moedas de ouro, com a efígie da República ou a da Rainha, valem agora; os cestos de ameixas douradas, valendo alguns centavos, continham menos germes de indigestão do que as caixas de bombons trocadas no dia do Ano Novo moderno, —esses bombons representando, somente em Paris, uma soma de mais de meio milhão de francos.


Quinhentos mil francos de bombons, diante do mesmo número de homens e mulheres morrendo de fome e de privações! Transportemo-nos em espírito, amigo leitor, quinze séculos atrás, e tentemos estabelecer uma comparação entre um jantar de Ano Novo, nos anos 355 a 360, e um jantar análogo em 1890. Vamos à procura desse mesmo bom e doce Juliano, quando ele habitava o palácio das Termas, que hoje se chama o hotel de Cluny,—ou o que dele resta.

Vê-lo-eis, esse grande general, em seu próprio jantar, cercado de seus soldados que, depois de seus deuses, ele mais ama no mundo, e que o idolatram.

É o primeiro de janeiro e eles celebram o dia de Jano.

Em dois dias, no 3 de janeiro, prestarão igual honra a Ísis, padroeira da boa cidade de Lutetia Parisiorum.

Desde então, a virgem-mãe do antigo Egito deixou-se batizar Genoveva, e essa Santa e Mártir (de Tifão?) permaneceu padroeira da boa cidade de Paris,—verdadeiro símbolo de um falso pretexto fornecido por Roma ao mundo cristão.

Não vemos nem facas nem garfos, nem prataria, nem porcelanas de Sèvres, nessa mesa imperial,—nem mesmo uma toalha; mas as carnes e as provisões que os convivas fazem desaparecer com tanto apetite não têm nenhuma necessidade de passar pelos microscópios de químicos da vigilância sanitária.

Nenhum produto artificial ou venenoso faz parte de seu pão ou de seu vinho.

O arsênico não colore suas ervas e legumes com um falso aspecto de frescor enganoso; o azebre não se aninha nos ângulos de suas latas de conservas, e sua pimenta não se faz representar pelo tijolo vermelho pilado num almofariz.

Seu açúcar (ou o que o substituía) não era extraído do alcatrão das rodas de seus carros de guerra; ao engolir seus licores e conhaque, não ingeriam uma solução de botas velhas de policial tiradas do cesto de um trapeiro; não devoravam, com um sorriso inconsciente nos lábios, um caldo condensado de gordura de cadáveres (tanto de homens como de animais) e de trapos e fiapos usados em todos os hospitais de Paris,—em vez de manteiga.

Pois tudo isso é produto da cultura moderna, o fruto da civilização e

PENSAMENTOS SOBRE O ANO NOVO

do progresso das ciências, e a Gália, no tempo de Juliano,

não passava de um país selvagem e bárbaro.

Mas o que eles comiam, em seu ano-novo, poderia ser comido com segurança e proveito (exceto o dos médicos) em nossos jantares do primeiro dia do ano de 1890. “Eles não tinham garfos, nem talheres”, dizem-me; “e,—os bárbaros!—comiam com os dedos!” É verdade; eles dispensavam garfos, talvez também lenços de bolso; mas, em compensação, não engoliam, como fazemos todos os dias, seus ancestrais na gordura de cozinha, e os ossos de seus cães em seu pão branco.

Que nos dêem a escolha, e decididamente não é o jantar de gala do dia de ano-novo do ano da graça de 1890, em Paris, que escolheremos, mas o de mil anos atrás, em Lutécia.

Questão de gosto bárbaro, veja bem; uma preferência bizarra e ridícula, segundo a opinião da maioria—pelo natural no século IV, que nos seduz infinitamente mais do que os narizes falsos e o artificial em tudo do século XIX.

H. P. BLAVATSKY

––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME XII                       PENSAMENTOS SOBRE O ANO NOVO E                             OS NARIZES FALSOS                        [La Revue Théosophique.

Paris, Vol.

II, No. 11, 21 de janeiro de                                           1890, pp. 193-98]

[Tradução do texto original francês acima.]      Salve, 1 8 9 0!      “Annum novum faustum felicemque tibi!”

Tal era a frase sacramental nos lábios de todos os gentios, grandes ou humildes, ricos ou pobres, durante o dia de primeiro de janeiro, séculos antes da era cristã; e a ouvimos ainda hoje, especialmente em Paris.

Essa saudação mútua era trocada naquele dia por toda a extensão do Império Romano.


Isso despertou ecos nos palácios dos Césares, alegrou a pobre choupana do escravo e elevou-se às nuvens nas espaçosas galerias abertas do Coliseu, no Capitólio e no Fórum, por toda parte sob o céu azul de Roma.

Naquele dia, todos assumiam, em honra do bifronte Jano, um nariz postiço mais ou menos proeminente de bondade, franca cordialidade e sinceridade.

"Que o Ano Novo lhes traga felicidade e prosperidade!" — dizemos a cada um de nossos leitores.

"Que ele lhes seja luz", dizemos aos nossos inimigos e detratores.

Irmãos — dizemos aos Teosofistas de todas as partes do mundo — Irmãos, deixemos de lado, ao menos por hoje, todos os nossos respectivos narizes postiços, para desejarmos uns aos outros saúde e sucesso e, especialmente, um pouco mais de cordial compreensão mútua do que no ano de 1889, agora felizmente defunto.

Contudo, quer repitamos a antiga fórmula latina de um modo ou de outro, em francês ou em inglês, ela nunca será senão uma variação da antiga frase pagã.

Pois o Ano Novo, bem como toda outra festividade, não passa de um legado aos povos cristãos dos adoradores dos deuses olímpicos.

Troquemos, por todos os meios, votos e presentes (étrennes), mas não sejamos ingratos, Teosofistas! Não esqueçamos que esses costumes nos vêm do paganismo; e que felicitações e presentes também nos vieram da mesma fonte.

De fato, os presentes (étrennes) não são senão as strenae, os dons trocados pelos latinos no primeiro de janeiro, o dia que abria o Ano Novo.

Como todos sabem ou não sabem — o que para mim é indiferente — esse dia era consagrado a Jano, que deu seu nome ao mês de Januarius ou janeiro, e até mesmo ao Santo de mesmo nome, o padroeiro de Nápoles e de seus lazzaroni [mendigos]. Mas, afinal, esse amável Santo não é senão um dos narizes postiços do deus Bifrons.

O velho pagão era chamado em sua juventude de Diaus, segundo seu nome védico, o belo deus do dia e da luz.

Tendo imigrado para a Tessália, –––––––––– De Janua — "porta" ou qualquer tipo de entrada; a porta que se abre para o ano.

––––––––––

PENSAMENTOS SOBRE O ANO NOVO

e dali para a Itália, onde se estabeleceu no pequeno povoado de Janículo, às margens do Tibre, latinizando seu nome e tornando-se Dianus, deus da luz (donde Diana). Seus narizes postiços foram muitos, e a história perdeu a conta deles.

Contudo, desde aqueles dias, ele se deixou converter.

Assim, por mais de dezoito séculos, tendo substituído seu último e mais modesto nariz falso por uma máscara mais respeitável, se não mais impenetrável — ele é chamado de São Pedro.

Que o leitor se abstenha bondosamente de protestar, e particularmente de nos lançar epítetos ofensivos, que não nos prejudicariam, mas poderiam bem rebaixá-lo em nossa estima.

Sou apenas o humilde intérprete das verdades e símbolos mais ou menos velados, bem conhecidos de todos os que estudaram seu Virgílio e seu Horácio, bem como seu Ovídio.

Nem um nariz falso nem uma máscara poderiam impedir um velho pagão de reconhecer seu Janus de dupla face no Apóstolo que negou seu Mestre.

Os dois são idênticos, e todos têm o direito de tomar o que é seu, onde quer que o encontrem. São Pedro é o coeli Janitor meramente porque Janus também o era.

O velho porteiro do céu, que puxava a corda da porta no palácio do Sol, a cada alvorada e a cada Ano-Novo, e a fechava novamente ao despedi-los, é facilmente reconhecível em seu novo papel.

Está escrito nas estrelas que regem o destino de deuses e mortais, que Janus — que segurava a chave do céu em uma mão e uma alabarda na outra, assim como São Pedro, tendo-o sucedido, o faz — renunciaria a seu papel de porteiro do Sol para aquele que se tornaria o guardião dos portais do Paraíso, a morada do Cristo-Sol.

O novo coeli Janitor tornou-se o sucessor de todas as funções e privilégios do antigo, e não vemos mal algum nisso.

Salomão disse: "Não há nada de novo sob o sol"; e ele estava certo.

Seria tolice inventar novas funções e novos deuses — que moldamos à nossa imagem — quando nossos antepassados do outro lado do dilúvio se deram ao trabalho de fazê-lo por nós. É por isso que tudo foi permitido permanecer como no passado, e por que nada mudou neste mundo — exceto os nomes.

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS     Em todas as cerimônias religiosas, o nome de Janus era sempre invocado primeiro, pois era somente através de sua intercessão imediata que as preces dos devotos pagãos podiam alcançar o ouvido dos deuses imortais.

Assim é ainda hoje.

Qualquer um que presumisse comunicar-se com uma das personagens da Trindade por cima da cabeça de São Pedro certamente seria apanhado.

Sua prece sofreria o destino de uma petição que se tentasse deixar no escritório do zelador, depois de ter tido uma discussão com ele e de tê-lo chamado de "velho porteiro"; ela jamais alcançaria os níveis superiores.

O fato é que o Grande Exército dos "Pipelets" e das "Anastasies" deveria reconhecer Janus Bifrons como seu patrono, o deus à imagem do qual foi criado.

É somente então que teria direito legal aos seus presentes, os primeiros do ano, enquanto seu grande patrono receberia sua esmola do início ao fim do ano.

Tudo é relativo neste mundo de ilusão; no entanto, deveria existir uma diferença de grau entre um zelador celestial e um zelador terrestre.

Quanto aos presentes, eles existiram em todas as épocas, tanto para homens humildes quanto para grandes homens.

Calígula, imperador como era, não desdenhou permanecer durante todo o dia de Ano Novo no vestíbulo de seu palácio, a fim de receber as strenae de seus súditos trêmulos; às vezes, suas próprias cabeças, para variar.

A Rainha Virgem, "Queen Bess" da Inglaterra, quando morreu, deixou três mil vestidos de corte, que representavam seus presentes mais recentes.

Tanto grandes quanto humildes se comportam de maneira semelhante ainda agora, no ano de nosso Senhor de 1890, nesta bola maluca que chamamos de Terra—o "escabelo" de Deus.

Não permitiu este mesmo Deus de Abraão e de Jacó que fosse movido à piedade por promessas e presentes, assim como os deuses de outras nações? Este Deus e esses deuses, não receberam eles, tal como os mortais, presentes por serviços prestados ou a serem prestados? Não barganhou o próprio Jacó com –––––––––– [Monsieur e Madame Pipelet são personagens da obra de Eugène Sue, Mystères de Paris (1842), que tipificam os hábitos curiosos e as peculiaridades do portier francês, ou zelador.

"Anastasie" não foi identificada.—Compilador.] ––––––––––

PENSAMENTOS SOBRE O ANO NOVO

Seu Deus, prometendo-lhe como dons “o dízimo de tudo o que Tu [Deus] me deres”? E acrescentou este bom patriarca, em Luz, perto de “Betel”: “. . . . Se Deus for comigo, e me guardar neste caminho que eu vou, e me der pão para comer e vestes para vestir . . . . então o Senhor será o meu Deus.” Dizendo isso, não se esqueceu de fazer uma oferenda (étrenner) à pedra “Betel” que erguera, derramando um pouco de óleo sobre o seu topo, numa cerimônia fálica simples, porém bela (Gênesis xxviii, 18, 20-22). Esta cerimônia comovente veio aos israelitas diretamente da Índia, onde a pedra de Śiva, o lingam, é hoje objeto do mesmo rito exotérico com óleo e flores, sempre que seus adoradores celebram a festa do deus da Destruição (da matéria bruta) e dos Yogis.

Tudo permaneceu como outrora.

Nos países cristãos, especialmente na França, o Ano-Novo faz sua entrada triunfal exatamente como há dois mil anos, quando os pagãos o celebravam com indigestão causada pelos figos e ameixas douradas que comiam.

Estes últimos frutos migraram desde então para a árvore de Natal, o que não altera o fato de que nos vieram dos templos de Jano.

É verdade que os sacerdotes já não sacrificam um jovem touro branco sobre o seu altar; isso é substituído por um cordeiro da mesma cor, mas hecatombes inteiras de quadrúpedes e aves são abatidas anualmente em sua honra nesse dia.

Certamente mais sangue inocente é derramado hoje para satisfazer o apetite voraz de uma única rua de Paris, no dia de Ano-Novo, do que era necessário para alimentar uma cidade romana inteira no tempo dos Césares.

O gentil Juliano, o pagão que redescobriu seus bem-amados deuses em Lutécia—depois que os deuses da Gália foram disfarçados por ordem de César, com narizes falsos de divindades romanas—passava suas horas de lazer domesticando pombas em honra de Vênus.

Os potentados ferozes que vieram depois dele, os filhos primogênitos da Igreja, domesticaram apenas Vênus que os faziam de pombos.

A história servil chamou ao primeiro Apóstata, para agradar à Igreja, e acrescentou aos nomes dos outros alguns epítetos sonoros: o “Grande”, o “Santo”, o “Belos”. Mas se Juliano se tornou o “Apóstata”, foi talvez porque tinha horror a narizes falsos, enquanto seus sucessores cristãos dificilmente seriam apresentáveis na boa sociedade sem tal apêndice artificial.


Um nariz falso, quando necessário, torna-se um anjo da guarda e, por vezes, até um deus.

Isto é história.

A metamorfose das divindades da Gália bárbara nos deuses do Olimpo e do Parnaso não parou por aí.

Por sua vez, esses olímpicos tiveram que se submeter ao tratamento ordenado pelos sucessores de Jano São Pedro — a saber, um batismo forçado.

Com a ajuda de ouropel e latão, de pasta e cimento, encontramos os amados deuses de Juliano aparecendo, após sua morte violenta, na Lenda Áurea e no calendário do bom Papa Gregório, sob os títulos de santos beatificados.

O mundo é como o mar: muitas vezes muda de aparência, mas permanece basicamente o mesmo.

Os narizes postiços da civilização e dos beatos, no entanto, pouco o embelezaram: pelo contrário, a cada Ano Novo ele se torna mais feio e mais perigoso.

Refletimos e comparamos, mas aos olhos de um filósofo a comparação com seus predecessores dos tempos antigos não favorece o moderno Dia de Ano Novo.

Os milhões guardados nos cofres e abóbadas dos bancos estatais não tornam nem os ricos nem os pobres mais felizes.

Dez moedas de bronze com a efígie de Jano, dadas como presente, valiam mais naqueles dias do que dez moedas de ouro, com a efígie da República ou da Rainha, valem hoje; os cestos de ameixas douradas, valendo alguns centavos, continham menos causa de indigestão do que as caixas de doces trocadas no Dia de Ano Novo de hoje — esses doces representando somente em Paris a soma de meio milhão de francos.

Quinhentos mil francos em doces, e o mesmo número de homens e mulheres morrendo de fome e privações! Recuemos em nossas mentes, meus leitores, quinze séculos, e tentemos fazer uma comparação entre um jantar de Ano Novo nos anos 355 a 360, e um jantar semelhante em 1890. Busquemos o mesmo bom e gentil Juliano, quando ele vivia no palácio das Termas, que hoje é conhecido como Hotel de Cluny — ou o que resta dele. Vós o vedes, este grande general, em seu jantar, cercado por seus soldados a quem ele ama mais do que qualquer outra pessoa no mundo, além de seus deuses, e que o idolatram! É o primeiro de janeiro e

PENSAMENTOS SOBRE O ANO NOVO

eles celebram o dia de Jano. Em dois dias, no terceiro de janeiro, prestarão homenagem semelhante a Ísis, padroeira da boa cidade de Lutetia Parisiorum.

Desde aqueles dias, a virgem-mãe do antigo Egito foi rebatizada como Genoveva, e esta Santa e Mártir (de Tifão?) permaneceu a padroeira da boa cidade de Paris — verdadeiro símbolo de um nariz postiço fornecido por Roma para o mundo cristão.

Não vemos nem facas nem garfos, nem prata nem porcelana de Sèvres, naquela mesa imperial, nem mesmo um guardanapo; mas as carnes e outros alimentos que os convidados consomem com tanto apetite não precisam ser inspecionados sob o microscópio dos químicos ligados aos departamentos de saúde pública.

Nenhum produto artificial ou venenoso é encontrado em seu pão ou vinho.

O arsênico não acrescenta aos seus vegetais o falso nariz de uma frescura enganosa; a ferrugem não se esconde nos cantos de suas latas de alimentos preservados, e tijolo vermelho pulverizado em um pilão não faz o papel de sua pimenta.

Seu açúcar (ou aquilo que o substitui) não é extraído do alcatrão das rodas de seus carros de guerra; ao engolir seus licores e conhaque, eles não engolem uma solução feita das botas velhas de um policial, encontradas na cesta de um trapeiro; eles não devoraram, com um sorriso casual nos lábios, um caldo condensado da gordura de cadáveres (tanto de homens quanto de animais) e dos trapos usados em todos os hospitais de Paris—como substituto da manteiga. Pois tudo isso é um produto da cultura moderna, fruto da civilização e do progresso científico, enquanto a Gália na época de Juliano era apenas uma terra bárbara e selvagem.

Mas o que eles comiam no dia de Ano-Novo poderia ser comido com segurança e com vantagem (exceto para os médicos) nos jantares do primeiro dia do ano de 1890. “Eles não tinham nem garfos nem prata,” dirão; “e comiam com os dedos, esses bárbaros!” Isso é verdade; eles não tinham uso para garfos, e provavelmente também para lenços; mas, por outro lado, eles não precisavam engolir seus ancestrais na gordura de cozinha, e os ossos de seus cães em seu pão branco, como fazemos diariamente.


Se tivéssemos uma escolha, definitivamente não escolheríamos o jantar de gala do primeiro dia do ano da graça de 1890, em Paris, mas o de mil anos atrás, em Lutécia.

Um caso de gosto bárbaro, não é! Uma preferência ridícula e barroca, segundo a opinião da maioria, pelo natural no século IV, atrai-nos infinitamente mais do que os falsos narizes e a artificialidade de tudo no século XIX.

H. P. BLAVATSKY.

–––––––––– Obras Completas VOLUME XII O ÚLTIMO CANTO DO CISNE [Lucifer, Vol.

V, No. 30, Fevereiro, 1890, pp. 445-453]                    --------------------Vejo diante de mim                                        Minha raça por uma era ou mais; e sou enviado                                        Para a obra severa, de abrir caminho entre                                        Os espinhos—eu os tomo em minha carne—para pisar                                        Com pés descalços a estrada, e alisá-la                                        Com sangue, e desfalecendo, hei de depor meus ossos                                        Em alguma fenda aguda do caminho partido.

Os homens, em tempos melhores, se erguerão onde caí,                                        E seguirão cantando em bandos perfeitos,                                        Onde trilhei sozinho, sem braço senão o de Deus,                                        Sem voz senão a sua.

Basta!—Sua voz, seu braço.

—Theodore Parker, Human Misery.

Alívio Celestial.

De onde vem a noção poética, mas muito fantástica—mesmo em um mito—sobre cisnes cantando seus próprios cânticos fúnebres? Há uma lenda nórdica a esse respeito, mas não é mais antiga que a Idade Média.

A maioria de nós estudou ornitologia; e em nossos dias de juventude fizemos amplo conhecimento com cisnes de todas as descrições.

Naqueles anos confiantes de sol perene, existia uma misteriosa ––––––––––      [Este poema introdutório pode ser encontrado na Autobiografia, Poemas e Orações de Parker, editado por Rufus Leighton, Boston, Mass.

(sem data). —Compilador.] ––––––––––

A ÚLTIMA CANÇÃO DO CISNE

atração entre nossa mão travessa e as penas nevadas da cauda atarracada daquele gracioso, mas de voz áspera, Rei das aves aquáticas.

A mão que traiçoeiramente oferecia biscoitos, enquanto a outra arrancava uma pena ou duas, era frequentemente punida; mas os ouvidos também o eram.

Poucos ruídos podem se comparar em cacofonia ao grito daquela ave—seja o "assobiador" (Cignus Americanus) ou o cisne "trompetista".

Os cisnes bufam, chocalham, guincham e sibilam, mas certamente não cantam, especialmente quando ardendo sob a indignidade de um ataque injusto às suas caudas.

Mas ouçam a lenda.

“Quando sente a vida partindo, o cisne ergue bem alto a cabeça e, irrompendo em um longo e melodioso canto — uma canção de morte de partir o coração —, a nobre ave envia aos céus um melodioso protesto, uma queixa que comove até as lágrimas homens e animais, e que vibra através dos corações daqueles que a ouvem.” Assim também, “daqueles que a ouvem”. Mas quem jamais ouviu esse canto entoado por um cisne? Não hesitamos em proclamar a aceitação de tal afirmação, mesmo como licença poética, um dos inúmeros paradoxos de nossa era incongruente e da mente humana.

Não temos objeção séria a oferecer — devido a sentimentos pessoais — a Fénélon, o Arcebispo e orador, ser apelidado de “Cisne de Cambrai”, mas protestamos contra o mesmo elogio duvidoso ser aplicado a Shakespeare.

Ben Jonson foi mal aconselhado ao chamar o maior gênio que a Inglaterra pode ostentar — o “Doce cisne de Avon”; e quanto a Homero ser apelidado de “Cisne do Meandro” — isso é simplesmente uma calúnia póstuma, que Lúcifer jamais poderá desaprovar e expor em termos suficientemente fortes.

––––––––––

Apliquemos antes a ideia fictícia às coisas do que aos homens, lembrando que o cisne — um símbolo do Brahm Supremo e um dos avataras do amoroso Júpiter — era também um tipo simbólico de ciclos; de qualquer forma, do fim de todo ciclo importante na história humana.

Um emblema estranho, o leitor pode pensar, e um tão difícil de explicar.

Contudo, tem sua razão de ser.

Foi provavelmente sugerido pelo cisne que ama nadar em círculos, curvando seu longo e gracioso pescoço em um anel, e não foi uma designação típica ruim, afinal de contas.


De qualquer forma, a ideia mais antiga era mais gráfica e pertinente, e certamente mais lógica, do que a posterior, que dotou a garganta do cisne de modulações musicais e fez dele um doce cantor e também um vidente.

O último canto do presente “Cisne Cíclico” nos pressagia um mau agouro.

Alguns o ouvem guinchar como uma coruja e crocitar como o corvo de Edgar Poe.

A combinação dos números 8 e 9, mencionada no editorial do mês passado, já deu seus frutos.

Mal havíamos falado do temor que os Césares e Potentados Mundiais da antiguidade tinham do número 8, que postula a igualdade de todos os homens, e de sua combinação fatal com o número 9 — que representa a terra sob um princípio maligno — quando esse princípio começou a causar terrível devastação entre os pobres Potentados e os Dez Superiores — seus súditos.

A influenza tem mostrado ultimamente uma estranha e misteriosa predileção pela realeza.

Um a um, tem nivelado seus membros através da morte a uma igualdade absoluta com seus cavalariços e criadas de cozinha.

Sic transit gloria mundi! Sua primeira vítima foi a Imperatriz Viúva da Alemanha; depois a ex-Imperatriz do Brasil, o Duque d'Aosta, o Príncipe William de Hessen-Philippsthal, o Duque de Monpensier, o Príncipe de Swarsburg Rudolstadt, e a esposa do Duque de Cambridge; além de um número de Generais, Embaixadores, Estadistas e suas sogras.

Onde, quando, em que vítima deterás tua foice, ó "inocente" e "inofensiva" Influenza? Cada um desses Cisnes reais e semirreais cantou seu último canto, e partiu "para aquele além" de onde todo "viajante retorna", — não obstante o verso aforístico em contrário.

Sim, eles agora resolverão o grande mistério por si mesmos, e a Teosofia e seus ensinamentos ganharão mais adeptos e crentes entre a realeza no "céu" do que entre a dita casta na terra.

A propósito da Influenza — erroneamente chamada de "russa", mas que parece ser antes o bode expiatório enquanto dura, pelos pecados de omissão e comissão da faculdade médica e seus médicos da moda — o que é ela? As autoridades médicas

CORONEL HENRY STEEL OLCOTT                                            1832-                          Retrato tirado por Elliot & Fry, 55 Baker Street,                        Londres W., e reproduzido de The Theosophist,                            Vol.

LIII, agosto de 1932, página 632.

O ÚLTIMO CANTO DO CISNE

de vez em quando se aventuraram a dizer algumas palavras que soam muito eruditas, mas nos dizem muito pouco sobre sua verdadeira natureza.

Parecem ter captado aqui e ali uma pista de fio patológico apontando de forma bastante vaga, se é que apontam, para sua causa bacteriológica; mas estão tão longe de uma solução do mistério como sempre estiveram.

As lições práticas resultantes de tantos e variados casos têm sido muitas, mas as deduções delas extraídas não parecem ter sido numerosas ou satisfatórias.

O que é, na realidade, esse monstro desconhecido que parece viajar com a rapidez de uma notícia sensacionalista iniciada com o objetivo de desonrar um semelhante: que é quase onipresente; e que mostra tão estranha discriminação na seleção de suas vítimas? Por que ataca os ricos e poderosos em proporção muito maior do que os pobres e insignificantes? Será de fato apenas "um micróbio ágil", como o Dr. Symes Thomson nos faria pensar? E será verdade que o influente Bacilo (sem trocadilho) acaba de ser apreendido em Viena pelos Drs. Jolles e Weichselbaum — ou será apenas uma armadilha e uma ilusão, como tantas outras coisas? Quem sabe? Ainda assim, o rosto de nosso hóspede indesejado — a chamada "Influenza Russa" — permanece velado até hoje, embora seu peso seja pesado para muitos, especialmente para os idosos e os fracos, e quase invariavelmente fatal para os inválidos.

Uma grande autoridade médica em epidemias, o Dr. Zedekauer, acaba de afirmar que essa doença sempre foi precursora do cólera — em São Petersburgo, pelo menos.

Isso é, no mínimo, uma afirmação muito estranha.

O que hoje se chama "influenza" era conhecido antes como gripe, e esta era conhecida na Europa como epidemia, séculos antes de o cólera fazer sua primeira aparição nas chamadas terras civilizadas.

A biografia e a história da Influenza, também conhecida como "gripe", podem ser interessantes para alguns leitores.

Isto é o que colhemos de fontes autorizadas.

––––––––––

A sua visita mais antiga, conforme registrada pela ciência médica, foi a Malta em 1510. Na jovem Influenza, tornou-se uma terrível epidemia, que viajou da Ásia para a Europa para desaparecer na América.


Em 1580, uma nova epidemia de gripe visitou a Europa, a Ásia e a América, matando os idosos, os fracos e os inválidos.

Em Madri, a mortalidade foi enorme; e somente em Roma, 9.000 pessoas morreram dela. Em 1590, a influenza apareceu na Alemanha, passando em 1593 para a França e a Itália.

Em 1658-1663, visitou apenas a Itália; em 1669, a Holanda; em 1675, a Alemanha e a Inglaterra; e em 1691, a Alemanha e a Hungria.

Em 1729, toda a Europa sofreu terrivelmente com o "inocente" visitante.

Somente em Londres, homens morreram dela na primeira semana; mais de 60.000 pessoas sofrendo dela, e por cento morrendo de catarro ou influenza em Viena.

Em 1732 e 1733, uma nova epidemia de gripe apareceu na Europa, na Ásia e na América.

Foi quase tão universal nos anos de 1737 e 1743, quando Londres perdeu por ela, em uma única semana, mais de 1.000 homens.

Em 1762, grassou no exército britânico na Alemanha.

Em 1775, um número quase incontável de gado e animais domésticos foi morto por ela. Em 1782, 40.000 pessoas adoeceram em um único dia, em São Petersburgo.

Em 1830, a influenza fez uma viagem bem-sucedida ao redor do mundo — a única vez — como a primeira pioneira do cólera.

Retornou novamente de 1833 a 1837. No ano de 1847, matou mais homens em Londres do que o próprio cólera havia feito.

Assumiu um caráter epidêmico mais uma vez na França, em 1858.

Aprendemos com o Novoye Vremya de São Petersburgo que o Dr. Hirsh mostra, de 1510 a 1850, mais de 300 grandes epidemias de gripe ou influenza, tanto gerais quanto locais, severas e fracas.

De acordo com os dados acima fornecidos, portanto, a influenza, tendo sido este ano muito fraca em São Petersburgo, dificilmente pode ser chamada de "russa". O que se sabe de suas características mostra-a, ao contrário, como de uma natureza mais imparcialmente cosmopolita.

A extraordinária rapidez com que age garantiu-lhe, em Viena, o nome de Blitz Catarrh.

Não tem nada em comum com a gripe comum, tão facilmente contraída em clima frio e úmido; e parece não produzir nenhuma doença especial que possa ser localizada, mas apenas agir de forma mais fatal sobre o sistema nervoso e especialmente sobre os pulmões.

A maioria das mortes por influenza ocorre em consequência de paralisia pulmonar.

O ÚLTIMO CANTO DO CISNE

Tudo isso é muito significativo.

Uma doença que é epidêmica, mas não contagiosa; que age em toda parte, em lugares limpos como em sujos, em localidades sanitárias como insalubres, necessitando, portanto, evidentemente, de nenhum centro de contágio para se originar; uma epidemia que se espalha de uma vez como uma corrente de ar, abraçando países inteiros e partes do mundo; atingindo ao mesmo tempo o marinheiro em meio ao oceano, e o herdeiro real em seu palácio; o miserável faminto dos Whitechapels do mundo, afundado e encharcado de imundície, e o aristocrata em seu sanatório de alta montanha (como Davos, na Engadina), onde nenhuma falta de arranjos sanitários pode ser responsabilizada por ela — tal doença não pode ser comparada a epidemias do tipo comum ordinário, e.g., como o cólera.

Nem pode ser considerada como causada por parasitas ou micróbios microscópicos de um ou outro tipo.

Para provar a falácia dessa ideia em seu caso, a querida e velha influenza atacou ferozmente o próprio Pasteur, o “matador de micróbios”, e sua legião de assistentes.

Não parece, portanto, que as causas que produzem a influenza sejam antes cósmicas do que bacterianas; e que devam ser procuradas antes naquelas mudanças anormais em nossa atmosfera que quase lançaram em confusão e embaralharam as estações em todo o globo nos últimos anos — do que em qualquer outra coisa?

Não é afirmado pela primeira vez agora que todas essas misteriosas epidemias, como a presente influenza, se devem a uma exuberância anormal de ozônio no ar.

Vários médicos e químicos notáveis até agora concordaram com os ocultistas, admitindo que o gás insípido, incolor e inodoro conhecido como oxigênio — “o sustentador da vida” de tudo o que vive e respira — às vezes entra em desavenças com seus colegas e irmãos, quando tenta superá-los em volume e peso, e se torna mais pesado do que é seu costume.

Em suma — o oxigênio se torna ozônio.

––––––––––      “Coronel o Honorável
George Napier será impedido de comparecer ao funeral de seu pai, Lord Napier de Magdala, por um grave ataque de influenza em Davos, Suíça.” The Morning Post, 21 de janeiro de 1890. –––––––––– Isso explicaria provavelmente os sintomas preliminares da influenza.


Descendo e se espalhando sobre a terra com uma rapidez extraordinária, o oxigênio produziria naturalmente uma combustão ainda maior; daí o terrível calor no corpo do paciente e a paralisia de pulmões bastante fracos.

O que diz a Ciência a respeito do ozônio: “É a exuberância deste sob o poderoso estímulo da eletricidade no ar que produz nas pessoas nervosas aquele sentimento inexplicável de medo e depressão que elas tantas vezes experimentam antes de uma tempestade.” Novamente: “a quantidade de ozônio na atmosfera varia com a condição meteorológica sob leis até agora desconhecidas para a ciência.” Uma certa quantidade de ozônio é necessária, dizem sabiamente, para fins de respiração e circulação do sangue.

Por outro lado, “excesso de ozônio irrita os órgãos respiratórios, e um excesso de mais de 1% dele no ar mata aquele que o respira.” Isso está procedendo em linhas bastante ocultas.

“O verdadeiro ozônio é o Elixir da Vida”, diz A Doutrina Secreta, Vol. I, p. 144, 2ª nota de rodapé.

Que o leitor compare o acima com o que encontrará afirmado na mesma obra sobre o oxigênio, visto do ponto de vista hermético e ocultista (Vide Vol. II, pp. 113 e 114), e poderá compreender melhor o que alguns Teosofistas pensam da atual influenza.

Segue-se, assim, que o correspondente de inclinação mística que escreveu no Novoye Vremya (No. 4931, 19 de novembro, estilo antigo, 1889), dando conselhos sensatos sobre o assunto da influenza, então recém-surgida — sabia do que estava falando.

Resumindo a ideia, ele afirmou o seguinte:—

. . . . . . . Torna-se, assim, evidente que a causa real dessa propagação simultânea da epidemia por todo o Império, sob as mais variadas condições meteorológicas e mudanças climáticas — deve ser procurada em outra parte, não nas insatisfatórias condições higiênicas e sanitárias . . . . . A busca pelas causas que geraram a doença e a fizeram propagar não incumbe somente aos médicos, mas seria o dever próprio de meteorologistas, astrônomos, médicos e naturalistas em geral, separados oficial e substancialmente dos homens da medicina.

Isso levantou uma tempestade profissional.

A modesta sugestão foi proscrita e ridicularizada; e mais uma vez um país asiático — a China, desta vez — foi sacrificado como bode expiatório pelo pecado de FOHAT e sua prole demasiado ativa.

Quando a realeza e os governantes deste sublunar esfera tiverem sido suficientemente dizimados pela influenza e outros males afins e desconhecidos, talvez chegue a vez dos Didymi da Ciência.

Isso será apenas um justo castigo por desprezarem as ciências "ocultas" e sacrificarem a verdade a preconceitos pessoais.

––––––––––

Enquanto isso, o último canto de morte do Cisne cíclico começou; poucos são os que o escutam, pois a maioria tem ouvidos apenas para não ouvir, e olhos — para permanecer cega.

Aqueles que o escutam, contudo, acham o canto cíclico triste, muito triste, e longe de melodioso.

Eles afirmam que, além da influenza e outros males, metade da população do mundo civilizado está ameaçada de morte violenta, desta vez graças à presunção dos homens da Ciência exata e à egoística avidez de toda a especulação.

Isto é o que a nova mania da "iluminação elétrica" promete a toda grande cidade antes que o ciclo moribundo se torne um cadáver.

Estes são fatos, e não quaisquer "especulações loucas de teosofistas ignorantes". Ultimamente, a Reuter envia quase diariamente avisos tão agradáveis quanto este, através dos fios elétricos em geral, e dos fios elétricos na América — especialmente:

Outro acidente fatal, decorrente do sistema de fios elétricos de iluminação suspensos, é noticiado hoje de Newburgh, Estado de Nova York.

Aparentemente, um cavalo, enquanto era conduzido, tocou com o focinho um poste de ferro de um toldo e caiu como se estivesse morto.

Um homem, que correu para ajudar a erguer o animal, tocou o cabresto do cavalo e imediatamente caiu morto; e outro homem que tentou levantar o primeiro recebeu um choque terrível.

A causa do acidente parece ter sido um fio elétrico que se afrouxara e estava deitado sobre uma haste de ferro que se estendia do poste do toldo a um edifício, e que toda a força da corrente descia pelo poste até o chão.

O material isolante do fio estava completamente saturado pela chuva.

(Morning Post, 21 de janeiro.)

Esta é uma perspectiva animadora, e parece de fato ser um dos "últimos cantos do cisne" da civilização prática.

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

Mas há bálsamo em Gileade — mesmo nesta décima primeira hora do nosso século de quebrar mandíbulas e chutar a verdade.

Clérigos destemidos reúnem coragem e ousam expressar publicamente seus sentimentos reais, com total desprezo pela "pura farsa do 'discurso religioso' barato que prevalece nos dias de hoje". Eles diariamente reúnem novas forças; e jornais diários até então rabidamente conservadores não temem permitir que seus correspondentes, quando a ocasião o exigir, voem na venerável face da Hipocrisia e da Sra. Grundy.

É verdade que o assunto que trouxe à tona a verdade salutar, embora indesejada, no Morning Post, era digno de tal exceção.

Um correspondente, o Sr. W. M. Hardinge, falando da Irmã Rose Gertrude, que acaba de navegar para a Ilha dos Leprosos de Molokai, sugere que — "um retrato desta jovem senhora deveria de alguma forma ser acrescentado a uma de nossas galerias nacionais" e acrescenta:—

O Sr. Edward Clifford seria certamente o artista adequado.

Eu, por exemplo, contribuiria de bom grado para o registro permanente, por algum pintor competente, de qualquer que seja o semblante que abrigue uma alma tão santa.

Tal assunto — demasiado raro, infelizmente, na Inglaterra — deveria ser mais frutífero do que o preceito.

––––––––––

Amém.

De preceitos e discursos elevados em igrejas da moda, as pessoas têm mais do que pedem; mas de trabalho verdadeiramente prático, à maneira de Cristo, na vida diária—exceto quando conduz ao louvor e à menção de nomes dos pretensos filantropos nos jornais públicos—não vemos nada.

Além disso, um assunto como o Calvário voluntário escolhido pela Irmã Rose Gertrude é "raro demais", de fato, em qualquer lugar, sem falar da Inglaterra.

A jovem heroína, como seu nobre predecessor, o Padre Damien, é uma verdadeira Teosofista na vida diária e na prática—esta última o maior ideal de todo seguidor genuíno ––––––––––        Rev.

Hugh B. Chapman, Vigário de St. Luke's, Camberwell, no Morning Post, 21 de janeiro.        Loc.

cit.

 Vide The Key to Theosophy, p. 239: O que os Teosofistas pensam do Padre Damien.

––––––––––                              O ÚLTIMO CANTO DO CISNE

da Religião da Sabedoria.

Diante de tal obra de Teosofia prática, a religião e o dogma, as diferenças teológicas e escolásticas, até mesmo o próprio conhecimento esotérico, são apenas acessórios secundários, detalhes acidentais.

Tudo isso deve ceder precedência e desaparecer diante do Altruísmo (o altruísmo real, de Buda e de Cristo, é claro, não a conversa fiada teórica dos Positivistas), assim como a língua tremeluzente da luz a gás nos postes de rua empalidece e desaparece diante do sol nascente.

A Irmã Rose Gertrude não é apenas uma grande e santa heroína, mas também um mistério espiritual, um EGO que não pode ser sondado por meras linhas intelectuais ou mesmo psíquicas.

Muito verdadeiro, ouvimos falar de conventos inteiros que se voluntariaram para o mesmo trabalho em Molokai, e prontamente acreditamos nisso, embora essa declaração seja feita mais para a glorificação de Roma do que para Cristo e Sua obra.

Mas, mesmo que seja verdade, a oferta não é paralela.

Conhecemos freiras que estavam prontas para atravessar uma pradaria em chamas para escapar da vida conventual.

Uma delas confessou, em uma agonia de desespero, que a morte era doce, e até mesmo a perspectiva de torturas físicas no inferno era preferível à vida em um convento e suas torturas morais.

Para tais, a perspectiva de comprar alguns anos de liberdade e ar puro ao preço da lepra dificilmente é um sacrifício, mas uma escolha do menor de dois males.

Mas o caso da Irmã Rose Gertrude é bem diferente.

Ela renunciou a uma vida de liberdade pessoal, a um lar tranquilo e a uma família amorosa, tudo o que é caro a uma jovem, para realizar sem ostentação uma obra do mais alto heroísmo, uma tarefa das mais ingratas, pela qual ela não pode sequer salvar seus semelhantes da morte e do sofrimento, mas apenas suavizar e aliviar suas torturas morais e físicas.

Ela não buscou notoriedade e se esquivou da admiração ou mesmo da ajuda do público.

Ela simplesmente cumpriu as ordens de seu MESTRE — ao pé da letra.

Ela se preparou para ir desconhecida e sem recompensa nesta vida para uma morte quase certa, precedida por anos de tortura física incessante da mais repugnante de todas as doenças.

E ela o fez, não como os escribas e fariseus que cumprem seus deveres prescritos nas ruas abertas e nas sinagogas públicas, mas verdadeiramente como o Mestre havia ordenado: sozinha, no recôndito quarto de sua vida interior e face a face apenas com "seu Pai em secreto", tentando ocultar o mais grandioso e nobre de todos os atos humanos, como outro tenta esconder um crime.

Portanto, temos razão em dizer que — neste nosso século, em todo caso — a Irmã Rose Gertrude é, como foi o Padre Damião antes dela, um mistério espiritual.

Ela é a rara manifestação de um "Ego Superior" livre das amarras de todos os elementos de seu Ego inferior; influenciada por esses elementos apenas na medida em que os erros de suas percepções sensoriais terrestres — com relação à forma religiosa — parecem dar testemunho verdadeiro daquilo que ainda é humano em sua Personalidade — a saber, seus poderes de raciocínio.

Daí o sacrifício próprio incessante e incansável de tais naturezas para o que parece dever religioso, mas que, em verdade sóbria, é a própria essência e o ser da Individualidade adormecida — "compaixão divina", que "não é um atributo", mas verdadeiramente "a LEI das LEIS — Harmonia eterna, o SELF de Alaya". É essa compaixão, cristalizada em nosso próprio ser, que sussurra dia e noite a pessoas como o Padre Damião e a Irmã Rose Gertrude — "Pode haver felicidade quando há homens que sofrem? Serás tu salvo e ouvirás os outros chorarem?" No entanto, a "Personalidade" — tendo sido cegada pelo treinamento e pela educação religiosa quanto à presença real e à natureza do EU SUPERIOR — não reconhece a sua voz, mas, confundindo-a em sua ignorância desamparada com a Forma externa e extrínseca que foi ensinada a considerar como uma Realidade divina — envia para o céu e para fora, em vez de dirigi-las interiormente, pensamentos e orações, cuja realização está em seu SELF.

Diz nas belas palavras de Dante Gabriel Rossetti, mas com uma aplicação mais elevada:

. . . . . . . . . . “Pois eis! tua lei está passada                                        Que este meu amor deveria manifestamente ser                                                  Para servir-te e honrar-te;                                        E assim o faço; e meu deleite é pleno,                                        Aceito pelo servo do teu domínio.”

Como veio esta cegueira a criar raízes tão profundas na natureza humana? A filosofia oriental responde-nos pronunciando duas ––––––––––     A Voz do Silêncio.

pp. 69, 71. ––––––––––

O ÚLTIMO CANTO DO CISNE

palavras profundamente significativas entre tantas outras mal compreendidas pela nossa geração atual—Maya e Avidya, ou “Ilusão” e aquilo que é antes o oposto de, ou a ausência de conhecimento, no sentido da ciência esotérica, e não “ignorância” como geralmente se traduz.

Para a maioria dos nossos críticos ocasionais, tudo o que foi dito acima parecerá, sem dúvida, como certas palavras e discursos eruditos da Senhora Partington.

Aqueles que creem ter todos os mistérios da natureza na ponta dos dedos, bem como aqueles que sustentam que somente a ciência oficial tem o direito de resolver para a Humanidade os problemas que estão ocultos bem longe na complexa constituição do homem—nunca nos compreenderão. E, incapazes de perceber nosso verdadeiro significado, poderão, erguendo-se sobre os padrões da negação moderna, esforçar-se, como sempre fizeram, por afastar com seus esfregões científicos as águas do grande oceano do conhecimento oculto.

Mas as ondas de Gupta Vidya não alcançaram estas praias para se tornarem nada mais que um borrifo e uma poça, e o confronto sério com elas se mostrará tão desigual quanto a luta da Senhora Partington com as águas do Oceano Atlântico.

Bem, pouco importa de qualquer modo, pois milhares de Teosofistas nos compreenderão facilmente. Afinal, o cão de guarda preso à terra, acorrentado à matéria por preconceito e prenoção, pode latir e uivar para o pássaro que alça voo para além da pesada névoa terrestre—mas jamais poderá impedir o seu voo ascendente, nem nossas percepções internas podem ser impedidas pelos nossos oficiais e limitados cinco sentidos de buscar, descobrir e, muitas vezes, resolver problemas ocultos muito além do alcance destes—portanto, além também dos poderes de discriminação daqueles que negam um sexto e um sétimo sentido no homem.

O Ocultista e Teosofista sincero, no entanto, vê e reconhece mistérios psíquicos e espirituais e profundos segredos da natureza em cada partícula voadora de poeira, tanto quanto nas manifestações gigantescas da natureza humana.

Para ele existem provas da existência de um Espírito-Alma universal em toda parte, e o minúsculo ninho do colibri oferece tantos problemas quanto o ovo dourado de Brahma.

Sim, ele reconhece tudo isso, e curvando-se com profunda reverência diante do mistério de seu próprio santuário interior, repete com Victor Hugo:                                “Le nid que l’oiseau bâtit                                       Si petit                                Est une chose profonde.


L’œuf, oté de la fort                                       Manquerait                                À l’équilibre du monde.”

––––––––––                    Collected Writings VOLUME XII                       [COLONEL H. S. OLCOTT AND THE                             BRITISH SECTION]                            [Lucifer, Vol.

V, No. 30, February, 1890, p. 517]

A seguinte é a resolução formal aprovada na última reunião do Conselho da Seção Britânica da Sociedade Teosófica:     Resolvido: “Que o Coronel H. S. Olcott seja nomeado delegado da Seção à Convenção Geral a ser realizada em Adyar em maio próximo, e que ele seja cordialmente solicitado a transmitir à Convenção as cordiais e fraternais saudações da Seção Britânica aos seus companheiros Teosofistas do mundo, com a esperança de que, pelos unidos esforços teosóficos do Oriente e do Ocidente, o ano seguinte possa ver um maior desenvolvimento daquela fraternidade espiritual pela qual é dever de todos lutar.”                                                                 (Assinado) H. P. BLAVATSKY.

Representantes

}   ANNIE BESANT                                            G. R. S. MEAD (Dublin Lodge)   CONSTANCE WACHTMEISTER                                  LAURA M. COOPER                                            “Blavatsky           (Edinburgh Lodge)   WILLIAM KINGSLAND                         Lodge”   ISABEL COOPER-OAKI.EY                                   ALICE LEIGHTON CLEATHER   HERBERT BURROWS                                               (Liverpool Lodge)   F. L. GARDNER                                           SYDNEY EDGE (Cambridge Lodge)                                                           W. R. OLD, Secretário                                                                  Seção Britânica                     Escritos Reunidos VOLUME XII                                   INTRAMETIDOS CONFUSOS

INTRAMETIDOS CONFUSOS                          [Lucifer, Vol.

V, No. 30, Fevereiro, 1890, pp. 517-518]

No Suplemento de The Theosophist de Janeiro de 1890 (p. lxxv), seus assinantes lerão com divertimento, e os Teosofistas, com dor e repulsa, um ataque pessoal — muito não-teosófico e indigno — feito por um oficial da S.T. contra outro oficial da mesma.

O artigo é intitulado “Criadores de Regras Confusos”, e suas observações editoriais (?) são dirigidas contra um bom Teosofista e amigo pessoal, que tem toda a nossa gratidão e estima pelo trabalho altruísta por ele realizado em prol da causa.

Seu crime aos olhos do editor interino consiste, ao que parece, em ele ter falhado em se expressar na “Constituição e Regulamentos” da “Filial Blavatsky” da Sociedade Teosófica em Washington (E.U.A.) de acordo com o passatempo pessoal do escritor em Adyar.

Ora, se os termos usados por nosso Irmão de Washington, tais como “Sociedade Teosófica Internacional”, “Presidente Chefe” e “Secretário Correspondente Chefe” não são absolutamente corretos e oficiais, então, de qualquer modo —
(1) Não é da alçada do editor “interino” de The Theosophist repreender um Presidente e oficiais de uma Sociedade Filial por isso — menos ainda em uma revista pública.

Somente o Presidente-Fundador teria tal direito; e quando (ou se) o usasse, certamente teria o tato e a delicadeza necessários para não humilhar um membro respeitado e um bom Irmão Teosofista — publicamente.

(2) Expressões tão duras como “tolice” e “bobagem” e “absurdos”, quando usadas em nossa principal revista teosófica e provenientes da Sede da T.S.—especialmente se aplicadas a um Irmão-Membro—não são apenas objetáveis por seu caráter ofensivo, mas prejudiciais e perigosas para a T.S. Elas rebaixam a revista ao nível de um semanário metodista difamatório e dão o direito a nossos opositores de acrescentar ao escárnio epítetos de “Sociedade de Admiração Mútua” dados ao nosso Corpo, o de “Irmandade de Detração e Vilipêndio Mútuos”. *On lave son linge sale en famille*—é um sábio conselho.


Frases como—“Perguntamos . . . . . o significado desta ‘bobagem’,” e “Convocamos o Sr. W. Q. Judge” . . . . . etc., podem soar muito grandiloquentes, mas a questão real é: tem algum “Nós”, à parte do Presidente, o direito de “perguntar” ou “convocar” qualquer oficial da T.S. publicamente e em tal tom? Eu, por minha parte, e em nome dos Teosofistas da Seção Britânica da T.S., protesto contra e nego ao “Nós” qualquer tal privilégio.

Uma vez que as observações ofensivas foram feitas em um periódico teosófico, sinto ser meu dever inalienável protestar contra elas tão publicamente em outra revista teosófica.

É, digo, meu dever inalienável (e muito penoso), e pelas seguintes razões:     a) Sou o fundador e fui o editor de *The Theosophist* por vários anos—tendo o Coronel Olcott consentido em agir em meu lugar apenas *pro tem*.

(b) Juntamente com meu amado colega e colaborador, H. S. Olcott, somos até hoje os únicos proprietários dessa revista e, portanto, devemos nos sentir responsáveis por tudo o que nela aparece.     (c) Tenho voz e muitos outros direitos na administração da T.S. e de sua revista, que mesmo seu atual e irreprimível editor interino dificilmente se atreveria a questionar ou negar.

Em vista disso e do que precede, sinto ser meu primeiro dever oferecer públicas desculpas e sinceros pesares ao nosso estimado Irmão, o Presidente da “Sociedade Teosófica Blavatsky” de Washington—por este ataque injusto e anti-fraternal contra sua pessoa, desculpas às quais o Cel.

H. S. Olcott certamente se uniria se ainda estivesse em Londres.

Pessoalmente, além disso, peço-lhe que releve a crítica rude do editor interino de nosso Jornal, pois o clima extremamente debilitante da Índia, com seu calor de Madras e sol escaldante, pode, muito provavelmente, ter tido algo a ver com isso, dando assim ao escritor direito à nossa piedade.

NOTAS DIVERSAS

Felizmente o Presidente, a esta altura, terá chegado a Adyar, e ele, tenho certeza, porá fim imediatamente a esses ataques maliciosos e indignos contra Irmãos Teosofistas por parte de seu editor interino.

Brighton (Inglaterra), fev.
1890.                                                                           H. P. BLAVATSKY.

––––––––––                        OBRAS COMPLETAS VOLUME XII                                     NOTAS DIVERSAS                                  [Lucifer, Vol.
V, No. 30, fevereiro de 1890, p. 477]

[No decorrer de um artigo erudito sobre o assunto do Ego e do Ser Não-Manifestado, o Visconde de Figuanière afirma que "a indestrutibilidade da Força reside no fato de que a ação do Não-Manifestado é incessante, e que a Força, sendo limitada por seus modos primordiais . . . . nenhum equilíbrio perfeito ou absoluto é verificado . . ." A isso, H.P.B. comenta:]

Harmonia em movimento, Inércia em movimento e Atividade em movimento — não confundir com "ação" não-manifestada — três em um e um em três.

Ou dois positivos e um neutro, através do qual o domínio de um passa para o outro, agindo este último, entretanto, como o negativo — um mero aspecto, pois o negativo, como tal, é inexistente; até que o "neutro", tão radicalmente falso quanto o negativo — torna-se, por sua vez, um positivo, a saber, a fase de atração chamada gravitação — pois é apenas uma fase de um fato triplo, isto é, vontade latente; os outros dois modos de atração sendo vontade manifesta, um prevalecendo agora nos estados orgânicos, enquanto o terceiro, como dominante, é a compatibilidade dos estados superorgânicos.

Com a última objeção concordamos sinceramente.—Editor, Lucifer.

Obras Completas VOLUME XII 120                       BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

O CICLO SE MOVE                            [Lucifer, Vol.
VI, No. 31, março de 1890, pp. 1-10]

"Deixe o grande mundo girar para sempre pelos sulcos vibrantes                                        da mudança."                                             ––TENNYSON, Locksley Hall, linha 182.

"A meta de ontem será o ponto de partida de                                        amanhã "                                                                                           ––CARLYLE.

O grande místico do século XVIII, o ardente discípulo de Jacob Boehme — Louis Claude de Saint-Martin — costumava dizer nos últimos anos de sua vida: “Eu teria amado encontrar-me mais com aqueles que adivinham as verdades, pois somente tais são homens vivos.” Esta observação implica que, fora do círculo limitado de místicos que tem existido em todas as épocas, as pessoas dotadas de intuição psíquica correta eram ainda mais raras no final do século passado do que o são agora.

Foram, de fato, anos de completa cegueira da alma e secura espiritual.

É durante esse século que a escuridão caótica e a confusão babilônica com relação às coisas espirituais, que sempre reinaram em cérebros demasiado repletos de mero saber científico, afirmaram plenamente seu domínio sobre as massas.

A falta de percepção da alma não se limitava aos “Quarenta Imortais” da Academia Francesa, nem aos seus colegas menos pretensiosos da Europa em geral, mas havia infectado quase todas as classes da Sociedade, estabelecendo-se como uma doença crônica chamada Ceticismo e a negação de tudo exceto a matéria.

Os mensageiros enviados para o Ocidente periodicamente no último quarto de cada século — desde que os mistérios, que sozinhos possuíam a chave dos segredos da natureza, foram esmagados na Europa por conquistadores pagãos e cristãos — haviam aparecido em vão naquela ocasião.

Saint-Germain e Cagliostro são creditados com poderes fenomênicos reais apenas em romances da moda, para permanecerem inscritos nas enciclopédias — para cegar ainda mais, supomos, as mentes das gerações vindouras — como meros charlatães astutos.

O único homem cujos poderes e conhecimento poderiam ter sido

O CICLO SE MOVE

facilmente testados pela ciência exata, formando assim um firme elo entre a física e a metafísica — Friedrich Anton Mesmer — havia sido vaiado para fora da arena científica pelos maiores “eruditos-ignorantes” em coisas espirituais da Europa.

Por quase um século, nomeadamente de 1770 até 1870, uma pesada escuridão espiritual descendo sobre o hemisfério Ocidental, estabeleceu-se, como se pretendesse permanecer, entre as sociedades cultas.

Mas uma corrente subterrânea apareceu por volta de meados do nosso século na América, cruzando o Atlântico entre 1850 e 1860. Então veio em seu rastro o maravilhoso médium para manifestações físicas, D. D. Home.

Depois que ele tomou de assalto as Tulherias e o Palácio de Inverno, a luz não foi mais permitida permanecer sob o alqueire.

Já alguns anos antes de seu advento, uma "mudança" havia ocorrido "sobre o espírito do sonho" de quase todas as comunidades civilizadas dos dois mundos, e uma grande força reativa estava agora em ação.

O que era? Simplesmente isto.

Em meio ao maior brilho da autossuficiência da ciência exata, e ao imprudente e triunfante cantar de vitória sobre as ruínas dos próprios fundamentos — como alguns darwinistas haviam esperado — das velhas superstições e credos; em meio à mais mortífera calmaria de negações em massa, surgiu uma brisa de um quarto totalmente inesperado.

A princípio, o influxo significativo foi como um movimento quase imperceptível, rajadas de vento na cordoalha de um navio orgulhoso — o navio chamado "Materialismo", cuja tripulação conduzia alegremente seus passageiros rumo ao Maelstrom da aniquilação.

Mas logo a brisa se intensificou e finalmente soprou como vendaval.

Caiu a cada hora mais ameaçadoramente sobre os ouvidos dos iconoclastas, e terminou por rugir alto o suficiente para ser ouvido por todos que tivessem ouvidos para ouvir, olhos para ver e intelecto para discernir.

Era a voz interior das massas, sua intuição espiritual — aquela inimiga tradicional do frio raciocínio intelectual, a progenitora legítima do Materialismo — que despertara de seu longo sono cataléptico.

E, como resultado, todos aqueles ideais da alma humana que haviam sido por tanto tempo pisoteados sob os pés dos pretensos conquistadores das superstições mundiais, os guias autoconstituídos de uma nova humanidade — surgiram de repente em meio a todos esses elementos furiosos do pensamento humano e, como Lázaro erguendo-se de seu túmulo, levantaram sua voz e exigiram reconhecimento em alto som.


Isso foi provocado pela invasão das manifestações do "Espírito", quando os fenômenos mediúnicos irromperam como uma gripe por toda a Europa.

Por mais insatisfatória que fosse sua interpretação filosófica, sendo esses fenômenos genuínos e verdadeiros como a própria verdade em seu ser e em sua realidade, eram inegáveis; e sendo por sua própria natureza além de qualquer negação, passaram a ser considerados provas evidentes de uma vida além — abrindo, além disso, um amplo campo para a admissão de toda possibilidade metafísica.

Uma vez isso feito, os esforços da ciência materialista para refutá-los de nada lhes valeram.

Crenças como a sobrevivência do homem após a morte e a imortalidade do Espírito não mais poderiam ser ridicularizadas como frutos da imaginação; pois, provada uma vez a genuinidade de tais fenômenos transcendentais como estando além do reino da matéria, e além de qualquer investigação por meio da ciência física, e — quer tais fenômenos contenham em si mesmos ou não a prova da imortalidade, demonstrando eles, como o fazem, a existência de regiões invisíveis e espirituais onde outras forças, além daquelas conhecidas pela ciência exata, estão em ação — mostra-se que eles jazem além do reino do materialismo.

Cruze, com apenas um passo, a linha da matéria e a área do Espírito torna-se infinita.

Portanto, os crentes neles não mais poderiam ser intimidados por ameaças de contumácia social e ostracismo; isto também, pela simples razão de que, no início dessas manifestações, quase todas as classes superiores europeias se tornaram ardentes "Espiritualistas". Para opor-se à forte onda cíclica, restou por algum tempo apenas um punhado, em comparação com o número de crentes, de velhos rabugentos que tudo negavam.

Assim, demonstrou-se mais uma vez que a vida humana, desprovida de todos os seus ideais mundiais e crenças — nos quais toda a antiguidade filosófica e culta, encabeçada em tempo histórico por Sócrates e Platão, por Pitágoras e pelos neoplatônicos alexandrinos, acreditava — torna-se privada de seu sentido e significado superiores.

Os ideais mundiais jamais podem morrer completamente.

Exilados pelos pais, serão recebidos de braços abertos pelos filhos.

O CICLO SE MOVE

Recordemos como tudo isso veio a passar.

Foi, como se disse, entre o terceiro e o quarto quartos do presente século que a reação se instalou na Europa — como ainda mais cedo nos Estados Unidos.

Os dias de uma rebelião psíquica determinada contra o dogmatismo frio da ciência e os ensinamentos ainda mais gelados das escolas de Büchner e Darwin haviam chegado em seu tempo pré-ordenado e pré-designado pela lei cíclica.

Nossos leitores mais antigos podem facilmente recordar a marcha sugestiva dos eventos.

Que se lembrem de como a onda de misticismo, detida em seu curso livre durante seus primeiros doze ou quinze anos na América por preconceitos públicos e, especialmente, religiosos, finalmente rompeu todas as barreiras artificiais e inundou a Europa, começando pela França e pela Rússia e terminando pela Inglaterra — o país mais lento de todos a aceitar novas ideias, embora estas possam trazer-nos verdades tão antigas quanto o mundo.

No entanto, e não obstante toda a oposição, o "Espiritualismo", como logo foi chamado, obteve seus direitos de cidadania na Grã-Bretanha.

Durante vários anos reinou de forma indivisa.

Contudo, na verdade, seus fenômenos, suas manifestações psíquicas e mesméricas, eram apenas os pioneiros cíclicos do renascimento da Teosofia pré-histórica e do Gnosticismo oculto dos mistérios antediluvianos.

São fatos que nenhum espiritualista inteligente negará; pois, na verdade, o Espiritualismo moderno é apenas um renascimento anterior da Teosofia rudimentar, e a Teosofia moderna um renascimento do Espiritualismo antigo.

Assim, as águas do grande dilúvio "Espiritual" não eram nem primordiais nem puras.

Quando, devido à lei cíclica, apareceram pela primeira vez, manifestando-se em Rochester, foram deixadas à mercê e aos artifícios travessos de duas meninas para que lhes dessem um nome e uma interpretação.

Portanto, quando, rompendo a represa, essas águas penetraram na Europa, trouxeram consigo escória e impurezas, restos e destroços, dos velhos naufrágios de hipóteses e aspirações vagamente delineadas, baseadas nos ditames das referidas meninas.

Contudo, a avidez com que o "Espiritualismo" e sua irmã gêmea, o Espiritismo, foram recebidos, não obstante todas as suas inanidades, por quase todas as pessoas cultas da Europa, contém uma lição esplêndida.

Nessa aspiração apaixonada da Alma humana— nesse voo irreprimível dos elementos superiores do homem em direção aos seus deuses esquecidos e ao Deus interior—ouvia-se a voz da consciência pública.


Foi uma resposta inegável e impossível de ser mal interpretada da natureza interior do homem ao Materialismo então triunfante e jubiloso da época, do qual não havia escapatória senão outra forma de mal—a adesão ao convencionalismo dogmático e eclesiástico das religiões de Estado.

Foi um protesto alto e apaixonado contra ambos, um avanço em direção a um caminho intermediário entre os dois extremos—ou seja, entre a imposição, por longos séculos, de um Deus pessoal de infinito amor e misericórdia por meios diabólicos de espada, fogo e torturas inquisitoriais; e, por outro lado, o reinado, como reação natural, da negação completa de tal Deus, e, junto com ele, de um Espírito infinito, um Princípio Universal que se manifesta como LEI imutável.

A verdadeira ciência havia sabiamente se esforçado para eliminar, juntamente com a escravidão mental da humanidade, seu Deus ortodoxo e paradoxal; a pseudociência havia arquitetado, por meio da sofística, eliminar toda crença exceto na matéria.

Os que odeiam o Espírito do mundo, negando Deus na Natureza tanto quanto uma Divindade extra-cósmica, vinham preparando por longos anos uma humanidade artificial e sem alma; e era apenas justo que seu Carma lhes enviasse uma hoste de pseudo-“Espíritos” ou Almas para frustrar seus esforços.

Negará alguém que os mais altos e melhores entre os representantes da ciência materialista sucumbiram ao fascínio dos fogos-fátuos que, à primeira vista, pareciam a prova mais palpável de uma Alma imortal no homem—ou seja, a suposta comunhão entre os mortos e ––––––––––      Que nossos leitores recordem os nomes de vários dos mais eminentes homens de letras e ciência que se tornaram abertamente Espiritualistas.

Basta nomear o Professor Hare, Epes Sarjent, Robert Dale Owen, o Juiz Edmonds, etc., na América; os Professores Butleroff, Wagner e, maior que eles, o falecido Dr. Pirogoff (ver suas “Memórias” póstumas, publicadas em Ruskaya Starina, 1884-1886), na Rússia; Zöllner, na Alemanha; Camille Flammarion, o Astrônomo, na França; e, por último, mas não menos importantes, os Srs.

Alfred Russel Wallace, W. Crookes, Balfour Stewart, etc., etc., na Inglaterra, seguidos por uma série de estrelas científicas de segunda grandeza.

––––––––––

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vivos? No entanto, tais como eram, essas manifestações anormais, sendo em sua maioria genuínas e espontâneas, arrebataram e conquistaram todos aqueles que tinham em suas almas a sagrada centelha de intuição.

Alguns apegavam-se a elas porque, devido à morte dos ideais, ao desmoronamento dos Deuses e da fé em todo centro civilizado, estavam eles próprios morrendo de fome espiritual; outros porque, vivendo em meio à perversão sofística de toda verdade nobre, preferiam até uma débil aproximação da verdade a nenhuma verdade. Mas, quer depositassem crença e seguissem o “Espiritualismo” ou não, muitos foram aqueles sobre quem a evolução espiritual e psíquica do ciclo causou uma impressão indelével; e tais ex-materialistas nunca mais puderam retornar às suas ideias iconoclastas.

O número enorme e sempre crescente de místicos no tempo presente mostra, melhor do que qualquer outra coisa, o funcionamento inegavelmente oculto do ciclo.

Milhares de homens e mulheres que não pertencem a igreja, seita ou sociedade alguma, que não são nem teosofistas nem espiritualistas, são, no entanto, virtualmente membros daquela Irmandade Silenciosa cujas unidades frequentemente não se conhecem entre si, pertencendo, como pertencem, a nações distantes e separadas, e ainda assim cada uma delas carrega na fronte a marca do misterioso selo kármico — o selo que faz dela um membro da Irmandade dos Eleitos do Pensamento.

Tendo falhado em satisfazer suas aspirações em suas respectivas fés ortodoxas, separaram-se de suas Igrejas em alma, quando não em corpo, e dedicam o resto de suas vidas à adoração de ideais mais elevados e mais puros do que qualquer especulação intelectual pode lhes dar.

Quão poucos, em comparação com seu número, e quão raramente se encontra alguém assim, e, no entanto, seu nome é legião, se apenas escolhessem revelar-se.

Sob a influência dessa mesma busca apaixonada por "vida no espírito" e "vida na verdade", que impele todo teosofista sincero adiante através de anos de opróbrio moral e ostracismo público; movidos pela mesma insatisfação com os princípios de pura convencionalidade da sociedade moderna, e desprezo pelo pensamento ainda triunfante e elegante que, apropriando-se descaradamente dos honrados epítetos de "científico" e "vanguardista", de "pioneiro" e "liberal", usa essas prerrogativas apenas para dominar os fracos de coração e os egoístas — esses homens e mulheres sinceros preferem trilhar sozinhos e sem auxílio o caminho estreito e espinhoso que se apresenta diante daquele que não reconhecerá autoridades nem se curvará diante do hipócrita convencionalismo.

Esperamos que os poucos amigos que deixamos nas fileiras dos espiritualistas não nos compreendam mal. Denunciamos os falsos "espíritos" das sessões realizadas por médiuns profissionais e negamos a possibilidade de tais manifestações de espíritos no plano físico.

Mas acreditamos plenamente nos fenômenos espiritualistas e no intercâmbio entre Espíritos ou Egos — de entidades encarnadas e desencarnadas; acrescentando apenas que, uma vez que estes últimos não podem se manifestar em nosso plano, é o Ego do homem vivo que encontra o Ego da personalidade morta, ascendendo ao plano devachânico, o que pode ser realizado em transe, durante o sono, em sonhos, e por outros meios subjetivos.

–––––––––– Eles podem deixar os "Senhores Oráculos" do pensamento moderno, bem como os Pecksniffs das figuras leigas desonradas pelo tempo e manchadas de dogmas da convencionalidade eclesiástica, sem protesto; contudo, carregando no santuário silencioso de sua alma os mesmos grandes ideais que todos os místicos carregam, são na verdade Teosofistas de facto, se não de jure.


Encontramos tais pessoas em todos os círculos da sociedade, em todas as classes da vida.

Elas são encontradas entre artistas e romancistas, na aristocracia e no comércio, entre os mais altos e os mais ricos, assim como entre os mais baixos e os mais pobres.

Entre os mais proeminentes deste século está o Conde L. Tolstói, um exemplo vivo, e um dos sinais dos tempos neste período, do trabalho oculto do ciclo sempre em movimento.

Ouça algumas linhas da história da evolução psico-espiritual deste aristocrata, o maior escritor da Rússia moderna, por um dos melhores folhetinistas de São Petersburgo.

….....…O mais famoso de nossos autores russos, o "pintor de palavras", um escritor de realismo shakespeariano.

um poeta pagão, que em certo sentido adorava em suas produções literárias a vida pela vida, an sich und für sich—como costumavam dizer os hegelianos—súbito desaba sobre sua paleta de fadas, perdido em pensamentos atormentadores; e imediatamente começa a propor a si mesmo e ao mundo os problemas mais abstrusos e insolúveis . . . . O autor de Os Cossacos e Felicidade Familiar, vestido com trajes de camponês e sapatos de fibra, parte como um peregrino

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a pé em busca da verdade divina.

Ele vai às solitárias ermidas florestais dos Raskólniki, visita os monges do Deserto de Optima, passa seu tempo em jejum e oração.

Por suas belas-letras e filosofia, ele substitui a Bíblia e os escritos dos Padres da Igreja; e, como sequência de Anna Karenina, ele cria suas Confissões e Explicações do Novo Testamento.

O fato de o Conde Tolstói, não obstante todo o seu fervor apaixonado, não ter se tornado um cristão ortodoxo, nem ter sucumbido aos ardis do Espiritismo (como prova sua mais recente sátira sobre médiuns e "espíritos"), não o impede de forma alguma de ser um místico completo.

Qual é a influência misteriosa que de repente o forçou a entrar nessa corrente estranha, quase sem período de transição? Que ideia ou visão inesperada o conduziu a esse novo sulco de pensamento? Quem o sabe, senão ele mesmo, ou aqueles verdadeiros "Espíritos", que não é provável que o divulguem em uma sala de sessões moderna? E, no entanto, o Conde Tolstói está longe de ser um exemplo isolado da ação desse misterioso ciclo de evolução psíquica e espiritual, agora em plena atividade — uma obra que, silenciosa e imperceptivelmente, reduzirá a pó as mais grandiosas e magníficas estruturas das especulações materialistas e aniquilará em poucos dias o trabalho intelectual de anos.

Qual é essa força moral e invisível? Somente a filosofia oriental pode explicá-la.

Em 1875, a Sociedade Teosófica veio à existência.

Ela foi introduzida no mundo com a intenção distinta de tornar-se aliada, suplemento e auxiliar do movimento espiritualista — naturalmente, em seu aspecto mais elevado e mais filosófico.

No entanto, ela conseguiu apenas fazer dos espiritualistas seus mais amargos inimigos, seus mais incansáveis perseguidores e denunciadores.

Talvez a principal razão para isso possa ser encontrada no fato de que muitos dos melhores e mais intelectuais representantes deles passaram, de corpo e alma, para a Sociedade Teosófica.

A Teosofia era, de fato, o único sistema que fornecia uma justificativa filosófica para ——————      Skit é um eremitério religioso.

 Raskolniki, Dissidentes; seita até então perseguida e proibida na Rússia.

—————— 128                        BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

os fenômenos mediúnicos, uma razão de ser lógica para eles.

Incompletos e insatisfatórios certamente são alguns de seus ensinamentos, o que se deve apenas às imperfeições da natureza humana de seus expositores, não a qualquer falha no próprio sistema ou em seus ensinamentos.

Baseados como estão em filosofias antiquíssimas, na experiência de homens e raças mais próximos do que nós da fonte das coisas, e nos registros de sábios que interrogaram com sucesso e por inúmeras gerações a Esfinge da Natureza, que agora mantém seus lábios selados quanto aos segredos da vida e da morte — esses ensinamentos certamente devem ser considerados um pouco mais confiáveis do que os ditames de certas "inteligências". Quer a inteligência e a consciência destas últimas sejam induzidas e artificiais — como sustentamos — ou emanem de uma fonte e entidade pessoais, isso não importa.

Mesmo as filosofias exotéricas dos sábios orientais — sistemas de pensamento cuja grandeza e lógica poucos negarão — concordam em toda doutrina fundamental com os nossos ensinamentos teosóficos.

Quanto àquelas criaturas que são chamadas e aceitas como “Espíritos dos Mortos” — porque, por certo, elas mesmas assim se dizem — sua verdadeira natureza é tão desconhecida para os espiritualistas quanto para os seus médiuns.

Para os mais intelectuais dentre os primeiros, a questão permanece até hoje *sub judice*.

Nem são os teosofistas que deles divergiriam em sua visão mais elevada dos Espíritos.

Como não é o objetivo deste artigo, contudo, contrastar os dois movimentos mais significativos do nosso século, nem discutir seus méritos relativos ou superioridade, dizemos de imediato que nosso único propósito ao trazê-los à baila é chamar a atenção para o progresso admirável deste ciclo oculto nos últimos tempos.

Enquanto o enorme número de adeptos tanto da Teosofia quanto do Espiritualismo, dentro ou fora de nossas respectivas sociedades, mostra que ambos os movimentos foram apenas a obra necessária e, por assim dizer, karmicamente pré-ordenada da época, e que cada um deles nasceu em sua hora própria e cumpriu sua missão própria no momento certo, há outros sinais dos tempos ainda mais significativos.

Há alguns anos, predissemos por escrito que, após um curto ciclo de abusos e perseguições, muitos de nossos inimigos viriam a aceitar-nos, enquanto outros, *en désespoir de cause*,

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seguiriam nosso exemplo e fundariam Sociedades místicas.

Como o Egito na profecia de Hermes, a teosofia foi acusada por “estrangeiros ímpios” (no nosso caso, aqueles fora do seu rebanho) de adorar monstros e quimeras, e de ensinar “enigmas incríveis para a posteridade”. Se os nossos “escribas sagrados e hierofantes” não são andarilhos sobre a face da terra, isso não se deveu a falta de bons padres e clérigos cristãos; e não menos do que os egípcios nos primeiros séculos da nova fé e era, tivemos nós, por medo de uma profanação ainda pior de coisas e nomes sagrados, de enterrar mais profundamente do que nunca o pouco do conhecimento esotérico que fora permitido divulgar ao mundo.

Mas, durante os últimos três anos, tudo isso mudou rapidamente, e a demanda por informação mística tornou-se tão grande que a Sociedade Editora Teosófica não conseguia encontrar trabalhadores suficientes para suprir a procura.

Mesmo A Doutrina Secreta, a mais abstrusa de nossas publicações — não obstante seu preço proibitivo, a conspiração do silêncio e os ataques desdenhosos e grosseiros de alguns jornais diários — provou ser um sucesso financeiro.

Vejam a mudança.

Aquilo que os teosofistas mal ousavam mencionar em voz baixa, por medo de serem chamados de lunáticos há poucos anos, agora é divulgado por conferencistas, defendido publicamente por clérigos místicos.

Enquanto os ortodoxos se apressam em eliminar o velho inferno e a Nova Jerusalém pavimentada de safiras, os mais liberais aceitam agora, sob véus cristãos e nomenclatura bíblica, nossa Doutrina do Karma, da Reencarnação e de Deus como um Princípio abstrato.

Assim, a Igreja está lentamente derivando para a filosofia e o panteísmo.

Diariamente, reconhecemos alguns de nossos ensinamentos emergindo como especulações — religiosas, poéticas e até científicas: e estas notadas com respeito pelos mesmos jornais que não admitem sua origem teosófica nem se abstêm de difamar o próprio celeiro de tais ideias místicas — a Sociedade Teosófica.

Há cerca de um ano, um crítico medíocre exclamou em um jornal que não precisamos anunciar:

Para mostrar as ideias totalmente anticientíficas com as quais a obra (A Doutrina Secreta) está repleta, pode ser suficiente apontar que sua autora se recusa a acreditar na existência de matéria inorgânica e dota os átomos de inteligência.


E hoje encontramos a concepção de matéria de Edison citada com aprovação e simpatia por revistas londrinas, a partir da Harper's, na qual lemos:     Não acredito que a matéria seja inerte, agida por uma força externa.

Para mim, parece que cada átomo é possuído por uma certa quantidade de inteligência primitiva: vejam os milhares de maneiras pelas quais os átomos de hidrogênio se combinam com os de outros elementos.

. . . . . Quereis dizer que eles fazem isso sem inteligência? ......

O Sr. Edison é um teosofista, embora não muito ativo.

Ainda assim, o próprio fato de possuir um diploma parece inspirá-lo com verdades teosóficas.

"Os teosofistas acreditam na reencarnação!" exclamam desdenhosamente nossos inimigos cristãos.

"Não encontramos uma única palavra dita por nosso Salvador que pudesse ser interpretada contra a crença moderna na reencarnação . . . . " prega o Rev.

Sr. Bullard, assim entreabrindo, e muito sabiamente, uma porta dos fundos para o dia em que essa "crença inane" budista e bramânica se tornará geral.

Os teosofistas acreditam que as raças mais antigas de homens eram tão etéreas quanto são agora os seus duplos astrais, e as chamam de chhayas (sombras). E agora ouçam o poeta laureado inglês cantando em seu último livro, Demeter, and other Poems—

O Fantasma no Homem, o Fantasma que outrora foi Homem,                                 Mas que não pode libertar-se inteiramente do Homem,                                 Estão chamando um ao outro através de uma aurora.

Mais estranha do que a terra jamais viu; o véu                                 Está se rasgando, e as Vozes do dia                                 São ouvidas através das Vozes da escuridão.

Nem súbito céu, nem súbito inferno, para o homem,                                 Mas através da Vontade d'Aquele que sabe e governa—                                 E o conhecimento absoluto é apenas amor absoluto—                                 Evolução Eônica, rápida ou lenta,                                 Através de todas as esferas—uma altura sempre se abrindo,                                 E uma terra sempre diminuindo— . . . . . . .  ––––––––––      [The Ring, linhas 32-43. Os itálicos são de H.P.B.—Compilador.] ––––––––––

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Isto parece como se Lord Tennyson tivesse lido livros teosóficos, ou estivesse inspirado pelas mesmas grandes verdades que nós.

"Oh!" ouvimos alguns céticos exclamando, "mas há licenças poéticas.

O escritor não acredita em uma palavra disso." Como sabeis isso? Mas mesmo que assim fosse, eis aqui mais uma prova da evolução cíclica de nossas ideias teosóficas, que, espero, não será rotulada, para fazer par, como "licenças clericais." Um dos mais estimados e simpáticos clérigos de Londres, o Rev.

G. W. Allen, acaba de calçar nossos sapatos teosóficos e seguir nosso bom exemplo, fundando uma "Sociedade Cristo-Teosófica." Como seu duplo título indica, sua plataforma e programa têm necessariamente de ser mais restritos e limitados que os nossos, pois nas palavras de seu circular "ela é (apenas) destinada a cobrir terreno que a Sociedade (original ou 'Matriz') atualmente não cobre." Por mais que nosso estimado amigo e colaborador em Teosofia possa estar enganado ao acreditar que os ensinamentos da Sociedade Teosófica não cobrem o cristianismo esotérico como cobrem o aspecto esotérico de todas as outras religiões mundiais, sua nova Sociedade certamente fará um bom trabalho.

Pois, se o nome escolhido significa algo, significa que o trabalho e o estudo dos membros devem necessariamente ser teosóficos.

O acima é novamente comprovado pelo que o circular da "Sociedade Cristo-Teosófica" declara nas seguintes palavras:—

Acredita-se que, nos dias de hoje, há muitas pessoas que estão insatisfeitas com a enunciação crua e não filosófica do Cristianismo apresentada tão frequentemente em sermões e escritos teológicos.

Algumas dessas pessoas são impelidas a abandonar toda fé no Cristianismo, mas muitas delas o fazem com relutância, e acolheriam de bom grado uma apresentação das antigas verdades que as mostrasse em harmonia com as conclusões da razão e o testemunho da intuição inegável.

Há muitas outras, também, cujo único sentimento é que as verdades de sua religião significam tão pouco para elas na prática, e têm tão pouco poder para influenciar e enobrecer sua vida diária e seu caráter.

A tais pessoas a Sociedade Cristo-Teosófica faz seu apelo, convidando-as a se unirem em um esforço comum para descobrir essa compreensão da Verdade Cristã, e para alcançar esse Poder, que deve ser capaz de satisfazer os profundos anseios do coração humano, e dar força para o autodomínio e uma vida vivida para os outros.


Isso é admirável, e mostra claramente seu propósito de neutralizar as influências muito perniciosas da teologia exotérica e dogmática, e é exatamente o que temos tentado fazer o tempo todo.

Toda semelhança, no entanto, cessa aqui, pois não tem nada a ver, ao que parece, com a Teosofia universal, mas apenas sectária.

Tememos muito que a "C.-T.S." — ao convidar

. . . . para seus membros aquelas pessoas que, embora desejosas de apreender cada vez mais claramente os mistérios da Verdade Divina, ainda desejam reter como fundamento de sua filosofia as doutrinas cristãs de Deus como Pai de todos os homens, e Cristo como Sua revelação de Si mesmo à humanidade.

—limita assim "os Mistérios da Verdade Divina" a uma única e a mais jovem de todas as religiões, e os avataras a um único homem.

Esperamos sinceramente que os membros da Sociedade Cristo-Teosófica possam evitar essa Caríbdis sem cair em Cila.

Há mais uma dificuldade em nosso caminho, e humildemente pedimos que nos seja explicada. "A Sociedade", declara o circular, "não é feita de Mestres e Aprendizes."

"Somos todos aprendizes." Isso, com a esperança expressa claramente algumas linhas acima, de que os membros "acolherão com prazer uma apresentação das verdades antigas . . . . em harmonia com as conclusões da razão", etc., leva a uma pergunta natural: Qual dos "aprendizes" deve apresentar as ditas verdades aos outros aprendizes? Então vem o raciocínio inevitável de que, quem quer que seja o "aprendiz", assim que ele começar sua "apresentação", tornar-se-á, nolens volens, um "instrutor". Mas isso, afinal, é uma ninharia.

Sentimo-nos orgulhosos demais e satisfeitos demais com a homenagem assim prestada à Teosofia, e com a visão de um representante do clero anglicano seguindo nossos passos, para encontrar defeitos em detalhes, ou desejar qualquer coisa além de boa sorte à Associação Cristo-Teosófica.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                                MENTE CÓSMICA

MENTE CÓSMICA                               [Lucifer, Vol.

VI, No. 32, abril, 1890, pp. 89-100; também                                 The Theosophist, Vol.

XI, maio, 1890, pp. 414-24]

"O que quer que abandone o estado Laya (homogêneo), torna-se vida consciente ativa.

A consciência individual emana da, e retorna à, consciência Absoluta, que é MOVIMENTO eterno."                                                                                           —Axiomas Esotéricos.

"Seja o que for que pense, que compreenda, que queira, que aja, é algo celestial e divino, e por essa razão deve necessariamente ser eterno."                                                                                                    —CÍCERO.

A concepção de matéria de Edison foi citada em nosso artigo editorial de março.

O grande eletricista americano é reportado pelo Sr. G. Parsons Lathrop na Harper's Magazine como expressando sua crença pessoal de que os átomos são "possuídos por uma certa quantidade de inteligência", e é mostrado entregando-se a outros devaneios desse tipo.

Por esse voo de fantasia, a Review of Reviews de fevereiro repreende o inventor do fonógrafo e observa criticamente que "Edison é muito dado a sonhar", estando sua "imaginação científica" constantemente em ação.

Quisera Deus que os homens da ciência exercitassem um pouco mais sua "imaginação científica" e um pouco menos suas negações dogmáticas e frias.

Os sonhos diferem.

Nesse estranho estado de ser que, como diz Byron, nos coloca em posição de "ver com olhos selados", muitas vezes se percebem mais fatos reais do que quando despertos.

A imaginação é, novamente, um dos elementos mais fortes da natureza humana, ou, nas palavras de Dugald Stewart, "é a grande mola da atividade humana e a principal fonte do aperfeiçoamento humano.

–––––––––– [Tusculan Disputations, I. xxvii (66). Ver pp. 31-32, nota de rodapé, no Vol. VII da presente Série, para o texto latino desta passagem e nota adicional.—Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

. . . . Destrua a faculdade, e a condição dos homens se tornará tão estacionária quanto a dos brutos." É o melhor guia de nossos sentidos cegos, sem o qual estes nunca poderiam nos conduzir além da matéria e de suas ilusões.

As maiores descobertas da ciência moderna se devem à faculdade imaginativa dos descobridores.

Mas quando algo novo foi postulado, quando uma teoria que colide e contradiz um predecessor confortavelmente estabelecido foi apresentada, sem que a ciência ortodoxa primeiro se assentasse sobre ela e tentasse esmagá-la até a inexistência? Harvey também foi considerado a princípio um "sonhador" e, além disso, um louco.

Finalmente, toda a ciência moderna é formada de "hipóteses de trabalho", frutos da "imaginação científica", como o Sr. Tyndall apropriadamente a chamou. Será então, porque a consciência em cada átomo universal e a possibilidade de um controle completo sobre as células e átomos de seu corpo pelo homem não foram até agora honrados com o imprimatur dos Papas da ciência exata, que a ideia deve ser descartada como um sonho? O ocultismo dá o mesmo ensinamento.

O ocultismo nos diz que cada átomo, como a mônada de Leibnitz, é um pequeno universo em si mesmo; e que cada órgão e célula do corpo humano é dotado de um cérebro próprio, com memória, portanto, experiência e poderes discriminativos.

A ideia de Vida Universal composta de vidas atômicas individuais é um dos mais antigos ensinamentos da filosofia esotérica, e a hipótese muito moderna da ciência moderna, a da vida cristalina, é o primeiro raio do antigo luminar do conhecimento que alcançou nossos estudiosos.

Se se pode demonstrar que as plantas possuem nervos, sensações e instinto (mas outra palavra para consciência), por que não permitir o mesmo nas células do corpo humano? A ciência divide a matéria em corpos orgânicos e inorgânicos, apenas porque rejeita a ideia de vida absoluta e de um princípio de vida como entidade: caso contrário, seria a primeira a ver que a vida absoluta não pode produzir sequer um ponto geométrico, ou um átomo inorgânico em sua essência.

Mas o Ocultismo, veja bem, "ensina mistérios", dizem; e mistério é a negação do senso comum, assim como a metafísica não passa de uma espécie de poesia, segundo o Sr. Tyndall.

Não existe para a ciência algo como mistério; e portanto, como um Princípio de Vida é, e deve

MENTE CÓSMICA

permanecer para os intelectos de nossas raças civilizadas para sempre um mistério em linhas físicas — aqueles que lidam com esta questão têm de ser, necessariamente, ou tolos ou velhacos.

Dixit.

No entanto, podemos repetir com um pregador francês: "o mistério é a fatalidade da ciência." A ciência oficial está cercada por todos os lados e limitada por mistérios inacessíveis, para sempre impenetráveis.

E por quê? Simplesmente porque a ciência física está condenada a um progresso de esquilo ao redor de uma roda de matéria limitada por nossos cinco sentidos.

E embora confesse ignorantemente a formação da matéria, assim como a geração de uma simples célula; embora seja impotente para explicar o que é isto, aquilo ou aqueloutro, ainda assim dogmatizará e insistirá sobre o que a vida, a matéria e o resto não são.

Chega-se a isto: as palavras do Padre Félix, dirigidas cinquenta anos atrás aos acadêmicos franceses, tornaram-se quase imortais como um truísmo.

“Senhores”, disse ele, “lançam-nos em rosto a censura de que ensinamos mistérios... Mas imaginem qualquer ciência que queiram; sigam a magnífica amplitude de suas deduções... e quando chegarem à sua fonte originária, deparam-se face a face com o desconhecido!” Agora, para aquietar de uma vez por todas nas mentes dos teosofistas esta questão tormentosa, pretendemos provar que a ciência moderna, devido à fisiologia, está ela própria às vésperas de descobrir que a consciência é universal—justificando assim os sonhos de Edison.” Mas antes de fazermos isso, pretendemos também mostrar que, embora muitos homens de ciência estejam imbuídos de tal crença, pouquíssimos têm coragem de admiti-la abertamente, como fez o falecido Dr. N. I. Pirogoff de São Petersburgo em suas Memórias póstumas. De fato, aquele grande cirurgião e patologista, ao publicá-las, levantou –––––––––– [Le Mystère et la Science, conferência do Padre Félix de Notre Dame.

Cf. des Mousseaux, Les Hauts Phénomènes de la Magie, 1864, pp. xiv-xix.] [Referência aqui à obra póstuma do Dr. Nikolay Ivanovich Pirogov (1810-81), intitulada em russo: Voprosi zhizni.

Dnevnik starago vracha, i.e., Problemas da Vida.

O Diário de um Velho Médico.

Um subtítulo declara: “Escrito exclusivamente para mim mesmo, mas não sem um pensamento secreto de que, talvez, algum outro também pudesse ler” –––––––––– verdadeiro uivo de indignação entre seus colegas.


Como então? perguntava o público; ele, Dr. Pirogoff, a quem considerávamos quase a personificação do saber europeu, acreditando nas superstições de alquimistas loucos? Ele, que nas palavras de um contemporâneo:

era a própria encarnação da ciência exata e dos métodos de pensamento; que dissecara centenas e milhares de órgãos humanos, familiarizando-se com todos os mistérios da cirurgia e da anatomia como nós com nossos móveis habituais; o sábio para quem a fisiologia não tinha segredos e que, acima de todos os homens, era alguém a quem Voltaire poderia ter perguntado ironicamente se não encontrara a alma imortal entre a bexiga e o ceco—o mesmo Pirogoff é encontrado, após sua morte, dedicando capítulos inteiros de seu Testamento literário às demonstrações científicas.

. . . . . 

—De quê? Ora, da existência em todo organismo de uma distinta “FORÇA VITAL” independente de qualquer processo físico ou químico.

Como Liebig, ele aceitava a homogeneidade da natureza, ridicularizada e tabu — um Princípio de Vida — essa teleologia perseguida e infeliz, ou a ciência das causas finais das coisas, que é tão filosófica quanto anticientífica, se tivermos de acreditar nas academias imperiais e reais.

Seu pecado imperdoável aos olhos da ciência moderna dogmática, contudo, era este: o grande anatomista e cirurgião teve a "ousadia" de declarar em suas Memórias que:

Não temos motivo para rejeitar a possibilidade da existência de organismos dotados de tais propriedades que fariam deles — a encarnação direta da mente universal — uma perfeição inacessível a –––––––––– algum dia." O subtítulo fornece também as datas: 5 de novembro de 1879 — 22 de outubro de 1881, que são do estilo antigo então corrente na Rússia.

Este Diário foi publicado em 1887 e posteriormente traduzido para um ou mais idiomas estrangeiros.

A edição mais recente está contida em suas Obras Completas em oito volumes, publicadas pela Editora Estatal de Literatura Médica, Moscou, 1962. O Diário pode ser encontrado no oitavo volume desta edição.

O manuscrito original do Diário do Dr. Pirogov está no acervo do Museu Médico-Militar da União Soviética.—Compilador.]        Novoye Vremya, 1887. ––––––––––

MENTE CÓSMICA

nossa própria mente (humana) . . . . . . Porque não temos o direito de afirmar que o homem é a última expressão do pensamento criativo divino.

Tais são as principais características da heresia de alguém que ocupava posição elevada entre os homens da ciência exata desta era.

Suas Memórias mostram claramente que ele não apenas acreditava na Divindade Universal, na Ideação divina, ou no "Pensamento divino" hermético, e num Princípio Vital, mas ensinava tudo isso e tentava demonstrá-lo cientificamente.

Assim, ele argumenta que a Mente Universal não necessita de um cérebro físico-químico ou mecânico como órgão de transmissão.

Ele chega mesmo a admitir isso nestas palavras sugestivas:—

Nossa razão deve aceitar, com toda necessidade, uma Mente infinita e eterna que rege e governa o oceano da vida . . . . . . O pensamento e a ideação criativa, em plena concordância com as leis da unidade e da causalidade, manifestam-se claramente o bastante na vida universal sem a participação da massa cerebral . . . . . . Dirigindo as forças e os elementos para a formação dos organismos, esse princípio vital organizador torna-se autossensível, autoconsciente, racial ou individual.

A substância, regida e dirigida pelo princípio vital, é organizada segundo um plano geral definido em certos tipos . . . . . . .

Ele explica essa crença confessando que nunca, durante sua longa vida tão plena de estudo, observação e experimentos, pôde:

adquirir a convicção de que nosso cérebro pudesse ser o único órgão do pensamento em todo o universo; que tudo neste mundo, exceto esse órgão, devesse ser incondicionado e sem sentido, e que somente o pensamento humano devesse transmitir ao universo um significado e uma harmonia racional em sua integridade.

E acrescenta, a propósito do materialismo de Moleschott:

Por mais peixe e ervilhas que eu coma, nunca consentirei em entregar meu Ego ao cativeiro vil de um produto casualmente extraído pela alquimia moderna da urina.

Se, em nossas concepções do Universo, for nosso destino cair em ilusões, então a "ilusão" tem, pelo menos, a vantagem de ser muito consoladora.

Pois ela me mostra um Universo inteligente e a atividade de Forças que nele operam harmoniosa e inteligentemente; e que meu "eu" não é o produto de elementos químicos e histológicos, mas uma encarnação de uma Mente universal comum.

A esta última, eu sinto e represento para mim mesmo como agindo em livre arbítrio e consciência, de acordo com as mesmas leis que são traçadas para a orientação de minha própria mente, mas apenas isenta daquela restrição que acorrenta nossa consciência individual humana.


Pois, como observa em outro lugar esse grande e filosófico homem da Ciência:

O ilimitado e o eterno não é apenas um postulado de nossa mente e razão, mas também um fato gigantesco, em si mesmo.

O que seria de nosso princípio ético ou moral se a verdade eterna e integral não lhe servisse de fundamento!

As seleções acima, traduzidas literalmente das confissões de alguém que foi, durante sua longa vida, uma estrela de primeira grandeza nos campos da patologia e da cirurgia, mostram-no imbuído e saturado da filosofia de um misticismo racional e científico.

Ao ler as Memórias desse homem de fama científica, sentimos orgulho em encontrá-lo aceitando, quase que por atacado, as doutrinas e crenças fundamentais da Teosofia.

Com uma mente tão excepcionalmente científica nas fileiras dos místicos, os sorrisos idiotas, as sátiras baratas e as zombarias à nossa grande Filosofia por alguns "livres-pensadores" europeus e americanos tornam-se quase um elogio.

Mais do que nunca, eles nos parecem como o grito assustado e discordante da coruja noturna que se apressa a se esconder em suas ruínas escuras antes da luz do Sol matinal.

O progresso da própria fisiologia, como acabamos de dizer, é uma garantia segura de que o amanhecer daquele dia em que o pleno reconhecimento de uma mente universalmente difundida será um fato consumado não está longe.

É apenas uma questão de tempo.

Pois, não obstante a jactância da fisiologia de que o objetivo de suas pesquisas é apenas a soma de toda função vital, a fim de colocá-las em uma ordem definida, mostrando suas relações mútuas e sua conexão com as leis da física e da química, e, portanto, em sua forma final, com as leis mecânicas — tememos que haja uma boa dose de contradição entre o objeto confessado e as especulações de alguns dos melhores de nossos fisiologistas modernos.

Embora poucos deles ousassem retornar tão abertamente quanto o fez o Dr. Pirogoff

MENTE CÓSMICA

à "superstição rebentada" do vitalismo e ao severamente exilado princípio vital, o principium vitae de Paracelso — ainda assim, a fisiologia se encontra profundamente perplexa diante de certos fatos, mesmo em face de seus mais capazes representantes.

Infelizmente para nós, esta nossa era não é propícia ao desenvolvimento da coragem moral.

O tempo para que a maioria aja segundo a nobre ideia de "principia non homines" ainda não chegou.

E, no entanto, há exceções à regra geral, e a fisiologia — cujo destino é tornar-se a serva das verdades ocultas — não deixou estas últimas sem suas testemunhas.

Há aqueles que já protestam vigorosamente contra certas proposições até então favoritas.

Por exemplo, alguns fisiologistas já negam que sejam as forças e substâncias da natureza dita "inanimada" que agem exclusivamente nos seres vivos.

Pois, como eles argumentarão:

O fato de rejeitarmos a interferência de outras forças nos seres vivos depende inteiramente das limitações de nossos sentidos.

Usamos, de fato, os mesmos órgãos para nossas observações tanto da natureza animada quanto da inanimada; e esses órgãos podem receber manifestações apenas de um reino limitado de movimento.

Vibrações que passam ao longo das fibras de nossos nervos ópticos até o cérebro alcançam nossas percepções através de nossa consciência como sensações de luz e cor; vibrações que afetam nossa consciência através de nossos órgãos auditivos nos atingem como sons; todos os nossos sentimentos, por qualquer um de nossos sentidos, devem-se a nada além de movimentos.

Tais são os ensinamentos da ciência física, e tais eram, em seus traços mais grosseiros, os do Ocultismo, éons e milênios atrás.

A diferença, no entanto, e a distinção mais vital entre os dois ensinamentos, é esta: a ciência oficial vê no movimento simplesmente uma força ou lei cega e irracional; o Ocultismo, remontando o movimento à sua origem, identifica-o com a Divindade Universal, e chama a esse eterno e incessante movimento — o "Grande Sopro".

Não obstante, por mais limitada que seja a concepção da Ciência Moderna acerca da dita Força, ela é ainda assim suficientemente sugestiva para ter forçado a seguinte observação de um grande Cientista, o –––––––––– Vide A Doutrina Secreta, Vol.

I, pp. 2 e 3. –––––––––– atual professor de fisiologia da Universidade de Basel, que fala como um Ocultista.


Seria tolice de nossa parte esperar poder descobrir algum dia, com a assistência apenas de nossos sentidos externos, na natureza animada, aquilo que somos incapazes de encontrar na inanimada.

E imediatamente o conferencista acrescenta que o homem, sendo dotado "além de seus sentidos físicos, de um sentido interno", uma percepção que lhe dá a possibilidade de observar os estados e fenômenos de sua própria consciência, "tem de usar isso ao lidar com a natureza animada" — uma profissão de fé que beira suspeitosamente as fronteiras do Ocultismo.

Ele nega, além disso, a suposição de que os estados e fenômenos da consciência representem substancialmente as mesmas manifestações de movimento que no mundo externo, e baseia sua negação na lembrança de que nem todos esses estados e manifestações têm necessariamente uma extensão espacial.

Segundo ele, somente aquilo que alcançou nossa consciência através da visão, do tato e do sentido muscular está conectado com nossa concepção de espaço, enquanto todos os outros sentidos, todos os efeitos, tendências, assim como toda a interminável série de representações, não têm extensão no espaço, mas apenas no tempo.

Assim, ele pergunta: Onde há então lugar, nisso, para uma teoria mecânica? Objetores poderiam argumentar que isso é apenas na aparência, enquanto na realidade tudo isso tem uma extensão espacial.

Mas tal argumento seria inteiramente errôneo.

Nossa única razão para acreditar que objetos percebidos pelos sentidos têm tal extensão no mundo externo repousa na ideia de que eles parecem tê-la, na medida em que podem ser observados e vigiados através dos sentidos da visão e do tato.

No que diz respeito, porém, ao reino dos nossos sentidos internos, mesmo essa suposta base perde a sua força e não há fundamento para admiti-la.

O argumento conclusivo do conferencista é dos mais interessantes para os teosofistas.

Diz este fisiologista da escola moderna do Materialismo: Assim, um conhecimento mais profundo e mais direto da nossa natureza interna nos desvela um mundo inteiramente diferente do mundo que nos é representado pelos nossos sentidos externos, e revela as faculdades mais heterogêneas, mostra ———————— De um artigo lido por ele há algum tempo em uma conferência pública.

———————— KOSMIC MIND

objetos que nada têm a ver com a extensão espacial, e fenômenos absolutamente desconexos daqueles que caem sob as leis mecânicas.

Até agora, os opositores do vitalismo e do "princípio de vida", bem como os seguidores da teoria mecânica da vida, baseavam suas visões no suposto fato de que, à medida que a fisiologia avançava, seus estudiosos conseguiam cada vez mais conectar suas funções às leis da matéria cega.

Todas aquelas manifestações que costumavam ser atribuídas a uma "mística força vital", diziam eles, podem agora ser trazidas sob as leis físicas e químicas.

E eles estavam, e ainda estão, clamando ruidosamente pelo reconhecimento do fato de que é apenas uma questão de tempo até que seja triunfantemente demonstrado que todo o processo vital, em sua grandiosa totalidade, não representa nada mais misterioso do que um fenômeno muito complicado de movimento, exclusivamente governado pelas forças da natureza inanimada.

Mas aqui temos um professor de fisiologia que afirma que a história da fisiologia prova, infelizmente para eles, exatamente o contrário; e ele pronuncia estas palavras ominosas: Sustento que quanto mais exatas e multifacetadas são as nossas experiências e observações, quanto mais profundamente penetramos nos fatos, quanto mais tentamos sondar e especular sobre os fenômenos da vida, mais adquirimos a convicção de que mesmo aqueles fenômenos que esperávamos já poder explicar por leis físicas e químicas são, na realidade, insondáveis.

Eles são vastamente mais complicados, de fato; e tal como estamos agora, não cederão a qualquer explicação mecânica.

Este é um golpe terrível na bexiga inflada conhecida como Materialismo, que é tão vazia quanto dilatada.

Um Judas no campo dos apóstolos da negação — os "animalistas"! Mas o professor de Basileia não é uma exceção solitária, como acabamos de mostrar; e há vários fisiologistas que compartilham de seu modo de pensar; de fato, alguns deles vão tão longe a ponto de quase aceitar o livre-arbítrio e a consciência, nas mais simples protoplasmas mônadas! Uma descoberta após a outra tende nessa direção.

Os trabalhos de alguns fisiologistas alemães são especialmente interessantes no que diz respeito a casos de consciência e discriminação positiva — quase se é levado a dizer pensamento — nas Amebas.


Ora, as amebas ou animalículos são, como todos sabem, protoplasmas microscópicas — como a Vampyrella Spirogyra, por exemplo, uma célula elementar das mais simples, uma gota protoplasmática, informe e quase sem estrutura.

E, no entanto, ela mostra em seu comportamento algo para o qual os zoólogos, se não o chamam de mente e poder de raciocínio, terão de encontrar outras qualificações e cunhar um novo termo.

Pois vejam o que Cienkowsky diz dela. Falando dessa célula microscópica, nua e avermelhada, ele descreve a maneira como ela caça e encontra, entre uma série de outras plantas aquáticas, uma chamada Spirogyra, rejeitando qualquer outro alimento.

Examinando suas peregrinações sob um poderoso microscópio, ele a encontrou, quando movida pela fome, primeiro projetando suas pseudópodes (falsos pés), com a ajuda dos quais ela rasteja.

Então ela começa a se mover até que, entre uma grande variedade de plantas, encontra uma Spirogyra, após o que se dirige para a porção celulada de uma das células desta última e, colocando-se sobre ela, rompe o tecido, suga o conteúdo de uma célula e então passa para outra, repetindo o mesmo processo.

Esse naturalista nunca a viu ingerir qualquer outro alimento, e ela nunca tocou em nenhuma das inúmeras plantas colocadas por Cienkowsky em seu caminho.

Mencionando outra ameba — a Colpadella Pugnax —, ele diz que a encontrou mostrando a mesma predileção pela Chlamydomonas, da qual se alimenta exclusivamente; "tendo feito uma punção no corpo da Chlamydomonas, ela suga sua clorofila e então vai embora", escreve ele, acrescentando estas palavras significativas: "O modo de agir dessas mônadas durante sua busca e recepção de alimento é tão surpreendente que quase se é levado a ver nelas seres que agem conscientemente"! Não menos sugestivas são as observações de Th. W. Engelmann sobre a Arcella, outro organismo unicelular apenas –––––––––– L. Cienkowsky.

Veja seu trabalho *Beiträge zur Kentniss der Monaden*.

*Archiv für mikroskopische Anatomie*.

*Beiträge zur Physiologie des Protoplasma*, in Dr. E. F. W. Pflüger’s *Archiv für die gesammte Physiologie des Menschen und der Thiere*, Bonn, 1869, 2º ano, pp. 310-11, 387. ––––––––––

**MENTE CÓSMICA**

um pouco mais complexa que a Vampyrella.

Ele os mostra em uma gota d'água sob um microscópio, sobre um pedaço de vidro, deitados, por assim dizer, de costas, ou seja, sobre seu lado convexo, de modo que os pseudópodes, projetados da borda da concha, não encontram apoio no espaço e deixam a Ameba desamparada.

Sob essas circunstâncias, observa-se o seguinte fato curioso.

Bem na borda de um dos lados do protoplasma, bolhas de gás começam imediatamente a se formar, as quais, tornando esse lado mais leve, permitem que ele se eleve, trazendo ao mesmo tempo o lado oposto da criatura em contato com o vidro, fornecendo assim a seus pés pseudo ou falsos meios de se agarrarem à superfície e, dessa forma, virando seu corpo para se erguer sobre todos os seus pseudópodes.

Após isso, a Ameba procede a sugar de volta para si as bolhas de gás e começa a se mover.

Se uma gota d'água semelhante for colocada na extremidade inferior do vidro, então, seguindo a lei da gravidade, as Amebas se encontrarão a princípio na extremidade inferior da gota d'água.

Não encontrando ali um ponto de apoio, elas procedem a gerar grandes bolhas de gás, quando, tornando-se mais leves que a água, são elevadas à superfície da gota.

Nas palavras de Th. W. Engelmann:

Se, tendo alcançado a superfície do vidro, elas não encontrarem mais apoio para seus pés do que antes, imediatamente se veem os glóbulos de gás diminuindo de um lado e aumentando em tamanho e número do outro, ou em ambos, até que as criaturas toquem com a borda de sua concha a superfície do vidro e consigam se virar.

Assim que isso é feito, os glóbulos de gás desaparecem e as Arcelas começam a rastejar.

Desprenda-as cuidadosamente por meio de uma agulha fina da superfície do vidro e, assim, traga-as novamente para a superfície inferior da gota d'água; e imediatamente elas repetirão o mesmo processo, variando seus detalhes conforme a necessidade e criando novos meios para alcançar seu objetivo desejado.

Por mais que você tente colocá-las em posições desconfortáveis, elas encontram meios de se livrar delas, todas as vezes.

por um ou outro dispositivo; e, mal conseguem isso, as bolhas de gás desaparecem! É impossível não admitir que fatos como esses apontam para a presença de algum processo PSÍQUICO no protoplasma.”

Entre centenas de acusações contra as nações asiáticas de superstições degradantes, baseadas em “crassa ignorância”, não existe denúncia mais séria do que aquela que as acusa e condena por personificarem e até mesmo deificarem os principais órgãos do corpo humano, e neles.


De fato, não ouvimos esses “tolos iluminados” hindus falarem da varíola como uma deusa—personificando assim os micróbios do vírus variólico? Não lemos sobre os Tântricos, uma seita de místicos, que dão nomes próprios a nervos, células e artérias, conectando e identificando várias partes do corpo com divindades, dotando funções e processos fisiológicos de inteligência, e o que mais? As vértebras, fibras, gânglios, a medula, etc., da coluna vertebral; o coração, suas quatro câmaras, aurícula e ventrículo, válvulas e o restante; estômago, fígado, pulmões e baço, tudo tem seu nome divino especial, acredita-se que age conscientemente e sob a vontade potente do Iogue, cuja cabeça e coração são os assentos de Brahmâ e cujas várias partes do corpo são todos os terrenos de prazer deste ou daquele deus!

Isso é de fato ignorância.

Especialmente quando pensamos que os referidos órgãos, e todo o corpo humano, são compostos de células, e essas células estão agora sendo reconhecidas como organismos individuais e—quién sabe—talvez venham a ser reconhecidas algum dia como uma raça independente de pensadores que habitam o globo, chamado homem! Realmente parece assim. Pois não se acreditava até agora que todos os fenômenos de assimilação e absorção de alimento pelo canal intestinal pudessem ser explicados pelas leis de difusão e endosmose? E agora, infelizmente, os fisiologistas aprenderam que a ação do canal intestinal durante o ato de absorver não é idêntica à ação da membrana não viva no dialisador.

Está agora bem demonstrado que essa parede é coberta por células epiteliais, cada uma das quais é um organismo por si só, um ser vivo, e com funções muito complexas.

Sabemos ainda que tal célula assimila alimento—por meio de contrações ativas de seu corpo protoplasmático—de uma maneira tão misteriosa quanto aquela que notamos na Ameba independente e nos animalículos.

Podemos observar no epitélio intestinal dos animais de sangue frio como essas células projetam brotos—pseudópodes—para fora de seus corpos protoplasmáticos nus e contráteis—pseudópodes esses, ou falsos pés, que pescam das gotas de alimento as gorduras, sugam-nas para dentro de seu protoplasma e as enviam

MENTE CÓSMICA

adiante, em direção ao ducto linfático . . . . . . As células linfáticas que emergem dos nichos do tecido adiposo, e que se espremem através das células epiteliais até a superfície dos intestinos, absorvem ali as gotas de gordura e, carregadas com sua presa, viajam de volta para os canais linfáticos.

Enquanto esse trabalho ativo das células permaneceu desconhecido para nós, o fato de que, enquanto os glóbulos de gordura penetravam através das paredes dos intestinos nos canais linfáticos, os menores grãos de pigmento introduzidos nos intestinos não o faziam,—permanecia inexplicado.

Mas hoje sabemos que essa faculdade de selecionar seu alimento específico—de assimilar o útil e rejeitar o inútil e o nocivo—é comum a todos os organismos unicelulares.

E o conferencista indaga: por que, se essa discriminação na seleção do alimento existe nas mais simples e elementares das células, nas gotas protoplasmáticas sem forma e sem estrutura—por que não deveria existir também nas células epiteliais do nosso canal intestinal?

De fato, se a Vampyrella reconhece sua tão amada Spirogyra, entre centenas de outras plantas, como demonstrado acima, por que a célula epitelial não poderia sentir, escolher e selecionar sua gota favorita de gordura de um grão de pigmento? Mas nos dirão que "sentir, escolher e selecionar" pertencem apenas a seres racionais, ou ao menos ao instinto de animais mais estruturados do que a célula protoplasmática, dentro ou fora do homem.

Concordamos: mas, como traduzimos da conferência de um erudito fisiologista e das obras de outros eruditos naturalistas, só podemos dizer que esses cavalheiros eruditos devem saber do que estão falando; embora provavelmente ignorem o fato de que sua prosa científica está apenas a um grau de distância da "tagarelice" ignorante, supersticiosa, mas bastante poética, dos Yogues e Tântricos hindus.

De qualquer forma, nosso professor de fisiologia investe contra as teorias materialistas da difusão e da endosmose.

Munido dos fatos da discriminação evidente e de uma mente nas células, ele demonstra por numerosos exemplos a falácia de tentar explicar certos processos fisiológicos por teorias mecânicas; tal como, por exemplo, a passagem do açúcar do fígado (onde é transformado em glicose) para o –––––––––– Do artigo lido pelo Professor de fisiologia da Universidade de Basel, citado anteriormente.

–––––––––– sangue.


Os fisiologistas encontram grande dificuldade em explicar esse processo e o consideram impossível de ser enquadrado nas leis endosmóticas.

Com toda probabilidade, as células linfáticas desempenham um papel tão ativo durante a absorção de substâncias alimentares dissolvidas em água quanto os peptídeos, um processo bem demonstrado por F. Hofmeister. De modo geral, a pobre e conveniente endosmose é destronada e exilada de entre os funcionários ativos do corpo humano como uma sinecurista inútil.

Ela perdeu sua voz no que diz respeito às glândulas e outros agentes de secreção, em cuja ação as mesmas células epiteliais a substituíram. As misteriosas faculdades de seleção, de extrair do sangue um tipo de substância e rejeitar outra, de transformar a primeira por meio de decomposição e síntese, de direcionar alguns dos produtos para canais que os lançarão para fora do corpo e redirecionar outros para os vasos linfáticos e sanguíneos — tal é o trabalho das células.

"É evidente que em tudo isso não há a menor sugestão de difusão ou endosmose", diz o fisiologista de Basel.

"Torna-se totalmente inútil tentar explicar esses fenômenos por leis químicas." Mas talvez a fisiologia seja mais afortunada em algum outro departamento? Fracassando nas leis da alimentação, ela pode ter encontrado algum consolo para suas teorias mecânicas na questão da atividade dos músculos e nervos, que procurou explicar por leis elétricas? Infelizmente, exceto em alguns peixes — em nenhum outro organismo vivo, muito menos no corpo humano, ela pôde encontrar qualquer possibilidade de apontar correntes elétricas como o principal agente regulador.

A eletrobiologia nos moldes da eletricidade dinâmica pura falhou egregiamente.

Ignorante de "Fohat", nenhuma corrente elétrica basta para lhe explicar a atividade muscular ou nervosa! Mas existe algo como a fisiologia das sensações externas.

Aqui estamos, não mais em terra incognita, e todos esses fenômenos já encontraram explicações puramente físicas –––––––––– Untersuchungen über Resorption und Assimilation der Nährstoffe (Archiv für Experimentalle Pathologie und Pharmakologie, Vol. XIX, 1885). –––––––––– MENTE CÓSMICA

explicações.

Sem dúvida, existe o fenômeno da visão, o olho com seu aparato óptico, sua câmera obscura.

Mas o fato da semelhança da reprodução das coisas no olho, de acordo com a mesma lei de refração que na placa de uma máquina fotográfica, não é um fenômeno vital.

O mesmo pode ser reproduzido em um olho morto.

O fenômeno da vida consiste na evolução e no desenvolvimento do próprio olho.

Como é produzida essa obra maravilhosa e complicada? A isso a fisiologia responde: "Não sabemos"; pois, rumo à solução deste grande problema— a Fisiologia ainda não deu um único passo.

É verdade que podemos seguir a sequência dos estágios do desenvolvimento e da formação do olho, mas por que é assim e qual é a conexão causal, não temos absolutamente nenhuma ideia.

O segundo fenômeno vital do olho é sua atividade acomodativa.

E aqui estamos novamente diante das funções dos nervos e músculos—nossos antigos enigmas insolúveis.

O mesmo pode ser dito de todos os órgãos dos sentidos.

O mesmo também se relaciona a outros departamentos da fisiologia.

Tínhamos esperado explicar os fenômenos da circulação do sangue pelas leis da hidrostática ou da hidrodinâmica.

É claro que o sangue se move de acordo com as leis hidrodinâmicas; mas sua relação com elas permanece totalmente passiva.

Quanto às funções ativas do coração e dos músculos de seus vasos, ninguém, até agora, jamais conseguiu explicá-las por leis físicas.

As palavras sublinhadas na parte final da palestra do habilidoso Professor são dignas de um Ocultista.

De fato, ele parece estar repetindo um aforismo das "Instruções Elementares" da fisiologia esotérica do Ocultismo prático:

O enigma da vida é encontrado nas funções ativas de um organismo vivo, cuja percepção real dessa atividade só podemos obter através da auto-observação, e não graças aos nossos sentidos externos; por observações sobre nossa vontade, na medida em que ela penetra nossa consciência, revelando-se assim ao nosso sentido interno.

Portanto, quando o mesmo fenômeno atua apenas –––––––––– Vida e atividade são apenas dois nomes diferentes para a mesma ideia, ou, o que é ainda mais correto, são duas palavras com as quais os homens da ciência não conectam ideia definida alguma. No entanto, e talvez justamente por isso, são obrigados a usá-las, pois contêm o ponto de contato entre os problemas mais difíceis sobre os quais, de fato, os maiores pensadores da escola materialista sempre tropeçaram.

–––––––––– sobre os nossos sentidos externos, não mais o reconhecemos.


Vemos tudo o que acontece ao redor e perto do fenômeno do movimento, mas a essência desse fenômeno não vemos de modo algum, porque nos falta para ela um órgão especial de receptividade.

Podemos aceitar esse *esse* de maneira meramente hipotética, e assim o fazemos, de fato, quando falamos de "funções ativas". Assim faz todo fisiologista, pois não pode prosseguir sem tal hipótese; e esta é uma primeira experiência de uma explicação psicológica de todos os fenômenos vitais . . . . . . . E se nos é demonstrado que somos incapazes, com a ajuda apenas da física e da química, de explicar os fenômenos da vida, o que podemos esperar de outros auxílios da fisiologia, das ciências da morfologia, anatomia e histologia? Sustento que estas nunca poderão ajudar-nos a decifrar o problema de qualquer um dos misteriosos fenômenos da vida.

Pois, depois de termos conseguido, com a ajuda do bisturi e do microscópio, dividir os organismos em seus compostos mais elementares, e alcançado as mais simples das células, é exatamente aqui que nos encontramos face a face com o maior de todos os problemas.

A mais simples mônada, um ponto microscópico de protoplasma, informe e sem estrutura, exibe ainda assim todas as funções vitais essenciais: alimentação, crescimento, reprodução, movimento, sensação e percepção sensorial, e até mesmo aquelas funções que substituem a "consciência" — a alma dos animais superiores!

O problema — para o Materialismo — é deveras terrível! Farão as nossas células e as mônadas infinitesimais da natureza por nós aquilo que os argumentos dos maiores filósofos panteístas até agora não conseguiram fazer? Esperemos que sim. E se o fizerem, então os "supersticiosos e ignorantes" Iogues orientais, e até mesmo os seus seguidores exotéricos, ver-se-ão justificados.

Pois ouvimos do mesmo fisiologista que:

Um grande número de venenos é impedido pelas células epiteliais de penetrar nos espaços linfáticos, embora saibamos que eles são facilmente decompostos nos sucos abdominais e intestinais.

Mais do que isso.

A fisiologia sabe que, ao injetar esses venenos diretamente no sangue, eles se separam e reaparecem através das paredes intestinais, e que nesse processo as células linfáticas desempenham um papel ativíssimo.

Se o leitor consultar o Dicionário Webster, encontrará ali uma explicação curiosa das palavras “linfático” e “linfa”. Os etimologistas pensam que a palavra latina *lympha* deriva do grego *nymphe*, “uma ninfa ou Deusa inferior”, dizem eles.

“As Musas eram às vezes chamadas

MENTE CÓSMICA

ninfas pelos poetas.

Daí [segundo Webster] todas as pessoas em estado de êxtase, como videntes, poetas, loucos, etc., diziam-se capturadas pelas ninfas (L:N`80BJ@4).” A Deusa da Umidade (a ninfa ou linfa grega e latina, então) é fabulada na Índia como tendo nascido dos poros de um dos Deuses, seja o Deus do Oceano, Varuna, ou um “Deus do Rio” menor, fica a critério da seita particular e da fantasia dos crentes.

Mas a questão principal é que os antigos gregos e latinos são assim reconhecidamente conhecidos por terem compartilhado das mesmas “superstições” que os hindus.

Essa superstição se manifesta no fato de eles manterem até hoje que cada átomo de matéria nos quatro (ou cinco) Elementos é uma emanação de um Deus ou Deusa inferior, ele ou ela próprio uma emanação anterior de uma divindade superior; e, além disso, que cada um desses átomos — sendo Brahmâ, um de cujos nomes é Anu, ou átomo — tão logo é emanado, torna-se dotado de consciência, cada um de sua espécie, e de livre-arbítrio, agindo dentro dos limites da lei.

Agora, aquele que sabe que a trimurti cósmica (trindade) composta por Brahmâ, o Criador; Vishnu, o Preservador; e ®iva, o Destruidor, é um símbolo magnífico e científico do Universo material e sua evolução gradual; e que encontra uma prova disso na etimologia dos nomes dessas divindades, além das doutrinas da Gupta Vidya, ou conhecimento esotérico—sabe também como compreender corretamente essa "superstição". Os cinco títulos fundamentais de Vishnu — somados ao de Anu (átomo) comum a todas as personagens trimúrticas — que são: Bhutâtman, uno com os materiais criados ou emanados do mundo; Pradhanâtman, "uno com os sentidos"; Paramâtman, "Supremo"; e Atman, Alma Cósmica, ou a Mente Universal—mostram suficientemente o que os antigos hindus queriam dizer ao dotar cada átomo de mente e consciência e dar-lhe um nome distinto de um Deus ou Deusa.

Coloque seu Panteão, composto de –––––––––– Brahmâ vem da raiz brih, "expandir", "espalhar"; Vishnu da raiz vi ou vish (foneticamente), "entrar em", "permear" o universo da matéria.

Quanto a ®iva—o patrono dos Yogis, a etimologia de seu nome permaneceria incompreensível para o leitor casual.

–––––––––– crores (ou 300 milhões) de divindades dentro do macrocosmo (o Universo), ou dentro do microcosmo (o homem), e o número não será considerado exagerado, pois se relacionam aos átomos, células e moléculas de tudo o que existe. Isso, sem dúvida, é poético e abstruso demais para nossa geração, mas parece decididamente tão científico, se não mais, quanto os ensinamentos derivados das últimas descobertas da Fisiologia e da História Natural.


Collected Writings VOLUME XII NOTA DO COMPILADOR [Na revista teosófica londrina Lucifer, Vol. VI, abril de 1890, George R. S. Mead começou a publicação de sua tradução da Escritura Gnóstica conhecida como Pistis-Sophia. Suas entregas sucessivas continuaram até a edição de maio de 1891 da revista, que está no Volume VIII dela, quando foram temporariamente suspensas, para serem retomadas em seis meses: a tradução, no entanto, nunca foi concluída em Lucifer.

No início, uma Nota afirmava que esta antiga Escritura mística era "traduzida e anotada por G.R.S.M., com notas adicionais de H.P.B." A tradução exibe numerosas notas de rodapé, Notas e Comentários sobre vários termos e passagens — algumas das quais muito provavelmente são de H.P.B. Elas serão publicadas no Vol.

XIII de nossa Série.]                         Escritos Reunidos VOLUME XII                         TERCEIRA CARTA À CONVENÇÃO AMERICANA

[TERCEIRA CARTA DE H. P. BLAVATSKY À                            CONVENÇÃO AMERICANA]           [Reimpressa do Relatório dos Procedimentos da Quarta Convenção Anual da Sociedade Teosófica,       Seção Americana, realizada em Chicago, Illinois, em 27 e 28 de abril de 1890.

Esta carta foi lida por Bertram Keightley, que a apresentou da seguinte forma:

“Fui instruído por H. P. Blavatsky a ler para vocês, o melhor que puder recordar, o que ela desejou       que eu dissesse à Convenção em seu nome, pois ela esteve doente demais para escrever-lhes sua habitual carta de saudação.”            O seguinte telegrama havia sido recebido de H.P.B. logo após o encerramento da sessão do primeiro dia       da Convenção:                  “Judge, Secretário-Geral:                                                                                         “Londres, 26 de abril,                  “Saudações à Convenção, Doente demais para escrever pessoalmente.

H. P. Blavatsky.”            A linguagem própria de H.P.B. parece ter sido bem preservada por Bertram Keightley.

—Compilador.]

O novo ciclo que se abriu para a Teosofia já começa a dar frutos.

O progresso alcançado pelo movimento durante o último ano é mais marcante do que nunca, mas, embora nos encoraje, é também um lembrete de que o tempo da colheita se aproxima rapidamente, logo a ser seguido pelo inverno com tempestades e vendavais.

Assim, embora congratulando a todos nós, meus sinceros e ativos colaboradores em nossa nobre causa, e especialmente meu querido colega, Sr. W. Q. Judge, devo instá-los a aumentar, e não relaxar, vossos esforços.

Olhando para trás, para o ano passado, vede quanto foi realizado pelo poder da união e da devoção altruísta ao trabalho.

Durante 1888-89, apenas seis novas Filiais foram formadas na América; enquanto no ano passado, quinze Filiais adicionais foram organizadas, enquanto os números da Sociedade aumentaram ainda mais rapidamente em proporção.


Mas ainda mais importante é a marcante mudança de espírito entre os membros com relação à Sociedade e seu trabalho, da qual não faltam sinais.

Os últimos doze meses testemunharam mais atividade no verdadeiro trabalho teosófico, o esforço para ajudar outros, do que qualquer ano anterior na história da Sociedade no Ocidente.

Há sinais, visíveis embora apenas gradualmente surgindo, de que seus membros estão finalmente despertando de sua apatia e se pondo a trabalhar seriamente para praticar o primeiro princípio da verdadeira Teosofia—FRATERNIDADE UNIVERSAL.

Gradualmente, eles estão se tornando conscientes do dever de ajudar outros, assim como foram ajudados, trazendo um conhecimento das verdades vivificantes da Teosofia ao alcance de todos.

O Esquema de Envio de Tratados está recebendo maior apoio, mais trabalhadores estão se voluntariando para ajudar, e fundos estão sendo disponibilizados para continuar o trabalho com maior eficiência e ardor.

As Lojas da Costa do Pacífico deram o exemplo de assumir essa tarefa como trabalho de Loja de maneira sistemática e organizada, e a elevação, a seriedade dos trabalhadores de lá merecem muitos elogios.

Toda gratidão também é devida aos muitos membros fiéis e sinceros na América que responderam tão nobre e generosamente ao meu apelo por ajuda para continuar a publicação de Lucifer.

Meus mais sinceros agradecimentos são deles pessoalmente, todos e cada um, e o fruto de seus esforços será visto na futura trajetória da revista.

Na Inglaterra, o ano passado testemunhou um rápido crescimento e uma grande expansão da Sociedade e seu trabalho.

Nossa causa ganhou dois nobres e dedicados adeptos, cujos nomes têm sido proeminentes por longos anos passados em conexão com todo esforço para trazer ajuda real à humanidade sofredora—Annie Besant e Herbert Burrows.

Neles, nosso movimento no Ocidente ganhou hábeis expoentes tanto com a pena quanto com a voz.

Eles preenchem até certo ponto a longa e profundamente sentida necessidade de oradores que pudessem colocar a Teosofia em sua verdadeira luz diante de grandes audiências, e eu, especialmente, estou profundamente em dívida com Annie Besant por sua inestimável assistência e cooperação na condução de Lucifer.

TERCEIRA CARTA À CONVENÇÃO AMERICANA

Tão grande é o aumento do interesse em Londres que nos vemos obrigados a construir um grande salão de reuniões, na nova Sede para a qual nos mudaremos em agosto, para as reuniões semanais da Loja Blavatsky, pois nossa antiga casa é pequena demais para acomodar o número de buscadores que comparecem às reuniões.

A permanência prolongada do Coronel Olcott na Inglaterra tem sido de grande auxílio para o nosso trabalho.

Suas conferências por toda a Inglaterra e Irlanda foram a causa da formação de várias novas Filiais, e seu exemplo e influência têm feito muito bem em todos os lados.

Para mim, sua presença tem sido um grande prazer e satisfação, e a força acrescida quando os "Dois Fundadores" estiveram mais uma vez lado a lado fez-se sentir em todos os departamentos do nosso trabalho.

Foi com grande pesar que o vi partir para a Índia sem cumprir sua prometida visita à América; mas a Sociedade no Oriente tem maior necessidade de sua presença, e a morte do Sr. Powell tornou imperativo seu retorno direto.

Embora não pessoalmente acquainted com o Sr. Powell, não posso deixar de prestar uma sincera homenagem de gratidão à sua memória pelo esplêndido trabalho que realizou pela Sociedade, e pela nobreza de seu completo auto-sacrifício ao serviço da Humanidade.

O Coronel Olcott foi acompanhado em seu retorno à Índia por dois de nossos colaboradores aqui, o Sr. Bowles Daly e o Sr. E. D. Fawcett, cuja presença em Adyar será, confio, de grande valor para meu amado colega, nosso Presidente-Fundador.

Grande parte desses resultados se deve à força acrescida e, acima de tudo, ao maior espírito de solidariedade que a organização da Seção Esotérica infundiu na S.T. Aos membros dessa Seção digo: Vede e percebei que grandes resultados podem ser alcançados por aqueles que estão realmente empenhados e se unem desinteressadamente para trabalhar pela humanidade.

Que o resultado deste ano vos mostre em sinais inequívocos a pesada responsabilidade que recai sobre vós, não apenas para com a Sociedade, mas para com toda a Humanidade.


Portanto, não relaxeis nem por um momento em vossos esforços; aproximai-vos mais, ombro a ombro, a cada dia; permanecei unidos como um só homem, aconteça o que acontecer, faça bom tempo ou tempestade, e a vitória da causa à qual vos comprometestes é certa.

Esforçando-vos assim em uníssono com vosso Eu Superior, vossos esforços devem e serão frutíferos em bem para a Sociedade, para vós mesmos, para a Humanidade.

Os anos vindouros mostrarão um crescimento firme e saudável, uma organização forte e unida, um instrumento durável, confiável e eficiente, pronto para as mãos dos Mestres.

Uma vez unidos em solidariedade real, no verdadeiro espírito da Fraternidade Universal, nenhum poder poderá vos derrubar, nenhum obstáculo barrará vosso progresso, nenhuma barreira deterá o avanço da Teosofia no século vindouro.

Mas basta do passado.

Que o encorajamento que extraímos de uma revisão dos resultados alcançados no ano que passou sirva para nos impulsionar a maiores esforços e mais vigorosas dedicações.

Que faça todos sentirem que há um poder por trás da Sociedade que nos dará a força de que necessitamos, que nos habilitará a mover o mundo, se tão somente nos UNIRMOS e TRABALHARMOS como uma só mente, um só coração.

Os Mestres exigem apenas que cada um faça o seu melhor e, acima de tudo, que cada um se esforce de fato para sentir-se uno com seus companheiros de trabalho.

Não é um acordo monótono sobre questões intelectuais, ou uma unanimidade impossível quanto a todos os detalhes do trabalho, o que se necessita; mas uma devoção verdadeira, sincera e séria à nossa causa, que levará cada um a ajudar seu irmão ao máximo de seu poder para trabalhar por essa causa, concordemos ou não quanto ao método exato de conduzir esse trabalho.

O único homem absolutamente errado em seu método é aquele que nada faz; cada um pode e deve cooperar com todos, e todos com cada um, em um espírito de camaradagem de coração amplo, para adiantar o trabalho de levar a Teosofia a cada homem e mulher do país.

Olhemos para frente, não para trás.

Que dizer do ano vindouro? E primeiro uma palavra de advertência.

À medida que a preparação para o novo ciclo prossegue, à medida que os precursores da nova sub-raça fazem sua aparição no continente americano,                                    WILLIAM QUAN JUDGE                                             1851-                              Reproduzido de uma fotografia original                         tirada por Elliot & Fry, 55 Baker Street, Londres W.

TERCEIRA CARTA À CONVENÇÃO AMERICANA

os poderes latentes e ocultos no homem começam a germinar e crescer.

Daí o rápido crescimento de movimentos como a Ciência Cristã, a Cura pela Mente, a Cura Metafísica, a Cura Espiritual, e assim por diante.

Todos esses movimentos representam nada mais que diferentes fases do exercício desses poderes crescentes — ainda não compreendidos e, portanto, com demasiada frequência ignorantemente mal utilizados.

Compreendei de uma vez por todas que não há nada de "espiritual" ou "divino" em nenhuma dessas manifestações.

As curas efetuadas por eles se devem simplesmente ao exercício inconsciente do poder oculto nos planos inferiores da natureza — geralmente de prana ou correntes vitais.

As teorias conflitantes de todas essas escolas baseiam-se em metafísica mal compreendida e mal aplicada, frequentemente em falácias lógicas grotescamente absurdas.

Mas a característica comum à maioria delas, uma característica que apresenta o maior perigo num futuro próximo, é esta.

Em quase todos os casos, o teor dos ensinamentos dessas escolas é tal que leva as pessoas a considerar o processo de cura como sendo aplicado à mente do paciente.

Aqui reside o perigo, pois qualquer processo desse tipo — por mais habilmente disfarçado em palavras e oculto por falsas aparências — é simplesmente psicologizar o paciente.

Em outras palavras, sempre que o curador interfere — consciente ou inconscientemente — com a livre ação mental da pessoa que trata, isso é — Magia Negra.

J

Aprendei, então, bem as doutrinas do Carma e da Reencarnação, e ensinai, praticai, promulgai esse sistema de vida e pensamento que só ele pode salvar as raças vindouras.

Não trabalheis meramente para a Sociedade Teosófica, mas através dela para a Humanidade.

Que a Teosofia cresça cada vez mais como um poder vivo na vida de cada um de nossos membros, e que o ano vindouro seja ainda mais pleno de bom trabalho e de progresso sadio do que o que ora se encerra, é o desejo de vosso humilde cooperador e coirmão.

Escritos Reunidos VOLUME XII                             POR QUE NÃO VOLTO À ÍNDIA          [Esta Carta Aberta, um dos documentos mais extraordinários e profundamente patéticos jamais escritos por H.P.B., pode ser encontrada entre os Manuscritos originais nos Arquivos de Adyar.

Escrita aos Membros Indianos da Sociedade Teosófica no último ano da vida de H. P. B., é como uma visão cármica que tanto interpreta o passado quanto lança uma torrente de luz sobre o futuro. Ela encerra uma mensagem do coração longamente provado de H. P. B. a todos os teosofistas, sem distinção.

Esta Carta Aberta contém declarações muito raramente feitas, e pronunciamentos que somente aqueles compreenderão que estão firmemente enraizados na filosofia teosófica e que não os tomarão por "reivindicações", "dogmas" ou delírios de grandeza.

Os fatos e atitudes mencionados nesta Carta oferecem um pano de fundo de significado contra o qual podem ser medidas várias crises que ocorreram em anos posteriores no âmbito da S.T.          N. D. Khandalavala, citando algumas breves passagens desta Carta em O Teosofista, Vol.

XX, outubro de 1898, pp. 23-24, afirma que a princípio se pretendia circulá-la entre os Membros Indianos

POR QUE NÃO VOLTO À ÍNDIA

, mas "foi depois, por certas razões, não publicada." Ele foi autorizado a tirar uma cópia dela. Com o "clima" predominante na época na S.T. indiana, as razões que Khandalavala não especifica são fáceis de determinar.

Não parece haver razão para duvidar da exatidão de uma declaração de W. E. Coleman no Religio-Philosophical Journal (Chicago), de 16 de setembro de 1893, p. 266, de que esta Carta Aberta foi enviada à Índia por intermédio de Bertram Keightley, que deixou Londres para a Índia, a pedido especial de H.P.B., em algum momento do verão de 1890, chegando a Bombaim em 31 de agosto de 1890 (O Teosofista, Vol.

XII, Supl.)

a outubro de 1890, pp. ii-iii). Ele foi logo eleito Secretário-Geral da recém-formada Seção Indiana da S.T., que foi registrada em janeiro de 1891.

A Carta Aberta que se segue é um dos mais importantes itens de "material de fonte" disponíveis hoje para o uso do futuro historiador do Movimento Teosófico e suas muitas vicissitudes.

Ela merece um estudo atento por parte de todos os estudantes.— Compilador.]

AOS MEUS IRMÃOS DE ÂRYÂVARTA, Em abril de 1890, completaram-se cinco anos desde que deixei a Índia.

Grande bondade me foi demonstrada por muitos de meus irmãos hindus em várias ocasiões desde que parti; especialmente neste ano (1890), quando, doente quase à morte, recebi de várias Seções indianas cartas de solidariedade e garantias de que não haviam esquecido aquela para quem a Índia e os hindus têm sido, durante a maior parte de sua vida, muito mais queridos do que seu próprio país.

É, portanto, meu dever explicar por que não retorno à Índia e minha atitude com relação à nova página virada na história da S.T. por ter sido formalmente colocada à frente do Movimento Teosófico na Europa.

Pois não é somente por causa da saúde debilitada que não retorno à Índia.

Aqueles que me salvaram da morte em Adyar, e duas vezes desde então, poderiam facilmente manter-me viva lá, assim como fazem aqui.

Há uma razão muito mais séria.

Uma linha de conduta foi traçada para mim aqui, e encontrei entre os ingleses e americanos o que até agora procurei em vão na Índia.


Na Europa e na América, durante os últimos três anos, encontrei centenas de homens e mulheres que têm a coragem de confessar sua convicção da existência real dos Mestres, e que trabalham pela Teosofia em Suas linhas e sob Sua orientação, dada através de meu humilde eu.

Na Índia, por outro lado, desde minha partida, o verdadeiro espírito de devoção aos Mestres e a coragem de confessá-lo têm diminuído constantemente.

Na própria Adyar, crescente discórdia e conflito têm grassado entre personalidades; animosidade injustificada e totalmente imerecida — quase ódio — tem sido demonstrada contra mim por vários membros do corpo de funcionários.

Parece ter havido algo estranho e misterioso acontecendo em Adyar durante estes últimos anos.

Assim que um europeu, por mais inclinado à Teosofia, por mais devotado à Causa e amigo pessoal meu ou do Presidente, põe os pés na Sede, torna-se imediatamente inimigo pessoal de um ou de outro de nós e, o que é pior, acaba por prejudicar e abandonar a Causa.

Que fique entendido desde já que não acuso ninguém.

Sabendo o que sei da atividade das forças do Kali Yuga, em ação para impedir e arruinar o movimento teosófico, não considero aqueles que se tornaram, um após outro, meus inimigos — e isso sem qualquer culpa minha — como poderia considerá-los, se fosse de outro modo.

Um dos principais fatores no reavivamento de Âryâvarta, que tem sido parte da obra da Sociedade Teosófica, foi o ideal dos Mestres.

Mas devido à falta de juízo, discrição e discernimento, e às liberdades tomadas com Seus nomes e Personalidades, surgiu grande equívoco a respeito Deles.

Eu estava sob o mais solene juramento e compromisso de nunca revelar toda a verdade a ninguém, exceto àqueles que, como Dâmodar, haviam sido finalmente selecionados e chamados por Eles.

Tudo o que me era então permitido revelar era que existiam em algum lugar tais grandes homens; que alguns Deles eram hindus; que eram eruditos como nenhum outro em toda a antiga sabedoria da Gupta-Vidyâ, e haviam adquirido todos os Siddhis, não como estes são representados na tradição e nos "véus" dos escritos antigos, mas

POR QUE NÃO VOLTO À ÍNDIA

como são de fato e natureza; e também que eu era uma Chela de um deles.

No entanto, na fantasia de alguns hindus, as mais selvagens e ridículas fantasias logo cresceram a respeito Deles.

Eles eram referidos como "Mahâtmas" e ainda alguns amigos demasiado entusiastas os rebaixavam com suas estranhas imagens fantásticas; nossos opositores, descrevendo um Mahâtma como um pleno Jîvanmukta, insistiam que, como tal, Ele estava impedido de manter quaisquer comunicações com pessoas que vivem no mundo.

Também sustentavam que, sendo este o Kali Yuga, era impossível que houvesse quaisquer Mahâtmas em nossa era.

Não obstante esses primeiros equívocos, a ideia dos Mestres, e a crença Neles, já trouxe seu bom fruto na Índia.

O desejo principal deles era preservar o verdadeiro espírito religioso e filosófico da Índia antiga; defender a Sabedoria Antiga contida em seus Darśanas e Upanishads contra os ataques sistemáticos dos missionários; e, finalmente, reavivar o espírito ético e patriótico adormecido naqueles jovens nos quais ele quase desaparecera devido à educação universitária.

Muito disso foi alcançado por e através da Sociedade Teosófica, apesar de todos os seus erros e imperfeições.

Não fosse pela Teosofia, teria a Índia o seu Tukaram Tatya realizando agora o trabalho inestimável que ele faz, e que ninguém na Índia jamais pensou em fazer antes dele? Sem a Sociedade Teosófica, teria a Índia jamais pensado em arrancar das mãos de orientalistas eruditos, porém não espirituais, o dever de reavivar, traduzir e editar os Livros Sagrados do Oriente, de popularizá-los e vendê-los a um preço muito mais barato e, ao mesmo tempo, de uma forma muito mais correta do que jamais fora feito em Oxford? Teria o nosso respeitado e devotado irmão Tukaram Tatya jamais pensado em fazer isso, se não tivesse se juntado à Sociedade Teosófica? Seria o vosso próprio Congresso político uma possibilidade sequer, sem a Sociedade Teosófica? O mais importante de tudo: pelo menos um entre vós beneficiou-se plenamente dela; e se a Sociedade jamais tivesse dado à Índia senão aquele único futuro Adepto (Dâmodar), que agora tem a perspectiva de se tornar um dia um Mahâtma, apesar do Kali Yuga, isso por si só seria prova de que ela não foi fundada em Nova York e transplantada para a Índia em vão.


Finalmente, se alguém entre os trezentos milhões da Índia puder demonstrar, com provas em mãos, que a Teosofia, a S.T., ou mesmo o meu humilde eu, tenham sido o meio de causar o menor dano, seja ao país ou a qualquer hindu, que os Fundadores tenham sido culpados de ensinar doutrinas perniciosas, ou de oferecer maus conselhos — então, e somente então, poderá ser imputado a mim como crime o fato de eu ter apresentado o ideal dos Mestres e fundado a Sociedade Teosófica.

Sim, meus bons e inesquecíveis Irmãos Hindus, somente o nome dos santos Mestres, que outrora era invocado com preces por Suas bênçãos, de um extremo ao outro da Índia — somente o Seu nome operou uma poderosa mudança para melhor em vossa terra.

Não é ao Coronel Olcott nem a mim que deveis qualquer coisa, mas verdadeiramente a esses nomes, que, há poucos anos, se tornaram uma palavra familiar em vossas bocas.

Assim, enquanto permaneci em Adyar, as coisas transcorreram suficientemente bem, porque um ou outro dos Mestres estava quase constantemente presente entre nós, e o seu espírito sempre protegeu a Sociedade Teosófica de danos reais.

Mas em 1884, o Coronel Olcott e eu partimos para uma visita à Europa, e enquanto estávamos ausentes, o "raio" Padri-Coulomb "desabou". Retornei em novembro e fui acometida por uma doença gravíssima.

Foi durante esse período e na ausência do Coronel Olcott, na Birmânia, que as sementes de todas as futuras contendas e — digo desde já — da desintegração da Sociedade Teosófica, foram plantadas pelos nossos inimigos.

Entre a conspiração Patterson-Coulomb-Hodgson e a pusilanimidade dos principais teosofistas, o fato de a Sociedade não ter então desmoronado ali mesmo deveria ser prova suficiente de como foi protegida.

Abalados em sua crença, os pusilânimes começaram a perguntar: "Por que, se os Mestres são genuínos Mahâtmas, permitiram que tais coisas acontecessem, ou por que não usaram seus poderes para destruir este ou aquele complô, esta ou aquela conspiração, ou mesmo este ou aquele homem e mulher?" No entanto, fora explicado inúmeras vezes que nenhum Adepto

POR QUE NÃO VOLTO À ÍNDIA

do Caminho Reto interferirá no justo funcionamento do Karma.

Nem mesmo o maior dos Yogis pode desviar o progresso do Karma ou deter os resultados naturais das ações por mais que um curto período, e mesmo nesse caso, esses resultados apenas se reafirmarão mais tarde com força dez vezes maior, pois tal é a lei oculta do Karma e dos Nidânas.

Tampouco mesmo o maior dos fenômenos auxiliará o progresso espiritual real.

Cada um de nós tem de conquistar o seu Moksha ou Nirvâna por mérito próprio, não porque um Guru ou Deva ajudará a ocultar as nossas deficiências.

Não há mérito em ter sido criado um Deva imaculado ou em ser Deus; mas há a bem-aventurança eterna do Moksha despontando para o homem que se torna como um Deus e Divindade por seus próprios esforços pessoais.

É missão do Karma punir o culpado, e não dever de qualquer Mestre.

Mas aqueles que agem de acordo com o Seu ensinamento e vivem a vida da qual Eles são os melhores exemplares nunca serão abandonados por Eles e sempre encontrarão a Sua ajuda benéfica sempre que necessário, seja de forma visível ou invisível.

Isto, é claro, dirige-se àqueles que ainda não perderam completamente a fé nos Mestres; aqueles que nunca acreditaram, ou que cessaram de acreditar Neles, são livres para terem as suas próprias opiniões.

Ninguém, exceto eles próprios talvez algum dia, será o perdedor com isso.

Quanto a mim, quem pode acusar-me de ter agido como impostora? De ter, por exemplo, tirado uma única torta de qualquer alma viva? De ter alguma vez pedido dinheiro, ou mesmo de o ter aceitado, não obstante me terem sido repetidamente oferecidas grandes somas! Aqueles que, apesar disso, escolheram pensar de outro modo, terão de explicar o que nem mesmo os meus difamadores, da classe dos Padri e da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, conseguiram explicar até hoje, a saber, o motivo para tal fraude.

Terão de explicar por que, em vez de ganhar e fazer dinheiro, entreguei à Sociedade cada centavo que auferi escrevendo para os jornais, por que ao mesmo tempo quase me matei de excesso de trabalho e labor incessante, ano após ano, até a minha saúde ceder, de modo que, não fora a ajuda repetida do meu Mestre, eu teria morrido há muito tempo dos efeitos de tão voluntário trabalho árduo.

Pois a absurda teoria do espião russo, se ainda encontra crédito em algumas cabeças idiotas, há muito desapareceu, pelo menos dos cérebros oficiais dos anglo-indianos.

Se, digo, naquele momento crítico, os membros da Sociedade, e especialmente os seus líderes em Adyar, hindus e europeus, tivessem permanecido unidos como um só homem, firmes na sua convicção da realidade e do poder dos Mestres, a Teosofia teria saído mais triunfante do que nunca, e nenhum dos seus receios se teria jamais concretizado, por mais astutas que fossem as armadilhas legais preparadas para mim, e quaisquer que fossem os erros e enganos de julgamento que eu, sua humilde representante, pudesse ter cometido na condução executiva do assunto.

Mas a lealdade e a coragem das Autoridades de Adyar, e dos poucos europeus que haviam confiado nos Mestres, não estiveram à altura da provação quando esta chegou.

Apesar dos meus protestos, fui apressadamente afastada da Sede.

Doente como estava, quase moribunda na verdade, como disseram os médicos, ainda assim protestei, e teria batalhado pela Teosofia na Índia até o meu último suspiro, se tivesse encontrado apoio leal.

Mas alguns temiam enredos legais, outros o Governo, enquanto os meus melhores amigos acreditavam nas ameaças dos médicos de que eu morreria se permanecesse na Índia.

Assim, fui enviada para a Europa para recuperar as forças, com a promessa de rápido retorno à minha amada Âryâvarta.

Bem, parti, e imediatamente começaram intrigas e rumores.

Já em Nápoles, soube que eu estaria meditando em fundar na Europa “uma Sociedade rival” e acabar com Adyar (!!). Disso, ri.

Depois, corria o boato de que eu havia sido abandonada pelos Mestres, que lhes fora desleal, que fizera isto ou aquilo.

Nada disso tinha a menor verdade ou fundamento nos fatos.

Então, fui acusada de ser, na melhor das hipóteses, uma médium alucinada, que confundira “fantasmas” com Mestres vivos; enquanto outros declaravam que a verdadeira H. P. Blavatsky estava morta — havia morrido pelo uso imprudente da Kundalini — e que a forma fora imediatamente tomada por um Chela Dugpa, que era a atual H.P.B. Alguns ainda me consideravam uma bruxa, feiticeira, que para seus próprios fins representava o papel de filantropa e amante da Índia, enquanto na realidade estava empenhada na

POR QUE NÃO VOLTO À ÍNDIA

destruição de todos aqueles que tivessem o infortúnio de ser por mim psicologizados. Na verdade, os poderes de psicologia que me eram atribuídos por meus inimigos, sempre que um fato ou um “fenômeno” não podia ser explicado, são tão grandes que, só por si, teriam feito de mim uma notável Adepta — independente de quaisquer Mestres ou Mahatmas.

Em suma, até 1886, quando o Relatório da S.P.R. foi publicado e essa bolha de sabão estourou sobre nossas cabeças, foi uma longa série de falsas acusações, cada correio trazendo algo novo.

Não mencionarei ninguém; nem importa quem disse uma coisa e quem a repetiu. Uma coisa é certa; com exceção do Coronel Olcott, todos pareciam banir os Mestres de seus pensamentos e Seu espírito de Adyar.

Toda incongruência imaginável era ligada a esses santos nomes, e eu sozinha era tida como responsável por cada acontecimento desagradável que ocorria, por cada erro cometido.

Numa carta recebida de Dâmodar em 1886, ele me notificava que a influência dos Mestres se tornava a cada dia mais fraca em Adyar; que Eles eram diariamente representados como menos que “iogues de segunda categoria”, totalmente negados por alguns, enquanto mesmo aqueles que neles acreditavam e lhes haviam permanecido leais temiam até pronunciar Seus nomes.

Por fim, ele me instava fortemente a voltar, dizendo que, naturalmente, os Mestres cuidariam para que minha saúde não sofresse com isso. Escrevi nesse sentido ao Coronel Olcott, implorando-lhe que me deixasse voltar, e prometendo que viveria em Pondicherry, se necessário, caso minha presença não fosse desejável em Adyar.

A isso recebi a resposta ridícula de que, assim que eu voltasse, seria enviada para as Ilhas Andamã como espiã russa, o que, naturalmente, o Coronel Olcott posteriormente descobriu ser absolutamente falso.

A prontidão com que um pretexto tão fútil para me impedir de voltar a Adyar foi aproveitado mostra em cores claras a ingratidão daqueles a quem eu havia dedicado minha vida e minha saúde.

Mais ainda, instigado, conforme entendi, pelo Conselho Executivo, sob o pretexto inteiramente absurdo de que, em caso de minha morte, meus herdeiros pudessem reivindicar uma parte da propriedade de Adyar, o Presidente enviou-me um documento legal para assinar, pelo qual eu renunciava formalmente a qualquer direito sobre a Sede ou mesmo de ali residir sem a permissão do Conselho.


Isso, embora eu tivesse gasto vários milhares de rúpias do meu próprio dinheiro particular e dedicado minha parte dos lucros de *The Theosophist* à compra da casa e de seus móveis.

No entanto, assinei a renúncia sem uma única palavra de protesto.

Percebi que não era desejada e permaneci na Europa, apesar do meu ardente desejo de retornar à Índia.

Como poderia eu sentir senão que todas as minhas labutas haviam sido recompensadas com ingratidão, quando meus mais urgentes desejos de retornar foram recebidos com desculpas frágeis e respostas inspiradas por aqueles que me eram hostis? O resultado disso é evidente demais.

Você conhece bem demais o estado de coisas na Índia para que eu me detenha em mais detalhes.

Em uma palavra, desde minha partida, não apenas a atividade do movimento ali gradualmente arrefeceu, mas aqueles por quem eu tinha as mais profundas afeições, considerando-os como uma mãe consideraria seus próprios filhos, voltaram-se contra mim. Enquanto isso, no Ocidente, tão logo aceitei o convite para vir a Londres, encontrei pessoas — não obstante o Relatório da S.P.R. e suspeitas e hipóteses selvagens em toda parte — que acreditavam na verdade da grande Causa pela qual lutei e na minha própria boa-fé.

Agindo sob as ordens do Mestre, iniciei um novo movimento no Ocidente sobre as linhas originais; fundei *Lucifer* e a Loja que leva meu nome.

Reconhecendo o esplêndido trabalho realizado em Adyar pelo Coronel Olcott e outros para levar a cabo o segundo dos três Objetos da S.T., a saber, promover o estudo da literatura oriental, determinei-me a realizar aqui os outros dois.

Todos sabem com que sucesso isso foi recebido.

Duas vezes o Coronel Olcott foi convidado a vir, e então soube que eu era novamente desejada na Índia — ao menos por alguns.

Mas o convite chegou tarde demais; nem meu médico o permitiria, nem posso eu, se quiser ser fiel ao meu compromisso de vida e aos meus votos, viver agora na Sede da qual os Mestres e Seu espírito estão virtualmente banidos.

A presença de Seus retratos não ajudará; são letra morta.

A verdade é que nunca poderei retornar à Índia em outra capacidade que não seja a de Sua agente fiel.

E, como a menos que Eles apareçam diante do Conselho em

POR QUE NÃO RETORNO À ÍNDIA

propria persona (o que certamente nunca farão agora), nenhum conselho meu em linhas ocultas parece ter probabilidade de ser aceito, pois o fato de minhas relações com os Mestres é posto em dúvida, até totalmente negado por alguns; e eu mesma não tendo direito à Sede, que razão há, portanto, para eu viver em Adyar? O fato é este.

Na minha posição, meias-medidas são piores do que nenhuma.

As pessoas ou têm de acreditar inteiramente em mim, ou desacreditar honestamente.

Ninguém, nenhum Teosofista, é obrigado a acreditar, mas é pior que inútil que as pessoas me peçam para ajudá-las, se não acreditam em mim. Aqui na Europa e na América há muitos que nunca vacilaram em sua devoção à Teosofia; consequentemente, a propagação da Teosofia e da S.T., no Ocidente, durante os últimos três anos, tem sido extraordinária.

A principal razão para isso é que fui habilitada e encorajada pela devoção de um número cada vez maior de membros à Causa e Àqueles que a guiam, a estabelecer uma Seção Esotérica, na qual posso ensinar algo do que aprendi àqueles que têm confiança em mim, e que provam essa confiança por seu trabalho desinteressado pela Teosofia e pela S.T. Para o futuro, então, é minha intenção dedicar minha vida e energia à S.E., e ao ensino daqueles cuja confiança retenho.

É inútil que eu use o pouco tempo que tenho diante de mim para me justificar perante aqueles que não estão seguros sobre a existência real dos Mestres, apenas porque, por me interpretarem mal, convém-lhes, portanto, suspeitar de mim. E deixe-me dizer desde já, para evitar equívocos, que minha única razão para aceitar a direção exotérica dos assuntos europeus foi salvar aqueles que realmente têm a Teosofia no coração e trabalham por ela e pela Sociedade, de serem prejudicados por aqueles que não apenas não se importam com a Teosofia, conforme exposta pelos Mestres, mas estão inteiramente trabalhando contra ambos, esforçando-se por minar e neutralizar a influência do bom trabalho realizado, tanto pela negação aberta da existência dos Mestres, pela hostilidade declarada e amarga contra mim mesma, quanto também por se aliarem aos mais desesperados inimigos de nossa Sociedade.


Meias-medidas, repito, não são mais possíveis.

Ou declarei a verdade como a conheço sobre os Mestres e ensino o que fui ensinada por eles, ou inventei tanto Eles quanto a Filosofia Esotérica.

Há aqueles entre os esoteristas do grupo interno que dizem que, se eu fiz o último, então eu mesma devo ser uma "Mestra". Seja como for, não há alternativa a este dilema.

A única reivindicação, portanto, que a Índia poderia ter sobre mim seria forte apenas na proporção da atividade dos Membros de lá pela Teosofia e de sua lealdade aos Mestres.

Vocês não deveriam precisar de minha presença entre vocês para se convencerem da verdade da Teosofia, assim como seus irmãos americanos não precisam dela. Uma convicção que diminui quando qualquer personalidade particular está ausente não é convicção alguma.

Saibam, além disso, que qualquer prova e ensinamento adicional só posso dar à Seção Esotérica, e isto pela seguinte razão: seus membros são os únicos que tenho o direito de expulsar por deslealdade aberta ao seu compromisso (não a mim, H.P.B., mas ao seu Eu Superior e ao aspecto Mahâtmico dos Mestres), um privilégio que não posso exercer com os F.T.S. em geral, mas que é o único meio de cortar um membro doente do corpo saudável da árvore, e assim salvá-lo da infecção.

Só posso me importar com aqueles que não podem ser abalados por cada sopro de calúnia, e cada zombaria, suspeita ou crítica, de quem quer que emane.

A partir de então, que fique claramente entendido que o resto da minha vida é dedicado somente àqueles que creem nos Mestres e estão dispostos a trabalhar pela Teosofia conforme a compreendem, e pela S.T. nas linhas sobre as quais originalmente a estabeleceram.

Se, portanto, meus irmãos hindus realmente e sinceramente desejam realizar a regeneração da Índia, se desejam algum dia trazer de volta os dias em que os Mestres, nas eras da antiga glória da Índia, vinham livremente entre eles, guiando e ensinando os povos; então que lancem fora todo medo e hesitação, e voltem uma nova página na história do

A LENDA DO LÓTUS AZUL

Movimento Teosófico.

Que eles se reúnam corajosamente em torno do Presidente-Fundador, esteja eu na Índia ou não, como em torno daqueles poucos verdadeiros teosofistas que permaneceram leais durante todo o tempo, e desafiem todos os caluniadores e descontentes ambiciosos — tanto de fora quanto de dentro da Sociedade Teosófica.

Escritos Reunidos, VOLUME XII                           A LENDA DO LÓTUS AZUL                       [Le Lotus Bleu, Paris, Vol.

I, No. 2, 7 de abril de 1890, pp. 73–85]

Todo título de revista ou livro deve ter sua razão de ser — o de uma publicação teosófica, sobretudo.

O título é obrigado a expressar o objeto em vista, simbolizando, por assim dizer, o conteúdo do jornal.

Sendo a alegoria a alma das filosofias do Oriente, bem digno de pena seria aquele que não percebesse, na palavra "Lótus Azul", senão a de uma planta aquática — a Nymphea Cerulea ou Nelumbo.

Com certeza, um leitor dessa força também não veria senão azul no sumário de nosso novo jornal.

A fim de evitar um tal equívoco, vamos tentar iniciar nossos leitores no simbolismo do lótus em geral e do lótus azul, em particular.

Essa planta misteriosa e sagrada foi, desde sempre, considerada como o símbolo do Universo, tanto no Egito quanto nas Índias.

Não há um monumento no vale do Nilo, nem um papiro, em que essa planta não tenha tido seu lugar de honra.

Desde os capitéis das colunas egípcias até os assentos e o toucado dos reis-deuses, o lótus se encontra por toda parte simbolizando o Universo.

Ele se tornou necessariamente um atributo indispensável de todo deus criador, como de toda deusa — esta última não sendo, em filosofia, senão o aspecto feminino do deus, andrógino, primeiro, macho, em seguida.


É do Padma-Yoni,—«o seio do lótus»,—do Espaço absoluto ou do Universo, fora do tempo e do espaço, que emana o cosmos condicionado e limitado pelo tempo e pelo espaço.

O Hiranya Garbha, «o ovo» (ou a matriz) de ouro, de onde surge Brahmâ, é nomeado frequentemente o lótus celeste.

O deus Vishnu, a síntese do trimúrti ou a trindade indiana, flutua adormecido, durante as «noites de Brahmâ», sobre as águas primordiais, estendido sobre uma flor de lótus.

Sua deusa, a bela Lakshmi, surgindo como a Vênus Afrodite do seio das águas, tem, sob os pés, um lótus branco.

É na batedura, pelos deuses reunidos, do Oceano de leite,—símbolo do espaço e da via láctea,—que, formada da espuma das ondas cremosas, Lakshmi, deusa da beleza e mãe do amor (Kama), apareceu diante dos deuses maravilhados, sustentada por um lótus e segurando na mão outro lótus.

Daí os dois principais títulos de Lakshmi: padma, o lótus, e Kshirabdhi-tanayâ,—filha do Oceano de leite.

Gautama, o Buda, que nunca foi degradado ao nível de um deus, sendo, no entanto, o primeiro mortal audaz que, na época histórica, interrogou a esfinge muda que se chama Universo, e acabou por arrancar-lhe os segredos da vida e da morte, embora nunca deificado,—repetimos,—foi, contudo, reconhecido pelas gerações na Ásia como dominando o Universo.

E é por isso que esse vencedor e mestre do mundo intelectual e filosófico é representado sentado sobre um lótus desabrochado,—símbolo desse universo por ele adivinhado.

Nas Índias e no Ceilão, o lótus é geralmente cor de ouro; entre os Budistas do Norte,—é azul.

Mas existe, pelo mundo, uma terceira espécie de lótus, o Zizyphus.

Aquele que o come esquece sua pátria e aqueles que lhe são caros,—diziam os antigos.

Não sigamos esse exemplo; não esqueçamos nossa pátria intelectual, o berço da raça humana, e o lugar de nascimento do lótus azul.

A LENDA DO LÓTUS AZUL

Levantemos, pois, o véu do esquecimento que cobre uma das mais antigas alegorias, uma lenda Védica, que os cronistas Brâmanes, no entanto, preservaram.

Somente, como esses cronistas a contam cada um à sua maneira e lhe acrescentam variações, nós a demos aqui, não segundo as versões e traduções incompletas dos senhores orientalistas, mas segundo a versão popular.

É assim que a cantam os velhos Bardos do Rajastão, quando vêm, durante as noites quentes da estação das chuvas, sentar-se sob a varanda do bangalô de viajantes.

Deixamos, portanto, os Orientalistas às suas especulações fantasiosas.

Que nos importa que o pai do príncipe covarde e egoísta, que foi a causa da transformação do lótus branco em lótus azul, se chamasse Hari Chandra ou Ambarisha? Os nomes nada têm a ver, nem com a poesia ingênua da lenda, nem com a sua moral,—pois se encontrará uma, se se procurar bem.

Notemos antes que o episódio principal recorda curiosamente outra lenda,—a do Abraão Bíblico e do sacrifício de Isaac.

Não é uma prova a mais de que a doutrina Secreta do Oriente poderia muito bem ter razão ao sustentar que o nome do patriarca não é nem um nome caldeu, nem um nome hebreu, mas sim uma epítete e um apelido Sânscritos significando a-bram, isto é, um não-brâhme, um brâhme desbrahmanizado ou desclassificado e tendo perdido a sua casta? Em seguida, como não suspeitar, nos judeus modernos, os Tchandalas dos tempos do Rishi Agastya,—os operários em tijolos, cuja perseguição começou há 8.000 ou 10.000 anos, mas que emigraram para a Caldeia, 4.000 antes da era cristã, quando tantas lendas populares no Sul da Índia ––––––––––        Comparem a história de ®unah epa, no Bhâgavata-Pourâna, IX, XVI, 35; o Râmâyana.

livro I, cap. lx; Manou, X, 105; Koullouka Bhatta (o Historiador); Bahurûpa e Aitareya Brâhmana; Vishnou-Pourâna (Livro IV, cap. vii), etc., etc.

Cada livro dá a sua versão.

 A partícula a, na palavra sânscrita, o mostra bem.

Colocada diante de um substantivo, essa partícula designa sempre a negação ou o contrário do conteúdo no termo que se segue.

Assim Soura (Deus), escrito a-soura, torna-se não-deus ou o demônio.

Vidya, é a Ciência, e a-vidya a ignorância, ou o contrário da Ciência, etc., etc.

–––––––––– 170                              BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

recordam as narrativas bíblicas? Louis Jacolliot fala disso em vários dos seus 21 volumes sobre a Índia brâmanica, e ele tem razão, desta vez.

Falaremos disso outro dia.

Enquanto isso, eis a lenda do

LÓTUS AZUL

Séculos e séculos se passaram, desde que Ambarisha, rei de Ayodhyâ, reinava na cidade fundada pelo Santo-Manou Vaivasvata, o filho do sol.

O rei era um Souryavan (um descendente da raça Solar) e se dizia o mais fiel servidor de Varouna, o Eterno, o deus maior e mais poderoso do Rig-Veda. Mas o Eterno havia recusado herdeiros masculinos ao seu adorador, o que deixava o rei completamente desolado.

“Ai de mim! — lamentava-se ele todas as manhãs, ao fazer sua poudja (devoções) diante dos deuses inferiores. — Ai de mim! De que me serve ser o maior rei da terra, se o Eterno me recusa um sucessor do meu sangue! Uma vez morto e colocado sobre a pira funerária, quem cumprirá junto a mim o doce dever filial de quebrar o crânio do meu cadáver, a fim de libertar minha alma dos seus últimos entraves terrestres? Qual é a mão estrangeira que, durante a lua cheia, colocará o arroz do śraddha, para honrar meus manes? As aves da morte não se desviarão elas mesmas do banquete fúnebre? Pois, com certeza, minha sombra, presa à terra pelo seu grande desespero, não lhes permitirá tocá-lo”! ––––––––––       Não é senão muito mais tarde, no Panteão dogmático e no politeísmo simbólico dos Brâhmes, que Varouna se tornou o Poseidon ou Netuno que é agora.

No Veda, ele é o mais antigo dos deuses, uno com o Ouranos grego; isto é, uma personificação do espaço celeste e dos céus infinitos, o criador e governador do céu e da terra, o Rei, o Pai e o Senhor do mundo, dos deuses e dos homens.

O Ouranos de Hesíodo e o Zeus dos gregos em um só.       As gralhas e os corvos.

 O Śraddha é uma cerimônia póstuma observada durante nove dias pelo parente mais próximo do defunto.

Houve um tempo em que ela era mágica.

Atualmente, ela consiste principalmente em espalhar, ––––––––––

A LENDA DO LÓTUS AZUL

Assim se desolava o rei, quando seu grihastha (capelão de família) lhe inspirou a ideia de fazer um voto. Se o Eterno lhe enviasse dois ou mais filhos, ele prometia ao deus sacrificar-lhe o primogênito, numa cerimônia pública, quando a vítima tivesse atingido a idade da puberdade. Atraído por essa promessa de carnes sangrentas e fumegantes — de tão bom odor para todos os grandes deuses —, Varouna aceitou a promessa do rei, e o feliz Ambarisha teve um filho, seguido de vários outros.

O mais velho, o herdeiro da coroa, pro tempore, foi chamado Rohita (o vermelho), e apelidado de Devarata, o que, traduzido literalmente, significa "Doado por Deus". Devarata cresceu e logo se tornou um verdadeiro príncipe encantado, mas tão egoísta e astuto quanto belo, se acreditarmos nas lendas.

Quando o príncipe atingiu a idade apropriada, o Eterno, falando pela boca do próprio capelão da corte, intimou o rei a cumprir sua promessa.

Mas Ambarisha, inventando a cada vez pretextos para adiar o momento do sacrifício, o Eterno, por fim, se irritou.

Como um deus ciumento e colérico que era, ameaçou o rei com toda a sua ira divina.

Durante muito tempo, nem intimações, nem ameaças, tiveram o efeito desejado.

Enquanto houvesse vacas sagradas passando dos estábulos reais para os dos Brâmanes, e dinheiro nos tesouros, para encher as criptas dos templos, os Brâmanes conseguiam manter Varuna tranquilo.

Mas, quando não restaram mais nem vacas nem dinheiro, o Eterno ameaçou o rei de submergir seu palácio com ele e seus herdeiros, e, se escapassem, de queimá-los vivos.

Sem recursos, o pobre rei Ambarisha mandou chamar seu primogênito e o informou do destino que o aguardava.

Mas o Devarata não ouvia com bons ouvidos.

Ele recusou-se a se submeter à dupla vontade paterna e divina.

–––––––––– entre outras práticas, bolinhos de arroz cozido diante da porta da casa do morto.

Se os corvos devoram prontamente o arroz, é sinal de que a alma está liberta e se encontra em paz.

Caso contrário, essas aves tão vorazes, não tocando na comida, fornecem a prova de que o pisatcha ou bhout (fantasma) está ali para impedi-las.

O shraddha é uma superstição, sem dúvida, mas não mais, com certeza, do que as novenas e missas de defuntos.

–––––––––– Assim, quando os fogos do sacrifício foram acesos e toda a boa cidade de Ayodhyâ se reuniu toda em alvoroço,—o príncipe herdeiro foi o único que faltou à festa.


Ele havia fugido para os fortes dos yogis.

Ora, esses fortes eram habitados por santos eremitas, e Devarata sabia-se ali inatacável e inexpugnável.

Podiam vir vê-lo, mas ninguém podia fazer-lhe violência,—nem mesmo Varuna, o Eterno.

Era bem simples.

As austeridades religiosas dos Aranyakas (os santos da floresta), dos quais vários eram Daityas (Titãs, raça de gigantes e demônios), davam-lhes tamanho poder que todos os deuses tremiam diante de sua onipotência e de seus poderes sobrenaturais — até mesmo o Eterno.

Esses yogis antediluvianos, ao que parece, tinham o poder de destruir o próprio Eterno, à vontade — talvez porque fossem eles que o haviam inventado.

Devarata passou vários anos nos fortes; depois, por fim, cansou-se.

Tendo ouvido dizer que poderia satisfazer Varuna encontrando um substituto que se imolasse em seu lugar — contanto que o substituto fosse filho de um Rishi —, pôs-se a caminho e acabou descobrindo o que lhe convinha.

Na região que se estende perto das margens floridas do famoso lago Poushkara, havia fome, e um grande Santo, chamado Ajigarta, estava prestes a morrer de inanição ali, com toda a sua família.

Ele tinha vários filhos, dos quais o segundo, um adolescente virtuoso, chamado Shunahshepa, estava a ponto de se tornar um Rishi também.

Aproveitando-se da escassez e pensando com razão que ventre faminto teria mais ouvidos que ventre satisfeito, o astuto Devarata pôs o pai a par de sua história.

Depois disso, ofereceu-lhe cem vacas em troca de Shunahshepa, para servir-lhe de substituto como carne de oferenda no altar do Eterno.

O pai virtuoso recusou terminantemente, a princípio.

Mas o doce Shunahshepa ofereceu-se por si mesmo e falou assim a seu pai.

––––––––––      Outros o chamam de Rishika e fazem do rei Ambarisha, Harishchandra, o famoso Soberano que foi o paradigma de todas as virtudes.

––––––––––

A LENDA DO LÓTUS AZUL

“Que importa a vida de um só, quando ela pode salvar a de tantos outros? O Eterno é um Deus grande, e sua misericórdia é infinita; mas ele também é um deus muito ciumento, e sua ira é pronta e vingativa.

Varuna é senhor do terror, e a morte obedece ao seu comando.

Seu espírito não contenderá para sempre com aquele que lhe desobedece.

Ele se arrependerá de ter criado o homem, e então queimará vivos cem mil lakhs de pessoas inocentes, por um único culpado.”

Se sua vítima lhe escapasse, com certeza ele secaria nossos rios, colocaria a terra em chamas e fenderia as mulheres grávidas, em sua bondade infinita... Deixa-me, portanto, sacrificar-me, meu pai, por este estrangeiro que nos oferece cem vacas; pois isso impediria que tu e meus irmãos morresses de fome e salvaria milhares de outros de uma morte terrível.

«A esse preço, o abandono da vida me é doce». O velho Rishi derramou lágrimas; mas acabou por consentir; e mandou preparar a pira do sacrifício. O lago Poushkara era um dos locais favorecidos nesta terra pela deusa Lakshmi-Padma (lótus branco), que mergulhava frequentemente em suas ondas frescas, para visitar –––––––––– Um lakh é uma medida de 100.000, quer se trate de homens ou de moedas.

 Manu (liv.

X, 105), aludindo a essa história, observa que Ajigarta, o santo Rishi, não cometeu nenhum pecado ao vender a vida de seu filho,—pois esse sacrifício preservava a sua própria vida e a de toda a sua família.

Isso nos lembra outra lenda, mais moderna, que pode servir de paralelo a esta. O Conde Ugolino, condenado a morrer de fome em seu calabouço, não devorou seus filhos—«para lhes conservar um pai»? A lenda popular de ®unah epa é mais bela que o comentário de Manu;—uma interpolação dos Brâmanes nos Manuscritos falsificados, evidentemente.

 Este lago é às vezes chamado Pokhar, nos dias de hoje.

É um famoso local de peregrinação anual, situado em um sítio encantador e a cinco milhas inglesas de Ajmir, no Rajastão.

Poushkara significa «lótus azul», sendo a água do lago coberta, como por um tapete, dessas belas plantas.

Mas a lenda assegura que elas eram primeiramente brancas.

Poushkara é também um nome próprio de homem, e o nome de uma das «sete ilhas sagradas», na Geografia dos Hindus,—os Sapta dwipas.

–––––––––– 174 BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

à sua irmã mais velha, Varouni, a esposa de Varouna o Eterno. Lakshmi-Padma ouviu a oferta de Devarata, viu o desespero do pai, e admirou a devoção filial de ®unah epa.

Cheia de piedade, a mãe do amor e da compaixão, mandou chamar o Rishi Visvamitra, um dos sete Manus primordiais e filho de Brahmâ, e conseguiu interessá-lo pela sorte de seu protegido.

O grande Rishi prometeu-lhe sua ajuda.

Aparecendo a ®unah epa, enquanto permanecia invisível aos outros, ele lhe ensinou dois versos sagrados (Mantras) do Rig-Veda, fazendo-o prometer recitá-los sobre a pira.

Ora, aquele que pronunciasse esses dois mantras (invocações) forçava todo o conclave dos deuses — Indra em primeiro lugar — a vir em seu socorro, e tornava-se por isso mesmo um Rishi, nesta vida ou em sua reencarnação futura.

O altar estava erguido à beira do lago, a pira preparada e a multidão reunida.

Estendendo e depois amarrando seu filho sobre o sândalo perfumado, Ajigarta armou-se com a faca do sacrifício.

Já ele levantava seu braço trêmulo sobre o coração de seu amado filho, quando este entoou os versos sagrados.

Ainda um instante de hesitação e de dor suprema.

... e, quando a criança terminava seu mantra, o velho Rishi mergulhou sua faca no peito de ®unah epa.

... Mas, ó milagre! ... No mesmo instante, Indra, o deus azul (o Firmamento), deslizou dos céus e caiu no meio da cerimônia.

Envolvendo a pira e a vítima com uma espessa nuvem azulada, a névoa apagou as chamas da pira e desatou as cordas que mantinham a criança cativa.

Era como se um pedaço do céu azul tivesse desabado sobre o local, iluminando toda a região e colorindo toda a cena com seu azul dourado.

Amedrontados, a multidão e o próprio Rishi caíram de bruços, quase mortos de medo.

Quando voltaram a si, a névoa havia desaparecido, e uma completa mudança de cena se operara.

Os fogos da pira se reacenderam por si mesmos, e, –––––––––– Varuni, deusa do calor (mais tarde, deusa do Vinho), nasceu também do Oceano de leite.

Dos "quatorze objetos preciosos" produzidos pela agitação, ela aparece a segunda, e Lakshmi, a última, precedida da taça de Amrita — a bebida que dá a imortalidade.

––––––––––

A LENDA DO LÓTUS AZUL

estendido sobre ela, viu-se uma corça (Rohit), que nada mais era que o Príncipe Rohita, o Devarata — que, com o coração perfurado pela faca que ele havia dirigido contra outro, queimava ele mesmo em holocausto por seu pecado.

A poucos passos do altar, estendido também, mas sobre um leito de lótus, dormia pacificamente ®unah epa.

E no lugar onde a faca se abaixara sobre seu peito, via-se desabrochar um belo lótus azul.

O próprio lago Pushkara, coberto, um momento antes, de lótus brancos, cujas pétalas brilhavam ao sol como taças de prata cheias de amrita, refletia agora o azul do céu; — os lótus brancos haviam se tornado azuis.

Então ouviu-se uma voz melodiosa como a voz da vina, elevando-se nos ares do fundo das ondas, pronunciar estas palavras e esta imprecação: «Um príncipe que não sabe morrer por seus súditos é indigno de reinar sobre os filhos do Sol.

Ele renascerá numa raça de cabelos ruivos, uma raça bárbara e egoísta; e as nações que dele descenderem não terão por herança senão o poente.

É o caçula de um asceta mendicante, aquele que sacrifica sem hesitar a própria vida para salvar a dos outros, que se tornará rei e reinará em seu lugar». Um frêmito de aprovação pôs em movimento o tapete florido que cobria o lago.

Abrindo à luz dourada seus corações azuis, os lótus sorriram de alegria e enviaram um hino de perfume a Sourya, seu sol e senhor.

Toda a natureza se rejubilou, exceto Devarata, que já não passava de um punhado de cinzas.

Então Vi vamitra, o grande Rishi, embora já pai de cem filhos, adotou ®unah epa como seu filho primogênito, e amaldiçoou de antemão, a título de precaução, todo mortal que –––––––––– Um jogo de palavras.

Rohit, em sânscrito, é o nome da fêmea do gamo, da corça.

e Rohita quer dizer «o ruivo». Foi por sua covardia e medo de morrer que ele foi transformado em corça pelos deuses, segundo a lenda.

O elixir que confere a imortalidade.

Uma espécie de alaúde.

Um instrumento cuja invenção é atribuída ao deus ®iva.

–––––––––– viesse a reconhecer, no último nascido do Rishi, o mais velho de seus filhos e o herdeiro legítimo do trono do rei Ambarisha.


Em razão desse decreto, ®unah epa nasceu, em sua próxima encarnação, na família real de Ayodhyâ, e reinou sobre a raça Solar durante 84.000 anos.

Quanto a Rohita, por mais Devarata ou deus dado que fosse, ele sofreu o destino ao qual Lakshmi-Padma o havia votado.

Ele se reencarnou na família de um estrangeiro sem casta (MlechchhaYavana), e tornou-se o ancestral das raças bárbaras e de cabelos ruivos que habitam o Ocidente.

 

É para a conversão dessas raças que o Lótus Azul foi fundado.

E se algum de nossos leitores se deixasse levar a duvidar da verdade histórica dessa aventura de nosso ancestral Rohita, e da transformação dos lótus brancos em lótus azuis, eles são convidados a dar uma volta em Ajmir.

A tradução do trecho em inglês para o português do Brasil é a seguinte:

O título de um periódico ou de um livro deve ter sua razão de ser — especialmente o título de uma publicação teosófica.

Supõe-se que esse título expresse o objetivo em vista e simbolize, por assim dizer, o conteúdo do periódico.

Como a alegoria é a própria alma da filosofia oriental, seria lamentável que alguém visse no título "Lótus Azul" apenas o nome de uma planta aquática — a Nymphaea Cerulea ou Nelumbo.

É evidente que um leitor desse tipo não extrairia nada do Sumário do nosso novo periódico.

Para evitar tal equívoco, vamos tentar introduzir nossos leitores ao simbolismo do lótus em geral e do lótus azul em particular.

Essa planta misteriosa e sagrada tem sido considerada desde tempos imemoriais um símbolo do Universo, tanto no Egito quanto na Índia.

Dificilmente há um monumento no Vale do Nilo, dificilmente um papiro, sobre o qual ou no qual essa planta não tenha ocupado um lugar de honra.

Dos capitéis das colunas egípcias aos tronos e às coifas dos deuses-reis, o lótus é encontrado em toda parte como símbolo do Universo.

Tornou-se, necessariamente, um atributo indispensável de todo deus e deusa criadores, sendo esta última, em filosofia, apenas o aspecto feminino do deus, andrógino no início, masculino em data posterior.

É de Padma-yoni — “o seio do lótus” — do Espaço absoluto do Universo, fora do espaço e do tempo, que surgiu o Cosmos condicionado e limitado pelo tempo e pelo espaço.

O Hiraṇya-Garbha, o “ovo” (ou matriz) dourado, do qual Brahmâ emergiu, era frequentemente chamado de lótus celestial.

O deus Vishnu, a síntese da Trimûrti hindu, ou trindade, flutua em sono durante as “noites de Brahmâ”, sobre as águas primordiais, estendido sobre uma flor de lótus.

Sua deusa, a bela Lakshmî, surgindo como Vênus-Afrodite do seio das águas, tem sob seus pés um lótus branco.


É da coalhada do Oceano de Leite pelos deuses coletivos — símbolo do espaço e da Via Láctea — que Lakshmî, deusa da beleza e mãe do amor (Kâma), formada da espuma das ondas cremosas, aparece diante dos deuses maravilhados, apoiada sobre um lótus e segurando em sua mão outro lótus.

Daí os dois principais títulos de Lakshmî: Padma, o lótus, e Kshîrâbdhi-tanayâ — a filha do Oceano de Leite.

Gautama, o Buda, que nunca foi rebaixado ao nível de um deus e que foi, no entanto, o primeiro mortal corajoso que, em tempos históricos, interrogou a muda Esfinge chamada Universo, e acabou por arrancar dela os segredos da vida e da morte, embora nunca deificado, repetimos, foi, não obstante, reconhecido pelas gerações da Ásia como governante do Universo.

E é por essa razão que este vencedor e mestre do mundo intelectual e filosófico é representado sobre o lótus aberto — símbolo deste Universo que ele havia decifrado.

Na Índia e no Ceilão, o lótus é geralmente de cor dourada; entre os budistas do norte, é azul.

Mas existe em outro lugar do mundo uma terceira espécie de lótus, a Zizyphus; aquele que a come esquece sua terra natal e todos os que lhe eram queridos, diziam os Antigos.

Não sigamos esse exemplo; não esqueçamos nossa pátria intelectual, o mundo da raça humana e o berço do lótus azul.

Ergamos então o véu do esquecimento que oculta uma das mais antigas alegorias, uma lenda védica, que foi preservada pelos cronistas bramânicos.

No entanto, como cada um desses cronistas a narra à sua maneira, acrescentando-lhe variações próprias, nós a apresentamos aqui —————————— Compare a história de Śunaḥśepa no Bhâgavata Purâna, IX, xvi, 35; no Râmâyaṇa, Livro I, Cap.

lx; em Manu, X, 105; Kullûka-Bhaṭṭa (o Historiador); Bahurûpa e Aitareya Brâhmaṇa; Vishṇu-Purâṇa, Livro IV. Cap. vii, etc., etc.

Cada obra dá sua própria versão.

––––––––––

A LENDA DO LÓTUS AZUL

em uma versão popular, e não segundo as versões e traduções incompletas dos Srs.

Orientalistas.

É assim que esta lenda é cantada pelos antigos bardos de Râjasthân, quando chegam nas noites quentes da estação chuvosa e se sentam sob a varanda do bangalô onde os viajantes estão sentados.

Ignoramos, portanto, os Orientalistas e suas especulações fantásticas.

Que importa que o pai do príncipe covarde e egoísta, que foi a causa da transformação do lótus branco em lótus azul, se chamasse Hari Chandra ou Ambarîsha? Esses nomes nada têm a ver, nem com a poesia ingênua da lenda, nem com sua moral—pois há uma, se alguém a procura. E observemos o fato de que o episódio principal, curiosamente, lembra outra lenda—a do Abraão bíblico e o sacrifício de Isaac.

E não é esta uma evidência adicional de que a doutrina secreta do Oriente poderia muito bem ter razão em sustentar que o nome do patriarca não é caldeu nem hebreu, mas sim um epíteto e título sânscrito que significa a-bram, isto é, um não-brâhmane, um brâhmane de-brâmanizado, ou que perdeu a casta? E por que não suspeitar nos judeus modernos os Chaṇḍâlas dos tempos do Rishi-Agastya—os pedreiros cuja perseguição começou há cerca de 8.000 a 10.000 anos, e que imigraram para a Caldeia 4.000 anos antes da era cristã, quando tantas lendas populares do sul da Índia nos lembram as histórias bíblicas? Louis Jacolliot fala disso em vários de seus 21 volumes sobre a Índia bramânica, e ele estava certo desta vez.

Discutiremos isso mais adiante em outra ocasião.

Enquanto isso, aqui está a lenda de: ––––––––––      A partícula a da palavra sânscrita o mostra. Colocada antes do substantivo, essa partícula sempre denota o negativo ou o contrário do que está contido no termo imediatamente seguinte.

Assim, Sura (deus), escrito a-sura, torna-se não-deus ou demônio.

Vidyâ é Ciência, e a-vidyâ é ignorância ou o contrário de Ciência, etc.

–––––––––– O LÓTUS AZUL


Séculos e séculos se passaram desde que Ambarîsha, Rei de Ayodhyâ, reinou na cidade fundada pelo Santo Manu, Vaivasvata, o filho do Sol.

O Rei era um Sûryavan (descendente da Raça Solar) e considerava-se o mais fiel devoto de VaruŠa, o Eterno, o maior e mais poderoso deus do ¬ig-Veda. Mas o Eterno recusara herdeiros masculinos ao seu devoto, o que deixava o rei muito desconsolado.

“Ai de mim! — lamentava ele todas as manhãs, ao fazer sua pûja (devoções) diante dos deuses menores — Ai de mim! De que me serve ser o maior dos reis da terra, se o Eterno me recusa um sucessor do meu sangue! Quando eu morrer e colocarem meu corpo na pira funerária, quem realizará o doce dever filial de quebrar o crânio do meu cadáver, para libertar minha alma de seus últimos grilhões terrenos? De quem será a mão estranha que, na lua cheia, oferecerá o arroz do ®râddha, para honrar meus manes? Acaso as aves da morte não se afastarão do banquete fúnebre? Pois, certamente, minha sombra, presa à terra pelo seu grande desespero, não lhes permitirá tocar-me!” ––––––––––      É somente muito mais tarde que VaruŠa se tornou o Poseidon ou Netuno que é hoje no Panteão dogmático e no politeísmo simbólico dos BrâhmaŠas. No Veda, ele é o mais antigo dos deuses, o mesmo que o Ouranos grego, isto é, uma personificação do espaço celeste e do céu infinito, o criador e governador do céu e da terra, o Rei, o pai e o Mestre do mundo, dos deuses e dos homens.

O Ouranos de Hesíodo e o Zeus dos gregos, tudo em um só.

 Corvos e gralhas.

 O Śrâddha é uma cerimônia póstuma realizada por nove dias pelo parente mais próximo do falecido.

Em certa época, era mágica.

Atualmente, consiste, entre outras práticas, principalmente em espalhar pequenas bolinhas de arroz cozido diante da porta da casa do defunto.

Se os corvos devoram o arroz prontamente, é sinal de que a ––––––––––                                A LENDA DO LÓTUS AZUL

Assim lamentava o rei, quando seu grîhastha (capelão da família) lhe sugeriu a ideia de fazer um voto.

Se o Eterno lhe enviasse dois ou mais filhos, ele prometeria ao deus sacrificar o primogênito, em cerimônia pública, quando a vítima atingisse a idade da puberdade.

Aguçado por essa promessa de carne sangrenta e fumegante — em tão bom odor junto a todos os grandes deuses — VaruŠa aceitou a promessa do rei, e o feliz Ambarîsha teve um filho, seguido de vários outros.

O mais velho, herdeiro do trono, pro tempore, chamava-se Rohita (o vermelho) e tinha o sobrenome Devarâta, que, traduzido literalmente, significa "dado por Deus". Devarâta cresceu e logo se tornou um verdadeiro príncipe encantado, mas também tão egoísta e astuto quanto belo, se é que devemos acreditar na lenda.

Quando o príncipe atingiu a idade desejada, o Eterno, falando pela boca do mesmo capelão da corte, advertiu o rei a cumprir sua promessa.

Mas como Ambarîsha pensava em uma desculpa a cada vez para adiar o momento do sacrifício, o Eterno finalmente se irou — deus ciumento e colérico que era — ameaçando o rei com sua ira divina.

Por muito tempo, nem advertências nem ameaças surtiram o efeito desejado.

Enquanto houve vacas sagradas que puderam ser transferidas dos celeiros reais para os dos Brâhmanas, e enquanto houve dinheiro no tesouro, para encher as criptas dos templos, os Brâhmanas conseguiram manter VaruŠa quieto.

Mas, quando não restaram nem vacas nem dinheiro, o Eterno ameaçou submergir o palácio com o rei e seus herdeiros e, se escapassem dali, queimá-los vivos.

Estando no fim de suas forças, o pobre rei Ambarîsha convocou seu primogênito e informou-o do destino que o aguardava.

Mas Devarâta fez ouvidos moucos a isso.

Recusou-se a submeter-se às vontades paterna e divina.

–––––––––– a alma é libertada e está em paz.

Se não, essas aves vorazes, abstendo-se de tocar a comida, fornecem a prova de que o piśâcha ou bhûta (o fantasma) está presente para impedi-las.

O Śrâddha é uma superstição, sem dúvida, mas não mais, certamente, do que as Novenas e Missas pelos mortos.

–––––––––– E assim, quando os fogos do sacrifício foram acesos, e toda a boa cidade de Ayodhyâ se reuniu em grande agitação — o herdeiro aparente era o único ausente da festa.


Ele se refugiara na floresta dos Yogins.

Essas florestas eram habitadas por santos eremitas, e Devarâta sabia que estaria a salvo de ser alcançado ou atacado.

Ele poderia ser visitado, mas ninguém poderia infligir-lhe qualquer violência — nem mesmo VaruŠa, o Eterno.

Era tudo muito simples.

As austeridades religiosas dos ÂraŠyakas (os homens santos da floresta), vários dos quais eram Daityas (Titãs, uma raça de gigantes e demônios), conferiam-lhes tamanho poder que todos os deuses tremiam diante de sua onipotência e de seus poderes sobrenaturais — até mesmo o Eterno.

Esses yogins antediluvianos, ao que parece, tinham o poder de destruir à vontade o próprio Eterno—talvez porque foram eles que o inventaram.

Devarâta permaneceu na floresta por vários anos.

Por fim, ele se cansou disso. Deixou-se persuadir de que poderia satisfazer VaruŠa encontrando um substituto que estivesse disposto a se sacrificar no lugar de Devarâta, desde que fosse filho de um ¬ishi.

Ele iniciou sua jornada e acabou descobrindo o que procurava.

Havia fome no campo ao redor das margens carregadas de flores do famoso Lago Pushkara, e um Homem Santo, chamado Ajîgarta, estava à beira de morrer de fome com toda a sua família.

Ele tinha vários filhos; o segundo, um adolescente virtuoso, chamado ®unaƒ epa, estava a caminho de se tornar um ¬ishi.

Aproveitando-se da fome e imaginando, com boa razão, que um estômago faminto ouviria mais atentamente do que um cheio, o astuto Devarâta contou sua história ao pai.

Ofereceu-lhe vacas em troca de ®unaƒ epa, a quem usaria como substituto para a oferenda de carne no altar do Eterno.

A princípio, o virtuoso pai recusou secamente.

Mas ––––––––––     Outros o chamam de ¬ishika e falam, em vez de Ambarîsha, de Hari chandra, o famoso soberano que era um modelo de todas as virtudes.

–––––––––– A LENDA DO LÓTUS AZUL ––––––––––

o doce ®unaƒ epa se ofereceu e falou assim a seu pai.

“O que importa a vida de um homem se ela pode salvar a vida de tantos outros? O Eterno é um grande Deus, e sua piedade é infinita; mas ele também é um deus muito ciumento, e sua ira é rápida e vingativa.

VaruŠa é o senhor do terror, e a morte obedece ao seu comando.

Seu espírito não transigirá para sempre com aquele que o desobedece.

Ele se arrependerá de ter criado o homem e queimará vivos cem mil lakhs de pessoas inocentes por um único culpado.

Se sua vítima escapar dele, ele certamente secará nossos rios, queimará nossa terra e abrirá ao meio mulheres grávidas, em sua infinita misericórdia . . . . Deixe-me sacrificar-me, meu pai, no lugar deste estranho que nos oferece 100 vacas, pois isso impedirá que você e meus irmãos morram de fome e salvará milhares de outros de uma morte terrível.

“A tal preço, abandonar a vida é doce.” O velho ṛishi derramou lágrimas, mas por fim consentiu e foi preparar a pira sacrificial. O Lago Pushkara era um dos locais favoritos nesta terra da deusa Lakshmî-padma (lótus branco), que frequentemente se banhava em suas águas frescas, para visitar –––––––––– Um lâkh equivale a 100.000, seja de homens ou de moedas.

Manu (Livro X, 105), mencionando esta história, observa que Ajîgarta, o santo ṛishi, não cometeu pecado algum ao vender a vida de seu filho, visto que o sacrifício preservou sua própria vida e a vida de toda a sua família.

Isto nos lembra de outra lenda, mais moderna, que poderia muito bem fazer paralelo com esta.

Não teria o Conde Ugolino, condenado a morrer de fome em sua masmorra, devorado seus filhos—"para manter vivo para eles o seu pai"? A lenda popular de Śunaḥśepa é mais bela do que o comentário de Manu; evidentemente uma interpolação bramânica no manuscrito falsificado.

Este lago é agora às vezes chamado Pokhar.

É um local bem conhecido de peregrinação anual, situado nos encantadores arredores de Rājasthān, a cerca de cinco milhas inglesas de Ajmere.

Pushkara significa "lótus branco", pois as águas do lago são cobertas por essas belas flores como se fossem um tapete.

A lenda diz que elas eram primeiramente brancas.

Pushkara é também um nome próprio masculino, bem como o nome de uma das "sete ilhas sagradas", na Geografia dos Hindus—os Sapta dwîpas.

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BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

sua irmã mais velha Varuni, a esposa de Varuṇa, o Eterno. Lakshmî-padma ouviu a oferta de Devarâta, viu o desespero do pai e admirou a devoção filial de Śunaḥśepa.

Cheia de piedade, a mãe do amor e da compaixão enviou chamar o Rishi Viśvāmitra, um dos sete Manus primordiais e filho de Brahmâ, e conseguiu interessá-lo no destino de seu protegido.

O grande ṛishi prometeu-lhe sua ajuda.

Aparecendo diante de Śunaḥśepa, enquanto permanecia invisível para os outros, ensinou-lhe dois versos sagrados (mantras) do Ṛig-Veda e fez-lhe prometer repeti-los na pira.

Qualquer um que pronunciasse esses dois mantras (invocações) compeliria todo o conclave dos deuses—com Indra à frente—a vir em seu socorro, e assim, por esse próprio ato, tornar-se um ṛishi, tanto nesta quanto em sua futura encarnação.

O altar foi erguido na margem do lago, a pira estava pronta e a multidão já se havia reunido.

Deitando o filho sobre a sândalo perfumado e amarrando-o a ele, Ajîgarta armou-se com a faca sacrificial.

Já erguia a mão trêmula sobre o coração do amado filho, quando este entoou os versos sagrados.

Mais um momento de hesitação e de suprema dor... e, quando o jovem estava prestes a terminar seu mantra, o velho ṛishi cravou a faca no peito de Śunaḥśepa... Mas, ó milagre!... no mesmo instante, Indra, o deus do azul (o Firmamento), precipitou-se dos céus para o meio da cerimônia, envolvendo a pira e a vítima com uma espessa nuvem azul; a névoa extinguiu a chama da pira e desatou as cordas que prendiam o homem cativo.

Era como se um canto do céu azul tivesse descido sobre o local, iluminando toda a campina e emprestando a toda a cena um matiz azul-dourado.

Amedrontados, a multidão e o próprio ṛishi caíram de bruços, semimortos de pavor.

––––––––––        Varuṇī, deusa do calor (mais tarde, deusa do Vinho), também nasce do Oceano de Leite.

Dos "quatorze objetos preciosos", produzidos pela sua coalhada, ela é a segunda a aparecer, e Lakshmî é a última, precedida pela taça de Amṛita, a bebida que confere imortalidade.

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A LENDA DO LÓTUS AZUL     Quando voltaram a si, a névoa havia desaparecido e uma completa mudança de cenário ocorrera.

As chamas da pira reacenderam-se e, estendido sobre ela, via-se um corço (rohit), que nada mais era que o Príncipe Rohita, o Devarâta, que, com o coração traspassado pela faca que ele havia apontado contra outro, ardia ele próprio como holocausto pelo seu pecado.

A poucos pés do altar, também estirado, mas sobre um leito de lótus, Śunaḥśepa dormia pacificamente.

E no local onde a faca foi baixada sobre seu peito, via-se um belo lótus azul desabrochando.

O próprio Lago Pushkara, coberto um instante antes de lótus brancos, cujas pétalas brilhavam ao sol como taças de prata cheias de amṛita, refletia agora o azul do céu; os lótus brancos transformaram-se em azuis.

Então, erguendo-se no ar das profundezas das águas, ouviu-se uma voz melodiosa, como o som da Vīṇā, proferindo a seguinte maldição.

"Um Príncipe que não sabe morrer por seus súditos é indigno de reinar sobre os filhos do Sol."

Ele renascerá em uma raça ruiva, uma raça bárbara e egoísta; e as nações que dele descenderão terão por herança apenas as terras do Sol poente [deitado]. É o primogênito de um mendicante asceta, aquele que sacrifica sua vida sem hesitação para preservar a vida de outros, que se tornará rei e reinará em seu lugar.” Um tremor de aprovação percorreu o tapete de flores que cobria o lago.

Abrindo seus corações azuis à luz dourada, os lótus sorriram de alegria e ergueram um hino de perfume a Sûrya, seu sol e mestre.

Toda a natureza se regozijou, exceto Devarâta, que então era apenas um punhado de cinzas.

––––––––––     Um jogo de palavras.

Rohit, em sânscrito, significa uma corça, uma gazela, e Rohita significa "o ruivo". Segundo a lenda, ele foi transformado em corça por causa de sua covardia e de seu medo de morrer.

 O elixir que concede a imortalidade.

 Uma espécie de alaúde, um instrumento cuja invenção é atribuída ao deus ®iva.

–––––––––– O Vi vâmitra, o grande ¬ishi, já pai de cem filhos, adotou ®unaƒ epa como seu filho mais velho e amaldiçoou antecipadamente, como precaução, qualquer mortal que se recusasse a reconhecê-lo como o filho mais velho do ¬ishi e o herdeiro legítimo do trono do Rei Ambarîsha.


Em virtude desse decreto, ®unaƒ epa nasceu em sua próxima encarnação na família real de Ayodhyâ e reinou sobre a raça Solar por 84.000 anos.

Quanto a Rohita, Devarâta ou dado por deus, embora fosse, ele sofreu o destino ao qual Lakshmî-Padma o havia condenado.

Ele reencarnou na família de um estrangeiro pária (Mlechchha-Yavana) e tornou-se o ancestral das raças ruivas e bárbaras que habitam o Ocidente.

    

É com vistas à conversão dessas raças que O Lótus Azul foi fundado.

E se algum de nossos leitores duvidar da veracidade histórica desta aventura de nosso ancestral Rohita e da transformação dos lótus brancos em azuis, convidamo-lo a visitar Ajmere.

Uma vez lá, tudo o que teriam de fazer seria ir às margens do lago três vezes sagrado chamado Pushkara, onde qualquer peregrino que nele se banhe durante a lua cheia do mês de Kartika (outubro-novembro) alcança a mais alta santidade, sem mais trabalho.

Os céticos poderão ver com seus próprios olhos o local onde se erguia a pira de Rohita e as águas outrora frequentadas por Lakshmi.

Eles veriam até os lótus azuis, não fosse por uma nova transformação decretada pelos deuses, pela qual a maioria dessas plantas se mudou, desde aqueles dias, em crocodilos sagrados, que ninguém tem o direito de perturbar, e é por isso que nove em cada dez peregrinos que se banham nas águas do lago têm a chance de entrar imediatamente em Nirvâna, e por que os crocodilos sagrados são os mais gordos de sua espécie.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS                                  [Lucifer, Vol.

VI, No. 33, maio de 1890, pp. 177-188]

[Na época em que este ensaio foi publicado nas páginas de Lucifer, Annie Besant o prefaciou com as seguintes observações: "H.P.B. estando demasiado doente para escrever seu editorial habitual, o seguinte artigo inédito, escrito por ela há mais de dois anos, foi selecionado para ocupar seu lugar."            Alguns anos mais tarde, nomeadamente em junho de 1896, Lucifer publicou um ensaio sob o título de "'Espíritos' de Vários Tipos", que se revela idêntico ao acima mencionado, mas com alguns parágrafos adicionais, principalmente em direção ao seu final.

Publicamos "Pensamentos sobre os Elementais" tal como apareceu em maio de 1890, inserindo o material acrescentado onde quer que seja encontrado na reimpressão posterior.—Compilador.]

Anos foram dedicados pela escritora ao estudo desses Seres invisíveis—conscientes, semiconscientes e inteiramente insensíveis—chamados por uma infinidade de nomes em todos os países sob o sol, e conhecidos sob o nome genérico de "Espíritos". A nomenclatura aplicada a esses habitantes de esferas boas ou más na Igreja Católica Romana, somente, é—interminável.

A grande cirologia de seus nomes simbólicos—é um estudo.

Abra qualquer relato da criação no primeiro Purâna que vier às mãos, e veja a variedade de denominações conferidas a essas criaturas divinas e semidivinas (o produto dos dois tipos de criação—a Prákrita e a Vaikrita ou Padma, a primária e a secundária), todas evoluídas do corpo de Brahmâ.

Somente os Urdhvasrotas, da terceira criação, abrangem uma variedade de seres com características e idiossincrasias suficientes para um estudo de vida inteira.

O mesmo no relato egípcio, caldeu, grego, fenício ou qualquer outro.

As hostes dessas criaturas são inumeráveis.

Os antigos pagãos, no entanto, e especialmente os neoplatônicos de Alexandria, sabiam o que acreditavam e distinguiam entre as ordens.

Nenhum os considerava de um ponto de vista tão sectário como fazem as Igrejas Cristãs.

Lidavam com eles de maneira muito mais sábia, ao contrário, pois faziam uma distinção melhor e maior entre as naturezas desses seres do que os Padres da Igreja faziam.

Segundo a política destes últimos, todos aqueles Anjos que não eram reconhecidos como atendentes do Jeová judaico — eram proclamados Demônios.

Os efeitos dessa crença, posteriormente erigida em dogma, encontramo-los afirmando-se agora no Karma dos muitos milhões de espiritualistas, criados e educados nas respectivas crenças de suas Igrejas.

Embora um espiritualista possa ter-se divorciado por anos das crenças teológicas e clericais; embora seja um cristão liberal ou não, um deísta ou um ateu, tendo rejeitado muito sabiamente a crença em demônios, e sendo demasiado razoável para considerar seus visitantes como anjos puros, aceitou o que pensa ser um meio-termo razoável — ainda assim não reconhecerá outros Espíritos senão os dos mortos.

Este é o seu Karma, e também o das Igrejas coletivamente.

Nestas últimas, tal fanatismo obstinado, tal *parti pris* é apenas natural; é a sua política.

No Espiritualismo livre, é imperdoável.

Não pode haver duas opiniões sobre este assunto.

Ou é crença, ou rejeição total da existência de quaisquer “Espíritos”. Se um homem é cético e descrente, nada temos a dizer.

Uma vez que ele acredita em Espectros e Espíritos — a questão muda.

Onde está esse homem ou mulher livre de preconceitos e precondições, que possa acreditar que em um universo infinito de vida e ser — digamos apenas em nosso sistema solar — que em todo esse espaço ilimitado no qual o espiritualista localiza seu “Summerland” — existem apenas duas ordens de seres conscientes — homens e seus espíritos; mortais encarnados e Imortais desencarnados.

O futuro reserva para a Humanidade surpresas estranhas, e a Teosofia, ou melhor, seus adeptos, será plenamente vindicada em um dia não muito distante.

Não adianta discutir uma questão que já foi tão amplamente debatida pelos Teosofistas e que trouxe apenas opróbrio, perseguição e inimizade aos escritores.

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

Portanto, não sairemos do nosso caminho para dizer muito mais.

Os Elementais e os Elementares dos Cabalistas e Teosofistas foram suficientemente ridicularizados.

De Porfírio até os demonologistas dos séculos passados, fato após fato foi apresentado, e provas acumuladas sobre provas, mas com tão pouco efeito quanto se poderia obter de um conto de fadas narrado em algum quarto de nursery.

Um livro curioso, o do velho Conde de Gabalis, imortalizado pelo Abade de Villars, e agora traduzido e publicado em Bath.

Aqueles de inclinação humorística são aconselhados a lê-lo e a refletir sobre ele. Este conselho é oferecido com o objetivo de traçar um paralelo.

A escritora o leu há anos atrás, e o releu agora com tanta, e muito mais atenção do que anteriormente.

Sua humilde opinião quanto à obra é — se alguém se importa em ouvi-la — que se pode procurar por meses e nunca encontrar nela a demarcação entre os "Espíritos" das salas de sessão e as Sifas e Ondinas da sátira francesa.

Há um tom sinistro nas alegres zombarias e gracejos de seu autor, que, ao apontar o dedo do ridículo para aquilo em que acreditava, provavelmente teve um pressentimento de seu próprio Karma iminente sob a forma de assassinato.

A maneira como ele introduz o Conde de Gabalis é digna de atenção.

Fiquei surpresa em um Dia Notável, quando vi entrar um homem de semblante altamente elevado; que, saudando-me gravemente, disse-me em Língua Francesa, mas com sotaque de Estrangeiro: "Adora, meu filho; adora o Deus mais grandioso dos Sábios; e não te deixes inchar de Orgulho, pois Ele te envia um dos filhos da Sabedoria, para te constituir Membro de sua Sociedade e fazer-te participante das maravilhas da Onipotência." Há apenas uma resposta a ser dada àqueles que, aproveitando-se de tais obras, zombam do Ocultismo.

 Sub Mundanes; ou os Elementares da Cabala: sendo a História dos Espíritos, reimpresso do Texto do Abade De Villars, Físio-Astro-Místico, no qual se afirma que existem na terra criaturas racionais além do homem.

Bath, Robert H. Fryer 1886. –––––––––– “Servitissimo” o dá ele mesmo, à sua própria maneira zombeteira, em sua “Carta ao Meu Senhor” introdutória, na obra acima mencionada.


“Eu o teria persuadido [o autor do Conde de Cabalis] a mudar toda a forma de sua obra”, escreve ele, “pois essa maneira zombeteira de conduzi-la assim não me parece adequada ao seu assunto.

Esses mistérios da Cabala são assuntos sérios, que muitos de meus amigos estudam seriamente . . . . . os quais são certamente muito perigosos para se zombar.

Verbum sat sapienti.

Eles são “perigosos”, inegavelmente.

Mas desde que a história começou a registrar pensamentos e fatos, metade da Humanidade sempre zombou da outra metade e ridicularizou suas crenças mais queridas.

Isso, porém, não pode transformar um fato em ficção, nem pode destruir os Silfos, Ondinas e Gnomos, se é que existem, na Natureza; pois, em aliança com as Salamandras, estes são mais propensos a destruir os descrentes e prejudicar as companhias de seguros, não obstante estas acreditem ainda menos em Salamandras vingativas do que em fogo produzido por acaso e acidente.

Os Teosofistas acreditam em Espíritos tanto quanto os Espiritualistas, mas, tão dessemelhantes em sua variedade quanto as tribos aladas no ar.

Há falcões sanguinários e morcegos-vampiros entre eles, assim como há pombas e rouxinóis.

Eles acreditam em “Anjos”, pois muitos os viram
“. . . . . ao travesseiro do doente—
De quem era o tom suave e o passo silencioso?
Onde corações feridos pendiam como o salgueiro,
Eles se erguiam entre os vivos e os mortos.”
Mas estes não eram as materializações de três dedos do médium moderno.

E se nossas doutrinas fossem todas despedaçadas pelas “zombarias” de um de Villars, elas não poderiam interferir nas alegações dos Ocultistas de que seus ensinamentos são fatos históricos e científicos, qualquer que seja a roupagem em que são apresentados aos profanos.

Desde que os primeiros reis começaram a reinar “pela graça de Deus”, inúmeras gerações de bufões nomeados para divertir Majestades e Altezas já se foram; e a maioria desses indivíduos sem graça tinha mais sabedoria na base de seus traseiros e na ponta de seus dedos do que todos os seus senhores reais juntos tinham em suas cabeças sem cérebro.

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

Eles sozinhos tinham o inestimável privilégio de falar a verdade nas Cortes, e essas verdades sempre foram ridicularizadas... Isto é uma digressão; mas obras como o Comte de Gabalis precisam ser calmamente analisadas e seu verdadeiro caráter demonstrado, para que não sejam usadas como uma marreta para pulverizar aquelas obras que não assumem um tom humorístico ao falar de coisas misteriosas, se não inteiramente sagradas, e dizem o que têm a dizer. E é mantido positivamente que há mais verdades proferidas nas zombarias espirituosas e fanfarronadas dessa "sátira", repleta de fatos preeminentemente ocultos e reais, do que a maioria das pessoas, e especialmente os Espiritualistas, gostariam de saber.

Um único fato citado, e demonstrado existir agora, no momento presente, entre os Médiuns, será suficiente para provar que estamos certos.

Foi dito em outro lugar que a magia branca diferia muito pouco das práticas de feitiçaria, exceto em efeitos e resultados — sendo o motivo bom ou mau tudo.

Muitas das regras e condições preliminares para ingressar em sociedades de adeptos, seja do Caminho da Direita ou da Esquerda, também são idênticas em muitas coisas.

Assim, Gabalis diz ao autor: "Os Sábios nunca o admitirão em sua sociedade se você não renunciar, desde este exato momento, a uma Coisa que não pode competir com a Sabedoria.

Você deve renunciar a todo Comércio carnal com Mulheres" (p. 27). Isto é condição sine qua non para Ocultistas práticos — Rosacruzes ou Yogis, Europeus ou Asiáticos.

Mas é também uma condição para os Dugpas e Jadoos do Butão e da Índia, para os Voodoos e Nagals de Nova Orleans e do México, com uma cláusula adicional, no entanto, nos estatutos destes últimos, e esta é ter comércio carnal com machos e –––––––––– Falamos aqui dos bem conhecidos estatutos antigos na Feitiçaria dos Asiáticos, como na Demonologia da Europa.

A Bruxa tinha que renunciar ao seu marido, o Bruxo aos seus direitos conjugais sobre sua esposa humana legítima, assim como o Dugpa renuncia até hoje ao comércio com mulheres vivas; e como faz o Voodoo de Nova Orleans, quando no exercício de seus poderes.

Todo Cabalista sabe disso.

–––––––––– Jinns femininos, Elementais ou Demônios, chamem-nos por quaisquer nomes que quiserem. "Não estou revelando nada a você além dos Princípios da Cabala Antiga", explica de Gabalis ao seu pupilo.


E ele o informa que os Elementais (a quem ele chama de Elementários), os habitantes dos quatro Elementos, a saber, os Silfos, as Ondinas, as Salamandras e os Gnomos, vivem muitas Eras, mas que suas almas não são imortais.

“Com respeito à Eternidade . . . . eles devem finalmente se resolver em nada.” . . . . “Nossos Pais, os filósofos,” continua o rosacruciano autoproclamado, “falando com Deus Face a Face, queixaram-se a Ele da Infelicidade dessas Pessoas (os Elementais), e Deus, cuja Misericórdia é sem Limites, revelou-lhes que não era impossível encontrar um Remédio para esse Mal.

Ele os inspirou que, pelos mesmos meios que o Homem, pela Aliança que contraiu com Deus, foi feito Participante da Divindade: os Silfos, os Gnomos, as Ninfas e as Salamandras, pela Aliança que pudessem Contrair com o Homem, poderiam ser feitos Participantes da Imortalidade.

Assim, uma Ninfa ou uma Silfide torna-se Imortal e capaz da Bênção à qual aspiramos, quando forem tão felizes quanto a se casar com um Sábio; um Gnomo ou um Silfo deixa de ser Mortal desde o momento em que Desposa uma de nossas Filhas.” Tendo proferido este belo conselho sobre feitiçaria prática, o “Sábio” conclui da seguinte forma: “Não, não! Nossos Sábios nunca erraram a ponto de atribuir a Queda dos primeiros Anjos ao seu Amor pelas mulheres, assim como não colocaram os Homens sob o Poder do Diabo . . . . Não havia nada de criminoso em tudo isso.

Eram Silfos que se esforçavam para se tornarem Imortais.

Suas inocentes Buscas, longe de poderem escandalizar os Filósofos, pareceram-nos tão Justas que todos nós estamos –––––––––– O Cabalista judeu da Polônia e Galícia invoca o espírito feminino de Nergal, quando inclinado à vingança, em seu auxílio e para infundir-lhe poder.

O Feiticeiro Muçulmano, um Jinni feminino; um Koldun russo, uma Bruxa falecida (vyed’ma). O malfeitor chinês tem um Huen feminino em sua casa sob seu comando.

Diz-se que o intercurso acima confere poderes mágicos e uma Força Suprema.

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PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

resolvidos por consentimento comum a renunciar totalmente às Mulheres; e a nos dedicar inteiramente à Imortalização das Ninfas e dos Silfos” (p. 33). E assim são certos médiuns, especialmente os da América e da França, que se vangloriam de maridos e esposas espirituais.

Conhecemos tais médiuns pessoalmente, homens e mulheres, e não são os da Holanda que negarão o fato, com um acontecimento recente entre seus colegas e correligionários ainda fresco em sua memória, a respeito de alguns que escaparam da morte e da loucura apenas por se tornarem teosofistas.

Foi somente seguindo nosso conselho que eles finalmente se livraram de seus consortes espirituais de ambos os sexos.

Ser-nos-á dito também neste caso que é uma calúnia e uma invenção? Então que aqueles de fora, inclinados a ver com os espiritualistas nada além de um passatempo santo e inocente, em todo caso, nesse intercâmbio noturno e diário com os chamados "Espíritos dos Mortos", observem.

Que aqueles que zombam de nossos avisos e doutrina e deles fazem pouco-caso — expliquem, após analisá-lo com imparcialidade, o mistério e a lógica de fatos tais como a existência, na mente de certos Médiuns e Sensitivos, de seu casamento real com Espíritos masculinos e femininos.

Explicações de loucura e alucinação jamais serão suficientes quando confrontadas com os fatos inegáveis das MATERIALIZAÇÕES DE ESPÍRITOS.

Se há "Espíritos" capazes de beber chá e vinho, de comer maçãs e bolos, de beijar e tocar os visitantes das salas de sessão — todos esses fatos tendo sido comprovados tanto quanto a existência dos próprios visitantes —, por que não poderiam esses mesmos Espíritos desempenhar também deveres matrimoniais? E quem são esses "Espíritos" e qual é a sua natureza? Ser-nos-á dito pelos espiritistas que os espectros de Mme.

de Sévigné ou de Delphine —, — uma das quais autoras nos abstemos de nomear por respeito aos parentes sobreviventes — eram os verdadeiros "Espíritos" daquelas duas senhoras falecidas! Que estas sentiam uma "afinidade espiritual" por um médium canadense idiota, velho e desleixado, tornando-se assim sua feliz esposa, como ele se vangloria publicamente, cujo resultado dessa união é uma manada de filhos "espirituais" gerados com este santo Espírito? E quem é o marido astral — o consorte noturno de uma conhecida médium de Nova York, a quem a escritora conhece pessoalmente? Que o leitor obtenha toda a informação que puder sobre este último desenvolvimento do intercâmbio Espiritual (?!) —  Que ele pense seriamente sobre isso e então leia o Conde de Gabalis, especialmente o Apêndice, com suas partes em latim; e então, talvez, ele estará mais apto a apreciar toda a gravidade da suposta palha, na obra em questão, e compreender o verdadeiro valor da zombaria contida nela. Verá então claramente a sinistra conexão que há entre os Faunos, Sátiros e Íncubos de São Jerônimo, as Sifides e Ninfas do Conde de Gabalis, os "Elementais" dos Cabalistas — e todos aqueles poéticos e espirituais "Lírios" da "Comunidade Harris", os "Napoleões" astrais, e outros Don Juans desencarnados do "Summerland", as "afinidades espirituais além do túmulo" do mundo moderno dos médiuns.


Não obstante essa horripilante série de fatos, somos informados semana após semana nos jornais espiritualistas de que, na melhor das hipóteses, não sabemos do que estamos falando.

"Platon" — (um pseudônimo presunçoso de se assumir, aliás) um ex-teosofista insatisfeito, diz ao Espiritualista (ver *Light*, 1º de janeiro de 1887) que não apenas não há reencarnação — porque o "espírito" astral de um amigo falecido lhe disse isso (uma evidência valiosa e digna de confiança, de fato), mas que toda a nossa filosofia se prova inútil por esse mesmo fato! Karma, somos notificados, é uma tolice.

"Sem Karma a reencarnação não pode subsistir", e, já que seu informante astral "investigou no reino de sua existência atual a teoria da reencarnação, e diz que não pode obter um fato ou um vestígio de um quanto à sua verdade..." esse informante "astral" tem de ser acreditado.

Ele não pode mentir.

––––––––––

*"Sub-Mundanos; ou Os Elementais da Cabala"; com um Apêndice ilustrativo da obra "Demonialidade" ou "Íncubos e Súcubos", do Rev. Padre Sinistrari, de Amando.

A resposta dada (p. 133) por um suposto diabo a Santo Antônio, a respeito da corporeidade dos Íncubos e Súcubos, serviria bem agora, talvez: tendo o "bem-aventurado Santo Antônio" perguntado quem ele era, o pequeno anão dos bosques respondeu:

"Eu sou um mortal, e um dos habitantes do Ermo, a quem a gentilidade, sob suas variadas ilusões, adora sob os nomes de Faunos, Sátiros e Íncubos" — ou "Espíritos dos Mortos" poderia ter acrescentado este Elemental, o veículo de algum Elementário.

Esta é uma narrativa de São Jerônimo, que nela acreditou plenamente, e nós também acreditamos, com certas emendas.

––––––––––

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

Pois "um homem que estudou química tem direito a uma opinião e conquistou o direito de falar sobre suas várias teorias e fatos... especialmente se ele, durante a vida terrena, foi respeitado e admirado por suas pesquisas sobre os mistérios da natureza e por sua veracidade". Esperemos que os "astrais" de químicos tão eminentes como os Srs. Crookes e Butleroff — quando desencarnados — se abstenham de voltar com demasiada frequência para conversar com os mortais.

Pois, por terem estudado química tanto e tão bem, suas comunicações póstumas adquiririam uma reputação de infalibilidade mais do que seria bom, talvez, para o progresso da humanidade e o desenvolvimento de suas faculdades intelectuais.

Mas a prova é suficientemente convincente, sem dúvida, para a geração atual de espiritualistas, uma vez que o nome assumido pelo "controle astral de um amigo" era o de um homem veraz e honrado.

Assim, parece que uma experiência de mais de quarenta anos com Espíritos, que mentiam mais do que diziam a verdade e faziam muito mais mal do que bem — não vale nada.

E assim os "espíritos-maridos e -esposas" também devem ser acreditados quando dizem que são isto ou aquilo.

Porque, como "Platon" justamente argumenta: "Não há progresso sem conhecimento, e o conhecimento da verdade fundado em fatos é progresso do mais alto grau; e se os astrais progridem, como o espírito diz que progridem, a filosofia do Ocultismo em relação à reencarnação está errada nesse ponto; e como sabemos que os muitos outros pontos estão corretos, se estão sem prova?" Isso é filosofia e lógica elevadas.

"O fim da sabedoria é a consulta e a deliberação" — com "Espíritos", Demóstenes poderia ter acrescentado, se soubesse onde procurá-los — mas tudo isso ainda deixa a questão "quem são esses espíritos" — em aberto.

Pois, "onde os médicos discordam", deve haver espaço para dúvida.

Os argumentos e evidências apresentados contra a filosofia do Oriente são curiosos.

Certamente esta é uma boa prova de que os ocultistas estão certos ao dizer que a maioria desses "Espíritos" não são sequer espíritos "mentirosos", mas simplesmente cascas vazias e sem sentido, que falam com sentido apenas com a ajuda dos cérebros dos assistentes e do cérebro do médium como elo de ligação.

–––––––––– E além do fato ominoso de que os Espíritos estão divididos em suas opiniões sobre a reencarnação—assim como os Espiritualistas e os Espiritistas o estão—"nem todo homem é um campeão adequado para a verdade, nem apto a levantar a luva em defesa da veracidade," diz Sir T. Browne.


Isto não é um golpe desrespeitoso contra "Platon", quem quer que ele seja, mas um axioma.

Um eminente homem de ciência, o Prof. W. Crookes, deu certa vez uma definição muito sábia da Verdade, ao mostrar quão necessário é traçar uma distinção entre verdade e exatidão.

Uma pessoa pode ser muito veraz—observou ele—isto é, pode estar repleta do desejo tanto de receber a verdade quanto de ensiná-la; mas, a menos que essa pessoa tenha grandes poderes naturais de observação, ou tenha sido treinada por estudo científico de algum tipo para observar, anotar, comparar e relatar com exatidão e em detalhe, ela não será capaz de dar um relato confiável, exato e, portanto, verdadeiro de suas experiências.

Suas intenções podem ser honestas, mas, se tiver uma centelha de entusiasmo, estará sempre propensa a proceder a generalizações, que podem ser tanto falsas quanto perigosas.

Em suma, como outro eminente homem de ciência, Sir John Herschel, o expressa: "O grande e, de fato, o único caráter da verdade é sua capacidade de suportar o teste da experiência universal, e sair inalterada de toda forma possível de discussão justa." Agora, muito poucos Espiritualistas, se é que algum, reúnem em si as preciosas qualidades exigidas pelo Prof. Crookes; em outras palavras, sua veracidade é sempre temperada pelo entusiasmo; portanto, isso os tem levado ao erro nos últimos quarenta anos.

Em resposta a isto, pode-se nos dizer, e com grande justiça, deve-se confessar, que esta definição científica corta em ambos os sentidos; isto é, que os Teosofistas estão, para dizer o mínimo, no mesmo barco que os Espiritualistas; que eles são entusiasmados e, portanto, também crédulos.

Mas no presente caso, a situação é diferente.

A questão não é o que os Espiritualistas ou os Teosofistas pensam pessoalmente sobre a natureza dos Espíritos e seu grau de veracidade; mas o que a "experiência universal", exigida por Sir John Herschel, diz.

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

O Espiritualismo é uma filosofia (se é que é uma, o que até agora negamos) de ontem.

O Ocultismo e a filosofia do Oriente, sejam verdadeiros absoluta ou relativamente, são ensinamentos que nos chegam de uma imensa antiguidade.

E uma vez que—seja nos escritos e tradições do Oriente, nos inúmeros Fragmentos e MSS.

deixados pelos Teosofistas Neoplatônicos; nas observações de vida de filósofos como Porfírio e Jâmblico; nas dos Teosofistas medievais e assim por diante, ad infinitum; — pois encontramos em todos esses a mesma idêntica evidência quanto à natureza extremamente variada e frequentemente perigosa de todos esses Gênios, Demônios, Deuses, Lares e “Elementais”, agora todos confundidos em um só monte sob o nome de “Espíritos”, não podemos deixar de reconhecer em tudo isso algo “que resiste ao teste da experiência universal” e “que permanece inalterado” em todas as formas possíveis de observação e experiência.

Os Teosofistas dão apenas o produto de uma experiência imemorial; os Espiritualistas apegam-se às suas próprias opiniões, nascidas há cerca de quarenta anos, e baseadas em seu entusiasmo inabalável e emocionalismo.

Mas que qualquer testemunha imparcial e de mente justa dos feitos dos “Espíritos” na América, alguém que não seja nem Teosofista nem Espiritualista, seja perguntado: “Qual pode ser a diferença entre a noiva-vampira da qual se diz que Apolônio de Tiana libertou um jovem amigo seu, que o súcubo noturno estava lentamente matando, e as esposas e maridos espirituais dos médiuns?” Certamente nenhuma — seria a resposta correta.

Aqueles que não se horrorizam com essa hedionda revivescência da Demonologia e Bruxaria medieval podem, ao menos, entender a razão pela qual, entre todos os numerosos inimigos da Teosofia — que desvela os mistérios do “Mundo dos Espíritos” e desmascara os Espíritos que se disfarçam sob nomes eminentes — nenhum é tão amargo e tão implacável quanto os Espiritualistas dos países protestantes e os Espíritas dos países católicos romanos.

“Monstrum horrendum, informe, ingens cui lumen ademptum . . .” é o epíteto mais adequado a ser aplicado à maioria –––––––––– [Virgílio, Eneida, III, 658: “Um monstro horrendo, informe, enorme, privado de luz,” dito de Polifemo.—Compilador.] –––––––––– dos “Lírios” e “Josés” do Mundo dos Espíritos.


Mas não pretendemos de modo algum — seguindo neste ponto o exemplo dos Espiritualistas, que estão determinados a não acreditar em outros “Espíritos” senão nos dos “queridos falecidos” — sustentar que, exceto os Espíritos da Natureza ou Elementais, Cascas, ou Elementares, e “Deuses” e gênios, não existam outros Espíritos dos reinos invisíveis; ou que não existam Espíritos realmente santos e grandiosos — que se comunicam com os mortais.

Pois não é assim. O que os Ocultistas e Cabalistas disseram o tempo todo, e os Teosofistas agora repetem, é que os Espíritos santos não visitarão salas de sessões promíscuas, nem se casarão com homens e mulheres vivos.

A crença na existência de visitantes invisíveis, mas com demasiada frequência presentes, de mundos melhores e piores que o nosso, está profundamente enraizada nos corações dos homens para ser facilmente arrancada pela mão fria do Materialismo, ou mesmo da Ciência.

Acusações de superstição, acompanhadas de ridículo, serviram na melhor das hipóteses para gerar hipocrisia adicional e fingimento social entre as classes educadas.

Pois há poucos homens, se é que há algum, em cujo fundo da alma a crença em tais criaturas sobre-humanas e supra-sensíveis não esteja latente, pronta para despertar à primeira boa oportunidade.

Muitos são os Homens de Ciência que, tendo abandonado com seus aventais de infância a crença em Reis dos Elfos e Rainhas das Fadas, e que corariam se acusados de acreditar em feitiçaria, caíram, no entanto, vítimas das artimanhas de "Josés", "Margaridas" e outros espíritos e "controladores". E uma vez que cruzaram o Rubicão, não temem mais o ridículo.

Esses Cientistas defendem desesperadamente a realidade dos Espíritos materializados e outros, como se fossem uma lei matemática.

Essas aspirações da alma que parecem inatas na natureza humana, e que apenas dormem para despertar em atividade intensificada; esses anseios de cruzar a fronteira da matéria que fazem muitos um cético endurecido tornar-se um crente raivoso à primeira aparição daquilo que para ele é prova inegável — todos esses fenômenos psicológicos completos do temperamento humano — terão nossos fisiologistas modernos encontrado uma chave para eles? O veredito permanecerá "non compos mentis" ou "vítima de fraude e psicologia"? etc., etc.

Quando dizemos com relação

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

aos descrentes que eles são "um punhado", a afirmação não é uma subestimação; pois não são aqueles que gritam mais alto contra superstições degradantes, a "mania oculta" e assim por diante, os mais fortes em seu ceticismo.

À primeira oportunidade, eles estarão entre os primeiros a cair e se render.

E quando alguém conta seriamente os milhões sempre crescentes de Espiritualistas, Ocultistas e Místicos na Europa e na América, bem se pode recusar a lamentar com Carrington a "Partida das Fadas". Eles se foram, diz o poeta:

. . . . .“Elas voaram,                Belas ficções de nossos pais, tecidas                Na teia da Superstição quando o Tempo era jovem,                E ternamente amadas e acariciadas—elas voaram,                Diante da Varinha da Ciência!. . . .”

Sustentamos que elas não fizeram nada disso; e que, ao contrário, são essas “Fadas”—as belas, muito mais do que as hediondas—que, sob suas novas máscaras e nomes, ameaçam seriamente desarmar a Ciência e quebrar sua “Varinha”. A crença em “Espíritos” é legítima, porque se apoia na autoridade do experimento e da observação; ela justifica, além disso, outra crença, também considerada uma superstição: a saber, o Politeísmo.

Este último baseia-se em um fato da natureza: Espíritos confundidos com Deuses foram vistos em todas as épocas pelos homens—daí a crença em muitos e variados Deuses.

O Monoteísmo, por outro lado, apoia-se em uma pura abstração.

Quem viu DEUS—aquele Deus que queremos dizer, o Infinito e o Onipotente, aquele sobre quem os monoteístas tanto falam? O Politeísmo—uma vez que o homem reivindica o direito da interferência divina em seu favor—é lógico e consistente com as filosofias do Oriente, todas as quais, sejam panteístas ou deístas, proclamam o UM como uma abstração infinita, um Algo absoluto que transcende inteiramente a concepção do finito.

Certamente tal credo é mais filosófico do que aquela religião, cuja teologia, proclamando em um lugar Deus, um Ser misterioso e até mesmo Incompreensível, a quem “nenhum homem verá e viverá” (Êxodo, xxxiii, 20), mostra-o ao mesmo tempo tão humano e tão mesquinho um Deus a ponto de se preocupar com as calças de seu povo escolhido, enquanto negligencia dizer algo definitivo sobre a imortalidade de suas almas, ou sua sobrevivência após a morte!


Assim, a crença em uma Hoste e Hostes de entidades espirituais, habitando vários planos e esferas no Universo, em Seres intra-cósmicos conscientes, de fato, é lógica e razoável, enquanto a crença em um Deus extra-cósmico é um absurdo.

E se Jeová, que era tão ciumento quanto aos seus judeus e ordenou que não tivessem outro Deus senão ele mesmo, foi generoso o bastante para conceder a Faraó Moisés (“Vê, eu te constituí deus para Faraó; e Arão. . . . . teu profeta”—Êxodo, vii, 1) como divindade do monarca egípcio, por que não deveriam os “Pagãos” ter permissão de escolher seus próprios Deuses? Uma vez que acreditamos na existência de nossos Egos, bem podemos acreditar em Dhyan Chohans.

Como Hare afirma: "o homem é um ser misto, composto de um corpo espiritual e de um corpo carnal; os anjos são Espíritos puros, mais próximos de Deus, apenas por serem criados e finitos em todos os aspectos, enquanto Deus é infinito e incriado." E se Deus é isto último, então Deus não é um "Ser", mas um Princípio incorpóreo, que não deve ser antropomorfizado de forma blasfema.

Os anjos ou Dhyan Chohans são os "Viventes"; aquele Princípio, o "Autoexistente", o eterno e onipenetrante CAUSADOR de todas as causas, é apenas o númeno abstrato do "Rio da Vida", cujas ondas sempre rolantes criam anjos e homens igualmente, sendo os primeiros simplesmente "homens de uma espécie superior", como Young observa intuitivamente.

As massas da humanidade estão, portanto, bem justificadas em acreditar numa pluralidade de Deuses; nem é por chamá-los agora de espíritos, anjos e demônios que as nações cristãs são menos politeístas do que seus irmãos pagãos.

Os vinte ou trinta milhões dos atuais Espiritualistas e Espiritistas ministram aos seus mortos tão zelosamente quanto os chineses modernos e os –––––––––– "E far-lhes-ás calções de linho para cobrirem a nudez; desde os lombos até aos quadris chegarão" (Êxodo xxviii, 42). DEUS um mercador de linho e um alfaiate!! ––––––––––

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

Hindus ministram aos seus Houen, Bhûts e Pisachas — os pagãos, contudo, apenas para mantê-los quietos quanto a travessuras pós-morte.

[Os três parágrafos seguintes foram acrescentados em data posterior:]

Por outro lado, demonstramos plenamente no Proêmio de A Doutrina Secreta que a adoração de anjos e espíritos pelos Católicos Romanos e pelos Cristãos das Igrejas Orientais, representando várias centenas de milhões de homens, mulheres e crianças, que adoram também exércitos de Santos — é tão idólatra quanto qualquer adoração de ídolos na Índia e na China.

A única diferença que se pode ver é que os pagãos são sinceros ao chamar sua religião de politeísmo, enquanto as Igrejas — em companhia dos Espiritualistas Protestantes, conscientemente ou não — colocam uma máscara sobre a sua, reivindicando para ela o título de uma Igreja monoteísta.

Há uma filosofia no tratamento da questão dos espíritos na "idolatria" indiana que está conspicuamente ausente das definições ocidentais deles.

Os Devas são, por assim dizer, os poderes corporificados dos estados da matéria, mais refinados do que aqueles com os quais estamos familiarizados. Nos Vedas, os Deuses são mencionados como sendo em número de onze, onde cada um dos onze representa a classe à qual pertence.

Cada uma dessas classes é, por sua vez, subdividida em três, produzindo assim as trinta e três classes de Deuses primários, comuns tanto ao sistema hindu quanto ao búdico, como pode ser visto na referência à *Catena of Chinese Buddhism* de Beal.

Cada um desses trinta e três, subdividido novamente, admite uma divisão adicional quase indefinidamente, como as mônadas substanciais de Leibnitz; um fato que é expresso pelo –––––––––– O Houen na China é "a segunda Alma, ou Vitalidade humana, o princípio que anima o fantasma", como explicado por missionários da China; simplesmente o astral.

O Houen, no entanto, é tão distinto do "Antepassado" quanto os Bhuts são dos Pitris na Índia.

 Ver *A Doutrina Secreta*, Vol.

I, Livro I, Parte III: "Deuses, Mônadas e Átomos", pp. 610 e seguintes.

 Ver *Mitologias Chinesa, Birmanesa e Siamesa*.

–––––––––– número dos Deuses sendo dado pelos hindus como trinta e três crores (33 x 10.000.000). A chave para o significado esotérico desses Deuses permitiria à ciência física moderna, e especialmente à química, alcançar um progresso que de outra forma não alcançariam em mil anos vindouros, pois cada Deus tem uma conexão direta com, e um representante em, seu tecido corporal, por assim dizer, em átomos invisíveis e moléculas visíveis — partículas físicas e químicas. Embora se diga que esses Deuses são "superiores ao homem em alguns aspectos", não se deve concluir que as potências latentes do espírito humano sejam de forma alguma inferiores às dos Devas.


Suas faculdades são mais expandidas do que as do homem comum; mas com o efeito último de prescrever um limite à sua expansão, ao qual o espírito humano não está sujeito.

Esse fato foi bem simbolizado no Mahâbhârata pela vitória solitária de Arjuna, sob o nome de Nara (um homem), sobre toda a hoste de Devas e Deva-yonis (os Elementais inferiores). E encontramos referência ao mesmo poder no homem na Bíblia, pois São Paulo diz claramente à sua audiência: "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?" (I Coríntios, vi, 3), e fala do corpo astral do homem, o *soma psychikon*, e do corpo espiritual, *soma pneumatikon*, que "não tem carne nem ossos", mas ainda assim possui uma forma externa.

[As seguintes frases foram acrescentadas em data posterior:]

Um Adepto, ao submeter-se a um curso especial de treinamento e iniciação, pode alcançar o status de um Deva, mas por tal curso fica impedido de progredir adiante ao longo do verdadeiro caminho.

(Veja "O 'Elixir da Vida'" em *Five Years of Theosophy*.) A história de Nahusa oferece um vislumbre da verdade tal como é conhecida pelos Iniciados.

––––––––––       Veja novamente "Deuses, Mônadas e Átomos."       [O notável Ensaio sobre "O Elixir da Vida" apareceu originalmente em *The Theosophist*, Vol.

III, março e abril de 1882, e foi escrito sob ditado por Godolphin Mitford, que usou em outras ocasiões o pseudônimo de Moorad Alee Beg ou Mirza Murad Ali Beg.

Foi reimpresso várias vezes em diversas publicações.

bem como em um panfleto separado.—Compilador.] ––––––––––

PENSAMENTOS SOBRE OS ELEMENTAIS

A ordem de Seres chamada Devas—cuja variedade é tão grande que nenhuma descrição dela pode ser tentada aqui—é dada em alguns tratados ocultos.

Há Devas superiores e inferiores, Elementais mais elevados e aqueles muito abaixo do homem e até mesmo dos animais.

Mas todos estes foram ou serão homens, e os primeiros nascerão novamente em planetas superiores e em outros manvantaras.

Uma coisa, no entanto, pode ser mencionada.

Os Pitris, ou nossos "ancestrais lunares", e a comunicação dos mortais com eles, foram várias vezes mencionados pelos espiritualistas como um argumento de que os hindus acreditam em "Espíritos" e até os adoram. Este é um grande equívoco.

Não são os Pitris individualmente que jamais foram consultados, mas sua sabedoria acumulada coletivamente; sendo essa sabedoria mostrada mística e alegoricamente no lado luminoso da lua.

O que os brâmanes invocam não são "os espíritos" dos ancestrais falecidos—cujo significado completo do nome será encontrado no Vol.

II de *A Doutrina Secreta*, onde a gênese do homem é dada.

O espírito humano mais altamente desenvolvido sempre declarará, ao deixar seu invólucro de barro, "nacha punarâvarti"—"não voltarei"—e é assim colocado além do alcance de qualquer homem vivo.

Mas compreender plenamente a natureza dos ancestrais "lunares" e sua conexão com a "lua" exigiria a revelação de segredos ocultos que não se destinam à audiência pública.

Portanto, nada mais será dado além das poucas indicações que se seguem.

Um dos nomes da lua em sânscrito é Soma, que é também o nome, como é bem sabido, da bebida mística dos brâmanes e mostra a conexão entre os dois.

Um “bebedor de soma” alcança o poder de se colocar em contato direto com o lado luminoso da lua, derivando assim inspiração da energia intelectual concentrada dos abençoados ancestrais.

Essa “concentração”, sendo a lua um depósito dessa Energia, é o segredo cujo significado não deve ser revelado, além do mero fato de mencionar o contínuo derramamento sobre a terra, a partir do lado luminoso do orbe, de uma certa influência.

Aquilo que parece um único fluxo (aos ignorantes) é de natureza dupla — um dando vida e sabedoria, o outro sendo 204 BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

letal.

Aquele que consegue separar o primeiro do segundo, como Kalahamsa separou o leite da água que com ele estava misturada, demonstrando assim grande sabedoria — receberá sua recompensa.

A palavra Pitri significa, sem dúvida, o ancestral; mas aquilo que é invocado é a sabedoria lunar esotericamente, e não o “ancestral lunar”. Foi essa Sabedoria que foi invocada por Qu-ta-my, o caldeu, na Agricultura Nabateia, que escreveu “as revelações da Lua”. Mas há o outro lado disso.

Se a maioria das cerimônias religiosas bramânicas está ligada à lua cheia, assim também as cerimônias sombrias dos feiticeiros ocorrem na lua nova e no seu quarto minguante.

Pois, da mesma forma, quando o ser humano perdido, ou feiticeiro, atinge a consumação de sua carreira depravada, todo o Karma maligno e a inspiração maligna descem sobre ele como um íncubo sombrio de iniquidade vindo do “lado escuro da lua”, que é uma terra incógnita para a Ciência, mas uma terra bem explorada para o Adepto.

O Feiticeiro, o Dugpa, que sempre realiza seus ritos infernais no dia da lua nova, quando a influência benigna dos Pitris está em sua maré mais baixa, cristaliza parte da energia satânica de seus predecessores no mal e a volta para seus fins vis; enquanto o Bramane, por outro lado, segue um curso benevolente correspondente com a energia que lhe foi legada por seus Pitris . . . . Portanto, este é o verdadeiro Espiritualismo, cujo coração e alma foram inteiramente perdidos pelos espiritualistas modernos.

Quando o dia da revelação completa chegar, ver-se-á que as chamadas “superstições” do Bramanismo e dos antigos pagãos em geral eram meramente ciências naturais e psíquicas, veladas dos olhos profanos das multidões ignorantes, por medo de profanação e abuso, mediante disfarces alegóricos e simbólicos que a ciência moderna não conseguiu descobrir.

Sustentamos, então, que nenhum Teosofista jamais acreditou ou ajudou a difundir "superstições degradantes", tanto quanto qualquer outra Sociedade filosófica ou científica.

[O seguinte parágrafo foi acrescentado em data posterior:]

Se alguns Teosofistas — a maioria deles, de fato — confessam abertamente sua crença em Dhyân Chohans (homens desencarnados de

AS CARTAS DE JOHANN CASPAR LAVATER

outros Manvantaras anteriores), em Pitris (nossos verdadeiros e genuínos ancestrais) e nas hostes de outros espíritos — mundanos, sub-mundanos e supramundanos —, eles não fazem nada pior do que todo o mundo cristão fez, faz e fará. Dessa forma, são muito mais honrados do que aqueles que ocultam essa crença e a mantêm *sub rosa*.

A única diferença entre os "Espíritos" de outras Sociedades, Seitas e Corpos, e os nossos, reside em seus nomes e nas afirmações dogmáticas quanto às suas naturezas.

Naqueles a quem os milhões de Espiritualistas chamam de "Espíritos dos Mortos", e nos quais a Igreja Romana vê os demônios da Hoste de Satã — nós não vemos nem uns nem outros.

Nós os chamamos de Dhyan-Chohans, Devas, Pitris, Elementais superiores e inferiores — e os conhecemos como os "Deuses" dos Gentios, imperfeitos às vezes, nunca totalmente.

Cada ordem tem seu nome, seu lugar, suas funções designadas na natureza; e cada hoste é o complemento e a coroa de sua própria esfera particular, assim como o homem é o complemento e a coroa de seu globo; portanto, uma necessidade natural e lógica no Cosmos.

H. P. B.

––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME XII                AS CARTAS DE JOHANN CASPAR LAVATER                À IMPERATRIZ MARIA FEODOROVNA, ESPOSA DO                           IMPERADOR PAULO I DA RÚSSIA.

(Escritas no ano de 1798, e traduzidas dos autógrafos originais)

[Lucifer, Vols.

VI e VII, maio, junho, agosto e outubro de 1890]

Johann Caspar Lavater, o famoso Fisionomista, era filho de um hábil médico em Zurique e nasceu em 15 de novembro de 1741. Quando criança, tinha uma imaginação muito viva e entregava-se a devaneios silenciosos; ainda na escola, acreditava ter recebido resposta direta às suas orações.

Mais tarde, em Leipzig e Berlim, fez amizade com os eruditos e teólogos do norte da Alemanha e, ao retornar a Zurique, foi nomeado diácono e posteriormente primeiro pastor da igreja do orfanato local.


Até iniciar sua grande obra fisionômica, toda a sua energia foi dedicada ao serviço da religião, embora também tenha conquistado reputação suficiente como poeta.

A Biblioteca Imperial Pública de São Petersburgo deseja à Universidade de Jena sucesso em seus futuros empreendimentos, que até agora têm sido tão benéficos para a ciência durante os 300 anos de sua existência.

O Diretor da Biblioteca Imperial Pública de São Petersburgo.

(Assinado)                BARÃO KORF.

Membro do Conselho de Estado da Secretaria.

P.S.—A cópia do anexo foi confiada pelo Conselho da Biblioteca ao seu bibliotecário-chefe R. Meenoulof, que se considera muito feliz por ter tido a boa fortuna de descobrir, durante a recatalogação da biblioteca particular do Grão-Duque Constantino Nikolayevitch, em Pavlovsk, esta correspondência esquecida de Lavater.

A carta acima foi precedida pela seguinte explicação:—O palácio do Grão-Duque em Pavlovsk é a residência onde o Imperador Paulo passou os anos mais felizes de sua vida.

Mais tarde, tornou-se a residência favorita de sua augusta viúva, a jamais esquecida—por sua filantropia e beneficência à humanidade sofredora—a Imperatriz Maria Feodorovna.

A biblioteca do palácio, que deve sua existência a este augusto casal, contém uma coleção de obras notáveis e selecionadas.

Entre outras coisas, um pequeno pacote foi encontrado ali contendo algumas cartas autógrafas de Lavater, que até agora permaneceram desconhecidas para os biógrafos deste homem famoso.

Estas cartas foram escritas por ele em Zurique, em 1798. Dezesseis anos antes, Lavater teve a oportunidade de fazer o conhecimento do Grão-Duque Pavel (Paulo) Petrovitch e sua esposa, durante suas viagens incógnitos, sob os títulos de Conde e Condessa Severni (Norte), quando visitaram Zurique e Schaffhausen.

De 1796 a 1800, Lavater enviou suas descobertas fisionômicas à Rússia e, juntamente com elas, cartas, ou antes fragmentos em forma de cartas, de tendência espiritualista, com o objetivo de dar a melhor concepção geral possível sobre o estado da alma após a morte do corpo.

Lavater admite que a alma do morto pode transmitir seus

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS pensamentos a uma mente receptiva e escolhida (agora chamada de médium), e assim comunicar-se com e escrever cartas aos amigos que deixou na terra, e dar-lhes uma ideia de sua existência no reino dos espíritos.

Em suas cartas, Lavater fala de suas convicções religiosas com grande entusiasmo. A publicação de algumas dessas cartas, com a permissão do Grão-Duque Constantino Nikolaevitch, permitirá ao público conhecer melhor a alma simpática e elevada de Lavater.

Quanto ao restante, e à correspondência que contém suas observações fisionômicas, devido à sua natureza privada e extensão, não podem ser tornadas públicas. As que agora são oferecidas ao público foram traduzidas diretamente das cartas autógrafas em São Petersburgo.—[ED.]

[H.P.B. acrescentou notas de rodapé a várias expressões de Lavater e a certas afirmações que ocorrem nas três cartas supostamente escritas por um “Espírito” descarnado que se assina “Makariozenagath”. As expressões às quais as notas são acrescentadas aparecem entre colchetes.]

[todo espírito, coordenadamente com seu caráter pessoal] Evidentemente, o grande fisionomista suíço conhecia melhor a natureza dos homens vivos do que a dos espíritos desencarnados, pois atribui a estes uma personalidade de características humanas!     [cada Espírito . . . . enobrecendo sua personalidade] O que diria Lavater, com ideias tão exaltadas e elevadas, embora um tanto antropomórficas, sobre almas desencarnadas, às “mensagens” inanes e muitas vezes insensatas do Mundo Espiritual através do médium profissional moderno? O que pensaria das materializações de Lillies de “três dedos”, dos John Kings que bebem ponche e chá e do restante da tripulação astral? Assim, parece que as cartas de Espíritos eram conhecidas antes do nascimento do Espiritualismo moderno     [nossa luz irradia suavemente ao redor da cabeça de todo bom, amoroso e verdadeiro cristão] Sentimentos sectários até mesmo nos Espíritos ––––––––––     Assim, apenas duas ou três das cartas de Lavater foram enviadas para publicação em 1881, sendo o restante retido.

––––––––––

JOHANN KASPAR LAVATER                                             1741-                     AS CARTAS DE JOHANN CASPAR LAVATER

[estimulamos nele ideias que, sem nossa influência, jamais poderiam ter entrado em sua cabeça] Tais são os caminhos e o modus operandi dos Dhyanis Planetários e dos Nirmanakayas, mas não exatamente os de espíritos desencarnados de ex-“personalidades”. Contudo, grande e santo, de fato, deve ser o homem ou a mulher que se torna digno de tais visitantes! Como regra geral, tal influência é exercida sobre o eu inferior pelo próprio Ego de cada um, um Espírito certamente, mas não “desencarnado”. [assim, um homem altamente digno . . . torna-se dessa maneira um . . . agente para o espírito] Qual dos médiuns profissionais corresponde a essa descrição? Seriam os bêbados e epiléticos que todos conhecemos, ou de que ouvimos falar, que são pessoas tão “altamente dignas”? [Eu me elevo e pouso sobre ele . . .] O “Espírito” dificilmente é da classe modesta.

O estilo de suas cartas é o do próprio Lavater; e não temos dúvida de que foram escritas por ele em estado de transe, sem que ele próprio o soubesse.

[Espíritos . . . vivem privados de seu livre-arbítrio, sujeitos apenas à vontade do Todo-Poderoso] Certamente, tal estado de irresponsabilidade não é nada a ser invejado nem desejado.

Que tipo de Espíritos “libertados” são esses! [após uma passagem particularmente fantástica, cheia de visões] Dificilmente se reconheceria o gênio e o notável intelecto de Lavater nessa efusão acima.

Seria mais apropriado assinar esta carta com o nome de um dos “Exército” do General Booth. [por fim, a fala nos retornou] Que tipo de concepção de Espírito e de Espíritos tinha o grande Lavater, se ele podia aceitar toda essa descrição fisiológica das emoções pós-morte como uma narrativa fidedigna de uma alma desencarnada? Um “Espírito” estranho, este! [um Ser diante do qual se curva todo o Universo] Tememos que isso seja um ligeiro exagero dos fatos.

O Espírito parece esquecer os milhões de “pagãos”. De fato, somos forçados a suspeitar que o venerável Espírito Makariozenagath seja o Espírito desencarnado de um pregador metodista.

[de milhares de coisas . . . talvez não haja uma que eu ouse mencionar] Isso está apenas na ordem das coisas.


Quem há que se vanglorie de ter recebido de um “Espírito” comunicante qualquer informação inteiramente nova, nunca antes ouvida, e ainda assim correta e útil para a ciência em geral, ou para a humanidade em particular? [seu sentimento religioso penetra nosso ser e sua infidelidade nos repele] Discordamos da última proposição, embora estejamos plenamente dispostos a concordar com a primeira.

As respectivas crenças religiosas de seus médiuns devem “penetrar” os “espíritos” comunicantes, se nos é permitido julgar pelos resultados.

Enquanto um “anjo-guia” que “retorna” concede, digamos, a um médium e a uma plateia católicos romanos as benditas verdades da Imaculada Conceição e ensina a reencarnação, outro “anjo-controlador” denunciará, na presença de protestantes e espiritualistas ingleses, esta última doutrina como “absurdo pagão não filosófico” e zombará abertamente da doutrina do renascimento.

[a luz é . . . o mistério . . . que não pode ser compreendido por nenhum mortal] E, no entanto, é bastante conhecido dos ocultistas e até de muitos cabalistas avançados, sem mencionar aqueles que compreendem o verdadeiro significado da Alquimia e de suas transmutações.

É evidente que a palavra “luz” é usada para designar a aura, ou aquela emanação radiante de objetos animados e inanimados que Reichenbach chama de Od. Mas a presença disso em pessoas vivas, ao menos, é bem conhecida até mesmo de bons clarividentes e sensitivos, ou médiuns, que a veem, embora raramente sejam capazes de entender e analisar corretamente suas cintilações.

[não temos autoridade para compelir ou sujeitar ao nosso poder qualquer ser humano, cuja vontade é inteiramente independente da nossa vontade] Os guias-anjos e controladores do médium moderno falam de maneira diferente.

O que exigem daqueles que “cobrem com sua sombra” e invadem, como um ladrão noturno, é passividade absoluta e nenhum exercício do livre-arbítrio, pois isso é fatal para os espíritos.

[o “Espírito” cita Mateus, xvi, 19: “E tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu.”] Exatamente; apenas essas palavras dificilmente se aplicam a Pedro, o Apóstolo,

AS CARTAS DE JOHANN CASPAR LAVATER

mas sim a Pedro, o símbolo do mistério entre a Alma (o manas inferior, terreno) e o Espírito (o Manas Superior ou Ego), o Cristo interior no homem.

O “Espírito de Deus” do qual se fala é evidentemente nosso “Ego Superior”, a única Entidade divina sobre a qual agem e reagem todos os atos da Personalidade terrestre.

Mas este é um ensinamento teosófico com o qual poucos estão familiarizados, para torná-lo objeto de uma longa dissertação.

––––––––––

NOTA DO EDITOR

Duas palavras aos incautos, que creem na comunhão de espíritos desencarnados com homens mortais.

Traduzimos as cartas acima verbatim, apesar de suas cansativas repetições, e as apresentamos em toda a sua pieguice e gigantesco sentimentalismo diante dos leitores de Lucifer.

E agora perguntamos: há nelas uma única frase que possa ser considerada nova ou útil para a humanidade, ou mesmo para a Imperatriz mortal em benefício da qual foram escritas? Terá o piedoso e cristão-sentimental Makariozenagath fornecido a menor informação sobre aquele além "do qual nenhum viajante retorna", acrescentado um átomo de informação nova ao conhecimento geral do mundo, ou beneficiado com isso homem, mulher ou criança? Escritas por Lavater, que foi inegavelmente um homem de gênio e de grande conhecimento científico; alguém cuja sinceridade não poderia ser mais questionada do que o horror de um homem honesto por qualquer engano dessa natureza — o que devemos pensar dessas cartas escritas pelo espírito de um morto a um amigo na Terra? Quão difícil é para uma mente, distorcida por preconceitos teológicos, exercer um julgamento correto, ou visão, na experiência psíquica da qual possa ser sujeito! Vemos isso claramente no caso de Swedenborg, que arruinou o que poderia ter sido uma visão verdadeira, revestindo tudo o que via com esse mesmo miserável traje teológico.

Assim também com o amigo de Lavater; no momento em que teve experiência do reino além dos cinco sentidos, imediatamente se imaginou com o Deus e os anjos de seu imaginário céu, e trabalhou nos detalhes com suas próprias preconcepções.


É curioso como todos esses psíquicos não treinados veem cada um nos termos de sua própria religião ou teoria, e porque experimentam alguma sensação nova, ficam imediatamente convencidos da verdade absoluta de sua experiência.

Conhecemos uma dúzia de pessoas que acreditam com toda a alma ter feito íntimo conhecimento de Jeová (!), e lhe dirão como ele está vestido, até nos mínimos detalhes de sua toilette; outras ainda, uma classe mais numerosa, que são amigos psíquicos íntimos de Jesus Cristo (!!); e assim por diante. O mundo "cruel e insensível" as chama de "excêntricos", e Lúcifer, por mais que em regra dê pouco valor à opinião da maioria, deve endossar seu veredito, acrescentando que as comunicações dos "queridos Espíritos" até o presente devem ser grosseiramente catalogadas sob o título de "bobagem".

––––––––––                     Escritos Reunidos VOLUME XII                       [REGRAS PARA OS RESIDENTES DA                           SEDE DE LONDRES]        [As seguintes Regras foram estabelecidas por H.P.B. em 19 Avenue Road, a Sede de Londres da    Sociedade Teosófica.

Sua data aproximada é a Primavera de 1890. Elas vieram à luz quando,    muitos anos depois, Digby Besant enviou uma cópia delas à S.T. inglesa, e foram publicadas em    News and Notes, Londres, julho-agosto de 1949.]

REGRAS

QUE DEVEM SER OBSERVADAS POR TODOS OS MEMBROS                   RESIDENTES NA SEDE DA SOCIEDADE TEOSÓFICA                                  NA EUROPA.

I

A hora mais tardia para levantar-se pela manhã, durante todas as estações do ano, é 8 horas.

II.

O café da manhã deve ser concluído às 9 A.M., hora em que a mesa será limpa.

REGRAS PARA A SEDE DE LONDRES

III.

Todas as luzes devem ser apagadas antes de ir para a cama, e tanto nas salas de estar quanto nos quartos devem ser reduzidas ou extintas quando não estiverem em uso.

IV.

Todas as luzes devem ser apagadas até as 12 (meia-noite), sendo feitos arranjos especiais em quaisquer casos excepcionais.

V.

O banheiro não deve ser usado entre 11:30 P.M. e 6 A.M.                                                VI.

Os membros podem convidar amigos para compartilhar as refeições comuns, dando aviso por escrito à Governanta nos formulários fornecidos para esse fim, e pagando 1/- pelo café da manhã, almoço ou chá, e 1/6 pelo jantar.

Os visitantes devem sair até as 11:30 P.M., e todo o gás deve ser extinto e as portas trancadas até as 11:45.

VII.

Os membros devem, pela manhã, notificar no livro fornecido para esse fim, as ausências pretendidas das refeições.

Após as 10 P.M., qualquer membro que necessitar de chá ou café deve prepará-lo ou aquecê-lo para si mesmo no fogão a gás na cozinha dos fundos.

––––––––––

Regularidade na vida consiste em regularidade na fala e na ação, e estas não podem existir separadas da regularidade no pensamento e no sentimento.

Na Teosofia Prática, portanto, é necessário que estas cinco condições coexistam, a saber:

PENSAMENTO RETO,                                       SENTIMENTO RETO,             FALA RETA,                                    AÇÃO RETA,                    VIDA                                     RETA.

Escritos Reunidos VOLUME XII 214                       BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA                             [Lucifer, Vol.

VI, 34, junho de 1890, pp. 265-275]

“. . . . Inicie a pesquisa onde a conjectura moderna fecha                                            suas asas infiéis.”                                                                             —Bulwer-Lytton, Zanoni.

“A negação categórica de ontem tornou-se o axioma científico                                            de hoje.”                                                                            —Aforismos do Senso Comum.

Milhares de anos atrás, os Dáctilos Frígios, os sacerdotes iniciados, chamados de “magos e exorcistas das doenças”, curavam enfermidades por processos magnéticos.

Afirmava-se que eles haviam obtido esses poderes curativos do poderoso sopro de Cibele, a deusa de muitos seios, filha de Coelus e Terra.

De fato, sua genealogia e os mitos a ela ligados mostram Cibele como a personificação e o tipo da essência vital, cuja fonte foi localizada pelos antigos entre a Terra e o céu estrelado, e que era considerada a própria fons vitae de tudo o que vive e respira.

O ar das montanhas, estando mais próximo dessa fonte, fortalece a saúde e prolonga a existência do homem; por isso, a vida de Cibele, quando criança, é mostrada em seu mito como tendo sido preservada em uma montanha.

Isso foi antes que aquela Magna e Bona Dea, a prolífica Mater, se transformasse em Ceres-Deméter, a padroeira dos Mistérios de Elêusis.

O magnetismo animal (agora chamado de Sugestão e Hipnotismo) era o principal agente nos mistérios teúrgicos, assim como nos Asclepieia — os templos de cura de Esculápio, onde os pacientes, uma vez admitidos, eram tratados, durante o processo de “incubação”, magneticamente, durante o sono.

Esta Força criativa e vivificante — negada e ridicularizada quando chamada de magia teúrgica; acusada no último século de ser baseada principalmente em superstição e fraude, sempre que referida como mesmerismo — é agora chamada de Hipnotismo, Charcotismo, Sugestão, "psicologia", e o que mais

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

não.

Mas, qualquer que seja a expressão escolhida, será sempre imprecisa se usada sem a devida qualificação.

Pois quando epitomizada com todas as suas ciências colaterais — que são todas ciências dentro da ciência — descobrir-se-á que contém possibilidades cuja natureza jamais foi sequer sonhada pelos mais antigos e eruditos professores da ciência física ortodoxa.

Estes últimos, as assim chamadas "autoridades", não são, na verdade, melhores do que inocentes crianças carecas, quando confrontados com os mistérios do "mesmerismo" antediluviano. Como foi repetidamente afirmado antes, as flores da magia, sejam brancas ou negras, divinas ou infernais, brotam todas de uma única raiz.

O "sopro de Cibele" — Akâ a-tattva na Índia — é o único agente principal, e subjaz aos assim chamados "milagres" e fenômenos "sobrenaturais" em todas as épocas, como em todos os climas.

Assim como a raiz-mãe ou essência é universal, assim também são seus efeitos inumeráveis.

Mesmo os maiores adeptos dificilmente podem dizer onde suas possibilidades devem cessar.

A chave para o próprio alfabeto desses poderes teúrgicos foi perdida depois que o último gnóstico foi caçado até a morte pela perseguição feroz da Igreja; e, à medida que gradualmente os Mistérios, Hierofantes, Teofania e Teurgia foram obliterados das mentes dos homens, até permanecerem neles apenas como uma vaga tradição, tudo isso foi finalmente esquecido.

Mas no período do Renascimento, na Alemanha, um erudito Teosofista, um Filósofo per ignem, como se autodenominavam, redescobriu alguns dos segredos perdidos dos sacerdotes frígios e dos Asclepieia.

Foi o grande e infeliz médico-ocultista, Paracelso, o maior Alquimista da época.

Foi esse gênio que, durante a Idade Média, foi o primeiro a recomendar publicamente a ação do ímã na cura de certas doenças.

Teofrasto Paracelso — o "charlatão" e "impostor bêbado" na opinião dos ditos "crianças carecas" científicas de seus dias, e de seus sucessores nos nossos — inaugurou, entre outras coisas, no século XVII, aquilo que se tornou um ramo lucrativo do comércio no século XIX.

Foi ele quem inventou e usou para a cura de várias doenças musculares e nervosas braceletes, braçadeiras, cintos, anéis, colares e perneiras magnetizados; apenas seus ímãs curavam de forma muito mais eficaz do que os cintos elétricos de hoje.


Van Helmont, o sucessor de Paracelso, e Robert Fludd, o Alquimista e Rosacruz, também aplicavam ímãs no tratamento de seus pacientes.

Mesmer no século XVIII, e o Marquês de Puységur no século XIX, apenas seguiram seus passos.

No grande estabelecimento de cura fundado por Mesmer em Viena, ele empregava, além do magnetismo, eletricidade, metais e uma variedade de madeiras.

Sua doutrina fundamental era a dos Alquimistas.

Ele acreditava que os metais, assim como as madeiras e as plantas, têm todos uma afinidade com, e mantêm uma estreita relação com, o organismo humano.

Tudo no Universo se desenvolveu a partir de uma substância primordial homogênea, diferenciada em incalculáveis espécies de matéria, e tudo está destinado a retornar a ela.

O segredo da cura, ele sustentava, reside no conhecimento das correspondências e afinidades entre átomos afins.

Encontre aquele metal, madeira, pedra ou planta que tenha a maior afinidade correspondencial com o corpo do sofredor; e, seja por uso interno ou externo, esse agente particular, transmitindo ao paciente força adicional para combater a doença— (desenvolvida geralmente pela introdução de algum elemento estranho na constituição)—e expulsá-la, levará invariavelmente à sua cura.

Muitas e maravilhosas foram essas curas efetuadas por Anton Mesmer.

Pacientes com doenças cardíacas foram curados.

Uma dama de alta posição, condenada à morte, foi completamente restaurada à saúde pela aplicação de certas madeiras simpáticas.

O próprio Mesmer, sofrendo de reumatismo agudo, curou-o completamente usando ímãs especialmente preparados.

Em 1774, ele também se deparou com o segredo teúrgico da transmissão vital direta; e tão interessado ficou, que abandonou todos os seus métodos antigos para se dedicar inteiramente à nova descoberta.

Doravante, ele mesmerizava pelo olhar e passes, sendo os ímãs naturais abandonados.

Os efeitos misteriosos de tais manipulações foram por ele chamados—magnetismo animal.

Isso trouxe a Mesmer uma massa de seguidores e discípulos.

A nova força

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

foi experimentada em quase todas as cidades e vilas da Europa e encontrada em toda parte como um fato real.

Por volta de 1780, Mesmer estabeleceu-se em Paris, e logo toda a metrópole, da família real até a última burguesa histérica, estava a seus pés.

O clero assustou-se e gritou—"o Diabo"! Os "sanguessugas" licenciados sentiram um déficit crescente em seus bolsos; e a aristocracia e a Corte viram-se à beira da loucura por mero excitamento.

Não é preciso repetir fatos demasiado conhecidos, mas a memória do leitor pode ser refrescada com alguns detalhes que ele talvez tenha esquecido.

Aconteceu que, justamente nessa época, a Ciência Acadêmica oficial sentia-se muito orgulhosa.

Após séculos de estagnação mental no reino da medicina e de ignorância geral, alguns passos decididos na direção do conhecimento real haviam finalmente sido dados.

As ciências naturais haviam alcançado um sucesso decidido, e a química e a física estavam em bom caminho de progresso.

Como os Sábios de um século atrás ainda não haviam crescido até aquela altura de sublime modéstia que caracteriza tão preeminentemente seus sucessores modernos—sentiam-se muito inchados com sua grandeza.

O momento para a humildade louvável, seguida de uma confissão da insignificância relativa do conhecimento do período—e até mesmo do conhecimento moderno, aliás—comparado àquilo que os antigos sabiam, ainda não havia chegado.

Aqueles eram dias de jactância ingênua, dos pavões da ciência exibindo em conjunto suas caudas, e exigindo reconhecimento e admiração universais.

Os Oráculos Senhores não eram tão numerosos quanto agora, contudo seu número era considerável.

E, de fato, não haviam os Dulcamaras das feiras públicas acabado de ser visitados com ostracismo? Não haviam os sanguessugas quase desaparecido para dar lugar a médicos diplomados com licenças reais para matar e enterrar a piacere ad libitum? Portanto, o "Imortal" que assentia em sua cadeira acadêmica era considerado a única autoridade competente na decisão de questões que nunca estudara, e para proferir veredictos sobre aquilo de que nunca ouvira falar. Era o REINO DA RAZÃO, e da Ciência—em sua adolescência; o começo da grande luta mortal entre Teologia e Fatos, Espiritualidade e Materialismo.


Nas classes educadas da Sociedade, demasiada fé havia sido sucedida por nenhuma fé.

O ciclo da adoração à Ciência acabara de se instalar, com suas peregrinações à Academia, o Olimpo onde os "Quarenta Imortais" estão consagrados, e suas incursões contra todo aquele que se recusasse a manifestar uma ruidosa admiração, uma espécie de entusiasmo bezerro juvenil, à porta do Templo da Ciência.

Quando Mesmer chegou, Paris dividia sua lealdade entre a Igreja, que atribuía todos os tipos de fenômenos, exceto seus próprios milagres divinos, ao Diabo, e a Academia, que não acreditava nem em Deus nem no Diabo, mas apenas em sua própria sabedoria infalível.

Mas havia mentes que não se satisfaziam com nenhuma dessas crenças.

Portanto, depois que Mesmer forçou toda Paris a se aglomerar em seus salões, esperando horas para obter um lugar na cadeira em torno do miraculoso baquet, algumas pessoas pensaram que era hora de se descobrir a verdade real.

Eles depositaram seus legítimos desejos aos pés reais, e o Rei imediatamente ordenou que sua erudita Academia investigasse o assunto.

Foi então que, despertando de seu sono crônico, os "Imortais" nomearam um comitê de investigação, do qual fazia parte Benjamin Franklin, e escolheram alguns dos mais velhos, sábios e calvos entre seus "Infantes" para supervisionar o Comitê.

Isso foi em 1784. Todos sabem qual foi o relatório deste último e a decisão final da Academia.

Toda a transação agora parece um ensaio geral da peça, um dos atos da qual foi realizado pela "Sociedade Dialética" de Londres e por alguns dos maiores Cientistas da Inglaterra, cerca de oitenta anos depois.

De fato, apesar de um contra-relatório do Dr. Jussieu, um Acadêmico do mais alto escalão, e do médico da corte Deslon, que, como testemunhas oculares dos fenômenos mais notáveis, exigiram que uma investigação cuidadosa fosse feita pela Faculdade de Medicina sobre os efeitos terapêuticos do fluido magnético — sua exigência fracassou.

A Academia não acreditou em seus mais eminentes Cientistas.

Até mesmo Sir B. Franklin, tão familiarizado com a eletricidade cósmica, não reconheceria sua fonte e origem primordial, e

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

junto com Bailly, Lavoisier, Magendie e outros, proclamou o Mesmerismo uma ilusão.

Tampouco a segunda investigação que se seguiu à primeira — nomeadamente em 1825 — teve melhores resultados.

O relatório foi mais uma vez suprimido (vide Ísis sem Véu, Vol.

I, pp. 171-176). Mesmo agora, quando a experimentação já demonstrou amplamente que o “Mesmerismo” ou magnetismo animal, hoje conhecido como hipnotismo (um efeito lamentável, por certo, do “Sopro de Cibele”), é um fato, ainda vemos a maioria dos cientistas negando sua existência real.

Por menor que seja diante da majestosa gama de fenômenos psico-magnéticos experimentais, até o hipnotismo parece demasiado incrível, demasiado misterioso, para os nossos darwinistas e haeckelianos.

É preciso demasiada coragem moral, veja bem, para enfrentar a suspeita dos colegas, a dúvida do público e o risinho dos tolos. “Mistério e charlatanismo andam de mãos dadas”, dizem eles; e “o respeito próprio e a dignidade da profissão”, como observa Magendie em sua *Physiologie Humaine*, “exigem que o médico bem informado se lembre de quão facilmente o mistério se desliza para a charlatanice.” Pena que o “médico bem informado” não se lembre de que a fisiologia, entre outras coisas, está repleta de mistério — mistério profundo, inexplicável, de A a Z — e não pergunte se, partindo do “truísmo” acima, ele não deveria lançar ao mar a Biologia e a Fisiologia como as maiores peças de charlatanice da Ciência moderna.

No entanto, alguns poucos da minoria bem-intencionada de nossos médicos têm levado a sério a investigação do hipnotismo.

Mas mesmo eles, tendo sido relutantemente compelidos a confessar a realidade de seus fenômenos, ainda persistem em ver em tais manifestações nenhum fator mais elevado em ação do que as forças puramente materiais e físicas, e negam a estas o seu legítimo nome de magnetismo animal.

Mas, como o Rev.

Sr. Haweis (de quem falaremos mais adiante) acabou de dizer no *Daily Graphic*... “Os fenômenos de Charcot são, apesar de tudo, em muitos aspectos idênticos aos fenômenos mesméricos, e o hipnotismo deve propriamente ser considerado antes como um ramo do mesmerismo do que como algo distinto dele. De qualquer forma, os fatos de Mesmer, agora geralmente aceitos, foram a princípio veementemente negados.” E ainda o são.


Mas enquanto negam o Mesmerismo, eles se lançam ao Hipnotismo, apesar dos perigos agora cientificamente reconhecidos dessa ciência, na qual os médicos praticantes na França estão muito à frente dos ingleses.

E o que os primeiros dizem é que, entre os dois estados do mesmerismo (ou magnetismo, como o chamam do outro lado do oceano) e do hipnotismo, "há um abismo". Que um é benéfico, o outro maléfico, como evidentemente deve ser; pois, segundo tanto o Ocultismo quanto a Psicologia moderna, o hipnotismo é produzido pela retirada do fluido nervoso dos nervos capilares, que, sendo, por assim dizer, as sentinelas que mantêm abertas as portas de nossos sentidos, ao ficarem anestesiados sob condições hipnóticas, permitem que estas se fechem.

A. E. Simonin revela muitas verdades salutares em sua excelente obra, *Solution du problème de la suggestion hypnotique*. Assim, ele mostra que, enquanto "no Magnetismo (mesmerismo) ocorre no sujeito um grande desenvolvimento das faculdades morais"; que seus pensamentos e sentimentos "tornam-se mais elevados, e os sentidos adquirem uma acuidade anormal"; no hipnotismo, ao contrário, "o sujeito torna-se um simples espelho." É a Sugestão que é o verdadeiro motor de toda ação no hipnótico: e se, ocasionalmente, "ações aparentemente maravilhosas são produzidas, estas se devem ao hipnotizador, não ao sujeito." Novamente... "No hipnotismo, o instinto, i.e., o animal, atinge seu maior desenvolvimento; tanto assim, de fato, que o aforismo 'os extremos se tocam' nunca pode receber melhor aplicação do que ao magnetismo e ao hipnotismo." Quão verdadeiras são também estas palavras quanto à diferença entre os sujeitos mesmerizados e os hipnotizados.

"Em um, sua natureza ideal, seu eu moral — o reflexo de sua natureza divina — são levados aos seus limites extremos, e o sujeito torna-se quase um ser celestial (*un ange*). No outro, são seus instintos que se desenvolvem de maneira surpreendente.

O hipnótico rebaixa-se ao nível do animal.

De um ponto de vista fisiológico, o magnetismo ('Mesmerismo') é reconfortante e curativo, e o hipnotismo, que é apenas o resultado de um estado desequilibrado, é — muito perigoso." –––––––––– Ver a resenha de sua obra no *Journal du Magnétisme*, maio, junho de 1890, fundado em 1845 pelo Barão Dupotet, e agora editado por H. Durville, em Paris.

––––––––––

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

Assim, o relatório adverso elaborado por Bailly no final do século passado teve efeitos terríveis no presente, mas teve também o seu Carma.

Destinado a matar a mania "mesmérica", reagiu como um golpe mortal à confiança pública nos decretos científicos.

Em nossos dias, o *Non-Possumus* dos Colégios Reais e Academias é cotado na Bolsa da opinião mundial a um preço quase tão baixo quanto o *Non-Possumus* do Vaticano.

Os dias da autoridade, seja humana ou divina, deslizam rapidamente para longe; e já vemos brilhar nos horizontes futuros um único tribunal, supremo e final, diante do qual a humanidade se curvará — o Tribunal dos Fatos e da Verdade.

Sim, a este tribunal sem apelação até mesmo clérigos liberais e pregadores famosos fazem reverência em nossos dias.

Os papéis agora mudaram de mãos, e em muitos casos são os sucessores daqueles que lutaram com unhas e dentes pela realidade do Diabo e sua interferência direta nos fenômenos psíquicos, por longos séculos, que saem publicamente para repreender a ciência.

Um exemplo notável disso encontra-se numa excelente carta (há pouco mencionada) do Rev. Sr. Haweis ao *Graphic*.

O erudito pregador parece compartilhar nossa indignação diante da injustiça dos cientistas modernos, diante de sua supressão da verdade e ingratidão para com seus antigos mestres.

Sua carta é tão interessante que seus melhores pontos devem ser imortalizados em nossa revista.

Aqui estão alguns fragmentos dela. Assim ele pergunta: — Por que nossos homens de ciência não podem dizer: "Erramos quanto ao Mesmerismo; é praticamente verdadeiro"? Não porque sejam homens de ciência, mas simplesmente porque são humanos.

Sem dúvida, é humilhante quando se dogmatizou em nome da ciência dizer: "Eu estava errado." Mas não é mais humilhante ser descoberto; e não é mais humilhante, depois de se esquivar e se contorcer desesperadamente nas inexoráveis malhas de fatos cerrados, desmoronar subitamente e chamar a odiada rede de "recinto adequado", no qual, por certo, você não se importa de ser capturado? Ora, isto, ao que me parece, é precisamente o que os Srs. Charcot e os hipnotistas franceses e seus admiradores médicos na Inglaterra estão fazendo.

Desde a morte de Mesmer aos oitenta anos, em 1815, a "Faculdade" francesa e inglesa, com algumas honrosas exceções, ridicularizou e negou tanto os fatos quanto as teorias de Mesmer, mas agora, em 1890, uma hoste de cientistas de repente concorda, enquanto apaga 222 BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

melhor que possam o nome de Mesmer, para roubar-lhe todos os seus fenômenos, que eles silenciosamente apropriam sob o nome de 'hipnotismo', 'sugestão', 'Magnetismo Terapêutico', 'Massagem Psicopática', e todo o resto. Bem, 'O que há em um nome'? Importo-me mais com as coisas do que com os nomes, mas reverencio os pioneiros do pensamento que foram expulsos, pisoteados e crucificados pelos ortodoxos de todas as épocas, e penso que o mínimo que os cientistas podem fazer por homens como Mesmer, Dupotet, Puységur, ou Mayo e Elliotson, agora que se foram, é "erguer seus sepulcros".

Mas o Sr. Haweis poderia ter acrescentado, em vez disso, que os hipnotizadores amadores da Ciência cavam com suas próprias mãos as sepulturas do intelecto de muitos homens e mulheres; eles escravizam e paralisam o livre-arbítrio em seus "sujeitos", transformam homens imortais em autômatos sem alma, irresponsáveis, e vivisseccionam suas almas com tanta indiferença quanto vivisseccionam os corpos de coelhos e cães.

Em suma, estão rapidamente florescendo em "feiticeiros, e estão transformando a ciência em um vasto campo de magia negra.

O Rev. escritor, no entanto, deixa os culpados escaparem facilmente; e, observando que aceita "a distinção" [entre Mesmerismo e Hipnotismo] "sem se comprometer com qualquer teoria", acrescenta:— Estou principalmente preocupado com os fatos, e o que quero saber é por que essas curas e estados anormais são alardeados como descobertas modernas, enquanto a "faculdade" ainda zomba ou ignora seus grandes predecessores sem terem eles próprios uma teoria sobre a qual possam concordar ou um único fato que possa ser chamado de novo.

A verdade é que estamos apenas tropeçando de volta com labuta para refazer as antigas minas desusadas dos antigos; a redescoberta dessas ciências ocultas é exatamente igualada pela lenta recuperação da escultura e da pintura na Europa moderna.

Aqui está a história da ciência oculta em poucas palavras.

(1) Outrora conhecida.

(2) Perdida.

(3) Redescoberta.

(4) Negada.

(5) Reafirmada, e por lentos graus, sob novos nomes, vitoriosa.

A evidência para tudo isso é exaustiva e abundante.

Aqui pode bastar notar que Diodoro Sículo menciona como os sacerdotes egípcios, séculos antes de Cristo, atribuíam a Ísis a clarividência induzida para fins terapêuticos.

Estrabão atribui o mesmo a Serápis, enquanto Galeno menciona um templo perto de Mênfis famoso por essas curas hipnóticas.

Pitágoras, que conquistou a confiança dos sacerdotes egípcios, está repleto dela. Aristófanes, em *Plutus* [728], descreve com algum detalhe uma cura mesmérica: 6"4 BDäJ" :¥ ¬ J-l 6,N"8-l ¦NºR"J@ etc., "e primeiro começou a manusear a cabeça." Célio Aureliano descreve manipulações (1569) para a doença, 'conduzindo as

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

mãos das partes superiores às inferiores'; e havia um antigo provérbio latino—*ubi dolor ibi digitus*, "Onde há dor, aí está o dedo." Mas faltar-me-ia tempo para falar de Paracelso (1462) e seu "profundo segredo do Magnetismo"; de Van Helmont (1644) e sua "fé no poder da mão na doença." Muito dos escritos de ambos só se tornou claro para os modernos através das experiências de Mesmer, e diante dos hipnotistas modernos, é claramente com ele e seu discípulo que temos principalmente a ver. Ele alegava, sem dúvida, transmitir um fluido magnético animal, o que creio que os hipnotistas negam.

Negam, negam. Mas assim fizeram os cientistas com relação a mais de uma verdade.

Negar "um fluido magnético animal" certamente não é mais absurdo do que negar a circulação do sangue, como eles tão energicamente fizeram.

Alguns detalhes adicionais sobre o Mesmerismo fornecidos pelo Sr. Haweis podem ser interessantes.

Assim, ele nos recorda a resposta escrita pelo muito injustiçado Mesmer aos Acadêmicos após seu Relatório desfavorável, e a refere como "palavras proféticas."      'Dizeis que Mesmer nunca mais levantará a cabeça.

Se tal é o destino do homem, não é o destino da verdade, que é por sua natureza imperecível, e brilhará mais cedo ou mais tarde no mesmo ou em outro país com mais brilho do que nunca, e seu triunfo aniquilará seus miseráveis detratores.' Mesmer deixou Paris com desgosto e retirou-se para a Suíça para morrer; mas o ilustre Dr. Jussieu tornou-se um convertido.

Lavater levou o sistema de Mesmer para a Alemanha, enquanto Puységur e Deleuze o espalharam pela França provincial, formando inúmeras 'sociedades harmônicas' dedicadas ao estudo do magnetismo terapêutico e seus fenômenos aliados de transmissão de pensamento, hipnotismo e clarividência.

Há uns vinte anos, travei conhecimento com talvez o mais ilustre discípulo de Mesmer, o idoso Barão Dupotet. Em torno deste ––––––––––      Esta data é um erro.

Paracelso nasceu em Zurique em 1493.      Esta é a data da morte de Van Helmont; ele nasceu em 1577.      O Barão Dupotet foi por anos Membro Honorário da Sociedade Teosófica.

Cartas autógrafas foram recebidas dele e preservadas em Adyar, nossa Sede, nas quais ele deplora a maneira frívola e anticientífica com que o Mesmerismo (então prestes a se tornar o "hipnotismo" da ciência) era tratado "par les charlatans du jour". Se tivesse vivido para ver a ciência sagrada em sua total paródia como hipnotismo, sua voz poderosa poderia ter detido seus terríveis abusos atuais e –––––––––– as façanhas terapêuticas e mesméricas do homem grassavam, entre 1830 e 1846, uma amarga controvérsia por toda a França.


Um assassino havia sido rastreado, condenado e executado somente com base em evidências fornecidas por um dos clarividentes de Dupotet.

O Juiz de Paz admitiu isso em audiência pública.

Isso foi demais até para a cética Paris, e a Academia decidiu reunir-se novamente e, se possível, esmagar a superstição.

Reuniram-se, mas, por estranho que pareça, desta vez foram convertidos.

Itard, Fouquier, Guersant, Bourdois de la Motte, a nata da faculdade francesa, pronunciaram os fenômenos do mesmerismo como genuínos — curas, transes, clarividência, transferência de pensamento, até mesmo leitura de livros fechados; e a partir de então foi inventada uma nomenclatura elaborada, apagando tanto quanto possível os detestados nomes dos homens incansáveis que haviam compelido o assentimento científico, enquanto inscreviam os principais fatos atestados por Mesmer, Dupotet e Puységur entre os fenômenos indubitáveis a serem aceitos, sob qualquer teoria, pela ciência médica . . . . .

Então chega a vez desta ilha enevoada e de seus cientistas enevoados.

"Enquanto isso," continua o escritor,

a Inglaterra foi mais teimosa.

Em 1846, o célebre Dr. Elliotson, um praticante popular, com vasta clientela, pronunciou a famosa oração harveiana, na qual confessou sua crença no Mesmerismo.

Foi denunciado pelos médicos com resultados tão completos que perdeu sua prática clínica e morreu quase arruinado, senão de coração partido.

O Hospital Mesmérico na Marylebone Road havia sido estabelecido por ele.

Operações foram realizadas com sucesso sob Mesmerismo, e todos os fenômenos que recentemente ocorreram em Leeds e em outros lugares, para satisfação dos médicos, foram produzidos em Marylebone cinquenta e seis anos atrás.

Trinta e cinco anos atrás, o Professor Lister fez o mesmo — mas a introdução do clorofórmio, sendo mais rápida e certa como anestésico, matou por um tempo o tratamento mesmérico.

O interesse público pelo Mesmerismo diminuiu, e o Hospital Mesmérico na Marylebone Road, que estava sob suspeita desde a supressão de Elliotson, foi finalmente fechado.

Ultimamente sabemos qual foi o destino de Mesmer e do Mesmerismo.

Mesmer é mencionado no mesmo fôlego que o Conde de Cagliostro, e o próprio Mesmerismo raramente é citado; mas, então, ouvimos muito sobre eletro-biologia, magnetismo terapêutico e hipnotismo — exatamente isso. Oh, sombras de Mesmer, Puységur, Dupotet, Elliotson — sic vos non vobis! Ainda assim, eu digo, palmam qui meruit, ferat.

Quando conheci o Barão Dupotet, ele estava à beira do túmulo, com quase oitenta anos.

Ele

–––––––––– degradação em um espetáculo comercial de Punch e Judy.

Felizmente para ele, e infelizmente para a verdade, o maior adepto do Mesmerismo na Europa deste século — está morto [H.P.B.] ––––––––––

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

era um admirador ardente de Mesmer; ele havia dedicado toda a sua vida ao magnetismo terapêutico, e era absolutamente dogmático quanto ao ponto de que uma aura magnética real passava do mesmerista para o paciente.

"Vou lhe mostrar isso", disse ele um dia, enquanto ambos estávamos ao lado do leito de uma paciente em transe tão profundo que cravamos agulhas em suas mãos e braços sem despertar o menor sinal ou movimento.

O velho Barão continuou: "A uma distância de um ou dois pés, determinarei leves convulsões em qualquer parte do corpo dela simplesmente movendo minha mão sobre a região, sem qualquer contato." Ele começou pelo ombro, que logo se pôs a contrair-se.

Restabelecida a calma, ele tentou o cotovelo, depois o pulso, depois o joelho, as convulsões aumentando em intensidade conforme o tempo empregado.

"Está plenamente satisfeito?" — disse eu: "Plenamente satisfeito"; e, continuou ele, "qualquer paciente que eu tenha testado, comprometo-me a operar através de uma parede de tijolos, em um tempo e lugar em que o paciente ignore minha presença ou meu propósito."

"Isto", acrescentou Dupotet, "foi uma das experiências que mais intrigaram os acadêmicos em Paris.

Repeti o experimento inúmeras vezes sob todas as provas e condições, com sucesso quase invariável, até que o mais cético fosse forçado a ceder."

Acusamos a ciência de deslizar a plenos pulmões rumo ao Maelstrom da Magia Negra, ao praticar aquilo que a Psicologia antiga — o mais importante ramo das Ciências Ocultas — sempre declarou como Feitiçaria em sua aplicação ao homem interior.

Estamos preparados para sustentar o que dizemos.

Pretendemos provar isso um dia destes, em alguns artigos futuros, baseando-nos em fatos publicados e nas ações produzidas pelo Hipnotismo dos próprios Vivisseccionistas.

Que sejam feiticeiros inconscientes não elimina o fato de que praticam a Arte Negra bel et bien.

Em suma, a situação é esta.

A minoria dos médicos eruditos e outros cientistas experimenta o "hipnotismo" porque passou a ver algo nele; enquanto a maioria dos membros dos R.C.P.'s ainda nega a realidade do magnetismo animal em sua forma mesmérica, mesmo sob sua máscara moderna — o hipnotismo.

Os primeiros — inteiramente ignorantes das leis fundamentais do magnetismo animal — experimentam ao acaso, quase cegamente.

Para permanecerem coerentes com suas declarações (a) de que o hipnotismo não é mesmerismo, e (b) de que um aura ou fluido magnético que passa do mesmerizador (ou hipnotizador) é pura falácia — eles não têm o direito, é claro, de aplicar as leis da ciência mais antiga à mais nova.


Portanto, eles interferem e despertam para a ação as forças mais perigosas da natureza, sem ter consciência disso. Em vez de curar doenças — o único uso ao qual o magnetismo animal sob seu novo nome pode ser legitimamente aplicado — frequentemente inoculam os sujeitos com seus próprios males e vícios físicos e mentais.

Por isso, e pela ignorância de seus colegas da minoria, a maioria descrente dos Saduceus é grandemente responsável.

Pois, ao se oporem a eles, impedem a livre ação e se aproveitam do juramento hipocrático para torná-los impotentes de admitir e fazer muito daquilo que os crentes poderiam e de outra forma fariam. Mas, como o Dr. A. Teste verdadeiramente diz em sua obra — "Há certas verdades infelizes que comprometem aqueles que nelas creem, e especialmente aqueles que são tão sinceros a ponto de confessá-las publicamente." Assim, a razão de o hipnotismo não ser estudado em suas linhas adequadas é evidente por si mesma.

Anos atrás foi observado: "É dever da Academia e das autoridades médicas estudar o Mesmerismo (isto é, as ciências ocultas em seu espírito) e submetê-lo a provas; finalmente, retirar o uso e a prática dele das pessoas completamente estranhas à arte, que abusam desse meio e fazem dele um objeto de lucro e especulação." Aquele que proferiu essa grande verdade foi "a voz que clama no deserto." Mas aqueles com alguma experiência em psicologia oculta iriam mais longe.

Eles diriam que é dever de todo corpo científico — e até de todo governo — pôr fim a exposições públicas desse tipo.

Ao testar o efeito mágico da vontade humana sobre vontades mais fracas; ao ridicularizar a existência de forças ocultas na Natureza — forças cujo nome é legião — e, no entanto, invocá-las, sob o pretexto de que não são forças independentes, nem mesmo psíquicas em sua natureza, mas "ligadas a leis físicas conhecidas" (Binet e Féré), os homens de autoridade são virtualmente responsáveis por todos os efeitos nefastos que estão e estarão seguindo seus perigosos experimentos públicos.

Em verdade, o Karma — a terrível, porém justa Lei Retributiva — visitará todos aqueles que desenvolvem os mais horríveis resultados no futuro, gerados nessas exposições públicas para o divertimento dos profanos.

Que eles apenas pensem nos perigos criados, nas novas formas de doenças, mentais e físicas,

MAGIA NEGRA NA CIÊNCIA

geradas por esse manuseio insano da vontade psíquica! Isso é tão ruim no plano moral quanto a introdução artificial de matéria animal no sangue humano, pelo infame método Brown-Sequard, é no plano físico.

Eles riem das ciências ocultas e zombam do Mesmerismo? No entanto, este século não terá passado antes que tenham provas inegáveis de que a ideia de um crime sugerido para fins de experimento não é removida por uma corrente reversa da vontade tão facilmente quanto é inspirada.

Eles podem aprender que, se a expressão externa da ideia de um delito "sugerido" pode desaparecer pela vontade do operador, o germe vivo e ativo artificialmente implantado não desaparece com ela; que, uma vez depositado no âmago das paixões humanas — ou, antes, animais —, pode permanecer latente ali por anos, às vezes, para ser subitamente despertado por alguma circunstância imprevista e se realizar.

Crianças que choravam, amedrontadas ao silêncio pela sugestão de um monstro, um demônio em pé no canto, por uma enfermeira tola, sabe-se que se tornaram insanas vinte ou trinta anos depois sobre o mesmo assunto.

Há gavetas misteriosas e secretas, recantos escuros e esconderijos no labirinto de nossa memória, ainda desconhecidos dos fisiologistas, que se abrem apenas uma vez, raramente duas, na vida do homem, e somente sob condições muito anormais e peculiares.

Mas quando o fazem, é sempre alguma façanha heroica cometida por uma pessoa a menos indicada para tal, ou—um crime terrível perpetrado, cuja razão permanece para sempre um mistério... Assim, experimentos de “sugestão” feitos por pessoas ignorantes das leis ocultas são os passatempos mais perigosos.

A ação e reação das ideias sobre o “Ego” inferior interno nunca foi estudada até agora, porque esse próprio Ego é *terra incognita* (mesmo quando não negado) para os homens da ciência.

Além disso, tais apresentações diante de um público promíscuo são um perigo em si mesmas.

Homens de inegável educação científica que experimentam o Hipnotismo em público emprestam, com isso, a sanção de seus nomes a tais apresentações.

E então todo especulador indigno, perspicaz o bastante para compreender o processo, pode, desenvolvendo pela prática e perseverança a mesma força em si mesmo, aplicá-la aos seus próprios fins egoístas, frequentemente criminosos.

Resultado nas linhas cármicas—todo hipnotizador, todo homem de ciência, por mais bem-intencionado e honrado que seja, uma vez que se permitiu tornar-se o instrutor inconsciente daquele que aprende apenas para abusar da ciência sagrada, torna-se, naturalmente, moralmente o cúmplice de todo crime cometido por esse meio.


Tal é a consequência dos experimentos “hipnóticos” públicos, que assim conduzem a—e virtualmente são—MAGIA NEGRA.

––––––––––                        Escritos Coligidos VOLUME XII                                        UM PROFETA ASTRAL                                 [Lucifer, Vol.

VI, No. 34, junho de 1890, pp. 297-301]

Todo inglês educado já ouviu o nome do General Yermoloff, um dos grandes heróis militares desta era; e se de algum modo familiarizado com a história das guerras do Cáucaso, deve conhecer os feitos de um dos principais conquistadores da terra daquelas fortalezas inexpugnáveis onde Shamil e seus predecessores desafiaram por anos a habilidade e a estratégia dos exércitos russos.

Seja como for, o estranho evento aqui narrado pelo próprio herói caucasiano pode interessar aos estudantes de psicologia.

O que se segue é uma tradução literal da obra russa de V. Potto, *A Guerra no Cáucaso*.

No Volume II, capítulo “Os Últimos Anos de Yermoloff” (pp. 829-32), lê-se estas linhas:

Silenciosa e imperceptivelmente deslizaram em Moscou os últimos dias concedidos ao herói.

Em 12 de abril de 1861, faleceu em seu 85º ano, sentado em sua poltrona favorita, com uma mão sobre a mesa e a outra sobre o joelho; poucos minutos antes, conforme seu antigo hábito, batia o pé no chão.

É impossível expressar melhor os sentimentos da Rússia ante a notícia dessa morte do que citando a nota obituária do [Diário Russo] Kavkaz, que não disse uma palavra a mais do que era merecido.

“Em 12 de abril, às 11h45 da manhã, em Moscou, o General de Artilharia, famoso em toda a Rússia—Alexey Petrovich Yermoloff—exalou o último suspiro.

Todo russo conhece o nome; ele está aliado aos mais brilhantes

UM PROFETA ASTRAL

registros de nossa glória nacional: Valutino, Borodino, Kulm, Paris e o Cáucaso transmitirão para sempre o nome do herói—o orgulho e o ornamento do exército e da nação russos... Não enumeraremos os serviços de Yermoloff.

Seu nome e seus títulos são: um verdadeiro filho da Rússia, na plena acepção do termo.” É um fato curioso que sua morte não escapou de sua própria lenda, uma de caráter estranho e místico.

Isto é o que um amigo que conhecia bem Yermoloff escreve sobre ele: Certa vez, ao deixar Moscou, fui visitar Yermoloff para me despedir, e não consegui ocultar minha emoção na despedida.

“Não temas”, disse-me ele, “ainda nos encontraremos; não morrerei antes de tua volta.” Isso foi dezoito meses antes de sua morte.

“Na vida e na morte, só Deus é o Senhor!” observei.

“E eu te digo com toda a certeza que minha morte não ocorrerá dentro de um ano, mas um pouco mais tarde”—respondeu ele.

Com essas palavras, conduziu-me ao seu escritório, onde, tirando de um baú trancado uma folha de papel escrita, colocou-a diante de mim e perguntou—“De quem é esta caligrafia?” “Sua”, disse eu.

“Então leia!” Era uma espécie de memorando, um registro de datas, desde o ano em que Yermoloff foi promovido ao posto de tenente-coronel, mostrando, como num programa, cada evento significativo que aconteceria em sua vida, tão plena de tais eventos.

Ele me acompanhava na leitura, e quando cheguei ao último parágrafo, cobriu as últimas linhas com a mão.

“Isto não precisas ler”, disse ele.

“Nesta linha estão escritos o ano, o mês e o dia de minha morte.”

Tudo o que você leu aqui foi escrito por mim antecipadamente, e aconteceu nos mínimos detalhes, e foi assim que cheguei a escrevê-lo. “Quando eu ainda era jovem Tenente-Coronel, fui enviado a negócios a uma pequena cidade distrital de T. Minha hospedagem consistia em dois cômodos — um para os criados, o outro para meu uso pessoal.

Não havia acesso a este último senão através do primeiro.

Certa vez, tarde da noite, eu estava sentado escrevendo em minha escrivaninha.

Ao terminar, acendi meu cachimbo, recostei-me na cadeira e caí em devaneio, quando, de repente, erguendo os olhos, vi diante de mim, do outro lado da escrivaninha, um estranho, um homem que, a julgar pelas vestes, pertencia às classes mais baixas da sociedade.

Antes que eu tivesse tempo de perguntar quem ele era ou o que queria, o estranho disse: ‘Pegue sua pena e escreva.’ Sentindo-me sob a influência de um poder irresistível, obedeci em silêncio.

Então ele me ditou tudo o que me aconteceria durante toda a minha vida, concluindo com a data e a hora da minha morte.

Com a última palavra, ele desapareceu do local.

Alguns minutos se passaram antes que eu recuperasse plena consciência, quando, saltando de meu assento, precipitei-me para o cômodo adjacente, pelo qual o estranho não poderia de forma alguma ter deixado de passar.


Abrindo a porta, vi meu escriba escrevendo à luz de uma vela, e meu ordenança deitado dormindo no chão, atravessado diante da porta de entrada, a qual estava firmemente trancada e aferrolhada.

À minha pergunta: ‘Quem foi que acabou de estar aqui?’ — o escriba, atônito, respondeu: ‘Ninguém.’ Até hoje nunca contei isso a ninguém,” concluiu Alexey Petrovitch, “pois sabia de antemão que, enquanto alguns suspeitariam de que eu havia inventado tudo, outros veriam em mim um homem sujeito a alucinações.

Mas, para mim, pessoalmente, tudo isso é um fato mais inegável, um fato objetivo e palpável, cuja prova tangível está neste próprio documento escrito.”

A última data encontrada na carta revelou-se, após a morte do General, ser a correta.

Ele morreu exatamente no dia e na hora do ano registrados em sua própria caligrafia.

Yermoloff está sepultado em Orel.

Uma lâmpada inextinguível, feita de um fragmento de uma bomba, arde diante de seu túmulo.

Na ferro fundido da casca, estas palavras estão gravadas por uma mão inábil: "Os soldados caucasianos que serviram em Goonib." A lâmpada sempre acesa é estabelecida pelo zelo e amor agradecido das patentes inferiores do Exército Caucasiano, que recolheram entre si, de seu parco soldo (copeque por copeque, deveras!), a soma necessária.

E este monumento simples é mais valorizado e admirado do que seria o mais rico mausoléu.

Não há outro monumento a Yermoloff na Rússia.

Mas as rochas orgulhosas e altaneiras do Cáucaso são o pedestal imperecível sobre o qual todo verdadeiro russo sempre contemplará a imagem majestosa do General Yermoloff, cercada pela auréola de uma glória eterna e imortal.

E agora, algumas palavras sobre a natureza da aparição.

––––––––––       "Goonib é o nome do último reduto dos circassianos, no qual o famoso Murid Shamil, o Sacerdote-Soberano dos montanheses, foi conquistado e capturado pelos russos, após anos de uma luta desesperada.

Goonib é uma rocha gigantesca, considerada por muito tempo inexpugnável, mas finalmente tomada de assalto e escalada pelos soldados russos a um enorme sacrifício de vidas.

Sua captura pôs virtualmente fim à guerra no Cáucaso, uma luta que durara mais de sessenta anos, e assegurou sua conquista.—Editor, Lucifer.

––––––––––                         GENERAL ALEXEY PETROVICH YERMOLOV                                              1772-                            Retrato pintado pelo Acadêmico Zaharov e                      reproduzido do Jornal Drevnyaya i Novaya Rossiya,                                         1879, Livro I, No. 2.

UM PROFETA ASTRAL

Sem dúvida, cada palavra da narrativa concisa e clara do General Yermoloff é verdadeira ao pé da letra.

Ele era, acima de tudo, um homem prático, sincero e de mente lúcida, sem o menor traço de misticismo, um verdadeiro soldado, honrado e íntegro.

Além disso, este episódio de sua vida foi testemunhado por seu filho mais velho, conhecido pessoalmente pela autora do presente escrito e sua família, por muitos anos durante nossa residência em Tiflis.

Tudo isso é uma boa garantia da autenticidade do fenômeno, testemunhado ainda mais pelo documento escrito deixado pelo General, trazendo a data correta e precisa de sua morte.

Ele começaria por lembrar ao leitor que a Consciência Superior em nós, com suas leis e condições de manifestação *sui generis*, ainda é quase inteiramente *terra incognita* para todos (Espiritualistas incluídos) e, preeminentemente, para os homens da Ciência.

Em seguida, lembraria ao leitor um dos ensinamentos fundamentais do Ocultismo.

Ele diria que, além do atributo da onisciência divina em sua própria natureza e esfera de ação, não existe, na Eternidade, para o Ego imortal individual, nem Passado nem Futuro, mas apenas um eterno PRESENTE.

ORA, uma vez admitida esta doutrina, ou simplesmente postulada, torna-se natural que toda a vida, do nascimento à morte, da Personalidade que esse Ego informa, seja tão claramente visível ao Ego Superior quanto é invisível e oculta à visão limitada de sua Forma temporária e mortal.

Portanto, isto é o que deve ter acontecido segundo a Filosofia Oculta.

O amigo é informado pelo General Yermoloff de que, enquanto escrevia tarde da noite, caiu subitamente em um devaneio, quando, ao erguer os olhos, percebeu de repente um estranho diante de si.

Ora, esse devaneio foi muito provavelmente um súbito torpor, provocado pela fadiga e pelo excesso de trabalho, durante o qual ocorreu uma ação mecânica de caráter puramente sonambúlico.

A Personalidade, tornando-se subitamente consciente da Presença de seu EU Superior, o autômato humano adormecido caiu sob o domínio da Individualidade, e imediatamente a mão que estivera ocupada em escrever por várias horas

UM PROFETA ASTRAL

antes, retomou mecanicamente sua tarefa.

Ao despertar, a Personalidade pensou que o documento diante de si fora escrito sob o ditado de um visitante cuja voz ouvira, quando, na verdade, ele simplesmente registrara os pensamentos mais íntimos — ou, diríamos, o conhecimento — de seu próprio "Ego" divino, um Espírito profético, por ser onisciente.

A "voz" deste último era simplesmente a tradução, pela memória física, no instante do despertar, do conhecimento mental concernente à vida do homem mortal, refletido no inferior pela consciência Superior. Todos os outros detalhes registrados pela memória são igualmente passíveis de uma explicação natural.

Assim, o estranho vestido com as roupas de um pobre pequeno comerciante ou trabalhador, que lhe falava fora de si mesmo, pertence, assim como a "voz", àquela classe de fenômenos bem conhecidos que nos são familiares como a associação de ideias e reminiscências em nossos sonhos.

As imagens e cenas que vemos no sono, os eventos que vivemos por horas, dias, às vezes por anos em nossos sonhos, tudo isso leva menos tempo, na realidade, do que o ocupado por um relâmpago durante o instante do despertar e o retorno à plena consciência.

De tais instâncias do poder e rapidez da fantasia, a fisiologia fornece numerosos exemplos.

Rebelamo-nos contra as deduções materialistas da ciência moderna, mas ninguém pode contestar seus fatos, paciente e cuidadosamente registrados ao longo de longos anos de experimentos e observações por seus especialistas, e estes apoiam nosso argumento.

O General Yermoloff havia passado vários dias anteriormente realizando um inquérito em uma pequena cidade, no qual, em negócio oficial, provavelmente examinara dezenas de homens das classes mais pobres; e isso explica sua fantasia—vívida como a própria realidade—sugerindo à sua imaginação a visão de um pequeno comerciante.

Voltemo-nos para as experiências e explicações de uma longa série de filósofos e Iniciados, profundamente familiarizados com os mistérios do Eu Interior, antes de atribuirmos a "espíritos desencarnados" ações, cujos motivos jamais poderiam ser explicados com base em fundamentos razoáveis.

H. P. B.                        Escritos Reunidos VOLUME XII 234                             BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

NOÇÕES EQUIVOCADAS SOBRE A DOUTRINA SECRETA                                 [Lucifer, Vol.

VI, No. 34, junho de 1890, pp. 333-335]

Desde a publicação de A Doutrina Secreta, estudantes de Teosofia (fora do círculo interno das Ciências Ocultas) têm se queixado de que os ensinamentos contidos na obra não os satisfazem.

Um, mencionando o longo e raivoso abuso dela por um velho, embora realmente insignificante, se brutal, inimigo, repreende-me por deixar uma porta aberta a tais críticas ao levar muito pouco em conta a ciência moderna e o pensamento moderno (!); outro queixa-se de que minhas explicações não são completas; assim, ele diz:—

Durante os últimos dez anos, tenho sido um leitor atento da literatura teosófica.

Li e reli A Doutrina Secreta e cotejei passagens, e nada é mais desanimador do que encontrar algumas das melhores explicações sobre pontos Ocultos, justamente quando começam a se tornar um pouco lúcidas, prejudicadas por uma referência a alguma filosofia ou religião exotérica, que interrompe a linha de raciocínio e deixa a explicação inacabada.

. . . . Podemos compreender partes, mas não podemos obter uma ideia sucinta, particularmente dos ensinamentos sobre Parabrahm (o Absoluto), o 1º e o 2º Logos, Espírito, Matéria, Fohat, etc., etc.

Este é o resultado direto e natural da noção muito equivocada de que a obra que chamei de A Doutrina Secreta fora por mim alguma vez destinada a encaixar-se com a ciência moderna, ou a explicar "pontos ocultos". Eu estava e ainda estou mais preocupado com fatos do que com hipóteses científicas.

Meu principal e único objetivo era trazer à proeminência que os princípios básicos e fundamentais de toda religião e filosofia exotérica, antiga ou nova, eram do princípio ao fim apenas os ecos da primitiva "Religião da Sabedoria". Procurei mostrar que a ÁRVORE DO CONHECIMENTO, como a própria Verdade, era Una; e que, por mais que diferissem em forma e cor, a folhagem dos ramos, o tronco e seus galhos principais eram ainda os da mesma Árvore antiga, à sombra da qual se desenvolveram e cresceram a (agora) esotérica filosofia religiosa das raças que precederam nossa atual humanidade na Terra.

NOÇÕES EQUIVOCADAS SOBRE A DOUTRINA SECRETA

Este objetivo, creio eu, foi por mim realizado tão longe quanto poderia ser, nos dois primeiros volumes de A Doutrina Secreta.

Não era a filosofia oculta dos ensinamentos esotéricos que eu me comprometia a explicar ao mundo em geral, pois então a qualificação de "Secreta" teria se tornado como o segredo do "Polichinelo" gritado à maneira de um aparte teatral; mas simplesmente dar aquilo que poderia ser divulgado, e paralelizá-lo com as crenças e dogmas das nações passadas e presentes, mostrando assim a fonte original destes últimos e quão desfigurados eles se tornaram.

Se minha obra é, nesta época de suposições materialistas e iconoclastia universal, prematura demais para as massas dos profanos — tanto pior para essas massas.

Mas não foi prematura demais para os estudantes sinceros da teosofia — exceto aqueles, talvez, que esperavam que um tratado sobre correspondências tão intrincadas quanto as que existem entre as religiões e filosofias do Passado quase esquecido, e as dos dias modernos, pudesse ser tão simples quanto um "romance barato" de banca de estação ferroviária.

Mesmo um sistema de filosofia por vez, seja o de Kant ou o de Herbert Spencer, o de Spinoza ou o de Hartmann, requer mais do que um estudo de vários anos.

Não é, portanto, lógico que uma obra que compara várias dezenas de filosofias e mais de meia dúzia de religiões mundiais, uma obra que precisa desvelar as raízes com as maiores precauções, pois só pode sugerir aqui e ali as flores secretas — não possa ser compreendida numa primeira leitura, nem mesmo após várias, a menos que o leitor elabore para si mesmo um sistema para ela? Que isso pode ser feito e é feito é demonstrado pelos "Dois Estudantes da E.S.". Eles estão agora sintetizando a "Doutrina Secreta", e o fazem da maneira mais lúcida e abrangente, nesta revista.

Tão pouco quanto qualquer outro, eles compreenderam essa obra imediatamente após lê-la. Mas puseram-se a trabalhar com a mais séria determinação.

Eles a indexaram para si mesmos, classificando o conteúdo em duas partes — a exotérica e a esotérica; e, tendo realizado esse trabalho preliminar, apresentam agora a primeira parte aos leitores em geral, enquanto reservam a última para seu próprio instrução prática e benefício.

Por que todo teosofista sincero não deveria fazer o mesmo?


Há várias maneiras de adquirir conhecimento: (a) aceitando cegamente os ditames da igreja ou da ciência moderna; (b) rejeitando ambos e começando a buscar a verdade por si mesmo.

O primeiro método é fácil e conduz ao respeito social e ao louvor dos homens; o outro é difícil e exige mais do que devoção comum à verdade, um desprezo pelos benefícios pessoais diretos e uma perseverança inabalável.

Assim era nos dias antigos e assim é agora, exceto, talvez, que tal devoção à verdade tem sido mais rara em nossos dias do que outrora.

De fato, a relutância do estudante oriental moderno em pensar por si mesmo é hoje tão grande quanto as exigências e críticas ocidentais aos pensamentos alheios.

Ele exige e espera que seu "Caminho" seja projetado com toda a astúcia egoísta do conforto moderno, macadamizado, traçado com ferrovias rápidas e telégrafos, e até telescópios, através dos quais ele possa, sentado comodamente, examinar as obras dos outros; e, enquanto as critica, procurar o caminho mais fácil, a fim de fazer-se de Ocultista e Estudante Amador de Teosofia.

O verdadeiro "Caminho" para o conhecimento esotérico é muito diferente.

Sua entrada está coberta de espinheiros de negligência, as paródias da verdade durante longas eras bloqueiam o caminho, e ele é obscurecido pelo orgulhoso desprezo da autossuficiência e por toda verdade distorcida fora de foco.

Atravessar sozinho o limiar exige um trabalho incessante, muitas vezes não recompensado, de anos, e uma vez do outro lado da entrada, o peregrino cansado tem de subir a pé, pois o caminho estreito conduz a montanhas imponentes e inóspitas, não medidas e desconhecidas, exceto para aqueles que já alcançaram o cume envolto em nuvens antes.

Assim, ele deve ascender, passo a passo, tendo de conquistar cada palmo de terreno diante de si por seus próprios esforços; avançando, guiado por marcos estranhos, cuja natureza ele só pode verificar decifrando as inscrições desgastadas pelo tempo e meio apagadas, enquanto pisa adiante, pois ai dele se, em vez de estudá-las, ele se senta e friamente as declara "indecifráveis". A "Doutrina do Olho" é maya; somente a do "Coração" pode fazer dele um eleito.

É de admirar que tão poucos alcancem a meta, que muitos sejam chamados, mas poucos escolhidos? Não está a razão para isso

PENA DE MORTE

explicada em três linhas na página 27 de A Voz do Silêncio? Elas dizem que enquanto "os primeiros repetem com orgulho: 'Eis que eu sei', os últimos, aqueles que com humildade colheram, confessam baixinho: 'assim ouvi'"; e, portanto, tornam-se os únicos "escolhidos".                         Obras Completas VOLUME XII                                        PENA DE MORTE                                     [Lucifer, Vol.

VI, No. 34, junho de 1890, p. 335]

Tendo lido com muito interesse em Theosophical Siftings [Vol.

III, 1890-91] o artigo do Dr. Franz Hartmann sobre "Pena de Morte", atrevo-me a pedir sua opinião sobre o assunto.

Há muito tempo estou convencido de que é tanto inútil quanto errado condenar assassinos à morte—convencido pelas mesmas razões que o Dr. Hartmann apresenta de forma tão convincente.

Além disso, tenho frequentemente sustentado que, já que dois erros não fazem um acerto, as coisas não podem ser remediadas matando o homem que tirou a vida de outro.

Portanto, sinto que, se eu fosse convocado para servir num júri em tal julgamento, eu teria de declarar minhas opiniões desde o início, o que poderia resultar na escolha de um jurado "enforcador" em meu lugar, ou servir com a intenção de não condenar o acusado por assassinato premeditado, por mais culpado que ele pudesse ser provado.

Se esse procedimento apenas resultasse em manter o criminoso sob custódia pelo resto de sua vida natural, minha consciência estaria limpa; mas, como poderia facilmente colocá-lo novamente em liberdade, sinto-me num dilema.

Poderia, por gentileza, dizer em sua próxima edição qual é sua opinião, e ajudar talvez mais de um.

ESTUDANTE CONFUSO.

Somos igualmente contrários, como vós, à pena de morte, de modo que vossa dificuldade torna-se nossa.

Em primeiro lugar, apenas a "cabeça" do jurado tem de decidir se o acusado cometeu ou não homicídio, e isso é tudo o que a chamada "lei" exige dele.

Na prática, porém, uma vez que o jurado tem, ou deveria ter, um "coração", a lei negligencia um fator importante no problema, pois se pune o homicídio com a morte, o jurado, ao decidir por um veredito de culpa, torna-se necessariamente cúmplice de um novo assassinato.

Mas o "coração" do povo começa a protestar contra esse código de "olho por olho" e recusa-se a retribuir o mal com o mal.


A pena de morte nada mais é do que um resquício da barbaridade judaica.

Assim, somos de opinião que esse sentimento deve ser fomentado por meio de protesto aberto em todas as ocasiões, e pela recusa em participar de tais procedimentos semihumanos.

O verdadeiro médico cura a doença e não mata seu paciente.

Mas tememos que os médicos do assassinato estejam em maioria no momento, de modo que só podemos protestar.—[EDS.]

––––––––––                        Obras Completas                                      VOLUME XII                                      CRUELDADE PARA COM OS ANIMAIS                                    [Lucifer, Vol.

VI, Nº 34, junho de 1890, p. 336]

Pode-se dar alguma explicação, compatível com a justiça, de por que os animais deveriam sofrer agonias tão terríveis como as de um recente incêndio no Sul da Inglaterra, que destruiu alguns estábulos com dezesseis cavalos? Tais incidentes não são incomuns.

Essas pobres criaturas não têm nenhum dos consolos advindos do poderoso instinto que possui quase todos os seres humanos, com relação à natureza temporária, e também à sobrevivência à tortura e à destruição, e por isso sofrem mais agudamente, estando sua consciência centrada no momento presente.

Li alusões a esse assunto, mas em nenhum caso foi dada qualquer explicação clara e inteligível, compatível com aquela justiça que é a pedra angular da Teosofia.

A transmigração é rejeitada, e mesmo que fosse verdadeira, não forneceria uma razão válida para que criaturas privadas de princípios superiores sofressem assim, uma vez que a responsabilidade cessa com tal separação.

E, por outro lado, se admitirmos a possibilidade de sofrimento inútil ou imerecido, abrimos a porta para o que solaparia as visões filosóficas do Karma, tão prazerosamente aceitas por pessoas pensantes que se entristeceram ao perceber as variadas vicissitudes da vida e o trágico destino de inúmeros seres humanos, ano após ano.

Por que uma criatura inofensiva deveria ser queimada viva, ou vivisseccionada? Qualquer luz que, na linguagem mais simples, possa ser lançada sobre o mistério da dor no mundo animal seria agradecidamente aceita por muitos, bem como por                                                                                                      INVESTIGADOR.

DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS

Os animais não sofrem tão intensamente quanto os seres humanos, e não se lembram do sofrimento, a menos que sejam lembrados pela visão dos instrumentos de sua dor, como, por exemplo, quando um cão surrado vê um chicote.

Os animais, novamente, são quase imediatamente reencarnados em organismos animais superiores.

O sofrimento, além disso, é a causa do conhecimento, de modo que a entidade encarnante ganha experiência, embora o organismo seja torturado até a morte.

Novamente, o sofrimento físico está no plano mais baixo e mais Mayávico, de modo que os animais, embora frequentemente sofram torturas fisicamente, estão livres das misérias mais profundas, com as quais às vezes o homem, mesmo supondo-o em perfeita saúde e em meio ao luxo, é crucificado incessantemente.

De fato, ao refletir sobre tais problemas e sobre os horrores terríveis da vivissecção, às vezes podemos nos inclinar a sentir mais pena do vivisseccionador do que de sua vítima atormentada pela dor, pois as terríveis dores de remorso que, mais cedo ou mais tarde, se apoderarão dele superarão mil vezes a dor comparativamente momentânea dos pobres sofredores mudos. — [EDS.]

––––––––––                        Obras Completas VOLUME XII                                DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS                                 [Lucifer, Vol.

VI, No. 35, julho de 1890, pp. 353-364]

"Que o mundo esteja em tão má condição moral é uma evidência conclusiva de que nenhuma de suas religiões e filosofias, as das raças civilizadas menos do que qualquer outra, jamais possuiu a verdade.

As explicações corretas e lógicas do assunto dos problemas dos grandes princípios duais — certo e errado, bem e mal, liberdade e despotismo, dor e prazer, egoísmo e altruísmo — são tão impossíveis para eles agora quanto eram há 1881 anos.

Eles estão tão longe da solução quanto sempre estiveram."

. . .” (De uma Carta Não Publicada, bem conhecida dos Teosofistas.) ––––––––––       [Este excerto é da única carta jamais recebida do Mahâ-Chohan, um indivíduo de realização espiritual superior à dos Mestres –––––––––– Não é preciso pertencer à Sociedade Teosófica para ser fortemente impressionado pela exatidão das observações acima.


Os credos aceitos das nações civilizadas perderam sua influência restritiva sobre quase todas as classes da sociedade, nem jamais tiveram qualquer outra restrição senão a do medo físico: o pavor dos torniquetes teocráticos e das torturas infernais.

O nobre amor à virtude, pela própria virtude, do qual algumas antigas nações pagãs foram exemplos tão proeminentes, jamais floresceu no coração cristão em geral, nem qualquer das numerosas filosofias pós-cristãs atendeu às necessidades da humanidade, exceto em casos isolados.

Portanto, a condição moral das porções civilizadas da humanidade nunca foi pior do que agora — nem mesmo, cremos, durante o período da decadência romana.

De fato, se nossos maiores mestres na natureza humana e os melhores escritores da Europa, psicólogos tão agudos — verdadeiros vivisseccionistas do homem moral — como o Conde Tolstói na Rússia, Zola na França, e como Thackeray e Dickens na Inglaterra antes deles, não exageraram os fatos — e contra tal ––––––––––      K.H. e M., e “cuja visão o futuro se abre como uma página em branco,” para usar a expressão do Mestre K.H. em sua carta ao Cel.

H. S. Olcott, “formada por sua própria mão,” como diz o Coronel, na madrugada de 10 de novembro de 1883, em seu Acampamento no Maidan, fora de Lahore (vide Vol.

VI dos Escritos Reunidos, pp. 22 e seguintes, para o fac-símile da carta de K.H. e dados pertinentes).      A rigor, a “carta” do Mahâ-Chohan não é realmente uma carta, mas, como declarado em algumas linhas introdutórias assinadas por K.H., “uma versão abreviada da visão do Chohan sobre a S.T. a partir de suas próprias palavras, conforme dadas na noite passada.” Como parece de uma das frases dessa comunicação, sua data deve ser 1881, e sabemos pela mesma nota introdutória que foi encaminhada por K.H. a A. P. Sinnett, dizendo o Mestre: “Minha própria carta, resposta à sua, seguirá em breve.”      Curiosamente, o original desta comunicação do Mestre K.H., registrando as visões do Mahâ-Chohan, jamais foi encontrado.

Não está entre as outras cartas dos Irmãos Adeptos que A. P. Sinnett guardava em uma caixa especial e que foram posteriormente publicadas como *As Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett*, cujos originais se encontram nos acervos do Museu Britânico.

Algum tempo após seu recebimento, no entanto, foi copiada e "ciclostilada" em Londres, e cópias foram ––––––––––

DIAGNOSES E PALIATIVOS

visão otimista, temos os registros dos tribunais criminais e de divórcio, além das sessões privadas "a portas fechadas" da Sra. Grundy — então a podridão interna da nossa moralidade ocidental supera qualquer coisa da qual os antigos pagãos já foram acusados. Buscai com cuidado, buscai por toda parte nos clássicos antigos, e até mesmo nos escritos dos Padres da Igreja que respiravam tamanho ódio aos pagãos — e todo vício e crime atribuído a estes encontrará seu imitador moderno nos arquivos dos tribunais europeus.

Sim, "gentil leitor", nós, europeus, imitamos servilmente toda iniquidade do mundo pagão, enquanto teimosamente recusamos aceitar e seguir qualquer uma de suas grandes virtudes.

Contudo, nós, modernos, inegavelmente superamos os antigos em uma coisa — a saber, na arte de caiar nossos sepulcros morais; de espalhar rosas frescas e floridas nas paredes externas de nossas moradas, para melhor ocultar o seu conteúdo, os ossos dos mortos e toda a imundície, fazendo-as "de fato, parecer belas por fora". Que importa que o "cálice e o prato" do nosso coração permaneçam impuros se "exteriormente parecem –––––––––– enviadas a algumas pessoas selecionadas.

Uma dessas cópias estava entre os papéis de C. W. Leadbeater, e outra foi encontrada mais tarde em um volume manuscrito, na caligrafia de Miss Francesca Arundale.

Usando essas cópias, C. Jinarâjadâsa publicou o texto no volume conhecido como *Cartas dos Mestres da Sabedoria*, Primeira Série, originalmente publicado em 1919 (sendo a 4ª edição de 1948). H.P.B. naturalmente sabia dessa carta e possuía o original ou uma cópia dela, pois cita trechos em vários lugares (como: *Lucifer*, Vol. II, agosto).

1888, pp. 431-33, e sua primeira declaração emitida em 1888 aos membros da recém-formada Seção Esotérica). Passagens dela também apareceram na revista *The Path*, publicada por W. Q. Judge em Nova York (ver Volume VII, fevereiro de 1893, artigo de abertura). É evidente, pelo contexto desta comunicação do Mahâ-Chohan, e por outras declarações em *As Cartas dos Mahatmas*, que o propósito principal a ser alcançado na época era neutralizar a compreensão meramente intelectual que Sinnett e Hume tinham dos ensinamentos e sua admiração infundada pelas conquistas da ciência ocidental, em contraste com os objetivos espirituais mais elevados do Movimento que seus verdadeiros Fundadores tinham em vista.—Compilador.] –––––––––– "justos para com os homens"? Para alcançar esse objetivo, tornamo-nos mestres consumados na arte de tocar trombetas diante de nós, para que "tenhamos glória dos homens". O fato, na verdade, de que com isso não enganamos nem o próximo nem o parente é uma questão de pouca importância para nossas gerações atuais de hipócritas, que vivem e respiram apenas de aparências, preocupando-se somente com a decência exterior e o prestígio.


Esses moralizarão para seus vizinhos, mas não têm eles próprios sequer a coragem moral daquele pregador cínico, porém franco, que dizia constantemente à sua congregação: "Fazei o que vos mando, mas não façais o que eu faço."

––––––––––

Cant, cant, e sempre cant; na política e na religião, na Sociedade, no comércio, e até na literatura.

A árvore se conhece pelos frutos; uma Era deve ser julgada por seus autores mais proeminentes.

O valor moral intrínseco de cada período particular da história geralmente deve ser inferido do que seus melhores e mais observadores escritores tinham a dizer sobre os hábitos, costumes e ética de seus contemporâneos e das classes da Sociedade que observaram ou nas quais viveram. E o que dizem agora esses escritores sobre nossa Era, e como são eles próprios tratados? As obras de Zola são finalmente exiladas em suas traduções inglesas; e embora não tenhamos muito a dizer contra o ostracismo ao qual sua *Nana* e *La Terre* foram submetidas, sua última—*La Bête Humaine*—poderia ter sido lida em inglês com algum proveito.

Com "Jack, o Estripador" no passado recente, e a fúria hipnótica no presente, este fino estudo psicológico do neurótico e "histérico" masculino moderno poderia ter feito um bom trabalho por meio de sugestão.

Parece, contudo, que a pudica Inglaterra está determinada a ignorar a verdade e jamais permitirá que um diagnóstico do verdadeiro estado de sua moral doentia seja feito — por um escritor estrangeiro, de modo algum.

Primeiro, então, partiram as obras de Zola, exiladas à força.

Muitos aplaudiram isso, pois tais ficções, embora apontassem vividamente algumas das úlceras mais ocultas da vida social, eram narradas de forma realmente cínica e indecente demais para fazerem muito bem.

Mas agora chega a vez de

DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS

Conde Lev Tolstói.

Sua última obra, se ainda não exilada das bancas de livros, está sendo raivosamente denunciada pela imprensa inglesa e americana.

Nas palavras do Washington de Kate Field, por quê? A Sonata Kreutzer desafia o cristianismo? Não. Defende a moral frouxa? Não. Torna o leitor apaixonado por aquela "besta inteligente" Pozdnisheff? Ao contrário... Por que então a Sonata Kreutzer é tão difamada? A resposta vem: "porque Tolstói disse a verdade", não como se alega "muito brutalmente", mas muito francamente, e certamente "sobre uma condição de coisas muito brutal"; e nós, do século XIX, sempre preferimos manter nossos esqueletos sociais firmemente trancados em nossos armários e ocultos bem longe da vista.

Não ousamos negar as verdades terrivelmente realistas vomitadas contra a imoralidade do dia e da sociedade moderna por Pozdnisheff; mas — podemos xingar o criador de Pozdnisheff.

Não ousou ele, de fato, apresentar um espelho à sociedade moderna no qual ela vê seu próprio rosto feio? Além disso, ele não oferece cura possível para nossas chagas sociais.

Por isso, com os olhos erguidos ao céu e bocas espumando, seus críticos sustentam que, não obstante todo o seu realismo característico, a "Sonata Kreutzer é um livro pruriente, que tende a causar mais mal do que bem, retratando vividamente a grande imoralidade da vida, e não oferecendo remédio possível para ela" (Vanity Fair). Pior ainda.

"É simplesmente repulsivo.

É audacioso além da medida e sem desculpa; ... o trabalho de uma mente ... não apenas mórbida, mas ... muito avançada em doença por reflexão insalubre" (New York Herald).

Assim, o autor de *Anna Karenina* e de *A Morte de Ivan Ilitch*, o maior psicólogo deste século, é acusado de ignorar a "natureza humana" por um crítico, de ser "o caso mais conspícuo saído do Bedlam", e por outro (o *Scot's Observer*) de ser chamado de "o ex-grande artista". "Ele investe", nos dizem, "contra os mais fortes instintos humanos", porque, na verdade, o autor — um russo ortodoxo de nascimento — nos diz que é muito melhor não haver casamento algum do que tal profanação daquilo que sua igreja considera um dos santos Sacramentos.

Mas, na opinião do protestante *Vanity Fair*, Tolstói é "um extremista", porque "com todos os seus males, o atual sistema matrimonial, tomado até mesmo como a coisa vil que ele nos apresenta (o itálico é nosso), é certamente um mal menor do que o monaquismo — com seus efeitos — que ele prega". Isso mostra as ideias do revisor sobre moralidade! Tolstói, no entanto, não "prega" nada disso; nem seu Pozdnyshev o diz, embora os críticos o entendam mal de A a Z, como também entendem mal a sábia afirmação de que "não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca", ou do coração e da imaginação de um homem vil.


Não é o "monaquismo", mas a lei da continência, tal como ensinada por Jesus (e pelo Ocultismo) em seu significado esotérico — que a maioria dos cristãos é incapaz de perceber — que ele prega.

Nada pode ser mais moral ou mais propício à felicidade humana e à perfectibilidade do que a aplicação dessa lei.

Ela é ordenada pela própria Natureza.

Os animais a seguem instintivamente, como também fazem as tribos selvagens.

Uma vez grávida, até o último dia da amamentação de seu bebê, ou seja, por dezoito ou vinte meses, a mulher selvagem é sagrada para seu marido; somente o homem civilizado e semicivilizado transgride essa lei benéfica.

Portanto, falando da imoralidade das relações matrimoniais tal como atualmente praticadas, e das uniões realizadas em bases comerciais, ou, o que é pior, por mero amor sensual, Pozdnyshev elabora a ideia ao proferir a maior e mais santa verdade, a saber, que: Para que exista moralidade entre homens e mulheres em sua vida diária, eles devem fazer da castidade perfeita sua lei. Ao progredir em direção a esse fim, o homem subjuga a si mesmo.

Quando tiver alcançado o último grau de subjugação, teremos casamentos morais.

Mas se um homem, como em nossa Sociedade, avança apenas em direção ao amor físico, ainda que o envolva em engano e na superficial formalidade do casamento, ele não obtém nada além de vício licencioso.

Uma boa prova de que não se prega o "monasticismo" e o celibato absoluto, mas apenas a continência, encontra-se na página 84, onde o companheiro de viagem de Pozdnisheff é levado a observar que o resultado da teoria deste último seria "que um homem teria de se afastar de sua –––––––––– Todos os itálicos ao longo do artigo são nossos.

[Ed. Lucifer]. ––––––––––

DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS

esposa, exceto uma vez por ano ou a cada dois anos." E então há esta frase:— Não compreendi naquela época que as palavras do Evangelho sobre olhar para uma mulher com olhos de desejo não se referiam apenas às esposas dos outros, mas especialmente e acima de tudo à própria esposa.

Os "monásticos" não têm esposas, nem se casam se desejam permanecer castos no plano físico.

Tolstói, no entanto, parece ter respondido antecipadamente às críticas e objeções britânicas nessa linha, ao fazer o herói de seu "livro sórdido e repugnante" (Scot's Observer) dizer:— Pensai em que perversidade de ideias deve haver, quando a condição mais feliz e mais livre do ser humano, a da castidade (mental), é considerada algo miserável e ridículo.

O ideal mais elevado, a condição mais perfeita a ser alcançada pela mulher, a de um ser puro, uma vestal, uma virgem, provoca, em nossa sociedade, medo e riso.

Tolstói poderia ter acrescentado—e quando a continência moral e a castidade, confundidas com "monasticismo", são declaradas muito mais malignas do que "o sistema matrimonial tomado mesmo como a coisa vil pela qual ele (Tolstói) no-lo apresenta." Será que o virtuoso crítico da Vanity Fair ou do Scot's Observer nunca encontrou uma mulher que, embora mãe de numerosa família, tivesse, não obstante, permanecido toda a sua vida mental e moralmente uma virgem pura, ou uma vestal (em linguagem vulgar, uma solteirona) que, embora fisicamente imaculada, superasse, em depravação mental e não natural, a mais baixa das mulheres caídas? Se ele não encontrou—nós encontramos.

Afirmamos que chamar a Sonata Kreutzer de sem propósito e "um livro vão" é perder de modo mais flagrante os pontos mais nobres e mais importantes contidos nele. Não é nada menos que cegueira deliberada, ou o que é ainda pior—aquela covardia moral que sancionará toda imoralidade crescente em vez de permitir sua menção, quanto mais sua discussão, em público.

É sobre solo tão fértil que a nossa lepra moral prospera e viceja, em vez de ser contida por paliativos oportunos.

É a cegueira para um dos maiores males sociais dessa natureza que levou a França a promulgar sua lei iníqua, proibindo a chamada "busca de paternidade". E não é novamente o feroz egoísmo do macho, no qual os legisladores da espécie estão, naturalmente, incluídos, que é responsável pelas muitas leis iníquas com as quais o país de outrora se desonrou? Por exemplo, o direito de todo bruto de marido vender sua esposa num mercado, com uma corda no pescoço; o direito de todo marido mendigo sobre a fortuna de sua esposa rica — direitos agora felizmente abolidos.

Mas não protege a lei o homem até hoje, concedendo-lhe meios de impunidade legal em quase todas as suas relações com a mulher? Nunca ocorreu a algum grave juiz ou crítico — tampouco a Pozdnisheff — "que a imoralidade não consiste apenas em atos físicos, mas, ao contrário, em libertar-se de todas as obrigações morais que tais atos impõem"? (Sonata Kreutzer, p. 32.) E como resultado direto de tal "libertação" legal de "quaisquer obrigações morais", temos o atual sistema matrimonial em toda nação civilizada, a saber: homens "empapados em corrupção" buscando "ao mesmo tempo uma virgem cuja pureza fosse digna" deles (p. 39); homens, entre mil dos quais "dificilmente se encontraria um que não tivesse sido casado antes pelo menos uma dúzia de vezes" (p. 41)!

––––––––––

Sim, senhores da imprensa, e humildes escravos da opinião pública, demasiadas verdades terríveis e vitais, com certeza, são proferidas por Pozdnisheff para tornar a Sonata Kreutzer jamais palatável para vós.

A porção masculina da humanidade — resenhistas de livros como outros — não gosta de ter um espelho demasiado fiel apresentado diante de si. Não gosta de ver a si mesma como é, mas apenas como gostaria de parecer.

Se o livro tivesse sido dirigido contra vossa escrava e criatura — a mulher —, a popularidade de Tolstói teria, sem dúvida, aumentado proporcionalmente.

Mas, quase pela primeira vez na literatura, uma obra mostra o gênero masculino coletivamente em toda a feiura artificial dos frutos finais da civilização, que fazem todo homem vicioso acreditar-se, como Pozdnisheff, "um homem inteiramente moral". E aponta tão claramente que a dissimulação feminina, a mundanidade e o vício são apenas a obra de gerações de homens, cuja brutal sensualidade e egoísmo levaram a mulher a

DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS

buscar represálias.

Ouça a bela e verdadeira descrição da maioria dos homens da sociedade: — As mulheres sabem muito bem que o amor mais nobre, o mais poético, é inspirado, não por qualidades morais, mas pela intimidade física... Perguntai a uma coquete experiente... qual ela preferiria: ser convencida, na presença do homem que deseja subjugar, de falsidade, perversidade e crueldade, ou aparecer diante dele com um vestido mal feito.

... Ela escolheria a primeira alternativa.

Ela sabe muito bem que só mentimos quando falamos de nossos sentimentos elevados; que o que buscamos é a própria mulher, e que por isso estamos prontos a perdoar todas as suas ignomínias, enquanto não lhe perdoaríamos um traje mal cortado... Daí essas blusas abomináveis, esses protuberâncias artificiais atrás, esses braços, ombros e seios nus.

Não crie demanda e não haverá oferta.

Mas, sendo tal demanda estabelecida pelos homens, ela... explica este fenômeno extraordinário: que, por um lado, a mulher é reduzida ao mais baixo grau de humilhação, enquanto, por outro, ela reina acima de tudo... "Ah, quereis que sejamos meros objetos de prazer? Muito bem, por esse mesmo meio vos curvaremos sob o nosso jugo", dizem as mulheres [que], como rainhas absolutas, mantêm como prisioneiros de guerra e em trabalhos forçados nove décimos da raça humana; e tudo porque foram humilhadas, porque foram privadas dos direitos que o homem desfruta.

Elas se vingam de nossa voluptuosidade, nos apanham em suas redes... [Por quê? Porque] "a grande maioria considera a ida à igreja como uma condição necessária para a posse de certa mulher.

Assim, podeis dizer o que quiserdes, vivemos em tal abismo de falsidade que, a menos que algum evento caia sobre nossas cabeças... não podemos despertar para a verdade.

...

A acusação mais terrível, no entanto, é um paralelo implícito entre duas classes de mulheres.

Pozdnisheff nega que as damas da boa sociedade vivam com outros objetivos além dos das mulheres caídas, e raciocina desta maneira: Se os seres humanos diferem uns dos outros por sua vida interna, isso deve se mostrar externamente; e externamente, também, eles serão diferentes.

Agora comparem as mulheres da classe mais infeliz, a mais desprezada, com as mulheres da mais alta sociedade; vedes os mesmos vestidos, os mesmos modos, os mesmos perfumes, a mesma paixão por joias, por objetos brilhantes e caros; as mesmas diversões, as mesmas danças, músicas e canções.

Os primeiros atraem por todos os meios possíveis; os últimos fazem o mesmo.

Não há diferença, nenhuma absolutamente.

BLAVATSKY: OBRAS COLETADAS

E gostaria de saber por quê? É uma velha truísmo, um fato apontado por Ouida, como por vinte outros romancistas.

Porque os maridos das "damas da boa Sociedade" — falamos apenas da maioria elegante, é claro — muito provavelmente desertariam gradualmente de suas esposas legítimas se estas lhes oferecessem um contraste demasiado forte com as demi-mondaines que eles todos adoram.

Para certos homens que por longos anos desfrutaram constantemente da atmosfera inebriante de certos lugares de diversão, das ceias tardias em cabinets particuliers na companhia de mulheres esmaltadas, artificiais da cabeça aos pés, o comportamento correto de uma dama, presidindo à sua mesa de jantar, com as bochechas sem pintura, os cabelos, a tez e os olhos como a natureza os fez — torna-se muito em breve um tédio.

Uma esposa legítima que imita no vestir e mimetiza a desenvoltura da amante do marido talvez tenha sido levada, no início, a efetuar tal mudança por puro desespero, como o único meio de preservar algum afeto do marido, uma vez que não consegue tê-lo indiviso.

Aqui, novamente, o fato anormal de esposas e moças esmaltadas, de cabelos tingidos de palha, pintadas e quase despidas na boa Sociedade, é obra dos homens — de pais, maridos, irmãos.

Se as demandas animais destes últimos nunca tivessem criado aquela classe que Baudelaire chama tão poeticamente de les fleurs du mal, e que acaba por destruir todo lar e família cujos membros masculinos uma vez caíram vítimas do seu hipnotismo — nenhuma esposa e mãe, muito menos uma filha ou irmã, teria jamais pensado em emular a hetaera moderna.

Mas agora elas pensaram.

O ato de desespero da primeira esposa abandonada por uma demi-mondaine produziu o seu fruto.

Outras esposas seguiram o exemplo, e então a transformação gradualmente se tornou uma moda, uma necessidade.

Quão verdadeiras são então estas observações:

A ausência dos direitos das mulheres não consiste em serem privadas do direito de votar, ou de administrar a lei; mas no fato de que, no que diz respeito às questões de afeto, ela não é igual ao homem, de que ela não tem o direito de escolher em vez de ser escolhida.

Isso seria bastante anormal, você pensa.

Então que os homens também fiquem sem os seus direitos.

. . . . No fundo, a sua escravidão reside no fato de ser considerada uma fonte de prazer.

Você a excita, você lhe dá todos os tipos

DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS

de direitos iguais aos do homem: mas ela ainda é vista como um instrumento de prazer, e é criada com esse caráter desde a infância.

. . . Ela é sempre a escrava, humilhada e corrompida, e o homem permanece ainda seu senhor em busca de prazer.

Sim, para abolir a escravidão, é antes de tudo necessário que a opinião pública admita que é vergonhoso lucrar com o trabalho do próximo; e para emancipar a mulher, é necessário que a opinião pública admita que é vergonhoso considerá-la um instrumento de prazer.

Tal é o homem, que se mostra em toda a hedionda nudez de sua natureza egoísta, quase abaixo dos "animais" que "pareceriam saber que seus descendentes continuam a espécie, e por isso seguem uma certa lei." Mas "o homem sozinho não sabe, e não quer saber.

. . . . O senhor da criação—o homem; que, em nome de seu amor, mata metade da raça humana! Da mulher, que deveria ser sua companheira no movimento da Humanidade rumo à liberdade, ele faz, por causa de seus prazeres, não uma companheira, mas uma inimiga.

. . ." E agora fica abundantemente claro por que o autor da Sonata a Kreutzer tornou-se subitamente, aos olhos de todos os homens—"o caso mais notório saído do manicômio." O Conde Tolstói, que sozinho ousou dizer a verdade ao proclamar toda a relação entre os sexos como atualmente "uma abominação grosseira e vil", e que assim interfere com "os prazeres do homem"—deve, naturalmente, esperar ser proclamado um louco.

Ele prega a "virtude cristã", e o que os homens querem agora é o vício, tal como os próprios romanos antigos jamais sonharam. "Apedrejai-o até a morte"—senhores da imprensa.

O que vocês gostariam, sem dúvida, de ver praticamente elaborado e pregado de todos os telhados, são artigos como "A Garota do Futuro", do Sr. Grant Allen. Felizmente, para os admiradores desse autor, o editor da Universal Review deixou de lado, por uma vez, "aquele tato requintado e aquela rara fineza de sentimento que o distinguem de todos os seus pares" (se é que devemos acreditar no editor do Scot's Observer). Caso contrário, ele jamais teria publicado um insulto tão descabido a toda mulher, –––––––––– Isso, apenas na Rússia "semi"-civilizada, se faz favor.

Na Inglaterra, ela ainda não tem sequer o privilégio de votar.

–––––––––– seja esposa ou mãe.


Tendo terminado com os diagnósticos de Tolstói, podemos agora voltar-nos para o paliativo de Grant Allen.

––––––––––

Mas até o Sr. Quilter se apressa, ao publicar essa efusão científica, a evitar identificar-se com as opiniões nela expressas. Tanto mais pena que ela tenha vindo a público de todo.

Tal como é, no entanto, trata-se de um ensaio sobre o "problema da Paternidade e da Maternidade" mais do que sobre o sexo; um escrito altamente filantrópico que substitui "o ponto de vista imensamente mais importante e essencial da sanidade e eficiência das crianças a serem geradas" ao "da conveniência pessoal dos dois adultos envolvidos" na questão do casamento.

Chamar a esse problema da época o "Problema do Sexo" é um erro; o "Problema do Casamento", outro, embora "a maioria das pessoas o chame assim com uma fluência ilógica". Portanto, para evitar este último, Grant Allen.

. . . "preferiria chamá-lo antes o Problema da Criança, ou, se quisermos ser muito gregos, por respeito a Girton, o Problema da Paedopoética." Após essa provocação a Girton, ele faz uma à Lei de Lord Campbell, que proíbe que certas questões demasiado decotadas sejam discutidas em público; depois disso, o autor faz uma terceira, às mulheres em geral.

Na verdade, sua opinião sobre o sexo frágil é muito pior do que a de Pozdnisheff na Sonata a Kreutzer, pois lhes nega até mesmo o intelecto médio do homem.

Pois o que ele quer é "as opiniões dos homens que pensaram muito sobre esses assuntos e as opiniões das mulheres (se houver) que pensaram um pouco." Sendo a principal preocupação do autor "a moldagem da futura nacionalidade britânica", e sua principal queixa contra a educação superior das mulheres, "o produto arruinado do sistema de exames locais de Oxford", ele faz uma quarta e uma quinta provocação, tão viciosas quanto as demais, contra "o Sr. Podsnap e a Sra.

Grundy" por seu pudor, e contra as damas "universitárias".

O que, então, ele pergunta: . . . . Em vez de correr o risco de avermelhar por um momento a face sensível da jovem pessoa, devemos permitir que o processo de povoar o mundo ao acaso com idiotas hereditários, bêbados hereditários,

DIAGNOSES E PALIATIVOS

tísicos hereditários, loucos hereditários, fracos hereditários, pobres hereditários continue sem controle, em sua moda existente casual e não criticada, para todo o sempre.

Deixe o câncer gerar câncer, e o crime gerar crime: mas nunca, por um único momento, sugira à mente pura de nossa corada donzela inglesa que ela tem qualquer dever a cumprir na vida em sua condição de mulher, exceto o de gratificar um apego romântico e sentimental ao primeiro bigode preto ou à primeira barba Vandyke que ela porventura encontrar.

. . . .

Tal fraqueza por um único "bigode preto" jamais servirá. O autor tem uma vocação "mais nobre", "mais elevada" para a "corada donzela inglesa", a saber, manter-se pronta para tornar-se uma mãe feliz e orgulhosa para o bem do Estado, por vários bigodes "pretos" e claros, em sequência, como veremos, desde que belos e saudáveis.

Daí sua rixa com a "educação superior" que debilita a mulher.

Pois—

. . . . . a questão é: nosso sistema atual nos proporcionará mães capazes de produzir filhos sadios e saudáveis, em mente e corpo, ou não? Se não o fizer, então inevitável e infalivelmente irá ruir.

Nem todas as Mona Cairds e Olive Schreiners que jamais balbuciaram grego podem lutar contra a força da seleção natural.

A sobrevivência do mais apto é mais forte do que a Srta. Buss, e a Srta. Pipe, e a Srta. Helen Gladstone, e o corpo docente da Girls' Public Day School Company, Limited, todos juntos.

A raça que permite que suas mulheres falhem em suas funções maternais afundará no abismo mais profundo do limbo, ainda que todas as suas moças se regozijem com logaritmos, fumem cigarros russos e representem tragédias esquilianas em quítons estéticos e arcaicos.

A raça que mantém a eficiência de suas mães nutrizes vencerá a longo prazo, ainda que nenhuma de suas moças possa ler uma linha de Luciano ou se gabar de algo melhor do que mentes e corpos igualmente desenvolvidos e bem equilibrados.

–––––––––– Tendo terminado sua introdução ao assunto, ele nos mostra de imediato para onde está rumando, embora finja poder dizer muito pouco nesse artigo; apenas "aproximar-se por uma avenida lateral de uma das obras exteriores menores da fortaleza a ser tomada de assalto". O que é essa "fortaleza", veremos agora, e pela pequena "avenida" "lateral" julgaremos a magnitude do todo.

O Sr. G. Allen, tendo diagnosticado aquilo que para ele é o maior mal da época, agora responde à sua própria pergunta.


Isto é o que ele propõe para produzir filhos sadios a partir de mães sadias — porque solteiras —, às quais ele exorta a selecionar para cada novo bebê um pai novo e bem escolhido.

É, você vê—

. . . . . . o que o Sr. Galton apropriadamente denomina "eugenia" — isto é, um esforço sistemático para o melhoramento da raça mediante a seleção deliberada dos melhores reprodutores possíveis, e sua união para fins reprodutivos com as melhores mães possíveis.

[O outro] deixa a procriação da raça humana inteiramente ao acaso, e isso resulta com demasiada frequência na perpetuação de doenças, insanidade, histeria, loucura e toda outra forma concebível de fraqueza ou vício na mente e no corpo.

Na verdade, para ver quão tola é nossa prática na reprodução da raça humana, basta contrastá-la com o método que empregamos na reprodução daqueles outros animais, cuja pureza de sangue, força e excelência se tornaram importantes para nós. Temos um reprodutor fino de sua espécie, seja garanhão, touro ou sabujo, e desejamos perpetuar suas melhores e mais úteis qualidades em descendência apropriada.

O que fazemos com ele? Amarramo-lo para a vida inteira a uma única matriz, e contentamo-nos com tais potros, bezerros ou filhotes que o acaso nos envie? Nem um pouco. Não somos tão tolos.

Nós o experimentamos livremente em todo um vasto campo de escolha, e nos esforçamos, cruzando suas próprias boas qualidades com as boas qualidades de várias éguas ou novilhas acreditadas, para produzir linhagens de valor diverso e bem misturado, algumas das quais se provarão no final mais importantes do que outras.

Dessa forma, obtemos a vantagem de diferentes misturas de sangue, e não jogamos fora todas as finas características de nosso reprodutor sobre um único conjunto de características em uma única matriz, que pode ou não se provar no final o complemento melhor e mais completo de sua natureza particular.

Estaria o teórico erudito falando aqui de homens e mulheres, ou discutindo a criação bruta, ou estariam os tipos humano e animal tão inseparavelmente ligados em sua imaginação científica a ponto de incapacitá-lo de traçar uma linha de demarcação entre os dois? Assim pareceria, pela maneira fria e fácil com que ele mistura os reprodutores e matrizes animais com homens e mulheres, coloca-os no mesmo nível e sugere "diferentes misturas de sangue". Abandonamo-lo de bom grado aos seus "reprodutores", pois, na antecipação dessa oferta científica, os homens já se tornaram animais desde o alvorecer da civilização.

Eles até conseguiram, enquanto amarravam

DIAGNÓSTICOS E PALIATIVOS sua "matriz" a um único "reprodutor" sob a ameaça da lei e do ostracismo social, assegurar para si mesmos plenos privilégios dessa lei e da Sra.

Grundy e têm tão grande escolha de “matrizes” para cada “reprodutor” individual, quanto seus meios lhes permitissem.

Mas protestamos contra a mesma oferta feita às mulheres de se tornarem, nolens volens, “éguas e novilhas acreditadas”. Tampouco estamos preparados para afirmar que mesmo a nossa moral moderna e frouxa aprovaria publicamente ou concederia a Allen a “liberdade” que ele almeja, “para tal variedade de experimentação”, sem a qual, diz ele, é bastante “impossível produzir os melhores resultados, no fim, para a humanidade”. Humanidade animal seria mais correto, embora ele explique que “não se trata meramente de uma questão de ovelhas premiadas e bois gordos, mas de uma questão de gerar os cidadãos mais elevados, mais finos, mais puros, mais fortes, mais sãos, mais saudáveis, mais belos e moralmente mais nobres”. Perguntamo-nos por que o autor não acrescenta a esses epítetos laudatórios mais dois, a saber, “os filhos mais respeitosos” e homens “mais orgulhosos de suas mães virtuosas”. Estes últimos não são qualificados por Grant Allen, porque, porventura, ele foi antecipado nesse ponto pelo “Senhor Deus” de Oseias (i, 2), que especifica a classe da qual o profeta é ordenado a tomar uma esposa para si.

Numa revista cujo editor acaba de defender a sacralidade do casamento diante do autor da Sonata Kreutzer, ao preceder a Confissão do Conde Tolstói com um elogio à Srta. Tennant, “a Noiva da Temporada” — a inserção de “A Garota do Futuro” é um tapa direto na face desse casamento.

Além disso, a ideia de G. Allen não é nova.

É tão antiga quanto Platão, e tão moderna quanto Auguste Comte e a “Comunidade Oneida” nos Estados Unidos da América.

E, como nem o filósofo grego nem o positivista francês se aproximaram do autor em seu naturalismo descarado e cínico — nem no Livro V da República, nem em “A Mulher do Futuro” no Catéchisme Positiviste — chegamos à seguinte conclusão.

Assim como o nome da “Mulher do Futuro” de Comte é o protótipo da “Garota do Futuro” de G. Allen, assim também os ritos diários de “acoplamento místico” realizados em Oneida devem ter sido copiados por nosso autor e publicados, com apenas uma pitada adicional de materialismo e naturalismo ainda mais grosseiros.


Platão não sugere mais do que um método para melhorar a raça humana pela eliminação cuidadosa de crianças doentias e deformadas, e pelo acasalamento dos melhores espécimes de ambos os sexos; ele se contenta com as "características finas" de "um único genitor" e "uma única genitora", e teria se horrorizado com a ideia de "a vantagem de diferentes misturas de sangue". Por outro lado, o sumo-sacerdote do Positivismo, sugerindo que a mulher do futuro "deveria deixar de ser a fêmea do homem" e, "submetendo-se à fecundação artificial", tornar-se assim "a Mãe Virgem sem marido", prega apenas uma espécie de misticismo insano.

Não é assim com Grant Allen.

Sua nobre ideia para a mulher é torná-la uma verdadeira égua reprodutora.

Ele a exorta a seguir: . . . . o impulso divino do momento, que é a voz da Natureza dentro de nós, incitando-nos ali e então (mas não por toda a vida) à união com um complemento predestinado e apropriado do nosso ser . . . [e acrescenta] Se há algo sagrado e divino no homem, certamente é o ímpeto interno que lhe diz de imediato, entre milhares de seus semelhantes, que esta mulher em particular, e nenhuma outra, é agora e aqui a mais bem adaptada para tornar-se com ele o progenitor de uma prole adequada. Se a seleção sexual entre nós (homens apenas, se assim o desejais) é mais discriminativa, mais especializada, mais caprichosa e mais refinada do que em qualquer outra espécie, não é essa a própria marca do nosso desenvolvimento superior, escolhendo para nós anatomicamente a ajuda mais adequada para as nossas funções reprodutivas?

Mas por que "divino"? E se assim é, por que apenas no homem, quando o garanhão, o porco e o cão compartilham esse "impulso divino" com ele? Na visão do autor, "tal variação ocasional, modificando e elevando o padrão moral geral" é enobrecedora; em nossa opinião teosófica, tal união casual por impulso momentâneo é essencialmente bestial.

Não é mais amor, mas luxúria, deixando de lado todo sentimento e qualidade superiores.

A propósito, como gostaria o Sr. Grant Allen de tal "impulso divino" em sua mãe, esposa, irmã ou filha? Finalmente, seus argumentos sobre a "seleção sexual" ser "mais caprichosa e refinada no homem do que em qualquer outra espécie de animal" são lastimáveis.

Em vez de provar essa "seleção" como "sagrada e divina", ele simplesmente mostra que

CONDESSA CONSTANCE WACHTMEISTER                                               1838-                                 Reproduzido a partir de uma impressão original pertencente à                             Sociedade Teosófica na América, Wheaton, Ill.

DIAGNÓSTICO E PALIATIVOS

o homem civilizado desceu mais baixo do que qualquer bruto, depois de todas essas longas gerações de imoralidade desenfreada.

A próxima coisa que nos podem dizer é que o epicurismo e a glutonaria são “impulsos divinos”, e seremos convidados a ver em Messalina o mais alto exemplo de uma matrona romana virtuosa.

Este novo “Catecismo de Ética Sexual” — assim o chamaremos? — termina com o seguinte apelo eloquente às “Garotas do Futuro” para se tornarem as éguas reprodutoras dos garanhões da sociedade culta:—        Este ideal de maternidade, creio eu, sob tais condições logo se cristalizaria em um dever religioso.

A mulher livre e educada, ela mesma na maioria das vezes sã, sensata e bela.

sentiria ser seu dever, se viesse a dar à luz filhos para o Estado, gerá-los à sua própria imagem, e pela união com um pai simpático e adequado.

Em vez de entregar sua liberdade irrevogavelmente a um único homem, ela a guardaria zelosamente como em confiança para a comunidade, e usaria sua maternidade como um dom precioso a ser empregado com parcimônia para fins públicos, embora sempre de acordo com os impulsos instintivos, para o melhor benefício da futura prole.

. . . . Se consciente de possuir qualidades maternais valiosas e desejáveis, ela as empregaria da melhor forma para o Estado e para sua própria prole, misturando-as livremente em várias direções com as mais nobres qualidades paternas dos homens que mais atraíssem sua natureza superior.

E certamente uma mulher que tivesse alcançado um ideal tão elevado dos deveres do sexo sentiria que estaria agindo de forma muito mais correta ao se tornar mãe de um filho deste esplêndido atleta, daquele pensador profundo, daquele Adônis de nobre moldagem, daquele poeta de alma elevada, do que se amarrar para a vida a este rico velho caduco, àquele jovem lorde frágil.

a este inválido gotoso, àquele miserável bêbado, para se tornar mãe de uma longa família de idiotas escrofulosos.

E agora, senhores da imprensa, severos críticos da "imoral" Sonata de Tolstói, austeros moralistas que se horrorizam com o "realismo sórdido" de Zola, que dizeis desta produção de um dos vossos próprios profetas nacionais, que evidentemente encontrou honra em sua própria terra? Artigos tão naturalistas como "As Garotas do Futuro", publicados na maior e mais vermelha Revista do globo, são, a meu ver, mais perigosos para a moral pública do que todas as ficções de Tolstói e Zola juntas.


Nele vemos o resultado da ciência materialista, que, encarando o homem apenas como um animal mais altamente desenvolvido, trata portanto sua porção feminina segundo seus próprios princípios animalistas.

Mergulhado até as orelhas em matéria densa e na plena convicção de que a humanidade, juntamente com seus primos-irmãos, os macacos, descende diretamente de um pai símio e de uma mãe babuína de uma espécie agora extinta, o Sr. Grant Allen deve, naturalmente, deixar de ver a falácia de seu próprio raciocínio.

Por exemplo, se é uma "honra para qualquer mulher ter sido amada por Shelley

. . . e ter trazido ao mundo um filho de um Newton", e outro "de um Goethe", por que as jovens que frequentam a Regent Street nas pequenas horas da noite e que estão encharcadas de tais "honras", por que não deveriam elas, perguntamos, receber reconhecimento público e um voto de agradecimento da Nação? As praças das cidades deveriam ser adornadas com suas estátuas, e Friné erigida doravante como exemplo ilustre para Hipátia.

Nenhum insulto mais cortante poderia ser oferecido às mulheres descendentes e às moças respeitáveis da Inglaterra.

Perguntamo-nos como as senhoras interessadas nos problemas sociais da atualidade apreciarão o artigo do Sr. Grant Allen! H. P. B. –––––––––– Escritos Coligidos VOLUME XII APÓSTOLOS MODERNOS E PSEUDO-MESSIAS [Lucifer, Vol. VI, No. 35, julho de 1890, pp. 379-383]

Provavelmente nunca houve um período em nossa memória mais propenso à produção de "grandes missões" e missionários do que o presente.

O movimento começou, aparentemente, há cerca de cem anos.

Antes disso, teria sido inseguro fazer tais reivindicações como são comuns nos dias atuais.

Mas os reveladores daquele tempo anterior eram poucos e distantes entre si em comparação com os que se encontram agora, pois são legião.

A influência de um

APÓSTOLOS MODERNOS E PSEUDO-MESSIAS

ou dois era poderoso; de outros, cujas crenças eram perigosamente próximas a uma forma comum de loucura—quase nada.

Todos reconhecerão uma grande diferença entre Anne Lee, cujos seguidores florescem no presente, e Joanna Southcote, cuja alucinação há muito tempo, e em sua própria época, despertou sorrisos em pessoas racionais.

A venerável senhora Shaker, a "Mulher" do Apocalipse xii, ensinou algumas verdades em meio a ideias confusas quanto ao seu funcionamento prático.

Ao menos, em uma época bastante frouxa, ela ergueu um ideal de vida pura que sempre deve apelar à natureza espiritual e às aspirações do homem.

Seguiu-se então um período de decadência moral nas percepções e obras messiânicas.

A poligamia ensinada e praticada por Joseph Smith e Brigham Young tem sido uma das características mais estranhas de qualquer revelação moderna ou suposta religião.

Zelo e martírio foram ambos ilustrados nesses líderes de cegos—um sem conhecimento, e o outro pior que inútil.

Foi uma profecia de profetas mais desregrados e seguimentos mais desastrosos.

Com a propagação do culto espiritualista, a mania messiânica aumentou enormemente, e homens e mulheres igualmente foram envolvidos em seus redemoinhos.

Dado um forte desejo de reformar de alguma forma o aspecto religioso ou social do mundo, um ódio pessoal de certos aspectos dele, e uma crença em visões e mensagens, o resultado era certo; o "Messias" surgia com uma panaceia universal para os males da humanidade.

Se ele (muito frequentemente ela) não fazia a reivindicação, ela era feita por ele.

Arrebatados pela força magnética, pela eloquência, pela coragem, pela ideia única do apóstolo do momento, muitos, por razões muito variadas, aceitavam-no ou aceitavam-na como o revelador da hora e de todos os tempos.

Com indignação ardente contra a escravização da mulher no casamento, Victoria Woodhull surgiu para proclamar a liberdade.

As forças concentradas dentro e ao redor dela resistiram a insultos, calúnias e ameaças.

Quais foram exatamente suas declarações, ou o que ela mesma quis dizer, não é fácil agora descobrir.

Se ela de fato pregou o amor livre, ela apenas pregou a danação da mulher.

Se ela meramente derrubou véus sociais e saqueou sepulcros caiados, ela prestou à

BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

raça humana um serviço.

O homem caiu a um nível tão material que é impossível suprimir a paixão sexual—mas sua exaltação é manifestamente a sua ruína.

Alguns viram em seus ensinamentos um caminho de liberdade caro às suas próprias simpatias e desejos, e suas fraquezas e loucuras desferiram para sempre um golpe mortal em qualquer doutrina real ou imaginária de amor livre, sustentada por quem quer que fosse.

Victoria Woodhull silenciou-se, e as mais recentes interpretações do Jardim do Éden e da queda do homem, com as quais ela rompeu o silêncio, não se aproximam, em verdade e lucidez, das captações inspiradas de Laurence Oliphant sobre o significado de algumas daquelas antigas alegorias no livro do Gênesis.

Cego como era para a chave da vida humana na filosofia da reencarnação, com sua lógica inexpugnável, ele deu alguns vislumbres vívidos e laterais da verdade em sua Religião Científica.

Contudo, Victoria Woodhull deve receber o que lhe é devido.

Ela foi uma força na terra, e após sua aparição, que agitou o pensamento nos indolentes, tornou-se mais possível falar e escrever sobre a questão social e suas vastas implicações.

Tanta tolice dita e praticada abertamente criou audiência para um pouco de sabedoria.

Depois disso, no campo espiritualista, muitas luzes menores se destacaram.

Alguns defenderam abertamente a liberdade sexual e foram cercados por influências da ordem mais perigosa.

A paz e a felicidade de muitos lares foram destruídas por esses ensinamentos, nunca mais para retornar.

Eles arruinaram os fracos e incautos, que colheram horas de agonia, e a quem o mundo falsamente considerou perversos.

A cruzada finalmente contra esses perigos mais abertos do espiritualismo tornou-se feroz, mas embora publicamente denunciado — um Oneida Creek jamais poderia se tornar popular! — o veneno disfarçado rasteja por canais subterrâneos, e é uma das primeiras armadilhas das quais o investigador mediúnico do Espiritualismo deve se precaver. As "afinidades" deveriam redimir o mundo, mas tornaram-se um provérbio.

Há uma história não escrita no Espiritualismo que nenhum de seus advogados inteligentes jamais registrará.

Alguns de seus mais recentes Messias e suas reivindicações são ignorados, e seus nomes mal mencionados, mas nada ouvimos sobre o processo de estufa pelo qual sua

APÓSTOLOS MODERNOS E PSEUDO-MESSIAS

condição anormal foi produzida.

Certos desses foram, verdadeiramente, vítimas de sua crença — pessoas cuja coragem e fé em uma causa mais justa lhes teriam conquistado vitória duradoura.

E certos desses são vórtices loucos nos quais os inexperientes são por fim engolfados.

A apoteose da paixão, do fruto amargo da qual o homem tem perene necessidade de ser redimido, é o sinal mais seguro da degradação moral.

A liberdade de amar segundo o impulso dos sentidos é a mais profunda escravidão.

Desde o princípio, a natureza cercou esse caminho com doença e morte.

Por mais miseráveis que sejam inúmeros casamentos, por mais vis que sejam as leis humanas que colocam o casamento no plano mais baixo, a salvação do amor livre é o sussurro da serpente novamente ao ouvido da Eva moderna.

Ninguém nega que há aspectos do Espiritualismo que foram úteis em alguns sentidos.

Com isso, porém, nada temos a ver. Apontamos agora para o modo como ele acentuou uma ilusão comum.

As reivindicações de apropriação final do profetizado ano de 1881, das duas testemunhas e da mulher vestida de sol são tão variadas e diversas que há segurança nos números.

Uma verdadeira compreensão da alegoria cabalística e das galerias e câmaras simbólicas da Grande Pirâmide dissiparia de imediato essas ideias e iluminaria essas iluminações.

Distinguir os raios brancos da verdade do influxo da esfera astral exige um treinamento que os sensitivos comuns, sejam eles espiritualistas declarados ou não, não possuem.

A ignorância envaldece, e os fracos sempre adorarão os audaciosos.

Alguns desses apóstolos denunciam igualmente o Espiritualismo e a Teosofia; alguns aceitam esta última, mas a tecem novamente numa versão própria; e alguns aparentemente surgiram, independentemente de qualquer outro culto, pela força de sua própria convicção ou da de outrem.

Ninguém pode duvidar da natureza poética da inspiração de Thomas Lake Harris.

Ele tinha uma cabeça intelectual e um coração para a poesia.

Tivesse ele se mantido longe de grandes reivindicações, teria sido classificado ao menos como um homem de habilidade literária e um reformador com quem outros reformadores desejariam apertar as mãos.


Seu poema sobre a Mulheridade deve ecoar em todo coração pensante.

Mas a suposição de privilégio pessoal e autoridade sobre os outros, e as teorias de "afinidade", o encalharam numa praia árida.

Há uma reencarnação declarada de Buda nos Estados Unidos, e uma reencarnação declarada de Cristo.

Ambos têm seguidores; ambos foram entrevistados e disseram o seu melhor.

Eles e outros semelhantes tiveram sinais, iluminações, conhecimento não comum aos homens, e eventos apontando de maneira marcante para este seu destino final.

Houve até mesmo um sussurro aqui e ali de nascimentos sobrenaturais.

Mas faltava-lhes o olhar de visão clara que pudesse reduzir esses fatos à sua devida ordem e interpretá-los corretamente.

Reis e potentados aparecem, e sonhadores de sonhos, mas nunca há um profeta ou Daniel em seu meio.

E o resultado é lamentável de se ver, pois cada um parece estar colocando a coroa sobre a própria cabeça.

Se a Teosofia não tivesse feito mais nada, teria feito uma exigência à gratidão humana ao colocar a verdade e a falsidade dessas experiências psíquicas, desdobramentos ou ilusões, conforme o caso, claramente diante do povo, e explicando sua razão de ser.

Ela mostrou um plano de humanidade, e o provou de forma inatacável a um número de pessoas, que transcende quaisquer poderes ou capacidades do psíquico inspirado que possa se imaginar um mensageiro para o mundo em geral.

Ela colocou a pureza pessoal em um nível que excluía nove décimos desses pretendentes de qualquer pensamento de sua suposta herança, e mostrou que tal condição de pureza, transcendendo em muito qualquer ideal popular de tal virtude, era a base absoluta e essencialíssima da percepção e realização espiritual.

Ela varreu o chão sob os pés daqueles pobres homens e mulheres que estavam ouvindo as chamadas mensagens dos anjos, de que eram os escolhidos do céu e deveriam cumprir missões mundiais.

As Joanas d'Arc, os Cristos, os Budas, os Micaéis, eram forçados a ver verdades que não haviam sonhado, e dons que jamais possuíram, exercidos em silêncio e com força potente por homens cujos nomes eram desconhecidos até mesmo para a história, e reconhecidos apenas por

APÓSTOLOS MODERNOS E PSEUDO-MESSIAS

discípulos ocultos, ou seus pares.

Algo mais elevado foi colocado diante da visão desses reformadores ansiosos do que a fama: era a verdade.

Algo mais elevado do que a união mais purificada entre até mesmo um homem e uma mulher nas mais espirituais das simpatias foi mostrado; era a união imortal da alma do homem com Deus.

Onde quer que a Teosofia se espalhe, ali é impossível que os iludidos enganem, ou que os iludidos sigam.

Ela abre um novo caminho, uma filosofia esquecida que viveu através dos tempos, um conhecimento da natureza psíquica do homem, que revela igualmente o verdadeiro status do santo católico e do médium espiritualista que a Igreja condena.

Reúne os reformadores, ilumina-lhes o caminho e ensina-lhes como trabalhar com maior eficácia em direção a um fim desejável, mas proíbe que qualquer um assuma uma coroa ou cetro, e não menos liberta de uma fútil coroa de espinhos.

Mesmerismos e influências astrais recuam, e o céu se torna claro o bastante para uma luz mais elevada.

Ela silencia o "Eis aqui! e eis ali!" e declara que o Cristo, como o reino dos céus, está dentro.

Ela guarda e aplica toda aspiração e capacidade de servir à humanidade em qualquer homem e mostra-lhe como fazê-lo.

Ela derruba o pedestal vertiginoso e cuida com segurança do ser humano em terreno sólido.

Portanto, desta maneira, e de todas as outras, é a mais verdadeira libertadora e salvadora do nosso tempo.

Enumerar os vários "Messias" e suas crenças e obras encheria volumes.

É desnecessário.

Quando as alegações conflitam, todas, à primeira vista, não podem ser verdadeiras.

Alguns ensinaram menos erro do que outros.

É quase a única distinção.

E alguns tiveram belos poderes comprometidos e paralisados por conduções que não compreenderam.

De uma coisa, pessoas de mente racional, à parte dos teosofistas, podem estar certas.

E isto é: o serviço à humanidade é sua recompensa plenamente suficiente; e que jarros vazios são os mais ressonantes de som.

Conhecer muito pouco da filosofia da vida, do poder do homem de redimir erros e ensinar outros, perceber como atravessar o emaranhado labirinto da existência neste globo e realizar algo de benefício duradouro e espiritual, é aniquilar todo desejo ou pensamento de se apresentar como um salvador enviado pelo céu ao povo.

Pois um 262                           BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

pouquíssimo autoconhecimento é de fato um nivelador, e mais democrático do que o mais ultra-radical pode desejar.

Os melhores reformadores práticos dos abusos externos que conhecemos, como a escravidão, a privação dos direitos da mulher, tiranias legais, opressões dos pobres, nunca sonharam em se apresentar como Messias.

A honra, por mais inútil que seja, seguiu-os sem ser buscada, pois uma árvore é conhecida pelos seus frutos, e até hoje "as suas obras os seguem". À alma que se gasta pelos outros, aquelas grandiosas palavras do poeta podem ser dirigidas para sempre:—

Consola-te—deixaste atrás de ti
Poderes que por ti hão de operar; ar, terra e céus;
Não há um sopro do vento comum
Que te esqueça—tens grandes aliados;
Teus amigos são exultações, agonias,
E amor, e a mente inconquistável do homem!

Com o advento da Teosofia, a mania messiânica certamente teve o seu dia, e vê o seu fim.

Pois se ela ensina, ou tem ensinado, uma coisa mais claramente do que outra, é que os "primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros." E diante do genuíno crescimento espiritual, e da verdadeira iluminação, o Teosofista cresce em poder para verdadeiramente ser amigo e ajudar seus semelhantes, enquanto se torna o mais humilde, o mais silencioso, o mais reservado dos homens.

Salvadores de sua raça, em certo sentido, viveram e viverão.

Raramente um foi conhecido.

Rara tem sido a ocasião em que assim ser conhecido foi conveniente ou possível.

Portanto, somente os tolos se precipitam "onde os anjos temem pisar."                                                                                  SPECTATOR.

Obras Completas VOLUME XII                       A SOCIEDADE TEOSÓFICA NA EUROPA

A SOCIEDADE TEOSÓFICA NA EUROPA                            [Lucifer, Vol.

VI, No. 35, julho de 1890, pp. 428-29]

Em consequência do recebimento de cartas de todas as Lojas ativas na Europa, e de uma grande maioria dos Membros não Filiados da Sociedade Teosófica, H. P. Blavatsky é relutantemente compelida a abandonar a posição que originalmente assumiu na fundação da Sociedade.

AVISO

EM OBEDIÊNCIA À VOZ QUASE UNÂNIME DOS MEMBROS DA SOCIEDADE TEOSÓFICA NA EUROPA, EU, H. P. BLAVATSKY, A ORIGINADORA E COFUNDADORA DA SOCIEDADE TEOSÓFICA, ACEITO O DEVER DE EXERCER A AUTORIDADE PRESIDENCIAL PARA TODA A EUROPA; E EM VIRTUDE DESTA AUTORIDADE DECLARO QUE A SEDE DA SOCIEDADE TEOSÓFICA EM LONDRES, ONDE RESIDO, SERÁ NO FUTURO A SEDE PARA A TRANSAÇÃO DE TODOS OS ASSUNTOS OFICIAIS DA SOCIEDADE TEOSÓFICA NA EUROPA.

H. P. BLAVATSKY

Que ninguém imagine que esta reforma de qualquer forma sugere uma separação de, ou mesmo o afrouxamento de qualquer maneira da autoridade de, meu colega em Adyar.

O Coronel H. S. Olcott permanece, como até agora, o Presidente-Fundador da Sociedade Teosófica em todo o mundo.

Mas tem-se verificado impossível para ele, a tão grande distância, exercer discriminação precisa nos assuntos atuais de orientação da Sociedade Teosófica.

Suas funções, incluindo a emissão oficial de Cartas e Diplomas na Europa, erros na seleção de membros aos quais tais Cartas e Diplomas são emitidos (além do pequeno mal do atraso) tornaram impossível que o sistema de governo da Sociedade Teosófica na Europa continuasse como antes.

BLAVATSKY: OBRAS REUNIDAS

Na edição de *Lucifer* de agosto de 1889, usei as seguintes frases:—  
“H. P. Blavatsky sempre se curvará diante da decisão da maioria de uma Seção ou mesmo de uma simples Filial.... Não mais. . . tem o Presidente-Fundador o direito de exercer autocracia ou poderes papais, e o Coronel Olcott seria o último homem no mundo a tentar fazê-lo. São os dois Fundadores, e especialmente o Presidente, que virtualmente juraram lealdade aos Membros, a quem devem proteger. . . . e não tiranizar e dominar sobre eles” (página 508).  
Portanto, devido à emissão de uma Carta por ignorância dos fatos reais, e ao protesto imediato feito por todos os membros ativos das Lojas, e ao seu desejo unânime de que eu exerça a autoridade Presidencial sobre a Sociedade Teosófica na Europa, curvando-me à decisão da maioria, emiti o AVISO oficial acima.

Para evitar até mesmo a aparência de autocracia, seleciono como Conselho consultivo para me auxiliar no exercício dessas funções, além dos meus três colegas nomeados pelo Presidente, a saber: Annie Besant, e os Srs. W. Kingsland e Herbert Burrows, o Sr. A. P. Sinnett, Presidente da Loja de Londres, que se juntou cordialmente a esta reforma, o Dr. H. A. W. Coryn, Presidente da Loja de Brixton, Sociedade Teosófica, o Sr. E. T. Sturdy, e o Sr. G. R. S. Mead.

H. P. BLAVATSKY.

–––––––––– ––––––––––  
[ Ver “Um Enigma de Adyar,” no Vol. XI desta Série—Compilador.]  
––––––––––

AVENUE ROAD LONDRES  
H.P.B. residiu nesta casa de julho de 1890 até a época de sua morte em 8 de maio de 1891. De frente para a janela central estava sua escrivaninha na qual *A Doutrina Secreta* foi terminada.

Obras Reunidas VOLUME XII  
CIÊNCIA E A DOUTRINA SECRETA

CIÊNCIA E A DOUTRINA SECRETA  
[*Lucifer*, Vol. VI, No. 35, julho de 1890, p. 440]

Um dos dogmas ocultos que mais tem sido ridicularizado pelos cientistas incrédulos da imprensa e das plataformas populares é a afirmação de que a eletricidade é uma entidade, possuindo existência substancial.

Quantas vezes os sábios críticos derramaram escárnio sobre as cabeças dos teosofistas por acreditarem em tamanho absurdo, diante da infalível ciência moderna, que há muito tempo provara (Deus nos acuda!) que a eletricidade, a luz e o calor eram uma forma de energia! Mas, neste aspecto, como em tantos outros, a Nemesis da Verdade alcançou nossos difamadores.

No mais recente e mais completamente ortodoxo manual sobre Eletricidade, do Professor Oliver Lodge, na Série Nature, essa "autoridade científica" declara, em nome da ciência mais avançada, que a eletricidade não é energia — seja o que for — e sustenta a doutrina de que a eletricidade é o ÉTER, ou, se não o próprio éter, certamente uma "forma de sua manifestação". A roda do tempo traz estranhas vinganças, e a ora citada é apenas a precursora de muitos outros casos em que a ciência "ortodoxa" e "infalível" se apropriará silenciosamente dos ensinamentos ocultos, sem uma única palavra de reconhecimento, ensinando como fatos as próprias doutrinas que por anos escarneceu como "charlatanice anticientífica". Ex uno disce omnes.

Obras Completas, VOLUME XII 266                         BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

PROGRESSO E CULTURA                           [Lucifer, Vol.

VI, No. 36, agosto de 1890, pp. 441-450]                                                  "Unido a um selvagem sórdido — que me importavam o sol ou o                                                         clima?                                                  Eu, o herdeiro de todas as eras, nas fileiras dianteiras do tempo —                                                  -----------------------------------------------------                                                  Não em vão a distância acena.

Avante, avante deixemos                                                         nosso alcance,                                                  Deixai o grande mundo girar para sempre pelos anéis                                                         ressoantes da mudança.

Através da sombra do globo, varremos o dia mais jovem;  
Melhor cinquenta anos de Europa do que um ciclo de Catai.”  
—TENNYSON, Locksley Hall, linhas 177-184.

Nós, do século que se autodenomina o XIX de nossa era, somos muito orgulhosos de nosso Progresso e Civilização — a Igreja e os eclesiásticos atribuindo ambos ao advento do Cristianismo — “Apaguem o Cristianismo das páginas da história do homem,” dizem eles, “e o que teriam sido suas leis? — o que sua civilização?” Sim; “não há uma lei que não deva sua verdade e gentileza ao Cristianismo, não há um costume que não possa ser rastreado em todas as suas partes santas e saudáveis até o Evangelho.” Que absurdo vangloriar-se, e quão facilmente refutado! Para desacreditar tais afirmações, basta lembrar que nossas leis são baseadas nas de Moisés — vida por vida e dente por dente; recordar as leis da santa Inquisição, isto é, a queima de hereges e bruxas às hecatombes, ao menor pretexto; o suposto direito dos mais ricos e dos mais fortes de vender seus servos e semelhantes à escravidão, não para cumprir a maldição lançada sobre Cam, mas simplesmente “para comprar as luxúrias da Ásia por sup

PROGRESSO E CULTURA

percorrendo o mercado de escravos dos sarracenos; e, finalmente, as leis cristãs mantidas até hoje na Inglaterra, chamadas de incapacidades femininas, sociais e políticas. Além disso, como nos benditos dias da ignorância de nossos antepassados, deparamo-nos agora com pérolas tão escolhidas de descarada bazófia como esta: “Falamos de nossa civilização, nossas artes, nossa liberdade, nossas leis, e esquecemos inteiramente quão grande parcela de tudo isso se deve ao Cristianismo” (Rose). Exatamente! “nossas leis e nossas artes”, mas nem “nossa civilização” nem “nossa liberdade”. Ninguém poderia contradizer a afirmação de que estas foram conquistadas apesar da oposição mais terrível da Igreja durante longos séculos, e diante de seus repetidos e estrondosos anátemas contra a civilização e a liberdade e os defensores de ambas. E, no entanto, apesar do fato e da verdade, insiste-se constantemente que até mesmo a posição elevada (?!) da mulher cristã, em comparação com sua irmã “pagã”, é inteiramente obra do Cristianismo! Se fosse verdade, seria, na melhor das hipóteses, um pobre elogio a uma religião que afirma superar todas as outras. Como não é verdade, porém — tendo Lecky, entre muitos outros escritores sérios e dignos de confiança, mostrado que “em toda a legislação feudal (da cristandade) as mulheres foram colocadas numa posição legal muito inferior à do Império Pagão” —, quanto mais cedo e mais frequentemente esse fato for mencionado, melhor será para a verdade simples. Além disso, nossas leis eclesiásticas estão, como se disse, minadas pelo elemento mosaico. É Levítico, não o código romano, o criador e inspirador da legislação — nos países protestantes, pelo menos.

––––––––––       *View of the State of Europe during the Middle Ages*, de H. H. Hallam, LL.D., F.R.A.S., p. 473 [ed.]. O autor acrescenta: “Esse comércio não era peculiar a Veneza. Na Inglaterra, era muito comum, mesmo após a Conquista, exportar escravos para a Irlanda; até que, no reinado de Henrique II, os irlandeses chegaram a um acordo de não importação que pôs fim à prática.” E então, em uma nota de rodapé: “Guilherme de Malmesbury acusa a nobreza anglo-saxônica de vender suas servas, mesmo quando grávidas deles, como escravas a estrangeiros.” Eis o modo cristão de tratar como Abraão com Hagar, com vingança! –––––––––– Progresso, diz Carlyle, é “movimento vivo”. Isso é verdade; mas só o é na condição de que nenhum peso morto, nenhum cadáver impeça a liberdade desse “movimento vivo”. Ora, em seu conservadorismo intransigente e em sua falta de espiritualidade, a Igreja não é melhor do que um corpo morto.


Portanto, ela impediu e ainda impede o verdadeiro progresso.

De fato, enquanto a Igreja — a mais mortal inimiga da ética de Cristo — esteve no poder, dificilmente houve qualquer progresso.

Foi somente após a Revolução Francesa que a verdadeira cultura e civilização tiveram um começo justo.

Aquelas senhoras que reivindicam dia após dia e noite após noite, com tão séria e apaixonada eloquência, nas reuniões da “Liga pelo Sufrágio Feminino”, sua legítima parcela de direitos como mães, esposas e cidadãs, e ainda assim frequentam o culto “divino” aos domingos — dedicam-se, na melhor das hipóteses, ao negócio inútil de furar buracos na água do mar.

Não são as leis do país que elas deveriam questionar, mas a Igreja e, principalmente, a si mesmas.

É o Carma das mulheres de nossa era.

Foi gerado com Maria Madalena, ganhou expressão prática pelas mãos da mãe de Constantino, e encontrou renovada força em cada Rainha e Imperatriz “pela graça de Deus”. O Cristianismo judaico deve sua vida a uma mulher — *une sublime hallucinée*, como diz Renan. O Protestantismo moderno e o Catolicismo Romano devem sua existência ilegítima, novamente, a mulheres dominadas pelo clero e frequentadoras de igrejas; à mãe que ensina ao filho sua primeira lição de Bíblia; à esposa ou irmã que força seu marido ou irmão a acompanhá-la à igreja e à capela; à solteirona emotiva e histérica, admiradora de todo pregador popular.

E, no entanto, os predecessores destes últimos, por quinze séculos, degradaram as mulheres de todos os púlpitos!     Em *Lucifer* de outubro de 1889, no artigo “As Mulheres do Ceilão”, podemos ler a opinião do Diretor Donaldson, LL.D., da Universidade de St. Andrews, sobre a degradação da mulher pela Igreja Cristã.

Isto é o que ele disse abertamente na *Contemporary Review*:

É uma opinião prevalecente que a mulher deve sua posição elevada atual ao Cristianismo.

Eu costumava acreditar nessa opinião.

Mas nos primeiros três

PROGRESSO E CULTURA

séculos, não fui capaz de ver que o Cristianismo teve qualquer efeito favorável sobre a posição das mulheres, mas, ao contrário, que tendeu a rebaixar seu caráter e a contrair o âmbito de sua atividade.

Quão correta é, então, a observação de H. H. Gardener, de que no Novo Testamento, "as palavras irmã, mãe, filha e esposa são apenas nomes para degradação e desonra"! ––––––––––

Que o acima exposto é um fato, pode ser visto em várias obras, e até mesmo em certos semanários.

"Saladin", do Agnóstico, dá em seu último "At Random" provas eloquentes disso, apresentando dezenas de citações.

Aqui estão algumas delas:—

Sra.

Mary A. Livermore diz: "Os primeiros pais da Igreja denunciaram as mulheres como animais nocivos, males necessários e perigos domésticos." Lecky diz: "Invectivas ferozes contra o sexo formam uma porção conspícua e grotesca dos escritos dos pais." Sra.

Stanton diz que os livros sagrados e o sacerdócio ensinam que "a mulher é a autora do pecado, que [em conluio com o diabo] efetuou a queda do homem." Gamble diz que no quarto século, homens santos debateram seriamente a questão: "Devem as mulheres ser chamadas de seres humanos?" Mas deixemos os pais cristãos falarem por si mesmos.

Tertuliano, da seguinte maneira lisonjeira, dirige-se à mulher: "Você é o portal do diabo; a que destampou a árvore proibida; a primeira desertora da lei divina.

Você é aquela que persuadiu aquele a quem o diabo não era valente o suficiente para atacar.

Você destruiu a imagem de Deus — o homem." Clemente de Alexandria diz: "É vergonhoso refletir sobre a natureza da mulher." Gregório Taumaturgo diz: "Um homem entre mil pode ser puro; uma mulher, nunca." "A mulher é o órgão do diabo." — São Bernardo.

"Sua voz é o sibilar da serpente." — Santo Antônio.

"A mulher é o instrumento que o diabo usa para tomar posse de nossas almas." — São Cipriano.

"A mulher é um escorpião." — São Boaventura.

"O portal do diabo, a estrada da iniquidade." — São Jerônimo.

"A mulher é uma filha da falsidade, uma sentinela do inferno, a inimiga da paz." — São João Damasceno.

"De todas as feras selvagens, a mais perigosa é a mulher." — São João Crisóstomo.


"A mulher tem o veneno de um áspide, a malícia de um dragão." — São Gregório Magno.

É surpreendente, com tais instruções dos pais, que os filhos da Igreja Cristã não devam "olhar para as mulheres e considerá-las iguais aos homens"?

Ademais, é a mulher emocional que, mesmo nesta hora de progresso, permanece como sempre a principal sustentáculo da Igreja! Não, é ela novamente a causa única, se devemos acreditar na alegoria bíblica, de que exista qualquer cristianismo ou igrejas.

Pois imagine apenas onde estariam ambos, não tivesse nossa mãe Eva dado ouvidos à Serpente tentadora.

Em primeiro lugar, não haveria pecado algum.

Em segundo lugar, tendo o Diabo sido frustrado, não haveria necessidade de qualquer Redenção, nem de qualquer mulher para ter "descendência" a fim de que esta "esmagasse com o calcanhar a cabeça da serpente"; e assim não haveria nem Igreja nem Satanás.

Pois como expresso por nosso velho amigo Cardeal Ventura di Raulica, Serpente-Satanás é "um dos dogmas fundamentais da Igreja, e serve de base para o cristianismo." Retire essa base e toda a luta desaba nas águas escuras do esquecimento.

Portanto, declaramos a Igreja ingrata para com a mulher, e esta última nada mais que uma mártir voluntária; pois se sua emancipação e liberdade exigiam mais que uma coragem moral mediana há um século, agora exige muito pouco; apenas uma firme determinação.

De fato, se os escritores antigos e modernos podem ser acreditados, em cultura real, liberdade e dignidade própria, a mulher do nosso século colocou-se muito abaixo da antiga mãe ariana, da egípcia — da qual Wilkinson e Buckle dizem que ela tinha a maior influência e liberdade, social, religiosa e política, entre seus compatriotas — e até da matrona romana.

O falecido Peary Chand Mitra mostrou, com "Manu" em mãos, a que supremacia e honra as mulheres da antiga Aryavarta haviam sido elevadas.

O autor de "As Mulheres do Antigo Egito" nos diz que "desde os tempos mais remotos de que podemos vislumbrar, as mulheres do Egito gozavam de uma liberdade ––––––––––        [Gougenot des Mousseaux, Mœurs et pratiques des démons, p. x.] ––––––––––

PROGRESSO E CULTURA

e independência com as quais as nações modernas estão apenas começando a sonhar." Para citar mais uma vez de "At Random":—

Sir Henry Maine diz: . . . , nenhuma sociedade que preserve qualquer vestígio de instituição cristã é provável que restaure às mulheres casadas a liberdade pessoal conferida a elas pela lei romana média." . . . [Ancient Law, p. 158.]      A causa dos "Direitos da Mulher" foi defendida na Grécia cinco séculos antes de Cristo.

Helen H. Gardener diz: “Quando a lei pagã a reconhecia [a esposa] como igual ao marido, a Igreja descartou essa lei.” Lecky diz: “Nas lendas da Roma antiga temos ampla evidência tanto da alta estima moral pelas mulheres quanto de sua proeminência na vida romana.

As tragédias de Lucrécia e de Virgínia exibem uma delicadeza de honra e um senso da excelência suprema da pureza imaculada que nenhuma nação cristã pode superar.”

Sir Henry Maine, em seu *Direito Antigo* [pp. 153, 155, 156, 159], diz que “a desigualdade e a opressão relacionadas às mulheres desapareceram das leis pagãs” e acrescenta: “a consequência foi que a situação da mulher romana, casada ou solteira, tornou-se de grande independência pessoal e proprietária... mas o cristianismo tendeu, desde o início, a estreitar essa notável liberdade.” Ele ainda diz que “os jurisconsultos da época contendiam por melhores leis para as esposas, mas a Igreja prevaleceu na maioria dos casos e estabeleceu as mais opressivas.” O Professor Draper,

em seu *Desenvolvimento Intelectual da Europa*, apresenta certos fatos sobre o tratamento ultrajante das mulheres por homens cristãos (incluindo o clero) que seria extremamente indelicado de minha parte repetir.

Moncure D. Conway diz: “Não há capítulo mais cruel na história do que aquele que registra a prisão, pelo cristianismo, do crescimento natural da civilização europeia no que diz respeito às mulheres.” Neander, o historiador da Igreja, diz: “O cristianismo diminui a influência da mulher.”

–––––––––– Assim, fica amplamente provado que, em vez de uma posição “elevada”, é uma posição degradada aquela para a qual o cristianismo (ou antes, a “Igrejice”) trouxe a mulher.

Além disso, a mulher não tem nada a agradecer-lhe.

E agora, uma palavra de bom conselho a todos os membros de Ligas e outras sociedades ligadas aos Direitos da Mulher.

Em nossos dias de cultura e progresso, agora que se mostra que somente na União reside a força, e que os tiranos só podem ser derrubados por suas próprias armas; e que, finalmente, descobrimos que nada funciona melhor do que uma “greve” — que todos os campeões dos direitos das mulheres façam greve e se comprometam a não pôr os pés em igreja ou capela até que seus direitos sejam restabelecidos e sua igualdade com os homens seja reconhecida por lei.

Profetizamos que, antes de seis meses, cada um dos Bispos no Parlamento trabalhará tão zelosamente quanto elas mesmas para apresentar projetos de reforma e aprová-los.

Assim, a lei mosaica e talmúdica será derrotada para a glória de—MULHER.

––––––––––

Mas o que são realmente cultura e civilização? A ideia de Dickens de que nossos corações se beneficiaram tanto com o macadame quanto nossas botas é mais original de um ponto de vista literário do que aforístico.

Não é verdade em princípio, e é desmentida na natureza pelo próprio fato de que há muito mais homens e mulheres de bom coração e nobre espírito nas aldeias rurais enlameadas do que no macadamizado Paris ou Londres.

A cultura real é espiritual.

Ela procede de dentro para fora, e a menos que uma pessoa seja naturalmente nobre de espírito e se esforce para progredir no plano espiritual antes de progredir no físico ou externo, tal cultura e civilização não serão melhores do que sepulcros caiados cheios de ossos de mortos e decadência.

E como pode haver qualquer verdadeira cultura espiritual e intelectual quando credos dogmáticos são a religião de Estado e impostos sob a pena do opróbrio de grandes comunidades de "crentes". Nenhum credo dogmático pode ser progressista.

A menos que um dogma seja a expressão de um fato universal e comprovado na natureza, ele não é melhor do que escravidão mental e intelectual.

Aquele que aceita dogmas facilmente acaba por se tornar ele próprio um dogmático.

E, como Watts disse bem: "Um espírito dogmático inclina um homem a ser censorioso de seus vizinhos.

. . . . Ele é tentado a desdenhar seus correspondentes como homens de entendimento baixo e obscuro porque eles não creem no que ele crê."

PROGRESSO E CULTURA

O acima encontra sua demonstração diária em clérigos fanáticos, em padres e rabinos.

Falando destes últimos e do Talmude em conexão com progresso e cultura, notamos alguns artigos extraordinários em Les Archives Israélites, o órgão principal dos judeus franceses, em Paris.

Neles, a estagnação de todo progresso através do fanatismo é tão evidente que, após ler alguns artigos assinados por nomes tão conhecidos de homens de cultura como F. Crémieux ("Cléricalisme et Judaisme"), A. Franck, membro do Instituto ("Les Juifs et l'Humanité"), e especialmente um artigo de Élie Aristide Astruc, "Grand rabin de Bayonne, grand rabin honoraire de la Belgique," etc.

("Pourquoi nous restons Juifs") — ninguém pode detectar o mais leve traço do progresso da época, ou preservar a menor esperança de jamais testemunhar aquilo que os cristãos se comprazem em chamar de regeneração moral dos judeus.

Este artigo (para não mencionar os outros), escrito por um homem que goza de enorme reputação por sua erudição e capacidade, traz estampado em sua face as provas do que é a cultura intelectual, menos a espiritualidade.

O artigo é dirigido aos judeus franceses, considerados os mais progressistas de sua raça, e está repleto da mais ardente e apaixonada apologia do Judaísmo Talmúdico, saturado de ponta a ponta de colossal presunção religiosa.

Nada pode se igualar à sua autolouvação.

Ela impede todo progresso moral e toda reforma espiritual no judaísmo; convoca abertamente a raça a exercer mais do que nunca um exclusivismo intransigente, e desperta a forma mais sombria e mais fanática de ignorante intolerância.

Se tais são as opiniões dos líderes dos judeus estabelecidos na França, o viveiro da civilização e do progresso, que esperança resta para seus correligionários de outros países? –––––––––– O artigo, "Por que permanecemos judeus", é curioso.

A. Astruc, o erudito autor do mesmo, notifica solenemente seus leitores de que os judeus têm de permanecer, nolens volens, judeus, pois nenhuma das religiões existentes poderia "satisfazer o gênio da nação". "Fôssemos forçados a romper com o judaísmo", argumenta ele, "onde está aquela outra crença que pudesse guiar nossas vidas?" Ele fala da estrela que outrora surgiu no Oriente e conduziu os Magos a 274 BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

Belém, mas pergunta: "poderia o Oriente, o berço das religiões, dar-nos agora um verdadeiro credo? Nunca!" Em seguida, volta-se para uma análise do islamismo e do budismo.

O primeiro, ele considera demasiado árido em dogma e demasiado ritualista em forma, e mostra que jamais poderia satisfazer a mente israelita. O budismo, com suas aspirações ao Nirvana, considerado como a maior realização da bem-aventurança e "a mais abstrusa consciência do não-ser" (?), parece-lhe demasiado negativo e passivo.

Não nos deteremos para discutir essa nova fase da metafísica, isto é, o fenômeno do não-ser dotado de autoconsciência.

Vejamos antes a análise do autor sobre as duas formas de cristianismo — o catolicismo romano e o protestantismo.

O primeiro, com seu trinitarismo e os dogmas da Encarnação Divina e da Redenção, é incompreensível "à mente livre do israelita"; o segundo está demasiado disperso em inúmeras seitas para jamais se tornar a religião do futuro.

Nenhuma dessas duas fés "poderia satisfazer um judeu", diz ele; portanto, o rabino implora a seus correligionários que permaneçam fiéis ao judaísmo, ou à lei mosaica, pois essa fé é a melhor e a mais salvadora de todas; é, em suma, como ele a coloca, "a expressão última e mais elevada do pensamento religioso humano". Este artigo ultra-fanático tem atraído a atenção de vários jornais "cristãos".

Um deles repreende severamente seu autor por seu medo de dogmas apenas porque a razão humana é incapaz de compreendê-los; como se, acrescenta ele, "qualquer fé religiosa pudesse jamais ser construída sobre a razão"! Isso é bem dito, e denotaria um pensamento verdadeiramente progressista na mente do crítico, não fosse sua definição de crença em dogmas uma defesa de boa-fé deles, o que está longe de mostrar progresso filosófico.

Então, o revisor russo, temos o prazer de dizer, defende o budismo contra o ataque do rabino.

Gostaríamos que nosso honorável amigo entendesse que ele está bastante errado ao subestimar o budismo, ou ao considerá-lo, como o faz, como infinitamente inferior ao judaísmo.

O budismo, com sua aspiração espiritual voltada para o céu e suas tendências ascéticas, é, com todos os seus defeitos, inegavelmente mais espiritual e humanitário do que o judaísmo jamais foi, especialmente o judaísmo moderno, com sua exclusividade inimiga, seu sombrio e despótico kahal, seu mortífero ritualismo talmúdico, que é um substituto judaico para a religião, e seu ódio determinado a todo progresso (Novoye Vremya). Isso é bom.

Mostra um começo, de qualquer forma, de cultura espiritual no jornalismo de um país considerado até agora como apenas semicivilizado, enquanto a imprensa das nações plenamente civilizadas geralmente respira intolerância religiosa e preconceito, senão ódio, sempre que fala de uma filosofia pagã.

––––––––––

E, afinal, a que equivale a nossa civilização diante das grandiosas civilizações do Passado, agora tão remotas e tão esquecidas, a ponto de fornecer à nossa vaidade moderna a ideia confortadora de que nunca houve verdadeiras civilizações antes do advento do cristianismo? Os europeus chamam as raças asiáticas de "inferiores" porque, entre outras coisas, comem com as mãos e não usam lenços de bolso.

Mas quanto tempo faz que nós, da Cristandade, deixamos de comer com o polegar e os dedos, e começamos a assoar o nariz com cambraia? Desde os primórdios das nações até o fim do século XVIII, a Cristandade ou permaneceu ignorante do uso do garfo, ou o desprezou.

E, no entanto, na Roma dos Césares, a civilização estava no auge do seu desenvolvimento; e sabemos que, se nos banquetes de Lucullus, famosos pelo seu luxo e suntuosidade extravagantes, cada convidado escolhia o seu pedaço suculento mergulhando os dedos num prato de iguarias raras, os convidados dos Reis da França faziam o mesmo ainda no século passado.

Quase 2.000 anos se passaram, entre Lucullus e os Césares pagãos, por um lado, e os últimos Bourbons, por outro, e, no entanto, os mesmos hábitos pessoais prevaleciam; encontramos o mesmo nas brilhantes cortes de Francisco I, Henrique II, Luís XIII e Luís XIV.

O historiador francês Alfred Franklin dá, nos seus interessantes volumes *La Vie privée d’autrefois du XIIe au XVIIIe siècles, Les Repas*, etc., uma massa de informações curiosas, especialmente quanto à etiqueta e às leis de decoro que existiam naqueles séculos.

Aquele que, em vez de usar delicadamente os seus três dedos, usasse a mão inteira para pescar um pedaço de comida do prato, pecava tanto contra o decoro naqueles dias, quanto aquele que põe a faca na boca enquanto come, nos nossos dias.


Os nossos antepassados tinham regras muito estritas sobre limpeza: por exemplo, sendo os três dedos *de rigueur*, eles não podiam ser lambidos, nem enxugados na própria jaqueta, mas tinham de ser limpos e secos após cada prato "na toalha de mesa". O VI volume da obra citada familiariza o leitor com todos os detalhes dos diversos costumes.

O hábito moderno de lavar as mãos antes do jantar — existindo agora, na verdade, apenas na Inglaterra — era estritamente *de rigueur*, não só nas cortes dos reis franceses, mas era um costume geral, e tinha de ser repetido antes de cada prato.

A função era desempenhada nas cortes por camareiros e pajens, que, segurando na mão esquerda uma bacia de ouro ou prata, derramavam com a mão direita, de um jarro semelhante, água aromática e morna sobre as mãos dos comensais.

Mas isso foi no reinado de Henrique III e IV. Dois séculos depois, diante do progresso e da civilização, vemos esse costume desaparecer, e ser preservado apenas nas cortes e pela mais alta aristocracia.

No século XVI, começou a cair em desuso: e até Luís XIV limitava suas abluções a uma toalha úmida.

No seio da burguesia, havia quase desaparecido; e Napoleão I lavava as mãos apenas uma vez antes do jantar.

Hoje, nenhum país, exceto a Inglaterra, preservou esse costume.

––––––––––     Quão mais limpos são os povos primitivos em comer do que nós — os hindus, por exemplo, e especialmente os brâmanes.

Estes não usam garfos, mas tomam um banho completo e trocam inteiramente suas roupas antes de se sentarem para jantar, durante o qual lavam as mãos repetidamente.

Nenhum brâmane comeria com ambas as mãos, ou usaria seus dedos para qualquer outro propósito enquanto come.

Mas os europeus do século XVIII precisavam ser lembrados, como encontramos em várias obras sobre etiqueta, de regras tão simples como a seguinte: "Considera-se impróprio, e até indecente, tocar o próprio nariz, especialmente quando cheio de rapé, enquanto se come o jantar" (loc. cit.). No entanto, os brâmanes são "pagãos" e nossos antepassados, cristãos.

Na China, garfos nativos (palitos) eram usados 1.000 anos

PROGRESSO E CULTURA

a.C., como o são agora.

E quando foi adotado o garfo na Europa? É o que Franklin nos conta.

Carnes assadas eram comidas com os dedos ainda no início deste século.

Montaigne observa em seus *Ensaios* que mais de uma vez mordeu os dedos devido à sua precipitação habitual ao comer.

O garfo era conhecido nos dias de Henrique III, mas raramente usado antes do final do século passado.

A esposa de Carlos, o Belo (1324), e Clemência da Hungria tinham em seu dote apenas um garfo cada uma; e a Duquesa de Tours tinha dois.

Carlos V (1380) e Carlos VI (1418) tinham em seu inventário de mesa apenas três garfos de ouro — para frutas.

Carlota de Albrey (1514) também três, que, no entanto, nunca foram usados.

A Alemanha e a Itália adotaram o garfo em suas refeições um século antes do que os franceses. Cornet, um inglês, ficou muito surpreso, ao viajar pela Itália em 1609, ao encontrar "uma arma de aparência estranha, desajeitada e perigosa chamada garfo", usada pelos nativos enquanto comiam.

Em 1651, encontramos Ana da Áustria recusando-se a usar essa "arma" e comendo junto com seu filho (Luís XIV) com os dedos.

O garfo entrou em uso geral apenas no início do nosso próprio século.

Para onde, então, voltar-nos-emos para encontrar uma confirmação da alegação mendaz de que devemos nossa civilização e cultura, nossas artes, ciências e tudo o mais, à influência elevadora e benigna do Cristianismo? A ele nada devemos — nada, absolutamente nada, nem física nem moralmente.

O progresso que alcançamos, até agora, relaciona-se em todos os casos a aparatos puramente físicos, a objetos e coisas, não ao homem interior.

Temos agora todas as conveniências e confortos da vida, tudo o que satisfaz nossos sentidos e vaidade, mas nem um átomo de melhoria moral encontramos na cristandade desde o estabelecimento da religião de Cristo.

Assim como o capuz não faz o monge, a renúncia aos antigos deuses não tornou os homens melhores do que eram antes, mas apenas, talvez, piores.

De qualquer forma, criou uma nova forma de hipocrisia — o fingimento; nem a civilização se espalhou tanto quanto

Vários milhares de anos a.C., as Amazonas dançavam a Dança Circular ao redor da “Grande Mãe”, nos Mistérios; as filhas de Siló, desnudas até a cintura, e os profetas de Baal, despojados de suas roupas, giravam e saltavam igualmente nos festivais sabeus.

Isso era simplesmente simbólico do movimento dos planetas ao redor do Sol, mas agora é rotulado como dança fálica.

Como então as gerações futuras caracterizarão nossas danças de salão modernas e a valsa favorita? Que diferença há entre as antigas sacerdotisas do deus Pã, ou as Bacantes, com o restante das dançarinas sagradas, e as modernas sacerdotisas de Terpsícore? Realmente vemos muito pouca.

Estas últimas, nuas quase até a cintura, dançam igualmente sua “dança circular”, enquanto giram pelo salão de baile; a única distinção entre elas sendo que as primeiras realizavam sua dança sem se misturar com o sexo oposto, enquanto os valsistas são abraçados por sua vez nos braços de estranhos, de homens que não são nem seus maridos nem seus irmãos.

Quão insondáveis são teus mistérios, ó esfinge do progresso, chamada civilização moderna! –––––––––– Collected Writings VOLUME XII O ARGUEIRO E A TRAVE [Lucifer, Vol. VI, No. 36, August, 1890, pp. 470-478]

Guias cegos, que coais um mosquito e engolis um camelo. . . . —Mateus xxiii, Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, e não consideras a trave que está no teu próprio olho?” —Mateus vii, 3.

Oh, a virtuosa indignação, a tempestade rugidora levantada nas almas ternas dos filantropos americanos e britânicos com o boato de que as autoridades russas na Sibéria não são tão ternas quanto deveriam para com seus prisioneiros políticos! Que alvoroço de protestos altos de “reuniões de indignação”, de gigantescas assembleias para denunciar seus vizinhos, enquanto mantêm prudentemente silêncio sobre as mesmas más ações em casa.

Uma reunião monstruosa de cerca de 250.000 homens protestou no outro dia no Hyde Park “em nome da civilização e da humanidade” contra o comportamento brutal de alguns oficiais e carcereiros russos desconhecidos.

Agora, pode-se compreender facilmente e apreciar inteiramente os sentimentos das massas, dos oprimidos, dos pobres sofredores e da plebe em geral.

Sendo estes "espezinhados" do nascimento à morte pelos nobres e ricos de sua própria terra, e tendo todos, sem exceção, muitas chagas no coração, devem senti-las vibrar de dor e de simpatia por seus irmãos em sofrimento de outros países.

É verdade que a energia despendida na

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

referida reunião poderia ter sido mais utilmente dirigida, talvez, contra "Sibérias" e "Casas dos Mortos" locais e coloniais; mas, tal como foi, sendo o impulso genuíno, todo teósofo o considerou com respeito.

Mas aquilo a que todo membro da Sociedade Teosófica deveria recusar esse sentimento de simpatia é o cântico hipócrita nessa questão de certos editores que permanecem mudos diante dos malfeitos em sua pátria, derramando toda a sua ira sobre o abuso de poder e a brutalidade dos oficiais russos.

Isso é suficiente para fazer uma coruja rir em plena luz do dia.

Que acusações de crueldade sejam apresentadas, e manchas leprosas sejam apontadas no corpo da Rússia pela Inglaterra e pela América, é uma peça de audácia moral suficientemente curiosa; mas que essa atitude seja apoiada e até mesmo imposta por certos editores, em vez de ser ignorada com prudente silêncio, faz pensar no sábio adágio "aqueles a quem os Deuses querem destruir, primeiro enlouquecem". Para o estudante da natureza humana, um mundo de instrução está contido nisso, e ele sente gratidão por essa experiência adicional.

Tendo em mente que Lúcifer nada tem a ver com a situação política em todo esse assunto, lembre-se o leitor de que ela tem, por outro lado, tudo a ver com seu aspecto moral.

Tendo sua missão no coração, a saber: trazer "à luz as coisas ocultas das trevas", tem naturalmente muito a dizer sobre o João bêbado e o Jonas bêbado acenando tão carrancudamente para o Pedro bêbado, e moralizando tão gravemente com ele como se fossem eles próprios sem pecado.

Aqui o escritor fala primeiramente como teósofo e somente em segundo lugar como russo; não excusando a Rússia, nem acusando a Inglaterra e a América, mas simplesmente lançando o pleno clarão da tocha da verdade sobre fatos que ninguém pode negar.

E uma vez estabelecida essa posição, o escritor diz: “Quão consolador e esperançoso poderia ter sido para a nossa sociedade em crescimento––aquela da ‘Fraternidade Universal da Humanidade’—tal exibição dos mais nobres e mais humanos sentimentos, não tivesse sido maculada por alguns fatos antecedentes,” dos quais trataremos em seguida.

Mesmo como o “protesto” contra a crueldade russa se apresenta agora, toda essa demonstração de piedoso respeito pelo mandamento de Cristo “amai os vossos inimigos” é estragada pelo desrespeito àquele outro

O CISCO E A TRAVE

injúnia “não serás hipócrita” — Na verdade, a Europa poderia estar perguntando agora, como George Dandin na comédia de Molière: «Qui de nous deux trompe-t-on ici?» Poderia até uma criança ser realmente enganada por tais protestos no Continente? Se toda essa exibição de indignação é capaz de impressionar alguém, no fim, serão apenas aquelas “raças inferiores” sob o domínio paternal e o governo benevolente de seus respectivos senhores brancos. Hindus e muçulmanos, birmaneses e cingaleses, ao ouvirem os ecos reverberantes do horror piedoso vindo do Ocidente, muito provavelmente contrastarão a ferocidade dos carcereiros e prisões russos com a de seus próprios governantes, com o “Buraco Negro” de Calcutá, de famosa memória, e as Ilhas Andamã; enquanto os infelizes e eternamente chutados negros dos Estados Unidos, os índios vermelhos morrendo de exposição e fome em seu deserto congelado, e até mesmo alguns chineses que buscam hospitalidade na costa do Pacífico, podem ainda vir a invejar a sorte dos “prisioneiros políticos da Sibéria”. . . . Mas que quadros imponentes! Do outro lado do “lago”, a eloqüência patética do Sr. George Kennan, o viajante siberiano, “que acabou de ver tudo isso com seus próprios olhos, veja só!” — arrancando lágrimas das pedras da rua e forçando os postes de iluminação a usarem seus lenços — sem falar dos cidadãos de cor, índios vermelhos e chineses. Deste lado do Atlântico, o Sr. Quilter, editor da *Universal Review*, mostrando igual fervor em favor dos “oprimidos”. O “Exílio por ordem administrativa” do Sr. Adolphe Smith, adornado pelo que o Sr. Stead chama de “um esboço fantasioso da flagelação da Madame Sihida” (?) graciando um dos ––––––––––      Ainda que essa “flagelação” fosse mesmo comprovada — o que não é —, por mais brutal e repugnante que o fato inegavelmente fosse, é realmente pior do que o chute da polícia em mulheres já derrubadas por eles; do que a paulada até a morte de homens e garotos aleijados? E se alguém lembra que a suposta “flagelação” ocorreu (se é que ocorreu) nos ermos da Sibéria, provavelmente a centenas de quilômetros de qualquer centro civilizado que se diga, e o bem comprovado “chutar e espancar” bem no meio da cidade mais civilizada do mundo, a saber, em Trafalgar Square, parece mesmo que é apenas “seis de um, meia dúzia de outro”. –––––––––– últimos números da *Universal Review* produz igualmente seu efeito.


Movido por um espírito de nobre cavalheirismo, seu editor emitiu, como todos sabem, uma circular aos membros do Parlamento, lordes, juízes, diretores de faculdades e assim por diante, para perguntar-lhes “se (a) o atual sistema de exílio siberiano por ordem administrativa” não era “uma desgraça para uma nação civilizada”; e (b) se as autoridades acima mencionadas não “consideram que medidas devem ser tomadas para chamar a atenção do Governo de Sua Majestade para tais ultrajes, a fim de que uma reclamação diplomática fosse dirigida ao Czar”! Como isso pertence ao domínio da política, e não nos importamos de invadir terreno proibido, aqueles ansiosos por aprender algo sobre as respostas são recomendados a ler o excelente resumo desse curioso incidente na página 489 da Review of Reviews de junho; mas devemos citar algumas linhas dela, nas quais o leitor aprenderá (1) que algumas das autoridades consultadas são de opinião de que “o exílio na Sibéria é... um castigo justo e benéfico... muito melhor para os criminosos do que o nosso próprio sistema penitenciário (britânico)”; (2) que o ultraje contra Madame Sihida “não se baseia em evidências irrepreensíveis”, a descrição recordando à memória do escritor “uma imagem igualmente dramática de um príncipe polonês acorrentado em uma gangue de condenados a um assassino, uma história que o irmão desse príncipe posteriormente declarou ser falsa”. Mas o que não pode ser refutado por nenhum meio é aquela outra e muito mais legítima agitação em curso na Inglaterra há longos anos, e agora em seu auge neste país, a favor do sufrágio feminino, e as causas que a fizeram surgir.

A maioria dos teósofos leu o admirável discurso da Sra. F. Fenwick Miller sobre o programa da Liga pelo Sufrágio Feminino; e muitos de nossos teósofos pertencem a essa Liga.

E há aqueles que declararam que muitas mulheres na Inglaterra — mesmo agora, quando muitas das chamadas “incapacidades” das mulheres foram felizmente removidas após séculos de servidão penal a seus maridos — teriam de bom grado consentido em trocar de lugar com “Madame Sihida”, quem quer que ela seja — não como uma política

––––––––––        The National Liberal Club, 25 de fevereiro de 1890. ––––––––––                                      DR. FRANZ HARTMANN                                                1838-                  Retrato tirado nos últimos anos de sua vida, e reproduzido de um               panfleto intitulado: Zum Gedächtnis an Dr. Franz Hartmann (1838-1912)                 que foi escrito por Walter Einbeck e publicado em 1925 pela                         Theosophischer Kultur-Verlag em Leipzig, Alemanha.

O CISCO E A TRAVE

prisioneira talvez, mas como uma mulher açoitada.

O que é o horror de ser açoitada (onde a força brutal é usada, não há desonra, mas martírio), quando comparado com uma longa vida de escravidão moral e física? Qual das “servas do sexo” na livre Inglaterra não trocaria de bom grado sua posição de esposa e mãe pela de esposa e mãe na Rússia despótica? Ora, senhoras e senhores, que lutaram na agitação pela “Propriedade das Mulheres Casadas”, pelo “Projeto de Lei da Guarda de Crianças”, e pelo direito da mulher como indivíduo independente e cidadã, em vez da coisa e propriedade do marido que ela era e ainda é—estão cientes de que na Rússia despótica e “semicivilizada” os direitos das mulheres perante a lei estão em pé de igualdade com os dos homens, e em alguns casos seus privilégios são muito maiores? Que uma mulher rica que se casa com um homem é, e tem sido, desde os dias de Catarina II, senhora exclusiva de sua propriedade, não tendo o marido direito a um centavo sem a assinatura legal da esposa? Que uma moça pobre, casando-se com um homem rico, tem, por outro lado, direito legal à propriedade dele durante a vida e a uma certa parte após a morte, quer ele deixe em testamento ou não, e também direito à manutenção de si mesma e dos filhos, não importa o que ela faça? Não ouviram que uma mulher que possui propriedade e paga impostos é obrigada a dar seu voto, seja pessoalmente ou por procuração? E que tão grandemente ela é protegida pela lei que até uma criança nascida entre nove e dez meses após a morte do marido é considerada legítima por lei: simplesmente porque a gestação anormalmente prolongada ocasionalmente [sic] acontece, e que a lei declara que é mais consonante com a lei de Cristo perdoar nove mulheres culpadas do que prejudicar a décima que pode ser inocente? Comparem isso com as leis da livre Inglaterra em relação à mulher, que até cerca de oito ou nove anos atrás era simplesmente uma escrava, com menos direitos do que um negro de plantação.

Leiam novamente a Sra.

O artigo de Fenwick Miller (loc. cit. supra) e julgue Tudo foi contra ela

–––––––––– “Os Direitos da Mulher como Pregados pelas Mulheres”, por um “Observador”. Se separada (não divorciada), e o marido é um funcionário público, uma certa porção é deduzida de seu salário e paga à esposa.

–––––––––– recebendo uma educação superior, uma vez que ela deveria permanecer por toda a sua vida “sob a tutela de algum homem”. Ela não tinha direito à propriedade do marido, e perdia todo direito à sua própria, até mesmo a cada centavo que ganhava com seu próprio trabalho, não tendo, em suma, nenhum direito de possuir qualquer propriedade, fosse herdada ou adquirida.


Um homem que abandonasse sua esposa por outra mulher, deixando-a a ela e a seus filhos morrerem de fome, não era obrigado a sustentá-los, mas tinha o direito legal a cada centavo ganho por sua esposa abandonada, pois “a habilidade de seu cérebro não era dela, era do marido”. Não importava o que ele fizesse, ou qualquer crime que cometesse contra ela, ela não tinha reparação contra ele, não podia processá-lo, nem sequer tinha o direito de apresentar uma queixa contra ele.

Mais: ela não tinha direitos como mãe, reconhecendo a lei inglesa apenas o pai e o filho.

Seus filhos podiam ser tirados dela, separados de sua mãe para sempre, e não havia reparação para ela.

Diz a Sra. Fenwick Miller:––

A esposa não tinha, aos olhos da lei, simplesmente nenhuma existência . . . . Mesmo nos últimos dois anos, sete juízes em conclave declararam que a lei é hoje que uma mulher casada é, a este respeito, ainda absolutamente uma escrava, sem direitos de livre vontade em si mesma.

. . . Não era isto escravidão?. . . . As dores e a situação da mãe mulata inventada pelo gênio da Sra. Stowe fizeram toda a Inglaterra chorar; mas mães inglesas e escocesas também––mulheres refinadas, mães adoradoras . . . .—viram seus filhos arrancados de seu abraço ou fugiram secretamente e viveram em ocultação desolada com seus pequeninos, como o único modo de manter.

. . . perto de seus corações partidos as queridas de suas almas.

. . . .

Herbert Spencer parece ter dito o mesmo há muito tempo, nestas palavras:

As esposas na Inglaterra eram compradas do quinto ao décimo primeiro século, e ainda no século dezessete maridos de posição decente não se envergonhavam de bater em suas esposas.

Cavalheiros (!) organizavam festas de prazer com o propósito de ver miseráveis mulheres açoitadas em Bridewell.

Foi somente em 1817 que o açoitamento público de mulheres foi abolido na Inglaterra.

Entre 1817 e 1890 há apenas alguns anos.

Mas quantos séculos tem a civilização inglesa em comparação com a da Rússia, cuja era de barbárie só se encerrou com Pedro, o Grande?

O ARGUEIRO E A TRAVE     Quem, então, exceto homens capazes de tirar tal vantagem, ainda que legal, de suas mães, esposas e filhos, não confessaria que há muito menos crueldade até mesmo no açoitamento casual de uma mulher do que em tal opressão sistemática, a tortura por toda a vida de milhões de mulheres e mães inocentes ao longo dos séculos passados e até os dias de hoje? E por quais razões? Simplesmente para proteger as paixões animais e a luxúria, a depravação dos homens — os senhores e os legisladores.

E são os homens da Inglaterra que se recusaram, até serem forçados em seus últimos redutos, a revogar tais leis diabólicas, e que ainda se recusam a eliminar muitas outras igualmente iníquas, que chamam este caso isolado de açoitamento de "uma desgraça para a civilização"! E assim seria, se uma vez provado, como o são os desalmados da Inglaterra contra suas mulheres.

Sem dúvida, há muitos brutos bêbados e, portanto, cruéis entre os carcereiros e oficiais prisionais russos.

Mas cremos que não mais do que os que há em outros países, e provavelmente menos.

E aconselharíamos os editores que desejam agitar em favor do envio de "protestos" à Rússia a primeiro extrair a trave do olho de seu próprio país e só então voltar sua atenção para o argueiro no olho de seu vizinho.

Pois esse "vizinho" é um país que protege, de qualquer forma, suas mães e esposas, enquanto a Inglaterra deixa suas leis tratá-las simplesmente como bens e pertences de seus homens, e as trata como as mudas bestas da criação.

Se alguma vez houve uma verdadeira "desgraça para uma nação civilizada", foi a formação de inúmeras Sociedades para a prevenção da crueldade contra os animais, antes que alguém sequer pensasse em estabelecer uma Sociedade semelhante para a proteção das mulheres e crianças, e a punição de "chutadores de esposas" e bípedes canalhas que roubam esposas, tais como se encontram em todas as classes da Sociedade.

E por que não voltar a atenção pública para mais de uma "vergonha para uma nação civilizada", ocorrendo em solo britânico e em terras americanas, e.g., para o tratamento revoltante dos anglo-indianos para com milhões de nativos, do mais alto brâmane ao mais baixo pária, e a atitude não menos revoltante dos americanos brancos para com seus concidadãos negros, ou os infelizes índios vermelhos? Canibais infligem menos tortura aos seus prisioneiros de guerra do que as duas cultas nações cristãs em questão infligem aos seus Irmãos de cor das raças "inferiores".


Os primeiros matam e devoram suas vítimas, após o que estas ficam em paz; enquanto os brancos da Inglaterra e da América agem pior do que Cains para com seus súditos e cidadãos negros; eles os torturam mentalmente, quando não fisicamente, do berço ao túmulo; recusando-lhes todo privilégio a que têm direito, e então virando-se e cuspindo neles como se fossem tantos sapos.

Olhem para o infeliz Peles Vermelhas! Privado de cada palmo de sua terra ancestral, empurrado para o mar, roubado de seu suprimento de cobertores e provisões, o índio é deixado para congelar e morrer de fome às centenas e milhares, o que ele procede a fazer em meio a catacumbas de Bíblias, uma presa imprópria até para o urubu da pradaria . . . . Mas por que ir tão longe às colônias para nossos exemplos e provas, quando casos de repetidos açoites de mulheres, sim, de jovens garotas ainda na adolescência, exigem "Comissões Reais" em casa? Ruby, ou Como Garotas São Treinadas para a Vida Circense, por Amye Reade, um choque baseado em fatos, como a autora afirma, provocou o seguinte na Saturday Review (26 de julho de 1890): "COMISSÃO REAL." — O Sr. Gainsford Bruce, Q.C., M.P., prometeu que, assim que evidências suficientes puderem ser obtidas para justificar tal passo, ele chamará a atenção para o assunto na Câmara dos Comuns, com o objetivo de induzir o Governo a aconselhar Sua Majestade a nomear uma Comissão Real para investigar e relatar sobre o tratamento de crianças enquanto são treinadas para o ofício de cavaleiros de circo, acrobatas e contorcionistas.

"MANCHESTER GUARDIAN" diz: — "Ruby, por Amye Reade.

Este livro é notável por causa das acusações feitas pela autora contra um gerente ou gerentes em geral de circos.

É uma acusação tão tremenda que, se puder ser provada, a autora não deveria se contentar em apresentar um quadro para angustiar leitores de romances.

Ela deve reunir suas provas e apresentá-las ao Promotor Público.

A senhorita Reade afirma que, em casos de contumácia, moças de dezessete anos são despidas nuas pelo mestre do circo e açoitadas por ele até ficarem doentes, desmaiadas e sangrando.”

Entre os membros do Parlamento que “permitiram que seus nomes fossem usados como indicação de seu desejo de auxiliar a autora em seus . . . esforços para levar ao público as

O ARGUEIRO E A TRAVE

horríveis crueldades,” estão os Srs. Gainsford Bruce, Jacob Bright, Sir Richard Temple, etc., etc.

Agora, “Madame Sihida,” fosse ela o que fosse, era uma assassina (política ou não, não importa); mas essas infelizes moças de dezessete anos são vítimas perfeitamente inocentes.

Ah, senhores editores, das duas nações cultas e campeãs da cristandade, podem brincar à vontade de Sir Charles Grandison—essa união do perfeito cavalheiro e bom cristão—mas quem acreditará em vocês? Vossos protestos são apenas sugestivos da ética cristã de hoje e são um insulto à ética de Cristo. Não são melhores do que um flagrante exemplo de hipocrisia moderna e uma gigantesca apoteose da hipocrisia.

Nas palavras de Lermontov, o poeta russo, toda essa comédia—

“. . . . . . . . seria grotesca demais, na verdade,                                     Se não fosse tão dilacerante!’’

Leiam antes Les Races sauvages de Bertillon e Au pays des Cannibales de Charles Lümholtz—uma tradução francesa do sueco—se quiserem saber do que vossos amigos vos acusam, enquanto a Rússia é acusada de seus erros apenas por seus inimigos e por aqueles que invejam seu poder crescente. Tendo acabado de deparar com algumas resenhas dessas obras, é justo que nossos amigos tenham uma ideia das acusações publicadas contra a Inglaterra, ou melhor, suas colônias, e assim lhes seja dado o meio de comparar o “argueiro” russo com a “trave” britânica. Estávamos justamente nos preparando para corar pelas supostas malfeitorias da primeira, as quais malfeitorias, se verdadeiras, não seriam desculpadas por nenhum teosofista sob o fundamento de que os anglo-indianos e os americanos fazem muito pior em casa, bem como em suas colônias—quando vimos uma resenha russa dessas obras que nos fez ansiar por ler as próprias obras. Sabíamos há anos—o que o mundo inteiro sabe—em que ––––––––––        [M. Y. Lermontov, Soneto escrito em 1840 a Alexandra Osipovna Smirnova.]        [Título francês de sua obra norueguesa: Blandt menneskeoedere, 1887.] ––––––––––

de maneira civilizada e cristã, os ingleses e americanos trataram—não seus prisioneiros, políticos ou outros—mas simplesmente seus mais leais súditos e cidadãos, hindus inofensivos e outros "negros pagãos", negros trabalhadores e honestos, e os tão injustiçados índios vermelhos.

Mas não estávamos preparados para acreditar no que é publicado nas *Races Sauvages* de Bertillon e em *Au pays des Cannibales*, do conhecido viajante sueco na Austrália, Charles Lümholtz.

Vejamos a obra mais antiga.

Bertillon fala da Tasmânia e mostra que ali ainda havia cerca de 6.000 nativos, enquanto apenas sessenta e nove anos depois restava deles apenas uma lenda e um relato horripilante.

Em 1872 morreu o último dos tasmanianos.

O país foi varrido de seu último negro.

Como isso aconteceu? Este é o relato de Bertillon:

Para alcançar tão triste resultado, os [ingleses] não se detiveram diante de qualquer tipo de atrocidade... Começaram oferecendo 5 libras pela cabeça de cada adulto e 2 libras pela de cada bebê tasmaniano.

Para melhor suceder nessa caçada ao nativo, os [ingleses] trouxeram consigo aborígenes da Austrália e os usaram como cães de caça.

Mas como se constatou que o extermínio funcionava devagar demais para agradar aos ingleses, foi organizado um cordão, selecionado entre os colonos e a guarnição... e Arthur, então governador da ilha, foi nomeado seu chefe.

Depois disso, começou uma caçada regular aos tasmanianos... Os nativos eram levados para águas profundas, baleados, como que por acidente, e os que escapavam eram levados para as montanhas... logo pereciam... Alguns dos ingleses chegaram a usar arsênico e se vangloriavam disso. Alguns crânios das vítimas eram exibidos como troféus curiosos...

Ora, isso pode ser verdadeiro ou não; pode ser exagerado ou não, assim como no caso da "flagelação siberiana" e da crueldade com prisioneiros políticos.

Assim como essa última acusação nos chega dos inimigos da Rússia e de viajantes amantes de sensações, o relato da Tasmânia é contado pelo mesmo tipo de viajante e, além disso, de uma nação geralmente não amigável à Inglaterra.

Mas aqui vem algo mais moderno e digno de confiança, uma acusação de um amigo decidido da Inglaterra e dos australianos, e de alguém que diz o que viu com seus

––––––––––        [Páginas 223-24] ––––––––––

O CISCO E A VIGA próprios olhos, ouviu com seus próprios ouvidos—a saber, Charles Lümholtz, em sua obra chamada, na tradução francesa, *Au Pays des Cannibales*.

Citamos de uma ampla resenha russa da obra no *Novoye Vremya*, 2 (14) de maio de 1890, nº 5.080. Segundo esta, o “esclarecimento” das raças inferiores e dos selvagens ilhéus pelos ingleses propagadores da civilização não parou nos tasmanianos.

Isto vem da revelação de Lümholtz, e é horripilante!

Há um capítulo nesta obra que trata especialmente das relações dos colonos ingleses com os nativos, e que relações terrivelmente mortais! A vida de um negro não vale nada, ao que parece, e seus direitos à existência estão no mesmo nível dos de uma fera selvagem... Matar um nativo da Austrália é o mesmo que matar um cão aos olhos de um colono britânico... Mais do que isso: nenhum cão será tão cruelmente tratado na Europa.

Sua vida, a menos que seja perigosa para os homens, não será tirada sem qualquer causa.

Não é assim para o nativo da Austrália, segundo o testemunho do autor sueco, que mostra que há jovens que fazem questão de caçar os negros todos os domingos nas vizinhanças de suas cidades, passando sistematicamente o dia inteiro nesse esporte, simplesmente por prazer.

... Um grupo de quatro ou cinco cavaleiros prepara armadilhas ou, levando os selvagens a um desfiladeiro estreito, força-os a buscar refúgio em penhascos íngremes, e enquanto os infelizes escalam com risco de vida rochas nuas quase perpendiculares, uma bala após outra é disparada contra eles, fazendo até mesmo os levemente feridos perderem a pegada e, caindo, despedaçarem-se e rasgarem-se em pedaços nas saliências rochosas afiadas abaixo.

... Um posseiro em Long Lagoon tornou-se famoso pelo imenso número de negros que envenenou com estricnina.

E este não é um caso isolado.

Um fazendeiro de Lower Herbert confessou ao viajante sueco que tinha o hábito de queimar os corpos mortos dos nativos — para se livrar deles, a fim de destruir uma peça de evidência demasiado palpável.

Mas isso era apenas uma precaução extra.

Pois, embora a lei local (no papel) puna o assassinato, na realidade apenas o matar de homens brancos é chamado de assassinato.

Colonos ingleses ofereceram repetidamente a Lümholtz atirar em alguns negros, para conseguir para ele os crânios nativos de que precisava... Diante da lei, um selvagem negro é totalmente indefeso.

“Se eu fosse um nativo, mataria todo colono inglês que encontrasse,” disse um inglês exasperado, uma testemunha ocular como ele próprio, ao nosso autor.

Outro viajante, em sua carta a Lümholtz, refere-se a esses colonos britânicos como "as mais repugnantes caricaturas de cristãos... Os ingleses constantemente atiram pedras em outras nações por seu comportamento para com raças conquistadas, enquanto nenhuma palavra pode expressar o horror e a indignidade de seus próprios atos para com os nativos da Austrália."


Assim, tendo varrido da face da terra os infelizes tasmanianos, os colonos britânicos–––

. . . . com uma crueldade que um tigre poderia invejar, destroem até hoje os selvagens australianos.

Quando a primeira colônia da província de Victoria foi fundada, havia cerca de 10.000 nativos naquele distrito.

Em 1871, seu número caiu para 3.000; e em 1880 restavam apenas cerca de 800, ao todo.

Quantos permanecem vivos agora não sabemos; de qualquer forma, os números acima citados mostram eloquentemente que a influência civilizadora dos esclarecidos marinheiros deu frutos e sua obra está se aproximando do fim.

. . . . Mais alguns anos, e a raça aborígine australiana terá desaparecido da face da terra.

A província inglesa de Victoria, erguida sobre as terras do homem negro, encharcadas de seu sangue selvagem e fertilizadas com seus ossos, florescerá tanto mais luxuriantemente por isso . . . .

O Revisor Russo conclui com um parágrafo que pode ser tomado como um revide ao editor inglês da Universal Review e seus colegas.

Damos uma tradução literal do mesmo:—

Tal é o solo no qual essa atividade colonizadora, da qual os ingleses parecem tão orgulhosos, encontra sua vazão.

E é esse solo, sulcado em toda a extensão pela crueldade brutal do colono inglês sem alma, que proclama em alto e bom som ao mundo inteiro que, para ter o direito de atirar pedras em outras nações, não basta ainda estar coberto por uma pele inglesa.

É também necessário que a alma britânica não seja tão negra quanto são os corpos dos pobres nativos, e o solo deles arrancado; e que os infelizes selvagens não sejam vistos por seus conquistadores como nada melhores do que as múmias egípcias de gatos; a saber: bons apenas para servir de fertilizantes para as prósperas colônias de seus senhores.

E agora terminamos, deixando os detratores e autoproclamados juízes da Rússia às suas próprias reflexões.

Vivemos na Índia e por todos os países asiáticos; e, como teosofista, sentimo-nos obrigados a dizer que em nenhum lugar encontramos tal potencialidade de crueldade e hipocrisia sob as peles morenas e negras como sob a epiderme branca do europeu refinado, exceto, talvez, na classe dos gariwalas, os condutores de carroças de bois.

Se o leitor deseja aprender

O CISCO E A TRAVE

as características dessa classe, ser-lhe-á dito, para sua edificação, o que é esse personagem.

O gariwala pertence àquela espécie de humanidade à qual a fala foi dada para ocultar seus pensamentos, e que professa sua religião apenas porque isso serve aos seus fins.

Ao oferecer honras divinas e adoração à vaca e ao touro, e nunca deixando passar qualquer oportunidade de denunciar seu irmão gariwala ao brâmane da aldeia por desrespeito aos animais (sagrados), ele mesmo torce as caudas de sua junta de bois até que esses apêndices de seus deuses fiquem pendurados apenas por alguns fios de cabelo e sangue coagulado.

É o gariwala, então, quem deveria sentir um orgulho legítimo ao encontrar-se agindo nas mesmas linhas de hipocrisia lamurienta que seus senhores—os bara-sâhibs.

E, aproximando-se tanto, em sua humilde maneira, da política das duas nações mais civilizadas e cultas da cristandade, o gariwala talvez devesse ser promovido das fileiras da raça inferior para as da raça superior.

Temos apenas mais uma palavra a dizer.

Quando a Rússia tiver tanto dito sobre ela por seus amigos quanto Lümholtz diz da Austrália, e outros da Índia e da América, então todo homem e mulher honestos da Europa se juntarão às reuniões de indignação e aos protestos justos contra as atrocidades russas. Até lá, o melhor conselho que se pode dar aos ingleses e aos americanos é muito, muito antigo: "NÃO JULGUEIS, PARA QUE NÃO SEJAIS JULGADOS . . . pois como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho; e eis que uma trave está no teu próprio olho?" [Mateus vii, 1.]                                                                                           H. P. B.                         Escritos Reunidos VOLUME XII 292                               BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

NETUNO                                 [Lucifer, Vol.

VI, No. 36, agosto de 1890, pp. 515-16]

I. Em A Doutrina Secreta, afirma-se que Netuno não pertence ao sistema solar, mas é "mâyâvico". O que se quer dizer com isso? Netuno foi descoberto independentemente por dois matemáticos, e não diretamente pelo telescópio.

Obedece à lei da gravidade e produziu perturbações em Urano, que levaram à sua descoberta.

II. Diz-se em algum lugar de A Doutrina Secreta que o sistema solar é único e que em todo o universo não há nada semelhante a ele. Será isto realmente assim? Como o nosso sol é uma estrela, é razoável supor que algumas das outras estrelas sejam centros de outros sistemas solares.

—SIRIUS.

I. A passagem de A Doutrina Secreta a que se faz referência tão vaga será encontrada no Vol.

I, p. 102. Diz assim: "Netuno não pertence a ele [nosso sistema solar], não obstante sua aparente conexão com o sol e a influência deste sobre Netuno.

Essa conexão é máyavica, imaginária, dizem eles." Notem que a suposta conexão é dita máyavica, e não o fato da existência do planeta.

II. Todo sistema é sui generis, como todo planeta.—[Eds.]

––––––––––                    Obras Completas VOLUME XII                      PROGRESSO RECENTE NA TEOSOFIA                           [The North American Review, Vol.

CLI, No. 405,                                     Agosto, 1890, pp. 173-86]

O que quer que se pense da Teosofia e de seu movimento, o tempo ao menos provou que ela não é o efêmero que a imprensa americana e estrangeira a chamou em seu primeiro aparecimento.

Ela parece ter vindo a ocupar um lugar permanente no pensamento moderno, vindicando assim a

PROGRESSO RECENTE NA TEOSOFIA

verdade da observação de Sir John Herschel de que "o grande e, de fato, o único caráter da verdade é sua capacidade de resistir ao teste da experiência universal e sair inalterada de toda forma possível de discussão justa."     Infelizmente, a Teosofia nunca teve ainda uma chance "justa"; mas isso deve vir.

Ela foi representada sob uma luz das mais grotescas, deturpada a ponto de perder toda semelhança.

Com poucas exceções, até mesmo seus amigos mostraram em seus escritos publicados uma compreensão imperfeita do assunto.

Se tivesse sido discutida por seus méritos, à parte das personalidades com as quais o movimento tem sido associado, não podemos duvidar de que teria tido a esta altura uma voga muito mais ampla do que tem.

Todos os sinais apontam nessa direção.

Os esforços mais vigorosos de fanáticos, teológicos e científicos, e o emprego de ridículo, sarcasmo, deturpações e denúncias por seus opositores, falharam em conter o crescimento da Sociedade Teosófica ou sua influência, ou mesmo em impedir a expansão da ideia teosófica por todo o mundo.

Dificilmente o mais otimista entre os organizadores da sociedade sonhou com um sucesso tal como o que tem recompensado seus trabalhos.

O pequeno círculo de homens e mulheres ponderados que se reuniram numa sala de Irving Place, numa noite de verão do ano de 1875, construiu melhor do que sabiam (com sua previsão ainda não desenvolvida), ao resolverem organizar tal associação.

Somos frequentemente perguntados: “Qual é o objetivo geral da Sociedade Teosófica? Cui bono todo esse dispêndio de trabalho, toda essa energia expandida desde seu início para nadar contra a forte corrente do preconceito público, do ódio sectário e da impopularidade? Dos três objetivos bem conhecidos da Sociedade, não há um que não tenha tido, e não tenha, seus mestres e seguidores no passado como no presente.

Vosso primeiro objetivo, a saber, a fraternidade humana, está na própria base do Cristianismo; vosso segundo é promovido pelas sociedades asiáticas, pelos museus nacionais e por todos os orientalistas; vosso terceiro pode ser deixado nas mãos dos homens de ciência, que –––––––––––      1. Fraternidade humana; 2. Estudo das filosofias orientais; 3. Investigação das forças ocultas na natureza e no homem.

––––––––––– já dissecaram o Espiritualismo e explodiram o mesmerismo, e agora, sob a liderança da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, estão resolvendo a questão da transferência de pensamento, o fantasma dos vivos, e a Sociedade Teosófica.”     Notamos a exceção de que o cuco S.P.R. chocou seus primeiros ovos nos ninhos da Teosofia e do Espiritualismo; evidentemente tem a mesma relação com o corpo científico que com suas duas mães adotivas, e só pode gozar de uma intimidade superior como recompensa por sua traição a estas e por sua adulação servil à ciência materialista.


Em réplica às duas primeiras afirmações, os teosofistas perguntariam aos cristãos e aos orientalistas o que estavam fazendo em seus respectivos departamentos para realizar praticamente nossos dois primeiros objetivos? Sob correção, devo dizer que tem sido tudo conversa e teoria.

Será que o Sermão da Montanha, apesar de toda a sua beleza moral, fez com que as nações ditas cristãs se tratassem mutuamente no ideal espírito cristão, ou oferecessem fraternidade às nações e tribos asiáticas e africanas, que subjugaram pela força das armas ou por astúcia? E teria a perspicácia filosófica do Professor Max Müller, que há trinta anos nos vem mostrando que o mesmo sangue ariano corre no corpo moreno do sipai indiano como sob a pele alva do lord inglês e do merceeiro britânico, impedido o dominante anglo-indiano de dar aos súditos asiáticos da Rainha-Imperatriz provas cumulativas de seu supremo desdém? A Sociedade Teosófica tem sido chamada de Sociedade Real Asiática mais filantropia; e, como esta última carece do instinto de fraternidade e com demasiada frequência mostra disposição para sacrificar a verdade por predileção teológica, seus quase cem anos de trabalho têm derramado trevas em vez de luz sobre as

–––––––––––      O verdadeiro originador e fundador da S.P.R. foi "M. A. Oxon" (Sr. W. Stainton Moses), atualmente o Editor de Light.

Foi ele que, sendo então membro da S.T., propôs pela primeira vez a formação de uma sociedade nos moldes da há muito extinta Sociedade Dialética de Londres, para a investigação de fenômenos anormais.

Este cavalheiro deve ter lamentado mais de uma vez sua ideia.

A S.P.R., prole do Espiritualismo e da Teosofia, provou ser um parricida em potencial, embora bastante mal-sucedido até agora.

–––––––––––

PROGRESSO RECENTE NA TEOSOFIA filosofias, religiões e ciências arianas.

Quanto ao nosso terceiro objetivo, deve-se dizer do trabalho da S.P.R., e do trabalho superior dos hipnotizadores franceses de Paris e Nancy, que essas agências, embora acumulando uma massa de fatos importantes para futuros filósofos, com pouquíssimas exceções honrosas, fizeram o possível para dar uma interpretação falsa àqueles fenômenos que não podiam descartar pela teoria da fraude.

Suas oblações foram todas oferecidas no altar do Moloc do materialismo.

Visto que é inegável que essa tendência materialista tem culminado rapidamente sob influência universitária durante o último meio século, é evidente demais que a criação da Sociedade Teosófica na época em que surgiu foi muito oportuna, e um passo em direção à defesa da verdadeira ciência e da verdadeira religião contra um sciolismo que se tornava cada vez mais arrogante.

Os experimentos de Charcot na Salpêtrière têm sido tão insatisfatoriamente explicados pelos professores de sua escola materialista que o aparecimento da antiga filosofia esotérica na arena do pensamento ocidental foi uma necessidade vital.

A convicção já despontou nas mentes de alguns dos mais perspicazes experimentalistas ocidentais de que o "abismo intransponível" e o "incognoscível" dos Srs. Tyndall e Spencer jamais poderão ser transpostos ou conhecidos por algo que não seja a doutrina esotérica ariana.

O interesse erudito e a curiosidade popular demonstrados em todos os países quando um Teosofista ou a Teosofia vem à tona, e a popularidade universal da literatura teosófica e mística, que enriqueceu muitos editores e escritores, são indícios do desespero e da esperança da cristandade — desespero de que a ciência jamais decifre o enigma da vida; esperança de que a solução possa ser encontrada na doutrina secreta.

O Movimento Teosófico foi uma necessidade da época, e espalhou-se sob seu próprio impulso inerente, não devendo nada a métodos adventícios.

Desde o início, não teve dinheiro, dotação, nem patrocínio social ou governamental em que contar.

Apelou a certos instintos e aspirações humanas, e ergueu um certo ideal elevado de perfectibilidade, com o qual os interesses extrínsecos estabelecidos da sociedade conflitavam, e contra os quais estes estavam fadados a lutar.

Seus aliados mais fortes eram os anseios humanos por luz sobre o problema da vida, e por uma concepção mais nobre da origem, do destino e das potencialidades do ser humano.

Enquanto o materialismo e seu congênere, o secularismo, estavam empenhados em destruir não apenas a teologia e o dogmatismo sectário, mas até mesmo a concepção religiosa de um Eu divino, a Teosofia visou a unir todas as pessoas religiosas de mente ampla para a pesquisa da base real da religião e das provas científicas da existência e permanência do Eu Superior.

Aceitando com gratidão os resultados do estudo científico e da exposição do erro teológico, e adotando os métodos e máximas da ciência, seus defensores tentam salvar do naufrágio dos cultos a preciosa mistura de verdade a ser encontrada em cada um.

Descartando a teoria dos milagres e do sobrenaturalismo, esforçam-se por traçar o parentesco de toda a família das fés mundiais entre si, e sua reconciliação comum com a ciência.


A crescente inclinação da mente pública para a Teosofia parece marcar uma reação contra a influência iconoclasta da escola do Coronel Ingersoll e do Sr. Bradlaugh.

Sem dúvida, há milhares de chamados livres-pensadores que acreditam sinceramente na aniquilação pessoal após a morte do corpo; mas pareceria, pelo fato da recente conversão da Sra. Annie Besant do secularismo para a Teosofia, e das discussões que isso suscitou, que também há muitas pessoas alistadas como seguidoras dos dois grandes líderes acima mencionados que o são por ignorância das visões incluídas no termo Teosofia.

Nós, oficiais e membros da Sociedade Teosófica, somos, portanto, encorajados a esperar que, com a mais ampla disseminação dos fatos, veremos acessos muito grandes à nossa causa vindos das fileiras secularistas.

Certamente isso deve ser considerado um ganho pelos amigos da espiritualidade em oposição ao materialismo — aqueles, ao menos, que pensam que a moral, a paz e a prosperidade serão promovidas pela crença universal em uma vida após a morte (seja eterna ou fragmentada por uma série de reencarnações na mesma terra), e na posse, pelo homem, de um EU superior e imortal, poderes espirituais latentes e consciência.

PROGRESSO RECENTE EM TEOSOFIA

É pior para o público, particularmente para os sentimentos religiosos do público, que os órgãos do fanatismo sectário tenham conseguido tão bem, por perversão dos fatos, calúnia frenética e falsidade descarada, fazer nossa causa e a Sociedade parecerem sob uma luz tão falsa durante os últimos quatorze anos.

Nem são apenas os órgãos clericais que se dedicam a esse trabalho indigno e inútil; pois os semanários dos espiritualistas nos Estados Unidos são igualmente amargos e igualmente inverídicos em sua incessante denúncia da Teosofia.

A virulência e as vitupérias dos apóstolos intelectuais dos "guias espirituais" e "controles" da "Summerland" cresceram proporcionalmente ao crescimento da Sociedade Teosófica.

Os efeitos da última convenção realizada pelos teosofistas americanos em Chicago, em abril e 30 do presente ano, fornecem um exemplo brilhante desse ódio cego e feroz.

Tal foi o sucesso decidido e sem precedentes do último encontro que até mesmo os principais jornais de Chicago e de outras cidades tiveram de admitir o fato, encontrando, quase pela primeira vez, nada além de palavras de simpatia pelos teosofistas.

Sozinhos, os órgãos de "anjos" desencarnados derramaram tão infrutiferamente como sempre seus vasos de ira, zombaria e brutal calúnia sobre nós. Mas não lhes damos ouvidos.

Por que deveríamos? A mais extrema malignidade e a mais baixa traição não foram capazes de contestar nossas ideias, menosprezar nossos objetivos, refutar a razoabilidade de nossos métodos, ou imputar-nos um motivo egoísta ou desonesto.

E como nossos princípios declarados não são apenas inobjetáveis, mas admiravelmente calculados para fazer o bem à humanidade, esses conspiradores e caluniadores simplesmente impediram uma multidão de pessoas de inclinação religiosa de desfrutar da felicidade que teriam ao compreender a Teosofia como ela realmente é, e ao torná-la a regra orientadora de sua conduta.

Se a justiça é a lei da natureza, e a injustiça um mal transitório, terrível deve ser, de fato, a retribuição que essas pessoas desencaminhadas invocaram sobre suas próprias cabeças.

A

–––––––––––      Existem atualmente trinta e oito ramos autorizados da Sociedade Teosófica nos Estados Unidos, e a atividade na Costa do Pacífico nesse sentido é muito notável.

––––––––––– sufrimento que fomos obrigados a suportar serviu apenas como disciplina e nos ensinou a nos voltarmos mais lealmente para a doutrina esotérica em busca de conforto e encorajamento.


Sendo meu tema atual o progresso recente de nosso Movimento, a situação pode ser melhor ilustrada por referência a estatísticas.

Para evitar prolixidade, podemos começar com o ano de 1884, quando o ataque contra nós foi feito pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres.

Do relatório oficial daquele ano, verifica-se que em 31 de dezembro de 1884 existiam, em todas as partes do mundo, ramos autorizados da Sociedade Teosófica.

No ano de 1885, como resposta aos nossos caluniadores, dezessete novas cartas foram emitidas; em 1886, quinze; em 1887, vinte e duas; em 1888, vinte e uma; e até 1º de setembro de 1889, dezessete.

Até 31 de dezembro de 1888, seis cartas haviam sido revogadas, restando 173 ainda válidas; e se as novas de 1888 forem adicionadas, haveria um total bruto de 190 ramos autorizados, dos quais teriam de ser deduzidos quaisquer cancelamentos relatados durante os últimos doze meses.

Mas não ouvimos falar de nenhum.

Pelo contrário, até junho de 1890, encontramos em nossos registros mais de 200 ramos.

Na Inglaterra, um país onde a Teosofia tem de trabalhar contra a corrente mais do que em qualquer outro lugar, há três anos existia apenas uma Loja solitária — a "London Lodge" da Sociedade Teosófica, com cerca de 150 membros. Desde a chegada da presente escritora à Inglaterra e o estabelecimento da "Blavatsky Lodge", em junho de 1887 (que hoje conta com mais de 300 membros e associados), doze Lojas da Sociedade Teosófica foram fundadas em diversos centros da Grã-Bretanha, e o número de membros aumenta diariamente.

O crescimento da nossa sociedade neste país conservador tem sido mais extraordinário, em comparação, do que até mesmo nos Estados Unidos da América.

O crescimento desde o ataque de 1884 tem sido, portanto, de cerca de dezenove novas cartas por ano, e o cálculo final de 1889 mostrará um incremento igualmente grande.

Dividindo 104 — o total até o final de 1884 — por 10, o número de anos desde a fundação da sociedade, obtemos um crescimento médio anual de 10,4 Lojas; donde se conclui que, longe de ter sido esmagada até a inexistência, como os organizadores do ataque haviam esperado que pudesse ser o resultado, a Sociedade Teosófica aumentou consideravelmente sua taxa média de expansão, geográfica e numericamente.

É inútil lembrar ao leitor americano da perseguição implacável e sistemática à qual a escritora destas linhas — e, através dela, a Teosofia — está e tem estado, por anos, submetida na imprensa americana, por inimigos tão perseverantes quanto vis.

E se nenhuma conspiração, nenhum ataque, jamais pôde abalar seriamente a sociedade ou impedir seu movimento, nada jamais o fará.

Apenas repetimos com gratidão, parafraseando levemente, o adágio cristão agora tão aplicável ao nosso movimento: "O sangue dos mártires é a semente da Teosofia." A sua sociedade fez trabalho bom demais, o bom grão é evidente demais até mesmo nas pilhas de palha admitida, para não ter construído um fundamento seguro para o templo da verdade no futuro imediato, assim como no distante.

Pois, vede, a literatura da Teosofia está crescendo rapidamente.

Temos sete centros principais de publicação — Madras, Bombaim, Ceilão (Colombo), Estocolmo, Londres, Paris e Nova York.

A Loja de Estocolmo, fundada há pouco mais de um ano, tem muito mais de cem membros, e a nossa literatura na Suécia está se espalhando rapidamente.

O pequeno Ceilão tinha vinte e uma Lojas há três meses, e pode ter mais agora.

Madras é a sede geral da sociedade, residência oficial do Presidente e do pessoal executivo, e o escritório de *The Theosophist* fica lá.

Em Bombaim temos um "Fundo de Publicação Teosófica", criado e administrado pelo Sr. Tookaram Tatya, um teósofo hindu, que publica importantes obras em sânscrito e inglês; um empreendimento elogiado com grande apreço pelo Professor Max Müller em uma carta publicada tanto em *The Theosophist* quanto em *Lucifer*.

Em Londres há uma "Sociedade Editora Teosófica", que publica a revista *Lucifer* (editada pela Sra. Annie Besant e por mim) e uma série de panfletos chamados "T.P.S.", lançados quinzenalmente, e muitas novas obras teosóficas.

Seguindo o bom exemplo dado pela Sociedade Teosófica Ariana de Nova York — a sede do movimento teosófico na América — um comitê foi formado em Londres em maio passado para a ampla distribuição pelo correio de folhetos sobre doutrinas teosóficas, cabendo a cada membro a responsabilidade por um distrito definido.

Durante o primeiro mês do estabelecimento do "esquema de envio de folhetos" em Nova York, a Sociedade Teosófica Ariana distribuiu mais de 150.000 papéis sobre Teosofia e suas doutrinas.

Em Paris, outra revista mensal foi iniciada há um ano, a *Revue Théosophique*, editada por mim e administrada pela Condessa d'Adhémar; e agora outra revista teosófica surgiu — *Le Lotus Bleu* — desde março, também editada por mim e administrada por Arthur Arnould, um conhecido jornalista em Paris e Presidente da Sociedade Teosófica de Paris, "l'Hermès". Em Nova York temos *The Path*, cujo editor, Sr. W. Q. Judge, publicou também uma série de livros e panfletos.

A existência desses centros mostra inegavelmente que nosso movimento está em constante crescimento, e que todos os relatos interessados e maliciosos em contrário são infundados.

Mas é a nossa Biblioteca de Adyar, fundada pelo amoroso trabalho de nosso Presidente, Coronel H. S. Olcott, que é a coroa e a glória da Sociedade Teosófica.

Embora tenha apenas três anos, já adquiriu uma grande coleção de obras orientais do mais alto valor — 3.046 volumes — além de mais de 2.000 obras em línguas europeias e uma série de raros manuscritos em folhas de palmeira.

Nas palavras de nosso erudito bibliotecário, Pundit N. Bhâshyāchârya: . . . No departamento de Literatura Budista, é mais rica do que qualquer biblioteca na Índia e, provavelmente, igual à maioria das dos países ocidentais.

Da Sra.

Dias-Ilangakoon, F.T.S. de Matara, Ceilão, recebeu o nobre presente de uma coleção completa da versão em Pâli dos Tripitakas, gravada em folhas de palmeira e compreendendo volumes com quase 5.000 páginas.

Doze escribas a estilete foram empregados durante dois anos na cópia dos volumes a partir da coleção única em Merissa . . . . A coleção custou à Sra.

Ilangakoon cerca de Rs. 3.500. A seita Jodo dos budistas japoneses presenteou o Cel.

Olcott com uma coleção completa das

–––––––––––      Infelizmente, recém-falecido.

–––––––––––

PROGRESSO RECENTE EM TEOSOFIA

versões chinesas dos Tripitakas em 418 volumes, em papel de seda.

Outras obras religiosas japonesas e chinesas, explicativas dos dogmas de todas as seitas japonesas, foram-lhe apresentadas em número de 1.000 volumes.

E estas são complementadas por 22 pinturas em rolos de seda e papel, ilustrativas do mesmo assunto . . . . . [entre as quais] há duas em seda que se diz terem mais de 800 anos, e uma que é um manuscrito com cerca de 800 anos, escrito em fina tinta dourada sobre um rolo de papel preto muito liso, com trinta e três pés de comprimento, montado em um cilindro com pontas de ouro e cristal.

Há também uma grande pintura na qual, pintadas em cores vivas e desenhadas com o mais meticuloso detalhe, estão 137 cenas da vida do Fundador da seita Jodo.

Há também uma antiga biografia do Fundador Adepto dos Yamabushi, ou irmandade dos operadores de fenômenos, e um retrato em rolo dele mesmo, acompanhado por alguns elementais do fogo que ele parece ter subjugado à sua vontade treinada.

O Dr. Bigelow, de Tóquio [anteriormente de Boston], gentilmente ofereceu uma fotografia de um grupo em bronze representando Kobo-dai-shi, o Fundador Adepto da seita Shin-gon, acompanhado por dois pequenos elementais que o servem como mensageiros e domésticos.

Tudo o que mostra que o bode expiatório teosófico, H. P. Blavatsky, não inventou nem as irmandades de Adeptos nem os "elementais", cuja existência é conhecida no Japão, na China e na Índia há longos séculos.

Tais são alguns dos tesouros únicos em livros e antiguidades da Biblioteca de Adyar da S.T., "reunidos sob as maiores dificuldades de total falta de dotação pecuniária e patrocínio público", e que "não recebeu de nenhum Governo até agora sequer um único livro ou uma rupia." E essa nobre biblioteca sobreviverá aos fundadores e a todos os membros atuais da Sociedade Teosófica, e continuará falando do trabalho realizado quando muitas outras coisas forem esquecidas.

Tendo lançado um olhar apressado sobre o aspecto geral da sociedade tal como se apresenta no momento atual, permito-me expor muito brevemente os três amplos princípios sobre os quais ela se constrói, e então recapitular os resultados efetivamente alcançados sob cada título.

––––––––––– Vide o erudito e interessante artigo do Pandit N. Bhâshyāchârya, Diretor da Seção Oriental da Biblioteca de Adyar, em The Theosophist, Vol. X, No. 119, agosto de 1889, pp. 685-88. ––––––––––– Os três objetivos oficialmente declarados de nossa sociedade são: (1) Formar o núcleo de uma fraternidade universal da humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.


(2) Promover o estudo das literaturas, religiões, filosofias e ciências arianas e outras orientais.

(3) Um terceiro objetivo, perseguido por uma parte dos membros da sociedade, é investigar as leis inexplicadas da natureza e os poderes psíquicos do homem.

Dois objetivos gerais, um objetivo restrito, de atenção.

Todo aquele que entra na sociedade supõe-se simpatizar com a teoria da fraternidade essencial; um parentesco que existe no plano do eu superior, não no das dissimilaridades e antipatias raciais, sociais e mentais.

Esses elementos de discórdia pertencem ao homem físico e são o resultado do desenvolvimento desigual sob a lei da evolução.

Acreditamos que o corpo humano é apenas a casca, cobertura ou véu da entidade real; e aqueles que aceitam a filosofia esotérica e a teoria do "Karma" (a lei universal da causalidade ética) acreditam que a entidade, ao viajar ao redor de certos ciclos maiores e menores de existência com toda a massa de seres humanos, assume um corpo diferente ao nascer e o descarta ao morrer, sob a operação dessa lei cármica.

Contudo, embora possa assim vestir-se e revestir-se mil vezes em uma série de reencarnações, a entidade é inalterada e inalterável, sendo de natureza divina, superior a todos os ambientes no plano terreno.

É apenas o corpo físico que possui tipo racial, cor, sexo, ódios, ambições e amores.

Assim, quando postulamos a ideia de fraternidade universal, desejamos que se entenda que ela não é sustentada em nenhum sentido utópico, embora não sonhemos em realizá-la imediatamente no plano comum das relações sociais ou nacionais.

Certamente, se essa visão do parentesco de toda a humanidade pudesse ganhar aceitação universal, o senso aprimorado de responsabilidade moral que ela engendraria faria desaparecer a maioria dos males sociais e das asperezas internacionais; pois um verdadeiro altruísmo, em vez do egoísmo atual, seria a regra em todo o mundo.

Assim, temos                          **PROGRESSO RECENTE NA TEOSOFIA**

registrado como o primeiro de nossos objetivos declarados esta afirmação altruísta, e temos trabalhado praticamente para promover o início da lei melhor. O segundo de nossos objetivos declarados fala por si mesmo tão claramente que não preciso me alongar sobre ele, exceto da maneira mais casual. Os fundadores da Sociedade Teosófica pensaram que tinham a melhor razão para acreditar que existia, encerrado nas literaturas antigas da Índia, Ceilão, Tibete, China, Japão e outros países orientais, um corpo muito grande de verdade que seria da maior importância e valor para a geração atual, se pudesse ser acessado. Os melhores agentes para empregar nesse trabalho eram os eruditos orientais que conheciam as línguas antigas, especialmente aqueles — se algum pudesse ser encontrado — que haviam aprendido o significado oculto dos nomes, figuras e expressões com que a escrita asiática está repleta, e que são o desespero de nossos orientalistas ocidentais.

Esses sábios são sacerdotes de várias religiões e pandits, ou professores, em diversas escolas de pensamento filosófico orientais. Eles nunca haviam trabalhado juntos antes no interesse de toda a família humana, tão antagônicas são suas visões pessoais e tão mutuamente contraditórios seus vários livros religiosos e filosóficos.

Nenhum esquema de cooperação entre eles poderia ser realizado, exceto na linha definida em nosso primeiro objetivo declarado — isto é, na teoria da relação universal de toda a humanidade no plano do eu superior, e na política de não interferir no que concerne apenas às relações mútuas do eu inferior, o homem físico. Será mostrado oportunamente como essa parte de nosso esquema tem funcionado.

Observe a terceira declaração, de que apenas uma parte de nossos companheiros se ocupa do estudo das propriedades ocultas da matéria e dos poderes físicos do homem. A sociedade como um todo, então, não está envolvida nesse ramo de pesquisa. E naturalmente; pois de cada dez mil pessoas que se possa encontrar, é provável que apenas uma minoria muito pequena tenha tempo, gosto ou habilidade para empreender estudos tão delicados e desconcertantes. Aqueles que o fazem são místicos natos e, naturalmente, teosofistas natos; sendo um teosofista aquele que busca a sabedoria divina — isto é, a compreensão das causas últimas da força, correlação e desenvolvimento psíquico, o método de resolver todos os enigmas da vida.


Pessoas desse temperamento não podem ser fanáticas; incomodam-se sob o jugo sectário, e seus corações se aquecem de simpatia por todos os que sofrem, que gemem sob os fardos sociais resultantes da ignorância, por todos, de qualquer raça, credo ou cor, que aspiram ao conhecimento.

Esses homens são verdadeiros teosofistas, os irmãos da humanidade e, em seu completo desenvolvimento, os exemplos espirituais, guias, mestres e benfeitores de nossa raça.

Consideramos uma boa coisa proclamar essa linha de pesquisa e autodescoberta como o terceiro de nossos três objetivos.

Para aqueles que se interessam por ela, e todos os inquiridores que eles alcançam e encorajam, foram escritos os livros filosóficos místicos dos tempos presentes e passados.

Para o público em geral, esses livros são caviar.

Tomando as três divisões de nossos objetivos em ordem, vejamos o que foi realmente realizado durante os catorze anos de existência da Sociedade Teosófica.

A compilação será feita a partir de documentos oficiais e poderá ser verificada a qualquer momento.

Primeiro, no que diz respeito ao objetivo número um, note-se que fizemos coisas na escala mais ampla possível, lidando com nações em massa, bem como com indivíduos ou pequenos grupos.

O Coronel Olcott e eu nos mudamos de Nova York para Bombaim no início do ano de 1879, momento em que acabávamos de estabelecer relações entre estudantes ocidentais do misticismo oriental e alguns hindus e cingaleses educados.

No Oriente, encontramos divisão entre seitas, castas e raças; as religiões antigas negligenciadas e não apreciadas pelas classes instruídas; o orgulho racial, a reverência pelos ancestrais e o espírito patriótico quase extintos.

Agora, o viajante ficará impressionado com a fraternidade que começou a prevalecer; o ressurgimento do interesse pelo caráter, pelas realizações e pela literatura ancestrais; e um fervor patriótico que culminou na formação do Congresso Nacional Indiano — um corpo político com o qual nossa sociedade não tem conexão, embora tenha sido originado por nossos companheiros, indianos e anglo-indianos.

Logo após nossa chegada a Bombaim, nossa sociedade começou a crescer, filiais surgiram rapidamente, e tornou-se

O ESCRITÓRIO DO SECRETÁRIO-GERAL EM 19 AVENUE ROAD, LONDRES                    G.R.S. Mead (centro), com Walter R. Old e J.R. Ablett.

Reproduzido de Old Diary Leaves do Cel.

Olcott,                                   Série IV, p. 247.

PROGRESSO RECENTE EM TEOSOFIA necessário realizar convenções anuais de delegados representando a nova sociedade amplamente expandida. Atendendo ao chamado do Presidente, cerca de trinta filiais enviaram como seus representantes companheiros hindus, parses, budistas, maometanos, hebreus e cristãos para a primeira convenção em Bombaim.

O espetáculo foi único na história indiana e provocou amplos comentários jornalísticos.

Na reunião pública no Instituto Framji Cowasji, a plataforma foi sucessivamente ocupada por oradores das religiões acima mencionadas, que competiam entre si em declarações fervorosas de tolerância mútua e boa vontade, ao som de aplausos tumultuosos da plateia.

Assim, a nota clara da fraternidade universal foi dada e o evangelho da tolerância religiosa foi declarado em uma parte do mundo onde anteriormente havia apenas ódio sectário e egoísmo classista.

Isso foi em 1882. Anualmente, desde então, a convenção se reúne como um corpo parlamentar para tratar dos negócios da sociedade, e nenhuma discórdia sectária ou racial ocorreu.

Toda a Índia foi levedada pela influência benigna emanada dessas reuniões, por meio da agência dos delegados em seus respectivos estados e nações; e quando a agitação política começou, o Congresso Nacional que foi convocado foi modelado segundo nossas linhas, e dirigido e administrado principalmente por nossos próprios companheiros que haviam servido como delegados em nossas convenções.

Além de ajudar a tecer esta dourada teia de fraternidade por toda a Índia, nossa sociedade estendeu seus filamentos desse centro para o Ceilão, Birmânia, Sião e Japão, trazendo esses povos a relações fraternais com os hindus, embora de religião diferente, e criando canais para o intercâmbio internacional em assuntos religiosos e educacionais.

Nesses países, também, semeamos a mesma semente de boa vontade, e no Ceilão já estamos colhendo os frutos.

Nessa ilha sempre-verde e paradisíaca do mar, revivemos e começamos a purificar o budismo, estabelecemos escolas secundárias, assumimos a supervisão de cerca de cinquenta escolas menores, distribuímos literatura em todas as partes da ilha, induzimos o Governo a proclamar o aniversário de Buda como feriado público, fundamos dois periódicos, criamos uma oficina de impressão e trouxemos os budistas cingaleses a relações diretas com seus correligionários japoneses. Isso é o que fizemos na Índia e no Extremo Oriente.

Quanto à Europa, como começamos a trabalhar seriamente aqui há apenas três anos, os efeitos ainda mal começam a ser percebidos.

Ainda assim, em Londres, no próprio centro do mais luxuoso materialismo, fundamos no East End o primeiro Clube de Mulheres Trabalhadoras, totalmente livre de credos e condições teológicas.

Até agora, todos esses esforços têm sido sectários e impuseram crenças religiosas especiais; o nosso baseia-se apenas na fraternidade e não reconhece nenhuma diferença de credo como barreira.

Quando o clube abrir, daqui a algumas semanas, as membros se encontrarão em um lar brilhante e agradável, com livros, jornais e música à mão, e um grupo de suas irmãs mais instruídas se revezará, noite após noite, no dever de ajudar e orientar — não controlar — a recreação noturna.

Somente aqueles que conhecem as vidas monótonas de nossas pobres moças do East End, com a tentação à espreita em cada forma de diversão ao seu alcance, compreenderão a natureza fraterna do serviço assim prestado a elas.

Nós (as classes cultas) fazemos párias desses membros menos afortunados de nossa família, os colocamos em uma parte especial da cidade, em meio a ambientes sórdidos e influências degradantes; e então reclamamos que sua aspereza choca nosso refinamento, sua brutalidade fere nossa delicadeza! Aqui, então, contra a divisão de classes, como na Índia contra a divisão de castas, a Sociedade Teosófica proclama a Fraternidade Humana.

Quanto ao renascimento da literatura oriental, toda a imprensa da Índia, Ceilão e Japão nos credita, sem reservas, por termos feito mais nessa direção do que qualquer outra agência dos tempos modernos.

Não apenas ajudamos a reviver na Índia os antigos Tols, ou escolas panditas de literatura e filosofia sânscritas, e a reavivar a reverência pela classe dos verdadeiros Yogis, ou devotos santificados, mas também criamos uma demanda por reimpressões e traduções dos clássicos sânscritos antigos, que está sendo atendida pelas frequentes edições de obras dessa classe em Calcutá, Bombaim, Benares, Lucknow, Lahore, Madras e outros centros literários indianos.

PROGRESSO RECENTE NA TEOSOFIA

Entre os mais importantes estão os Vedas, a Bhagavad-Gita, os escritos de Śankara, Patañjali e outros renomados filósofos e místicos arianos.

Os povos asiáticos testemunharam publicamente, sem qualquer reserva, sua gratidão e respeito por nós, pelo que fizemos no âmbito do segundo de nossos objetivos declarados. Tampouco se deve ignorar que o interesse predominante pela Teosofia e pela filosofia oriental mística em geral, que o observador mais casual é forçado a ver em toda a Europa e América, é, direta ou indiretamente, resultado da atividade de nossa sociedade.

Com trinta e oito filiais nos Estados Unidos e outras em diversos países europeus, entre cujos membros há homens e mulheres de alta cultura, incluindo muitos escritores para a imprensa, é fácil compreender a justiça da afirmação acima.

Naturalmente, não cabe a mim dizer o quanto, se é que algo, os livros que eu mesma escrevi e as revistas que editei e edito em inglês e francês contribuíram para causar essa nova inclinação da mente ocidental.

Basta que ela exista.

Para os teosofistas, é o presságio do amanhecer de um novo dia religioso para o mundo, o prenúncio de um novo casamento entre ciência e religião, e de paz entre as boas pessoas das seitas mais incongruentes — como o mundo as considera.

Agora, quanto ao terceiro objetivo de nossa lista.

A rigor, o termo "pesquisa psíquica" deveria incluir todo o grande movimento conhecido como Espiritualismo moderno.

Mas o assunto é vasto demais para ser tratado nos parágrafos finais de um artigo.

Basta dizer que muitos investigadores foram levados a discriminar com muito mais precisão entre as várias classes de fenômenos, enquanto muito foi feito para enfraquecer a superstição sentimental, mas não filosófica, que fazia dos "Espíritos" dos falecidos os espectadores sofredores das loucuras e crimes dos vivos.

Para detalhes sobre as conclusões a que chegamos sobre este assunto, o leitor deve ser remetido a *A Chave para a Teosofia*, onde a questão é tratada extensamente.

Ao menos podemos afirmar ter colocado diante do público pensante um esquema lógico, coerente e filosófico da origem, destino e evolução do homem — um esquema preeminente acima de todos por sua rigorosa adesão à justiça.


E, para que possamos ampliar nosso critério de verdade, nossa pesquisa se estende a uma investigação sobre a natureza das forças menos conhecidas, cósmicas e psíquicas.

Sobre tais temas, muitos de nossos livros foram escritos, e muitas de nossas reimpressões de obras antigas, com ou sem comentários, foram selecionadas com referência à luz que lançam sobre essas *quaestiones vexatae*.

Em uma palavra, todo o nosso objetivo e desejo é ajudar, ao menos em algum grau, a chegar a visões científicas corretas sobre a natureza do homem, que trazem consigo os meios de reconstruir para a geração presente a filosofia metafísica ou transcendental dedutiva, que é a única base firme e inabalável de toda filosofia religiosa.

A Teosofia, o solvente universal, está cumprindo sua missão; os matizes opalescentes da aurora da psicologia moderna estão se mesclando, e todos serão fundidos na luz perfeita da verdade, quando o orbe solar do esoterismo oriental tiver atingido seu estágio de meio-dia.

Por muitos e muitos anos, a "grande órfã", a Humanidade, tem clamado em alta voz na escuridão por orientação e por luz.

Em meio aos esplendores crescentes de um progresso puramente material, de uma ciência que nutria o intelecto, mas deixava o espírito definhar, a Humanidade, pressentindo vagamente sua origem e pressagiando seu destino, tem estendido para o Oriente mãos vazias que somente uma filosofia espiritual pode preencher.

Dolorida pelas divisões, pelos ciúmes, pelos ódios que dilaceram sua própria vida, ela tem clamado por alguma base segura sobre a qual construir a solidariedade que pressente, alguma base metafísica da qual seus mais elevados ideais sociais possam surgir com segurança.

Somente os Mestres da sabedoria oriental podem estabelecer esse alicerce, podem satisfazer ao mesmo tempo o intelecto e o espírito, podem guiar a Humanidade em segurança através da noite até "a aurora de um dia maior". Tal é a meta que a Teosofia se propôs a atingir; tal é a história do movimento moderno; tal é a obra que a Teosofia já realizou neste século XIX.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA

[NOMEAÇÃO DE BERTRAM KEIGHTLEY]        [O original deste documento, escrito pela mão de H.P.B., encontra-se nos Arquivos da Sociedade Teosófica, Adyar, Madras, Índia.]

Londres, 9 de agosto de 1890.    Por meio deste, nomeio Bertram Keightley para atuar como meu representante pessoal na Índia e no Ceilão em todos os assuntos relacionados ao Movimento Teosófico.

H. P. BLAVATSKY.

–––––––––––                     Escritos Reunidos VOLUME XII                           O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA                           [Lucifer, Vol.

VII, nº 37, setembro de 1890, pp. 1-9]

"Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria."                                                                                            —Jó, xii, 2.                                              "Mas a sabedoria é justificada por seus filhos."                                                                                         —Mateus xi, 19.

É privilégio—como também, ocasionalmente, maldição—dos editores receber inúmeras cartas de conselho, e os condutores de Lucifer não escaparam da sorte comum.

Criados nos aforismos dos séculos, sabem que "quem pode aceitar conselho é superior a quem o dá", e estão, portanto, prontos a aceitar com gratidão qualquer sugestão sólida e prática oferecida por amigos; mas a última carta recebida não preenche essa condição.

Não é sequer a sua própria sabedoria, mas a da época em que vivemos, que é afirmada por nosso conselheiro, que assim arrisca seriamente sua reputação de observador perspicaz por tais atos de devoção no altar das pretensões modernas.

É em defesa da "sabedoria" de nosso século que somos chamados à responsabilidade, e acusados de “preferindo a antiguidade bárbara à nossa civilização moderna e seus inestimáveis benefícios”, esquecendo que “a sabedoria de nossos dias, comparada aos instintos despertos do Passado, não é de modo algum inferior em sabedoria filosófica nem mesmo à era de Platão.” Por fim, somos informados de que nós, Teosofistas, somos “demasiado afeiçoados ao obscuro ontem, e igualmente injustos com o nosso glorioso [?] presente, a brilhante hora do meio-dia da mais alta civilização e cultura”! Bem, tudo isso é uma questão de gosto. Nosso correspondente é livre para ter suas opiniões, mas nós também somos para ter as nossas. Que ele imagine que a Torre Eiffel reduz a Pirâmide de Gizé a um montículo, e que os jardins do Palácio de Cristal transformam os jardins suspensos de Semíramis em uma horta—se assim lhe aprouver.


Mas se ele nos “desafia” seriamente a mostrar “em que aspecto nossa era de progresso horário e pensamento gigantesco”—um progresso um tanto prejudicado, contudo, por nossos Huxleys serem denunciados por nossos Spurgeons, e as senhoras universitárias, especialistas em clássicos e wranglers, pelas “moças aleluia”—é inferior às eras de, digamos, um “Sócrates dominado pela esposa e um Buda de pernas cruzadas”, então lhe responderemos, dando-lhe, é claro, nossa opinião pessoal. Nossa era, dizemos, é inferior em Sabedoria a qualquer outra, porque professa, de modo mais visível a cada dia, desprezo pela verdade e pela justiça, sem as quais não pode haver Sabedoria.

Porque nossa civilização, construída sobre falsidades e aparências, é na melhor das hipóteses como um belo pântano verde, um brejo, estendido sobre um atoleiro mortal.

Porque este século de cultura e adoração da matéria, ao oferecer prêmios e recompensas por cada “melhor coisa” sob o Sol, desde o maior bebê e a maior orquídea até o mais forte pugilista e o porco mais gordo, não tem incentivo algum a oferecer à moralidade; nenhum prêmio a dar por qualquer valor moral.

Porque possui Sociedades para a prevenção da crueldade física contra os animais, e nenhuma com o objetivo de prevenir a crueldade moral praticada contra os seres humanos.

Porque encoraja, legal e tacitamente, o vício sob todas as formas, desde a venda de uísque até a prostituição forçada e o roubo provocado por salários de fome, exações à la Shylock, aluguéis e outros confortos de nosso período culto.

Porque, finalmente, esta é a era que,

O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA

embora proclamada como uma era de liberdade física e moral, é na verdade a era da mais feroz escravidão moral e mental, como nunca antes se conheceu.

A escravidão ao Estado e aos homens desapareceu apenas para dar lugar à escravidão às coisas e ao Eu, aos próprios vícios e aos costumes e modos sociais idiotas.

A civilização rápida, adaptada às necessidades das classes alta e média, condenou, por contraste, apenas a uma miséria ainda maior as massas famintas.

Tendo nivelado as duas primeiras, tornou-as mais propensas a desprezar a substância em favor da forma e da aparência, forçando assim o homem moderno a uma coação vil, uma dependência servil de coisas inanimadas, cujo uso e serviço é o primeiro dever estrito de todo homem culto.

Onde está, então, a Sabedoria da nossa era moderna? Em verdade, bastam poucas linhas para mostrar por que nos curvamos diante da Sabedoria Antiga, enquanto recusamos absolutamente ver qualquer sabedoria em nossa civilização moderna.

Mas, para começar, o que nosso crítico quer dizer com a palavra "sabedoria"? Embora nunca tenhamos admirado Lactâncio de forma excessivamente irracional, devemos, contudo, reconhecer que mesmo esse inocente Pai da Igreja, com todos os seus insultos cortantes acerca do sistema heliocêntrico, definiu o termo muito corretamente ao dizer que "o primeiro ponto da Sabedoria é discernir o que é falso, e o segundo, conhecer o que é verdadeiro". E, se assim é, que chance há para o nosso século de falsificação, desde os textos bíblicos revisados até a manteiga natural, de reivindicar "Sabedoria"? Mas antes de cruzarmos lanças sobre este assunto, talvez seja bom definirmos o termo nós mesmos.

Comecemos por dizer que Sabedoria é, na melhor das hipóteses, uma palavra elástica — pelo menos como é usada nas línguas europeias.

Que ela não oferece uma ideia clara de seu significado, a menos que seja precedida ou seguida por algum adjetivo qualificativo.

Na Bíblia, de fato, o equivalente hebraico Hokhmâh (em grego, Sophia) é aplicado às coisas mais díspares — abstratas e concretas.

Assim, encontramos "Sabedoria" como característica tanto da inspiração divina quanto também da astúcia e do artifício terrestres; como significando o Conhecimento Secreto das Ciências Esotéricas, e também a fé cega; o "temor do Senhor", e os magos do Faraó.

O substantivo é aplicado indiferentemente a 312 BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

Cristo e à feitiçaria, pois a bruxa Sedecla também é referida como a "mulher sábia de En-Dor". Desde a mais antiga antiguidade cristã, começando com São Tiago (iii, 13-17), até o último pregador calvinista, que vê no inferno e na danação eterna uma prova da "sabedoria do Todo-Poderoso", o termo tem sido usado com os mais variados significados.

Mas São Tiago ensina duas espécies de sabedoria; um ensinamento com o qual concordamos plenamente.

Ele traça uma forte linha de separação entre a “Sophia” divina ou noética — a Sabedoria do alto — e a sabedoria terrestre, psíquica ou diabólica — a Sophia ©BÊ(,4@l RLP46Z "4:@4ñ0l (iii, 15). Pois para o verdadeiro Teosofista não há sabedoria senão a primeira.

Quem dera que tal pessoa pudesse declarar com Paulo que fala essa sabedoria exclusivamente apenas entre “os perfeitos”, isto é, aqueles iniciados em seus mistérios, ou familiarizados, ao menos, com o ABC das ciências sagradas.

Mas, por maior que fosse seu erro, por mais prematura que fosse sua tentativa de semear as sementes da verdadeira e eterna gnose em solo não preparado, seus motivos eram ainda bons e sua intenção desinteressada, e por isso foi ele apedrejado.

Pois se ele tivesse apenas tentado pregar alguma ficção particular sua, ou o fizesse por ganho, quem o teria jamais distinguido ou tentado esmagar, em meio às centenas de outras seitas falsas, “coletâneas” diárias e “sociedades” loucas? Mas seu caso era diferente.

Por mais cautelosamente que ainda falasse, “não a sabedoria deste mundo”, mas a verdade ou a “sabedoria oculta . . . . que nenhum dos Príncipes deste Mundo conheceu” (1 Coríntios 2:6-8), muito menos os arcontes de nossa ciência moderna.

No que diz respeito à sabedoria “psíquica”, contudo, que Tiago define como terrestre e diabólica, ela existiu em todas as épocas, desde os dias de Pitágoras e Platão, quando para um philosophus havia nove sophistae, até nossa era moderna.

A tal sabedoria nosso século é bem-vindo, e de fato plenamente intitulado, a reivindicar.

Além disso, é um traje fácil de vestir; nunca houve período em que corvos recusassem a se adornar com penas de pavão, se a oportunidade fosse oferecida.

Mas agora como então, temos o direito de analisar os termos usados e indagar nas palavras do Livro de Jó, aquela alegoria sugestiva da purificação cármica e dos ritos iniciáticos:

O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA

“Onde se achará a (verdadeira) sabedoria? onde está o lugar do entendimento?” e para responder novamente com suas palavras: “Na antiguidade está a sabedoria; e na longura de dias, o entendimento” (Jó, xxviii, 12, e xii, 12). Aqui temos de qualificar mais uma vez um termo duvidoso, a saber: a palavra “antigo”, e explicá-la. Conforme interpretada pelas igrejas ortodoxas, tem na boca de Jó um significado; mas para o Cabalista, outro bem diverso; enquanto na Gnose do Ocultista e do Teosofista tem distintamente uma terceira significação, a mesma que tinha no Livro de Jó original, uma obra pré-mosaica e um tratado reconhecido sobre Iniciação.

Assim, o Cabalista aplica o adjetivo “antigo” ao VERBO ou LOGOS (Dabar) manifestado da divindade eternamente oculta e incognoscível.

Daniel, em uma de suas visões, também o usa ao falar de Jahve — o Adão Kadmon andrógino.

O eclesiástico o relaciona ao seu Jeová antropomórfico, o “Senhor Deus” da Bíblia traduzida.

Mas o Ocultista oriental emprega o termo místico apenas ao referir-se ao Ego superior reencarnante.

Pois, sendo a sabedoria divina difundida por todo o Universo infinito, e sendo nosso impessoal EU SUPERIOR parte integrante dele, a luz átmica deste só pode estar centrada naquilo que, embora eterno, é ainda individualizado — i.e., o Princípio noético, o Deus manifestado dentro de cada ser racional, ou nosso Manas superior em união com Buddhi.

É essa luz coletiva que é a “Sabedoria que vem do alto”, e que, sempre que desce sobre o Ego pessoal, é achada “pura, pacífica, mansa”. Portanto, a afirmação de Jó de que “a Sabedoria está com o Antigo”, ou Buddhi-Manas.

Pois o “Eu” Divino Espiritual é somente eterno, e o mesmo através de todos os nascimentos; enquanto as “personalidades” que ele informa em sucessão são evanescentes, mudando como as sombras de uma série caleidoscópica de formas em uma lanterna mágica.

É o “Antigo”, porque, quer seja chamado Sophia, Krishna, Buddhi-Manas ou Christos, é sempre o “primogênito” de Alaya-Mahat, a Alma Universal e a Inteligência do Universo.

Esotericamente, então, a declaração de Jó deve ser lida: “Com o Antigo (o Ego superior do homem) está a Sabedoria, e na longura de dias (ou no número de suas reencarnações) é compreensão.” Nenhum homem pode aprender a verdadeira e final Sabedoria em um só nascimento; e cada novo renascimento, seja para o bem ou para o mal, é mais uma lição que recebemos das mãos do severo, porém sempre justo, mestre-escola—a VIDA CÁRMICA.


Mas o mundo—o mundo ocidental, pelo menos—nada sabe disso e recusa-se a aprender qualquer coisa.

Para ele, qualquer noção do Ego Divino ou da pluralidade de seus nascimentos é “tolice pagã.” O mundo ocidental rejeita essas verdades e não reconhecerá sábios senão aqueles feitos à sua própria imagem, nascidos dentro de sua própria era e ensinamentos cristãos.

A única “sabedoria” que ele compreende e pratica é a psíquica, a sabedoria “terrena e diabólica” mencionada por Tiago, fazendo assim da verdadeira Sabedoria um equívoco e uma degradação.

Contudo, sem considerar suas múltiplas variedades, há dois tipos mesmo de sabedoria “terrena” em nosso globo de barro—a real e a aparente.

Entre as duas, mesmo para o observador superficial deste mundo atarefado e perverso, há um vasto abismo, e, no entanto, quão poucas pessoas consentem em vê-lo! A razão para isso é bastante natural.

Tão forte é o egoísmo humano, que onde quer que haja o menor interesse pessoal em jogo, os homens se tornam surdos e cegos à verdade, tantas vezes conscientemente quanto não.

Tampouco são muitas as pessoas capazes de reconhecer com a rapidez aconselhável a diferença entre homens que são sábios e aqueles que apenas parecem sábios, sendo estes últimos considerados como tais principalmente porque são muito hábeis em tocar sua própria trombeta.

Até aqui, o que se refere à “sabedoria” no mundo profano.

Quanto ao mundo dos estudantes do saber místico, é quase pior.

As coisas estranhamente se alteraram desde os dias da antiguidade, quando os verdadeiramente sábios faziam de seu primeiro dever ocultar seu conhecimento, considerando-o sagrado demais até para mencionar diante da plebe.

Enquanto o Rosecroix medieval, o verdadeiro filósofo, tendo em mente o velho Sócrates, repetia diariamente que tudo o que sabia era que nada sabia, seu moderno sucessor autointitulado anuncia em nossos dias, através da imprensa e do público, que aqueles mistérios na Natureza e suas leis ocultas, dos quais nada sabe, jamais existiram.

Houve

O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA

um tempo em que a aquisição da Sabedoria Divina (Sapientia) exigia o sacrifício e a devoção de toda a vida de um homem.

Isso dependia de coisas como a pureza dos motivos do candidato, de sua intrepidez e independência de espírito; mas agora, para receber uma patente de sabedoria e adeptado, basta apenas uma impudência descarada.

Um certificado de sabedoria divina é agora decretado e entregue a um autointitulado "Adepto" por uma maioria regular de votos de tolos profanos e facilmente enganados, enquanto uma hoste de pegas, expulsa do telhado do Templo da Ciência, o anunciará ao mundo em toda praça pública e feira.

Diga ao público que agora, como outrora, o observador genuíno e sincero da vida e de seus fenômenos subjacentes, o inteligente colaborador da natureza, pode, ao tornar-se perito em seus mistérios, tornar-se um homem "sábio", no sentido terreno da palavra, mas que jamais um materialista arrancará da natureza qualquer segredo em um plano superior — e você será ridicularizado. Acrescente que nenhuma "sabedoria do alto" desce sobre alguém, exceto sob a condição sine qua non de deixar no limiar do Oculto cada átomo de egoísmo, ou desejo de fins e benefícios pessoais — e você será rapidamente declarado por sua plateia um candidato ao manicômio.

No entanto, esta é uma verdade antiga, muito antiga.

A natureza revela seus segredos mais íntimos e transmite a verdadeira sabedoria apenas àquele que busca a verdade por si mesma e que anseia pelo conhecimento a fim de conferir benefícios aos outros, não à sua própria e insignificante personalidade.

E, como é precisamente a esse benefício pessoal que quase todo candidato ao adeptado e à magia aspira, e poucos são os que consentem em aprender a um preço tão alto e com tão pequeno benefício para si em perspectiva — os Ocultistas verdadeiramente sábios tornam-se, a cada século, mais escassos e raros.

Quantos há, de fato, que não prefeririam o fogo-fátuo mesmo da fama passageira à luz constante e sempre crescente do conhecimento divino e eterno, se esta tiver de permanecer, para todos exceto para si mesmo — uma luz sob o alqueire?

O mesmo ocorre no mundo da ciência materialista, onde vemos uma grande escassez de homens verdadeiramente eruditos e uma hoste de cientistas superficiais, que, no entanto, exigem, cada um e todos,

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS
ser considerados como Arquimedes e Newtons.

Assim como é em cima, é embaixo.

Estudiosos que buscam o conhecimento pelo amor à verdade e aos fatos, e os divulgam, por mais desagradáveis que sejam, e não pela glória duvidosa de impor ao mundo seus respectivos passatempos pessoais — podem ser contados nos dedos de uma mão: enquanto legião é o nome dos pretensiosos.

Em nossos dias, reputações de erudição parecem ser construídas por sugestão, segundo o princípio hipnótico, e não por mérito real.

As massas se acovardam diante daquele que se lhes impõe: daí tamanha galáxia de homens considerados eminentes na ciência, nas artes e na literatura; e se são tão facilmente aceitos, é precisamente por causa da gigantesca presunção e autoafirmação de, pelo menos, a maioria deles.

Uma vez analisados a fundo, porém, quantos desses restariam que verdadeiramente merecessem a aplicação de "sábios" mesmo na sabedoria terrena? Quantos, perguntamos, dos chamados "autoridades" e "líderes de homens" se mostrariam muito melhores do que aqueles de quem foi dito — por um "sábio" de fato — "são guias cegos de cegos"? Que os ensinamentos de nem nossos mestres nem nossos pregadores modernos são "sabedoria do alto" está plenamente demonstrado.

Isso se prova não por qualquer incorreção pessoal em suas afirmações ou erros na vida, pois "errar é próprio do humano", mas por fatos incontroversos.

Sabedoria e Verdade são termos sinônimos, e aquilo que é falso ou pernicioso não pode ser sábio.

Portanto, se é verdade, como nos é dito por um conhecido representante da Igreja da Inglaterra, que o Sermão da Montanha, em sua aplicação prática, significaria ruína total para seu país em menos de três semanas; e se não é menos verdadeiro, como afirmado por um crítico literário da ciência, que "o dobre de finados do Darwinismo de Charles Darwin soa no presente livro do Sr. A. R. Wallace", evento já predito por Quatrefages — então nos resta escolher entre dois caminhos.

Ou temos de aceitar tanto a Teologia quanto a Ciência com fé cega e confiança; ou, proclamar ambas como falsas e indignas de confiança.

Há, no entanto, um terceiro caminho aberto: fingir que acreditamos ––––––––––– Ver "O Impasse do Darwinismo", de Samuel Butler, na Universal Review de abril de 1890. –––––––––––

O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA

em ambos ao mesmo tempo, e nada dizer, como muitos fazem; mas isso seria pecar contra a Teosofia e condescender com os preconceitos da Sociedade — e isso nos recusamos a fazer. Mais do que isso: declaramos abertamente, *quand même*, que nenhum dos dois, nem Teólogo nem Cientista, tem o direito, diante disso, de reivindicar — um, que prega aquilo que é inspiração divina, e o outro, ciência exata; pois o primeiro impõe aquilo que, por seu próprio reconhecimento, é pernicioso aos homens e aos Estados — i.e., a ética de Cristo; e o outro (na pessoa do eminente naturalista, Sr. A. R. Wallace, como demonstrado pelo Sr. Samuel Butler) ensina a evolução darwiniana, na qual já não acredita; um esquema, ademais, que nunca existiu na natureza, se os opositores do Darwinismo estão corretos.

No entanto, se alguém ousasse chamar de "imprudentes" ou "falsas" as autoridades escolhidas pelo mundo, ou declarar desonestas as suas respectivas políticas, ver-se-ia prontamente reduzido ao silêncio.

Duvidar da excelsa sabedoria do falecido Cardeal Newman, ou da Igreja da Inglaterra, ou ainda dos nossos grandes cientistas modernos, é pecar contra o Espírito Santo e a Cultura.

Ai daquele que se recusa a reconhecer os "Eleitos" do Mundo. Ele tem de se curvar diante de um ou de outro, embora, se um é verdadeiro, o outro deva ser falso; e se a "sabedoria" nem do Bispo nem do Cientista é "do alto" — o que já está bastante demonstrado a esta altura — então a sua "sabedoria" é, na melhor das hipóteses — "terrena, psíquica, diabólica". Agora, os nossos leitores devem ter em mente que nada do acima exposto é intencionado como sinal de desrespeito para com os verdadeiros ensinamentos de Cristo, ou a verdadeira ciência; nem julgamos personalidades, mas apenas os sistemas do nosso mundo civilizado.

Valorizando a liberdade de pensamento acima de todas as coisas, como o único caminho para se alcançar, em algum tempo futuro, aquela Sabedoria, da qual todo Teosofista deveria estar enamorado, reconhecemos o direito à mesma liberdade nos nossos inimigos como nos nossos amigos.

Tudo o que contestamos é a sua pretensão à Sabedoria — tal como entendemos este termo.

Nem culpamos, mas antes lamentamos, no nosso íntimo, os "sábios" da nossa era por tentarem levar a cabo a única política que os manterá no pináculo da sua "autoridade";

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

pois não poderiam, mesmo que quisessem, agir de outro modo e preservar o seu prestígio junto às massas, ou escapar de serem rapidamente excomungados pelos seus colegas.

O espírito partidário é tão forte no que diz respeito aos velhos trilhos e rotinas, que desviar-se para um caminho lateral significa traição deliberada a ele. Assim, para ser considerado hoje em dia uma autoridade em algum assunto específico, o cientista tem de rejeitar, nolens volens, o metafísico, e o teólogo tem de demonstrar desprezo pelos ensinamentos materialistas.

Tudo isso é política mundana e senso comum prático, mas não é a Sabedoria de Jó nem de Tiago.

Será então considerado exagerado se, baseando nossas palavras em uma observação e experiência de toda uma vida, ousarmos oferecer nossas ideias quanto aos meios mais rápidos e eficientes de obter o respeito universal do nosso Mundo atual e de nos tornarmos uma "autoridade"? Demonstre a mais terna consideração pelos calos dos passatempos de cada partido, e ofereça-se como o principal carrasco, o verdugo, das reputações de homens e coisas considerados impopulares.

Saiba que o grande segredo do poder consiste na arte de condescender com os preconceitos populares, com os gostos e desgostos do Mundo.

Uma vez cumprida essa condição principal, aquele que a pratica tem certeza de atrair para si os educados e seus satélites — os menos educados — aqueles cuja regra é colocar-se invariavelmente do lado seguro da opinião pública.

Isso levará a uma perfeita harmonia de ação simultânea.

Pois, enquanto a atitude favorita dos cultos é esconder-se atrás dos baluartes intelectuais dos líderes favoritos do pensamento científico, e jurare in verba magistri, a dos menos cultos é transformarem-se nos fiéis telefones mecânicos de seus superiores, e repetir como papagaios bem treinados os ditames de seus líderes imediatos.

O preceito agora aforístico do Sr. Artemus Ward, o empresário de famosa memória — "Coça minhas costas, Sr. Editor, e eu coçarei as suas" — prova-se imortalmente verdadeiro.

A "estrela ascendente", seja ele um teólogo, um político, um autor, um cientista ou um jornalista — tem de começar coçando as costas dos gostos e preconceitos públicos — um método hipnótico tão antigo quanto a vaidade humana.

Gradualmente, as massas hipnotizadas                             O DUPLO ASPECTO DA SABEDORIA

começam a ronronar, estão prontas para a "sugestão". Sugira o que quiser que acreditem, e imediatamente começarão a retribuir suas carícias, e ronronarão agora para seus passatempos, e condescenderão por sua vez com qualquer coisa sugerida por teólogo, político, autor, cientista ou jornalista.

Tal é o simples segredo de florescer em uma "autoridade" ou um "líder de homens"; e tal é o segredo da sabedoria dos nossos dias modernos.

E este é também o "segredo" e a verdadeira razão da impopularidade de Lúcifer e do ostracismo praticado por este mesmo mundo moderno contra a Sociedade Teosófica: pois nem Lúcifer, nem a Sociedade a que pertence, jamais seguiu o áureo preceito do Sr. Artemus Ward.

Nenhum verdadeiro teosofista, de fato, consentiria em tornar-se o fetiche de uma doutrina da moda, assim como não se faria escravo de um sistema de letra morta em decadência, cujo espírito desapareceu para sempre.

Tampouco bajularia alguém ou algo, e portanto sempre recusaria demonstrar crença naquilo em que não crê, nem pode crer, o que seria mentir à própria alma.

Assim, onde outros veem "a beleza e as graças da cultura moderna", o teosofista vê apenas fealdade moral e as cambalhotas dos palhaços dos chamados centros cultos.

Para ele, nada se aplica melhor à sociedade moderna da moda do que a descrição de Sydney Smith sobre o ritualismo papista: "Postura e impostura, flexões e genuflexões, reverências à direita, cortesias à esquerda, e uma imensa quantidade de chapelaria masculina (e especialmente feminina)." Pode haver, sem dúvida, para algumas mentes mundanas, um grande encanto na civilização moderna; mas para o teosofista, todas as suas dádivas dificilmente compensam os males que ela trouxe ao mundo.

São tantos esses males, que não cabe nos limites deste artigo enumerar esses rebentos da cultura e do progresso da ciência física, cujas últimas conquistas começam com a vivissecção e terminam no assassinato aperfeiçoado pela eletricidade.

Nossa resposta, não temos dúvida, não é calculada para nos granjear mais amigos do que inimigos, mas isso dificilmente pode ser evitado.

Nossa revista pode ser considerada "pessimista", mas ninguém pode acusá-la de publicar calúnias ou mentiras, ou, de fato, qualquer coisa além daquilo que honestamente acreditamos ser verdade.

Seja como for, contudo, esperamos nunca nos faltar coragem moral na expressão de nossas opiniões ou na defesa da Teosofia e de sua Sociedade.

Que nove décimos de cada população se levantem em armas contra a Sociedade Teosófica onde quer que ela apareça — jamais conseguirão suprimir as verdades que ela profere.

Deixem as massas do Materialismo crescente, as hostes do Espiritualismo, todas as congregações religiosas, fanáticos e iconoclastas, adoradores de Grundy, seguidores imitadores e discípulos cegos, deixem-nas caluniar, abusar, mentir, denunciar e publicar toda falsidade sobre nós sob o sol—elas não desenraizarão a Teosofia, nem mesmo abalarão sua Sociedade, se apenas seus membros permanecerem unidos.

Deixem até mesmo tais amigos e conselheiros como aquele que agora é respondido afastarem-se com desgosto daqueles a quem ele se dirige em vão—isso não importa, pois nossos dois caminhos na vida correm diametralmente opostos.

Deixe-o ater-se à sua sabedoria "terrestre"; nós nos ateremos àquele raio puro "que vem do alto", da luz do "Antigo". O que, de fato, tem a SABEDORIA, Theosophia—a Sabedoria cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia" (Tiago, iii, 17)—a ver com nosso mundo cruel, egoísta, astuto e hipócrita? O que há em comum entre a divina Sophia e os melhoramentos da civilização moderna e da ciência; entre o espírito e a letra que mata? Tanto mais que, neste estágio de evolução, o homem mais sábio da terra, segundo o sábio Carlyle, é "apenas um infante inteligente soletrando letras de um livro hieroglífico e profético, cujo léxico está na eternidade."                        Collected Writings VOLUME XII                                       PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTAS E RESPOSTAS                              [Lucifer, Vol.

VII No. 37, setembro de 1890, pp. 55-61]

Somos solicitados por um "Assinante" na América a "comentar" um curioso relato no Chicago Tribune, que ele nos envia. Fazemo-lo tanto mais prontamente quanto contém um muito ingênuo "ardil" recentemente inventado para detectar a natureza real do "crescimento da mangueira", da performance do "menino e cesto" e outros fenômenos semelhantes produzidos por "malabaristas" indianos, e uma suposta explicação "científica" dos mesmos.

Esta última, no entanto, é tão antiga quanto as colinas, e conhecida de todo Ocultista, e nunca foi mantida em segredo. O título do artigo "É APENAS HIPNOTISMO"—(é apenas isso?)—pretende revelar o segredo, e o entrevistador "chicagoano" parece muito orgulhoso dessa realização de seu compatriota.

Mas, aos fatos; vejamos       "COMO OS FAKIRES INDIANOS ENGANAM AQUELES QUE OS OBSERVAM."      Fred S. Ellmore, um jovem chicagoano, Demonstra a Verdade de Sua Teoria em Gaya, Índia—Mangueiras, Bebês e Outros Objetos Criados pelo Fakir Mostrados como Criaturas da Imaginação—Como um Esquema Astuto Foi Executado.

Quase todo viajante que retorna da Índia traz consigo histórias mais ou menos maravilhosas sobre as performances dos faquires ou malabaristas indianos.

Ninguém jamais ouviu falar de um desses contos sem ficar curioso para saber a explicação do mistério.

Todos os tipos de teorias foram oferecidos, todos mais ou menos insatisfatórios.

Coube a um jovem de Chicago fornecer uma explicação que explica e apresentar o que deve ser aceito como prova absoluta da correção de sua ideia.

Sua descoberta pode atrair atenção em todas as partes do mundo, e ele pode se tornar tão amplamente conhecido quanto o descobridor da eletricidade.

Bem, ele poderia, sem dúvida, não fossem dois fatos insignificantes: (a) se o que ele descobriu não fosse conhecido no Oriente, há séculos, pelos Ocultistas como GUPTA MAYA ou "Ilusão Secreta"; e (b) se a Sociedade Teosófica não existisse há mais de quinze anos para contar a "história do Ellmore" a todo curioso inclinado a acreditar no caráter miraculoso e

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

sobrenatural da chamada "malabarismo" indiana. Há mais de dez anos, todos esses fenômenos — tanto mais maravilhosos e fenomenais por serem simplesmente científicos e explicáveis por princípios naturais — foram repetidamente caracterizados pela presente escritora, quando em Simla, como "truques psicológicos", para grande desgosto de seus amigos excessivamente entusiasmados.

O que são esses truques psicológicos na realidade e a diferença entre eles e o "ilusionismo" será explicado adiante. E agora à narrativa do Tribune.

Após declarar cada particular sobre o Sr. Frederick S. Ellmore, descrevendo sua infância e vida universitária, dando a cor de seu cabelo e o endereço e número da residência de sua família, o entrevistador o mostra, com um amigo e colega de classe, o Sr. George Lessing — um "fotógrafo entusiasta", o outro um hábil artista e desenhista — na terra da Vaca Sagrada e do astuto faquir.

Ao falar com um homem do Tribune sobre sua notável experiência na Índia, o Sr. Ellmore disse: "Tínhamos percorrido a Índia Ocidental bastante a fundo e passado algum tempo em Calcutá.

De lá fomos para o Norte, parando por um curto período em Rajmahal e Dinapur.

Desta última cidade fomos para o Sul, até Gaya, onde chegamos em julho passado.

Lessing e eu frequentemente conversávamos sobre os faquires indianos e suas performances maravilhosas e havíamos decidido fazer um teste cuidadoso de seus poderes.

Então estávamos constantemente em alerta por algum malabarista de primeira classe.

Uma tarde, Lessing irrompeu no quarto onde eu tirava uma soneca e me disse que havia um faquir prestes a começar suas apresentações.

Fiquei tão satisfeito quanto ele. Nenhum de nós havia conseguido até então ver um desses sujeitos, mas havíamos arquitetado um pequeno plano que pretendíamos pôr em prática quando a oportunidade surgisse.

Eu havia sido impressionado por uma teoria de que a explicação de todas as suas supostas performances sobrenaturais seria encontrada no hipnotismo, mas não sabia como abordá-la, até que Lessing propôs este plano para testar minha teoria.

Enquanto o faquir realizasse suas performances, Lessing faria um rápido esboço a lápis do que visse, enquanto eu, no mesmo instante, tiraria uma fotografia com minha kodak.

“Estando preparados para pôr este plano em prática, saímos de nossa morada e lá encontramos o faquir, uma multidão de nativos e um ou dois europeus.

O faquir era um sujeito de aparência estranha.

Seu cabelo era longo e emaranhado, e sua barba pendia baixa sobre o peito.

Sua única decoração era um anel ou bracelete de cobre usado no braço direito, entre o pulso e o cotovelo.

Seus olhos eram notáveis tanto pelo brilho

PERGUNTAS E RESPOSTAS

quanto pela intensa profundidade, se assim posso chamá-la. Pareciam quase negros como jet e estavam fixados de forma incomumente profunda em sua cabeça.

Quando entramos no pequeno círculo ao redor dele, aqueles olhos nos examinaram da sola à coroa.

Ele havia estendido no chão um tapete grosseiro de textura peculiar, com cerca de um metro e vinte de largura por um metro e oitenta de comprimento.

À sua direita estava uma pequena tigela de barro, e sobre seus joelhos jazia um instrumento musical de aparência estranha.

“Tendo recebido o sinal de que tudo estava pronto, ele pegou a tigela nas mãos e despejou o conteúdo — uma mistura avermelhada, semelhante a areia — sobre o tapete.

Ele a mexeu com os dedos, aparentemente para mostrar que não continha objetos ocultos.

Colocando a areia de volta na tigela, ele a posicionou no centro do tapete, vários palmos à frente de seus joelhos, e a cobriu com um pequeno xale, tendo antes colocado na mistura várias sementes do fruto da manga.

Então tocou uma melodia estranha em sua flauta, balançando-se para frente e para trás, e, enquanto o fazia, lentamente examinava cada membro da multidão de espectadores com aqueles olhos maravilhosos seus.

O balanço e o toque da flauta duraram dois ou três minutos.

Então ele parou subitamente e ergueu um canto do xale.

Vimos vários brotos verdes de dois ou três centímetros de altura.

Ele repôs o xale, tocou um pouco mais em sua flauta, e eu poderia jurar que vi o xale ser lançado três pés para o alto.

Novamente ele parou e removeu o xale.

Desta vez havia uma árvore perfeita, com dois pés ou mais de altura, com folhas longas, delgadas e planas.

Lessing cutucou-me e eu tirei minha fotografia enquanto ele fazia um esboço básico.

Enquanto observávamos a criação daquele velho excêntrico, ela pareceu desaparecer diante de nossos olhos.

Quando se foi, ele removeu a tigela e estendeu o xale no chão diante de si.

Então houve mais música e mais balanço, mais olhares para o chão, e enquanto observávamos o quadrado sujo de pano que ele havia colocado no chão, vimos delineado sob ele algum objeto em movimento.

Enquanto olhávamos, ele agarrou o xale por dois de seus cantos e o arrancou do chão.

Sobre o local onde ele repousara apenas um momento antes, estava sentado o mais estranho bebê indiano com covinhas que eu vira em minhas viagens.

Lessing manteve a calma melhor do que eu.

Eu teria esquecido o que estava fazendo se ele não me tivesse lembrado. Tirei a fotografia e ele fez seu esboço.

O bebê permaneceu apenas um momento, antes que o Sr. Fakir o cobrisse novamente com o xale e, sacando uma faca, cortasse e golpeasse o local onde a criança estava sentada.

Um instante depois, ele atirou o xale para longe e não havia nada ali.

"Mal tivemos tempo de nos recuperar de nossa surpresa quando o fakir tirou de sob seu joelho uma bola de barbante cinza.

Pegando a ponta solta entre os dentes, ele, com um movimento rápido para cima, lançou a bola ao ar.

Em vez de voltar para ele, ela continuou subindo e subindo até desaparecer de vista, e restou apenas a longa ponta balançante.


Quando olhamos para baixo, após tentar ver para onde a bola havia ido, ficamos todos surpresos ao ver, de pé ao lado do fakir, um menino de cerca de seis anos.

Ele não estava ali quando a bola foi lançada ao ar, mas estava ali agora, e a uma palavra do fakir ele caminhou até o barbante e começou a subir por ele, bem à maneira de um macaco subindo em uma videira.

Quando ele estava começando, eu o enquadrei e fiz uma fotografia dele, Lessing fazendo um esboço ao mesmo tempo.

O menino desapareceu quando alcançou um ponto a trinta ou quarenta pés do chão, pelo menos não pudemos vê-lo.

Um momento depois, o barbante desapareceu.

Então o fakir se levantou, enrolou seu tapete, pegou a tigela e passou entre a multidão solicitando contribuições.

“Não tive meios para revelar os filmes kodak, e foram estes que Lessing levou consigo, além de mil ou mais outros negativos, para serem revelados.

As fotografias do fakir, com algumas outras, recebi esta tarde.

Após a partida do fakir, Lessing completou seus esboços e deixou-os comigo. Verão, ao comparar os que Lessing fez com as fotografias, que em nenhum caso a câmera registrou as características maravilhosas da performance.

Por exemplo, o esboço de Lessing mostra a árvore crescida do arbusto, enquanto a câmera mostra que não havia arbusto ali.

Lessing viu um bebê, e eu também, e ele o registrou em seu esboço, mas a câmera demonstra que não havia bebê.

O esboço de Lessing do corpo subindo pelo cordel é evidência de que ele o viu, mas a câmera diz que não havia menino e nem cordel.

Pelo que sou compelido a acreditar que minha teoria está absolutamente correta — que o Sr. Fakir simplesmente hipnotizou a multidão inteira, mas não pôde hipnotizar a câmera.

Vou escrever uma história do ocorrido, mandar fazer cópias das fotografias e enviá-las à Sociedade Londrina de Pesquisas Psíquicas.

Não tenho dúvida de que ela fará bom uso delas.”

Nem nós temos qualquer dúvida quanto a isso.

A “S. P. R.” certamente fará “tão bom uso” dos esboços, do Sr. Lessing, e das fotografias do Sr. Ellmore, como fez das centenas de suas sessões com médiuns espiritualistas e das evidências fornecidas pela Teosofia: incapaz de rastrear as coisas ao seu tão amado “impacto telepático”, rotulará todo o conjunto dos fenômenos de “prestidigitador” acima enumerados e bem conhecidos como prestidigitação, jogo de mãos e truques de ilusionismo à la “Maskelyne and Cook”. Pois esta é geralmente a única explicação dada pela “erudita” Sociedade para tudo o que não entende e é incapaz de entender.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Desejamos alegria aos Srs. Ellmore e Lessing, e devemos dizer algumas palavras sobre o assunto, para seu benefício adicional e pessoal.

Em primeiro lugar, perguntamos por que chamam o “prestidigitador” de “fakir”? Se ele é um, não pode ser o outro; pois um fakir é simplesmente um devoto muçulmano cujo tempo inteiro é ocupado por atos de santidade, como ficar dias em uma perna só, ou sobre o topo da cabeça, e que não dá atenção a quaisquer outros fenômenos.

Tampouco poderia seu “prestidigitador” ser um Yogi, sendo este título incompatível com “fazer coletas” após a exibição de seus poderes psíquicos.

O homem que eles viram então em Gaya era simplesmente — como eles muito corretamente afirmam — um malabarista público, ou como é geralmente chamado na Índia, um jadoowalla (feiticeiro) e um "produtor de ilusões", fosse hindu ou maometano.

Como um genuíno malabarista, i.e., alguém que faz profissão de exibir os fenômenos sobrenaturais ou Siddhis de um Iogue, ele teria tanto direito ao uso de truques de prestidigitação quanto um Hoffman ou Maskelyne e Cook.

Ora, estes últimos senhores, e todos os "Feiticeiros do Norte" também, são convidados a repetir, se puderem, ainda que tais fenômenos de malabarismo como os acima, vestidos, ou melhor, desvestidos, como tais malabaristas o são, e sob o dossel dos céus, em vez do teto e do forro de um salão ou teatro.

Eles nunca serão capazes de fazê-lo. E por quê? Porque esses "malabaristas" não são prestidigitadores de destreza manual.

Eles são regulares e genuínos psicólogos, mesmerizadores dotados dos mais fenomenais poderes, até agora desconhecidos e bastante não praticados na Europa, salvo em alguns casos excepcionais.

E com relação a este ponto, baseando nossas questões na lógica da analogia, se tais poderes fenomenais de fascinação, como lançar um glamour sobre plateias que frequentemente somam várias centenas e até milhares, são uma vez provados existir em simples malabaristas profissionais, quem pode negar os mesmos poderes, apenas vinte vezes mais fortes, em adeptos treinados no Ocultismo? Esta é a futura noz para a Sociedade de Pesquisas Psíquicas quebrar — se é que ela alguma vez aceitar o testemunho do Sr. Ellmore, o que duvidamos.

Mas se for aceito, que direito terão seus membros ou o público de duvidar das reivindicações feitas em nome de grandes Iogues e eruditos adeptos e "Mahatmas" de produzir fenômenos muito mais maravilhosos? O simples fato, na verdade, de que uma plateia inteira vê um barbante lançado ao ar, cuja ponta parece estar fixada nas nuvens, um menino subindo por ele, um bebê sob uma cesta, e uma mangueira crescendo, quando na verdade não há nem barbante nem menino, nem bebê nem mangueira — pode muito bem nos dar o direito de chamá-lo o maior milagre mental possível; um "truque psicológico" — verdadeiro, sem dúvida, mas um que nunca será rivalizado, nem mesmo aproximado por um fenômeno físico, por mais espantoso que seja.


"É apenas Hipnotismo", você diz.

Então, aqueles que dizem isso não conhecem a diferença entre o hipnotismo, que, na melhor das hipóteses, é apenas uma manifestação puramente fisiológica mesmo nas mãos dos experimentadores mais poderosos e eruditos, e o verdadeiro mesmerismo, quanto mais a mahamaya ou mesmo a guptamaya da Índia antiga e moderna.

Desafiamos a todos, e a cada um, de Charcot e Richet até todos os hipnotizadores de segunda categoria, incluindo os maiores médiuns físicos, a produzir aquilo com que os Srs.

Ellmore e Lessing creditam seu "prestidigitador". Àqueles que são incapazes de apreciar a importância capital daquele poder psicoespiritual no homem que o Tribune chama tão ignorantemente e tão tolamente de "hipnotismo", tudo o que pudéssemos dizer seria inútil.

Simplesmente nos recusamos a respondê-los.

Quanto aos outros que nos compreenderão, dizemos sim; é glamour, fascinação, psicologia, chamem como quiserem, mas não é "hipnotismo". Este último é uma aberração produzida em várias pessoas sucessivamente por outra pessoa, através do contato, através do olhar fixo em um ponto brilhante ou da manipulação; mas o que é isso em comparação com a fascinação coletiva e instantânea produzida sobre centenas por um único olhar que passa do "prestidigitador" (Vide supra), ainda que o olhar "abrangesse cada homem" "da sola ao topo da cabeça". Nenhum Teosofista que entenda algo de Ocultismo jamais explicou tais fenômenos por outro princípio senão o do encantamento mágico e da fascinação; e reivindicar para eles qualquer outra coisa equivaleria a ensinar o sobrenaturalismo e o milagre, ou seja, uma impossibilidade na natureza.

Aí ––———— Vide Ísis sem Véu, I, 73, 495 et seq.

—––———

PERGUNTAS E RESPOSTAS

há uma hoste de Teosofistas somente na Inglaterra que testemunharia a qualquer dia que foram ensinados por muitos anos agora que os fenômenos físicos na Índia se devem ao glamour e aos poderes psicológicos dos executantes.

Contudo, ninguém na Sociedade Teosófica jamais pensou em reivindicar para si a descoberta e explicação do mistério da mangueira, pois é um ensinamento conhecido há longas eras, e agora mais uma vez ensinado a todos os que desejam saber.

Não obstante, como foi dito no início deste artigo, todos devemos uma dívida de gratidão ao Sr. Ellmore e seu amigo, por sua engenhosa ideia de aplicar a esses truques o teste fotográfico; pois nenhum glamour (ou, como o repórter faz Ellmore dizer, "hipnotismo") poderia afetar a câmera.

Além disso, tanto o jovem viajante quanto o repórter do Tribune parecem ter trabalhado apenas para a Sociedade Teosófica.

De fato, é seguro profetizar que ninguém, incluindo a Sociedade de Pesquisas Psíquicas, dará muita atenção à "descoberta" do Sr. Ellmore—já que esta, não obstante o nome errôneo de hipnotismo, é apenas um fato e uma verdade.

Assim, é a Sociedade Teosófica somente que se beneficiará por ter mais um de seus ensinamentos corroborado por evidência independente e inegável.

–––––––––––       Corroboração adicional do ensinamento oculto é dada em um panfleto intitulado *Materialismo, Agnosticismo e Teosofia*, emitido pelo Comitê da Costa do Pacífico para Obras Teosóficas: "Em conexão com este mesmo ponto (i.e., nebulosas), há cerca de três anos, Madame Blavatsky, essa *bête noire* tanto da religião quanto da ciência, declarou que se os cientistas pudessem aperfeiçoar instrumentos suficientemente poderosos para penetrar essas nebulosas, eles perceberiam a falsidade dessa suposição da ação universal da gravitação.

Isso passou despercebido.

. . . Mas muito recentemente, um cientista da Califórnia confirmou de forma mais inesperada essa afirmação aparentemente ociosa.

Um dos primeiros resultados da inspeção dos céus através do grande telescópio Lick foi a cautelosa declaração do Professor Holden de que a disposição da matéria das nebulosas pareceria apontar diretamente para a conclusão de que alguma outra força além da gravitação era o agente ativo." ––––––––––– 328                              BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

[Explicando, em resposta a uma pergunta, certos fenômenos de clarividência na condição de sono, H.P.B. enfatiza os seguintes pontos:]

Isso . . . . . lembra a antiga alegação espiritualista de que o corpo de um médium pode ser desintegrado pelos Espíritos e carregado por eles através de paredes a qualquer distância, e rematerializado com a mesma facilidade.

A Sra. Marshall, somos convidados a acreditar, foi assim desintegrada, e carregada a três milhas de distância de seu quarto, e reconstruída e deixada cair sobre uma mesa de uma sala de sessão escura.

O Ocultismo, no entanto, nega tal possibilidade.

Ele ensina que nenhuma criatura viva, homem ou mosquito, pode ser assim desintegrada e viver.

Isso pode ser feito com flores e minerais, plantas e outras coisas que podem ser feitas para passar através de telhados e paredes "sólidos"; mas nenhum homem ou ser vivo pode ser tratado de tal maneira sem que a morte se siga.

Isso é o que o Ocultismo, apoiado pela lógica e pelo senso comum, nos ensina, pois ele não admite tal coisa como um milagre sobrenatural.

Tampouco tem o “cordão umbilical” algo a ver com a “Alma”, mas apenas com o corpo astral (o “Duplo”) sempre que este é projetado para fora do corpo. . . . A imagem de seu amigo, o Vidente, foi, naturalmente, projetada sobre seu cérebro e através de sua mente; mas como esta era sua mente física inferior (Kama-manas), assim o “projetor” era sua mente superior, ou Espiritual (Manas propriamente dito). Não há necessidade, de fato, de qualquer “assistente espiritual”, tendo o homem sempre em si seu próprio assistente, o Ego Superior reencarnante.

Não obstante o golpe de piedade que lhe desfere seu amigo, o “Vidente”, que lhe nega qualquer clarividência, o “Sonhador” deve, inegavelmente, ser um clarividente, para ter visto, como o fez, tão vividamente e tão corretamente, seu “Frater G.” A visão é muito facilmente explicada.

Ele adormeceu pensando em seu amigo, a quem nunca vira em corpo, desejando vê-lo, e assim passando imediatamente do estado de vigília ao estado de sonho.

Que admira, então, que sua vontade, agitada a poderosa ação pelo forte desejo, estando sua mente humana (o Manas inferior) paralisada, ademais, pelo súbito sono do corpo, agisse através do divino e onisciente “Vidente”, em vez de fazê-lo através de seu incerto princípio humano de pensamento, que confunde e lança em desordem tudo o que vê no sono,

AOS TEOSOFISTAS DA EUROPA

ao despertar? “Kshetrajña” (nosso Ego Superior), diz a filosofia indiana, é o Espírito encarnado, aquele que tudo sabe e informa por vezes nosso Kshetra (o corpo mortal). O caso do “Sonhador” foi um desses casos especiais.

Ele viu através e com o olho espiritual, que tudo vê, de seu Ego divino.

Imprimindo a visão sobre sua mente e memória humanas, adormecidas e, portanto, plásticas e passivas, esta última recordou ao despertar o que o Ego havia visto.

Isto é bastante natural e nenhum milagre está envolvido.

–––––––––––                     Obras Completas VOLUME XII                        AOS TEOSOFISTAS DA EUROPA                           [Lucifer, Vol.

VII, No. 37, setembro de 1890, pp. 77-78]

Amigos e Irmãos, Após quinze anos de persistente recusa em assumir cargo na Sociedade, fui finalmente persuadida a assumir os deveres de Presidente de uma nova seção da Sociedade Teosófica, a ser conhecida como "Seção Europeia". Minhas razões para esta nova iniciativa são as seguintes:—

Primeiramente.—A aquisição de novas e amplas instalações em Londres, confiadas às mãos de Curadores da Sociedade, para servir como um verdadeiro centro do trabalho teosófico:

Em segundo lugar.—Os convites insistentes da vasta maioria dos teosofistas atuantes na Europa:

Em terceiro lugar.—A razão contida na seguinte ordem oficial, que já foi enviada a todos os Ramos e Grupos não oficiais na Europa, pelo Cel.

H. S. Olcott, P.T.S., meu respeitado colaborador, que tão assiduamente tem trabalhado por nossa amada causa nos últimos quinze anos.


Sociedade Teosófica,                                                  Adyar, Madras,        Escritórios Executivos.

9 de julho de 1890.

Para assegurar uma melhor gestão dos assuntos da Sociedade em toda a Europa do que posso dar a esta distância, eu, por meio desta, delego à minha cofundadora, H.P. Blavatsky, plena autoridade para chegar a um acordo com os Ramos do Reino Unido, Grécia, França, Áustria e Holanda, e os Grupos não oficiais na Espanha, Rússia e outros países continentais, para a consolidação de todos em uma única seção da Sociedade Teosófica, a ser designada como Seção Europeia; e para assumir a supervisão geral e ter a gestão plena da mesma como eu mesmo poderia.

Condições:—

1. Que a formação da referida Seção seja aprovada por três quartos do número total de Ramos e Grupos não oficiais.

2. Que a constituição da referida Seção reconheça plenamente os três objetivos declarados da Sociedade Teosófica, e nenhum estatuto seja promulgado em violação dos mesmos.

3. Que a referida Seção Europeia tenha autonomia completa na mesma medida que a Seção Americana.

Os Ramos que receberem cópias desta ordem são solicitados a entrar em correspondência oficial com Madame Blavatsky.

(Assinado)                      H.S. OLCOTT, P.T.S.

Por meio desta, peço para informá-los de que recebi cartas de assentimento de todos os Ramos ativos e Grupos não oficiais na Europa.

Portanto, após convocar um conselho consultivo para me auxiliar, decidi que a organização da Seção Europeia será a seguinte:—

1. A Seção Britânica manterá sua organização atual.

2. As Filiais do Continente serão autônomas, cada uma dentro da constituição e das regras da Sociedade Teosófica.

AOS TEOSOFISTAS DA EUROPA

3. As contribuições para as despesas de funcionamento da Sede Europeia e para a Sede Geral em Adyar permanecerão voluntárias, como até agora.

4. A Sede Teosófica de Londres, em 19, Avenue Road, Regent’s Park, N.W., será a Sede da Seção Europeia e servirá para a emissão e cancelamento de todas as Cartas e Diplomas; para a realização de todos os negócios oficiais relacionados com a Seção Europeia; e para a transmissão de todos os documentos oficiais à Sede Geral da Sociedade Teosófica em Adyar.

–––––––––––

Propõe-se ainda organizar gradualmente um Corpo de Secretários Correspondentes para responder às perguntas das Filiais e dos membros individuais e, ao mesmo tempo, colocar os membros, se assim o desejarem, em comunicação com companheiros de estudo.

O Sr. G. R. S. Mead, que já esteve em comunicação com muitos de vocês, é por este meio nomeado Secretário da Seção Europeia.

Todas as comunicações e correspondências devem ser endereçadas a ele na Sede Europeia, em 19, Avenue Road, Regent’s Park, Londres, N.W. Como não haverá taxas seccionais fixas, para cobrir as despesas com impressão de cartas, diplomas e circulares, postagem e papelaria, sugere-se às Filiais e aos membros individuais que contribuam com o suficiente para cobrir tais despesas, na proporção em que utilizarem os serviços da Sede.

A Srta. E. Kislingbury é por este meio nomeada Tesoureira da Seção, para encarregar-se de tais doações.

A fim de facilitar a elaboração de uma lista revisada dos membros da Sociedade na Europa, solicita-se aos Secretários das Filiais e Grupos que enviem gentilmente os nomes e endereços dos membros de suas listas ao Secretário, Sr. G. R. S. Mead, e que o informem se os membros possuem diplomas da Sociedade, para que aqueles que não os possuem possam recebê-los imediatamente.

Membros não vinculados também são solicitados a encaminhar as mesmas informações individualmente.

332 BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

Espera-se que a formação da Seção Europeia seja o início do arco ascendente da evolução da Sociedade Teosófica na Europa, e que o dia possa em breve raiar em que cada país europeu tenha uma seção própria.

Pois, se um resultado tão feliz fosse alcançado, e se as unidades dessas seções trabalhassem em conjunto para a moldagem do pensamento europeu, como somente aqueles que têm uma concepção correta da Teosofia podem trabalhar, então certamente teríamos avançado um passo decidido na direção daquele ideal de Fraternidade Universal, que estabelecemos diante de nós como nosso primeiro objetivo.

H. P. BLAVATSKY,                                                  Presidente da Seção Europeia S.T. Londres, 25 de agosto,

–––––––––––                    Escritos Reunidos VOLUME XII                  SRA.

BLAVATSKY APELA À LEI                     [The Path, Nova York, Vol.

V, No. 6, setembro de 1890, pp. 187-88]

Ao Editor do The Path:     Embora eu concorde plenamente com a proposição de que devemos perdoar nossos inimigos, nem por isso deixo de ter "meu apelo a César", e nesse apelo, que agora é feito à Lei e não ao Imperador, posso manter o mandamento de perdoar, enquanto, para a proteção do nome de um amigo morto e a segurança futura dos teosofistas, conduzo aos Tribunais da terra aqueles que, não tendo senso do que é certo ou justo, veem-se no direito de publicar amplamente calúnias perversas e infundadas.

Por cerca de quinze anos, permaneci calmamente à parte e vi meu bom nome ser assaltado por fofoqueiros de jornais que se deleitam em

SRA.

BLAVATSKY APELA À LEI

deter-se nas peculiaridades pessoais daqueles que são bem conhecidos, e trabalhei para a difusão de nossas ideias teosóficas, sentindo-me confiante de que, embora eu pudesse ser assaltada por mentes pequenas que fazem o melhor para me trazer ao descrédito, a Sociedade que ajudei a fundar resistiria aos ataques e, de fato, cresceria sob eles.

Este último tem sido o caso.

Alguns membros podem perguntar por que nunca respondi àqueles ataques que foram dirigidos contra o Ocultismo e os fenômenos.

Por duas razões: o Ocultismo permanecerá para sempre, não importa quão assaltado, e os fenômenos ocultos nunca podem ser provados em um Tribunal de Justiça durante este século.

Além disso, nunca dei circulação pública a qualquer um destes últimos, mas sempre me opus a divulgar coisas que os profanos não podem compreender.

Mas agora um grande jornal diário metropolitano de Nova York, sem conhecimento dos fatos do caso, lança publicamente contra mim muitas acusações, a maioria das quais encontra refutação na minha vida por mais de uma década.

Mas como uma delas reflete fortemente sobre meu caráter moral e traz descrédito ao nome honroso de um homem morto, um antigo amigo de família, é impossível para mim permanecer em silêncio, e assim instruí meus advogados em Nova York a mover uma ação contra o N. Y. Sun por difamação.

Este jornal diário acusa-me de ser membro do demi-monde em '58 e '68, e de ter relações impróprias com o Príncipe Emile Wittgenstein, por quem o jornal diz que tive um filho ilegítimo.

A primeira parte da acusação é tão ridícula que provoca riso, mas a segunda e a terceira expõem outros à reprovação.

O Príncipe Wittgenstein, agora falecido, era um velho amigo da minha família, a quem vi pela última vez quando tinha dezoito anos, e ele e sua esposa permaneceram até sua morte em estreita correspondência comigo. Ele era primo da falecida Imperatriz da Rússia, e pouco imaginava que sobre seu túmulo seria lançada a imundície de um jornal moderno de Nova York.

Este insulto a ele e a mim sou obrigada, por todos os ditames do meu dever, a repelir, e também sou obrigada a proteger a honra de todos os Teosofistas que guiam suas vidas pelos ensinamentos da Teosofia; daí meu apelo à Lei e a um júri de meus concidadãos americanos.


Renunciei à minha lealdade ao Czar da Rússia na esperança de que a América protegesse seus cidadãos; que essa esperança não se revele vã.

H. P. B.

–––––––––––                         Escritos Reunidos VOLUME XII                                              NEO-BUDISMO      [Há alguns anos, um manuscrito russo, na caligrafia de H. P. Blavatsky, foi descoberto nos Arquivos de Adyar.

Uma nota manuscrita anexada a ele, muito provavelmente escrita pela irmã de H.P.B., Madame Vera P. de Zhelihovsky, declara o seguinte: "O último artigo de Helena (sobre Neo-Budismo), que não consegui publicar devido à inimizade do povo russo para com a Teosofia em geral, e de certos indivíduos para com ela pessoalmente.

Possivelmente algum dia será considerado útil."

Também anexo meu rascunho de uma carta a [palavra ilegível] da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres." Uma nota de rodapé anexada ao título deste ensaio, escrita à mão pela irmã de H.P.B., declara: "Este artigo foi escrito há três anos, mas ainda não foi publicado devido a circunstâncias pelas quais a autora, H. P. Blavatsky, não foi responsável.

Enquanto isso, a autora faleceu em Londres em 26 de abril (8 de maio) de 1891." Além disso, Madame de Zhelihovsky escreveu o seguinte, abaixo da assinatura de H.P.B. no final do ensaio: "N.B. Como a Revista Russa não aceitou esta resposta para publicação, minha irmã, H. P. Blavatsky, pediu-me que a fizesse publicar em algum outro periódico ou jornal russo; devido, porém, a muitas ausências de casa e a circunstâncias familiares, não pude realizar isso durante sua vida.

Chegou agora o momento de ela falar por si mesma, porque as opiniões de muitos de nossos escritores (a respeito dela e da Sociedade Teosófica) baseiam-se precisamente neste artigo de Vladimir Sergueyevich Solovyov." V. S. Solovyov (1853-1900), que resenhou A Chave para a Teosofia de H.P.B., foi um notável filósofo e escritor russo, cuja maioria dos escritos jamais foi traduzida para o inglês.

Ele era irmão de Vsevolod S. Solovyov, o romancista,

NEO-BUDISMO

que, após uma breve associação com H.P.B. e o Movimento Teosófico, tornou-se um inimigo amargo.

Russkoye Obozreniye (Revista Russa) era um periódico mensal bastante volumoso, publicado em Moscou de janeiro de 1890 a 1898. Durante os primeiros três anos, foi editado pelo Príncipe D. N. Tserteleff e publicado por N. Boborikin.

"Radda-Bai" ou H. P. Blavatsky é mencionada na contracapa como uma daquelas "estreitamente associadas" a este periódico.

No entanto, apesar de uma busca minuciosa em seus arquivos, nenhum artigo de H.P.B. foi jamais encontrado ali.––Compilador.]

––––––––––

Na seção intitulada "Crítica e Bibliografia", na Revista Russa de agosto de 1890 (ver pp. 881-886), encontro uma resenha do meu livro, A Chave para a Teosofia, por Vladimir S. Solovyov.

Isso em si é muito lisonjeiro, e a autora da "Chave", encontrando uma resenha de sua obra por uma pessoa tão conhecida e em um periódico tão respeitável, deveria, com toda humildade, ficar encantada com essa honra.

Mas a verdade dos fatos é bem diferente, e por esta razão: a resenha do Sr. Solovyov não é resenha alguma, e nem mesmo crítica comum, mas simplesmente uma distorção total do livro, do primeiro ao último parágrafo, tanto de sua totalidade quanto dos poucos e habilmente escolhidos pontos que pareceram ao crítico "especialmente curiosos". 

Seria de se esperar que um filósofo com reputação tão ampla em toda a Rússia como o Sr. Solovyov devesse, ao menos por causa de sua posição pessoal, ter investigado honestamente a essência real do livro em resenha, e de passagem aprendido um pouco mais sobre a filosofia hindu, antes de expressar tais conclusões ex cathedra sobre ambos, tiradas, aliás, de sua própria imaginação.

Após ler seu artigo, no entanto, qualquer pessoa que esteja de algum modo familiarizada com meu livro e com a língua inglesa perceberá que o crítico nem sequer se deu ao trabalho de lê-lo com atenção; ou, se o leu, não compreendeu o significado dos pontos que se propõe a criticar.

Isso é óbvio.

Seria de fato difícil supor que, na seção "Crítica e Bibliografia" o Sr. Solovyov tenha sido guiado não pela substância real daquilo que resenhava, ou pelos sistemas filosóficos mencionados na obra, mas simplesmente pelo preconceito contra a autora ou contra o próprio sistema que ele não conseguiu compreender.


O ciúme profissional, ao que parece, seria aqui totalmente impensável.

O que está em jogo aqui, aliás, não sou tanto eu como pessoa, mas sim a distorção dos ensinamentos que me são atribuídos; não se trata do meu orgulho como autora, que, por sinal, não tenho, mas sim dos erros, e dos enganos deliberados bem como involuntários, do próprio crítico.

Essa negligência torna-se com ele frequentemente fenomenal.

Distorcendo tanto a Teosofia quanto a filosofia hindu, ele comete um erro em cada linha.

Em consequência, considero meu dever moral, tanto em nome da Sociedade confiada aos meus cuidados, quanto em favor dos leitores russos, corrigi-los.

Além disso, tendo o amor à minha pátria no coração––como desejaria que todos os russos fora da Rússia tivessem––e portanto prezando a opinião de todo o povo russo ortodoxo, não posso permitir que as estranhas conclusões do Sr. Solovyov permaneçam sem protesto.

Na Rússia, são pouquíssimos os que já ouviram falar da Sociedade Teosófica, ou que conhecem suas ideias e leram livros teosóficos––os quais raramente se encontram nas livrarias russas.

E, no entanto, aos leitores que ouvem falar de nós pela primeira vez, nós––esses teosofistas pouco conhecidos––somos apresentados pelo muito conhecido Sr. Solovyov como “Neo-Budistas,” “Ateus,” e, ao mesmo tempo, como ignorantes, senão meros tolos, brincando de filosofia.

Para ser claro: é desonesto enganar os leitores com esse tipo de resenha; e é ainda mais desonesto distorcer dessa maneira os pensamentos do autor, escolhendo ao acaso algumas frases de um livro estrangeiro inacessível aos leitores––frases isoladas que, por essa mesma razão, são facilmente sujeitas a uma falsa interpretação––e, distorcendo as ideias principais do livro, escrever algumas páginas sobre elas em um espírito nãochalant e satírico, apresentando tudo isso ao público leitor como a última palavra da “Teosofia”! Não vou me deter em ninharias tão insignificantes como, por exemplo, a distorção do meu nome que, embora o crítico se refira a mim como “uma autora muito conhecida,” é dado por ele como Blavazky em vez de Blavatsky; nem vou enfatizar erros de tradução como, por exemplo, a versão de Isis Unveiled como “Ísis sem Véu,” mesmo que isso demonstre falta de conhecimento da língua inglesa. Dedicarei apenas uma ou duas palavras ao fato de que nosso crítico assegura ao público, como se em defesa da “Sra.

Blavazky,” que ela não poderia ter “inventado a irmandade tibetana ou a ordem espiritual dos Khe-langs” (?!), pois o missionário Huc fornece “informações positivas e confiáveis” sobre eles em um livro escrito por ele “mais de trinta anos antes da formação da Sociedade Teosófica.” Em resposta a isso, tomarei a liberdade de perguntar ao nosso crítico onde ele leu ou ouviu que Khe-langs mongóis, budistas lamaístas, foram alguma vez referidos como “Mahātmans” por orgulhosos BrāhmaŠas? Não declarei eu em minhas cartas, Das Cavernas e Selvas do Indostão, que aquele a quem reconhecemos como nosso principal mestre (e a quem os hindus reconhecem como um Mahātman) é um Rājput de nascimento e, portanto, pertence à casta dos Kshatriyas ou guerreiros? Há outros Rāja-Yogins que conhecemos, BrāhmaŠas e ascetas himalaios, místicos de várias nações, entre os quais há alguns mongóis, mas, é claro, não são Khe-langs.

Como poderiam, não apenas os Khe-langs, mas até mesmo os Hutuktus e Hubilkhans (as encarnações de vários Budas e Bodhisattvas) nos ensinar algo além do Budismo Lamaísta? Este não é o lugar para falar de nossos mestres; por uma razão, por causa da única verdade expressa pelo Sr. Solovyov, a saber, que, embora as relações entre nós e nossos "inspiradores ocultos no distante Oriente não encerrem nada de prejudicial", seria melhor "se essa misteriosa relação permanecesse secreta". Muito verdadeiro, especialmente porque essa relação é apta a incitar ambição pessoal no Ocidente e dar origem a intrigas egoístas (mesmo na Rússia) entre pseudo-teosofistas que se tornaram inimigos implacavelmente mentirosos e confirmados –––––––––––        De fato.

Até mesmo o dicionário faz uma distinção clara entre desvelado e sem véu.

––––––––––– da Sociedade Teosófica e especialmente de mim, seu "bode expiatório", por causa de seu fracasso e da recusa dos Mahātmas em lhes fornecer dinheiro para vários empreendimentos.


Então, novamente, por que o Sr. Solovyov deveria ficar tão surpreso (ou será encantado?) com minha declaração na "Chave" de que nossa Sociedade é às vezes "um exemplo muito lamentável de fraternidade universal"? Talvez, como resultado da diária irmandade caimita, se me é permitido cunhar tal termo, que ocorre ao nosso redor, eu tenha me mostrado severo demais em relação aos nossos membros.

Onde na terra, em que círculos, não há "inveja, contenda e todo tipo de mesquinhez"? De fato, se em famílias particulares há frequentemente rixas que impedem irmãos de sangue de apertarem as mãos uns dos outros, como podemos então esperar escapar da dissensão em uma fraternidade "espiritual" de muitos milhares, composta de todas as raças, credos e características? O que seria mais natural do que tais ocorrências em uma sociedade enorme? Ao ingressar nela, um Membro meramente declara sua simpatia por um de seus três objetivos fundamentais.

Mas se ele não é teosofista por natureza, permanecerá o mesmo velho Adão, "osso do seu osso". Não se segue, contudo, que, por causa de alguns Membros indignos, uma sombra deva ser lançada sobre toda a Sociedade.

E é exatamente isso que o Sr. Solovyov faz quando afirma, contra toda a verdade, que "a Sra.

Blavatsky não tem uma opinião muito elevada da maioria dos membros restantes", enquanto eu declaro precisamente o oposto disso em meu livro!

––––––––––     Isto é o que realmente escrevi na página 257 da "Chave":

“... você não acha que deve haver algo muito nobre, muito elevado, muito verdadeiro, por trás da Sociedade e de sua filosofia, quando os líderes e fundadores do movimento ainda continuam [apesar de toda perseguição] a trabalhar por ela com todas as suas forças? Eles sacrificam por ela todo conforto, toda prosperidade mundana e sucesso, até mesmo seu bom nome e reputação — sim, até mesmo sua honra — para receber em troca incessante e contínuo opróbrio, perseguição implacável, calúnia incansável, constante ingratidão e incompreensão de seus melhores esforços, golpes e bofetadas de todos os lados — quando, simplesmente abandonando seu trabalho, eles [os Membros] se encontrariam —––––––––––

NEO-BUDISMO

Mas basta desses pequenos erros que dizem respeito apenas a mim.

Passemos a alguns dos mais importantes.

Por exemplo, por que o Sr. Solovyov achou necessário descrever *A Chave para a Teosofia* como um “Catecismo do Neo-Budismo”, quando tal termo não se encontra nem no livro em análise nem, de modo geral, na literatura teosófica? Seria para prejudicar, desde o início, os leitores que não conhecem a diferença entre Budismo com um d e Budismo com dois d’s, contra a autora russa e sua “Sociedade”? Teria sido compreensível, no entanto, se eu, ao resenhar em um periódico inglês algumas das palestras ou obras do Sr. Solovyov, as tivesse descrito como “Neo-Papismo”, pois toda a Rússia ortodoxa as entendeu dessa forma.

Mas onde ele encontrou Neo-Budismo em nossos ensinamentos? Não há nenhum, mas simplesmente uma quantidade considerável de antiga Gnose cristã.

Além disso, toda a nossa literatura prova que os verdadeiros teosofistas, adorando a sabedoria universal, adoram na realidade a mesma sabedoria que foi proclamada por São Tiago no terceiro capítulo de sua Epístola [versículo 17], ou seja, “a sabedoria que vem do alto (ἄνωθεν σοφία) [que] é primeiramente pura, depois pacífica, mansa, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia”, evitando, por conselho do mesmo Apóstolo [versículo 15], a sabedoria que “é terrena, sensual, diabólica (ἐπίγειος, ψυχική, δαιμονιώδης).” Portanto, se, ao tentar seguir até onde nossas forças alcançam a sabedoria superior, usamos a palavra *Bodhi* em vez de *Sophia*, é primeiro porque ambas as palavras, a sânscrita e a grega, são sinônimas, e segundo porque para cada Membro europeu temos cerca de cinquenta Membros asiáticos — Brâmanes e Budistas.

Por que deveria haver, nessa conexão, o prefixo “novo”, quando Bodhi ou Sophia, i.e., “sabedoria do alto”, é mais antiga do que a criação do mundo?

—————      imediatamente liberto de toda responsabilidade, protegido de qualquer ataque posterior.”      O Sr. Solovyov menciona em sua resenha a “comovente franqueza do autor da ‘Chave’”. Lamento sinceramente que, em vista de sua crítica, eu esteja privada do prazer de retribuir-lhe o mesmo elogio.

–––––––––– Certamente a filosofia não se originou com o Sr. Solovyov, e a sabedoria não morrerá com ele! Tivesse ele dito que, preferindo o espírito à letra morta, buscamos essa sabedoria e verdade eternas nos princípios básicos e no protótipo das religiões pré-cristãs, agora distorcidas pela “sabedoria terrena e diabólica” da letra morta, e que, ao fazê-lo, damos oportunidade aos míopes e ignorantes de verem em nós pagãos ou budistas––ele não teria ultrapassado os limites dos fatos e, assim, teria adquirido o direito de criticar nosso sistema a partir de seu próprio ponto de vista e de todas as maneiras possíveis.


Mas ele não apenas deixa de fazer isso, como constantemente atribui a A Chave para a Teosofia aquilo que nunca existiu nela. Por exemplo, segundo as palavras do Sr. Solovyov, na página 882, “É curioso que das religiões baseadas na verdade teosófica, a religião judaica seja excluída, pois não expressa nenhuma verdade, segundo o autor”, i.e., eu (itálicos meus).      Isso está inteiramente errado.

Uma de duas coisas: ou o Sr. Solovyov entende tão pouco de inglês que, confundindo a inter-relação das palavras, tomou a parte pelo todo; ou deseja caluniar a autora da Chave.

Aqui está, palavra por palavra, a passagem da página 45 da “Chave”, à qual ele se refere. Citando uma frase da Declaração de Princípios dos Clubes Nacionalistas Americanos, que afirma que “o princípio da Fraternidade da Humanidade é uma das verdades eternas que governam o progresso do mundo em linhas que distinguem a natureza humana da natureza bruta”, e tendo observado, “O que pode ser mais teosófico do que isso?” Eu continuo da seguinte forma: “. . . . . Mas isso não é suficiente.”

O que também é necessário é impressionar os homens com a ideia de que, se a raiz da humanidade é una, então deve haver também uma única verdade que se expressa em todas as diversas religiões––exceto na judaica, pois você não a encontra expressa nem mesmo na Cabala.” Isso significa que não reconhecemos nenhuma verdade na fé judaica? E pode até o Sr. Solovyov descobrir um sentimento de fraternidade em relação a homens de outras crenças, entre os judeus, sejam antigos ou modernos? Será que ele não compreende que a verdade da qual falo na página 45 se refere

NEO-BUDISMO à “verdade” do princípio da fraternidade, e não à verdade divina em geral? Não posso deixar de suspeitar que ele compreende muito bem, mas, ainda assim, apressa-se em lançar mais uma insinuação contra mim aos olhos dos leitores que reverenciam o Antigo Testamento.

Deixo o comportamento do “crítico” ao julgamento de todos os homens justos e imparciais.

A insinuação é completamente desprovida de qualquer fundamento e pode ser facilmente refutada pela leitura de qualquer um de nossos periódicos.

Os teosofistas, coletivamente, respeitam a Bíblia tanto quanto respeitam as escrituras sagradas de outros povos, encontrando nela as mesmas verdades eternas que nos Vedas, no Zend-Avesta, nos Tripitakas, etc., e os teosofistas-cristãos veem nela a mais alta verdade.

Em nossa Sociedade há tantos cristãos ortodoxos e de outras denominações quanto há judeus devotos (até rabinos), brâmanes, budistas, parsas, muçulmanos, materialistas arrependidos e ateus ardentes; estes últimos, no entanto, não estudam filosofia.

A Sociedade Teosófica nunca foi uma “seita”––outro erro do crítico.

Ela inclui representantes de todas as seitas e religiões, e nunca se exigiu que alguém renunciasse à sua própria religião ao se tornar Membro da Sociedade. Ela se fundamenta na ética pura e no espírito, se não na letra morta, da ciência pura, e por isso alguns teosofistas estudam os Upanishads, a Cabala, as Ciências Herméticas e o Simbolismo, sem cuja chave é impossível compreender adequadamente tanto os Vedas quanto o Antigo Testamento.

Certamente, o Sr. Solovyov não vai contradizer –––––––––– Com exceção de alguns agnósticos, todos os membros da seção externa (exotérica) da Sociedade Teosófica continuam a professar a respectiva religião em que nasceram, permanecendo nela e seguindo seus dogmas e rituais, exatamente como faziam antes de se tornarem "teosofistas". Conhecendo nossa Sociedade como ele a conhece há muitos anos, o Sr. Solovyov também deveria saber que a "Teosofia" não é "uma religião sem dogmas definidos", como ele a expressa, mas é um sistema universal de filosofia, absolutamente desprovido de quaisquer dogmas criados pelo homem.

Portanto, a Sociedade, como tal, permanece em seu todo coletivo sem participar dos dogmas de qualquer religião, mas respeita tanto as crenças quanto os ritos pertencentes à fé de cada um de seus membros, que pertencem a vários credos religiosos.

––––––––––

BLAVATSKY COLLECTED WRITINGS

o fato de que o Pentateuco de Moisés, e especialmente o Gênesis, está repleto de alegorias e expressões figuradas.

Isso é exatamente o que é ensinado pelo Apóstolo Paulo (ver Epístola aos Gálatas iv, 24 e seguintes) quando ele fala da história de Abraão e seus dois filhos, e de Sara e Agar, como sendo "alegorias". Isso foi ensinado pelos Padres da Igreja, bem como pelos filósofos e rabinos judeus — Orígenes, Clemente de Alexandria, Hilel, Fílon de Alexandria, até a época de Maimônides e incluindo-o.

A mesma frouxidão na tradução e nas conclusões caracteriza as palavras do crítico concernentes ao Divino na Teosofia, à "alma passional" (ou seja, simplesmente "a sede das paixões humanas"), à oração da vontade, e a tudo o mais.

É por isso que ele não encontra "afirmações definidas e firmes" no livro e, portanto, retrata a "Sra. Blavazky" vacilando de um lado para o outro. Atrevo-me a assegurar ao renomado filósofo que não estou vacilando de forma alguma, do que, espero, ele se convencerá quando estiver mais familiarizado com a língua em que meu livro está escrito.

O que ele pretende dizer ao afirmar que a nossa divindade "ou é definida [por nós] como ser absoluto, ou é considerada meramente como uma pura abstração"? Pode algo absoluto, seja ser ou não-ser, existir para o pensamento humano finito — condicionado em seus conceitos pela forma — senão como uma "pura abstração"? Devo eu, um mero pigmeu em comparação com um gigante filosófico como ele, ensinar-lhe que na filosofia pura há um abismo entre o infinito e o absoluto? Pode a absolitude alguma vez ser "fragmentada", ou ter, em filosofia, qualquer relação com o finito e o condicionado? Realmente, ao ler a crítica do Sr. Solovyov, imagina-se que estou ensinando aos Membros da nossa Sociedade alguma espécie de nova filosofia inventada por mim mesmo.

Parece que todos os que conhecem os nossos ensinamentos sabem que todos esses problemas mundiais são explicados não pela "Madame Blavazky", mas pela filosofia dos Upanishads (ver abaixo), cuja chave para o significado se encontra nas obras secretas do Vedānta, inacessíveis, até agora, aos orientalistas.

Quanto à filosofia da Índia, o nosso crítico aparentemente sabe tão pouco

NEO-BUDISMO

sobre ela quanto sabe de Teosofia — ainda menos, se isso for possível.

Por exemplo, pelo prazer de dizer ao "nosso autor" (ou seja, a este seu humilde servo) que ele é incapaz de atribuir à autora da Chave (isto é, a mim) qualquer um dos variados pontos de vista da filosofia indiana; em outras palavras, que o meu (?) sistema teosófico é mais tolo do que o "menor dos graus indianos de iluminação" — o nosso crítico entra num beco sem saída! Ele informa o mundo da suposta existência de "dezesseis sistemas de filosofia indiana" (!!!). Posso assegurar ao nosso filósofo russo que ele está muito enganado; que há na filosofia indiana apenas seis sistemas reconhecidos, conhecidos como Shad-Darśana, literalmente as seis demonstrações ou "seis escolas". O Sr. Solovyov está se referindo ao "códice de sistemas" de Mādhavāchārya, na obra intitulada Sarva-darśana-samgraha, na qual esse sectário do século XIV analisa 16 sistemas, colocando o budismo no último degrau das concepções mundiais.

Mas ele não levou em conta, primeiro, o fato de que o budismo nunca foi considerado uma escola na Índia, onde por muitos séculos houve poucos budistas; e segundo, que o código de sistemas mencionado por Mādhavāchārya representa meramente um catálogo incompleto tanto de seitas ortodoxas quanto heréticas que existiam em sua época, e contra as quais ele lutou durante sua vida, defendendo e louvando seu próprio sistema (uma seita nos dias de hoje) de Dwaita (ou dualismo), do qual ele foi o fundador.

Assim, não é de modo algum um "código de sistemas da filosofia indiana", mas meramente um código de opiniões de Mādhavāchārya, um vedantista fanático e adorador de Vishnu.

Além disso, onde o Sr. Solovyov obteve a ideia

––––––––––       A saber: (1) Nyāya, a escola lógica do ṛishi Gautama; (2) Vaiśeshika, o sistema atômico de Kanāda; (3) Sānkhya, a escola panteísta de Kapila; (4) Yoga, a escola mística de Patañjali; (5) Pūrva (primeira) Mīmāmsā; e (6) Uttara (posterior) Mīmāmsā, de Vyāśa, que é chamada Vedānta.

Há uma sétima escola, que é muito posterior, a PaurāŠika, ou a escola eclética que apresenta os ensinamentos do Bhagavad-Gītā, mas não está incluída no número dos antigos Darśanas.

Nenhuma das outras escolas posteriores é levada em conta.

–––––––––– de que "Vedānta ou panteísmo absoluto. . . . . . o sistema mais elevado e décimo sexto [?], foi fundado pelo filósofo Śamkara-šchārya"? (p. 884) — uma afirmação que, em três linhas, contém três erros importantes.


Em primeiro lugar, Vedānta não é o décimo sexto sistema, mas um que inclui as 5ª e 6ª escolas (ou Mīmāmsā) de interpretação; em segundo lugar, "Śamkara-Āchārya" (isto é, Śamkarāchārya, ou seja, Śamkara, o Mestre) não poderia ser o fundador do Vedānta porque o Vedānta existia mil anos antes de seu nascimento; e em terceiro lugar, Vedānta em si não é uma escola, mas, como já foi dito, um sistema de interpretação dos Vedas, dos Upanishads e das Mīmāmsās. É um termo descritivo que literalmente significa "fim dos Vedas", isto é, fim do conhecimento ou cognição (Vidyā) e também é conhecido como Brahma-Jñana ou "conhecimento acerca do Divino". Śamkarāchārya foi um grande Yogin e reformador que ensinou aos adoradores de ídolos a unidade universal da divindade (Parabrahman) e da alma, da matéria e ––––––––––       Não exatamente panteísmo "absoluto".

O Vedānta é dividido na Índia em três aspectos ou seitas, a saber: Adwaita, fundada por Śamkarāchārya e a única absolutamente panteísta; Dwaita, a seita de Mādhavāchārya, que ensina o deísmo puro; e Viúish˜âdwaita, que é algo entre essas duas.

Todas as três seitas pertencem ao sistema do Vedānta, mas os Dwaitas nunca foram panteístas.

Se o Sr. Solovyov me remeter à tradução do Sarva-darśana de Mādhavāchārya por Cowell, aliás o melhor sânscritista inglês, então eu o remeterei à História da Índia de Elphinstone, editada pelo próprio Cowell.

Na página 130 desta obra de autoridade, sob o título “Vedānta, ou Escola Uttara-Mīmāmsā”, está dito: “A fundação desta escola é atribuída a Vyāsa, o suposto compilador dos Vedas, que viveu por volta de 1400 a.C. . . . . .” Isso parece claro o suficiente! Śamkarāchārya foi apenas o intérprete do Vedānta e dos Upanishads, e o fundador, dentro de seu próprio sistema, da escola Adwaita, ou seja, o “Unitarismo”.

A palavra “Veda” deriva da raiz vid, “conhecer” ou “cognoscere”. Um dos nomes do Veda é brahma-vidyā, que significa literalmente “cognição” de, ou “sabedoria concernente a Brahma”, assim como o Ṛig-Veda é atribuído à pena desse próprio deus, e os outros três Vedas à sua revelação direta.

Brahma-vidyā traduzido significa “teosofia”. ––––––––––

NEO-BUDISMO

espírito, e por essa razão foi apelidado de prachchhanna bauddha (budista disfarçado), e sua escola, Vedantismo virado do avesso.

Até mesmo os orientalistas às vezes chamam sua escola de novo Vedānta ou Neo-Vedantismo, assim como nossos próprios inimigos nos chamam de “Neo-Budistas” — termos em ambos os casos nem inteligentes nem corretos.

No sistema do Adwaita há uma grande quantidade do verdadeiro ensinamento secreto do Buda, a saber, o que ele ensinou aos seus Arhats, o Budismo, ou seja, o sistema universal de uma ciência oculta contendo todos os outros ensinamentos esotéricos ou secretos, por exemplo, a Cabala dos Tannaims, o Zohar de Shimon-ben-Yohai, os Livros de Hermes, etc.

Que tal ensino existe até hoje é evidenciado pelos Upanishads, ou seja, a "doutrina esotérica", mesmo na tradução dos orientalistas. Eitel, Inspetor de Escolas em Hong Kong e autor de um léxico sânscrito-chinês, e Edkins, missionário que viveu toda a sua vida na China e estudou os sistemas chineses de filosofia, bem como o Budismo em todos os seus aspectos, tal como existe no Reino Celestial e no Tibete, ambos dedicam capítulos inteiros às –––––––––– Há cerca de trinta anos, os Upanishads, consistindo em breves tratados, somavam aproximadamente 150. Pouco a pouco, escondidos pelos Brāhmaṇas, foram gradualmente desaparecendo, com exceção de uns 20 deles, e mesmo esses não eram todos autênticos.

Há um boato generalizado na Índia de que todos os melhores Upanishads, bem como os manuscritos explicativos do Vedānta (compostos gradualmente ao longo dos séculos e que fornecem a chave para os Upanishads), estão nas mãos de Tāraka-Rāja-Yogins iniciados, nos principais Maṭhas (mosteiros) dos Vedāntistas pertencentes à escola Adwaita; e também nas mãos de alguns Yogins independentes, adeptos-místicos, espalhados pelas selvas dos Himālayas e pelos cumes inacessíveis das cadeias montanhosas do Sul da Índia.

Essas irmandades ou comunidades existem há milhares de anos, e ainda existem suficientes delas em nossos dias para que possamos formar algum juízo sobre elas.

Mas agora os verdadeiros Yogins eruditos tornam-se cada vez mais raros a cada ano que passa, cedendo lugar a charlatães e parasitas ignorantes, que vivem às custas das massas supersticiosas.

Espero, num futuro próximo, submeter aos periódicos russos um artigo sobre o assunto dos Yogins contemporâneos, com a descrição de alguns dos Aśramas, ou seja, retiros, conhecidos na Índia.

[A morte impediu H. P. Blavatsky de levar a cabo sua intenção.] –––––––––– "escolas secretas", embora, sabendo muito pouco do ensinamento real, digam compreensivelmente muitas tolices sobre elas.


Segundo a afirmação dos pundits sânscritos em geral, os Upanishads são aquilo que destrói a ignorância e conduz aqueles que os estudam à libertação espiritual, devido ao conhecimento adquirido e por causa de sua maior compreensão da verdade divina.

Não encontramos a mesma definição dos ensinamentos de Cristo em João viii, 32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”? Assim como os tratados conhecidos como Brāhmaṇas (um suplemento aos Vedas), cheios de cerimonialismo árido, de ritualismo de letra morta e de adoração de ídolos, são o Talmude dos hindus, assim também os Upanishads são a sua Cabala, explicando o espírito dessa letra morta.

Mas os Upanishads e a Cabala exigem, para sua completa compreensão, uma chave, e esta só pode ser encontrada nas mãos dos Adeptos “iniciados” da Gupta-Vidyā, a ciência secreta, isto é, os autores dos livros sobre o Vedānta. Śamkarāchārya foi um dos mais notáveis desses Adeptos depois do Buda e é considerado pelos “Adwaita Vedāntistas” como uma encarnação ou um Avatāra do deus Śiva, o grande Yogin (Mahāyogin) da Índia.

Ele foi um dos melhores intérpretes dos Upanishads segundo o sistema do Vedānta, mas houve outros melhores do que ele. Desaparecendo deste mundo com apenas 32 anos de idade, ele explicou apenas uma parte.

––––––––––      Como prova do fato de que é precisamente nos Upanishads que devemos procurar a fonte de todos os sistemas filosóficos sucessivos da Ásia Menor e da Europa.

Cito a opinião de Elphinstone de sua obra *The History of India* (editada por Cowell):          “Quando examinamos os Upanishads mais antigos, no entanto, somos impressionados por uma peculiaridade notável — a total ausência de qualquer exclusivismo bramânico em sua doutrina.

Eles são evidentemente     posteriores às Sanhitās e Brāhmaṇas mais antigas; mas respiram um espírito inteiramente diferente, uma liberdade de     pensamento desconhecida em qualquer obra anterior, exceto os próprios hinos do Ṛig-Veda.

Os grandes mestres desse     conhecimento superior não são brâmanes, mas xátrias, e os brâmanes são continuamente representados como     indo aos grandes reis xátrias (especialmente Janaka de Videha), para se tornarem seus discípulos . . .” [p. 282]. ––––––––––

NEO-BUDISMO

do todo; e segundo a tradição, ninguém em qualquer lugar do mundo poderia ser encontrado capaz de explicar as ciências secretas do início ao fim, embora todas estejam contidas nos Upanixades . . . . . . São esses mesmos ensinamentos das mais antigas concepções do mundo que consideramos as principais testemunhas daquilo que chamamos de Religião da Sabedoria (a religião da razão), Teosofia—e chamamos nosso ensinamento de religião apenas porque (devido à etimologia da palavra) esses princípios outrora uniram toda a raça humana por meio de seu pensamento espiritual.

Quem compreende a essência e o significado da verdade universal não se surpreenderá, portanto, ao encontrar seus raios fragmentados aqui e ali, não apenas nas antigas crenças filosóficas, mas até mesmo no grosseiro fetichismo do selvagem, onde ainda é possível rastreá-los nas centelhas moribundas dessa verdade.

E o selvagem, ao contrário do Sr. Vladimir Solovyov, não rotulará arbitrariamente como Neo-Budismo aquilo que inclui em si as sementes de todas as antigas e modernas concepções da vida.

Ele não afirmará (isto é, se não for um católico a quem a leitura dos Evangelhos é proibida), esquecendo os ensinamentos destes, que “o puro raio do princípio universal, refratado pela consciência humana” é “em primeiro lugar meramente uma metáfora,” e em segundo lugar—lembrando as injunções: “Eu e meu Pai somos um,” “O

––––––––––      “. . . nenhuma obra hindu provavelmente exerceu uma influência mais ampla sobre o mundo [do que os Upanixades]. É dessas abandonadas ‘suposições da verdade,’ como de uma fonte, que todos aqueles diversos riachos de especulação panteísta divergiram, os quais, sob diferentes nomes, são tão continuamente caracterizados como ‘filosofia oriental.’ Assim, o leitor dos Upanixades logo reconhece ideias familiares nas especulações do Fedro, bem como em Empédocles ou Pitágoras,— no Neoplatonismo da escola alexandrina, bem como nas escolas gnósticas, embora Plotino tenha visado emancipar a filosofia grega da influência da mente oriental; e a Cabala dos judeus e o Sufismo dos maometanos parecem derivar da mesma fonte . . . . . . e por que a tradição da origem oriental de grande parte da filosofia grega primitiva seria incrível ou mesmo improvável?” [p. 281]. –––––––––– “O Pai está em mim, e eu nele” (João x, 30 e 38), e especialmente as línguas de fogo divididas (Atos ii, 3) — ele não perguntará: “De onde vem essa consciência humana, com sua capacidade de dividir a Luz Divina e fragmentar a unidade absoluta?” Da mesma forma, se ele se lembrar das palavras do Apóstolo Paulo, “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” [1 Cor. iii, 16] (e também a afirmação do próprio Cristo, em resposta à calúnia dos fariseus, “Não está escrito na vossa lei: Eu disse: vós sois deuses” — João x, 34), ele não nos acusará de autodeificação.


Ao assegurar ao público que todos nós (teosofistas) “somos dotados de uma inclinação muito definida e bastante peculiar à autodeificação do homem e à oposição a qualquer princípio sobre-humano” (p. 886), o Sr. Solovyov meramente distorce a verdade e nos calunia em massa.

Isso deve bastar.

Acrescentarei apenas o seguinte: se nosso crítico tivesse estudado os ensinamentos teosóficos metade tão bem quanto estudou o papismo e o judaísmo, ele teria facilmente obtido sucesso na difícil tarefa de escrever sobre o significado de nossos ensinamentos.

Então ele provavelmente teria se abstido de escrever sobre a Chave para a Teosofia, pois teria compreendido que este livro não foi escrito para a Rússia — o único país onde o puro ideal de Cristo ainda é preservado; e sabendo disso, ele teria compreendido em benefício de quem eu citava o preceito evangélico sobre a árvore que se conhece pelo fruto. A Chave foi escrita por mim para países onde coisas como o Exército de Salvação são possíveis, com seus uivos selvagens nas ruas e temas de canções do repertório de operetas, e onde o nome da “bela Helena” é trocado pelo nome d’Aquele a quem chamam o Filho de Deus; para um país onde no momento presente não há menos de dezesseis encarnações de Cristo, desde o Reverendo Missionário Schweinfurt até Kennedy, um ex-ladrão de um reformatório, e agora reconhecido pelos sectários de Connecticut como um Messias; foi escrito para países pseudo-cristãos como a Inglaterra e ——————–       Sugiro que o Sr. Solovyov leia meu artigo na The North American Review (Nova York, agosto de 1890), intitulado “O Progresso da Teosofia”, onde encontrará listados os frutos da árvore teosófica.

––––––––––

NEO-BUDISMO

América, onde os Bispos fazem discursos públicos contra o "Sermão da Montanha", chamando-o de Utopia, e os cidadãos desta última, membros das 772 seitas em guerra, constroem cinco bares para cada igreja ou capela, e tantas casas de má reputação; para esses países, dos quais a hipocrisia, a corrida desenfreada pelo dinheiro, a superstição em vez de religião, e todos os tipos de vícios, em seus aspectos mais repugnantes, há muito expulsaram não apenas qualquer tipo de fé no eu divino do homem e na imortalidade da alma, mas até mesmo todo sentimento humano.

Finalmente, ele compreenderia que a Chave para a Teosofia não contém nenhum ensinamento especial, mas é simplesmente uma tentativa de corrigir algumas das ideias bastante selvagens que o público sustenta a respeito de certas crenças dos místicos asiáticos, e da Sociedade Teosófica.

Direi mais: ele teria se convencido de que não apenas os Cristãos continuam — apesar de sua fraternidade — a considerar Cristo como um Deus que desceu à Terra, mas que até mesmo os Teosofistas que são Budistas, Brâmanes, Parses e Muçulmanos o consideram um grande Arhat e Profeta.

Se o Sr. Solovyov soubesse de tudo isso, não haveria incentivo para a presente resposta, cujo significado inteiro está contido no dito imortal:

"Não julgueis, para que não sejais julgados."                                                                        H. BLAVATSKY Londres.

(Radda-Bai) Setembro, —————     Bispo da Diocese de Peterborough.

––––––––––                        Obras Completas VOLUME XII 350                            BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA                               [Lucifer, Vol.

VII, No. 38, Outubro, 1890, pp. 89-98]

“. . . . . . Eu fiz [o homem] justo e reto,                                    Suficiente para ter permanecido, embora livre para cair                                    Tal criei todos os Poderes Etéreos                                    E Espíritos, tanto os que permaneceram quanto os que falharam,                                    Livremente permaneceram os que permaneceram, e caíram os que caíram.”                                    —MILTON, Paraíso Perdido, Livro III, linhas 98-108.

. . . . A suposição de que a mente é um ser real, que pode ser influenciada pelo cérebro, e que pode agir sobre o corpo através do cérebro, é a única compatível com todos os fatos da experiência.

––GEORGE T. LADD, Elements of Physiological Psychology, p. 667.

I

Uma nova influência, um sopro, um som—"como de um vento impetuoso e poderoso"—varreu de repente algumas cabeças teosóficas.

Uma ideia, vaga a princípio, cresceu com o tempo até assumir uma forma bem definida, e agora parece estar trabalhando muito ativamente nas mentes de alguns de nossos membros.

É esta: se quisermos fazer conversos, os poucos ensinamentos exotéricos, que estão destinados a ver a luz da publicidade, deveriam ser, daqui em diante, mais subservientes à ciência moderna, se não inteiramente em harmonia com ela.

Insiste-se que a assim chamada cosmogonia esotérica (ou ex-esotérica), antropologia, etnologia, geologia—psicologia e, acima de tudo, metafísica—tendo sido adaptadas para fazer reverência ao pensamento moderno (portanto, materialista), nunca mais deveriam, daqui em diante, ser permitidas a contradizer (não abertamente, de modo algum) a "filosofia científica". Esta última, supomos, significa os fundamentos

–––––––––– Dizemos "assim chamada", porque nada do que foi divulgado publicamente ou impresso pode mais ser denominado esotérico.

––––––––––

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA e as visões aceitas das grandes escolas alemãs, ou do Sr. Herbert Spencer e de algumas outras estrelas inglesas de menor magnitude; e não apenas estas, mas também as deduções que delas possam ser extraídas por seus discípulos mais ou menos instruídos.

Uma grande empreitada esta, verdadeiramente; e, além disso, perfeitamente conforme à política dos Casuístas medievais, que distorciam a verdade e até a suprimiam, se ela colidisse com a Revelação divina.

Inútil dizer que recusamos o compromisso.

É bem possível—na verdade, provável e quase inevitável—que "os erros cometidos" na interpretação de tais doutrinas metafísicas abstrusas como as contidas no Ocultismo Oriental, sejam "frequentes e muitas vezes importantes". Mas então todos esses têm de ser atribuídos aos intérpretes, não ao sistema em si.

Eles precisam ser corrigidos com base na autoridade da mesma Doutrina, verificados pelos ensinamentos cultivados no solo rico e estável da Gupta Vidya, e não pelas especulações que florescem hoje para morrer amanhã — nas areias movediças das suposições científicas modernas, especialmente em tudo o que se relaciona à psicologia e aos fenômenos mentais.

Apegando-nos ao nosso lema, "Não há religião superior à verdade", recusamo-nos decididamente a condescender com a ciência física.

No entanto, podemos dizer isto: se as chamadas ciências exatas limitassem sua atividade apenas ao reino físico da natureza; se se ocupassem estritamente com cirurgia, química — até seus limites legítimos, e com fisiologia na medida em que esta se relaciona com a estrutura de nossa estrutura corpórea, então os Ocultistas seriam os primeiros a buscar ajuda nas ciências modernas, por mais numerosos que fossem seus erros e enganos.

Mas, uma vez que, ultrapassando a Natureza material, os fisiologistas da escola moderna "animalista" pretendem intrometer-se e proferir ex

––––––––––       "Animalismo" é uma palavra bastante apropriada (quem quer que a tenha inventado) como contraste ao termo "animismo" do Sr. Tylor, que ele aplicou a todas as "Raças Inferiores" da humanidade que acreditam ser a alma uma entidade distinta.

Ele descobre que as palavras psique, pneuma, animus, spiritus, etc., todas pertencem ao mesmo ciclo de superstição "nos estágios inferiores da cultura", e o Professor A. Bain, além disso, qualifica todas essas distinções como uma "pluralidade de almas" e um "materialismo duplo". Isto é ainda mais –––––––––– cathedra dicta sobre as funções e fenômenos superiores da mente, dizendo que uma análise cuidadosa os leva à firme convicção de que, não mais que o animal, o homem é um agente livre, muito menos um responsável — então o Ocultista tem um direito muito maior do que o "Idealista" moderno médio de protestar.


E o Ocultista afirma que nenhum materialista — uma testemunha preconceituosa e unilateral na melhor das hipóteses — pode reivindicar qualquer autoridade na questão da fisiologia mental, ou naquilo que ele agora chama de fisiologia da alma.

Nenhum tal substantivo pode ser aplicado à palavra "alma", a menos que, de fato, por alma se entenda apenas a mente psíquica inferior, ou aquilo que se desenvolve no homem (proporcionalmente à perfeição de seu cérebro) em intelecto, e no animal em um instinto superior.

Mas, desde que o grande Charles Darwin ensinou que "nossas ideias são movimentos animais do órgão dos sentidos", tudo se torna possível ao fisiologista moderno.

Assim, para grande desgosto de nossos Associados de inclinação científica, é mais uma vez dever de Lúcifer mostrar o quanto estamos em desacordo com a ciência exata, ou, diríamos, o quanto as conclusões dessa ciência estão se afastando da verdade e do fato.

Por "ciência" entendemos, naturalmente, a maioria dos homens de ciência; a minoria melhor, temos a satisfação de dizer, está ao nosso lado, pelo menos no que diz respeito ao livre-arbítrio no homem e à imaterialidade da mente.

O estudo da "Fisiologia" da Alma, da Vontade no homem e de sua Consciência superior, do ponto de vista do gênio e de suas faculdades manifestadoras, jamais poderá ser resumido em um sistema de ideias gerais representado por fórmulas breves; tampouco a psicologia da natureza material pode ter seus múltiplos mistérios solucionados pela mera análise de seus fenômenos físicos.

Não há órgão especial da vontade, assim como não há base física para as atividades da autoconsciência.

–––––––––– curioso como o erudito autor de *Mind and Body* (p. 190, nota) fala depreciativamente da *Zoonomia* de [Erasmus] Darwin, da qual J. S. Mill (*Logic*: Fallacies, cap. iii, § 8) cita o seguinte: a palavra ideia "é definida como uma contração, um movimento, ou configuração, das fibras que constituem o órgão imediato do sentido." ––––––––––

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

Mas se a questão for ainda mais pressionada quanto à base física para as atividades da autoconsciência, nenhuma resposta pode ser dada ou mesmo sugerida.

Por sua própria natureza, esse admirável ato verificador da mente, no qual ela se reconhece como sujeito de seus próprios estados, e também reconhece os estados como seus, não pode ter substrato material análogo ou correspondente.

É impossível especificar qualquer processo fisiológico que represente esse ato unificador; é até mesmo impossível imaginar como a descrição de tal processo poderia ser posta em relação inteligível com esse poder mental único.

Assim, todo o conclave de psicofisiologistas pode ser desafiado a definir corretamente a Consciência, e certamente falharão, porque a Autoconsciência pertence somente ao homem e procede do EU, o Manas superior.

Somente, enquanto o elemento psíquico (ou Kama-manas) é comum tanto ao animal quanto ao ser humano — o grau muito mais elevado de seu desenvolvimento neste último repousando meramente na grande perfeição e sensibilidade de suas células cerebrais — nenhum fisiologista, nem mesmo o mais hábil, jamais conseguirá resolver o mistério da mente humana, em sua mais alta manifestação espiritual, ou em seu aspecto dual do psíquico e do noético (ou manásico), ou mesmo compreender as complexidades do primeiro no plano puramente material — a menos que saiba algo sobre, e esteja preparado para admitir a presença desse elemento dual.

Isso significa que ele teria que admitir uma mente inferior (animal) e uma superior (ou divina) no homem, ou o que é conhecido no Ocultismo como os Egos "pessoal" e "impessoal".

Pois, entre o psíquico e o noético, entre a Personalidade e a Individualidade, existe o mesmo abismo que entre um "Jack, o Estripador" e um santo Buda.

A menos que o fisiologista aceite tudo isso, dizemos, ele será sempre levado a um atoleiro.

Pretendemos prová-lo. ––––––––––       Elements of Physiological Psychology, etc., p. 545, por George T. Ladd, Professor de Filosofia na Universidade de Yale.

 Ou o que os Cabalistas chamam de Nephesh, o "sopro da vida."       A palavra sânscrita Manas (Mente) é usada por nós em preferência ao grego Nous (noético) porque esta última palavra, tendo sido tão imperfeitamente compreendida na filosofia, não sugere um significado definido.

–––––––––– Como todos sabem, a grande maioria de nossos eruditos "Didymi" rejeita a ideia do livre-arbítrio.


Ora, esta questão é um problema que tem ocupado as mentes dos pensadores por eras; cada escola de pensamento a tendo abordado por sua vez e deixado-a tão longe da solução como sempre.

E, no entanto, colocada como está nas fileiras mais avançadas dos dilemas filosóficos, os modernos "psicofisiologistas" afirmam da maneira mais fria e presunçosa terem cortado o nó górdio para sempre.

Para eles, o sentimento de livre agência pessoal é um erro, uma ilusão, "a alucinação coletiva da humanidade." Esta convicção parte do princípio de que nenhuma atividade mental é possível sem um cérebro, e que não pode haver cérebro sem um corpo.

Como este último é, além disso, sujeito às leis gerais de um mundo material onde tudo se baseia na necessidade, e onde não há espontaneidade, nosso moderno psicofisiologista tem, nolens volens, de repudiar qualquer autoespontaneidade na ação humana.

Aqui temos, por exemplo, um professor de fisiologia de Lausanne, A. A. Herzen, para quem a pretensão de livre-arbítrio no homem parece o mais anticientífico dos absurdos.

Diz este oráculo:–– No ilimitado laboratório físico e químico que cerca o homem, a vida orgânica representa um grupo de fenômenos bastante pouco importante; e, entre estes últimos, o lugar ocupado pela vida que atingiu o estágio de consciência é tão diminuto que é absurdo excluir o homem da esfera de ação de uma lei geral, a fim de permitir nele a existência de uma espontaneidade subjetiva ou de um livre-arbítrio situado fora dessa lei.

Para o Ocultista que conhece a diferença entre os elementos psíquico e noético no homem, isto é puro lixo, não obstante sua sólida base científica.

Pois quando o autor levanta a questão –– se os fenômenos psíquicos não representam os resultados de uma ação de caráter molecular, para onde então desaparece o movimento após atingir os centros sensoriais? –– respondemos que nunca negamos o fato.

Mas o que isso tem a ver com o livre-arbítrio? Que todo fenômeno no Universo visível tem sua gênese no movimento é um velho axioma.

––––––––––      [Ref.

refere-se a Alexander Alexandrovich Gerzen (1839-1906) e sua obra russa: Obshchaya fisiologia dushi, São Petersburgo, 1890] ––––––––––                                           O CAMINHO                       Pintura Renomada de Reginald Willoughby Machell,                     Propriedade da Sociedade Teosófica, Pasadena, Califórnia.

(Veja a explicação do próprio Sr. Machell sobre o simbolismo de sua pintura.)

Descrição do Artista, Sr. R. Machell

O CAMINHO é a via pela qual a alma humana deve passar em sua evolução até a plena autoconsciência espiritual.

A condição suprema é sugerida nesta obra pela grande figura cuja cabeça, no triângulo superior, se perde na glória do Sol acima, e cujos pés estão no triângulo inferior, nas águas do Espaço, simbolizando Espírito e Matéria.

Suas asas preenchem a região média, representando o movimento ou pulsação da vida cósmica, enquanto dentro do octógono são exibidos os vários planos de consciência, através dos quais a humanidade deve ascender para alcançar uma Humanidade perfeita.

No topo está uma Ísis alada, a Mãe ou Superalma, cujas asas velam o rosto do Supremo daqueles que estão abaixo.

Há um círculo vagamente visível de figuras celestiais que saúdam com alegria o triunfo de um novo iniciado, alguém que alcançou o coração do Supremo.

Desse ponto, ele olha para trás com compaixão para todos os que ainda vagueiam abaixo e se volta para descer novamente em seu auxílio como um Salvador dos Homens.

Abaixo dele está o anel vermelho dos guardiões que abatem aqueles que não têm a “senha”, simbolizada pela chama branca flutuando sobre a cabeça do aspirante purificado.

Duas crianças, representando a pureza, passam para cima sem serem desafiadas.

No centro da imagem está um guerreiro que matou o dragão da ilusão, o dragão do eu inferior, e agora está preparado para cruzar o abismo usando o corpo do dragão como sua ponte (pois ascendemos por degraus feitos de fraquezas conquistadas, o dragão morto da natureza inferior). De um lado, duas mulheres sobem, uma ajudada pela outra, cuja veste é branca e cuja chama arde brilhante enquanto ela ajuda sua irmã mais fraca.

Perto delas, um homem sobe das trevas; ele tem sacos de dinheiro pendurados em seu cinto, mas nenhuma chama acima de sua cabeça, e já a lança de um guardião do fogo está suspensa sobre ele, pronta para ferir o indigno em sua hora de triunfo.

Não muito longe está um bardo cuja chama é velada por uma nuvem vermelha (paixão) e que jaz prostrado, abatido pela lança de um guardião; mas, enquanto ele jaz moribundo, um raio do coração do Supremo o alcança como promessa de triunfo futuro em uma vida posterior.

Do outro lado está um estudante de magia, seguindo a luz de uma coroa (ambição) erguida por uma figura flutuante que o conduziu à beira do precipício sobre o qual não há ponte para ele; ele segura seu livro de rituais e pensa que a luz da coroa deslumbrante vem do Supremo; mas o abismo espera sua vítima.

Ao seu lado, sua fiel seguidora cai despercebida por ele, mas um raio do coração do Supremo também cai sobre ela, a recompensa da devoção altruísta, mesmo em uma causa vil.

Ainda mais abaixo, no submundo, uma criança está sob as asas da mãe adotiva (Natureza material) e recebe o equipamento do Cavaleiro, símbolos dos poderes da Alma, a espada do poder, a lança da vontade, o elmo do conhecimento e a cota de malha, cujos elos são feitos de experiências passadas.

Diz um livro antigo: “O Caminho é um para todos, os modos que a ele conduzem devem variar com o peregrino.”

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

em Ocultismo; nem duvidamos que o psicofisiologista se colocaria em desacordo com todo o conclave de cientistas exatos se permitisse a ideia de que, em um dado momento, toda uma série de fenômenos físicos pode desaparecer no vácuo.

Portanto, quando o autor da obra citada sustenta que a referida força não desaparece ao atingir os mais elevados centros nervosos, mas que é imediatamente transformada em outra série, a saber, a das manifestações psíquicas, em pensamento, sentimento e consciência, assim como essa mesma força psíquica, quando aplicada para produzir algum trabalho de caráter físico (por exemplo, muscular), se transforma neste último –– o Ocultismo o apoia, pois é o primeiro a afirmar que toda atividade psíquica, de suas manifestações mais baixas às mais elevadas, é "nada mais do que –– movimento". Sim; é MOVIMENTO; mas não todo movimento "molecular", como o escritor quer nos fazer entender.

Movimento como o GRANDE SOPRO (Vide A Doutrina Secreta, Vol. I, sub voce) –– portanto "som" ao mesmo tempo –– é o substrato do Movimento Cósmico.

Ele é sem começo e sem fim, a vida eterna única, a base e a gênese do universo subjetivo e objetivo; pois VIDA (ou Ser-idade) é o fons et origo da existência ou do ser.

Mas o movimento molecular é a mais baixa e mais material de suas manifestações finitas.

E se a lei geral da conservação da energia leva a ciência moderna à conclusão de que a atividade psíquica representa apenas uma forma especial de movimento, essa mesma lei, guiando os Ocultistas, leva-os também à mesma convicção –– e a algo mais além disso, que a psicofisiologia deixa inteiramente fora de toda consideração.

Se esta última descobriu apenas neste século que a ação psíquica (dizemos até espiritual) está sujeita às mesmas leis gerais e imutáveis do movimento como qualquer outro fenômeno manifestado no reino objetivo do Cosmos, e que em ambos os mundos orgânico e inorgânico (?) toda manifestação, seja consciente ou inconsciente, representa apenas o resultado de uma coletividade de causas, então na filosofia oculta isso representa meramente o ABC de sua ciência.

"Todo o mundo está no Swara; Swara é o próprio Espírito" –– a VIDA ÚNICA ou movimento, dizem os antigos livros da filosofia oculta hindu.

"A tradução correta da palavra swara é 356                               BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

a corrente da onda de vida", diz o autor de "As Forças Mais Sutis da Natureza", e ele prossegue explicando:

É esse movimento ondulatório que é a causa da evolução da matéria cósmica indiferenciada no universo diferenciado . . . . De onde vem esse movimento? Esse movimento é o próprio espírito.

A palavra atma [alma universal] usada no livro [vide infra] carrega em si a ideia de movimento eterno, provindo da raiz at, movimento eterno; e, pode-se notar significativamente, que a raiz at está conectada com, sendo de fato simplesmente outra forma da raiz ah, sopro, e as, ser.

Todas essas raízes têm por origem o som produzido pelo sopro dos animais [seres vivos] . . . . A corrente primordial da onda de vida é então a mesma que assume no homem a forma do movimento inspiratório e expiratório dos pulmões, e esta é a fonte onipenetrante da evolução e involução do universo . . . .

Tanto sobre movimento e a "conservação de energia" a partir de antigos livros de magia escritos e ensinados eras antes do nascimento da ciência moderna indutiva e exata.

Pois o que esta última diz mais do que esses livros ao falar, por exemplo, sobre o mecanismo animal, quando afirma:— Do átomo invisível ao corpo celeste perdido no espaço, tudo está sujeito ao movimento . . . . mantidos a uma distância definida uns dos outros, em proporção ao movimento que os anima, as moléculas apresentam relações constantes, que perdem apenas pela adição ou subtração de uma certa quantidade de movimento. –––––––––– The Theosophist, Vol.

IX, fev., 1888, p. 275, por Rama Prasad, Presidente da Sociedade Teosófica de Meerut.

Como o livro oculto por ele citado diz: "É o swara que deu forma às primeiras acumulações das divisões do universo; o swara causa evolução e involução; o swara é o próprio Deus, ou mais propriamente o Grande Poder (Maheshwara). O swara é a manifestação da impressão na matéria daquele poder que no homem nos é conhecido como o poder que conhece a si mesmo [consciência mental e psíquica]. Deve-se entender que a ação desse poder nunca cessa.

É . . . . existência imutável"—e este é o "Movimento" dos Cientistas e o Sopro universal da Vida dos Ocultistas.

La Machine animale: locomotion terrestre et aérienne, por E. J. Marey, Prof.

no Colégio da França, e Membro da Academia de Medicina.

Paris, 1873; página 9 da ed. inglesa de 1893. ––––––––––

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

Mas o Ocultismo diz mais do que isso.

Ao tratar do movimento no plano material e da conservação da energia, duas leis fundamentais, ou antes dois aspectos da mesma lei onipresente––Swara, nega terminantemente que estas tenham algo a ver com o livre-arbítrio do homem, que pertence a um plano bastante diferente.

O autor da *Psycho-physiologie Générale*, tratando de sua descoberta de que a ação psíquica é apenas movimento, e o resultado de uma coletividade de causas––observa que, sendo assim, não pode haver qualquer discussão ulterior sobre espontaneidade––no sentido de qualquer propensão interna nativa criada pelo organismo humano; e acrescenta que o acima exposto põe fim a toda reivindicação de livre-arbítrio! O Ocultista nega a conclusão.

O fato real da individualidade psíquica (dizemos manásica ou noética) do homem é uma garantia suficiente contra essa suposição; pois, no caso de esta conclusão ser correta, ou ser de fato, como o autor a expressa, a alucinação coletiva de toda a humanidade através dos tempos, haveria também um fim para a individualidade psíquica.

Ora, por individualidade "psíquica" queremos dizer aquele poder autodeterminante que capacita o homem a sobrepor-se às circunstâncias.

Coloque meia dúzia de animais da mesma espécie sob as mesmas circunstâncias, e suas ações, embora não idênticas, serão estreitamente semelhantes; coloque meia dúzia de homens sob as mesmas circunstâncias, e suas ações serão tão diferentes quanto seus caracteres, isto é, sua individualidade psíquica.

Mas se, em vez de "psíquica", a chamarmos de Vontade Consciente Superior, então, tendo sido demonstrado pela própria ciência da psicofisiologia que a vontade não tem órgão especial, como poderão os materialistas conectá-la de todo com o movimento "molecular"? Como diz o Professor George T. Ladd:

Os fenômenos da consciência humana devem ser considerados como atividades de alguma outra forma de Ser Real do que as moléculas em movimento do cérebro.

Eles requerem um sujeito ou fundamento que é, em sua natureza, diferente das gorduras fosforadas das massas centrais, das fibras nervosas agregadas e das células nervosas do córtex cerebral.

Este ser real, assim manifestado imediatamente a si mesmo nos fenômenos da consciência, e indiretamente aos outros através das mudanças corporais, é a Mente [manas]. A ele os fenômenos mentais devem ser atribuídos, como mostrando o que é pelo que faz.


As assim chamadas "faculdades" mentais são apenas os modos de comportamento na consciência deste ser real.

Descobrimos, na verdade, pelo único método disponível, que esse ser real chamado Mente se comporta de certos modos perpetuamente recorrentes: portanto, atribuímos-lhe certas faculdades.

As faculdades mentais, então, não são entidades que possuem existência própria . . . . São os modos de comportamento, na consciência, da mente.

E a própria natureza dos atos de classificação que levam à sua distinção só é explicável mediante a suposição de que um ser real chamado Mente existe, e deve ser distinguido dos seres reais conhecidos como as moléculas físicas da massa nervosa do cérebro. [p. 606.] E tendo mostrado que temos de considerar a consciência como uma unidade (outra proposição oculta), o autor acrescenta: Concluímos então, da consideração anterior: o sujeito de todos os estados de consciência é um ser-unidade real, chamado Mente; que é de natureza não material, e age e se desenvolve segundo leis próprias, mas está especialmente correlacionado com certas moléculas e massas materiais que formam a substância do Cérebro. [p. 613.]

Essa “Mente” é manas, ou antes seu reflexo inferior, que, sempre que se desconecta, por enquanto, de kama, torna-se o guia das mais elevadas faculdades mentais, e é o órgão do livre-arbítrio no homem físico.

Portanto, essa suposição da mais nova psicofisiologia é desnecessária, e a aparente impossibilidade de conciliar a existência do livre-arbítrio com a lei da conservação da energia é––uma pura falácia.

Isso foi bem demonstrado nas “Cartas Científicas” de “Elpay” em uma crítica da obra.

Mas para prová-lo definitivamente e assentar toda a questão de uma vez por todas, não se requer nem mesmo uma interferência tão elevada (elevada para nós, ao menos) quanto as leis ocultas, mas simplesmente um pouco de senso comum.

Analisemos a questão com imparcialidade.

Postula-se por um homem, presumivelmente um cientista, que, porque “a ação psíquica se encontra sujeita às leis gerais e imutáveis do movimento, não há, portanto, livre-arbítrio

–––––––––– “O manas superior ou “Ego” (Kshetrâjña) é o “Espectador Silencioso,” e a “vítima sacrificial” voluntária: o manas inferior, seu representante––um déspota tirânico, verdadeiramente.

 Elementos de Psicologia Fisiológica.

Um tratado das atividades e natureza da mente, do Ponto de Vista Físico e Experimental, pp. 606 e 613. ––––––––––

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

no homem.” O “método analítico das ciências exatas” o demonstrou, e cientistas materialistas decretaram “aprovar a resolução” de que o fato deveria ser assim aceito por seus seguidores.

Mas há outros cientistas, muito maiores, que pensaram de modo diferente.

Por exemplo, Sir William Lawrence, o eminente cirurgião, declarou em suas conferências que: –– . . . a doutrina teológica da alma e sua existência separada nada tem a ver com esta questão fisiológica, mas repousa sobre uma espécie de prova inteiramente diferente.

Esses dogmas sublimes jamais poderiam ter vindo à luz pelos trabalhos do anatomista e do fisiologista.

Um ser imaterial e espiritual não poderia ter sido descoberto em meio ao sangue e à sujeira da sala de dissecação . . . .

Agora, examinemos, com base no testemunho do materialista, como esse solvente universal chamado “método analítico” é aplicado neste caso especial.

O autor da *Psycho-physiologie* decompõe a atividade psíquica em seus elementos compostos, remonta-os ao movimento e, não encontrando neles o menor traço de livre-arbítrio ou espontaneidade, salta para a conclusão de que estes não existem em geral; tampouco são encontrados naquela atividade psíquica que ele acaba de decompor.

“Não são a falácia e o erro de um procedimento tão anticientífico evidentes por si mesmos?”, pergunta seu crítico; e então argumenta muito corretamente que:–– A esse passo, e partindo do ponto de vista desse método analítico, ter-se-ia igual direito de negar todos os fenômenos da natureza, do primeiro ao último.

Pois não é verdade que o som e a luz, o calor e a eletricidade, como todos os outros processos químicos, uma vez decompostos em seus respectivos elementos, conduzem o experimentador de volta ao mesmo movimento, no qual todas as peculiaridades dos elementos dados desaparecem, deixando atrás de si apenas “as vibrações das moléculas”? Mas daí se segue necessariamente que, apesar disso, calor, luz, eletricidade––são apenas ilusões, em vez de manifestações reais das peculiaridades do nosso mundo real?

Tais peculiaridades não são, naturalmente, encontradas nos elementos compostos, simplesmente porque não podemos esperar que uma parte contenha, do primeiro ao último, as propriedades do todo.

O que diríamos de um químico que, tendo decomposto a água em seus compostos, hidrogênio e oxigênio, sem encontrar neles as características especiais

––––––––––     Wm. Lawrence, Lectures on Comparative Anatomy, Physiology, Zoology, and the Natural History of Man.

8vo. Londres, 1848, p. 6. –––––––––– 360                             BLAVATSKY: ESCRITOS COLETADOS

da água sustentaria que tais não existiam de forma alguma nem poderiam ser encontrados na água? Que dizer de um antiquário que, ao examinar tipos distribuídos e não encontrando sentido em cada letra separada, afirmasse que não existe tal coisa como sentido a ser encontrado em qualquer documento impresso? E não age o autor de Psicofisiologia exatamente dessa maneira quando nega a existência do livre-arbítrio ou da auto-espontaneidade no homem, com base no fato de que essa faculdade distintiva da mais alta atividade psíquica está ausente daqueles elementos compostos que ele analisou?

Mais inegavelmente, nenhum pedaço separado de tijolo, de madeira ou de ferro, cada um dos quais já foi parte de um edifício agora em ruínas, pode-se esperar que preserve o menor traço da arquitetura daquele edifício – nas mãos do químico, pelo menos; embora o fizesse nas de um psicômetro, uma faculdade, aliás, que demonstra muito mais poderosamente a lei da conservação da energia do que qualquer ciência física, e mostra-a agindo tanto nos mundos subjetivos ou psíquicos quanto nos planos objetivos e materiais.

A gênese do som, neste plano, tem de ser rastreada até o mesmo movimento, e a mesma correlação de forças está em jogo durante o fenômeno como no caso de toda outra manifestação.

Deve então o físico, que decompõe o som em seu elemento composto de vibrações e não consegue encontrar nelas qualquer harmonia ou melodia especial, negar a existência desta última? E não prova isso que o método analítico, tendo que lidar exclusivamente com os elementos, e nada tendo a ver com suas combinações, leva o físico a falar muito fluentemente sobre movimento, vibração, e o que mais, e a fazê-lo perder completamente de vista a harmonia produzida por certas combinações daquele movimento ou a “harmonia das vibrações”? A crítica, então, está certa em acusar a psicofisiologia materialista de negligenciar essas distinções de suma importância; em manter que, se uma observação cuidadosa dos fatos é um dever nos mais simples fenômenos físicos, quanto mais deveria sê-lo quando aplicada a questões tão complexas e importantes como força e faculdades psíquicas? E, no entanto, na maioria dos casos, todas essas diferenças essenciais são ignoradas, e o método analítico é aplicado de maneira mais arbitrária e preconceituosa.

Que maravilha, então, se, ao levar a ação psíquica de volta aos seus elementos básicos de movimento, o

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

o psicofisiologista, privando-a durante o processo de todas as suas características essenciais, deveria destruí-la; e, tendo-a destruído, é natural que não consiga encontrar aquilo que nela já não existe.

Ele esquece, em suma, ou antes, ignora deliberadamente o fato de que, embora, como todos os outros fenômenos do plano material, as manifestações psíquicas devam ser relacionadas, em sua análise final, ao mundo da vibração (sendo o "som" o substrato do Akasa universal), contudo, em sua origem, pertencem a um Mundo de HARMONIA diferente e superior.

Elpay tem algumas frases severas contra as suposições daqueles que ele chama de "físico-biólogos", que são dignas de nota.

Inconscientes de seu erro, os psicofisiologistas identificam os elementos compostos da atividade psíquica com essa própria atividade: daí a conclusão, do ponto de vista do método analítico, de que a mais elevada característica distintiva da alma humana — o livre-arbítrio, a espontaneidade — é uma ilusão, e não uma realidade psíquica.

Mas, como acabamos de demonstrar, tal identificação não apenas nada tem em comum com a ciência exata, mas é simplesmente inadmissível, pois colide com todas as leis fundamentais da lógica, em consequência do que todas essas chamadas deduções físico-biológicas emanadas da referida identificação se desvanecem no ar.

Assim, atribuir a ação psíquica primariamente ao movimento não significa, de modo algum, provar a "ilusão do livre-arbítrio". E, como no caso da água, cujas qualidades específicas não podem ser privadas de sua realidade, embora não sejam encontradas em seus gases componentes, assim também com relação à propriedade específica da ação psíquica: sua espontaneidade não pode ser recusada à realidade psíquica, embora essa propriedade não esteja contida naqueles elementos finitos nos quais o psicofisiologista desmembra a atividade em questão sob seu bisturi mental.

Esse método é "um traço distintivo da ciência moderna em seu esforço para satisfazer a investigação sobre a natureza dos objetos de seu estudo por meio de uma descrição detalhada de seu desenvolvimento", diz G. T. Ladd.

E o autor dos Elementos de Psicologia Fisiológica acrescenta: —

De fato, o processo universal do "Devir" foi quase personificado e deificado, de modo a torná-lo o verdadeiro fundamento de toda existência finita e concreta.

. . . . . Tenta-se referir todo o chamado desenvolvimento da mente à evolução da substância do cérebro, sob causas puramente físicas e mecânicas.

Esta tentativa, portanto, nega que qualquer ser-unidade real chamado Mente precise ser 
                        Escritos Reunidos VOLUME XII 362                             BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

assumido como sofrendo um processo de desenvolvimento segundo leis próprias.

. . . . Por outro lado, todas as tentativas de explicar o aumento ordenado em complexidade e abrangência dos fenômenos mentais, rastreando a evolução física do cérebro, são totalmente insatisfatórias para muitas mentes.

Não hesitamos em nos classificar entre esse número.

Aqueles fatos da experiência que mostram uma correspondência na ordem do desenvolvimento do corpo e da mente, e até mesmo uma certa dependência necessária desta em relação àquele, são, é claro, de ser admitidos; mas são igualmente compatíveis com outra visão do desenvolvimento da mente.

Essa outra visão tem a vantagem adicional de abrir espaço para muitos outros fatos da experiência que são muito difíceis de reconciliar com qualquer teoria materialista.

No geral, a história das experiências de cada indivíduo é tal que exige a suposição de que um ser-unidade real (uma Mente) está sofrendo um processo de desenvolvimento, em relação à condição cambiante ou evolução do cérebro, e ainda assim de acordo com uma natureza e leis próprias [pp. 614-16]

Quão de perto essa última "suposição" da ciência se aproxima dos ensinamentos da filosofia oculta será mostrado na Parte II deste artigo.

Enquanto isso, podemos concluir com uma resposta à mais recente falácia materialista, que pode ser resumida em poucas palavras.

Como toda ação psíquica tem por substrato os elementos nervosos cuja existência ela postula, e fora dos quais não pode atuar; como a atividade dos elementos nervosos é apenas movimento molecular, não há, portanto, necessidade de inventar uma Força especial e psíquica para a explicação do nosso trabalho cerebral.

O Livre Arbítrio forçaria a Ciência a postular um Livre-Volente invisível, um criador dessa Força especial.

Concordamos: "nem a mais leve necessidade", de um criador "dessa especial" ou de qualquer outra Força.

Nem ninguém jamais reivindicou tal absurdo.

Mas entre criar e guiar há uma diferença, e esta última não implica de modo algum qualquer criação da energia do movimento, ou, de fato, de qualquer energia especial.

A mente psíquica (em distinção da mente manásica ou noética) apenas transforma essa energia do "ser-unidade" de acordo com "uma natureza e leis próprias" –– para usar a feliz expressão de Ladd.

O “ser-unidade” não cria nada, mas apenas causa uma correlação natural de acordo com as leis físicas e as leis próprias; tendo que usar a

FORÇA PSÍQUICA E NOÉTICA

de ação, ele guia sua direção, escolhendo os caminhos pelos quais prosseguirá, e estimulando-a à ação.

E, como sua atividade é *sui generis* e independente, ele carrega essa energia deste mundo de desarmonia para a sua própria esfera de harmonia.

Se não fosse independente, não poderia fazê-lo. Como é, a liberdade da vontade humana está além de dúvida ou objeção.

Portanto, como já foi observado, não há questão de criação, mas simplesmente de orientação.

Porque o marinheiro ao leme não cria o vapor na máquina, diremos nós que ele não dirige a embarcação? E, porque recusamos aceitar as falácias de alguns psicofisiologistas como a última palavra da ciência, fornecemos com isso uma nova prova de que o livre-arbítrio é uma alucinação? Nós ridicularizamos a ideia animalista.

Quão mais científico e lógico, além de ser tão poético quanto grandioso, é o ensinamento no Kathopanishad, que, em uma bela e descritiva metáfora, diz que: “Os sentidos são os cavalos, o corpo é a carruagem, a mente (*kama-manas*) é as rédeas, e o intelecto (ou livre-arbítrio) o cocheiro.” Verdadeiramente, há mais ciência exata no menos importante dos Upanishads, compostos há milhares de anos, do que em todos os devaneios materialistas da moderna “físico-biologia” e “psicofisiologia” juntos!

––––––––––

[Lucifer, Vol.

VII, No. 39, Novembro, 1890, pp. 177-185]

“. . . . O conhecimento do passado, presente e futuro está incorporado em Kshetrajña (o ‘Eu’).” —Axiomas Ocultos.

Tendo explicado em que particularidades, e por que, como Ocultistas, discordamos da psicologia fisiológica materialista, podemos agora proceder a apontar a diferença entre as funções mentais psíquicas e noéticas, não sendo a noética reconhecida pela ciência oficial.

Além disso, nós, Teosofistas, entendemos os termos “psíquico” e “psiquismo” de maneira um tanto diferente do público da era atual, da ciência, e até mesmo da teologia, dando esta última um significado que tanto a ciência quanto a Teosofia rejeitam, e o público em geral permanecendo com uma concepção muito vaga do que realmente se quer dizer com esses termos.


Para muitos, há pouca, se alguma, diferença entre "psíquico" e "psicológico", ambas as palavras relacionando-se de algum modo à alma humana.

Alguns metafísicos modernos concordaram sabiamente em desconectar a palavra Mente (pneuma) da Alma (psych), sendo uma a parte racional, espiritual, e a outra ––psych–– o princípio vital no homem, o sopro que o anima (de anima, alma). No entanto, se assim é, como, nesse caso, recusar uma alma aos animais? Estes, não menos que o homem, são informados pelo mesmo princípio de vida senciente, o nephesh do 2º capítulo do Gênesis.

A Alma não é de modo algum a Mente, nem um idiota, privado desta última, pode ser chamado de ser "sem alma".

Descrever, como fazem os fisiologistas, a Alma humana em suas relações com os sentidos e apetites, desejos e paixões, comuns ao homem e ao bruto, e então dotá-la de intelecto divino, de faculdades espirituais e racionais que só podem ter sua fonte em um mundo supersensível––é lançar para sempre o véu de um mistério impenetrável sobre o assunto.

Contudo, na ciência moderna, "psicologia" e "psiquismo" relacionam-se apenas a condições do sistema nervoso, sendo os fenômenos mentais atribuídos exclusivamente à ação molecular.

O caráter noético superior do Princípio-Mente é inteiramente ignorado, e até rejeitado como uma "superstição" tanto por fisiologistas quanto por psicólogos.

A psicologia, de fato, tornou-se um sinônimo em muitos casos da ciência da psiquiatria.

Portanto, os estudantes de Teosofia, sendo compelidos a divergir de todos esses, adotaram a doutrina que subjaz às filosofias orientais consagradas pelo tempo.

O que ela é, pode ser encontrado adiante. Para melhor compreender os argumentos anteriores e os que se seguem, pede-se ao leitor que consulte o editorial no Lucifer de setembro ("O Duplo Aspecto da Sabedoria", p. 3), e se familiarize com o duplo aspecto daquilo que é denominado por São Tiago em sua Epístola [cap. iii, 15, 17] ao mesmo tempo––a sabedoria diabólica, terrestre, e a "sabedoria do alto". Em outro editorial, "Mente Cósmica" (abril,

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

1890), também é afirmado que os antigos hindus dotaram cada célula do corpo humano de consciência, dando a cada uma o nome de um Deus ou Deusa.

Falando de átomos em nome da ciência e da filosofia, o Professor Ladd os chama, em sua obra, de “seres supersensíveis”. O Ocultismo considera cada átomo uma “entidade independente” e cada célula uma “unidade consciente”. Explica que, tão logo tais átomos se agrupam para formar células, estas se tornam dotadas de consciência, cada uma de sua própria espécie, e de livre-arbítrio para agir dentro dos limites da lei.

Nem estamos inteiramente privados de evidência científica para tais afirmações, como bem provam os dois editoriais acima mencionados.

Mais de um fisiologista erudito da minoria dourada, em nossos dias, aliás, está rapidamente chegando à convicção de que a memória não tem sede, nem órgão especial próprio no cérebro humano, mas que tem assentos em todos os órgãos do corpo.

“Não existe boa razão para se falar de qualquer órgão especial, ou sede da memória”, escreve o Professor G. T. Ladd. “Todo órgão — na verdade, toda área, e todo elemento — do sistema nervoso tem sua própria memória” (op. cit., p. 553). A sede da memória, então, certamente não está nem aqui nem ali, mas em todo o corpo humano.

Localizar seu órgão no cérebro é limitar e ananicar a Mente Universal e seus inúmeros Raios (os Manasaputras) que informam todo mortal racional.

Como escrevemos para Teosofistas, antes de tudo, pouco nos importam os preconceitos psicofóbicos dos Materialistas que possam ler isto e bufar com desdém à menção da “Mente Universal” e das almas noéticas superiores dos homens.

Mas, o que é memória, perguntamos? “Tanto a apresentação do sentido quanto a imagem da memória são fases transitórias da consciência”, nos respondem.

Mas o que é a própria Consciência? — perguntamos novamente.

“Não podemos definir Consciência”, diz-nos o Professor Ladd. Assim, o que nos é pedido pela psicologia fisiológica é que nos contentemos em contestar os vários estados de Consciência por meio das hipóteses privadas e inverificáveis de outras pessoas; –––––––––– [Elementos de Psicologia Fisiológica.] Um dos nomes de Brahmâ é anu ou “átomo”. Professor de Filosofia na Universidade de Yale.

–––––––––– e isto, “sobre uma questão de fisiologia cerebral onde especialistas e novatos são igualmente ignorantes”, para usar a observação incisiva do referido autor.


Hipótese por hipótese, então, podemos muito bem nos ater aos ensinamentos de nossos Videntes, como às conjecturas daqueles que negam tanto tais Videntes quanto sua sabedoria.

Tanto mais quanto nos é dito pelo mesmo honesto homem de ciência que, se "a metafísica e a ética não podem propriamente ditar seus fatos e conclusões à ciência da psicologia fisiológica... por sua vez, esta ciência não pode propriamente ditar à metafísica e à ética as conclusões que elas devem extrair dos fatos da Consciência, apresentando seus mitos e fábulas sob a aparência de uma história bem verificada dos processos cerebrais" (p. 544). Ora, uma vez que a metafísica da fisiologia e psicologia ocultas postula, no homem mortal, uma entidade imortal, a "Mente divina", ou Nous, cujo reflexo pálido e demasiadas vezes distorcido é aquilo que chamamos de "Mente" e intelecto nos homens — virtualmente uma entidade separada daquela durante o período de cada encarnação — dizemos que as duas fontes de "memória" estão nesses dois "princípios". Estes dois distinguimos como o Manas Superior (Mente ou Ego) e o Kama-Manas, i.e., o intelecto racional, porém terreno ou físico do homem, incrustado na matéria e por ela limitado, portanto sujeito à influência desta: o EU oniconsciente, que reencarna periodicamente — verdadeiramente o VERBO feito carne! — e que é sempre o mesmo, enquanto seu "Duplo" refletido, mudando a cada nova encarnação e personalidade, é, portanto, consciente apenas por um período de vida.

Este último "princípio" é o Eu Inferior, ou aquilo que, manifestando-se através de nosso sistema orgânico, agindo neste plano de ilusão, imagina-se o Ego Sum, e assim cai no que a filosofia budista rotula como a "heresia da separatividade". Ao primeiro, denominamos INDIVIDUALIDADE; ao segundo, Personalidade.

Do primeiro procede todo o elemento noético; do segundo, o psíquico, i.e., a "sabedoria terrestre" na melhor das hipóteses, pois é influenciado por todos os estímulos caóticos das paixões humanas ou, antes, animais do corpo vivo.

O "Ego Superior" não pode agir diretamente sobre o corpo, pois sua consciência pertence a um plano e a planos bastante diferentes da ação psíquica e noética da ideação: o "Eu" inferior o faz; e sua ação e comportamento dependem de seu livre-arbítrio e escolha quanto a se gravitará mais em direção a seu progenitor ("o Pai no Céu") ou ao "animal" que ele informa, o homem de carne.

O "Ego Superior", como parte da essência da MENTE UNIVERSAL, é incondicionalmente onisciente em seu próprio plano, e apenas potencialmente assim em nossa esfera terrestre, pois tem de agir unicamente através de seu alter ego — o Eu Pessoal.

AGORA, embora o primeiro seja o veículo de todo conhecimento do passado, do presente e do futuro, e embora seja dessa fonte que seu "duplo" capta vislumbres ocasionais daquilo que está além dos sentidos do homem, e os transmite a certas células cerebrais (desconhecidas pela ciência em suas funções), fazendo assim do homem um Vidente, um adivinho e um profeta; contudo, a memória de eventos passados — especialmente dos terrenos, terrenos demais — tem seu assento somente no Ego Pessoal.

Nenhuma memória de uma função puramente da vida diária, de natureza física, egoísta ou mental inferior — como, por exemplo, comer e beber, desfrutar de prazeres sensuais pessoais, realizar negócios em detrimento do próximo, etc., etc. — tem algo a ver com a Mente "Superior" ou com o Ego.

Nem tem ele qualquer trato direto neste plano físico com nosso cérebro ou nosso coração — pois esses dois são os órgãos de um poder mais elevado do que a Personalidade — mas apenas com nossos órgãos passionais, tais como o fígado, o estômago, o baço, etc.

Assim, é apenas lógico que a memória de tais eventos deva ser primeiro despertada naquele órgão que foi o primeiro a induzir a ação posteriormente lembrada, e a transmitiu ao nosso "pensamento sensorial", que é inteiramente distinto do pensamento "supersensorial".

Somente as formas superiores deste último, as experiências mentais superconscientes, podem correlacionar-se com os centros cerebrais e cardíacos.

As memórias de atos físicos e egoístas (ou pessoais), por outro lado, juntamente com as experiências mentais de natureza terrestre e as funções biológicas terrenas, podem, necessariamente, correlacionar-se apenas com a constituição molecular de vários órgãos kâmicos e com a "associação dinâmica" dos elementos do sistema nervoso em cada órgão particular.

Portanto, quando o Professor Ladd, após mostrar que cada elemento do sistema nervoso tem uma memória própria, acrescenta: — "Essa visão pertence à própria essência de toda teoria que considera a reprodução mental consciente como apenas uma forma ou fase do fato biológico da memória orgânica" — ele deve incluir entre tais teorias o Ensinamento Oculto.


Pois nenhum Ocultista poderia expressar tal ensinamento mais corretamente do que o Professor, que diz, ao concluir seu argumento: "Poderíamos falar apropriadamente, então, da memória do órgão terminal da visão ou da audição, da memória da medula espinhal e dos diferentes chamados 'centros' de ação reflexa pertencentes à medula, da memória da medula oblonga, do cerebelo, etc." [pp. 553-54]. Esta é a essência do ensinamento oculto—mesmo nas obras Tântricas.

De fato, todo órgão em nosso corpo tem sua própria memória.

Pois se é dotado de uma consciência "de sua própria espécie", cada célula deve necessariamente ter também uma memória de sua própria espécie, assim como sua própria ação psíquica e noética.

Respondendo ao toque de uma Força tanto física quanto metafísica, o impulso dado pela Força psíquica (ou psico-molecular) atuará de fora para dentro; enquanto o da Força noética (poderíamos chamá-la de Espiritual-dinâmica?) atua de dentro para fora.

Pois, assim como nosso corpo é o invólucro dos "princípios" internos, alma, mente, vida, etc., assim também a molécula ou a célula é o corpo no qual habitam seus "princípios", os átomos (para nossos sentidos e compreensão) imateriais que compõem essa célula.

A atividade e o comportamento da célula são determinados por ser ela impelida seja para dentro ou para fora, pela Força noética ou psíquica, a primeira não tendo relação com as células físicas propriamente ditas.

Portanto, enquanto estas últimas agem sob a lei inevitável da conservação e correlação da energia física, os átomos—sendo unidades psico-espirituais, não físicas—agem sob leis próprias, assim como o "Ser-Unidade" do Professor Ladd, que é nosso "Mente-Eu", o faz, em sua hipótese muito filosófica e científica.

Todo órgão humano e cada célula neste último tem um teclado próprio, como o de um piano, apenas que registra e emite sensações em vez de sons.

––––––––––     Confiamos afetuosamente que este termo muito anticientífico não lançará nenhum "Animalista" em histeria além da recuperação.

––––––––––

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

Cada tecla contém a potencialidade do bem ou do mal, de produzir harmonia ou desarmonia.

Isso depende do impulso dado e das combinações produzidas; da força do toque do artista em trabalho, uma "Unidade de dupla face", de fato.

E é a ação desta ou daquela "Face" da Unidade que determina a natureza e o caráter dinâmico dos fenômenos manifestados como uma ação resultante, e isto sejam eles físicos ou mentais.

Pois toda a vida do homem é guiada por essa Entidade de dupla face.

Se o impulso vem da “Sabedoria superior”, sendo a Força aplicada noética ou espiritual, os resultados serão ações dignas do propulsor divino; se vem da “sabedoria terrestre, demoníaca” (poder psíquico), as atividades do homem serão egoístas, baseadas unicamente nas exigências de sua natureza física, portanto animal.

O acima pode soar ao leitor comum como pura tolice; mas todo Teosofista deve compreender quando lhe é dito que existem nele órgãos manásicos e câmicos, embora as células de seu corpo respondam tanto a impulsos físicos quanto espirituais.

Verdadeiramente, esse corpo, tão profanado pelo Materialismo e pelo próprio homem, é o templo do Santo Graal, o Ádito das maiores, sim, de todas as misteriosas da natureza em nosso universo solar.

Esse corpo é uma harpa eólica, cordoada com dois conjuntos de cordas, um feito de prata pura, o outro de tripa de gato.

Quando o sopro do fiat divino roça suavemente sobre o primeiro, o homem se torna semelhante ao seu Deus — mas o outro conjunto não o sente.

É preciso a brisa de um forte vento terrestre, impregnado de eflúvios animais, para fazer vibrar suas cordas animais.

É função da mente inferior física atuar sobre os órgãos físicos e suas células; mas é somente a mente superior que pode influenciar os átomos que interagem nessas células, cuja interação é a única capaz de excitar o cérebro, via cordão “central” espinhal, a uma representação mental de ideias espirituais muito além de quaisquer objetos deste plano material.

Os fenômenos da consciência divina têm de ser considerados como atividades de nossa mente em outro e mais elevado plano, operando através de algo menos substancial do que as moléculas em movimento do cérebro.

Eles não podem ser explicados como o simples resultado do processo fisiológico cerebral, pois este apenas os condiciona ou lhes dá uma forma final para fins de manifestação concreta.

O Ocultismo ensina que as células do fígado e do baço são as mais subservientes à ação de nossa mente “pessoal”, sendo o coração o órgão por excelência através do qual o Ego “Superior” atua — por intermédio do Self inferior.

Nem as visões ou memórias de eventos puramente terrestres podem ser transmitidas diretamente através das percepções mentais do cérebro — o receptor direto das impressões do coração.

Todas essas recordações têm de ser primeiro estimuladas e despertadas nos órgãos que foram os originadores, como já foi dito, das várias causas que levaram aos resultados, ou, os receptores diretos e participantes destes últimos.

Em outras palavras, se o que se chama "associação de ideias" tem muito a ver com o despertar da memória, a interação mútua e a inter-relação consistente entre a "Entidade-Mente" pessoal e os órgãos do corpo humano têm muito mais. Um estômago faminto evoca a visão de um banquete passado, porque sua ação é refletida e repetida na mente pessoal.

Mas mesmo antes de a memória do Eu pessoal irradiar a visão das tábuas onde estão armazenadas as experiências da vida diária de alguém — até nos mínimos detalhes — a memória do estômago já evocou o mesmo.

E assim com todos os órgãos do corpo.

São eles que originam, de acordo com suas necessidades e desejos animais, as centelhas eletro-vitais que iluminam o campo de consciência no Ego inferior; e são essas centelhas que, por sua vez, despertam para funcionar as reminiscências nele. Todo o corpo humano é, como foi dito, uma vasta caixa de ressonância, na qual cada célula carrega um longo registro de impressões ligadas ao seu órgão progenitor, e cada célula tem uma memória e uma consciência de sua espécie, ou chame-a de instinto, se preferir.

Essas impressões são, conforme a natureza do órgão, físicas, psíquicas ou mentais, pois se relacionam a este ou àquele plano.

Elas podem ser chamadas de "estados de consciência" apenas por falta de melhor expressão — pois há estados de consciência instintiva, mental e puramente abstrata, ou espiritual.

Se traçamos todas essas ações "psíquicas" ao trabalho cerebral

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA, é apenas porque, naquela mansão chamada corpo humano, o cérebro é a porta da frente, e a única que se abre para o Espaço.

Todas as outras são portas internas, aberturas no edifício privado, através das quais viajam incessantemente os agentes transmissores da memória e da sensação.

A clareza, a vivacidade e a intensidade destas dependem do estado de saúde e da solidez orgânica dos transmissores.

Mas sua realidade, no sentido de veracidade ou exatidão, deve-se ao "princípio" do qual se originam, e à preponderância no Manas inferior do elemento noético ou do frênico ("kâmico", terrestre).

Pois, como ensina o Ocultismo, se a Entidade-Mente Superior — a permanente e a imortal — é da essência homogênea divina de "Alaya-Akasa", ou Mahat — seu reflexo, a Mente Pessoal, é, como "Princípio" temporário, da Substância da Luz Astral.

Como um raio puro do "Filho da Mente Universal", ela não poderia desempenhar funções no corpo e permaneceria impotente sobre os órgãos turbulentos da Matéria.

Assim, enquanto sua constituição interna é manásica, seu "corpo", ou melhor, sua essência funcional, é heterogênea e levedada com a Luz Astral, o elemento mais baixo do Éter.

É parte da missão do Raio Manásico livrar-se gradualmente do elemento cego e enganoso que, embora o torne uma entidade espiritual ativa neste plano, ainda o coloca em contato tão íntimo com a matéria que obscurece inteiramente sua natureza divina e entorpece suas intuições.

Isso nos leva a ver a diferença entre as visões noéticas puras e as visões psíquicas terrestres do videntismo e da mediunidade.

As primeiras podem ser obtidas por um de dois meios; (a) na condição de paralisar à vontade a memória e a ação instintiva e independente de todos os órgãos materiais e até mesmo das células do corpo de carne, um ato que, uma vez que a luz do Ego Superior tenha consumido e subjugado para sempre a natureza passional do Ego pessoal e inferior, é fácil, mas exige um adepto; e (b) de ser uma reencarnação de alguém que, em um nascimento anterior, havia

––––––––––        Outro nome para a mente universal.

–––––––––– alcançado, através de extrema pureza de vida e esforços na direção certa, quase um estado de santidade e beatitude de Yogi.


Há também uma terceira possibilidade de alcançar em visões místicas o plano do Manas superior; mas é apenas ocasional e não depende da vontade do Vidente, mas da extrema fraqueza e exaustão do corpo material devido a doença e sofrimento.

A Vidente de Prevorst foi um exemplo deste último caso; e Jacob Böhme, da nossa segunda categoria.

Em todos os outros casos de videntismo anormal, da chamada clariaudiência, clarividência e transe, é simplesmente — mediunidade.

Agora, o que é um médium? O termo médium, quando não aplicado simplesmente a coisas e objetos, supõe-se ser uma pessoa através da qual a ação de outra pessoa ou ser é manifestada ou transmitida.

Espiritualistas que creem em comunicações com espíritos desencarnados, e que estes podem se manifestar através de, ou impressionar sensitivos para transmitir "mensagens" deles, consideram a mediunidade uma bênção e um grande privilégio.

Nós, Teosofistas, por outro lado, que não cremos na "comunhão dos espíritos" como os Espiritualistas, consideramos o dom uma das mais perigosas doenças nervosas anormais.

Um médium é simplesmente alguém em cujo Ego pessoal, ou mente terrestre (psique), a porcentagem de luz "astral" prepondera a ponto de impregnar com ela toda a sua constituição física.

Cada órgão e célula fica assim afinado, por assim dizer, e submetido a uma tensão enorme e anormal.

A mente está sempre no plano dessa luz enganadora, e bastante imersa nela, cuja alma é divina, mas cujo corpo — as ondas de luz nos planos inferiores, infernal; pois não passam de reflexos negros e desfigurados das memórias da terra.

O olho não treinado do pobre sensitivo não consegue penetrar a névoa escura, o denso nevoeiro das emanações terrestres, para ver além, no campo radiante das verdades eternas.

Sua visão está fora de foco.

Seus sentidos, acostumados desde o nascimento, como os de um nativo dos cortiços de Londres, ao fedor e à imundície, às distorções não naturais de visões e imagens lançadas nas ondas caleidoscópicas do plano astral — são incapazes de discernir o verdadeiro do falso.

E assim, os pálidos cadáveres sem alma que se movem

AÇÃO PSÍQUICA E NOÉTICA

nos campos sem trilhas do "Kama loka" aparecem-lhe como as imagens vivas dos "queridos falecidos"; os ecos fragmentados de vozes outrora humanas, passando por sua mente, sugerem-lhe frases bem coordenadas, que ele repete, ignorando que sua forma final e polimento foram recebidos nas profundezas mais íntimas de sua própria fábrica cerebral.

E daí a visão e a audição daquilo que, se visto em sua verdadeira natureza, teria gelado o coração do médium de horror, agora o enchem de um senso de beatitude e confiança.

Ele realmente acredita que as vastidões imensuráveis exibidas diante dele são o verdadeiro mundo espiritual, a morada dos bem-aventurados anjos desencarnados.

Descrevemos as principais características e fatos gerais da mediunidade, não havendo espaço em tal artigo para casos excepcionais.

Mantemos — tendo infelizmente passado, em um período da vida, pessoalmente por tais experiências — que, no geral, a mediunidade é perigosíssima; e as experiências psíquicas, quando aceitas indiscriminadamente, levam apenas a enganar honestamente os outros, porque o médium é a primeira vítima autoenganada.

Além disso, uma associação demasiado íntima com a “Antiga Serpente Terrestre” é contagiosa.

As correntes ódicas e magnéticas da Luz Astral frequentemente incitam ao assassinato, à embriaguez, à imoralidade e, como expressa Éliphas Lévi, as naturezas não inteiramente puras “podem ser precipitadas pelas forças cegas postas em movimento na Luz” — pelos erros e pecados impostos sobre suas ondas.

E é assim que o grande Mago do século XIX corrobora o que foi dito anteriormente ao falar da Luz Astral:

Dissemos que, para adquirir poder mágico, duas coisas são necessárias: desvencilhar a vontade de toda servidão e exercitá-la no controle.

A vontade soberana [do adepto] é representada em nossos símbolos pela mulher que esmaga a cabeça da serpente, e pelo anjo resplandecente que reprime o dragão e o mantém sob seu pé e lança; o grande agente mágico, a corrente dupla de luz, o fogo vivo e astral da terra, foi representado nas teogonias antigas pela serpente com cabeça de touro, de carneiro ou de cão.

É a serpente dupla do caduceu, é a Antiga Serpente do Gênesis, mas é também a serpente de bronze de Moisés entrelaçada em torno do tau, que isto é, o lingam gerador.


É também o bode do sabá das bruxas, e o Baphomet dos Templários; é o Hyl dos Gnósticos; é a serpente de cauda dupla que forma as pernas do galo solar do Abraxas; finalmente, é o Diabo do Sr. Eudes de Mirville.

Mas, na verdade, é a força cega que as almas [isto é, o Manas inferior ou Nephesh] têm de conquistar para se libertarem dos laços da terra; pois, se sua vontade não as libertar dessa atração fatal, serão absorvidas na corrente pela força que as produziu e retornarão ao fogo central e eterno.

O “fogo central e eterno” é aquela Força desintegradora, que gradualmente consome e queima o Kama-rupa, ou “personalidade”, no Kama-loka, para onde ele vai após a morte.

E, verdadeiramente, os Médiuns são atraídos pela luz astral; ela é a causa direta de suas “almas” pessoais serem absorvidas “pela força que produziu” seus elementos terrestres.

E, portanto, como o mesmo Ocultista nos diz: Todas as operações mágicas consistem em libertar-se das espirais da Serpente Antiga; então, colocar o pé sobre sua cabeça e conduzi-la segundo a vontade do operador.

“Dar-te-ei”, diz a Serpente, no mito evangélico, “todos os reinos da terra, se te prostrares e me adorares”. O iniciado deve responder-lhe: “Não me prostrarei, mas tu te curvarás a meus pés; nada me darás, mas de ti me utilizarei e tomarei o que desejar.

Pois eu sou teu Senhor e Mestre!”

E, como tal, o Ego pessoal, tornando-se uno com seu pai divino, participa da imortalidade deste.

De outro modo . . . . . . Basta, porém.

Bendito aquele que se familiarizou com os poderes duais em ação na LUZ ASTRAL; três vezes bendito aquele que aprendeu a discernir a ação Noética da ação Psíquica do Deus “de Dupla Face” em si mesmo, e que conhece a potência de seu próprio Espírito––ou “Dinâmica da Alma”.

––––––––––        Dogme et Rituel de la Haute Magie, Vol.

II, cap. vi. ––––––––––                         Obras Completas VOLUME XII                    A SOCIEDADE TEOSÓFICA E SEUS DETRATORES

[A SOCIEDADE TEOSÓFICA E                                   SEUS DETRATORES]                                    [Lucifer, Vol.

VII, outubro, 1890, pp. 168-170]

[Em 10 de setembro de 1890, o New York Daily Tribune publicou o seguinte relato:                    A SOCIEDADE TEOSÓFICA ARIANA DECIDE DEFENDER SUA                                         REPUTAÇÃO NOS TRIBUNAIS.

A segunda reunião de outono da Sociedade Teosófica Ariana, no nº 8 da Union Square, na noite passada, foi cheia de interesse não apenas para o grande número de membros presentes, mas também para os visitantes, que ouviram com atenção arrebatada as discussões.

W. Q. Judge, presidente do ramo de Nova York da Sociedade, atuou como presidente da mesa.

Após o secretário ter lido as atas da última reunião, e o Sr. e a Sra.

C. A. Griscom terem sido eleitos membros, o Sr. Judge anunciou que um novo ramo da sociedade havia sido estabelecido em Jamestown, N.Y. Isso aumentou o número de sociedades filiadas nos Estados Unidos, disse ele, para quarenta e três.

O Sr. Judge então convocou as resoluções referentes à publicação no New York Sun de 20 de julho. Elas foram submetidas à consideração da sociedade em sua última reunião.

As resoluções foram primeiramente emendadas e, em seguida, aprovadas por unanimidade, sem discussão.

Elas diziam o seguinte: “Considerando que, uma aspersão gravíssima e falsa sobre o caráter moral dos membros da Sociedade Teosófica Ariana foi feita pelo New York Sun de 20 de julho, em um artigo que se apresenta como uma entrevista com o Dr. Elliott C. Coues, de Washington; e, “Considerando que, a reabilitação do bom nome da sociedade exige ou uma retratação formal voluntária dessas acusações pelo Sun, ou então danos compulsórios por meio de processo nos tribunais de justiça; portanto,

–––––––––– Um artigo escandaloso do Dr. E. Coues (um membro expulso pelo Conselho Geral por intrigas abertas e secretas, chicana e calúnias contra os fundadores da Sociedade e o Sr. Judge), que assim pensou em vingar-se de seus juízes.

Duas ações separadas já foram movidas nos tribunais de Nova York e Washington, por duas das pessoas mencionadas, cada uma reivindicando 50.000 dólares.

A Sociedade Teosófica Ariana está agora movendo uma terceira ação.

–––––––––– “Resolve-se, que é convicção dos membros da Sociedade Teosófica Ariana que a sociedade, como tal, deve buscar sua reabilitação.


“Que é o entendimento da sociedade que todas as medidas legais necessárias devem ser tomadas sobre a referida difamação no Sun contra a Sociedade Teosófica Ariana, e também aquelas que conduzam a retratações; e que os curadores devem agir para esse fim, conforme for aconselhado como apropriado por conselheiros jurídicos competentes.

“Que os curadores estão, por meio desta, instruídos a retirar do fundo de reserva $500 para serem aplicados nas despesas dos procedimentos legais já iniciados por W. Q. Judge sobre o referido assunto difamatório, ou naqueles a serem instaurados sob estas resoluções.”

“Que a Sociedade Teosófica Ariana aproveita esta ocasião para renovar a expressão de sua inabalável confiança nos fundadores da Sociedade Teosófica, Coronel H. S. Olcott e Madame H. P. Blavatsky, bem como em seu próprio presidente, William Q. Judge, e atribui com gratidão não pequena parte do crescimento da sociedade e da edificação de seus membros à sua devoção, sinceridade e irrepreensibilidade de vida.” Após ouvirem a leitura de um capítulo da nova edição do Bhagavad Gîtâ, que será publicada em breve em Nova York, os membros dedicaram a parte final da noite à discussão sobre “Evolução”. Os líderes da discussão foram o Sr. Judge e o Sr. Pryse, ambos apresentando trabalhos escritos.

O presidente da sociedade explicou o significado da Evolução sob um ponto de vista teosófico e mostrou a relação entre as teorias de Herbert Spencer e as dos filósofos da Índia.

A discussão do mesmo assunto será continuada na reunião da próxima terça-feira.

Após o encerramento da reunião, a nova biblioteca da sociedade foi aberta aos membros.

[Esta declaração foi traduzida para o francês e publicada nas páginas do Lotus Bleu de Paris.

Imediatamente após, apareceu uma Carta Circular da pena de H.P.B., cujo texto está em francês.

Lucifer publicou tanto o item do Daily Tribune quanto a Carta Circular de H.P.B., esta última em inglês.

Não é certo se H.P.B. escreveu a Carta original em francês e a traduziu para o inglês, ou se a sequência foi invertida.

(Devido a essa incerteza, publicamos tanto os textos em francês quanto em inglês.

Estamos inclinados a crer, no entanto, que o texto original de H.P.B. estava em francês, uma língua na qual ela gostava de escrever.––Compilador.]                    Obras Completas VOLUME XII                        SOCIÉTÉ THÉOSOPHIQUE EN FRANCE

A TODOS OS MEMBROS DA SOCIEDADE TEOSÓFICA                                NA FRANÇA.

Em vista do parágrafo citado, a abaixo-assinada aproveita a ocasião para dirigir-se a todos os M. S. T., na França, aos teosofistas sérios, honestos, homens e mulheres, que procuram adaptar sua vida à sua profissão de fé, para explicar alguns detalhes que poderiam ser-lhes úteis.

Também em Londres, um processo por difamação acaba de ser iniciado, há algumas semanas, por um membro do Quartel-General, contra um indivíduo — outrora também membro, mas há muito tempo um inimigo, sem qualquer razão — e que pertence, como amador, à mesma quadrilha de conspiradores, todos ex-membros expulsos, que se uniram para atacar sem trégua nem descanso a honra de nossa Sociedade e de seus fundadores.

Parece que, há cerca de dezoito meses, ex-membros, na América e em Londres, puseram-se em correspondência ativa com esse propósito, e a fim de tentar arruinar a Sociedade Teosófica, desonrando seus fundadores — e sua fundadora — por uma calúnia incessante e mentiras infames que espalham sorrateiramente pelo público.

Eles são ajudados nisso, para nossa grande vergonha, por um membro, dos mais ativos, da Sociedade, na França, que atravessou, uma ou duas vezes, com esse propósito honroso, o Canal da Mancha, trazendo consigo outras pessoas (também ex-membros), que apresentou a nossos inimigos pessoais em Londres.

Vãos esforços, pois o Karma não lhes parece propício.

Um processo, movido contra mim, em julho de 1889, sob algum pretexto, por um desses tristes personagens, preparado com grande alarde, e sobre o qual grandes esperanças estavam depositadas, acaba de fazer, há dois meses, um fiasco deplorável! Desde o primeiro dia da abertura, diante dos juízes reunidos, em plena sessão pública e diante das testemunhas, o advogado da reclamante, tendo lido uma certa carta escrita por sua cliente e que se encontrava em minha posse, recusou-se terminantemente a prosseguir e retirou a queixa no momento de começar o caso!


Ora, toda coisa, mesmo a paciência teosófica, tem um fim.

Desde seis anos que isso dura — o primeiro toque de trombeta dessa caça às reputações, caça tão vergonhosa quanto imerecida, tendo sido dada pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres em 1885 — jamais procurei obter uma reparação por via de processos diante dos tribunais.

Com efeito, os objetivos perseguidos pelos membros da Sociedade Teosófica e as vias judiciais concordam mal entre si.

Calei-me em todos os casos de difamação (exceto um único), não respondendo a ataques covardes senão com um silêncio de desprezo.

Mas não me é mais possível fazê-lo, pois esse próprio silêncio parece ter dado novas forças a meus inimigos.

No momento atual, e agora que acabei de aceitar o cargo de responsabilidade de Presidente de toda a seção Europeia da S. T., e que o Presidente-fundador, em Adyar, acaba de renunciar em meu favor a todos os seus direitos sobre a administração de nossa Sociedade, na Europa, é meu primeiro dever salvaguardar a reputação Daquela que está à frente dos teosofistas; provar que as calúnias vergonhosas espalhadas a seu respeito, por certos membros ambiciosos e ex-membros vingativos, de nossa Sociedade, não poderiam resistir à luz do dia e da verdade diante dos tribunais; e, por último, afastar esses membros e separá-los para sempre da Sociedade, notificando-os a enviar sua demissão, ou, em caso de recusa, expulsá-los publicamente.

Minha consciência nada me reprovando, não temo ninguém.

É certo que, se o coronel Olcott e eu não tememos expulsar publicamente da Sociedade Teosófica um sábio reconhecido, um homem rico e de tão grande reputação científica e intelectual como é o doutor Coues, por intrigas e calúnias, não hesitaríamos em fazê-lo com qualquer membro que o merecesse.

Com efeito, um membro que, esquecendo seus mais simples deveres de homem honesto e a primeira das três regras fundamentais de nossos estatutos, passa seu tempo a intrigar contra seus irmãos em Teosofia, a sujar a reputação e a honra dos chefes da

SOCIEDADE TEOSÓFICA NA FRANÇA

dessa Sociedade, em mexericos e mentiras indignas de um cavalheiro — esse membro não poderia reivindicar seu lugar numa fraternidade composta de pessoas honestas.

Concluo anunciando que, tendo em minha posse todos os documentos que provam que se encontram em nosso meio irmãos Judas, que não se envergonham de publicar sob sua assinatura as calúnias mais terríveis contra mim, aconselho-os a se retirarem de nossas fileiras, sem alarde.

Caso contrário, terei a dor, primeiramente, de anunciar publicamente sua expulsão, e em seguida de citá-los perante os tribunais da França, para obrigá-los a provar, se puderem, as acusações que se permitem fazer contra a abaixo-assinada, há quase dois anos.

H. P. BLAVATSKY.

Presidenta da Seção Europeia da Sociedade                                            Teosófica.

Londres, 23 de setembro de 1890.

–––––––––– Escritos Reunidos VOLUME XII [Tradução do texto francês acima.] A TODOS OS MEMBROS DA SOCIEDADE TEOSÓFICA NA FRANÇA.

Em vista do parágrafo acima citado, a abaixo-assinada aproveita esta ocasião para dirigir-se a todos os membros da Sociedade Teosófica na França, que são Teosofistas sérios e honrados, homens e mulheres que se esforçam por adaptar suas vidas às crenças que professam, a fim de lhes fornecer alguns detalhes que possam ser-lhes úteis.

Em Londres, igualmente, outro processo da mesma natureza será brevemente levado a julgamento.

Este foi movido por um dos membros da Sede Central contra um certo indivíduo que, outrora membro da sociedade, mas agora há muito tempo, sem a menor razão, um inimigo, tornou-se um adepto amador da mesma marca de conspiradores, todos membros expulsos, que estão unidos para atacar, sem trégua nem cessação, a honra de nossa sociedade e de seus fundadores.


Parece que, há quase dezoito meses, alguns ex-membros na América e em Londres têm-se correspondido ativamente com este objetivo em vista, e com a intenção de tentar arruinar a Sociedade Teosófica, desonrando seus fundadores e fundadora, por meio de calúnias incessantes e infames mentiras, que espalham de maneira sub-reptícia entre o público.

Nisto são auxiliados, para nossa grande vergonha, por um de nossos membros mais ativos na França, que uma ou duas vezes atravessou o Canal da Mancha para este propósito honroso, trazendo consigo outros (também ex-membros) que ele introduziu a nossos inimigos pessoais em Londres.

Esforços vãos! Pois o Karma não lhes parece propício.

Um processo, que foi movido contra mim em julho de 1889, sob algum pretexto ou outro, por uma dessas infelizes pessoas, com preparativos ruidosos, dos quais grandes esperanças foram alimentadas, terminou, há cerca de dois meses, em um deplorável fiasco! No próprio dia do julgamento, diante do tribunal reunido, testemunhas e público, o advogado do autor, tendo lido uma certa carta escrita por seu cliente que outrora estivera em minha posse, recusou terminantemente a prosseguir e retirou a ação justamente quando o caso estava prestes a começar! Mas tudo, até mesmo a paciência teosófica, tem um fim.

Durante os seis anos em que esse estado de coisas perdurou — o primeiro alarido dessa caçada vergonhosa e imerecida à reputação tendo sido dado pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres em 1885 —, nunca busquei obter reparação através dos tribunais de justiça.

Na verdade, os objetivos perseguidos pelos membros da Sociedade Teosófica e os métodos da lei não se harmonizam bem.

Mantive silêncio em todos os casos de difamação (salvo em uma única ocasião), recusando-me a responder a tais ataques covardes senão com um silêncio desdenhoso.

Mas isso não é mais possível, visto que esse próprio silêncio parece ter dado nova força aos meus inimigos.

Mas agora que acabei de aceitar o cargo de responsabilidade de Presidente de toda a Seção Europeia da Sociedade Teosófica,

SOCIEDADE TEOSÓFICA NA FRANÇA

e o Presidente-Fundador transferiu em meu favor todos os seus direitos sobre os membros de nossa Sociedade na Europa, é meu primeiro dever proteger a reputação daquela que está à frente dos Teosofistas; provar que as calúnias vergonhosas espalhadas sobre ela por certos membros ambiciosos e ex-membros vingativos de nossa Sociedade não podem resistir à luz do dia e da verdade diante de um júri; e, finalmente, remover esses membros e separá-los para sempre da Sociedade, solicitando que enviem suas renúncias, ou então, em caso de recusa, expulsando-os publicamente.

Como tenho a consciência tranquila, não temo ninguém.

É evidente que, se o Coronel Olcott e eu não tememos expulsar publicamente da Sociedade Teosófica um estudioso de renome, e um homem tão rico e de tão grande reputação científica e intelectual quanto o Dr. Coues, por intrigas e calúnias, não hesitaríamos um momento em fazer o mesmo com qualquer outro membro que merecesse tal tratamento.

Na verdade, um membro que, esquecendo os mais simples deveres de um homem honrado, e a primeira das três regras fundamentais de nossos Estatutos, passa seu tempo a intrigar contra seus irmãos na Teosofia, e a se esforçar para manchar a reputação e a honra dos líderes desta Sociedade, com suas fofocas e com mentiras indignas de um cavalheiro, não pode reivindicar lugar algum em uma fraternidade composta de homens e mulheres honrados.

Concluo anunciando que, como possuo em meu poder todos os documentos que provam que temos em nosso meio Judas que não se envergonham de pôr no papel e sob suas assinaturas completas as mais chocantes calúnias contra mim, aconselho-os a se retirarem de nossas fileiras silenciosamente.

Caso contrário, eu teria o desagradável dever de anunciar publicamente sua expulsão e, em seguida, convocá-los perante os tribunais da França, para provarem, se puderem, as acusações que se permitiram fazer por quase dois anos contra o abaixo-assinado.

H. P. BLAVATSKY,                     Presidente da Seção Europeia da Sociedade Teosófica.

Londres, 23 de setembro de 1890.                          Escritos Reunidos VOLUME XII 382                               BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

NOTAS DIVERSAS                               [Lucifer, Vol. VII, No. 39, novembro de 1890, pp. 226, 236]

[Em um artigo sobre o "Conhecimento Místico das Gemas e Cristais", o escritor diz que alguns deles eram chamados de "lágrimas dos deuses" e afirma que "entre os antigos, anéis ou talismãs formados de cada pedra e metal, com certas cerimônias, nos momentos em que suas respectivas estrelas regentes estavam mais fortes, eram venerados como possuidores de todas as virtudes dos planetas sob os quais foram formados." A isso, H.P.B. diz:]

O acima é, naturalmente, a superstição da tradição oculta.

O estudo comparativo neste campo de pesquisa ainda precisa ser tentado, quando será provado que há uma verdadeira base científica na crença generalizada nas virtudes das "lágrimas dos deuses."

––––––––––

[Alice D. Le Plongeon, escrevendo sobre "Raças Antigas", pergunta se a adoração de elefantes na Índia não poderia ser um desdobramento da adoração de mamutes na América.

A isso, H.P.B. comenta:]

Preferiríamos dizer que é o contrário.

O hindu ariano é o último rebento da primeira sub-raça da quinta Raça-raiz, que é agora a dominante.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                             ESPERANÇAS ABANDONADAS

ESPERANÇAS ABANDONADAS                         [Lucifer, Vol. VII, No. 40, dezembro de 1890, pp. 265-274]

"Esperança sem ação é uma anuladora estéril."                                                                                               —FELTHAM.

"Do mais profundo abismo, há um caminho para a mais elevada altura."                                                                                               —CARLYLE.

Mais um ano em sua décima primeira hora.

Um grão de areia à beira da eternidade, preparando-se para cair e desaparecer na insondável Ampulheta do Pai Cronos, o cruel medidor —no espaço e no tempo.

Mais uma quinzena, e 1890 — o ano saudado pelas inúmeras multidões das terras civilizadas, como agora parece que foi ontem — será substituído, com a última badalada da meia-noite, por 1891. O Ano Velho que nasceu entre nós, que cresceu tão rapidamente ao nosso lado, tornou-se adulto, amadureceu e agora envelheceu — viveu sua vida, enquanto nós, mortais, vivemos apenas uma parte da nossa.

E agora (para muitos de nós), os dois logo se tornarão coisas do Passado.

E o que nos deste, ou o que nos deixaste para lembrar de ti, ó ano de 1890? Não muito, em verdade, exceto o mal, a decepção e a tristeza.

Nascido no colo da Senhora "Influenza", teus dias transcorreram — como os de teus predecessores, e como os dias de teus sucessores transcorrerão, tememos — na atmosfera mefítica das disputas políticas e pessoais, e também, ai de nós, de contendas muito indecorosas entre os Teosofistas.

Os homens te viveram, ó ano que se esvai, como de costume, mais na inveja e no ódio amargo uns dos outros do que no amor fraterno; e as nações irmãs — novamente, como de costume — te atravessaram na arrogante glorificação de si mesmas, na difamação das outras, e talvez, em um pouco mais de mentiras e amargas calúnias internacionais.

Assim, estás morrendo como viveste: no estrondo alto da condenação mútua, das exposições inesperadas, do colapso de fortunas gigantescas, da ruína de grandes reputações, e em um pandemônio digno de todos os Espíritos do Mal e "duendes malditos" de nossa gloriosa era de pretensões à retidão e à civilização superficial.


. . . Adeus, ANO VELHO, adeus; abençoado por tão poucos e amaldiçoado por tantos! ––––––––––

Ai de nós, homens e raças nascidos no fim da presente e mais terrível era cíclica! Místicos e Teosofistas, pensai que o mundo viverá na próxima década sobre um vulcão.

Pois 1891 é o filho mais velho do último Setenário no referido ciclo.

Em 17 de fevereiro próximo, começará a última série de sete anos que encerrará o primeiro ciclo de 5.000 anos de Kaliyuga — a "Era Negra" dos brâmanes hindus.

Assim, em verdade, nem as bênçãos nem as maldições dos homens podem influenciar, muito menos alterar, o Karma das nações e dos homens que eles geraram em seus respectivos Passados.

Mas as pessoas são cegas a essa verdade.

Elas veem os decretos de sentenças retributivas sendo executados na organização dos eventos públicos, mas recusam-se, no entanto, a compreender suas verdadeiras causas.

“Oh”, exclamam eles, “é a imoralidade e a natureza mentirosa do Sr. A que causou este novo escândalo público.

É uma calamidade trazida, através da hipocrisia de A, sobre B, e C, e D, e assim, através deles, está afetando uma nação inteira! Nós, homens justos, não tivemos nada a ver com tudo isso.

Logo, nosso dever claro é agora vilipendiar A, de acordo com nosso código social farisaico, expressar nosso santo horror por ele, e lavar nossas mãos do resto.” . . . Oh, vocês, queridas víboras privadas e políticas! Nunca vos ocorreu que, se o pesadelo de um ganso sonhador, fazendo todo o bando adormecido despertar e grasnar — pudesse salvar Roma, que o vosso grasnar também possa produzir resultados igualmente inesperados? Que se A, ou B, ou C — melhor pensarem de uma vez, no alfabeto inteiro — quebrou um mandamento ou dois, é simplesmente porque, como todos vós, ele é produto de seus tempos e século.

Mas não sabeis que a construção de um ninho por uma andorinha, a queda de um moleque sujo de fuligem pela escada dos fundos, ou a zombaria de vossa criada com o filho do açougueiro, podem alterar a face das

ESPERANÇAS PERDIDAS

nações, tanto quanto pode a queda de um Napoleão? Sim, verdadeiramente assim; pois os elos dentro de elos e as concatenações deste Universo Nidânico estão além de nosso entendimento.

Cada transgressão na vida privada de um mortal é, segundo a filosofia oculta, uma espada de dois gumes nas mãos do Karma; uma para o transgressor, a outra para a família, a nação, às vezes até para a raça que o produziu.

Se um de seus fios afiados o corta gravemente, o outro fio pode, num dia futuro, picar em pedaços minúsculos aqueles moralmente responsáveis pelos pecados de seus filhos e cidadãos.

Uma nação-Caim é feita para morder a poeira, enquanto sua irmã-Abel abatida ressuscita em glória.

. . . . “Aquele que dentre vós está sem pecado, atire a primeira pedra” — no culpado [João viii, 7]. Estas palavras parecem ter sido ditas em vão, pois até a lei cristã zomba de sua aplicação prática.

Somente a Teosofia “pagã” tenta lembrar, em nossos dias modernos, estas nobres palavras dirigidas a alguém apanhado em adultério: “E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais” [ibid., viii, 11]; e somente ela, novamente, se curva em profunda reverência diante da misericórdia divina e da sabedoria búdica deste julgamento.

Mas então somos apenas infiéis e "ateus miseráveis". No entanto, esta é a chave para as aparentes "contradições" em nossos ensinamentos: aceitamos e tentamos seguir quase todas as injunções de Cristo — seja ele histórico ou ideal — enquanto sentimos o maior desprezo e irritação contra aquilo que hoje se chama cristianismo, mas que é simplesmente farisaísmo puro.

––––––––––

A profecia está em descrédito em nossos tempos.

Os profetas, tanto cristãos quanto pagãos, caíram em desgraça.

Eles estão em baixa na estima da sociedade e estão completamente fora de sintonia com aquela porção da humanidade que se autodenomina "culta". Se os adivinhos não são mais apedrejados por ordem dos Sinédrios de nossas nações civilizadas, é porque eles

––––––––––        Nidanas, ou a concatenação de causas e efeitos, na filosofia oriental.

–––––––––– não são mais acreditados. Mas quem é, em nossos dias modernos de Didymi? Os Áugures da cidade "na Bolsa de Valores" são, talvez, os únicos profetas a quem a Sociedade agora se curva. Pois o principal Templo em que nossas raças adoram é o templo de Mamon e seus diabretes malignos; e se seus Sumos-Sacerdotes — os Touros e os Ursos — são ouvidos, é somente porque todos sabem que eles profetizam apenas aqueles eventos que eles mesmos cuidadosamente prepararam, puseram em movimento e assim "fizeram acontecer". A esses adivinhos também, penso eu, o fim cármico de 1890 não foi inteiramente propício.


Mas deixemo-los ir. Nos bons velhos tempos dos Yugas anteriores, no entanto, parece que nossos mais antigos ancestrais arianos — cujos descendentes mais velhos são agora desdenhosamente incluídos entre as "raças inferiores" — conheciam e previam claramente o estado moral em que a humanidade civilizada estaria na era presente. Pois vede o que é profetizado nos Purânas, em geral, e no Vishnu-Purâna, em especial.

O seguinte é um resumo do quarto volume deste último.

Naqueles dias, reinarão sobre a terra Reis de espírito grosseiro, de temperamento violento, viciados na falsidade e na maldade.

Os que estiverem no poder infligirão a morte a mulheres, crianças e vacas (o animal sagrado); apoderar-se-ão da propriedade de seus súditos e SERÃO ÁVIDOS PELAS ESPOSAS DE OUTROS; serão de poder limitado, e frequentemente se elevarão e cairão rapidamente; suas vidas serão curtas, seus desejos insaciáveis, e demonstrarão pouca piedade . . . o mundo será inteiramente depravado.

. . . Só a riqueza conferirá posição; a riqueza será a única fonte de devoção; a paixão o único vínculo de união entre os sexos; a falsidade o único meio de sucesso nos

––––––––––      Nos Vishnu e outros Purânas (sendo o primeiro certamente pré-cristão), a descrição dos males do Kaliyuga aplica-se mais evidentemente ao nosso período atual.

Neles está declarado (a) que a "Era Negra" durará 1.200 anos divinos (isto é, 432.000 dos anos dos mortais); e (b) que o estado profetizado para o nosso mundo ocorrerá perto do fim da primeira metade do primeiro "ano" do Kaliyuga.

Ora, como sabemos pelos ensinamentos da ciência oculta que um dos subciclos secretos ou "anos dos Devas" dura cerca de 12.000 dos nossos anos comuns, isso traz o cálculo para o fim deste primeiro ciclo de 5.000 anos desde que o atual Yuga começou em 3.102 anos A.C., entre 17 e 18 de fevereiro.

––––––––––

ESPERANÇAS PERDIDAS

litígios; e as mulheres meros objetos de gratificação sensual.

[Terá o Profeta vislumbrado na luz astral a Sonata Kreutzer de Tolstoi, perguntamo-nos!] O fio bramânico (ou a vestimenta sacerdotal) constituirá sozinho um brâmane; a desonestidade será o meio universal de sucesso; a impudência e a presunção serão substituídas pelo saber; a liberalidade será devoção; um homem, se rico, será sozinho reputado puro . . . roupas finas serão dignidade.

. . . Em meio a todas as castas, aquele que for o mais forte reinará sobre a terra.

. . . O povo, incapaz de suportar o pesado fardo dos impostos, buscará refúgio além dos mares, entre os vales das montanhas . . . etc., etc., etc.

A última frase parece muito uma profecia a respeito da imensa onda de emigração europeia.

Seja como for, nenhum crítico moderno poderia descrever mais precisamente o estado atual das coisas.

Não é verdadeiramente, "como está escrito"? Não são a maioria dos nossos Reis de "espírito grosseiro", alguns entregues à falsidade, crueldade e maldade? Não estão as nossas Altezas Reais e Imperiais, e Reis, demasiado verdadeiramente "intentados nas esposas de outros"? E qual deles é um gênio, desde os dias do Rei Arthur e dos bons velhos reis dos Contos de Fadas? Não confere a riqueza "em nossos dias" posição muito mais rapidamente do que o mérito real; e a astúcia e a esperteza, o falso testemunho e a hipocrisia, não garantem o melhor sucesso, perante tribunais e júris? A forma exterior apenas constitui, em nove casos de dez, um "homem de Deus", um padre ou clérigo.

As mulheres são até hoje — na Inglaterra, pelo menos perante a lei — meramente os bens e pertences de seus maridos, e meros objetos de luxúria para muitos.

Calúnias — privadas ou públicas — raramente, ou nunca, exceto em casos de chantagem, são dirigidas contra homens ricos; assim, somente os ricos têm a chance de serem "reputados puros", como diz o profeta. Mas o que dizer do homem pobre, daquele que não tem meios de recorrer à lei para obter reparação: na Inglaterra, por exemplo, onde a justiça é a coisa mais cara do Reino, e onde é vendida em onças e paga em libras — o que dizer dele? E o que dizer daquele que, além de pobre, é falsamente acusado daquilo que ele não pode mais desmentir do que seu inimigo pode provar — com a desvantagem, além disso, contra

––––––––––        Traduzido por H. H. Wilson.

Ed. por Fitzedward Hall.

Londres, 1864-70. –––––––––– ele, de que enquanto a calúnia e os maus relatos não exigem provas para serem avidamente acreditados pelos cristãos caridosos em geral, ele não pode mais desmentir a acusação — digamos, de ter assassinado sua sogra em um sonho — do que pode pagar suas "custas" no tribunal? Pois, não é verdade que o menor processo judicial geralmente equivale a três incêndios e um roubo bem-sucedido? Como alguém assim situado pode se proteger e se reabilitar? Aos olhos do mundo inteiro, exceto de seus amigos, ele permanece acusado de tudo o que seus difamadores podem inventar, e assim fica à mercê de qualquer canalha que lhe guarde rancor.


E oh, a terrível impotência e a agonia mental da vítima, especialmente nas terras da bendita liberdade de expressão e de imprensa, como Inglaterra e América! Faça o que fizer, o homem difamado descerá à sua sepultura com um nome deixado a arrastar-se na lama da calúnia; e a herança de seus filhos será o opróbrio ligado a esse nome.

Bem-aventurados os surdos, os mudos e os cegos, pois não ouvirão a si mesmos difamados e condenados; não neste mundo de tristeza, pelo menos.

––––––––––

Mas até que ponto o profeta purânico estava certo ao predizer, entre outras coisas, que "a presunção será substituída pelo aprendizado", nesta nossa "negra" Era? Algo poderia ser dito sobre o assunto, mas o silêncio em alguns casos é de ouro.

Se a verdade fosse sempre declarada e dita, a vida logo se tornaria não digna de ser vivida para o homem sincero.

Além disso, o Dr. Koch, de Berlim, acaba de provocar uma ascensão fulminante das ações da ciência, e seria bastante perigoso agora repreendê-la por suas "presunções". No entanto, há sempre "bálsamo em Gileade". O ano de 1890 levou consigo um número considerável de vítimas, especialmente entre a realeza e os "dez mil superiores", e suas mudanças súbitas e loucas de clima quase enlouqueceram as legiões da humanidade gotosa e reumática.

Mas o ano passado, agora felizmente agonizante, redimiu seus pecados ao apresentar um novo benfeitor da humanidade, na forma de um professor napolitano.

Este mortal favorecido acaba de descobrir

ESPERANÇAS PERDIDAS

que envelhecer, com seu gradual enfraquecimento dos organismos e decrepitude final, não está no programa da vida humana (nem tampouco da animal); e que a juventude perene, do nascimento à morte, é realmente o destino de tudo o que vive e respira—mesmo durante o Kaliyuga.

Aquilo que causa a decadência e a velhice é—novamente um bacilo, veja bem, e o professor acaba de descobrir este microbe astuto.

Deus o abençoe—não o bacilo, mas o professor, é claro! Imagine só os efeitos mágicos desta nova "maior descoberta" da era! Basta inventar e preparar uma linfa adequada para a destruição completa do monstro, inocular-se com ela e—permanecer jovem para sempre.

Esta linfa específica ainda não foi preparada, nem ninguém, até onde ouvimos, começou a trabalhar em sua invenção.

Contudo, não temos dúvida—em vista da velocidade fulminante do progresso da ciência aplicada—de que a nova linfa se mostrará uma rival terrível do "elixir da vida" do Dr. Brown-Sequard, o qual, não lamentamos ouvir, está rapidamente chegando ao fim.

De qualquer forma, é certo que dará um impulso a alguns de nossos inseticidas engarrafados, os "caçadores de pulgas sem paralelo" e afins.

Este último também é garantido para matar "instantaneamente". Basta capturar sua pulga, dizem as instruções, aprisioná-la deixando-a cair delicadamente com polegar e indicador dentro do frasco (como o gênio do Rei Salomão), arrolhá-lo, e—nosso inimigo acrobático viveu! Mas os triunfos da química jamais poderão igualar, muito menos superar, os da bacteriologia moderna.

Podemos imaginar a popularidade estrondosa da nova linfa—quando estiver pronta.

Nada mais de cabelos grisalhos, dentes trêmulos com suas gengivas viúvas, olhos turvos, surdez e, o que é mais importante ainda—nada mais de rugas.

A moderna Ninon de Lenclos da sociedade elegante poderá dispensar sua oração diária: “Ó Senhor, concedei-me a graça de confinar minhas rugas aos meus calcanhares!” Toda avó terá o privilégio de casar-se como uma “noiva florescente e corada” com o colega de escola de seu próprio neto; nem mais donzelas chorosas precisarão ser sacrificadas à bolsa e ao título de nobres em sua senilidade.

Nenhum corpo decrépito encontrará nosso olhar—como aquele que tão profundamente impressionou o Príncipe de Kapilavastu, Gautama, a ponto de se tornar o primeiro passo que o conduziu à sua Budeidade.


Como os deuses homéricos e os heróis da idade de ouro, viveremos e morreremos no pleno e róseo florescer da juventude, e “doces dezesseis” não será mais um prêmio cobiçado.

Verdadeiramente, onde estão as “sete ciências” das eras pré-cristãs, quando comparadas às nossas setenta e sete ciências dos tempos modernos?

E o que diremos destas últimas, depois que Pope declarou, mesmo acerca das primeiras, que—

“O bom senso, que é o único dom do Céu,—                            E embora não seja ciência, vale bem as sete;”

Contudo, a Ciência aplicada ou pura é um poderoso poder em nossos tempos: especialmente a Ciência aplicada em sua roupagem experimental, quer trate de micróbios ou de canibalismo prático.

Se ela destruiu a religião, por outro lado estabeleceu e guiou a civilização, que agora carrega até o coração dos continentes mais obscuros.

Nisso, suas observações práticas de “crueldades” comparativas—como entre a Sibéria e a África—foram especialmente bem-sucedidas.

Façamos reverência à “Pesquisa Moderna”.

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Destruir a velhice pode ser verdadeiramente glorioso; contudo, nós, Teosofistas, pelo menos muitos de nós, preferiríamos recusar a oferta.

A juventude eterna é um dom sedutor, mas perigoso.

A juventude já é suficientemente longa para permitir que cada mortal teça uma teia kármica vasta o bastante para cobrir o espaço de várias vidas sucessivas com um véu escuro de tristeza.

Concordamos com o coro grego em Édipo em Colono (1224), que o destino mais feliz para o homem é não nascer de modo algum, enquanto o segundo melhor é morrer—assim que vê a luz.

Sófocles foi um sábio ao aconselhar a humanidade a lamentar em vez de regozijar a cada novo nascimento.

Aquele a quem os deuses amam morre jovem, diz-nos Menandro. De qualquer forma, a velhice é menos perigosa e mais respeitável em todos os países do que a juventude, um defeito do qual, felizmente, o homem logo se cura.

O progresso em direção à velhice é a primeira aproximação ao porto seguro da vida, para todos; e, como diz Brück, está longe de ser

––––––––––     [Moral Essays, iv, 43-44.]     [Monosticha, No. 425.] ––––––––––

ESPERANÇAS PERDIDAS

um mal.

A onda de cada vida individual, diz ele, ergue-se do mar do Ser para retornar à sua fonte materna uma vez mais; e em pessoas excepcionalmente saudáveis, as funções vitais enfraquecem gradualmente, sem serem notadas.

Uma velhice feliz nos leva insensivelmente, como num navio, para fora da corrente da vida.

Nós mesmos não sentimos o movimento, mas sentimos como se as margens se movessem e passassem diante de nós, até alcançarmos, sem perceber, o Oceano do sono eterno . . . .

Exatamente; e o "Oceano" é preferível ao "Mar do Ser" ou da Vida.

A vida é certamente, e na sua melhor expressão, "apenas uma sombra que passa"; e por mais curta que seja, cada mortal descobrirá, um dia, que viveu por tempo demais.

Para a maioria de nós:                                   . . . . . . "é um conto                                   Contado por um idiota, cheio de som e fúria,                                   Significando nada . . . ."

Para todos, sem exceção, a vida é tão cheia de dores e tristezas quanto uma sarça de espinhos.

Uma coisa indesejável, na melhor das hipóteses.

"Mas isto é pessimismo budista!" ouvimos o leitor dizer.

De modo algum.

Não mais budista do que cristão; e tão bíblico quanto budista.

Pois veja por si mesmo.

Não se queixa Jacó ao Faraó das tristezas da vida, quando lhe perguntam a idade? "E Jacó disse: . . . Os dias dos anos da minha peregrinação são cento e trinta anos; poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida, e não atingiram os dias dos anos da vida de meus pais nos dias da sua peregrinação" [Gên.

xlvii, 9]. E Jesus, filho de Siraque, descreve a vida do início ao fim como uma onda ininterrupta de tristeza! Em sua visão, onde quer que olhemos, encontramos apenas cuidados, medo, perigos, esperanças frustradas e então—a morte.

Não descrevem o paciente Jó e o muito casado Rei Salomão a vida sob as mesmas cores? A vida é uma série de duras provações para a "Alma"; uma nova iniciação do Ego em um novo mistério, a cada vez que ELE encarna.

Acredite em mim, leitor; o bilhete mais afortunado que o homem pode sortear naquela

––––––––––     [Macbeth, Ato V. Cena 5, linhas 26-28.] –––––––––– incessante e sombria Loteria chamada vida humana é um— bilhete vazio.


––––––––––

Como a felicidade é apenas um sonho na terra, resignemo-nos, ao menos.

Para isso, basta seguirmos os preceitos de nossos respectivos grandes e nobres Mestres na terra.

O Oriente teve seu Sakyamuni Buda, "a luz da Ásia"; o Ocidente teve seu Mestre e o Sermão da Montanha; ambos proferiram as mesmas grandes verdades, por serem universais e imortais.

Ouvi-os:— "Esmagai vosso orgulho," diz o Primeiro.

"Não faleis mal de ninguém, mas sede gratos àquele que vos censura, pois ele vos presta serviço ao mostrar-vos vossas faltas.

Matai vossa arrogância.

Sede bondosos e gentis com todos; misericordiosos com toda criatura viva.

Perdoai os que vos prejudicam, ajudai os que necessitam de vossa ajuda, não resistais a vossos inimigos.

Destruí vossas paixões, pois elas são os exércitos de Mara (a Morte), e dispersai-as como o elefante dispersa uma cabana de bambu.

Não cobiceis, não desejeis nada; todos os objetos por que anseiais, em todo o mundo, não poderiam satisfazer vossa cobiça, assim como toda a água do mar não poderia saciar vossa sede.

O que somente satisfaz o homem é a Sabedoria—sede sábios.

Sede sem ódio, sem egoísmo e sem hipocrisia.

Sede tolerantes com os intolerantes, caridosos e compassivos com os duros de coração, gentis com os violentos, desapegados de tudo em meio àqueles que são apegados a tudo, neste mundo de ilusão.

Não causeis dano a nenhuma criatura mortal.

Fazei aquilo que gostaríeis que todos os outros fizessem." "Sede humildes," diz o Outro.

Não resistais ao mal, "não julgueis para que não sejais julgados." Sede misericordiosos, perdoai os que vos ofendem, amai vossos inimigos.

Não cobiceis; nem mesmo no segredo de vosso coração.

Dai a quem vos pedir.

Sede sábios e perfeitos.

Não façais como os hipócritas; mas, "assim como quereis que os homens vos façam, fazei-lhes vós também da mesma maneira." [Lucas vi, 31.] Nobres palavras estas.

Somente quão praticáveis são elas, no século XIX da era cristã, e no fim do ciclo bramânico? Ai de nós! Enquanto um Bispo Protestante se opunha a esses preceitos, consequentemente ao seu

ESPERANÇAS PERDIDAS

Mestre, aqui na Inglaterra, mostrando a impossibilidade de qualquer Estado civilizado colocá-los em prática—(civilização primeiro, e cristianismo depois?)—um jornalista francês de renome fazia o mesmo do outro lado do Canal.

Revisando as Conferências Budistas do Professor Léon de Rosny, de Paris, Anatole France faz seus leitores sentirem que é uma Esperança Perdida, de fato, pensar que as gerações atuais da Europa jamais tentarão cumprir os nobres mandamentos de Cristo ou de Buda; e, portanto, que a verdadeira Teosofia está fadada a ser, por ora, um fracasso em sua realização prática.

Ai de mim! [escreve ele] Se Ele viveu, como firmemente creio que viveu, Sakyamuni foi o mais perfeito dos homens.

"Ele foi um Santo!" — como exclamou Marco Polo, após ouvir sua história.

Sim, ele foi um Santo e um Sábio.

Mas esse tipo de Sabedoria não é adequado para as raças europeias sempre ativas, para as famílias humanas que são tão fortemente possuídas pela vida.

A panaceia soberana descoberta por Buda como remédio contra o mal universal jamais servirá para os nossos temperamentos.

Ela exige renúncia, e o que queremos é adquirir; ensina-nos a nada desejar, e a luxúria e o desejo são mais fortes em nós do que a vida.

Como recompensa final, é-nos prometido o Nirvana, ou o Repouso absoluto, quando a simples ideia de tal repouso nos causa um sentimento de horror. Não; Sakyamuni Buda não veio para nós, nem pode salvar-nos — faça M. de Rosny o que fizer ou disser!

Não; ele não pode.

Mas tampouco pode Cristo, ao que parece.

Buda não foi o único a oferecer o remédio da "indiferença pessoal" aos atrativos deste mundo, ou o cuidado com o eu material, como panaceia contra os males do mundo, seus pecados e tentações.

O "Reino de Deus" de Jesus é apenas outro nome para o "Nirvana". Suas injunções para não nos preocuparmos com o amanhã, nem com o que havemos de comer, beber ou com que vestir o corpo, mas viver como "as aves do céu e os lírios do campo" são apenas outra versão dos ensinamentos de Buda (Vide Mateus vi, 24-34 e vii). Ambos os Mestres tentaram impressionar seus seguidores com a ideia de que "Basta a cada dia o seu mal"; mas, até agora, somente os leigos budistas tentaram seguir a injunção, enquanto o clero budista o fez literalmente, e assim o faz até hoje.


Muitas e grandes são as reformas promulgadas nesta era; e, contudo, à medida que os anos se sucedem, cada um trazendo alguma nova luz, cada um acelerando a roda do progresso e da civilização, nenhuma nova reforma parece afetar ou alterar o velho homem. É uma ESPERANÇA PERDIDA, de fato! Digamos então adeus ao Ano Velho e não mais o censuremos.

Não o amaldiçoemos nem o abençoemos; mas, dizendo: “Basta ao ano de 1890 o seu mal”, deixemos que o Carma disponha e cuide do vindouro 1891.

––––––––––                     Obras Completas, Volume XII                HIPNOTISMO E SUAS RELAÇÕES COM OUTROS                       MODOS DE FASCINAÇÃO                         [Lucifer, Vol.

VII.

Nº 40, dezembro de 1890, pp. 295-301]

Somos solicitados por “H.C.” e outros Membros a responder às diversas perguntas abaixo propostas.

Assim o fazemos, mas com uma ressalva: nossas respostas devem ser dadas apenas do ponto de vista do Ocultismo, não sendo levadas em consideração quaisquer hipóteses da Ciência moderna (outro nome para “materialista”) que possam colidir com os ensinamentos esotéricos.

P. O que é o Hipnotismo: como difere do Magnetismo Animal (ou Mesmerismo)?

R.

O Hipnotismo é o novo nome científico para a velha e ignorante “superstição” variadamente chamada de “fascinação” e “encantamento”. É uma mentira antiquada transformada em uma verdade moderna.

O fato existe, mas a explicação científica dele ainda falta.

Por alguns, acredita-se que o Hipnotismo seja o resultado de uma irritação produzida artificialmente na periferia dos nervos; que essa irritação, reagindo, passa para as células da substância cerebral, causando por exaustão uma condição que é apenas outro modo de sono (hipnose, ou hupnos); por outros, que é simplesmente um estupor autoinduzido, produzido principalmente pela imaginação, etc., etc.

Ele difere do magnetismo animal quando a condição hipnótica

HIPNOTISMO

é produzida pelo método de Braid, que é puramente mecânico, ou seja, a fixação dos olhos em algum ponto brilhante, um metal ou um cristal.

Torna-se “magnetismo animal” (ou mesmerismo) quando é alcançado por “passes” mesméricos sobre o paciente, e por estas razões.

Quando o primeiro método é usado, não há correntes eletropsíquicas, ou mesmo eletrofísicas, em ação, mas simplesmente as vibrações moleculares mecânicas do metal ou cristal contemplado pelo sujeito.

É o olho––o órgão mais oculto de todos, na superfície do nosso corpo––que, servindo como meio entre esse pedaço de metal ou cristal e o cérebro, harmoniza as vibrações moleculares dos centros nervosos deste último em uníssono (ou seja, igualdade no número de suas respectivas oscilações) com as vibrações do objeto brilhante segurado.

E é esse uníssono que produz o estado hipnótico.

Mas, no segundo caso, o nome correto para o hipnotismo seria certamente “magnetismo animal” ou aquele termo tão ridicularizado, “mesmerismo”. Pois, na hipnotização por passes preliminares, é a vontade humana — consciente ou não — do próprio operador que atua sobre o sistema nervoso do paciente.

E é novamente através das vibrações — apenas atômicas, não moleculares — produzidas por esse ato de energia chamado VONTADE no éter do espaço (portanto, em um plano bastante diferente) que o estado super-hipnótico (isto é, “sugestão”, etc.) é induzido.

Pois aquilo que chamamos de “vibrações da vontade” e sua aura são absolutamente distintos das vibrações produzidas pelo simples movimento mecânico molecular, agindo os dois em dois graus separados dos planos cosmo-terrestres.

Aqui, naturalmente, é necessária uma clara compreensão do que se entende por vontade nas Ciências Ocultas.

P. Em ambos (hipnotismo e magnetismo animal) há um ato de vontade no operador, uma transmissão de algo dele para o paciente, um efeito sobre o paciente.

O que é esse ‘algo’ transmitido em ambos os casos?

R.

Aquilo que é transmitido não tem nome nas línguas europeias, e se simplesmente o descrevermos como vontade, perde todo o seu significado.

As antigas e muito proscritas palavras, “encantamento”, “fascinação”, “glamour” e “feitiço”, e especialmente o verbo “enfeitiçar”, expressavam de maneira muito mais sugestiva a ação real que ocorria durante o processo de tal transmissão, do que os modernos e sem sentido termos, “psicologizar” e “biologizar”. O Ocultismo chama a força transmitida de “fluido áurico”, para distingui-la da “luz áurica”; o “fluido” sendo uma correlação de átomos em um plano superior, e uma descida a este plano inferior, sob a forma de substâncias plásticas impalpáveis e invisíveis, geradas e direcionadas pela Vontade potencial; a “luz áurica”, ou aquilo que Reichenbach chama de Od, uma luz que envolve todo objeto animado e inanimado na natureza, é, por outro lado, apenas o reflexo astral que emana dos objetos; sua cor e cores particulares, as combinações e variedades destas, denotando o estado dos gunas, ou qualidades e características de cada objeto e sujeito específico — sendo a aura do ser humano a mais forte de todas.


P. Qual é a lógica do “Vampirismo”?

R.

Se por esta palavra se entende a transmissão involuntária de uma porção da própria vitalidade, ou essência vital, por uma espécie de osmose oculta de uma pessoa para outra — sendo esta última dotada, ou antes afligida, de tal faculdade vampirizadora — então, o ato só se torna compreensível quando estudamos bem a natureza e a essência do semissubstancial "fluido áurico" mencionado há pouco.

Como toda outra forma oculta na Natureza, este processo de endo e exosmose pode tornar-se benéfico ou maléfico, inconscientemente ou à vontade.

Quando um operador saudável mesmeriza um paciente com o determinado desejo de aliviá-lo e curá-lo, a exaustão sentida pelo primeiro é proporcional ao alívio proporcionado: ocorreu um processo de endosmose, tendo o curador cedido uma porção de sua aura vital em benefício do enfermo.

O vampirismo, por outro lado, é um processo cego e mecânico, geralmente produzido sem o conhecimento tanto do absorvedor quanto da parte vampirizada.

É magia negra consciente ou inconsciente, conforme o caso. Pois no caso de adeptos e feiticeiros treinados, o processo é produzido conscientemente e com a orientação da Vontade.

Em ambos os casos, o agente de transmissão é uma faculdade magnética e

HIPNOTISMO

atrativa, telúrica e fisiológica em seus resultados, porém gerada e produzida no plano quadridimensional — o reino dos átomos.

P. Sob quais circunstâncias o hipnotismo é "magia negra"?     R.

Sob aquelas recém-discutidas, mas para cobrir o assunto plenamente, mesmo dando alguns exemplos, exige-se mais espaço do que podemos dispensar para estas respostas.

Basta dizer que sempre que o motivo que impulsiona o operador é egoísta, ou prejudicial a qualquer ser ou seres vivos, todos tais atos são classificados por nós como magia negra.

O fluido vital saudável transmitido pelo médico que mesmeriza seu paciente pode curar, e cura; mas em excesso matará.

[Esta afirmação recebe sua explicação em nossa resposta à pergunta 7, ao mostrar que o experimento vibratório despedaça um copo em mil pedaços.]     P. Há alguma diferença entre a hipnose produzida por meios mecânicos, tais como espelhos giratórios, e aquela produzida pelo olhar direto do operador (fascinação)?     R.

Esta diferença é, cremos, já apontada na resposta à Pergunta 1. O olhar do operador é mais potente, portanto mais perigoso, do que as simples passes mecânicas do hipnotizador, que, em nove casos de cada dez, não sabe como, e portanto não pode querer.

Os estudantes da Ciência Esotérica devem estar cientes, pelas próprias leis das correspondências ocultas, de que a primeira ação se realiza no primeiro plano da matéria (o mais baixo), enquanto a última, que exige uma vontade bem concentrada, tem de ser executada — se o operador for um noviço profano — no quarto plano, e, se ele for algo de ocultista, no quinto plano.

P. Por que um fragmento de cristal ou um botão brilhante deveria lançar uma pessoa no estado hipnótico e não afetar de modo algum outra pessoa? Uma resposta a isso, cremos, resolveria mais de uma perplexidade.

R.

A Ciência tem oferecido várias hipóteses diversas sobre o assunto, mas, até agora, não aceitou nenhuma delas como definitiva.

Isso porque todas essas especulações giram no círculo vicioso dos fenômenos matérico-físicos, com suas forças cegas e teorias mecânicas.


O "fluido áurico" não é reconhecido pelos homens da Ciência e, portanto, eles o rejeitam. Mas não acreditaram eles por anos na eficácia da metaloterapia, cuja influência desses metais se deve à ação de seus fluidos ou correntes elétricas sobre o sistema nervoso? E isso simplesmente porque se encontrou uma analogia entre a atividade desse sistema e a eletricidade.

A teoria fracassou porque colidiu com a observação e os experimentos mais cuidadosos.

Em primeiro lugar, foi contradita por um fato fundamental exibido na referida metaloterapia, cuja peculiaridade característica mostrou (a) que, de modo algum, todo metal atuava sobre toda doença nervosa, sendo um paciente sensível a um determinado metal, enquanto todos os outros não produziam efeito algum sobre ele; e (b) que os pacientes afetados por certos metais eram poucos e excepcionais.

Isso mostrou que os "fluidos elétricos" que operam e curam doenças existiam apenas na imaginação dos teóricos.

Se tivessem existência real, então todos os metais afetariam, em maior ou menor grau, todos os pacientes, e cada metal, tomado separadamente, afetaria todo caso de doença nervosa, sendo as condições para gerar tais fluidos, nos casos dados, precisamente as mesmas.

Assim, o Dr. Charcot, tendo reabilitado o Dr. Burke, o outrora desacreditado descobridor da metaloterapia, Shiff e outros desacreditaram todos aqueles que acreditavam nos fluidos elétricos, e estes parecem agora ter sido abandonados em favor do "movimento molecular", que agora reina supremo na fisiologia — por enquanto, é claro.

Mas surge agora uma questão: “Será que a natureza real, o comportamento e as condições do ‘movimento’ são conhecidos melhor do que a natureza, o comportamento e as condições dos ‘fluidos’?” É de se duvidar.

De qualquer forma, o Ocultismo é audaz o suficiente para sustentar que os fluidos elétricos ou magnéticos (sendo os dois realmente idênticos) devem-se, em sua essência e origem, àquele mesmo movimento molecular, agora transformado em energia atômica, à qual

––––––––––      No Ocultismo, a palavra átomo tem um significado especial, diferente daquele que lhe é dado pela Ciência.

Ver editorial, “Ação Psíquica e Noética,” nos dois últimos números.

[Lucifer, Vol.

VII, out.

e nov.

1890; e Volume atual, pp. 350 e seguintes.] ––––––––––

HIPNOTISMO

todo outro fenômeno na natureza também se deve.

De fato, quando a agulha de um galvanômetro ou eletrômetro deixa de mostrar oscilações que denotem a presença de fluidos elétricos ou magnéticos, isso não prova de modo algum que não haja tais fluidos a registrar; mas simplesmente que, tendo passado para outro e mais elevado plano de ação, o eletrômetro não pode mais ser afetado pela energia manifestada em um plano com o qual está inteiramente desconectado.

O acima teve de ser explicado, a fim de mostrar que a natureza da Força transmitida de um homem ou objeto para outro homem ou objeto, seja no hipnotismo, na eletricidade, na metaloterapia ou na “fascinação”, é a mesma em essência, variando apenas em grau e modificada, conforme o subplano da matéria sobre o qual atua; dos quais subplanos, como todo Ocultista sabe, há sete em nosso plano terrestre, assim como há em qualquer outro.

P. Está a Ciência inteiramente errada em sua definição dos fenômenos hipnóticos?     R.

Ela não tem definição alguma, até agora.

Ora, se há uma coisa sobre a qual o Ocultismo concorda (até certo grau) com as últimas descobertas da Ciência física, é que todos os corpos dotados da propriedade de induzir e provocar fenômenos metaloterápicos e outros análogos têm, não obstante sua grande variedade, uma característica em comum.

São todos eles as fontes e os geradores de rápidas oscilações moleculares, que, seja através de agentes transmissores ou por contato direto, se comunicam ao sistema nervoso, alterando assim o ritmo das vibrações nervosas — sob a única condição, porém, de estarem no que se chama, em uníssono.

Agora, “uníssono” nem sempre implica a mesma natureza ou essência, mas simplesmente a mesma intensidade, uma similaridade quanto à gravidade e agudeza, e igual potencialidade para a intensidade do som ou do movimento: um sino pode estar em uníssono com um violino, e uma flauta com um órgão animal ou humano.

Além disso, a taxa do número de vibrações — especialmente em uma célula ou órgão animal orgânico — muda de acordo com o estado de saúde e a condição geral.

Daí os centros nervosos cerebrais de um sujeito hipnótico, embora em perfeito uníssono, em grau potencial e atividade original essencial, com o objeto que ele contempla, podem, no entanto, devido a algum distúrbio orgânico, estar naquele momento em desacordo com ele, no que diz respeito ao número de suas respectivas vibrações.

Nesse caso, nenhuma condição hipnótica se segue; ou pode não existir uníssono algum entre suas células nervosas e as células do cristal ou metal que ele é obrigado a contemplar, caso em que aquele objeto particular nunca poderá ter qualquer efeito sobre ele. Isso equivale a dizer que, para assegurar o sucesso em um experimento hipnótico, duas condições são necessárias: (a) como todo corpo orgânico ou “inorgânico” na natureza se distingue por suas oscilações moleculares fixas, é necessário descobrir quais são aqueles corpos que atuarão em uníssono com um ou outro sistema nervoso humano; e (b) lembrar que as oscilações moleculares dos primeiros podem influenciar a ação nervosa dos últimos, somente quando os ritmos de suas respectivas vibrações coincidem, ou seja, quando o número de suas oscilações é tornado idêntico; o que, nos casos de hipnotismo induzido por meios mecânicos, é alcançado através do médium do olho.

Portanto, embora a diferença entre a hipnose produzida por meios mecânicos e aquela induzida pelo olhar direto do operador, mais a sua vontade, dependa do plano no qual o mesmo fenômeno é produzido, ainda assim o agente “fascinante” ou subjugador é criado pela mesma força em ação.

No mundo físico e em seus planos materiais, ela é chamada de MOVIMENTO; nos mundos da mentalidade e da metafísica, é conhecida como VONTADE — o mágico de muitas faces em toda a natureza.

Assim como a taxa de vibrações (movimento molecular) em metais, madeiras, cristais, etc., altera-se sob o efeito do calor, do frio, etc., também as moléculas cerebrais mudam sua taxa, da mesma maneira, ou seja, sua taxa é elevada ou rebaixada. E é isso o que realmente ocorre no fenômeno do hipnotismo.

No caso do olhar, é o olho — o principal agente da Vontade do operador ativo, mas um escravo e traidor quando essa Vontade está adormecida — que, inconscientemente para o paciente ou sujeito, sintoniza as oscilações de seus centros nervosos cerebrais com o

HIPNOTISMO

ritmo das vibrações do objeto olhado, captando o ritmo deste e transmitindo-o ao cérebro.

Mas no caso dos passes diretos, é a Vontade do operador irradiando através de seus olhos que produz a necessária uníssono entre sua vontade e a vontade da pessoa operada.

Pois, de dois objetos sintonizados em uníssono — como duas cordas, por exemplo — um será sempre mais forte que o outro e, assim, terá domínio sobre o outro e até mesmo a potencialidade de destruir seu "correspondente" mais fraco. Tão verdadeiro é isso que podemos invocar a Ciência física para corroborar esse fato.

Tomemos a "chama sensível" como exemplo.

A Ciência nos diz que, se uma nota for emitida em uníssono com a proporção das vibrações das moléculas de calor, a chama responderá imediatamente ao som (ou à nota emitida), dançará e cantará em ritmo com os sons.

Mas a Ciência Oculta acrescenta que a chama também pode ser extinta se o som for intensificado (Vide Ísis sem Véu, Vol. II, pp. e 607). Outra prova.

Pegue uma taça de vinho ou um copo de vidro muito fino e claro; produza, tocando-o suavemente com uma colher de prata, uma nota bem determinada; depois, reproduza a mesma nota friccionando sua borda com um dedo úmido e, se você for bem-sucedido, o vidro imediatamente rachará e se despedaçará.

Indiferente a qualquer outro som, o vidro não resistirá à grande intensidade de sua própria nota fundamental, pois essa vibração particular causará tamanha comoção em suas partículas que toda a estrutura se despedaçará.

P. O que acontece com as doenças curadas pelo hipnotismo; elas são realmente curadas ou são adiadas, ou aparecem sob outra forma? As doenças são Karma; e, se assim for, é certo tentar curá-las?     R.

A sugestão hipnótica pode curar para sempre, e pode não curar.

Tudo depende do grau de relações magnéticas entre o operador e o paciente.

Se forem kármicas, serão apenas adiadas e retornarão sob alguma outra forma, não necessariamente de doença, mas como um mal punitivo de outra espécie.

É sempre "certo" tentar aliviar o sofrimento sempre que pudermos e fazer o nosso melhor por isso. Porque um homem sofre justamente prisão e pega um resfriado em sua cela úmida, é

BLAVATSKY COLLECTED WRITINGS

...uma razão pela qual o médico da prisão não deveria tentar curá-lo disso?       P. É necessário que as "sugestões" hipnóticas do operador sejam faladas? Não basta que ele as pense, e não pode ele mesmo ser ignorante ou inconsciente da direção que está imprimindo em seu sujeito?     R.

Certamente não, se o rapport entre os dois estiver de uma vez por todas firmemente estabelecido.

O pensamento é mais poderoso do que a fala em casos de uma real subjugação da vontade do paciente à do seu operador.

Mas, por outro lado, a menos que a "sugestão" feita seja apenas para o bem do sujeito, e inteiramente livre de qualquer motivo egoísta, uma sugestão por pensamento é um ato de magia negra ainda mais carregado de consequências malignas do que uma sugestão falada.

É sempre errado e ilícito privar um homem de seu livre-arbítrio, a menos que seja para o bem dele próprio ou da Sociedade; e mesmo o primeiro caso tem de ser feito com grande discernimento.

O Ocultismo considera todas essas tentativas promíscuas como magia negra e feitiçaria, sejam elas conscientes ou não.

P. O motivo e o caráter do operador afetam o resultado, imediato ou remoto?     R.

Na medida em que o processo de hipnotização se torna, sob sua operação, magia branca ou negra, como mostra a última resposta.

P. É sábio hipnotizar um paciente não apenas para livrá-lo de uma doença, mas de um hábito, como beber ou mentir?     R.

É um ato de caridade e bondade, e isso é o que mais se aproxima da sabedoria.

Pois, embora o abandono de seus hábitos viciosos não acrescente nada ao seu bom Karma (o que acrescentaria, se seus esforços para se reformar fossem pessoais, de sua própria livre vontade, e exigissem uma grande luta mental e física), ainda assim uma "sugestão" bem-sucedida impede que ele gere mais Karma ruim, e que acrescente constantemente ao registro anterior de suas transgressões.

P. O que é que um curador pela fé, quando bem-sucedido, pratica sobre si mesmo; que truques ele está fazendo com seus princípios e com seu Karma?

HIPNOTISMO

R.

A imaginação é um auxílio potente em todos os eventos de nossas vidas.

A imaginação age sobre a Fé, e ambas são os desenhistas que preparam os esboços para a Vontade gravar, mais ou menos profundamente, nas rochas ou obstáculos e oposições com os quais o caminho da vida está repleto.

Diz Paracelso: "A fé deve confirmar a imaginação, pois a fé estabelece a vontade.

. . . A vontade determinada é o começo de todas as operações mágicas."

. . . É porque os homens não imaginam e acreditam perfeitamente no resultado, que as artes (da magia) são incertas, quando poderiam ser perfeitamente certas.” Este é todo o segredo.

Metade, se não dois terços, de nossas enfermidades e doenças são fruto de nossa imaginação e medos.

Destrua estes últimos e dê outra direção à primeira, e a natureza fará o resto.

Não há nada de pecaminoso ou prejudicial nos métodos em si. Eles se tornam nocivos apenas quando a crença em seu poder se torna demasiado arrogante e marcante no curador pela fé, e quando ele pensa que pode eliminar pela vontade doenças que necessitam, se não quiserem ser fatais, da ajuda imediata de cirurgiões e médicos especialistas.

––––––––––                       Escritos Reunidos VOLUME XII                                        PROBLEMAS DA VIDA                             DO DIÁRIO DE UM VELHO MÉDICO                                               Por N. I. Pirogoff                                     (Traduzido do russo por H.P.B.)

[Lucifer, Vol.

VII.

Dezembro, 1890, e Janeiro e Fevereiro,                           1891; Vol.

VIII, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, 1891;                                              Vol.

IX, Outubro, 1891.]

PREFÁCIO DO TRADUTOR

Todo homem culto na Europa e na América está mais ou menos familiarizado com o nome do Doutor Pirogoff.

E nossos leitores talvez se lembrem do que foi dito sobre este eminente cirurgião e patologista russo em Lucifer de abril passado— ––––––––––      [Ver páginas 135-36 no presente Volume para dados bibliográficos sobre o Diário do Dr. Pirogoff.—Compilador.] ––––––––––

ESCRITOS REUNIDOS DE BLAVATSKY

no editorial “Mente Cósmica” Algumas citações de suas Memórias póstumas foram apresentadas, para mostrar quão de perto as opiniões de um grande homem de ciência se aproximavam dos ensinamentos ocultos da Teosofia, por exemplo, suas ideias sobre a mente universal, “infinita e eterna, que rege e governa o Oceano da Vida,” e também sobre aquele espantalho dos materialistas—a existência em todo organismo, como também fora dele, no Cosmos, de uma Força Vital distinta, independente de qualquer processo químico ou físico.

Foi igualmente declarado que a publicação póstuma do Diário do Doutor Pirogoff havia causado um alvoroço de espanto entre o público russo, e—entre os darwinistas e materialistas, seus ex-colegas—uma verdadeira tempestade de indignação, pois nosso eminente cirurgião havia sido até então considerado um “agnóstico,” se não um ateu declarado da Escola de Büchner.

Desde então, ouvimos dizer que algumas linhas citadas dos escritos de um homem não provavam nada, e que os teosofistas não tinham o direito de afirmar que suas opiniões haviam recebido confirmação por parte de um cientista tão renomado.

Portanto, decidiu-se fazer seleções extensas dos dois volumes das Memórias do Doutor Pirogoff e publicar suas traduções em Lucifer.

Naturalmente, o Diário completo não pode ser traduzido, a fim de satisfazer os céticos.

Nem é necessário: pois é amplamente suficiente, para provar nosso ponto, traduzir apenas as páginas que contêm os pensamentos íntimos do escritor sobre os grandes problemas da humanidade.

Estes, consistindo em fragmentos isolados, pretendem ser publicados em uma breve série de artigos.

Além disso, uma autobiografia em forma de diário privado, entremeada de anedotas sobre eventos e pessoas pertencentes a um país estrangeiro, interessaria pouco ao leitor inglês.

Tudo isso é atraente apenas para aqueles que estão familiarizados com os nomes mencionados, e de cujo país o autor foi, por mais de trinta anos, o orgulho e a glória.

Portanto, apenas as páginas do Diário que versam sobre o que chamamos de questões teosóficas e metafísicas, ou que sejam de caráter filosófico, serão traduzidas.

O valor de tais páginas é decuplicado para nós, por terem sido escritas por um homem de ciência, cujo grande saber

PROBLEMAS DA VIDA

foi reconhecido por toda a Europa, e cujas famosas realizações em cirurgia foram tão apreciadas, que algumas delas se tornaram autoritativas até mesmo na Inglaterra, sempre tão relutante em reconhecer o mérito estrangeiro — e especialmente o russo.

Antes de prosseguirmos com nossas seleções, talvez não seja descabido dizer algumas palavras sobre o autor.

N. I. Pirogoff nasceu em novembro de 1810 e morreu no mesmo mês do ano de 1881. Tendo passado os melhores anos de sua juventude na Universidade de Dorpat, o próprio viveiro do livre-pensamento alemão durante os anos de 1830-60, ele foi imbuído, como ele mesmo confessa, daquele espírito orgulhoso de negação universal, personificado por Goethe em seu Mefistófeles.

“Por que, então,” escreve ele, descrevendo seu estado de espírito naqueles primeiros dias, “por que, e com que fins precisaríamos supor a existência de uma Divindade? O que ela pode explicar na cosmogênese? Não é a matéria eterna, e não deveria sê-lo? Por que então essa hipótese inútil que nada explica?” Em outra parte, porém, provavelmente anos depois, tratando do mesmo assunto, escreve em tom diverso:—“Embora tenha sido um grande pagão—der grosse Heide—(como Goethe era chamado), que disse que falava de Deus apenas com o próprio Deus, contudo eu, um cristão, seguindo seu conselho, também evito falar de minha íntima crença e convicções mesmo com aqueles mais próximos e queridos: o santo ao santo.” Isso explica o espanto experimentado por aqueles que conheceram o Doutor Pirogoff mais intimamente, quando, ao lerem seu Diário póstumo, descobriram que ele havia sido um oponente da religião apenas em suas formas, em sua igreja e dogmas; mas que, desde seu trigésimo nono ano, encontrara o que almejara: a saber, fé em um ideal abstrato, quase inatingível, absolutamente fora de toda forma e ritualismo.

Seus escritos o revelam um místico e filósofo profundíssimo.

Quatro anos após sua morte, a viúva e os filhos do Doutor Pirogoff entregaram seus papéis para publicação, e os dois volumes

––––––––––     Ex.: a operação no tarso do pé, chamada “Operação Pirogoff.” –––––––––– dos quais as páginas seguintes são traduzidas foram impressos no final de 1887. O primeiro volume contém integralmente o inacabado “Diário de um Velho Médico,” e termina no meio de uma frase, interrompida pela morte.


Uma epígrafe em sua página de rosto explica que o falecido autor o escreveu “exclusivamente” para si mesmo, “contudo não sem uma secreta esperança de que, talvez, outros pudessem lê-lo também, algum dia.” “A leitura desses papéis póstumos leva a pensar,” acrescenta o editor russo em seu Prefácio, “que esta última obra do autor estava ligada em seus pensamentos aos seus primeiros escritos públicos, pois ele acrescentou ao seu diário, etc., um subtítulo já usado por ele uns vinte anos antes, ao encabeçar seus ensaios filosóficos, a saber, ‘As Questões (ou Problemas) da Vida.’ ” Mas como estes últimos, coligidos no Volume II, são quase todos de caráter social e educacional, mais do que metafísico, não se propõe tratá-los por ora.

––––––––––

[Ocasionalmente... somos assediados por pensamentos tão baixos e sórdidos, que... sentimos... quase persuadidos às vezes de que esses pensamentos não são nossos, mas são sugeridos por outra pessoa — por aquele ser mais baixo que habita em cada um de nós.] Os pensamentos do eu inferior ou "personalidade", um ser distinto de nós, verdadeiramente; o habitante interior do homem de carne e, com demasiada frequência, a sombra lamentável do verdadeiro e superior Self e Ego!

[... uma teoria minha (bastante mística, confesso), de que as oscilações atômicas ou moleculares (que é absolutamente necessário postular nas sensações) ocorrem, não apenas nas células visíveis e em constante mudança dos tecidos cerebrais, mas também em algo mais além; em um elemento mais sutil e etéreo, que, interpenetrando os átomos, passa através deles, e é impermeável a todas as mudanças orgânicas.]

Este é um ensinamento puramente oculto.

Nossa "memória" é apenas um agente geral, e suas "tábuas", com suas impressões indeléveis, apenas uma figura de linguagem: as "tábuas cerebrais" servem
DR. NIKOLAY IVANOVICH PIGOROV 1810- Reproduzido da Bolshaya Sovietskaya Entsiclopedia Vol.
XXXIII, 2ª edição, 1955.

PROBLEMAS DA VIDA

apenas como um upadhi ou um vahan (base, ou veículo) para refletir, em um dado momento, a memória de uma ou outra coisa.

Os registros de eventos passados, de cada mínima ação, e de pensamentos passageiros, de fato, são realmente impressos nas ondas imperecíveis da LUZ ASTRAL, ao nosso redor e em toda parte, não apenas no cérebro; e essas imagens mentais, quadros e sons passam dessas ondas, através da consciência do Ego pessoal ou Mente (o Manas inferior), cuja essência mais grosseira é astral, para os "refletores cerebrais", por assim dizer, do nosso cérebro, de onde são entregues pela consciência psíquica à consciência sensorial.

Isso a cada momento do dia, e mesmo durante o sono.

Ver "Ação Psíquica e Noética," em Lucifer, nov., 1890, pp. 181 e 182. [Volume presente, pp. 350 e seguintes.] [Assim, enquanto um "eu" é baseado em experimento e observação, o outro tem de ser aceito pela lógica, e o terceiro pode ser postulado pela fé.]

"Fé" é apenas a má aplicação de uma intuição interior.

O último mostra-nos infalivelmente uma verdade geral, nesta ou naquela proposição universal, que o primeiro procede a objetivar e desfigurar, segundo os cânones do nosso plano objetivo.

A intuição é divina, mas a fé é humana.

[A coletividade (conjunto) de sensações, fornecida por todos os nossos órgãos (tanto os que não se comunicam, quanto os que se comunicam com o mundo exterior, com o não-eu), é o que chamamos existência.

.     .]

A Filosofia Oriental––oculta ou exotérica––não admite um “eu” separado do Universo, objetivo ou subjetivo, material ou espiritual––senão como uma ilusão temporária durante o ciclo de nossas encarnações.

É esta lamentável ilusão, a “heresia da separatividade” ou personalidade, a ideia de que o nosso “eu” é distinto na eternidade do EGO Universal, que tem de ser conquistada e destruída como raiz do egoísmo e de todo o mal, antes que possamos nos livrar dos renascimentos e alcançar o Nirvana.

[Em conexão com as especulações do Dr. Pirogoff sobre o assunto da loucura.] Ou perda da mente, como é muito sugestivamente chamada, é explicada no Ocultismo como sendo primariamente devida à paralisia das funções superiores no Kama-Manas, a mente física—e, em casos de insanidade incurável, à reunião da porção superior do inferior com o Ego Divino Superior, e à destruição, em consequência, do Antaskarana, o meio de comunicação, um evento que deixa vivo no homem apenas a sua porção animal, cuja mente kâmica vive daí em diante no plano astral.


[O Dr. Pirogoff é incapaz de aceitar as hipóteses então correntes sobre os átomos.] A filosofia oculta ensina que os átomos, assim chamados, não são desta terra, mas pertencem a um plano bastante diferente, tanto de matéria quanto de consciência.

[Nem pode o meu pensamento demorar-se em átomos fracionados em grânulos, pelotas, pontos matemáticos e o que mais.]

A teoria atômica está em pé de igualdade apenas com a teoria ondulatória da luz, que necessita da agência material do Éter.

Portanto, somos informados pelos físicos que o agente hipotético chamado éter do espaço é ao mesmo tempo elástico, “de extrema tenuidade e absolutamente imponderável.” No entanto, este agente é feito para realizar funções que, se ele tiver de permanecer o transmissor da luz, o tornariam dotado no mais alto grau das propriedades de um corpo absolutamente duro.

Isto é ciência exata, matemática.

[Minha análise mental me leva totalmente à necessidade de aceitar, fora desses átomos, algo permeável e interpenetrante em tudo e em toda parte, invisível, sem forma, em perpétuo movimento...]

Se compreendemos corretamente esse "algo permeável e interpenetrante" em tudo e em toda parte, trata-se do Akasa, cuja forma mais inferior é o Éter do Espaço, sendo este, porém, consideravelmente diferente do "agente hipotético" ou meio da Ciência.

[Minha mente não aceita a ideia de que o mero agrupamento de átomos em certas formas (por exemplo, as células cerebrais) pudesse torná-los, por si mesmos, capazes de sentir, desejar e conceber, a menos que a faculdade de sentir e a consciência já fossem inatas em tais unidades.]

Precisamente; e este é o principal argumento da Teosofia.

O abismo entre mente e matéria é intransponível, como o Sr. Tyndall e todos os outros Agnósticos e Materialistas são obrigados a admitir.

Nenhuma teoria da evolução ou "hereditariedade" jamais cobrirá ou explicará o mistério.

[Concebo... um oceano de vida ilimitado, incessantemente ondulante e agitado, sem forma, contendo em si mesmo o Universo inteiro, penetrando todos os seus átomos, continuamente agrupando-os, depois decompondo suas combinações e agregados, e ajustando-os aos vários objetivos do ser.]

Os Ocultistas e Teosofistas o chamam de "a Vida Una", a Divindade triplamente manifestada ou os três Logoi — cujo polo é negativo, o outro positivo — e toda a circunferência e ponto central — mente universal e o átomo.

Ambos são abstrações, porém a única Realidade.

[Esse "alguém" afinando meu órgão em uníssono com a harmonia universal, torna-se meu "Eu"]

Ou, como o Ocultista o chamaria, o "Ego Superior", a Entidade imortal, cuja sombra e reflexo é o Manas humano, a mente, limitada por seus sentidos físicos.

Os dois podem ser bem comparados ao Mestre-artista e ao aluno-músico.

A natureza da Harmonia produzida no "órgão", a melodia Divina ou a discórdia áspera, depende de se o aluno é inspirado pelo Mestre imortal e segue seus ditames, ou, rompendo com seu alto controle, contenta-se com os sons terrestres produzidos por si mesmo, em conjunto com seu companheiro maligno — o homem de carne — nas cordas e teclas do órgão cerebral.

[E então, as leis do desígnio e da causalidade das ações da ideação universal tornam-se também as leis do meu “eu”, e eu as encontro dentro de mim mesmo, passando suas manifestações de fora para dentro de mim mesmo, e de mim mesmo de volta para a natureza infinita.] Tivesse o eminente escritor do Diário estudado por anos a literatura teosófica e oculta das filosofias orientais, não poderia ter chegado a uma harmonia de pensamento mais estreita com o misticismo esotérico.


O seu era, no entanto, um idealismo puramente natural, uma percepção espiritual das verdades eternas, que nenhuma sofisteria científica poderia destruir ou mesmo embotar.

[Sobre a afinidade dos átomos.] A Ciência Física, ao que parece, dá o nome de “átomos” àquilo que consideramos partículas ou moléculas.

Para nós, “átomos” são os princípios internos e os guias espirituais e inteligentes das células e partículas que eles informam.

Isto pode ser anticientífico, mas é um fato da natureza.

[Sobre o tema da Força Vital.] O espantalho do materialista moderno: aquela Entidade independente negada tão veementemente pela Ciência exata e ainda assim acreditada e aceita pelos maiores Cientistas, como o Dr. Pirogoff, que preferem a verdade até mesmo à—Ciência.

[O pensamento cerebral é inadmissível sem um cérebro.] Precisamente; mas então a filosofia oculta reconcilia o absurdo de postular no Universo manifestado uma Mente ativa sem um órgão, com aquele absurdo ainda pior, um Universo objetivo evoluído como tudo o mais nele, pelo acaso cego, dando a este Universo um órgão de pensamento, um “cérebro”. Este último, embora não seja objetivo aos nossos sentidos, nem por isso deixa de existir; ele se encontra na Entidade chamada KOSMOS (Adão Kadmon, na Cabala). Assim como no Microcosmo, o HOMEM, também no Macrocosmo, ou o Universo.

Cada “órgão” nele é uma entidade senciente, e cada partícula de matéria ou substância, da molécula física ao átomo espiritual, é uma célula, um centro nervoso, que se comunica com a substância cerebral ou aquela substância no plano do Pensamento divino no qual a ideação primordial é produzida.

Portanto, o homem foi produzido à imagem de Deus—ou da Natureza Divina.

Cada célula do organismo humano corresponde misteriosamente a uma “célula” semelhante no organismo divino ou no universo manifestado; somente esta “célula” assume no macrocosmo as proporções gigantescas de uma unidade inteligente nesta ou naquela “Hierarquia” de Seres.

Isto, no que diz respeito à Mente divina diferenciada, em seu plano de ideação.

Isto

PROBLEMAS DA VIDA

Pensamento eterno ou ABSOLUTO — está além e é, para nós, insondável.

[Ou (nossa mente) tem de considerar tudo o que existe fora de si mesma como uma ilusão, ou então a existência senciente do Universo — a totalidade daquilo que é o "não-eu" — deve ser tão inegável para ela quanto a sua própria existência.]

A filosofia vedântica explica e reconcilia a dificuldade de maneira mais filosófica, mostrando que tanto o "eu" quanto o universo são uma ilusão.

Naturalmente, não podemos separar os dois, pois ambos têm de permanecer ou cair juntos.

[. . . . nossa mente-cérebro descobrindo a si mesma . . . . fora de si mesma, assim o faz precisamente porque ela, em si, é apenas uma manifestação da Mente Superior ou Universal.]

Precisamente assim; e, portanto, a filosofia oculta nos ensina que a mente humana (ou Manas inferior) é um raio direto ou reflexo do Princípio Superior, a Mente Noética.

Esta última é o Ego reencarnante que os antigos filósofos arianos chamam de Manasaputra, os "Filhos da Mente" ou de Mahat, a Mente Cósmica Universal.

Nos Purânas hindus (ver Vishnu Purâna), Mahat é idêntico a Brahmâ, o Deus criador, o primeiro no grupo trinitário (Trimurti) de Brahmâ, Vishnu e Siva.

[Sobre o assunto de conceitos abstratos na Ciência.] O Professor Stallo ilustrou e demonstrou admiravelmente essa verdade em seus *Conceitos da Ciência Moderna* — de uma ciência minada por metafísica e abstrações puras.

[Matemáticos que agora discutem . . . uma quarta dimensão, podem encontrar . . . . a necessidade . . . . de também uma quinta dimensão.] Se o Dr. Pirogoff, um eminente cientista, assim pensava, então a filosofia oculta dificilmente pode ser censurada e declarada anticientífica por aceitar a existência de um espaço de sete dimensões em coordenação com os sete estados de consciência.

[Concernente à existência do ilimitado e do imensurável, comparada pelo autor a um novo continente que ele pensa que talvez nunca seja totalmente descoberto.] Por que não, quando no curso da evolução natural nossa "mente-cérebro" será substituída por um organismo mais sutil, e auxiliada pelo sexto e pelo sétimo sentidos? Mesmo agora, há mentes pioneiras que desenvolveram esses sentidos.


[Quanto a um Princípio superior, independente da matéria que ele rege.] Independente, fora do espaço e do tempo; mas dependente, dentro destes, apenas da matéria e da substância, para manifestar sua presença nos fenômenos.

[Encontramo-nos confinados dentro de um círculo mágico.

Por um lado . . . nossa própria mente orgânica; por outro . . . . as obras externas da inteligência criativa, que testemunham inegavelmente a existência de outra mente, com atributos para a criação não apenas semelhantes aos nossos, mas imensuravelmente superiores aos nossos.]

A filosofia Vedanta sai desse "círculo mágico" ao ensinar que tanto a nossa própria mente quanto a Mente Universal (Mahat)—esta última em seus atos de diferenciação e criações limitadas—são ambas ilusões.

Pois, assim como nossas mentes são apenas o produto da Mente Universal, esta última é apenas um raio diferenciado da Mente Absoluta ou Não-Mente.

O UNO, ou Absolutidade, é a única realidade eterna.

[O princípio de vida . . . . . deve possuir as propriedades da Força e ser transformado em átomos materiais . . . . .]

Nossa filosofia nos ensina que os átomos não são matéria; mas que a menor molécula—composta de bilhões de átomos indivisíveis e imponderáveis––é substância.

No entanto, o átomo não é um ponto matemático ou uma ficção; mas verdadeiramente uma Entidade imutável, uma realidade dentro de uma aparência—sendo a molécula, na filosofia oculta, apenas uma figuração daquilo que se chama maya ou ilusão.

O átomo informa a molécula, assim como a vida, o espírito, a alma e a mente informam o Homem.

Portanto, o átomo é tudo isso, e a própria Força, como o Dr. Pirogoff suspeitava.

Durante o ciclo de vida, o átomo representa, de acordo com as combinações geométricas de seus agrupamentos na molécula, vida, força (ou energia), mente e vontade; pois cada molécula no espaço, assim como cada célula no corpo humano, é apenas um microcosmo dentro de (para ele) um macrocosmo relativo.

Aquilo que

PROBLEMAS DA VIDA

A ciência refere-se como Força, conservação de energia, correlação, continuidade, etc., etc., é simplesmente os vários efeitos produzidos pela presença dos átomos, que são, de fato, em sua coletividade, simplesmente as centelhas (espirituais) no plano manifestado, lançadas pela Anima Mundi, a Alma ou Mente Universal (Maha-Buddhi, Mahat) a partir do plano do Não-Manifestado.

Em suma, o átomo pode ser descrito como um ponto compacto ou cristalizado de Energia e Ideação divinas.

[Sem força, sem seus atributos antagônicos à Substância, esta última, com sua inércia e outras propriedades, tornar-se-ia inconcebível.]

Claude Bernard, um dos maiores fisiologistas desta era, disse que a matéria organizada era por si só inerte — mesmo a matéria viva, nesse sentido, ele explica, "deve ser considerada como carente de espontaneidade", embora possa tornar-se e manifestar suas propriedades especiais de vida, sob a influência de excitação, pois, acrescenta ele, "a matéria viva é irritável". Se assim é, então a negação materialista da vida e da mente fora e independente da matéria torna-se uma falácia condenada por sua própria boca.

Pois para excitá-la, deve haver um agente fora da matéria que o faça. E se existe tal agente para irritar ou excitar a matéria, então o materialista e o fisiologista não podem mais dizer que "a vida é uma propriedade da matéria ou da substância viva organizada". O Dr. Paul Gibier — o mais recente convertido científico à psicologia transcendental — opõe-se a isso e diz que, "se a matéria viva organizada fosse de fato inerte, exigindo um estimulante exterior para manifestar suas propriedades, tornar-se-ia incompreensível como a célula hepática pudesse continuar, como bem demonstrado, a secretar açúcar muito tempo depois de o fígado ter sido separado do corpo". O Ocultismo diz que não existe tal coisa como matéria inerte, morta ou mesmo inorgânica.

Assim como a esponja é produto da água, criada, vivendo e morrendo na água, seja oceano ou lago, após o que muda de forma mas nunca pode morrer em suas partículas ou elementos, assim é a matéria.

Ela é criada e informada pela vida no Oceano da Vida, cuja VIDA é apenas outro nome para a Mente Universal ou Anima Mundi, uma das "quatro faces de Brahmâ" neste nosso plano manifestado, o universo visível.


[. . . . à minha concepção de espaço e tempo ilimitados está unida a do movimento; o tempo — é o movimento abstrato no espaço, isto é, a força atuando no espaço e transformando-se, por essa própria ação, em substância.]

A filosofia oculta explica a origem primeva do universo manifestado precisamente dessa maneira.

[Acerca da palavra empirismo.] Na Rússia, a palavra não está ligada a charlatanismo e curandeirismo, mas é um termo aceito na Ciência, no sentido que lhe foi dado por Sir W. Hamilton, ou seja, "em linguagem filosófica, o termo empírico significa simplesmente o que pertence a, ou é o produto da experiência e observação" mais a Ciência.

[. . . . aquilo que, em nós, sente, o princípio sensitivo . . . não pode ser localizado nesta ou naquela porção do cérebro; tampouco é inteiramente correto considerar o cérebro como sua única sede.]

Experimentos mesméricos e hipnóticos provaram, além de qualquer dúvida, que a sensação pode tornar-se independente do sentido particular que, em estado normal, supostamente a gera e a transmite.

Quer a ciência algum dia venha a provar ou não que o pensamento, a consciência, etc., em suma, o *sensus internum*, tem sua sede no cérebro, já está demonstrado e é inquestionável que, sob certas condições, nossa consciência e até mesmo todo o conjunto de nossos sentidos podem atuar através de outros órgãos, por exemplo, o estômago, as solas dos pés, etc.

O “princípio sensitivo” em nós é uma entidade capaz de atuar fora, assim como dentro, de seu corpo material; e é certamente independente de qualquer órgão em particular em suas ações, embora durante sua encarnação se manifeste através de seus órgãos físicos.

[Não poderá nosso Eu vir de fora, e não poderá ser o próprio Pensamento universal que encontra e usa o cérebro como um aparato.]

É precisamente isso que a filosofia oculta afirma; nosso Ego é um raio da Mente Universal, individualizado pelo

PROBLEMAS DA VIDA

espaço de um ciclo de vida cósmico, durante o qual espaço de tempo ele adquire experiência em quase inúmeras reencarnações ou renascimentos, após o que retorna à sua Fonte Parental.

[Estranha e incompreensível é essa faculdade do nosso Eu de se dividir em dois.] Talvez parecesse menos “estranha e incompreensível” se os psicólogos científicos examinassem aquela doutrina do ocultismo que mostra no homem dois Egos (dois aspectos do mesmo princípio divino), o superior, ou Individualidade, e o inferior, ou Personalidade, em outras palavras, o homem divino e o animal.

São esses dois que, durante nossa vida, estão em luta incessante, um tentando gravitar para o alto, o outro arrastado por sua natureza animal para a terra terrena.

[Quanto à indagação do autor se suas especulações sobre psicologia não poderiam parecer um absurdo errante] Não vemos por quê.

Para o psicólogo materialista (isto é, fisiologista), todo o conjunto de conceitos de mundo do Dr. Pirogoff parecerá “absurdo”, é claro; mas o metafísico e o teosofista aplaudirão quase cada palavra que ele diz; lamentando apenas que homens de natureza tão profundamente intuitiva sejam tão raros entre os homens da ciência.

Que estudioso com uma reputação a zelar teria tamanha honestidade e franqueza?

[. . . . há muitas percepções plenamente conscientes, que são tão evanescentes que desaparecem quase instantaneamente do círculo de nossa atividade consciente e não são retidas pela memória.]

Essa afirmação científica jamais será aceita por um Ocultista oriental, pois ele diria que nada do que acontece, nenhuma manifestação, por mais rápida ou débil que seja, pode jamais perder-se do registro skándhico da vida de um homem.

Nem a menor sensação, a mais trivial ação, impulso, pensamento, impressão ou feito pode desvanecer-se ou extinguir-se, ou sair do Universo.

Podemos pensar que não foi registrada por nossa memória, não percebida por nossa consciência, mas ainda assim estará gravada nas tábuas da luz astral.

A memória pessoal é uma ficção do fisiologista.

Há células em nosso cérebro que recebem e transmitem sensações e impressões, mas, uma vez feito isso, sua missão está cumprida.

Essas células do suposto "órgão da memória" são as receptoras e transmissoras de todas as imagens e impressões do passado, não suas retentoras.

Sob diversas condições e estímulos, elas podem receber instantaneamente de volta o reflexo dessas imagens astrais, e a isso se chama memória, recordação, lembrança; mas elas não as preservam.

Quando se diz que alguém perdeu a memória, ou que ela se enfraqueceu, é apenas uma façon de parler; são somente as nossas células de memória que estão enfraquecidas ou destruídas.

O vidro da janela permite-nos ver o sol, a lua, as estrelas e todos os objetos externos com clareza; rache o vidro e todas essas imagens externas serão vistas de forma distorcida; quebre o vidro por completo e substitua-o por uma tábua, ou baixe a persiana, e as imagens serão totalmente excluídas de sua vista.

Mas podeis dizer, por causa disso, que todas essas imagens — sol, lua e estrelas — desapareceram, ou que, reparando a janela com um vidro novo, as mesmas não se refletirão novamente em vosso aposento? Há casos registrados de longos meses e anos de insanidade, de longos dias de febre, em que quase tudo o que foi feito ou dito o foi inconscientemente.

No entanto, quando os pacientes se recuperavam, lembravam-se ocasionalmente de suas palavras e feitos, e de forma bem completa.

A cerebração inconsciente é um fenômeno neste plano e pode ser válida no que concerne à mente pessoal.

Mas a Memória Universal preserva cada movimento, a mais leve onda e sentimento que ondula as ondas da natureza diferenciada, do homem ou do Universo.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                      POR QUE O “VAHAN”

POR QUE O “VAHAN”?                          [The Vahan, Vol.

I, No. 1, 1º de dezembro de 1890, pp. 1-3]

Porque a palavra significa um Veículo.

Na metafísica teosófica, esse termo denota uma base, algo como um portador, mais substancial do que aquilo que carrega; por exemplo, Buddhi, a Alma espiritual, é o Vahan de Atma—o “princípio” puramente imaterial.

Ou ainda, como na fisiologia, nosso cérebro é o suposto veículo físico ou Vahan do pensamento superfísico.

Assim, este pequeno jornal quinzenal está destinado a servir como portador do pensamento teosófico e registrador de todas as atividades teosóficas.

O empreendimento não é especulação financeira, mas decididamente uma despesa adicional que nossos parcos fundos mal podem arcar, mas que nosso dever nos insta a realizar.

O jornal será enviado gratuitamente às nossas Filiais Britânicas e aos Membros “não vinculados”.

Também se destina àqueles que não podem assinar nossas revistas regulares, mas os mais abastados se beneficiarão junto com os mais pobres, pelas seguintes razões.

O Karma daqueles que podem, mas não assinam os órgãos de sua Sociedade, seja por indiferença ou qualquer outra causa, é deles; mas o dever de manter todos os Membros em contato conosco e a par dos eventos teosóficos—é nosso.

Pois muitos daqueles que estão virtualmente isolados de quase tudo que acontece nos centros teosóficos perdem rapidamente o interesse no movimento e continuam daí em diante “Membros” apenas no nome.

Sempre se considerou que um verdadeiro teosofista não deve ter fins pessoais a servir, nenhum hobby favorito a propagar, nenhuma doutrina especial a impor ou defender.

Pois, para merecer o honroso título de teosofista, é preciso ser altruísta, acima de tudo; alguém sempre pronto a ajudar igualmente inimigo ou amigo, a agir em vez de falar; e instar outros à ação, enquanto nunca perde uma oportunidade de trabalhar ele mesmo.

Mas, se nenhum verdadeiro teosofista jamais ditará a seu

irmão ou vizinho no que este deve acreditar ou não, nem forçá-lo a agir de acordo com linhas que lhe possam ser desagradáveis, por mais adequadas que lhe pareçam, há outros deveres que ele tem de cumprir: (a) advertir seu irmão de qualquer perigo que este possa não ver; e (b) compartilhar seu conhecimento––se o tiver adquirido––com aqueles que foram menos afortunados do que ele em oportunidades de adquiri-lo. Agora, embora estejamos dolorosamente cientes de que um bom número de membros se filiou à S.T. por simples curiosidade, enquanto outros, permanecendo por algum tempo sem contato com o movimento, perderam o interesse nele, nunca devemos perder a esperança de reavivar esse interesse.

Muitos são os Sócios que, tendo falhado a princípio em ajudar a causa, tornaram-se agora sinceros "membros ativos", como são chamados.

Portanto, dizemos hoje a todos: "Se vocês realmente quiserem ajudar a nobre causa—devem fazê-lo agora: pois, mais alguns anos e seus esforços, bem como os nossos, serão em vão." O mundo move-se em ciclos, que procedem sob o impulso de duas Forças mutuamente antagônicas e destruidoras, uma lutando para impelir a Humanidade adiante, rumo ao Espírito, a outra forçando a Humanidade a gravitar para baixo, para os próprios abismos da matéria.

Cabe aos homens ajudar a uma ou a outra.

Assim, também, é nossa tarefa atual, como Teosofistas, ajudar em uma ou outra direção.

Estamos bem no meio da escuridão egípcia da Kali-yuga, a "Era Negra", cujos primeiros 5.000 anos, seu primeiro ciclo sombrio, preparam-se para se encerrar sobre o mundo entre e 1898. A menos que consigamos colocar a S.T. antes dessa data no lado seguro da corrente espiritual, ela será varrida irremediavelmente para o Abismo chamado "Fracasso", e as frias ondas do esquecimento se fecharão sobre sua cabeça condenada.

Assim terá perecido ignominiosamente a única associação cujos objetivos, regras e propósitos originais correspondem em cada particular e detalhe––se estritamente cumpridos––ao pensamento fundamental e mais íntimo de todo grande Adepto Reformador, o belo sonho de uma FRATERNIDADE UNIVERSAL DA HUMANIDADE.

Em verdade, de corpos filantrópicos, políticos e religiosos temos muitos.

Clubes, congressos, associações, uniões,

O PRÓDIGO                   Pintura em moldura esculpida à mão por Reginald Willoughby Machell.

Encontra-se agora nas coleções permanentes da Sociedade Histórica de San Diego, no Museu Junípero Serra, um presente de Iverson L. Harris.

Consulte o Apêndice Bio-Bibliográfico para uma bibliografia do Artista.

POR QUE os refúgios do “VAHAN”, sociedades, cada uma delas uma protetora social de homens e nações especiais, artes e ciências especiais, ou um baluarte contra este ou aquele mal, surgem diariamente, cada uma movida por seu próprio espírito partidário ou sectário.

Mas qual delas é estritamente universal, boa para todos e prejudicial a ninguém? Qual delas responde plenamente à nobre injunção dos Arhats budistas e também do Rei A oka? “Quando plantares árvores ao longo das estradas, permite que sua sombra proteja tanto o ímpio quanto o bom.

Quando construíres uma Casa de Repouso, que suas portas se abram para homens de todas as religiões, para os de credo oposto ao teu, e para teus inimigos pessoais tanto quanto para teus amigos.” Nenhuma, dizemos, nenhuma exceto a nossa própria Sociedade, um corpo puramente não sectário e desinteressado; a única que não tem objetivo partidário em vista, que está aberta a todos os homens, bons e maus, humildes e elevados, tolos e sábios––e que a todos chama de “Irmãos”, independentemente de sua religião, raça, cor ou posição na vida.

A todos estes dizemos agora: Como “Não há Religião superior à Verdade”, nenhuma divindade maior do que esta, nenhum dever mais nobre do que o autossacrifício, e que o tempo para a ação é tão curto—não porá cada um de vós o ombro à roda do pesado carro da nossa Sociedade e nos ajudará a conduzi-lo em segurança através do abismo da matéria, para o lado seguro? H.P.B.

–––––––––– Escritos Reunidos VOLUME XII [O DEPARTAMENTO ORIENTAL] [O texto desta comunicação existe apenas sob a forma de uma cópia, cujo original não se sabe existir.

Como o Departamento Oriental foi organizado por William Quan Judge, é muito provável que o destinatário desta carta tenha sido o Sr. Judge.

O primeiro documento deste Departamento foi emitido em janeiro de 1891, sob o título de Alguns Costumes de Âryâvarta, e foi da pena do Swâmi Bhaskara Nand Sarasvatî, de Jodpore, Índia.]

Em minha capacidade individual, desejo por meio desta aprovar a proposta de meu velho amigo, William Q. Judge, de que a Seção Indiana da Sociedade Teosófica comece agora, mais definitivamente do que até então, a auxiliar na realização do segundo objetivo da Sociedade por meio de um Departamento que terá como trabalho especial o envio, através da Sede Indiana, em conjunto com as da Europa e da América, de traduções de várias obras em hindi, sânscrito, tâmil e outras sobre religião, filosofia e ocultismo até então inéditas, bem como de outros materiais, para que os membros da Sociedade no Ocidente possam ser assim auxiliados e encorajados, e um sentimento mais forte de solidariedade seja estabelecido entre o Oriente e o Ocidente; e insto fortemente nossos irmãos indianos e outros orientais a executarem imediatamente este projeto por todos os meios disponíveis e adequados.


H. P. BLAVATSKY.

Londres, 12 de dezembro de 1890.       Escritos Reunidos VOLUME XII 422       BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS 424   BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS                     Escritos Reunidos VOLUME XII                                    JÓIAS DO ORIENTE

Jóias do Oriente                                       UM LIVRO DE ANIVERSÁRIO                                      De Preceitos e Axiomas

Compilado por H.P.B.                                      E Ilustrado por F.W.


O orvalho está sobre o lótus! –– Levanta-te, Grande Sol!                    E ergue minha folha e mistura-me com a onda.

Om mani padme hum, o amanhecer chega!                    A gota de orvalho desliza para o Mar Brilhante!

––EDWIN ARNOLD, A Luz da Ásia, Livro 8.

JÓIAS DO ORIENTE

PREFÁCIO

Poucas palavras serão necessárias a título de prefácio para estas "Jóias do Oriente".     Numa época em que as mentes ocidentais estão ocupadas no estudo da Literatura Oriental, atraídas possivelmente por sua riqueza de expressão e imagens maravilhosas, mas não menos pela filosofia de vida ampla e profunda, e pelas doces doutrinas altruístas nela contidas, julga-se oportuno apresentar ao público um pequeno volume útil e atraente como este.

Os Preceitos e Aforismos, compilados por "H.P.B.", são colhidos principalmente de escritos orientais considerados como incorporando, em parte, ensinamentos que agora atraem tanta atenção no Ocidente, e para cuja difusão a Sociedade Teosófica é principalmente responsável.

Na medida do possível, procuramos tornar o volume atraente, prático e útil a todos.

Ele contém um Preceito ou um Axioma para cada dia do ano; linhas de natureza teosófica, selecionadas de fontes nem sempre orientais, precedem cada mês; e o todo é adornado com desenhos da pena de F.W., uma senhora teosofista.

Espera-se que nossos esforços obtenham a aprovação de todos os amantes do bem e do belo, e que não sejam sem efeito na causa da VERDADE.

W.R.O. [Walter R. Old] "NÃO HÁ RELIGIÃO MAIS ALTA QUE A VERDADE."


JANEIRO

"UTTISHTHA! – Levanta-te! Desperta!                         Busca os grandes Mestres, e atende! A estrada                         É estreita como o fio de uma navalha! Difícil de trilhar!"                         "Mas quem uma vez percebe AQUELE que É;                         Sem nome, Invisível, Intangível,                         Sem corpo, Não diminuído, Não ampliado,                         Aos sentidos não revelado, sem fim,                         Sem começo, Atemporal, Mais alto que a altura,                         Mais profundo que a profundeza! Eis! Tal homem está salvo!                         A morte não tem poder sobre ele!"

O SEGREDO DA MORTE.

(Do Katha Upanishad,                                                               Seção I, Pt. iii, 14-15.)

GEMAS DO ORIENTE

JANEIRO

O primeiro dever ensinado na Teosofia é cumprir o próprio dever inabalavelmente em relação a cada dever.

O coração que segue os sentidos errantes desvia o julgamento, assim como o vento       leva um barco para longe do rumo sobre as águas.

Aquele que se despoja de todos os desejos, vivendo livre de apegos e livre do egoísmo,       obtém a bem-aventurança.

Para todo homem que nasce, um machado nasce em sua boca, com o qual o tolo se       corta, ao proferir palavras más.

Assim como todos os vasos de barro feitos pelo oleiro terminam em se quebrar, assim é a vida dos       mortais.

Os sábios são portadores de luz.

Uma vida justa, uma vida religiosa, esta é a melhor gema.

Tendo provado a doçura da ilusão e da tranquilidade, a pessoa se torna livre do       medo e livre do pecado, bebendo a doçura do Dhamma (lei).          A falsa amizade é como uma planta parasita, ela mata a árvore que abraça.

Corta o amor ao eu, como um lótus de outono, com tua mão! Cultiva o caminho da       paz.

Homens que não observaram a disciplina adequada e não acumularam tesouro em       sua juventude, perecem como garças velhas em um lago sem peixes.


Assim como a abelha coleta néctar e parte sem ferir a flor, nem sua cor ou       perfume, assim deixe um Sábio habitar em sua aldeia.

Assim como a chuva não atravessa uma casa bem coberta de palha, a paixão não       atravessará uma mente bem refletida.

Aquele que tem muitos amigos, tem tantos candidatos a inimigos.

Só é sábio aquele que mantém o domínio de si mesmo.

Busca refúgio em tua alma; tem ali o teu Céu! Despreza aqueles que seguem a virtude por seus dons! Toda a nossa dignidade consiste no pensamento; portanto, esforcemo-nos por pensar bem; pois esse é o princípio da moral.

A lisonja é uma moeda falsa que circula apenas por causa de nossa vaidade.

A estreiteza de espírito causa obstinação; não acreditamos facilmente no que está além daquilo que vemos.

A alma amadurece em lágrimas.

Isto é a verdade que o poeta canta––
Que a coroa de dores de uma tristeza
É lembrar de coisas mais felizes.

O almíscar é almíscar por sua própria fragrância, e não por ser chamado de perfume pelo boticário.

Nem todo aquele que está pronto para uma disputa é igualmente rápido nos negócios.

JOIAS DO ORIENTE

Nem toda forma graciosa contém uma disposição igualmente graciosa.

Se cada seixo se tornasse um rubi de valor inestimável, então seixo e rubi se tornariam de igual valor.

Todo homem julga sua própria sabedoria infalível, e toda mãe seu próprio filho belo.

Se a sabedoria desaparecesse subitamente do universo, ninguém ainda suspeitaria de si mesmo ser um tolo.

Um estômago estreito pode ser satisfeito em seu contentamento, mas uma mente estreita nunca será satisfeita, nem mesmo com todas as riquezas do mundo.

Aquele que negligencia seu dever para com sua consciência, negligenciará pagar sua dívida para com seu próximo.

Ácaro somado a ácaro torna-se um grande monte; o monte no celeiro consiste de pequenos grãos.

Aquele que não prova do teu pão durante tua vida, não mencionará teu nome quando estiveres morto.


FEVEREIRO

"Eis que nada sabemos;
Só posso confiar que o bem cairá
Por fim––longe––por fim, para todos,
E todo inverno se tornará primavera.

"Assim corre meu sonho: mas o que sou eu?
Um infante chorando na noite:
Um infante chorando pela luz:
E sem outra linguagem senão um choro."––
TENNYSON, In Memoriam FEVEREIRO


Duas coisas são impossíveis neste mundo de Maya: desfrutar mais do que o Karma tenha destinado; morrer antes que tua hora tenha soado.

Um estudante sem inclinação para o trabalho é como um esquilo em sua roda, não faz progresso algum.

Um viajante sem observação é um pássaro sem asas.

Um homem erudito sem discípulos é uma árvore que não dá frutos; um devoto sem boas obras é uma morada sem porta.

Quando o Destino nos alcança, o olho da Sabedoria torna-se cego.

Mantém teus olhos abertos, ou o Destino os abrirá por ti.

Aquele que beija a mão que não pode cortar terá sua cabeça cortada pela mão que agora beija na próxima reencarnação.

Aquele que cuida de seus afazeres, aquele que ama seus companheiros, aquele que cumpre seu dever, jamais será pobre.

Mil arrependimentos não pagarão tuas dívidas.

Flores caídas não voltam a seus caules, nem amigos partidos retornam a suas casas.

Sentir a própria ignorância é ser sábio; sentir-se certo da própria sabedoria é ser tolo.

Uma prova vale mais do que dez argumentos.


Chuva pela manhã traz o sol após o meio-dia.

Quem chora hoje pode rir amanhã.

O adivinho do mal nunca conhece seu próprio destino.

Como o óleo, a verdade frequentemente flutua na superfície da mentira.

Como água clara, a verdade frequentemente subjaz à aparente falsidade.

Frequentemente, vinagre obtido de graça é mais doce para o pobre do que mel comprado.

Toda árvore tem sua sombra, toda tristeza tem sua alegria.

Os campos são danificados pelas ervas daninhas, a humanidade pela paixão.

Bem-aventurados os pacientes e os impassíveis.

O homem virtuoso que é feliz nesta vida certamente será ainda mais feliz na próxima.

O que deveria ser feito é negligenciado, o que não deveria ser feito é feito. Os pecados dos desregrados aumentam sempre.

Sem Karma, nenhum pescador poderia pegar um peixe; fora do Karma, nenhum peixe morreria em terra seca ou em água fervente.

Que cada homem primeiro se torne aquilo que ensina os outros a ser. Aquele que subjugou a si mesmo pode esperar subjugar os outros.

O próprio eu é o mais difícil de dominar.

O ódio nunca é aplacado pelo ódio; o ódio cessa ao demonstrar amor; esta é uma regra antiga.

GEMAS DO ORIENTE

O caminho da virtude reside na renúncia aos sete grandes pecados.

A melhor possessão do homem de barro é a saúde; a mais alta virtude do homem de espírito é a veracidade.

O homem caminha, e o Karma o segue juntamente com sua sombra.

A sabedoria prática diária consiste em quatro coisas: — Conhecer a raiz da Verdade, os ramos da Verdade, o limite da Verdade e o oposto da Verdade.


MARÇO

“Não digais ‘eu sou’, ‘eu fui’, ‘eu serei’,
Não penseis que passeis de casa de carne em casa de carne
Como viajantes que recordam e esquecem,
Mal alojados ou bem alojados.

Novas
Irrompem no Universo aquela soma
Que é o último das vidas.

Faz
Sua habitação como o verme tece a seda
E nela habita.

. . .”
––EDWIN ARNOLD, A Luz da Ásia, Livro 8.

GEMAS DO ORIENTE

MARÇO           Quatro coisas aumentam pelo uso:––Saúde, riqueza, perseverança e credulidade.

Para desfrutar o dia da abundância, deves ser paciente no dia da necessidade.

Expulsa a avareza do teu coração, assim soltarás as cadeias do teu pescoço.

Que o homem vença a ira pelo amor, o mal pelo bem, a ganância pela liberalidade, a mentira pela verdade.

Não fales asperamente a ninguém; aqueles a quem assim falas te responderão da mesma maneira.

Esta vida está no mundo do trabalho e da justiça retributiva; a vida que se segue está no mundo da grande recompensa.

A desculpa é melhor que a disputa; a demora é melhor que a precipitação; a relutância à contenda é melhor que a avidez em buscá-la.
           Corta toda a floresta da luxúria, não a árvore.

Quando tiveres cortado toda
       árvore e todo arbusto, então serás livre.

Os avarentos não vão ao mundo dos deuses (Devas), pois o tolo não pratica a caridade.

Aquele que refreia a ira crescente como um carro rolante é chamado verdadeiro condutor; outros são apenas detentores das rédeas.


O tolo que se ira, e que pensa triunfar usando linguagem abusiva, é sempre vencido por aquele cujas palavras são pacientes.

O melhor dos remédios é a morte; a pior das doenças é a vã antecipação.

Um temperamento fácil é um bom conselheiro, e uma língua agradável é um excelente líder.

Uma boa palavra no momento certo é melhor que um doce após as refeições.

O orgulho tolo é uma moléstia incurável; uma má esposa é uma doença crônica; e uma disposição iracunda é um fardo para toda a vida.

A verdade é mais brilhante que o sol; a verdade é o dia ensolarado da Razão, e a falsidade é a noite escura da mente.

Tudo tem um fim e desaparecerá.

Somente a verdade é imortal e vive para sempre.

A luz de toda carne é o sol; a luz da alma––a verdade eterna.

O caminho para o pecado é uma estrada larga; a saída dele, uma colina íngreme e acidentada.

A falha dos outros é facilmente percebida, mas a de si mesmo é difícil de perceber.

As pessoas boas brilham de longe como as montanhas nevadas; as pessoas más não são vistas, como flechas disparadas à noite.

Onde duas mulheres se encontram, surge um mercado; onde três se reúnem, abre-se um bazar; e onde sete conversam, começa uma feira.

JÓIAS DO ORIENTE

Conhecimento extenso e ciência, disciplina bem regulada e fala bem dita, esta é a maior bênção.

O eu sutil deve ser conhecido somente pelo pensamento; pois cada pensamento dos homens está entrelaçado com os sentidos, e quando o pensamento é purificado, então o eu surge.

Conduze-me do irreal ao real! Conduze-me das trevas à luz! Conduze-me da morte à imortalidade!

O Sábio que conhece Brahman segue adiante; no pequeno e antigo caminho que se estende ao longe, descansa no lugar celestial, e dali sobe mais alto.

Nem pelos olhos, nem pelo espírito, nem pelos órgãos sensuais, nem pela austeridade, nem por sacrifícios, podemos ver Brahma.

Somente os puros, pela luz da sabedoria e da meditação, podem ver a Divindade pura.

Pela perfeição no estudo e na meditação, o Espírito Supremo se manifesta; o estudo é um olho para vê-lo, e a meditação é o outro.

Ai de nós! Colhemos o que semeamos; as mãos que nos ferem são as nossas próprias.

Somente os pensamentos causam a roda dos renascimentos neste mundo; que o homem se esforce para purificar seus pensamentos, o que um homem pensa, isso ele é: este é o antigo segredo.

“Meus filhos são meus; esta riqueza é minha”: com tais pensamentos um tolo é atormentado.

Ele mesmo não pertence a si mesmo, muito menos filhos e riqueza.


ABRIL

“A alma intocada,
Maior que todos os mundos (porque os mundos
Por ela subsistem); menor que as sutilezas
Das coisas mais minúsculas; última das últimas;
Senta-se no coração oco de tudo que vive!
Quem quer que tenha deixado de lado o desejo e o medo,
Seus sentidos dominados, e seu espírito quieto,
Vê na luz tranquila da verdade
Eterna, segura, majestosa––SUA ALMA!”

O SEGREDO DA MORTE.

(Do Katha Upanishad, Seção I, Pt. ii, 20.) ABRIL


Aquele que abandona a companhia dos tolos, une-se aos sábios.

O Self está oculto em todos os seres e não brilha; mas é visto por videntes sutis, através de seu intelecto aguçado e sutil.

A paciência conduz ao poder; mas a avidez na ganância conduz à perda.

Três coisas tornam um pobre homem rico: cortesia, consideração pelos outros e a evitação da suspeita.

Quando a confiança se vai, o infortúnio entra; quando a fé está morta, nasce a vingança; e quando a traição aparece, todas as bênçãos voam para longe.

O mundo existe por causa; todas as coisas existem por causa; e os seres estão ligados pela causa, assim como a roda do carro em movimento pelo pino do eixo.

A alma viva não é mulher, nem homem, nem neutro; qualquer corpo que assuma, a esse apenas está unida.

Aquele que desejou alcançar a Budeidade e aspira ao conhecimento do Autogerado deve honrar aqueles que guardam esta doutrina.

Assim como a aranha que sobe pelo seu fio ganha espaço livre, assim também aquele que se empenha em subir pela palavra conhecida OM ganha independência.

A roda do sacrifício tem o Amor como cubo, a Ação como pneu e a Fraternidade como raios.


O homem consiste em desejos.

E assim como é seu desejo, assim é sua vontade, assim é sua ação; e qualquer ação que ele faça, essa ele colherá.

Uma pedra torna-se planta; uma planta, animal; o animal, homem; o homem, Espírito; e o Espírito––DEUS.

Não existe lugar na terra, nem no céu, nem no mar, nem nas fendas das montanhas, onde uma má ação não traga problemas ao seu autor.

Quem, não sendo uma pessoa santificada, finge ser um Santo, é de fato o mais baixo de todos os homens, o ladrão em todos os mundos, incluindo o de Brahma.

Se um homem que convive comigo (Buda) não conforma sua vida aos meus mandamentos, que benefício lhe trarão dez mil preceitos?

Quem fere será ferido; quem mostra rancor encontrará rancor; assim, da injúria vem a injúria, e ao que se ira vem a ira.

“Ele me abusou, ele me injuriou, ele me bateu, ele me subjugou”; quem guarda isso na mente e sente ressentimento não encontrará paz.

Como uma bela flor, cheia de cor, mas sem perfume, são as palavras belas mas infrutíferas daquele que não age de acordo.

Quando tua mente tiver ultrapassado a mácula da ilusão, então te tornarás indiferente a tudo o que ouviste ou ouvirás.

Os sábios guardam o lar da ordem da natureza; assumem formas excelentes em segredo.


Se perdes, e com isso ganhas toda a sabedoria, tua perda é teu ganho.

Esvazia tua mente do mal, mas enche-a com o bem.

Grandes obras não exigem grande força, mas perseverança.

O sono é apenas o nascimento na terra da Memória; o nascimento, apenas um sono no esquecimento do Passado.

Perdoar sem esquecer é reprovar novamente o malfeitor toda vez que o ato nos volta à mente. Todo homem contém dentro de si a potencialidade da imortalidade, equilibrada pelo poder da escolha.

Aquele que vive em uma cor do arco-íris é cego para as demais. Vive na luz difundida através do arco inteiro, e conhecerás tudo.

Toda vez que o crente pronuncia a palavra OM, renova a lealdade à potencialidade divina consagrada dentro da Alma.

As pessoas falam do Diabo. Todo homem já o viu; ele está em todo coração pecaminoso.

O Eu Superior conhece a mais alta morada de Brahman, que contém tudo e brilha tão intensamente. Os sábios que, sem desejar a felicidade, adoram esse EU, não nascem de novo.

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS                                                MAIO                    Estou cansado de conjecturas — isto deve pôr-lhes fim.

Assim estou duplamente armado: minha morte e minha vida,                    Meu veneno e meu antídoto, estão ambos diante de mim:                    Isto em um momento me leva ao fim;                    Mas isto me informa que jamais morrerei.

A alma, segura em sua existência, sorri                    Do punhal desembainhado e desafia sua ponta.

As estrelas se desvanecerão, o próprio sol                    Escurecerá com a idade, e a natureza sucumbirá aos anos;                    Mas tu florescerás em juventude imortal,                    Ilesa em meio à guerra dos elementos,                    Aos destroços da matéria e ao esmagamento dos mundos.

— ADDISON, Cato, Ato I, Cena I, linhas 20-31.


MAIO

O Espírito eterno está em toda parte. Ele se ergue envolvendo o mundo inteiro.

Aquele que alimenta o faminto antes de saciar a própria fome prepara para si alimento eterno. Aquele que renuncia a esse alimento em prol de um irmão mais fraco é — um deus.

O altar sobre o qual o sacrifício é oferecido é o Homem; o combustível é a própria fala, a fumaça o sopro, a luz a língua, as brasas o olho, as faíscas o ouvido.

Um momento na eternidade é tão importante quanto outro momento, pois a eternidade não muda, nem uma parte é melhor que outra parte.

Melhor seria que um homem comesse um pedaço de ferro flamejante do que quebrasse seus votos.

Até um homem bom vê dias maus, enquanto suas boas ações não amadureceram; mas quando amadureceram, então o homem bom vê dias felizes.

Por si mesmo o mal é feito, por si mesmo se sofre; por si mesmo o mal é deixado de fazer, por si mesmo se é purificado.

A pureza e a impureza pertencem a si mesmo; ninguém pode purificar outro.

O Eu é o senhor do Eu: quem mais poderia ser o senhor! Com o eu bem subjugado, um homem encontra um mestre como poucos podem encontrar.

Se um homem pode conquistar em batalha mil vezes mil homens, e se outro conquistar a si mesmo, ele é o maior dos dois conquistadores.


Quem é o grande homem? Aquele que é mais forte na paciência.

Aquele que pacientemente suporta a injúria e mantém uma vida irrepreensível––esse é um homem de verdade! Se praticaste más ações, ou se as praticarias, podes erguer-te e correr para onde quiseres, mas não podes libertar-te do teu sofrimento.

Há um caminho que leva à Riqueza; há outro caminho que leva ao Nirvana.

Uma má ação não se transforma de repente como leite que coalha; é como fogo que arde sob as cinzas, que queima o tolo.

Uma má ação não mata instantaneamente, como uma espada, mas segue o malfeitor em seu próximo e ainda no próximo renascimento.

O caluniador é como aquele que atira terra a outro quando o vento está contrário; a terra apenas retorna a quem a atirou. O homem virtuoso não pode ser ferido; a miséria que seu inimigo infligiria volta sobre ele mesmo.

A Natureza é sustentada pelo antagonismo.

As paixões, a resistência, o perigo são educadores.

Adquirimos a força que superamos.

Se um homem compreende o eu dizendo "Eu sou Ele", o que poderia desejar ou ansiar que o fizesse definhar pelo corpo? Aquela palavra que todos os Vedas registram, que todas as penitências proclamam, que os homens desejam quando vivem como discípulos religiosos, essa palavra eu te digo brevemente: é OM. GEMS FROM THE EAST

Assim como uma pessoa que viu alguém em um sonho o reconhece depois, também aquele que alcançou a devida concentração da mente percebe o EU Superior.

É melhor cumprir o próprio dever, ainda que imperfeitamente, do que executar bem o dever de outro.

O sábio que conhece o Ser como sem corpo dentro dos corpos, como imutável entre as coisas mutáveis, como grande e onipresente, jamais se entristece.

O caminho da virtude reside na renúncia à arrogância e ao orgulho.

Aquele que prejudica outro injustamente se arrependerá, ainda que os homens o aplaudam; mas aquele que é prejudicado está a salvo do arrependimento, ainda que o mundo o condene.

Há mais coragem em enfrentar o mundo com a verdade sem disfarces do que em descer à cova de uma fera selvagem.

A verdadeira clemência está em renunciar à vingança, quando está em seu poder; a verdadeira paciência está em suportar as decepções.

O homem feliz deve preparar-se antes que o dia mau chegue; e quando ele chegar, que o pensamento de que todo homem bom e grande foi feito para sofrer em algum momento o console.

A riqueza nas mãos de quem não pensa em ajudar a humanidade com ela, certamente se transformará um dia em folhas secas.

Assim como a noite segue o dia, a desgraça é a sombra da alegria; o Carma distribuindo suas sortes com ambas as mãos.


A águia não apanha moscas; mas até a águia é perturbada por elas.

JÓIAS DO ORIENTE                                                 JUNHO

“Há o ‘verdadeiro’ Conhecimento.

Aprende que é isto:                      Ver uma Vida imutável em todas as Vidas,                      E no Separado, Um Inseparável.

Há o Conhecimento imperfeito: aquele que vê                      As existências separadas,                      E, estando separado, as considera reais.

Há o falso Conhecimento: aquele que se apega cegamente                      A um como se fosse tudo, sem buscar a Causa,                      Privado de luz, estreito, e obtuso, e ‘escuro’.”                                                —EDWIN ARNOLD, O Canto Celestial, Livro 8.


JUNHO

Julgue a árvore por seus frutos, o homem por suas ações.

A Teosofia não é a aquisição de poderes, sejam psíquicos ou intelectuais, embora ambos sejam seus servos.

Tampouco é a Teosofia a busca da felicidade, como os homens entendem a palavra; pois o primeiro passo é o sacrifício, o segundo, a renúncia.

A vida é construída pelo sacrifício do indivíduo ao todo.

Cada célula do corpo vivo deve sacrificar-se para a perfeição do todo; quando assim não é, a doença e a morte impõem a lição.

A Teosofia é a ciência da vida, a arte de viver.

A harmonia é a lei da vida, a discórdia sua sombra; donde brota o sofrimento, o mestre, o despertador da consciência.

Através da alegria e da tristeza, da dor e do prazer, a alma chega ao conhecimento de si mesma.

Os olhos da sabedoria são como as profundezas do oceano; não há neles nem alegria nem tristeza.

Portanto, a alma do discípulo deve tornar-se mais forte que a alegria e maior que a tristeza.

Odeiamos apenas aqueles que invejamos ou tememos.

O autoconhecimento é inatingível pelo que os homens costumam chamar de "autoanálise". Não se alcança pelo raciocínio nem por quaisquer faculdades cerebrais.

O verdadeiro autoconhecimento é o despertar para a consciência da natureza divina do homem.


A Vontade é a prole do Divino, o Deus no homem; o Desejo, a força motriz da vida animal.

A Vontade é a posse exclusiva do homem.

Ela o separa do bruto, em quem apenas o desejo instintivo é ativo.

Obter o conhecimento de si mesmo é uma realização maior do que comandar os elementos ou conhecer o futuro.

O grande lema do Verdadeiro é este — em última análise, todas as coisas são divinas.

O medo é o escravo da Dor, e a Rebelião sua cativa.

A Resistência é a livre companheira da Tristeza, e a Paciência sua senhora.

O esposo da Dor é o Êxtase, mas são poucas as almas em que esse casamento se consuma.

Espiritualidade não é o que entendemos pelas palavras "virtude" e "bondade". É o poder de perceber essências espirituais sem forma.

A descoberta e o uso correto da verdadeira essência do Ser — este é todo o segredo da vida.

Quando o desejo é pelo puramente abstrato — quando perdeu todo traço ou matiz de "eu" — então se tornou puro.

Os Adeptos são raros como a flor da árvore Udumbara.

A única lei eterna e imutável da vida pode julgar e condenar o homem absolutamente.


A Vontade e o Desejo são ambos criadores absolutos, formando o próprio homem e seu ambiente.

A Vontade cria inteligentemente; o Desejo, cega e inconscientemente.

O homem se faz à imagem de seus desejos, a menos que se crie à semelhança do Divino, através de sua vontade, a criança da luz.

Teosofia é o veículo do espírito que dá vida; consequentemente, nada dogmático pode ser teosófico.

Alguns colhem os frutos da árvore do conhecimento para se coroarem com eles, em vez de colhê-los para comer.

Não é necessário que a verdade calce luvas de boxe.

Não se pode construir um templo da verdade martelando pedras mortas.

Seus alicerces devem precipitar-se como cristais da solução da vida.

Collected Writings VOLUME XII                                        GEMS FROM THE EAST

JULHO

“A mente, iluminada, lança fora sua tristeza!”—                     “Não é conhecida pelo conhecimento! o homem                     Não a conhece pela sabedoria! o vasto aprendizado                     Fica aquém dela! Somente pela própria alma                     É a alma percebida—quando a alma assim o quer!                     Não brilha luz senão a sua própria luz para mostrar                     A si mesma a si mesma!”                                                                    — O SEGREDO DA MORTE.

(Do Katha Upanishad,                                                                           Seção I, Pt. ii, 23.) JULHO          Não se pode preencher um vácuo a partir de si mesmo.


Quando se atinge um certo ponto, a dor torna-se seu próprio anódino.

Muitos homens seguirão um desencaminhador.

Poucos reconhecerão a verdade à primeira vista.

Considere eminentemente bom aquilo que, quando comunicado a outro, será aumentado em você mesmo.

Persuada-se de que aquelas coisas não são suas riquezas que você não possui nos recônditos do poder de raciocínio.

Quantas paixões da alma, tantos déspotas ferozes e selvagens.

Ninguém é livre que não tenha obtido o império de si mesmo.

É ofício de um músico harmonizar cada instrumento, mas de um homem bem-educado adaptar-se harmoniosamente a cada fortuna.

É excelente impedir um homem injusto; mas se isso não for possível, é excelente não agir em conjunto com ele.

Deve-se abster do pecado, não por medo, mas por causa do devir.

Desejos veementes por qualquer coisa tornam a alma cega com respeito a outras coisas.

GEMS FROM THE EAST

Muitos homens que não aprenderam a argumentar racionalmente ainda vivem de acordo com a razão.

O igual é belo em tudo, mas o excesso e a deficiência não parecem assim.

É propriedade de um intelecto divino estar sempre pensando intensamente sobre o belo.

Assim como dois pedaços de madeira podem se encontrar no oceano e, tendo se encontrado, separar-se novamente; assim é o encontro dos mortais.

A juventude é como uma torrente de montanha; a riqueza é como a poeira nos pés; a virilidade é fugaz como uma gota d'água; a vida é como espuma.

Aquele que não cumpre o dever com mente firme, o dever que abre os portais da bem-aventurança, surpreendido pela velhice e pelo remorso, é queimado pelo fogo do sofrimento.

Mesmo em uma ermida na floresta, o pecado prevalece sobre o ímpio; a contenção dos sentidos na própria casa, isso é ascetismo.

Aquele que realiza uma ação justa, livre de impureza, a casa desse homem é uma ermida na floresta.

Assim como as correntes de um rio fluem e não retornam, assim passam os dias e as noites, levando as vidas dos homens.

Não duradouros são a juventude, a beleza, a vida, a riqueza, o senhorio, a companhia do amado; não se deixem os sábios iludir por essas coisas.


Neste mundo, fugaz como ondas impelidas pela tempestade, a morte para outro é um rico prêmio conquistado pela virtude em um nascimento anterior.

A sombra de uma nuvem, o favor dos vis, o grão novo, uma flor, estes duram apenas pouco tempo; assim é com a juventude e as riquezas.

Pense o sábio na sabedoria como imperecível e imortal; cumpra ele seu dever como se a Morte o agarrasse pelos cabelos.

Se o mal for dito de ti, e se for verdade, corrige-te; se for mentira, ri disso. As pagodes são medidas por suas sombras, e os grandes homens por seus invejosos.

O sábio não diz o que faz; mas não faz nada que não possa ser dito.

O homem que encontra prazer no vício e dor na virtude ainda é um noviço em ambos.

O homem sábio faz o bem tão naturalmente quanto respira.

É um homem aquele que não se desvia do que disse.

O coração do tolo está em sua língua; a língua do sábio está em seu coração.


AGOSTO

"A morte não tem poder para matar a alma imortal, Que, quando seu corpo presente se torna pó, Busca um novo lar e, com força não diminuída, Inspira outro corpo com vida e luz.

Assim eu mesmo (bem me recordo do passado), Quando os ferozes gregos cercaram o sagrado muro de Troia, Fui o bravo Euforbo: e em conflito sombrio Derramei meu sangue sob a lança de Atrides.

O escudo que este braço carregou, há pouco vi No santuário de Juno, um troféu daquela guerra."

—JOHN DRYDEN, Fábulas, Antigas e Modernas, do 15º Livro das Metamorfoses de Ovídio, 227-36.


AGOSTO          O homem que negligencia a verdade que encontra em sua alma, para seguir sua       letra morta, é um oportunista.

Aquele que não reconhece o pão e o sal é pior que um lobo selvagem.

O homem que não hesitou em projetar sua imagem no espaço e chamá-la de Criador,       não escrupulizou em dotar Deus com seus próprios vícios.

Aquele que foi uma vez enganado, teme o mal e o suspeita até na verdade.

Kishna, o deus de cabelos dourados, não respondeu à injúria do Rei de Chedi.

Ao rugido da tempestade, e não ao uivo do chacal, o elefante responde com seu trombeta.

Não é a tenra e flexível relva que é arrancada pela tempestade, mas as árvores altas.

Os poderosos apenas guerreiam com os poderosos.

A árvore de sândalo tem serpentes; o tanque de lótus, jacarés; na felicidade há inveja.

Não há prazeres puros.

Nenhuma criatura, nenhuma coisa está livre do mal.

A árvore de sândalo tem suas raízes minadas por serpentes, suas flores atacadas por abelhas, seus ramos quebrados por macacos, seu topo comido por ursos.

Nenhuma parte dela está segura da dor.

Não te aflijas com teu sustento; a natureza o suprirá. Quando uma criatura nasce,       o seio da mãe fornece leite.


Quem deu ao cisne sua brancura, ao papagaio suas asas de verde-dourado, ao pavão suas cores de íris? Não proverá para ti aquilo que proveu para eles?           Toda boa fortuna pertence ao de mente contente.

Não está toda a terra coberta de couro para aquele que usa sapatos?           Este mundo é uma árvore venenosa, que produz dois frutos doces como mel: a essência divina       da poesia e a amizade dos nobres.

Pela queda das gotas de água, o cântaro é gradualmente preenchido; esta é a causa       da sabedoria, da virtude e da riqueza.

Que aquele que deseja viver na memória de seus semelhantes torne cada dia frutífero       pela generosidade, pelo estudo e pelas nobres artes.

Nenhum mergulho em água clara e fresca deleita tanto o oprimido pelo calor, nenhum colar de pérolas à donzela, como as palavras dos bons deleitam os bons.

Os bons variam.

Alguns são como cocos, cheios de leite doce; outros, como a jujuba,       agradáveis externamente.

Como um vaso de barro, fácil de quebrar, difícil de reunir, são os perversos; os bons são       como vasos de ouro, difíceis de quebrar e rapidamente unidos.

Não sejas amigo do perverso — carvão quando quente, queima; quando frio, enegrece os dedos.

Evita aquele que calunia em segredo e elogia abertamente; ele é como uma taça de veneno, com creme na superfície.

Um carro não pode andar com uma só roda; assim o destino falha a menos que os atos dos homens cooperem.


O nobre se deleita no nobre; o vil não; a abelha vai ao lótus do bosque; não assim a rã, embora viva no mesmo lago.

Como raios de lua tremulando na água, tal é verdadeiramente a vida dos mortais. Sabendo isso, que o dever seja cumprido.

Banha-te no rio da alma, ó homem, pois não é com água que a alma se lava pura.

A alma pura é um rio cuja santa fonte é o autodomínio, cuja água é a verdade, cuja margem é a retidão, cujas ondas são a compaixão.

De um dom a receber ou dar, de um ato a realizar, o tempo bebe o sabor, a menos que seja feito rapidamente.

Quando o fraco de mente é privado de riqueza, suas ações são destruídas, como riachos secos nas estações quentes.

Quem quer um amigo sem defeitos deve permanecer sem amigos.

Come e bebe com teu amigo, mas não negocies com ele.

Sem trabalho não se obtém mel.

Sem pesar e tristeza ninguém passa a vida.

O vinagre não apanha uma mosca, mas o mel sim.

Uma língua doce atrai a serpente para fora da terra.

Que adianta o conselho a um tolo?

JÓIAS DO ORIENTE

SETEMBRO

"Não haverá um 'Então' tão bom quanto o 'Agora'? Provavelmente muito melhor... Portanto não temo; E portanto, Santo Senhor! minha vida é alegre, Sem esquecer ainda aquelas outras vidas Dolorosas e pobres, perversas e miseráveis, Sobre as quais os deuses concedem piedade! Mas para mim, O bem que vejo humildemente procuro fazer, E vivo obediente à lei, na confiança De que o que virá, e deve vir, virá bem." —EDWIN ARNOLD, A Luz da Ásia, Livro 6.

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS SETEMBRO

Para aquele que subjugou o self pelo SELF, seu self é um amigo; mas para aquele que não subjugou os sentidos pela mente, esse self é um inimigo.

O olho é uma janela que olha para o coração.

O cérebro é uma porta pela qual o coração escapa.

Devoção e visão clara não pertencem àquele que come demais, nem àquele que não come nada; nem àquele que dorme demais, nem àquele que está demasiado desperto.

Ao fim de uma vida de estudo, o homem possuidor de conhecimento aproxima-se da Divindade; e ao fim de muitas vidas, o sábio torna-se uno com o Todo.

Pesar e ira, avareza e desejo, ilusão e preguiça, vindicatividade e vaidade, inveja e ódio, censura e calúnia — são os doze pecados destrutivos da bem-aventurança do homem.

O lobo muda a sua pelagem, e a serpente a sua pele, mas não a sua natureza.

O filhote do corvo parece-lhe um rouxinol.

O cão uiva para a lua, mas a lua não lhe dá atenção; sê como a lua.

Que a tua alma trabalhe em harmonia com a inteligência universal, como o teu sopro faz com o ar.

Que nenhuma amargura encontre entrada no coração de uma mãe.

Não pervertas o coração de um homem puro, pois ele se tornará o teu próprio primeiro inimigo.

JÓIAS DO ORIENTE

Não faças de um homem perverso o teu companheiro, nem ajas segundo o conselho de um tolo.

Não salves a tua vida à custa da de outro, pois ele tomará duas das tuas vidas em nascimentos futuros.

Não zombes dos deformados; não assumas uma postura orgulhosa diante dos teus inferiores; não firas os sentimentos dos pobres; sê bondoso com aqueles mais fracos do que tu, e caritativo para com todos os seres.

Não sacrifiques o teu filho mais fraco ao mais forte, mas protege-o.

Não te divirtas à custa daqueles que dependem de ti.

Não zombes de um homem venerável, pois ele é o teu superior.

A morte é um camelo negro que se ajoelha à porta de todos.

A morte é uma amiga e uma libertadora.

Uma pequena colina em um lugar baixo julga-se uma grande montanha.

Os homens são gnomos condenados a trabalhos forçados no reino das trevas (ou ignorância). Nós somos os verdadeiros trogloditas, moradores de cavernas, embora chamemos a nossa caverna de mundo.

Vivendo por eras no reino da noite, sonhamos que a nossa escuridão é pleno dia.

Toda a vida é apenas uma promessa perpétua; um compromisso renovado, mas nunca cumprido.

O homem é um rei, destronado e expulso do seu reino; acorrentado e em uma masmorra.


O coração de um mendigo não se contentará com metade do universo; ele não nasceu para uma parte, mas para o todo.

A nossa vida é a antessala do palácio onde jaz o nosso verdadeiro tesouro — a imortalidade.

Inútil buscar capturar o eco do oceano, abraçando a concha em que se oculta; tão inútil quanto tentar apreender essa essência, agarrando a forma em que por um momento brilhou.

Quando as nuvens plúmbeas se chocam, a bela visão do céu é obscurecida.

Quando o silêncio cai sobre nós, podemos ouvir as vozes dos deuses, apontando na luz serena da lei divina o verdadeiro caminho a seguir.

Todo o ar ressoa com a presença do espírito e das leis espirituais.

É o espírito que, sob as inúmeras ilusões da vida, trabalha firmemente em direção à sua meta; silenciosa, imperceptível e irresistivelmente, avançando para a divindade.


OUTUBRO

A consciência do bem, que nem o ouro,
Nem a fama sórdida, nem a esperança de bem-aventurança celeste
Podem comprar; mas uma vida de bem resoluto,
Vontade inalterável, desejo inextinguível
De felicidade universal, o coração
Que com ele bate em uníssono, o cérebro,
Cuja sabedoria sempre vigilante labuta para transformar
Os ricos tesouros da razão em seu bem eterno.

Este comércio da virtude mais sincera não necessita
De sinais meditativos de egoísmo,
Nem do intercâmbio ciumento de lucro miserável,
Nem de balanços de prudência, fria e longa;
Em justa e igual medida tudo é pesado,
Uma balança contém o sol do bem humano,
E a outra, O CORAÇÃO DO HOMEM BOM!
—SHELLEY, Queen Mab, Seção V, 223-237.


OUTUBRO — O encanto do Tempo oculta das almas fracas dos homens os abismos sombrios ao seu redor, as leis terríveis e poderosas que incessantemente dirigem suas vidas.

Não há morte sem pecado, e nenhuma aflição sem transgressão.

As ações do homem são divididas, quanto ao seu objetivo, em quatro classes; são ou sem propósito, sem importância, ou vãs, ou boas.

O sol causa o dia e a noite, o divino e o humano.

A noite é para o sono dos seres, o dia para o cumprimento de seu dever.

Se estivéssemos convencidos de que nunca poderíamos endireitar nossos caminhos tortuosos, continuaríamos para sempre em nossos erros.

Onde não há virtude e discernimento, o aprendizado não deve ser semeado ali, assim como a boa semente não se lança em solo estéril.

Um professor é mais venerável do que dez subprofessores; um pai, do que cem professores; uma mãe, do que mil pais.

Que nenhum homem, ainda que aflito, se torne de mau humor, nem conceba um ato de maldade contra outrem.

Não se é idoso porque a cabeça está grisalha: aquele que, embora jovem, tem sabedoria, os deuses o consideram um ancião.

JÓIAS DO ORIENTE

Um homem sábio deve sempre evitar a honra como veneno, e desejar sempre o desrespeito como se fosse ambrosia.

Embora desprezado, dorme-se com conforto, com conforto desperta, com conforto vive neste mundo; mas o que desdenha perece.

Não confies em negócios aquele que foi alguma vez apanhado a dormir ao nascer ou ao pôr do sol, pois por isso incorre em grande pecado.

Aqueles que preferem nadar nas águas de sua ignorância e descer muito baixo não precisam esforçar o corpo ou o coração; precisam apenas cessar de se mover, e certamente afundarão.

Assim como um homem que cava chega à água, um estudante zeloso alcança o conhecimento.

Um homem bom pode receber conhecimento puro até de um inferior; a mais alta virtude, do mais baixo.

A ambrosia pode ser extraída até do veneno; o discurso elegante, até de um tolo; a virtude, até de um inimigo; e o ouro, da escória.

Quem não oferece alimento aos pobres, vestes aos nus e consolo aos aflitos renasce pobre, nu e sofredor.

Assim como o semeador não colhe sua safra se semeia em solo salgado, assim o doador não obtém fruto ao dar aos indignos.

Há três coisas das quais nunca se cansa: saúde, vida e riqueza.

Uma desgraça que vem do alto não pode ser evitada; a cautela é inútil contra os decretos do Destino.


A pior das doenças é a inveja; o melhor dos remédios é a saúde.

Três coisas nunca podem ser obtidas com três coisas: riqueza, desejando-a; juventude, com cosméticos; saúde, com medicina.

A frivolidade arruína a seriedade, a mentira é inimiga da verdade, e a opressão perverte a justiça.

A cautela nunca pode incorrer em desgraça; a imbecilidade nunca pode trazer honra consigo. A quem as riquezas não exaltam, a pobreza não abaterá, nem a calamidade o derrubará.

Noite e dia são os corcéis do homem; eles o apressam, não ele a eles.

Quem não dá ouvidos a uma queixa confessa sua própria baixeza; e quem faz mérito de sua caridade incorre em reprovação.

Há quatro coisas das quais um pouco vai longe: dor, pobreza, erro e inimizade.

Aquele que não conhece o próprio valor jamais apreciará o valor dos outros.

Quem se envergonha de seu pai e de sua mãe é excluído das fileiras dos sábios.

Aquele que não é humilde aos próprios olhos jamais será exaltado aos olhos dos outros.

JÓIAS DO ORIENTE

NOVEMBRO

"Tão vasto quanto o Universo sem limites,  
Tão vasto é esse pequeno Espírito oculto!  
Os Céus e as Terras estão nele; Fogo e ar,  
E sol e lua e estrelas; trevas e luz,  
Ele compreende! Tudo o que faz o Homem,  
O seu presente, e o seu passado,  
E o que dele será; — todos os pensamentos e coisas  
Jazem dobrados no etéreo vasto dele!"  
— O SEGREDO DA MORTE.

(do Katha Upanishad).


NOVEMBRO

Em toda bênção, pensa no seu fim; em toda desgraça, pensa na sua remoção.

Se a justiça não predomina sobre a injustiça num homem, ele rapidamente cairá em ruína.

Esperanças vãs cortam o homem de todo bem, mas a renúncia à avareza previne todo mal.

A paciência conduz ao poder, mas a luxúria conduz à perda.

Pela sabedoria se manifesta o dom do conhecimento; pelo conhecimento se obtêm as coisas elevadas.

Na calamidade se provam as virtudes dos homens, e pela longa ausência se testa a sua amizade.

Aquele homem que compreende com precisão o movimento e a causa das revoluções da roda da vida jamais é iludido.

Os dias terminam com o pôr do sol, as noites com o nascer do sol; o fim do prazer é sempre pesar, o fim do pesar é sempre prazer.

Toda ação termina em destruição; a morte é certa para tudo o que nasce; tudo neste mundo é transitório.

Na informação se mostra a sagacidade do homem, e na viagem se prova o seu temperamento.

Na pobreza se avalia a benevolência, e no momento da ira se revela a veracidade de um homem.

Somente pela verdade se purifica a mente do homem, e pela disciplina correta ela se torna inspirada.

JÓIAS DO ORIENTE

Ao apertar a mão do engano, é-se lançado nas ondas da labuta.

O temor do julgamento impedirá o erro, mas zombar dele conduz à destruição.

Um ato pode parecer correto, mas é pelos seus resultados que o seu propósito se mostra.

A inteligência se mostra pelo bom julgamento.

Aprender limpa a mente, e a ignorância a teia de aranhas. Quem aceita bons conselhos está seguro de cair; mas quem os rejeita, cai no poço de sua própria presunção.

Por um amigo fiel é o homem sustentado na vida, e por recompensa são as amizades aumentadas.

Quem não pode perdoar o mal feito a si mesmo aprenderá a conhecer como suas boas ações são desfeitas por si mesmo.

Aquele que concede beneficência à humanidade, faz da humanidade seu devedor num nascimento futuro.

O homem invejoso nunca está satisfeito, nem pode jamais esperar tornar-se grande.

Quanto mais um homem se veste de modéstia, melhor ele oculta seus defeitos.

A melhor política para um homem é não se vangloriar de suas virtudes.

A política mais bondosa para um homem forte é não ostentar seu poder diante de um homem mais fraco.


O homem contencioso induz ao antagonismo; as pessoas muitas vezes não conseguem reprimir a raiva ao contender com tolos.

A inteligência não se mostra por palavras espirituosas, mas por ações sábias.

Da eloquência do falante agradável todos os homens são enamorados.

A astúcia vence os melhores homens; a ousadia conquista cidades; a primeira é desprezada, a última admirada.

O homem corajoso de cuja proeza todos os homens necessitam, nunca será afligido por adversários.


DEZEMBRO

"Toquem o velho, toquem o novo, Toquem, sinos felizes, sobre a neve: O ano está partindo, deixem-no ir; Toquem o falso, toquem o verdadeiro.

"Toquem o luto que mina a mente, Por aqueles que aqui não vemos mais; Toquem a discórdia entre ricos e pobres, Toquem a redenção para toda a humanidade." ––TENNYSON, In Memoriam.

BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS DEZEMBRO O dom mais precioso recebido pelo homem na terra é o desejo de sabedoria.

Na saúde e na riqueza, o homem nunca carece de amigos.

Verdadeiros amigos, no entanto, são aqueles que permanecem quando são necessários.

De todos os animais da terra, só o homem tem a faculdade de causar perturbação moral.

O homem contém três tipos de mal: o mal causado por sua natureza (inferior); o mal feito pelo homem ao homem; e o mal causado pelo homem a si mesmo.

Grande homem é aquele que é imune à lisonja, à vaidade, à injustiça e ao amor à pompa e ao poder.

O sábio é aquele que pode tanto aceitar quanto dispensar as chamadas necessidades da vida, com as quais outras pessoas são intemperantes.

Manter-se com fortaleza em uma condição e sobriedade na outra é prova de uma grande alma e de uma virtude inabalável.

Que cada ação seja feita com perfeita gravidade, humanidade, liberdade e justiça, e a execute como se aquela ação fosse a última.

Um homem raramente pode ser infeliz por ignorar os pensamentos de outrem; mas aquele que não atenta para os movimentos dos seus próprios é certamente infeliz.

Não deixe que o acaso perturbe, ou que objetos externos absorvam seus pensamentos; mas mantenha sua mente tranquila e desapegada, pronta para aprender algo de bom.


Dirija todas as suas ações, palavras e pensamentos de acordo com isso, já que você pode, a qualquer momento, deixar a vida.

Que importa morrer? Se os deuses existem, você não pode sofrer nada, pois eles não lhe farão mal algum.

E se os deuses não existem, ou não se importam com os mortais — então, por que um mundo sem deuses não é digno de que um homem viva nele. A existência dos deuses e sua preocupação com os assuntos humanos está além de qualquer disputa.

Lembre-se de que a vida está se desgastando, e uma parte menor dela resta a cada dia.

Não dependa de apoios externos, nem implore sua tranquilidade a outro.

Em uma palavra, nunca jogue fora suas pernas para se apoiar em muletas.

Se você examinar um homem que foi bem disciplinado e purificado pela filosofia, não encontrará nada que seja insalubre, falso ou impuro nele.

A vida se move em um compasso muito estreito: sim, e os homens também vivem em um pequeno canto do mundo.

Pobres mortais transitórios pouco sabem até mesmo de si mesmos, muito menos daqueles que morreram muito antes de seu tempo.

A morte e a geração são ambos mistérios da natureza e se assemelham; a primeira apenas dissolve os elementos que a última combinou.

Não suponha que você está ferido, e sua queixa cessa.

Cessa tua queixa, e você não está ferido.


Aquilo que não torna o homem pior não torna sua vida pior; como resultado, ele não sofre dano nem interior nem exteriormente.

No presente, sua natureza é distinta; mas em breve você desaparecerá no todo: você será devolvido àquela razão universal que lhe deu o ser.

Basta retornar aos princípios da sabedoria, e aqueles que agora o tomam por um macaco ou uma fera selvagem farão de você um deus.

Não aja como se tivesse dez mil anos para desperdiçar.

A morte está ao seu lado.

Seja bom para alguma coisa enquanto viver, e isso está em seu poder.

Aquele que se preocupa tanto em ser falado depois de morto não considera que todos que o conheceram logo terão partido.

Se você depender de maneira servil demais da boa palavra dos outros, tornar-se-á indigno de sua própria natureza.

Tudo o que é bom tem essa qualidade por si mesmo; é completado por sua própria natureza, e o elogio não faz parte dela. Não se desenfrene; mantenha suas intenções honestas e suas convicções firmes.

Aquele que pratica uma ação memorável, e aqueles que a relatam, são todos coisas de vida curta.

Entregue-se francamente às mãos do Destino, e deixe que ele te fie a sorte que bem quiser.

Escritos Reunidos VOLUME XII — INSTRUÇÕES DA E.S.

INTRODUÇÃO DA E.S.

A SEÇÃO ESOTÉRICA — Tanto quanto foi possível apurar a partir da documentação existente, a primeira tentativa de estabelecer um grupo de estudantes com o propósito específico de estudos e treinamento esotéricos mais profundos foi a que se centrou na "Petição aos Mestres para a Formação de um 'Grupo Interno' na Loja de Londres", cuja data aproximada foi julho ou início de agosto de 1884. A reprodução fac-símile do documento, sua transcrição e todos os dados pertinentes, tanto quanto se sabe, podem ser encontrados no Volume VI (pp. 250 e seguintes) dos Escritos Reunidos, ao qual o leitor é remetido.

Mais tarde, no mesmo ano, ou seja, em dezembro de 1884, ouvimos falar de um Comitê, proposto por T. Subba Row, e formado em Adyar para receber e dirigir os ensinamentos esotéricos posteriores e transmiti-los ao "Grupo Interno" em Londres.

Parece que os Mestres haviam consentido em destacar um grupo especial de seus chelas para fornecer material a esse Comitê por intermédio de Subba Row e Damodar.

O Comitê seria composto pelo Cel. Henry S. Olcott, T. Subba Row, Sr. e Sra. A. J. Cooper-Oakley, e S. Ramaswami Iyer. Nenhuma informação adicional sobre esse esforço está disponível, e é razoável supor que nada de concreto resultou dele.

Posteriormente a essa tentativa inicial, e vários anos depois dela, temos a seguinte carta escrita por William Quan Judge a H.P.B., datada de 18 de maio [1887]:

"Querida H.P.B. —

"Por favor, responda a isto.

Tantas pessoas estão começando a me pedir para serem Chelas que preciso fazer algo, então elaborei o documento anexo, que você pode me enviar com algumas formalidades, como achar conveniente––ou o que quer que eu deva ter.

Se você não achar adequado, então por favor me diga de que maneira seria melhor proceder.

“Conheço muitos bons que se sairão bem e que formarão uma rocha na qual o inimigo naufragará, e este plano os encorajaria.

Então que se faça algo.

Como sempre,

William Q. Judge.”

––––––––––      Cf. cartas do Cel.

Olcott a Francesca Arundale, datadas de 31 de dezembro

de 1884 e 7 de janeiro

de 1885, publicadas em The Theosophist, setembro de 1932. Também The Mahatma Letters to A. P. Sinnett, p. 363, e Josephine Ransom, A Short History of The Theosophical Society, p. 206. –––––––––– O documento anexo elaborado pelo Sr. Judge estava assim redigido:


“A William Q. Judge:––Você está autorizado a reunir todas aquelas pessoas, membros da Sociedade Teosófica nos EUA, que tenham ou expressem o desejo de servir à causa dos Abençoados Mestres.

Isto você fará com o entendimento, por escrito, em cada caso, de que as pessoas admitidas não se tornam, por isso, Chelas dos Mestres, mas simplesmente recebem assim uma oportunidade de fazer uma prova preliminar de si mesmas, e em cada caso você tomará do candidato uma declaração por escrito, antes de fazer seu registro particular dos nomes, de que compreendem bem a base sobre a qual você os admite.

Nada é prometido; cada um terá exatamente o que merece––nem mais, nem menos.

E todos devem ser fiéis à Causa, aos Mestres e aos fundadores da Sociedade Teosófica.

“Dado [etc.]”                     .            “H.P.B. . . respondeu que eu poderia prosseguir sem o documento e que em breve ela faria outra coisa.

Mais tarde, quando ela explicava em Londres o plano da E.S.T. [Escola Oriental de Teosofia], telegrafei-lhe pedindo que ‘tornasse pública a Seção Interna’. Esse telegrama foi recebido na presença do Dr. Keightley e outros.

Ela então me disse para vir a Londres e ajudar, o que fiz.

A E.S. foi fundada exatamente nos moldes dos documentos acima.

Não desejo me colocar no alto nível de H.P.B. . ., mas no Ocultismo da Loja do Mestre, um Chela inferior é frequentemente usado como instrumento para apontar a uma grande personagem como H.P.B. . . os tempos e as estações e às vezes o plano.

Isso eu fiz neste caso, e por direção do Mestre.

As promulgações de H.P.B. seguiram as ideias e também as palavras em parte do meu artigo.” No outono de 1888, W. Q. Judge foi à Inglaterra e à Irlanda, visitando, juntamente com o Dr. Archibald Keightley, a Loja de Dublin, que recebeu grande impulso com a visita deles em 27 de novembro. Em conexão com sua visita a Londres, temos as seguintes palavras do Sr. Judge: “Não sou membro comprometido da E.S.T. e nunca fiz compromisso nela, pois meus compromissos foram feitos muito antes diretamente ao Mestre; fui um de seus fundadores, com H.P.B. ..., e ela no início me tornou gerente e professor nela desde o princípio, sob ela, especialmente para a parte americana . . . . Eu mesmo escrevi as regras da E.S.T. em Londres em 1888, a pedido de H.P.B. e sob a direção do Mestre.

. . . .

–––––––––– Circular da E.S.T. intitulada “Por Direção do Mestre”, datada de Nova York, novembro de 1894, e assinada por William Q. Judge.

Op. cit., pp. 1-2. ––––––––––

INTRODUÇÃO DA E.S.

A seguinte Declaração foi publicada em Lucifer, Vol. III, na última página da edição de outubro de 1888:

A SEÇÃO ESOTÉRICA DA SOCIEDADE TEOSÓFICA

Devido ao fato de que um grande número de Membros da Sociedade sentiu a necessidade da formação de um corpo de estudantes esotéricos, a ser organizado nas LINHAS ORIGINAIS concebidas pelos verdadeiros fundadores da S.T., a seguinte ordem foi emitida pelo Presidente-Fundador:–– I. Para promover os interesses esotéricos da Sociedade Teosófica pelo estudo mais profundo da filosofia esotérica, fica por meio desta organizado um corpo, a ser conhecido como a “Seção Esotérica da Sociedade Teosófica”.

II. A constituição e a direção exclusiva da mesma estão investidas em Madame H. P. Blavatsky, como sua Chefe; ela é a única responsável perante os Membros pelos resultados; e a seção não tem conexão oficial ou corporativa com a Sociedade Exotérica, exceto na pessoa do Presidente-Fundador.

III.

Pessoas que desejem ingressar na Seção e que estejam dispostas a cumprir suas regras devem comunicar-se diretamente com:––Sra.

H. P. Blavatsky, 17 Lansdowne Road, Holland Park, Londres, W.

(Assinado) H. S. OLCOTT,                                                                        Presidente em Conselho.

Atesto:––H. P. BLAVATSKY.


Em 14 de dezembro de 1888, H.P.B. emitiu uma ordem especial nomeando W. Q. Judge como seu “único representante para a referida Seção na América” e como “o único canal através do qual serão enviadas e recebidas todas as comunicações entre os membros da referida Seção e eu mesma [H.P.B.]”, e o fez “em virtude de seu caráter de chela com treze anos de prática”. Os Arquivos da E.S. (Pasadena) contêm o rascunho manuscrito do Memorando Preliminar e das Regras do Sr. Judge, com alterações, exclusões e acréscimos de H.P.B.

Este documento foi visto muitas vezes pelo presente escritor.

Em 1895, sua existência foi confirmada pelo Dr. Archibald Keightley, que escreve:

––––––––––      O documento original desta ordem, cujo fac-símile é aqui reproduzido, está nos Arquivos da Sociedade Teosófica, Pasadena, Calif.

––––––––––                                                   INTRODUÇÃO DA E.S.


“Fui perguntado sobre a escrita de O Livro das Regras, e só posso dizer que, até onde sei,       o Sr. Judge escreveu O Livro das Regras sob a orientação do Mestre M. e de H.P.B. .:.; E. T. Hargrove e       eu vimos ambos o manuscrito original na caligrafia do Sr. Judge, com acréscimos escritos na       caligrafia de H.P.B.

Este manuscrito está em posse do Sr. Judge.

H.P.B. disse-me ainda que ‘todas       as Instruções devem ser estudadas à luz de O Livro das Regras.’ Vi cartas de H.P.B. ao       Sr. Judge que mostram que ele originou a ideia da E.S.T.”

Em 1889, o Cel.

H. S. Olcott fez uma visita prolongada à Europa, durante a qual viu H.P.B. pela última vez.

No dia anterior à sua partida de Londres para Colombo, Lanka, ela lhe entregou o seguinte documento:

“Sociedade Teosófica, Seção Esotérica,                                                                 Londres, 25 de dezembro de 1889.           “Nomeio o Coronel H. S. Olcott meu agente confidencial e único representante oficial da       Seção Esotérica para os países asiáticos.

“Toda correspondência relativa à admissão e à renúncia na Seção deverá ser encaminhada a ele, e todas as Instruções transmitidas por ele, e sua decisão deverá ser tomada e aceita como dada por mim.

Tal correspondência deverá ser invariavelmente marcada como ‘Privada’ no envelope.

(Assinado) H. P. Blavatsky.”

Mais tarde, algum tempo depois de H.P.B. ter formado seu “Grupo Interno” em Londres, ela emitiu uma Ordem da E.S. cujo texto é o seguinte. –––––––––– Circular da E.S.T. emitida de 62, Queen Anne Street, Cavendish Square, Londres W., datada de 12 de janeiro de 1895, e assinada pelo Dr. Archibald Keightley.

Lucifer, Londres, Vol.

V, 15 de janeiro de 1890, p. 437; The Theosophist, Vol.

XI, Suplemento de março de 1890, p. cv; H. S. Olcott, Old Diary Leaves, Série IV, p. 184. O fac-símile desta Ordem foi publicado em The Theosophist, Vol.

LIII, junho de 1932, pp. 230-31, estando o original nos Arquivos de Adyar.

––––––––––

INTRODUÇÃO DA E.S.

“Seção Esotérica             [Selo da S.T.]         H. P. Blavatsky                                                          E.S.                                                     ORDEM     “Eu nomeio, em nome do MESTRE, Annie Besant como Secretária-Chefe do Grupo Interno da Seção Esotérica e Registradora dos Ensinamentos.

H.B.P....

“Para Annie Besant, S.C. do G.I. da S.E. e R. dos E.         “1º de abril de 1891.

“Lido e Registrado em 11/04/91. William Q. Judge, Sec.

E.U.A.

O status da E.S. e de seus oficiais está delineado no seguinte Aviso emitido no início do ano seguinte:

“A E.S.T. [Escola Oriental de Teosofia] não tem conexão oficial com a Sociedade Teosófica.

“Quando foi organizada pela primeira vez, era conhecida como uma seção da S.T., mas, vendo-se que a perfeita liberdade e o caráter público da Sociedade poderiam ser prejudicados, H.P.B., algum tempo antes de sua partida, notificou que toda conexão oficial entre as duas deveria cessar, e então mudou o nome para o atual.

“Isso deixa todos os oficiais da S.T. que estão na E.S.T. perfeitamente livres em sua capacidade oficial, e também permite que os membros, se perguntados, digam com verdade que a Escola não tem conexão oficial com a S.T. e não faz parte dela.

“Os membros deverão ter isso em mente.

(Assinado) Annie Besant.

William Q. Judge.” O primeiro documento emitido por H.P.B. parece ter sido um breve texto intitulado Memorando Preliminar, que foi enviado em 1888, em forma hectografada, juntamente com a pasta do Compromisso.

Em 14 de dezembro de 1888, foi emitida uma edição impressa (que incluía as Regras). Seu texto é o seguinte: –––––––––– “Aviso Importante,” na Circular da E.S.T. intitulada Sugestões e Auxílios, Nova Série No. 4, datada de Nova York, 29 de março de 1892. Foi posteriormente publicado em The Theosophist, Vol.

LII, agosto de 1931, pp. 591-99, com o segundo parágrafo suprimido.

–––––––––– ESTRITAMENTE PRIVADO E CONFIDENCIAL

A

SEÇÃO ESOTÉRICA DA

SOCIEDADE TEOSÓFICA

––––––––––

MEMORANDO PRELIMINAR SEÇÃO ESOTÉRICA DA SOCIEDADE TEOSÓFICA ––––––– MEMORANDO PRELIMINAR ––––––– [Estritamente Privado, Confidencial, Pessoal, somente para Membros.]


Um dos objetivos do presente memorando é dar oportunidade a qualquer pessoa que tenha assinado o compromisso de retirá-lo, caso tal pessoa se sinta incapaz ou não deseje aceitar plena e incondicionalmente as instruções que possam ser dadas, ou as consequências que possam resultar, e de cumprir os deveres cuja execução for solicitada.

É justo declarar desde já que tais deveres nunca interferirão, nem se imiscuirão, nos deveres familiares do probacionista; por outro lado, é certo que todo membro da Seção Esotérica terá de abandonar mais de um hábito pessoal, tal como praticado na vida social, e adotar algumas poucas regras ascéticas.

Portanto, qualquer pessoa que deseje se retirar após ler o que se segue pode ter seu nome removido da lista e o compromisso devolvido, solicitando por escrito esse efeito, com porte pago incluso.

Tais solicitações devem ser feitas dentro de três semanas a partir do recebimento deste; pelos membros na Europa diretamente a H.P. Blavatsky, 17, Lansdowne Road, Holland Park, Londres, e pelos membros na América a William Q. Judge, Secretário Geral da Seção Americana, T.S.; Caixa Postal 2659, Nova York.

–––––––– Este grau da Seção Esotérica é probatório, e seu propósito geral é preparar e habilitar o estudante para o estudo do ocultismo prático ou Raj yoga.

Portanto, neste grau, o estudante – exceto em casos especiais – não será ensinado a produzir fenômenos físicos, nem se permitirá que nele se desenvolvam poderes mágicos; nem, se possuir tais poderes naturalmente, será-lhe permitido exercê-los antes de haver dominado completamente o conhecimento do EU, dos processos psicofisiológicos (que ocorrem no plano oculto) no corpo humano em geral, e até que tenha subjugado todas as suas paixões inferiores e o seu EU PESSOAL.

O verdadeiro Chefe da Seção Esotérica é um Mestre, do qual H. P. Blavatsky é o porta-voz para esta Seção.

Ele é um daqueles Adeptos referidos na literatura teosófica, e envolvidos na formação da Sociedade Teosófica.

É através de H. P. Blavatsky que cada membro

INTRODUÇÃO À S. E.

desta Seção será trazido, mais de perto do que até então, sob Sua influência e cuidado, se for considerado digno disso. Nenhum estudante, no entanto, precisa perguntar qual dos Mestres é. Pois isso não importa na realidade; nem há necessidade de criar mais uma oportunidade para indiscrição.

Basta dizer que tal é a lei no Oriente.

Cada pessoa receberá, em termos de esclarecimento e assistência, exatamente aquilo que merece, e nada mais; e deve-se entender claramente que neste Corpo e nestas relações não se conhece tal coisa como favor – tudo depende dos méritos da pessoa – e nenhum membro tem o poder ou o conhecimento para decidir o que ele ou outro tem direito. Isso deve ser deixado àqueles que sabem – somente.

O aparente favor demonstrado a alguns, e seu consequente aparente avanço, será devido ao trabalho que realizam, com o melhor de seu poder, em prol da Fraternidade Universal e da elevação da Raça.

Nenhum homem ou mulher é solicitado ou suposto a fazer mais do que o seu melhor; mas espera-se que cada um trabalhe na medida de sua capacidade e forças.

O valor do trabalho desta Seção para o membro individual dependerá inteiramente:

1º. Do poder da pessoa de assimilar os ensinamentos e torná-los parte do seu ser; e 2º. Do altruísmo dos motivos com os quais busca este conhecimento; isto é, se entrou nesta Seção determinado a trabalhar pela humanidade, ou apenas com o desejo de beneficiar ou obter algo para si mesmo.

Que todos os membros, portanto, tomem cuidado a tempo e examinem seriamente seus motivos, pois para todos aqueles que se juntam a esta Seção certas consequências se seguirão.

E nesta etapa é talvez melhor que os candidatos aprendam a razão da formação desta Seção, e o que se espera que ela alcance:––

A Sociedade Teosófica acaba de entrar no décimo quarto ano de sua existência; e se ela realizou grandes, pode-se quase dizer estupendos, resultados no plano exotérico e utilitário, provou ser um fracasso total em todos aqueles pontos que ocupam o primeiro lugar entre os objetivos de seu estabelecimento original.

Assim, como uma “Fraternidade Universal”, ou mesmo como uma fraternidade, uma entre muitas, ela desceu ao nível de todas aquelas Sociedades cujas pretensões são grandes, mas cujos nomes são simplesmente máscaras,––não, até mesmo FARSAS.

Nem se pode alegar a desculpa de que foi levada a tal curso indigno devido a ter sido impedida em seu desenvolvimento natural, e quase extinta, por causa das conspirações de seus inimigos abertamente iniciadas em 1884. Porque mesmo antes dessa data nunca houve aquela solidariedade nas fileiras de nossa Sociedade que não apenas a habilitasse a resistir a todos os ataques externos, mas também tornasse possível que ajuda maior, mais ampla e mais tangível fosse dada a todos os seus membros por aqueles que estão sempre prontos a dar ajuda quando estamos aptos a recebê-la. Quando surgiram problemas, muitos foram rápidos em duvidar e desesperar, e poucos foram de fato aqueles que trabalharam pela Causa e não por si mesmos.


Os ataques do inimigo deram à Sociedade alguma discrição na condução de seu progresso externo, mas sua condição interna real não melhorou, e os membros, em seus esforços rumo à cultura espiritual, ainda necessitam daquela ajuda que somente a solidariedade nas fileiras pode dar-lhes o direito de pedir.

Os Mestres podem dar pouca assistência a um Corpo não completamente unido em propósito e sentimento, e que quebra sua primeira regra fundamental––amor fraternal universal, sem distinção de raça, credo ou cor; nem a uma Sociedade, muitos membros da qual passam suas vidas julgando, condenando e frequentemente difamando outros membros de maneira mais antiteosófica, para não dizer vergonhosa.

Por esta razão, contempla-se agora reunir os “eleitos” da S.T. e convocá-los à ação.

É somente por um grupo seleto de almas corajosas, um punhado de homens e mulheres determinados, famintos por genuíno desenvolvimento espiritual e pela aquisição da sabedoria da alma, que a Sociedade Teosófica em geral pode ser trazida de volta às suas linhas originais.

É somente através de uma Seção Esotérica––isto é, um grupo no qual todos os membros, mesmo que não se conheçam, trabalham uns pelos outros, e ao trabalhar por todos trabalham por si mesmos––que a grande Sociedade Exotérica pode ser redimida e levada a perceber que somente na união e na harmonia residem sua força e seu poder.

O objetivo desta Seção, portanto, é ajudar o crescimento futuro da Sociedade Teosófica como um todo na direção verdadeira, promovendo a união fraterna ao menos entre os poucos.

Todos sabem que esse fim estava em vista quando a Sociedade foi estabelecida, e mesmo em suas fileiras meramente não comprometidas havia uma possibilidade de desenvolvimento e conhecimento, até que ela começou a demonstrar falta de união real; e agora ela deve ser salva de perigos futuros pelo objetivo unido, pelo sentimento fraternal e pelas constantes diligências dos membros desta Seção Esotérica.

Portanto, qualquer um que tenha assinado o compromisso sem perceber isso é sinceramente recomendado a reconsiderar sua posição e a se retirar, a menos que esteja preparado para se dedicar à realização desse propósito.

Uma vez oferecido o grande exemplo de altruísmo prático, das nobres vidas daqueles que aprendem a dominar o grande conhecimento apenas para ajudar os outros, e que se esforçam para adquirir poderes apenas para colocá-los a serviço de seus semelhantes, toda a comunidade teosófica

INTRODUÇÃO DA S. E.

pode ainda ser conduzida à ação e levada a seguir o exemplo que lhes é apresentado.

A Seção Esotérica é assim "separada" para a salvação de toda a Sociedade, e seu curso desde os primeiros passos será um trabalho árduo e ascendente para seus membros, embora uma grande recompensa esteja por trás dos muitos obstáculos, uma vez superados.

Aquele que deseja seguir o funcionamento de seu eu interior e de sua natureza com o propósito de autodomínio tem de compreendê-los por comparação; ele tem de se esforçar para sondar os mistérios do coração humano em geral, antes de poder esperar aprender toda a verdade sobre os mistérios de sua própria alma.

O poder da auto-introspecção oculta é demasiado limitado em sua área se não for além do Eu, e a investigação de casos isolados permanecerá para sempre infrutífera se falharmos em desenvolvê-la sobre princípios firmemente estabelecidos.

Não podemos fazer o bem a nós mesmos––em um plano superior––sem fazer o bem aos outros, porque cada natureza reage sobre outras naturezas; nem podemos ajudar os outros sem que essa ajuda beneficie a nós mesmos.

O desapontamento certamente virá para aqueles que se filiaram a esta Seção com o propósito de aprender "artes mágicas" ou adquirir "treinamento oculto" para si mesmos, sem considerar o bem de outras pessoas menos determinadas.

Poderes anormais, desenvolvidos artificialmente – exceto aqueles que coroam os esforços de um Mago Negro – são apenas a culminação e a recompensa de labores dedicados desinteressadamente à humanidade, a todos os homens, sejam bons ou maus.

O esquecimento do eu pessoal e o altruísmo sincero são os primeiros e indispensáveis requisitos no treinamento daqueles que devem se tornar "Adeptos Brancos", seja nesta ou numa futura encarnação.

Se algum membro desta Seção concorda com tudo isso e, no entanto, diz a si mesmo que, apesar do que foi dito, buscará o conhecimento para si, importando-se pouco – desde que adquira os poderes – se terminará como Adepto Negro ou Branco, saiba que o desastre o aguarda muito mais cedo do que pensa, e que, embora tente ocultar seu motivo, ele será conhecido e causará uma reação sobre ele que ninguém poderá evitar.

Nenhuma culpa será atribuída a alguém por uma falta constitucional de capacidade para assimilar os ensinamentos dados, se ele trabalhar séria e continuamente, se suas aspirações não relaxarem ou enfraquecerem; seus esforços serão conhecidos no lugar certo, e é em estrita conformidade com seus méritos que a ajuda lhe será dada quando menos esperar.

Saiba também todo membro que o tempo para tão inestimável aquisição é limitado.

A autora do presente é idosa; sua vida está quase gasta, e ela pode ser chamada para "casa" a qualquer dia e a quase qualquer hora.

E se seu lugar for mesmo preenchido, talvez por outra pessoa mais digna e mais erudita do que ela, ainda restam apenas doze anos para a última hora do prazo – ou seja, até 31 de dezembro de 1899. Aqueles que não tiverem aproveitado a oportunidade (dada ao mundo em cada último quarto de século), aqueles que não tiverem alcançado um certo ponto de desenvolvimento psíquico e espiritual, ou aquele ponto a partir do qual começa o ciclo do adeptado, até esse dia – esses não avançarão além do conhecimento já adquirido.


Nenhum Mestre de Sabedoria do Oriente aparecerá pessoalmente, nem enviará alguém à Europa ou à América após esse período, e os preguiçosos terão de renunciar a toda chance de progresso em sua presente encarnação––até o ano de 1975. Tal é a LEI, pois estamos em Kali Yuga––a Era Negra––e as restrições neste ciclo, cujos primeiros 5.000 anos expirarão em 1897, são grandes e quase insuperáveis.

Quanto às relações dos Mestres com esta Seção, pode-se ainda dizer, paradoxalmente, que com Eles tudo é possível e tudo é impossível.

Eles podem ou não se comunicar pessoalmente no plano externo com um membro, e aqueles que estão continuamente desejando receber “ordens” ou comunicações diretamente D Eles neste plano, seja fenomenalmente ou de outra forma, muito provavelmente ficarão decepcionados.

Os Mestres não têm desejo de provar Seu poder ou dar “testes” a quem quer que seja.

E o fato de um membro ter concluído que uma crise de algum tipo está próxima, quando, segundo sua sábia opinião, o Mestre ou os Mestres deveriam falar e interferir pessoalmente, não é razão sólida para tal interferência externa.

É, no entanto, correto que cada membro, uma vez que acredite na existência de tais Mestres, tente compreender qual é a sua natureza e os seus poderes, reverenciá-Los em seu coração, aproximar-se Deles, tanto quanto estiver em seu poder, e abrir para si mesmo uma comunicação consciente com o guru a cuja orientação ele dedicou sua vida.

ISSO SÓ PODE SER FEITO ELEVANDO-SE AO PLANO ESPIRITUAL ONDE OS MESTRES ESTÃO, E NÃO TENTANDO TRAZÊ-LOS PARA O NOSSO.

Visto que o crescimento na vida espiritual vem de dentro, os membros não devem esperar receber outras comunicações além daquelas através de H.P.B. A ajuda adicional, a instrução e o esclarecimento virão dos planos internos do ser e, como foi dito, serão sempre dados quando merecidos.

Para alcançar isso, a atitude mental com a qual os ensinamentos dados devem ser recebidos é aquela que tende a desenvolver a faculdade da intuição.

O dever dos membros a esse respeito é abster-se de argumentar que as afirmações feitas não estão de acordo com o que outras pessoas disseram ou escreveram, ou com suas próprias ideias sobre o assunto, ou que, ainda, são aparentemente contrárias a qualquer sistema de pensamento ou filosofia aceito.

A ciência esotérica prática é totalmente sui                                                              INTRODUÇÃO À E. S.

generis.

Requer que todas as faculdades mentais e psíquicas do estudante sejam empregadas no exame do que é dado, a fim de que o verdadeiro significado do Instrutor possa ser descoberto, na medida em que o estudante possa compreendê-lo. Ele deve esforçar-se o máximo possível para libertar sua mente, ao estudar ou ao tentar executar o que lhe é dado, de todas as ideias que possa ter derivado da hereditariedade, da educação, do ambiente ou de outros instrutores.

Sua mente deve ser tornada perfeitamente livre de todos os outros pensamentos, para que o significado interno das instruções possa ser impresso nele, à parte das palavras com que são revestidas.

Caso contrário, há risco constante de que suas ideias se tornem tão influenciadas por noções preconcebidas quanto as dos autores de certas obras, de resto excelentes, sobre temas esotéricos, que tornaram os preceitos ocultos mais subservientes à ciência moderna do que à verdade oculta.

A fim de que o estudante receba o máximo de benefício possível, é absolutamente essencial que os hábitos superficiais e desatentos de pensamento, engendrados pela civilização ocidental, sejam abandonados, e que a mente se concentre nas instruções como um todo, bem como em cada palavra delas.

Para esse fim, exige-se dos estudantes que pratiquem o hábito de concentração cuidadosa e constante da mente em cada dever e ato da vida que tenham de realizar, e que não reservem seus esforços nessa direção apenas para a consideração desses ensinamentos.

O estudante deve fazer com que todos os seus desejos se inclinem e se centrem na aquisição do conhecimento espiritual, de modo que a tendência natural de seu pensamento seja nessa direção.

Ele deve, portanto, em cada momento de lazer, reverter a esses assuntos, bem como ter um tempo especial reservado para sua consideração.

Os estudantes não devem buscar testes e provações de natureza especial; estes virão nos afazeres da vida e nas relações com os semelhantes.

Testes específicos não serão, em geral, dados, mas até mesmo a maneira como o estudante aborda esses ensinamentos será, em si, um teste ou provação.

Os Mestres não julgam os estudantes simplesmente por sua capacidade de fazer isto ou aquilo, algo especial ou difícil, mas pelo autodesenvolvimento e progresso efetivamente realizados.

Ao ingressar nesta Seção, o estudante começa a encarar sua própria natureza de frente, e de acordo com a intensidade de suas aspirações serão as suas dificuldades.

Essas dificuldades podem se manifestar nos planos fisiológico, mental, moral ou psíquico do seu ser, ou nas circunstâncias da sua vida.

Tendo assinado o compromisso, o seu primeiro fracasso em cumprir qualquer uma de suas cláusulas é o fracasso em resistir à primeira prova.

Tal fracasso, no entanto, não é derrota, enquanto um novo esforço sincero for feito.

Escritos Reunidos VOLUME XII 494                                BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

REGRAS                               No que se segue, o masculino inclui o feminino; o                                           singular, o plural; e vice-versa.

1. Deve-se abster de condenação infundada por ouvir dizer de outros, teósofos ou não, e a caridade para com as faltas alheias deve ser amplamente praticada dentro, bem como fora, da área teosófica.

2. Deve-se evitar a repetição de declarações ou fofocas depreciativas sobre outros.

Mas a condenação do crime, dos males sociais e de sistemas de toda espécie, no abstrato, é um dever de todo membro.

Acima de tudo, o dever de todo membro é lutar contra a hipocrisia, a falsidade e a injustiça em todas as suas formas.

3. Uma declaração depreciativa ou caluniosa feita contra um colega teósofo na presença de um membro não deverá ser permitida por este passar sem protesto, a menos que ele saiba que é verdadeira, caso em que deverá permanecer em silêncio.

4. Nenhum membro deverá se vangloriar de pertencer a esta Seção.

5. Nenhum membro deverá investigar a posição de um Irmão nesta Seção, nem deverá, sem ser convidado, procurar saber se outro teósofo é membro dela. Os membros podem usar a senha da Seção para fins de reconhecimento, mas nunca por curiosidade, nem por desejo de descobrir se a pessoa a quem se dirigem é membro da Seção.

6. Qualquer membro pode, se assim o desejar, permanecer desconhecido como tal, e esse desejo, se suspeitado por outros, não deve ser comentado nem mencionado.

7. Se um membro, seja falsa ou verdadeiramente, afirmar que recebeu cartas ou comunicações dos Mestres, a menos que seja instruído a divulgá-las, ele ipso facto deixará de auferir qualquer benefício dos ensinamentos, quer o fato seja conhecido ou desconhecido por ele mesmo ou por outros.

A repetição de tal ofensa dá ao Chefe da Seção o direito de expulsar o infrator a seu critério.

Em todo caso em que um membro receber uma carta ou comunicação que se diga proveniente do Mestre ou dos Mestres, e que ordene a divulgação de seu conteúdo ou de parte dele, a mesma, antes de ser divulgada, deverá ser comunicada diretamente a H.P.B., se o destinatário estiver na Europa, e a William Q. Judge, se estiver na América, para transmissão à referida H.P.B. Pois o engano é fácil e, sem grande

INTRODUÇÃO À S.E. experiência, os membros não são capazes de decidir se tal comunicação é genuína ou não.

8. Nenhum membro poderá, sob quaisquer circunstâncias, apresentar qualquer acusação, de qualquer natureza, contra outro membro, seja a H.P.B., a William Q. Judge, ou a qualquer outro membro da Seção.

Esta regra não implica que os Mestres condonem, desculpem ou tolerem qualquer falta ou crime.

Mas nenhum membro é juiz dos atos de outro membro ou teosofista, nesta Seção menos do que em qualquer outra.

Pois, enquanto em todo Ramo Exotérico seu Presidente e Conselho decidem sobre quaisquer acusações contra seus confrades, nesta Seção cada membro deve ser julgado por seu Carma e pelos Mestres apenas.

9. Nenhum membro deverá fingir possuir poderes psíquicos que não tenha, nem se vangloriar daqueles que possa ter desenvolvido.

A inveja, o ciúme e a vaidade são inimigos insidiosos e poderosos do progresso, e sabe-se por longa experiência que, especialmente entre os principiantes, a ostentação de, ou a chamada de atenção para, seus poderes psíquicos quase invariavelmente causa o desenvolvimento dessas falhas e as aumenta quando presentes.

Portanto——

10. Nenhum membro deverá contar a outro, especialmente a um confrade, o quanto progrediu ou que reconhecimento recebeu, nem deverá, por insinuações, fazer com que tal se torne conhecido.

Onde estudantes de gostos e disposições semelhantes desejarem formar um grupo ou grupos para ajuda mútua no treinamento, deve-se fazer pedido a H.P.B. para permissão e aconselhamento quanto ao mesmo.

Mas deve-se evitar julgamento precipitado quanto à conveniência de formar tais grupos.

Pois pode acontecer que dois ou mais membros unidos por uma amizade real possam, no entanto, ser tão contrários em suas idiossincrasias e condições magnéticas que sua amizade possa se transformar em ódio no plano oculto, se formarem grupos sem conhecimento esotérico.

11. Nenhum membro deverá pedir quaisquer ordens ou instruções quanto à condução de seus negócios ou à gestão de suas relações sociais, ou aos assuntos ordinários da vida, nem quanto à cura de doenças, seja em si mesmo ou em qualquer outra pessoa.

Perguntas relativas às instruções dadas serão apenas aceitas e atendidas.

12. Exige-se de um membro que, quando surgir uma questão, ela seja profundamente meditada sob todos os seus aspectos, a fim de que ele possa encontrar a resposta por si mesmo; e em nenhum caso as perguntas deverão ser feitas por curiosidade, nem até que a pessoa tenha esgotado todos os meios ordinários de resolver a dúvida ou de adquirir por si mesma a informação procurada.

Caso contrário, sua intuição nunca se desenvolverá.

Ele não aprenderá a autoconfiança; e dois dos principais objetivos da Seção serão frustrados.


Pois um adepto torna-se tal por seus próprios esforços, pelo autodesenvolvimento de seu próprio poder; e ninguém além dele mesmo pode realizar essa obra.

"Um adepto torna-se, não é feito." O ofício do Guru ou Guia é ajustar o discípulo em seu progresso, e não arrastá-lo ou empurrá-lo adiante.

13. O uso de vinho, espíritos, licores de qualquer espécie, ou qualquer droga narcótica ou intoxicante, é estritamente proibido.

Se for indulgenciado, todo progresso é obstruído, e os esforços do professor e do aluno igualmente se tornam inúteis.

Tais substâncias têm uma ação diretamente perniciosa sobre o cérebro, e especialmente sobre o "terceiro olho", ou glândula pineal (vide "Doutrina Secreta", Vol. II, p. 288 [d] e seguintes). Elas impedem absolutamente o desenvolvimento do terceiro olho, chamado no Oriente de "o Olho de Śiva".

14. O uso moderado de tabaco não é proibido, pois não é um intoxicante; mas seu abuso, como o de tudo mais––até mesmo água pura ou pão––é prejudicial.

15. Quanto à dieta: O consumo de carne não é proibido, mas se o estudante puder manter a saúde com vegetais ou peixe, tal dieta é recomendada.

O consumo de carne fortalece a natureza passional e o desejo de adquirir posses, e portanto aumenta a dificuldade da luta com a natureza inferior.

16. Espera-se que cada membro reserve um certo tempo do dia ou da noite, de não menos que meia hora de duração, para meditação sobre as instruções recebidas, para autoexame e autoestudo.

Se possível, o local selecionado para isso não deverá ser usado por outra pessoa, nem para qualquer outro propósito; mas o providenciar de tal local especial, se inconveniente, não é insistido.

17. Abrigar dúvida quanto à existência dos Mestres em geral não é crime, pois muitas vezes é apenas efeito da ignorância e vem involuntariamente.

Mas isso inevitavelmente impedirá o pupilo de atrair a atenção do Mestre; e ele falhará em atrair para si a Sua influência.

Suspeitas quanto ao caráter dos membros da Seção também são prejudiciais ao avanço.

Em suma, qualquer sentimento malévolo, especialmente malícia, inveja ou vingança para com qualquer pessoa, alta ou baixa, cria condições peculiarmente obstrutivas no caminho do estudante e absolutamente impedirá o progresso de toda espécie.

A eliminação do desejo de recompensa auxilia o estudante em seu desenvolvimento.

18. Nenhum membro desta Seção pertencerá a qualquer outro corpo, associação ou organização com o propósito de estudo místico ou treinamento oculto, exceto a Maçonaria e os Odd Fellows, se assim o desejarem.

Mas

E. S. INTRODUÇÃO

eles devem ser tão cuidadosos em guardar o segredo desta Seção dos Maçons quanto o são em preservar os segredos da Maçonaria dos Teosofistas.

A razão para esta regra é tão evidente por si mesma que dispensa explicação.

19. Espera-se que todos os membros desta Seção possuam os seguintes livros e revistas, onde possam ser consultados, pois referências constantes a eles serão feitas no curso da instrução, e não serão fornecidos extratos extensos.

Obras sobre metafísica e artigos que exponham os ensinamentos de nossa Escola Especial devem ser adquiridos.

Os seguintes livros e revistas teosóficas devem ser especialmente atendidos:––

"A Doutrina Secreta."                       "Filosofia Yoga de Patanjali."              "O Bhagavad-Gita."                         "O Teosofista."              "Luz no Caminho."                         "Lúcifer."                                                        "O Caminho."

Esta regra não tem a intenção de forçar os membros à compra desses livros e revistas, mas o abaixo-assinado não tem tempo para copiar extratos, fornecendo explicações que já apareceram impressas.

Muito já foi publicado, e será necessário referir-se muito frequentemente a tal matéria, e se um membro estiver realmente impossibilitado de obter as publicações referidas, espera-se que outros que possam, mediante solicitação, forneçam o livro desejado ou uma cópia da matéria referida. E aqui, a alegação de pobreza––se for um pretexto––será tão prejudicial ao estudante quanto qualquer outro vício.

20. Como "a primeira prova do verdadeiro aprendizado é a devoção ao interesse de outrem," espera-se que os membros se esforcem para cumprir plenamente as cláusulas 1 e 5 do compromisso.

A Teosofia deve tornar-se uma força viva na vida e, como começo, deve ser aplicada em todas as relações, sejam elas comerciais, sociais ou pessoais.

"A doutrina", como um todo, "promulgada pelos Adeptos, sendo a única verdadeira, deve — apoiada por tais evidências que eles se preparam para fornecer — tornar-se, em última instância, triunfante como qualquer outra verdade.

Contudo, é absolutamente necessário inculcá-la gradualmente, impondo suas teorias, fatos incontestáveis para aqueles que sabem, com inferências diretas deduzidas e corroboradas pelas evidências fornecidas pela ciência exata moderna.

Para que essas doutrinas reajam praticamente sobre a vida, por meio do assim chamado código moral ou das ideias de veracidade, pureza, abnegação, caridade, etc., temos de pregar e popularizar um conhecimento da Teosofia.

Não é o propósito individual ou determinado de alcançar para si mesmo o NirvāŠa, que é, afinal, apenas um egoísmo exaltado e glorioso, mas a busca autossacrificante dos melhores meios para conduzir nosso próximo ao caminho certo e fazer com que tantos de nossos semelhantes quanto possível se beneficiem disso, o que constitui o verdadeiro Teosofista."


21. Os Membros da Seção não negligenciarão, portanto, os ramos exotéricos da Sociedade Teosófica, mas espera-se que infundam neles tanta energia no trabalho teosófico quanto puderem.

Embora nem todos possam ser professores, cada um pode familiarizar-se com as doutrinas teosóficas e promulgá-las àqueles que estão indagando.

"Quase não há um teosofista em toda a Sociedade que não possa ajudar eficazmente corrigindo impressões errôneas de estranhos, se não propagando ele próprio as ideias." Os esforços daqueles membros que beneficiam a Causa nunca devem ser impedidos por críticas da parte de outros que nada fazem, mas todos devem ser encorajados e receber toda a ajuda possível, mesmo que essa assistência seja limitada, pelas circunstâncias, a mero encorajamento.

Todo trabalho sinceramente fundamentado pela teosofia dará bons frutos, por mais inadequado que possa parecer aos olhos daqueles membros que estabeleceram para si mesmos e para todos os outros apenas um plano definido de ação.

Regras adicionais serão feitas se a exigência o requerer.

––––––––                                                     ORGANIZAÇÃO.

As comunicações a serem feitas serão encaminhadas na Europa diretamente de H. P. Blavatsky; na América, todas as comunicações serão enviadas através de William Q. Judge, Caixa Postal 2659, Nova York, E.U.A.; e todas as perguntas dirigidas a H. P. Blavatsky pelos membros desta Seção na América deverão ser encaminhadas ao referido William Q. Judge, e deverão trazer sobre si o número do membro conforme consta em seu certificado.

Como alguns certificados de admissão anteriores foram enviados sem trazer esse número de referência, todo membro que possua tal certificado deve solicitar imediatamente o seu número.

William Q. Judge está autorizado a estabelecer regulamentos a seu critério quanto ao método a ser seguido na América para a transmissão de comunicações, perguntas e respostas, e também quanto à nomeação de secretários assistentes.

LONDRES, 14 de dezembro de 1888.                                                  (Assinado) H. P. B.

––––––––––       [Estes excertos são de uma carta do Mahā-Chohan, muito provavelmente a carta mais importante dos Mestres.

Seu original não existe em nenhum dos Arquivos conhecidos.

Sua data aproximada é 1881. Cópias disponíveis mostram que foi destinada a A. P. Sinnett.

É introduzida pela seguinte breve declaração:      “Uma versão abreviada da visão do Chohan sobre a S.T. a partir de suas próprias palavras, conforme dadas na noite passada.

Minha própria carta, a resposta à sua, seguirá em breve.

K.H.”      Outros excertos desta comunicação foram publicados por H.P.B. em Lucifer, Vol.

II, agosto de 1888, pp. 431-32 (cf. Collected Writings, Vol.

X; pp. 78-81 com notas históricas de rodapé), e por William Quan Judge em The Path, Vol.

VII, fevereiro de 1893, pp. 333-35 (cf. Echoes of the Orient, Vol.

I, 1975, pp. 297-300). ––Compilador.] ––––––––––                                              INTRODUÇÃO À E. S.

Em seguida, foram emitidas as Instruções E. S. I e II de H.P.B. Elas foram primeiramente reproduzidas em um mimeógrafo “primitivo” de rolo manual.

Foram feitos estênceis, usou-se um rolo de tinta e as folhas tiveram de ser espalhadas para secar.

Henry T. Edge, aluno pessoal de H.P.B., então com apenas 22 anos de idade, contou-me que fez esse trabalho e que H.P.B. assinou algumas delas com suas iniciais, em alguns casos com o triângulo de três pontos após elas.

Quando foram impressos pela Aryan Press, organizada pelo Sr. Judge e James Morgan Pryse em Nova York em 1889, foram datados de janeiro e fevereiro de 1889, para a Instrução I, e março e abril para a Instrução II. Edições posteriores, que, infelizmente, são sem data, mostram que estas Instruções foram totalmente recompositas, com várias pequenas alterações e melhorias incorporadas.

A Instrução III, precedida pelas "Explicações Preliminares", foi emitida em 1889-90 e impressa.

Todas as palavras-chave nas "Explicações Preliminares" foram omitidas na cópia entregue ao impressor.

A própria H.P.B., com pena e tinta, escreveu as palavras-chave para as quais um espaço em branco havia sido deixado pelo tipógrafo, e então rubricou cada exemplar.

Depois que a H.P.B. Press foi instalada em Londres, por volta de novembro de 1890, e James M. Pryse veio dos EUA para operá-la, as Instruções foram impressas por ele.

Os números I e II foram encadernados juntos, e o número III foi encadernado separadamente.

Cópias foram enviadas ao Sr. Judge em Nova York, para os membros da E.S. na América.

Também foram enviadas folhas soltas em uma ocasião posterior, e o Sr. Judge as mandou encadernar para uso próprio.

O documento seguinte foi um pequeno livreto chamado Livro de Regras, consistindo em duas partes: texto e Regras.

O texto não tinha título especial, mas na verdade era o Memorando Preliminar emitido anteriormente.

A redação das Regras Gerais, em parte, pelo menos, redigida pelo Sr. Judge, foi ligeiramente modificada.

Com relação à Instrução No. III, deve-se notar que sua edição original contém o texto completo das "Explicações Preliminares à No. III das Instruções" de H.P.B., escritas em um momento de grave crise, ou melhor, série de crises, pelas quais a S.T. passou em 1889-90. Este texto original contém uma defesa vigorosa de W. Q. Judge contra ataques virulentos.

Na época em que as Instruções tiveram de ser reimpressas em Londres, por volta de 1890-91, certas porções dessas "Explicações Preliminares" foram omitidas por aqueles que haviam sido constituídos editores, sob a justificativa de que eram demasiadamente pessoais.

Isso foi feito quando H.P.B. estava doente demais para supervisionar o trabalho e, como ela disse posteriormente, sem sua sanção e muito contra sua vontade.

–––––––––– Conforme declarado na Nota Introdutória à Instrução No. III da E.S., edição de 1895. –––––––––– Para citar novamente o Dr. Archibald Keightley:


“ ‘Quando as cópias inglesas das Instruções tiveram de ser revisadas e reimpressas, este documento [Explicações Preliminares] foi parcialmente incorporado à Instrução nº III, e aqueles que estavam encarregados do trabalho omitiram certas porções do conteúdo.

Numa reunião doméstica realizada em 19, Avenue Road, em janeiro de 1894, o Sr. Mead declarou que:
“ ‘As Instruções estavam sendo revisadas com o propósito de imprimi-las;
“ ‘Ele considerava que seria melhor publicar as Instruções sem qualquer referência a pessoas vivas;
“ ‘Ele submeteu o assunto a H.P.B. para sua decisão;
“ ‘Na época, H.P.B. estava com a saúde muito debilitada, e era extremamente difícil atrair sua atenção para qualquer assunto de rotina.

“ ‘Disseram-lhe para não incomodar H.P.B., mas para “fazer como preferisse.”
“ ‘Ele, agindo conforme então considerava os melhores interesses da E.S.T., removeu todas as referências a pessoas vivas das Instruções.’

“ ‘O acima concorda com o que recordo dos procedimentos do Comitê da Casa e com a declaração de G. R. S. Mead feita a mim na época em que ele me entregou a cópia revisada para reimpressão da Instrução nº III.

(Assinado) James M. Pryse.’

“ ‘O acima é uma declaração verdadeira do que o Sr. Mead disse na reunião referida. Além disso, eu estive frequentemente presente no escritório particular de impressão da E.S.T. quando as Instruções estavam sendo impressas, e lembro que declarações do Sr. Pryse no mesmo sentido foram feitas a mim na época da revisão.

E lembro de ter discutido o assunto com o Sr. Mead antes da conclusão do livro, e ele fez declarações a mim pessoalmente no mesmo sentido.

(Assinado) Thomas Green.’

“ ‘O acima é um relato correto da explicação do Sr. Mead sobre a revisão, conforme dada na reunião referida. Durante o inverno de 1893-94, quando eu morava na Sede, ouvi o Sr. Mead dar o mesmo relato tanto antes quanto depois daquela reunião.

(Assinado) Ernest T. Hargrove.’ ”

–––––––––– Conforme declarado na Nota Introdutória à Instrução E.S. nº III, edição de 1895. Circular da E.S.T. de 12 de janeiro de 1895, citada anteriormente.

––––––––––

E. S. INTRODUÇÃO

O Dr. Archibald Keightley declara também na mesma Circular que “o Sr. Claude F. Wright também me deu o mesmo relato.”

Refiro-me ao assunto em detalhe porque um boato foi recentemente posto a circular de que H.P.B. . . ordenou as excisões acima referidas. Mas acima de tudo há sua própria declaração escrita de que tudo o que ela disse sobre o Sr. Judge naquele documento provinha da carta de seu próprio Mestre (enviada de Sikkim) a ela.

Todos os que conheceram H.P.B. ... sabiam que ela nunca teria removido intencionalmente as palavras do próprio Mestre de um documento que Ele lhe ordenara escrever, como de fato lhe ordenou que publicasse o documento referido . . .” A terceira edição impressa da Instrução Nº III, publicada em Nova York em 1895, restaurou as porções omitidas.

–––––––– Em 1890, na Inglaterra, foi publicado um segundo Memorando Preliminar, sendo este extratos das “Explicações Preliminares à Nº III das Instruções” de H.P.B., mais o parágrafo penúltimo dessa Instrução.

A Aryan Press em Nova York também publicou este segundo Memorando Preliminar em um panfleto de oito páginas.

Seu texto é o seguinte:

Estritamente privado e confidencial.

SEÇÃO ESOTÉRICA                                 MEMORANDO PRELIMINAR     “Se não podes cumprir teu compromisso, recusa-te a assumi-lo, mas uma vez que te ligaste a qualquer promessa, cumpre-a, ainda que tenhas de morrer por ela.”

A filiação à S. E., e os “compromissos” enviados, aceitos e assinados, não são garantias de um alto sucesso, nem visam esses compromissos a fazer de cada estudante um adepto ou um mago.

São simplesmente as sementes nas quais se esconde a potencialidade de toda verdade, o germe desse progresso que será a herança apenas da sétima Raça perfeita.

Um punhado dessas sementes foi-me confiado pelos guardiões dessas verdades, e é meu dever semeá-las ali, onde percebo uma possibilidade de crescimento.

É a parábola do Semeador posta mais uma vez em prática, e uma nova lição a ser extraída de sua nova aplicação.

As sementes que caem em boa terra darão fruto centuplicado, e assim compensarão em cada caso o desperdício daquelas sementes que terão caído à beira do caminho, em corações pedregosos e entre os espinhos das paixões humanas.

É dever do Semeador escolher o melhor solo para as colheitas futuras.

Mas ele é considerado responsável apenas na medida em que essa capacidade é diretamente

–––––––––– Este segundo Memorando Preliminar foi incluído em uma edição posterior do Livro de Regras publicada no final de 1891 por Annie Besant e William Q. Judge como co-chefes da S.E. –––––––––– ligados aos fracassos, e que tais são devidos unicamente a isso; é o Karma dos indivíduos que recebem as sementes por pedi-las, que recompensará ou punirá aqueles que falham em seus deveres para com o seu EU SUPERIOR.


(Do “Livro da Disciplina” nas escolas de “Dzyan”.)

“1. PARA O DISCÍPULO SÉRIO, SEU MESTRE OCUPA O LUGAR DE PAI E MÃE.

POIS, ENQUANTO ELES LHE DERAM O CORPO E SUAS FACULDADES, SUA VIDA E FORMA CASUAL, O MESTRE LHE MOSTRA COMO DESENVOLVER AS FACULDADES INTERIORES PARA A AQUISIÇÃO DA SABEDORIA ETERNA.

“2. PARA O DISCÍPULO, CADA COMPANHEIRO DE DISCIPULADO TORNA-SE UM IRMÃO E UMA IRMÃ, UMA PORÇÃO DE SI MESMO, POIS SEUS INTERESSES E ASPIRAÇÕES SÃO OS DELES, SEU BEM-ESTAR ENTRELAÇADO COM O DELES, SEU PROGRESSO AJUDADO OU DIFICULTADO PELA INTELIGÊNCIA, MORALIDADE E COMPORTAMENTO DELES, ATRAVÉS DA INTIMIDADE PROPORCIONADA PELO CO-DISCIPULADO.

“3. UM CO-DISCÍPULO OU ASSOCIADO NÃO PODE RETROCEDER OU SAIR DA LINHA SEM AFETAR AQUELES QUE PERMANECEM FIRMES, ATRAVÉS DO VÍNCULO SIMPÁTICO ENTRE SI E AS CORRENTES PSÍQUICAS ENTRE ELES E SEU MESTRE.

“4. AI DO DESERTOR, AI TAMBÉM DE TODOS AQUELES QUE AJUDAM A LEVAR SUA ALMA AO PONTO ONDE A DESERÇÃO PRIMEIRO SE APRESENTA AOS OLHOS DE SUA MENTE, COMO O MENOR DE DOIS MALES.

OURO NO CADINHO É AQUELE QUE SUPORTA O CALOR FUNDENTE DA PROVAÇÃO, E DEIXA APENAS A ESCÓRIA SER QUEIMADA DE SEU CORAÇÃO; AMALDIÇOADO PELA AÇÃO KÁRMICA SE ENCONTRARÁ AQUELE QUE LANÇA ESCÓRIA NO CADINHO DO DISCIPULADO PARA A DEGRADAÇÃO DE SEU COMPANHEIRO DE ESTUDO.

ASSIM COMO OS MEMBROS PARA O CORPO, ASSIM SÃO OS DISCÍPULOS UNS PARA OS OUTROS, E PARA A CABEÇA E O CORAÇÃO QUE OS ENSINAM E NUTREM COM A CORRENTE DE VIDA DA VERDADE.

“5. ASSIM COMO OS MEMBROS DEFENDEM A CABEÇA E O CORAÇÃO DO CORPO A QUE PERTENCEM, ASSIM TÊM OS DISCÍPULOS DE DEFENDER A CABEÇA E O CORAÇÃO DO CORPO A QUE PERTENCEM (neste caso, a Teosofia) DE DANOS.

(De uma Carta de um Mestre.)       . . . . E SE OS MEMBROS TÊM DE DEFENDER A CABEÇA E O CORAÇÃO DE SEU CORPO, ENTÃO POR QUE NÃO TAMBÉM OS DISCÍPULOS, SEUS MESTRES, COMO REPRESENTANTES DA CIÊNCIA DA TEOSOFIA, QUE CONTÉM E ––––––––––       “Assim estarás em plena harmonia com tudo o que vive; tem amor pelos homens como se fossem teus irmãos de estudo, discípulos de um só Mestre, os filhos de uma mesma doce mãe.” (Ver Fragmento III, na Voz do Silêncio, p. 49.) ––––––––––

INTRODUÇÃO E. S.

INCLUI A “CABEÇA” DO SEU PRIVILÉGIO, O “CORAÇÃO” DO SEU CRESCIMENTO ESPIRITUAL? DIZ A ESCRITURA:— “AQUELE QUE NÃO LAVA A IMUNDÍCIE COM QUE O CORPO DO PROGENITOR POSSA TER SIDO PROFANADO POR UM INIMIGO, NEM AMA O PROGENITOR NEM HONRA A SI MESMO.

AQUELE QUE NÃO DEFENDE OS PERSEGUIDOS E OS DESAMPARADOS, QUE NÃO DÁ DO SEU ALIMENTO AO FAMINTO NEM TIRA ÁGUA DO SEU POÇO PARA O SEDENTO, NASCEU CEDO DEMAIS EM FORMA HUMANA.

“EIS A VERDADE DIANTE DE VÓS: UMA VIDA LIMPA, UMA MENTE ABERTA, UM CORAÇÃO PURO, UM INTELECTO ÁVIDO, UMA PERCEPÇÃO ESPIRITUAL DESVELADA, UMA FRATERNIDADE PARA COM O CO-DISCÍPULO, UMA PRONTIDÃO PARA DAR E RECEBER CONSELHO E INSTRUÇÃO, UM LEAL SENSO DE DEVER PARA COM O MESTRE, UMA OBEDIÊNCIA VOLUNTÁRIA AOS MANDAMENTOS DA VERDADE, UMA VEZ QUE TENHAMOS DEPOSITADO NOSSA CONFIANÇA E ACREDITADO QUE ESSE MESTRE ESTEJA DE POSSE DELA; UMA CORAJOSA RESIGNAÇÃO À INJUSTIÇA PESSOAL, UMA BRAVA DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS, UMA VALENTE DEFESA DAQUELES QUE SÃO INJUSTAMENTE ATACADOS, E UM OLHAR CONSTANTE PARA O IDEAL DE PROGRESSO E PERFEIÇÃO HUMANOS QUE A CIÊNCIA SECRETA (Gupta-Vidyā) DESCREVE––ESTES SÃO OS DEGRAUS DOURADOS PELOS QUAIS O APRENDIZ PODE SUBIR ATÉ O TEMPLO DA SABEDORIA DIVINA.”

(Do nº III das Instruções.)

O bem e o mal são relativos, e são intensificados ou diminuídos conforme as condições pelas quais o homem está cercado.

Aquele que pertence ao que chamamos de “porção inútil da humanidade”, isto é, a maioria leiga, é em muitos casos irresponsável.

Crimes cometidos em Avidyā (ignorância) envolvem responsabilidades físicas, mas não morais, nem Karma.

Tomemos, por exemplo, o caso dos idiotas, crianças, selvagens e outras pessoas que não sabem o que fazem.

Mas o caso de cada um de vós, comprometidos com o EU SUPERIOR, é questão bem diferente.

Não podeis invocar esta testemunha divina impunemente, e uma vez que vos tenhais colocado sob sua tutela, pedistes à Luz Radiante que brilhe e perscrute todos os recantos escuros do vosso ser; conscientemente invocastes a justiça divina do Karma para que tome nota de vossos motivos, examine vossas ações e registre tudo em vossa conta.

O passo é tão irrevogável quanto o do infante ao nascer.

Nunca mais podereis forçar-vos de volta à Matriz da Avidyā e da irresponsabilidade.

A renúncia e a devolução de vossos compromissos não vos ajudarão.

Embora fujais para os confins da terra e vos oculteis da vista dos homens, ou busqueis o esquecimento no tumulto do turbilhão social, essa Luz vos encontrará e iluminará cada pensamento, palavra e ação.

Acaso algum de vós é tão tolo a ponto de supor que é à pobre e miserável H.P.B. que

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS dais a vossa promessa? Tudo o que ela pode fazer é enviar a cada um dos sinceros entre vós uma mais fraternal simpatia e esperança de bom êxito para os vossos esforços.

Contudo, não vos desanimeis, mas tentai, sempre continuai tentando; vinte fracassos não são irremediáveis se seguidos de igual número de lutas intrépidas para o alto: não é assim que se escalam montanhas? E sabei ainda que, se o Karma registra impiedosamente na conta do esotericista as más ações que no ignorante seriam ignoradas, igualmente verdadeiro é que cada uma de suas boas ações, em razão de sua associação com o Eu Superior, é centuplicada como potencialidade para o bem.

––––––––     Na parte final de 1889, a seguinte comunicação foi dirigida por H.P.B. aos seus esotericistas:     E.S.T.S. Estritamente Privada e Confidencial.

O seguinte foi recebido por mim, com ordens de enviar uma cópia                                            a todos os membros da Seção.

William Quan Judge,                                                                                           Sec.

para H.P.B. Seção Esotérica   [Selo S.T.]                                                                            17 Lansdowne Road,                                                                                        Londres,                                                                                  29 de novembro de 1889. H. P. Blavatsky

Aos Esotericistas:          Assim como se veem as imperfeições do rosto olhando-se num espelho, também a mera apresentação a vós da     imagem resplandecente do verdadeiro e avançado esotericista revelou aos sinceros entre vós as vossas próprias     imperfeições.

A revelação é tão impressionante que alguns dos melhores membros da S.E. têm,     com precipitação indevida, querido romper sua ligação e saltar para fora do “Sendero”. Eles não sabiam     que, se entre eles houvesse alguém que encarnasse em si o ideal descrito, seria meu dever     ceder-lhe a cadeira de Instrutora.

Pois seria o extremo da audácia em mim reivindicar a     posse de tantas virtudes.

Que os Mestres possuem, na proporção de seus respectivos temperamentos, em estágios do desenvolvimento Bodhisátvico, tais Pāramitās, constitui seu direito à nossa reverência como nossos Instrutores.

Deve ser o objetivo de cada um e

––––––––––      Leia as páginas 40 e 63 em A Voz do Silêncio.

––––––––––

INTRODUÇÃO DA S.E.

todos nós lutar com toda a intensidade de nossas naturezas para segui-los e imitá-los.

Retirem suas resignações, então, ó sinceros, que, deslumbrados pelo ideal apresentado a vocês na carta do Mestre, e feridos por seu senso de imperfeição, adotaram o expediente errado de se retirar.

Isso é o inverso da bravura.

Tentem perceber que o progresso é feito passo a passo, e cada passo conquistado por esforço heroico.

Retirar-se significa desespero ou timidez.

“Nenhum Arhan, ó Lanoo, torna-se um naquele nascimento em que, pela primeira vez, a Alma começa a ansiar pela liberação final.” (A Voz do Silêncio, p. 39.) Leiam essas palavras e lembrem-se delas.

“E se ele cai, mesmo então não cai em vão; os inimigos que ele matou na última batalha não retornarão à vida no próximo nascimento que será seu.” (Ibid., p. 40.) Paixões conquistadas, como tigres mortos, não podem mais se voltar para dilacerá-lo.

Sejam esperançosos, então, não desesperados.

A cada despertar da manhã, tentem viver o dia em harmonia com o Eu Superior.

“Tentar” é o grito de guerra ensinado pelos Mestres a cada discípulo.

Nada mais é esperado de vocês.

Aquele que faz o seu melhor faz tudo o que pode ser pedido.

Há um momento em que até um Buda deixa de ser um mortal pecador e dá seu primeiro passo em direção à Budeidade.

Assim, então, para responder a perguntas simples feitas a mim em várias cartas por Esoteristas assustados, digo que, provavelmente, embora nenhum de vocês possa alcançar neste nascimento este ideal completo (da Budeidade), ainda assim cada um de vocês pode começar a trilhar o “šryāsh˜ā‰ga-Mārga.” Com medo das Pāramitās, estão? Um homem pode ser paciente, bondoso e consciencioso, sem se tornar imediatamente um Rei Harichandra.

“As dezesseis Pāramitās não são apenas para sacerdotes e yogis,” como foi dito, mas servem como modelos para todos almejarem; e nem sacerdote nem yogi, chela ou Mahātma, jamais alcançou tudo de uma vez.

Novamente, a ideia de que pecadores e santos são esperados para entrar no Caminho é enfaticamente declarada em A Voz do Silêncio, p. 40, onde se diz que “nenhum recruta pode jamais ser recusado o direito de entrar no caminho que leva ao campo de batalha.”      Leiam a “Voz”, eu digo.

Foi escrito para você, e a você dedicado, por ordem especial dos Mestres.

Nele você encontrará todas as suas indagações antecipadas e respondidas.

Fraternalmente seu,                                                                                                               H.P.B.      Nota. –– Pāramitās são as virtudes transcendentais. –– W.Q.J.

––––––––––        [Nobre Caminho Óctuplo. –– Comp.] –––––––––– Com relação ao Compromisso dos Probacionistas, uma de suas primeiras versões foi publicamente divulgada nas páginas de Lucifer (Volume III, setembro de 1888, pp. 63-67), em um artigo intitulado "O Significado de um Compromisso", atribuído ao Dr. Archibald Keightley, e que aqui reproduzimos.


O SIGNIFICADO DE UM COMPROMISSO

Considerou-se aconselhável que os membros de certa Loja Oculta da S.T. tenham diante de si o significado do Compromisso que estão prestes a assumir, exposto da maneira mais clara possível.

De qualquer forma, que aqueles que já assinaram o Compromisso apresentem àqueles que estão prestes a fazê-lo tudo o que entendem que este Compromisso significa e o que a sua assinatura implica.

O Compromisso é o seguinte:           "1. Comprometo-me a esforçar-me para tornar a Teosofia um fator vivo em minha vida.

"2. Comprometo-me a apoiar, perante o mundo, o movimento teosófico, seus líderes e seus membros.

"3. Comprometo-me a nunca ouvir sem protesto qualquer coisa maldosa dita sobre um Irmão Teosofista e a abster-me de condenar os outros.

"4. Comprometo-me a manter uma luta constante contra minha natureza inferior e a ser caridoso com as fraquezas dos outros.

"5. Comprometo-me a fazer tudo ao meu alcance, pelo estudo ou de outra forma, para me habilitar a ajudar e ensinar os outros.

"6. Comprometo-me a dar todo o apoio que puder ao movimento, em tempo, dinheiro e trabalho.

"Assim me ajude meu Eu Superior."

É imediatamente evidente que este não é um Compromisso geral como aquele que é assumido tão levianamente pelos membros da Sociedade Teosófica; mas que é um compromisso específico de fazer e de se esforçar para fazer certas coisas.

Também que é feito sob uma invocação: ––                                             "Assim me ajude meu Eu Superior."

O termo "Eu Superior" recentemente entrou em uso considerável –– pelo menos no que diz respeito à Sociedade Teosófica.

Para aqueles que estudaram o significado das palavras, é imediatamente evidente que "fazer um juramento" da maneira comum dos cristãos é muito menos sério do que um Compromisso na presença do "Eu Superior". Além disso, o "Eu Superior" não é uma espécie de essência sublimada de qualquer homem; uma espécie de "personalidade" espiritualizada. Ele é universal e

INTRODUÇÃO DA E. S.

sem segundo, e nesse sentido o termo "meu Eu Superior" parece inadequado.

Mas todo homem, por mais vagamente que seja, é uma manifestação do Eu Superior, e é pela conexão do J…va, a Mônada, com o "Eu Superior" sem segundo que é possível usar o termo.

O que significa então a invocação? O homem que faz este Compromisso no espírito correto invoca a Ele, e convoca toda ajuda e bênção d'Ele para sua assistência.

Por um intenso desejo de estar sob Sua proteção, ele (embora Ele em si seja latente e passivo) coloca-se sob a proteção dos poderes ativos e benéficos que são os raios diretos do Absoluto Eu Superior sem Segundo.

Mas se um homem faz este Compromisso e trai seu Eu Superior, ele arrisca todo o mal e o atrai sobre si mesmo.

Assim, então, aquele que permanece fiel ao Compromisso não tem nada a temer; mas aquele que não tem confiança em si mesmo para manter o Compromisso depois de feito, faria melhor em deixá-lo e, muito mais, deixar o Ocultismo de lado.

Quebrar este Compromisso não pode, então, envolver penalidade sobre o "Eu Superior", mas pode afetar o homem individual.

O "Eu Superior" é imortal, mas a Mônada existe como um indivíduo separado apenas durante os Manvantaras, e ao redor dela várias personalidades são formadas.

Esta encarna a cada novo nascimento, e não apenas pode ser, mas é, punida se tal Compromisso for quebrado.

Uma vez que tenha progredido o suficiente para reconhecer a luz gloriosa do Eu Superior e desejar viver nela, a quebra do Compromisso tende a uma condição que impediria a possibilidade de que essa luz não apenas beneficiasse a Mônada, mas até mesmo a alcançasse. Assim, todos os homens estão na presença de duas forças na natureza.

Uma delas é ativa e benéfica, cuja ajuda e assistência é diretamente invocada pelo Compromisso; a outra é ativa, mas maléfica, que é representada por seres que têm um interesse distinto em impedir a operação do Compromisso e em dificultar o trabalho da Sociedade Teosófica.

Vemos isso mais claramente quando sabemos que nos Comprometemos a ser ativos, e não meramente a nos esforçar para ser. Além disso, há poderes na terra e na carne, bem como na luz astral, que desejam impedir e obstruir que o Compromisso se efetive.

Alguns agem conscientemente dessa maneira, e outros porque são impelidos a tal ação consciente, mas sem qualquer conhecimento da razão ou força que os impele a isso.

Devemos nos esforçar para "tornar a Teosofia um fator vivo em nossas vidas". Antes de podermos nos esforçar para fazer isso, muito menos fazê-lo eficazmente, devemos primeiro compreender o que é a Teosofia e, de fato, definir para nós mesmos o que individualmente entendemos por Teosofia.

Ora, é exatamente essa definição, sua ausência, e nossa ignorância geral que até agora nos tem impedido de levar a cabo esse esforço.


Nada precisa ser dito aqui sobre a Sociedade Teosófica e o benefício que lhe adviria se mesmo uma pequena seção de seus membros tornasse a Teosofia efetivamente o fator vivo em suas vidas.

Muito poucos o fazem, e é demasiado verdade que um membro da Sociedade Teosófica não é necessariamente um Teosofista.

Mas aqueles que assumem este Compromisso não se contentam em permanecer nominalmente como membros da Sociedade, mas aspiram a ser Teosofistas de fato.

E, portanto, é tão necessário que todos aprendam o que é um Teosofista e o que qualquer homem deve fazer para tornar a Teosofia um fator vivo em sua vida.

Como definição negativa, nada poderia ser melhor do que a definição em Lucifer, Vol. I, novembro de 1887, p. 169: "Aquele que não pratica o altruísmo; aquele que não está disposto a compartilhar seu último pedaço com alguém mais fraco ou mais pobre do que si mesmo; aquele que negligencia ajudar seu irmão homem, de qualquer raça, nação ou credo, sempre e onde quer que encontre sofrimento, e que dá ouvidos surdos ao clamor da miséria humana; aquele que ouve uma pessoa inocente ser caluniada, seja um irmão Teosofista ou não, e não empreende sua defesa como empreenderia a sua própria––não é Teosofista." Mas esta definição também contém o lado positivo.

Não é suficiente meramente abster-se de fazer aquilo que é condenado nesta definição.

O lado negativo sozinho é inútil para aqueles que assumem este Compromisso––e não meramente inútil, pois envolve praticamente a quebra do Compromisso.

O Compromisso exige não apenas que o homem que o assume se abstenha de praticar o mal, mas, além disso, que trabalhe positivamente de forma altruísta e defenda qualquer pessoa inocente como a si mesmo.

Muitos homens podem ser tão incolores que não ofendem as cláusulas negativas do Compromisso e da definição; mas poucos são aqueles que são suficientemente positivos em seu próprio caráter, não apenas para não ofender essas cláusulas, mas também para trabalhar na direção oposta.

Pois a maior importância não consiste no "eu não farei", mas no "eu farei". Assim, é necessária alguma força para a impessoalidade.

Essa impessoalidade é de dois tipos: negativa e positiva.

Para a negativa, é necessária força para lutar contra as forças da hereditariedade e da educação, e impedir a obediência aos instintos e hábitos adquiridos desta e de outras encarnações.

Mas é necessária maior força para cruzar o ponto zero e criar novos instintos e hábitos em meio a condições de vida e hábitos de pensamento que se opõem violentamente à nova criação.

E pareceria que a força é necessária para que fosse possível conquistar as tendências de um demônio e crescer até a divindade.

E se considerarmos o Compromisso de modo geral, pareceria ser um instrumento admirável, em vista da definição acima citada, para descobrir e atacar todos em seus pontos fracos.

Como homens e mulheres, o

INTRODUÇÃO À E. S.

Compromisso nos obriga a nos abster de agir e pensar em nossa vida diária como nossa educação até agora nos compeliu a fazer. Se não nos abstivermos, não tornamos a Teosofia um fator vivo em nossas vidas.

E mais, enquanto estamos engajados nessa tarefa difícil, o lado positivo aparece e nos é dito que temos que fazer outras coisas igualmente difíceis — caso contrário, não somos teosofistas.

A segunda cláusula do Compromisso será uma pedra de tropeço para muitos membros mornos da Sociedade Teosófica.

Muitos podem estar em completo acordo com os objetivos da Sociedade Teosófica, na medida em que os compreendem, mas também em completo desacordo com os líderes da Sociedade e seu método de trabalho.

Não apenas podem discordar, mas também podem estar em hostilidade aberta ou oculta para com esses líderes e muitos dos membros.

Não adianta disfarçar de nós mesmos o fato de que este tem sido o caso e, infelizmente, pode ser novamente.

Trabalhamos pela "Fraternidade Universal" e estamos em inimizade com nossos vizinhos imediatos.

Isto, então, comprometemo-nos a deter, e a extirpar de nossas naturezas essa tendência.

Assim, a Cláusula 2 tem uma referência especial a certas pessoas, surgindo das circunstâncias gerais.

Surge naturalmente a questão: "De que serve uma Sociedade Teosófica com tais objetivos, quando é composta de elementos tão diversos?" E ainda: "Tem a Sociedade alguma coerência e propósito que a tornem um poder vivo na sociedade pela qual está cercada?" Pois existe uma analogia; e a Sociedade é um indivíduo entre sociedades, assim como homens e mulheres são indivíduos.

E pode-se aqui afirmar enfaticamente que o poder e a força de qualquer corpo dado não é a força total de suas unidades componentes, mas que o corpo tem uma força e um poder individuais próprios, aparte delas.

Basta recorrer à química das "ligas" para ver que isso é verdade.

Se então considerarmos a Sociedade, não parece que qualquer de sua força se deva ao propósito e à ação unidos de seus membros individuais.

Mas ela tem um grande propósito, e a este um certo número de indivíduos devotados sacrificou tudo o que estava ao seu alcance.

Entre estes, os fundadores e atuais líderes da Sociedade são exemplos notáveis.

O resultado é que a Sociedade continua a existir exotericamente.

Mas a existência continuada da Sociedade não se deve apenas a esses poucos esforços individuais, mas à influência subjacente daqueles sob cuja direção a Sociedade foi fundada por seus atuais líderes, e ao cuidado protetor desses Mestres de Sabedoria, depois de fundada.

A Cláusula 3 abre para muitos, tal como a Sociedade está atualmente constituída, uma boa dose de raciocínio casuístico.

Foi dito, e pareceria verdadeiramente dito, que é perfeitamente possível àqueles que são verdadeiros Teosofistas condenar um ato, mas não o ator.

Mas isto se verá ser uma distinção muito sutil e difícil de fazer na vida.


Luz no Caminho, também, adverte o aspirante contra a justiça própria de caráter semelhante, "pois a vestimenta suja que você hesita em tocar pode ter sido sua ontem, pode ser sua amanhã." Assim, aqueles que fazem este Compromisso estão prestes a enfrentar uma dificuldade muito sutil (pois na vida o ato e o ator estão indissoluvelmente ligados), a menos que tenham alcançado o poder de observar e ler em um plano que está atualmente além do alcance da maioria da humanidade.

No entanto, mesmo que esse poder esteja além do alcance no presente, é, em todos os casos, correto que aqueles que aspiram a ser teosofistas tentem.

Podemos ao menos colocar um freio em nossos lábios físicos e nos esforçar para fazê-lo em nossa mente, e assim nos abster de "condenar os outros". Pois a condenação silenciosa da mente pareceria mais "viciosa" do que a fala física, pois, de qualquer forma, no "juiz", é uma forma de covardia moral.

E aqui reside a casuística.

Pois, além da definição em Lucifer, tem sido permitido àqueles que fazem o Voto considerar que seus irmãos humanos não são "Irmãos Teosofistas" e, portanto, que é lícito julgar e condenar.

Assim, se pudesse ser claramente provado que qualquer homem ou mulher errou contra a referida definição, seria possível receber absolvição do voto de "nunca ouvir sem protesto qualquer coisa maldosa dita" sobre eles.

Mas a definição impede isso com seu "seja irmão teosofista ou não", e concorda com a máxima legal tão raramente posta em prática – sempre considerar um homem inocente até que se prove sua culpa.

A suspeita é um hóspede perigoso de se abrigar, e somos finalmente trazidos de volta ao fato de que é melhor "não julgar para não ser julgado".

As Cláusulas 4 e 5 são a conclusão de resoluções que vão direto ao centro de tudo o que milita contra a Teosofia e contra sua formação como fator vivo na vida dos homens.

Nesse sentido, a Cláusula 6 também é uma conclusão.

Mas o poder de ajudar e ensinar outros só pode ser encontrado no espírito unido da vida, que é um espírito de igualdade absoluta e no sentido de que, para o teosofista, todo homem é um mestre.

A Cláusula 6 é uma ratificação de tudo o que veio antes, mas o coloca em termos mais definidos.

Assim, antes que este Voto seja feito, é necessário que todos os que aspiram a fazê-lo verifiquem cuidadosamente, antes de se comprometerem a trabalhar e agir pela Teosofia, o que a Teosofia realmente é. A Teosofia é idêntica à prática da Sociedade Teosófica? Se não é, deveria ser? Devo me esforçar para torná-la assim? Ao me comprometer a trabalhar por ela, estou eu, num futuro próximo ou distante, nesta ou em alguma encarnação sucessiva, buscando uma recompensa? Pareceria então que um dos primeiros requisitos é se esforçar para "Conhecer a Ti Mesmo".

Tal Voto não deve ser feito levianamente nem num espírito de mero

INTRODUÇÃO DA S. E.

emocionalismo.

Deve ser assumido com uma firme resolução de cumprir seus requisitos cada vez mais plenamente, mesmo a todo custo para o homem que o assume. É assumido por conta e risco daquele que o toma num espírito impensado, sem examinar o que realmente significa e sem a intenção de fazer do seu cumprimento o objetivo supremo da sua vida.

É necessário "ler, marcar, aprender e digerir interiormente" as verdades que existem na Teosofia, e então talvez possa raiar para o mundo o dia em que todos os homens sejam como irmãos, e a Fraternidade Universal seja uma realidade e o guia de toda a existência.

UM QUE ESTÁ COMPROMETIDO.

Tais são os fatos, em linhas gerais, das circunstâncias que prevaleceram durante as etapas formativas da Seção Esotérica.

Deve-se ter em mente que era meramente a forma externa de uma Escola Interna que existia desde a antiguidade imemorial, e cujas ramificações e manifestações externas podem ser rastreadas em todas as partes do mundo e entre todos os grupos étnicos da humanidade.

BORIS DE ZIRKOFF.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                       INSTRUÇÃO Nº I

IMPRESSO PRIVADAMENTE NA IMPRENSA ARIANA

AVISO

Deve ser claramente entendido que esta Escola é totalmente separada da organização exotérica da Sociedade Teosófica e não tem conexão oficial com ela.

ESTRITAMENTE PRIVADO E CONFIDENCIAL

NÃO É PROPRIEDADE DE NENHUM MEMBRO, E DEVE SER DEVOLVIDO SOB SOLICITAÇÃO AO AGENTE DO CHEFE DA S.E.T.

INSTRUÇÃO Nº I

––––––––––

UM AVISO DIRIGIDO A TODOS OS ESOTERICISTAS.

Há uma lei estranha no Ocultismo que foi verificada e comprovada por milhares de anos de experiência; nem deixou de se demonstrar, quase em todos os casos, durante os quinze anos de existência da S. T.

Assim que alguém se compromete como "Probacionista", certos efeitos ocultos se seguem.

Desses, o primeiro é o lançar para fora de tudo o que está latente na natureza do homem: seus defeitos, hábitos, qualidades ou desejos reprimidos, sejam bons, maus ou indiferentes.

Por exemplo, se um homem é vaidoso, ou sensualista, ou ambicioso, seja por Atavismo ou por herança cármica, todos esses vícios certamente irromperão, mesmo que ele os tenha até então ocultado e reprimido com sucesso.

Eles virão à tona irreprimivelmente, e ele terá de lutar cem vezes mais arduamente do que antes, até matar todas essas tendências em si mesmo.

Por outro lado, se ele é bom, generoso, casto e abstêmio, ou possui qualquer virtude até então latente e oculta nele, ela se manifestará tão irreprimivelmente quanto o resto.

Assim, um homem civilizado que odeia ser considerado um santo e, portanto, assume uma máscara, não conseguirá ocultar sua verdadeira natureza, seja ela vil ou nobre.

ISTO É UMA LEI IMUTÁVEL NO DOMÍNIO DO OCULTO.

Sua ação é tanto mais marcante quanto mais sincero e ardente for o desejo do candidato, e quanto mais profundamente ele tiver sentido a realidade e a importância de seu compromisso.

Portanto, que todos os membros desta Escola sejam advertidos e fiquem em guarda; pois mesmo durante os três meses antes do início do ensino esotérico, vários dos candidatos mais promissores falharam ignominiosamente.

O antigo axioma oculto, "Conhece-te a Ti Mesmo", deve ser familiar a todo membro desta Escola; mas poucos, se é que algum, apreenderam o verdadeiro significado desta sábia exortação do Oráculo de Delfos.


Todos conheceis vosso pedigree terreno, mas quem de vós já traçou todos os elos da hereditariedade, astral, psíquica e espiritual, que concorrem para fazer de vós o que sois? Muitos escreveram e expressaram seu desejo de se unirem ao seu Ego Superior, mas nenhum parece conhecer o elo indissolúvel que conecta seus "Egos Superiores" ao EU Universal Único.

Para todos os propósitos do Ocultismo, seja prático ou puramente metafísico, tal conhecimento é absolutamente necessário.

Propõe-se, portanto, iniciar a instrução esotérica mostrando essa conexão em todas as direções com os mundos: Absoluto, Arquetípico, Espiritual, Mânasico, Psíquico, Astral e Elemental.

Antes, porém, de podermos tocar nos mundos superiores – Arquetípico, Espiritual e Mânasico – devemos dominar as relações do sétimo, o mundo terrestre, a Prakriti inferior, ou Malkuth, como na Cabala, com os mundos ou planos que imediatamente o seguem. É claro que, uma vez admitido que o corpo humano tem relação direta com tais mundos superiores, a especialização dos órgãos e partes do corpo exigirá a menção de todas as partes do organismo humano, sem exceção.

Aos olhos da verdade e da natureza, nenhum órgão é mais nobre ou mais ignóbil do que outro.

Os antigos consideravam como os mais sagrados precisamente aqueles órgãos que associamos a sentimentos de vergonha e segredo; pois são os centros criativos, correspondentes às Forças Criativas do Kosmos.

Os Esoteristas são, portanto, advertidos de que, a menos que estejam preparados para aceitar tudo no espírito da verdade e da natureza, e esquecer o código de falsa decência gerado pela hipocrisia e pelo vergonhoso abuso de funções primordiais, que outrora foram consideradas divinas — é melhor que não estudem o Esoterismo.

––––––––––                                                          OM      “ŌM,” diz o Adepto árya, o filho da Quinta Raça, que com esta sílaba começa e termina sua saudação ao ser humano, sua conjuração ou apelo a PRESENÇAS não humanas.

“ŌM-MANI,” murmura o Adepto turaniano, o descendente da Quarta Raça; e após uma pausa acrescenta, “PADME-HŪM.”      Esta famosa invocação é traduzida de modo muito errôneo pelos orientalistas como significando, “Ó a Jóia no Lótus.” Pois, embora literalmente ŌM seja uma sílaba sagrada à Divindade, PADME signifique “no Lótus,” e MANI seja qualquer pedra preciosa, ainda assim nem as próprias palavras, nem seu significado simbólico, são assim realmente traduzidos com correção.

INSTRUÇÃO E. S. Nº I

Nesta, a mais sagrada de todas as fórmulas orientais, não apenas cada sílaba possui uma potência secreta produzindo um resultado definido, mas toda a invocação tem sete significados diferentes e pode produzir sete resultados distintos, cada um dos quais pode diferir dos outros.

Os sete significados e os sete resultados dependem da entonação dada à fórmula inteira e a cada uma de suas sílabas; e até o valor numérico das letras é acrescentado ou diminuído conforme tal ou qual ritmo seja empregado. Lembre o estudante de que o número subjaz à forma, e o número guia o som.

O número está na raiz do Universo manifestado; números e proporções harmoniosas guiam as primeiras diferenciações da substância homogênea em elementos heterogêneos; e o número e os números estabelecem limites à mão formativa da Natureza.

Conhece os números correspondentes do princípio fundamental de cada elemento e de seus subelementos, aprende sua interação e comportamento no lado oculto da natureza manifestante, e a lei das correspondências te conduzirá à descoberta dos maiores mistérios da vida macrocósmica.

Mas para chegar ao macrocósmico, deves começar pelo microcósmico: i.e., deves estudar o HOMEM, o microcosmo — neste caso como o faz a ciência física — indutivamente, procedendo dos particulares aos universais.

Ao mesmo tempo, porém, como é necessária uma nota fundamental para analisar e compreender quaisquer combinações de diferenciações do som, nunca devemos perder de vista o método platônico, que começa com uma visão geral de tudo e desce do universal ao individual.

Este é o método adotado na Matemática––a única ciência exata que existe em nossos dias.

Estudemos, portanto, o Homem; mas se o separarmos por um momento do Todo Universal, ou o contemplarmos isoladamente, sob um único aspecto, à parte do “Homem Celeste”––o Universo simbolizado por Adam-Kadmon ou seus equivalentes em toda filosofia––ou cairemos na magia negra ou fracassaremos de modo mais inglório em nossa tentativa.

Assim, a sentença mística “Ōm Mani Padme H¶m”, quando corretamente compreendida, em vez de ser composta pelas palavras quase sem sentido, “Ó a Jóia no Lótus”, contém uma referência a essa união indissolúvel entre o Homem e o Universo, apresentada de sete maneiras diferentes e tendo a capacidade de sete aplicações distintas a outros tantos planos de pensamento e ação.

Sob qualquer aspecto que a examinemos, ela significa: “Eu sou o que sou”; “Eu estou em ti e tu estás em mim.” Nessa conjunção e íntima união, o homem bom e puro torna-se um deus.

Consciente ou inconscientemente, ele produzirá ou causará inocentemente resultados inevitáveis.

No primeiro caso, se um Iniciado––é claro que se entende apenas um Adepto do Caminho da Mão Direita––ele pode guiar uma corrente benéfica ou protetora e, assim, beneficiar e proteger indivíduos e até nações inteiras.


No segundo caso, embora totalmente inconsciente do que estava fazendo, o homem bom torna-se um escudo para aqueles com quem está.

Tal é o fato; mas o seu como e porquê precisam ser explicados, e isso só pode ser feito quando a presença e a potência reais dos números nos sons, e portanto nas palavras e letras, tiverem sido tornadas claras.

A fórmula “Ōm Mani Padme H¶m” foi escolhida como ilustração por causa de sua potência quase infinita na boca de um Adepto e de sua potencialidade quando pronunciada por qualquer homem.

Cuidado, todos vós que ledes isto: não useis estas palavras em vão ou quando estiverdes com raiva, para que não vos torneis vós mesmos a primeira vítima sacrificial ou, o que é pior, ponhais em perigo aqueles que amais.

O orientalista profano, que durante toda a vida apenas roça as exterioridades, dir-lhe-á levianamente, rindo-se da superstição, que no Tibete esta sentença é a mais poderosa invocação de seis sílabas e que se diz ter sido entregue às nações da Ásia Central por Padmapāṇi, o Chenrezi tibetano. Mas quem é Padmapāṇi em realidade? Cada um de nós deve reconhecê-lo por si mesmo, sempre que estiver pronto.

Cada um de nós tem dentro de si a "Jóia no Lótus", chame-a Padmapāṇi, Kṛishṇa, Buda, Cristo, ou qualquer nome que dermos ao nosso Eu Divino.

A história exotérica é assim: O Buda supremo, ou Amitābha, dizem, na hora da criação do homem, fez emanar um raio de luz rosada de seu olho direito.

O raio emitiu um som e tornou-se Padmapāṇi Bodhisattva.

Então a Divindade permitiu que fluísse de seu olho esquerdo um raio de luz azul que, encarnando-se nas duas virgens Dolma, adquiriu o poder de iluminar as mentes dos seres vivos.

Amitābha então chamou a combinação, que imediatamente se estabeleceu no homem, "Om Mani Padme Hūm" ("Eu sou a Jóia no Lótus, e nela permanecerei"). Então Padmapāṇi, "aquele no Lótus", fez voto de nunca cessar de trabalhar até ter feito a Humanidade sentir sua presença em si mesma e assim tê-la salvo da miséria do renascimento.

Ele fez voto de realizar a façanha antes do fim do Kalpa, acrescentando que, em caso de fracasso, desejava que sua cabeça se partisse em inúmeros fragmentos.

O Kalpa encerrou-se; mas a Humanidade não o sentiu dentro de seu coração frio e maligno.

Então a cabeça de Padmapāṇi se partiu e foi despedaçada em mil fragmentos.

Movida de compaixão, a Divindade reformou os pedaços em dez cabeças, três brancas e sete de várias cores.

E desde aquele dia o homem tornou-se um número perfeito, ou DEZ.

–––––––––– Ver A Doutrina Secreta, Vol. II, pp. 178-79. ––––––––––

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº I

Nesta alegoria, a potência do SOM, da COR e do NÚMERO é tão engenhosamente introduzida que vela o real significado esotérico.

Para o leigo, lê-se como um dos muitos contos de fadas sem sentido da criação; mas está repleto de significado espiritual e divino, físico e mágico.

De Amitābha––sem cor ou a glória branca––nascem as sete cores diferenciadas do prisma.

Cada uma emite um som correspondente, formando as sete da escala musical.

Como a Geometria, entre as Ciências Matemáticas, está especialmente relacionada à Arquitetura e também––prosseguindo aos Universais––à Cosmogonia, assim os dez Yōds da Tétrade Pitagórica, ou Tetraktys, sendo feitos para simbolizar o Macrocosmo, o Microcosmo, ou o homem, sua imagem, também tiveram de ser divididos em dez pontos.

Para isso a própria Natureza providenciou, como se verá.

Mas, antes que esta afirmação possa ser provada e as perfeitas correspondências entre o Macrocosmo e o Microcosmo demonstradas, algumas palavras de explicação são necessárias.

Ao estudante que queira estudar as Ciências Esotéricas com seu duplo objetivo: (a) de provar que o homem é idêntico, em essência espiritual e física, tanto ao Princípio Absoluto quanto a Deus na Natureza; e (b) de demonstrar a presença nele dos mesmos poderes potenciais que existem nas forças criativas da Natureza––a tal estudante, um perfeito conhecimento das correspondências entre Cores, Sons e Números é o primeiro requisito.

Como já foi dito, a fórmula sagrada do Extremo Oriente, Ōm Mani Padme Hūm, é a mais adequada para tornar claras ao estudante essas qualidades e funções correspondenciais.

Que aqueles, digo novamente, que se sentem demasiado filhos de nossa época para abordar os muitos mistérios que têm de ser revelados, em um espírito verdadeiramente reverente, mesmo que referências sejam feitas a tais assuntos e objetos que são considerados impróprios e, para usar o termo correto, indecentes, em nossos dias modernos––que tais abandonem estes ensinamentos de imediato.

Pois terei de usar termos e referir-me, especialmente no início, aos mais secretos órgãos e funções do corpo humano, cuja mera menção é certa de provocar ou um sentimento de repulsa e vergonha ou uma risada irreverente.

São tais sentimentos que invariavelmente levaram as gerações de escritores sobre simbologia e religiões, desde os dias de Kircher, a materializar todo emblema natural e ideograma em seu pensamento impuro, e finalmente a resumir todas as religiões, inclusive o Cristianismo, como culto fálico.

É bem verdade que desde os dias de Pitágoras e Platão os cultos exotéricos começaram a deteriorar-se, até rebaixarem o simbolismo às mais vergonhosas práticas de adoração sexual.

Daí o horror e o desprezo com que todo verdadeiro Ocultista considera o chamado "Deus pessoal" e o culto ritualístico exotérico das Igrejas––sejam elas pagãs ou cristãs.


Mas mesmo nos dias de Platão não era assim. Foi a perseguição aos verdadeiros Hierofantes e a supressão final daqueles Mistérios, que sozinhos purificavam o pensamento humano, que levaram ao culto sexual Tântrika e, através do esquecimento da verdade divina, à MAGIA NEGRA, consciente ou não.

Numerosas obras foram escritas sobre este assunto, especialmente na última parte do nosso século.

Cada estudante pode ler por si mesmo obras como as de Payne Knight, Higgins, Inman, Forlong e, finalmente, o *Falismo* de Hargrave Jennings e o *Culto Fálico* de Allen Campbell.

Todas se baseiam na verdade no que diz respeito aos fatos; todas são errôneas e injustas em suas conclusões e deduções finais.

As palavras acima são dirigidas aos estudantes para que — sabendo quão amargos alguns Ocultistas se sentem tanto em relação às Igrejas carnalizantes quanto aos pensadores materialistas que veem falismo em todo símbolo — eles não saltem de imediato para a conclusão de que, afinal, as Ciências Ocultas também não se baseiam em nada além de um fundamento sexual.

O homem e a mulher em seus aspectos físicos e envoltórios corpóreos são apenas animais superiores, e as várias partes de seus corpos, se nomeadas de todo, devem ser referidas em termos compreensíveis ao estudante.

Mas a ideia ou os atos impuros com os quais alguns desses órgãos estão conectados, na concepção atual da humanidade, não milita contra o fato de que cada um desses órgãos foi evoluído e desenvolvido para desempenhar seis funções em seis planos distintos de ação, além de sua sétima, a mais baixa e puramente terrestre função no plano físico.

Isso bastará como introdução ao que se segue.

Na alegoria de Padmapāṇi, a Jóia (ou Ego Espiritual) no Lótus, ou o símbolo do homem andrógino, os números 3, 4, 7, 10, como sintetizando a Unidade, o Homem, são proeminentes, como já disse.

É no conhecimento profundo e na compreensão do significado e da potência desses números, em suas várias e multiformes combinações, e em sua correspondência mútua com sons (ou palavras) e cores, ou taxas de movimento (representadas na ciência física por vibrações), que depende o progresso de um estudante no Ocultismo.

Portanto, devemos começar pela primeira palavra inicial, ŌM ou šUM. ŌM é um “véu”. A frase “Ōm Mani Padme Hūm” não é uma expressão de seis, mas de sete sílabas, pois a primeira sílaba é dupla em sua pronúncia correta e tripla em sua essência, š-UM. Ela representa a diferenciação triúna primordial, para sempre oculta, não a partir do, mas no UNO Absoluto, e é portanto simbolizada pelo 4, ou a Tetraktys, no mundo metafísico.

É o Raio-Unidade, ou Ātman.

É o Ātman, este espírito supremo no homem, que, em conjunção com Buddhi e Manas, é chamado de Tríade superior, ou Trindade.

Esta tríade

INSTRUÇÃO E. S. Nº I

com seus quatro princípios humanos inferiores é, além disso, envolvida por uma atmosfera áurica, como a gema de um ovo (o futuro embrião) pela albumina e pela casca.

Isso, para as percepções de seres superiores de outros planos, faz de cada individualidade uma esfera oval de radiância mais ou menos intensa.

Para mostrar ao estudante a correspondência perfeita entre o nascimento do Cosmos, de um Mundo, de um Ser Planetário, ou de uma Criança do Pecado e da Terra, uma descrição mais definida e clara deve ser dada.

Aqueles familiarizados com a Fisiologia compreenderão melhor do que outros.

Quem, tendo lido, digamos, o Vishṇu- ou outros Purāṇas, não está familiarizado com a alegoria exotérica do nascimento de Brahmā (macho-fêmea) no Ovo do Mundo, Hiraṇyagarbha, cercado por suas sete zonas, ou antes, planos, que no mundo da forma e da matéria se tornam sete e catorze Lokas; os números sete e catorze reaparecendo conforme a ocasião exija.

Sem revelar a análise secreta, os hindus, desde tempos imemoriais, compararam a matriz do Universo, e também a matriz solar, ao útero feminino.

Está escrito sobre a primeira: “Seu ventre é vasto como o Meru,” e “os futuros oceanos poderosos jaziam adormecidos nas águas que preenchiam suas cavidades, os continentes, mares e montanhas, as estrelas, planetas, os deuses, demônios e a humanidade.” O todo se assemelhava, em seus revestimentos internos e externos, ao coco preenchido internamente com polpa e coberto externamente com casca e película.

“Vasto como Meru,” dizem os textos.

“Meru era seu Âmnion, e as outras montanhas eram seu Córion,” acrescenta um verso no Vishṇu-Purāṇa. Da mesma forma, o homem nasce no ventre de sua mãe.

Assim como Brahmā é cercado, nas tradições exotéricas, por sete camadas internas e sete externas ao Ovo Mundano, assim também o Embrião––a primeira ou a sétima camada, dependendo do extremo a partir do qual começamos a contar.

Assim, assim como o Esoterismo em sua Cosmogonia enumera sete camadas internas e sete externas, também a Fisiologia nota os conteúdos do útero como sendo sete, embora seja completamente ignorante de que isso é uma cópia do que ocorre na Matriz Universal.

Esses conteúdos são:      1. Embrião.

2. Fluido Amniótico, imediatamente circundando o Embrião.

3. Âmnio, uma membrana derivada do Feto, que contém o fluido.

4. Vesícula Umbilical, que serve para transmitir nutrição originalmente ao Embrião e para nutri-lo. 5. Alantoide, uma protrusão do Embrião em forma de saco fechado, que se espalha entre 3 e 7, no meio de 6, e que, após ser especializado na Placenta, serve para conduzir nutrição ao Embrião.

––––––––––        Vishnu-Purana, I, 2; Vol.

I, p. 40 na tradução de Wilson, conforme emendada por Fitzedward Hall.

––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS                                                            1. Embrião.

2. Fluido Amniótico (Líquido Amniótico) no qual o                                                            Embrião flutua.

3. Âmnio, uma membrana fetal circundando o                                                            Embrião, e contendo o Fluido Amniótico.

4. Vesícula Umbilical, ou Saco Vitelino, contendo a                                                            Gema, a fonte de nutrição para o Embrião inicial.

5. Alantoide, uma vesícula procedente da                                                            extremidade do Embrião, espalhando-se                                                            por todo o interior do Óvulo.

6. Espaço entre a camada externa do Óvulo                                                            e o Âmnio, no qual estão contidas a                                                            Vesícula Umbilical e o Alantoide.

7. Córion, ou Falso Âmnio, formado pela camada                                                            externa do Óvulo.

A Figura 1 é uma representação do Óvulo antes                                                            de o Âmnio e o Córion serem totalmente discerníveis; o                                                            Alantoide (5) também está nos primeiros estágios de seu                                                            desenvolvimento.

A Figura 2 mostra o alantoide espalhando-se por todo o espaço intermédio (6): aqui o saco vitelino encolheu consideravelmente.

Os números são projeções que formam o âmnio.

A Figura 3 mostra o saco vitelino ainda mais encolhido; o alantoide espalhou-se completamente no espaço intermédio entre o âmnio e o córion (falso âmnio), contra as paredes deste último, que cresceu sob a forma de vilosidades ramificadas na substância da membrana mucosa uterina.

Em estágios posteriores, este último forma a placenta.

INSTRUÇÃO E. S. Nº I

6. Espaço intermédio entre 3 e 7 (o âmnio e o córion), preenchido por um fluido albuminoso.

7. Córion, ou camada externa.

Agora, cada um desses sete continentes corresponde separadamente a, e é formado segundo, um antetipo, um em cada um dos sete planos do ser, aos quais, por sua vez, correspondem os sete estados da matéria e todas as outras forças, sensacionais ou funcionais, na Natureza.

O que se segue é uma visão panorâmica dos sete conteúdos correspondentes dos ventres da Natureza e da Mulher.

Podemos contrastá-los assim:

PROCESSO CÓSMICO                                         PROCESSO HUMANO                         (POLO SUPERIOR)                                           (POLO INFERIOR)

(1) O Ponto matemático, chamado de “semente cósmica”,      (1) O Embrião terrestre, que contém em si o   a Mônada de Leibnitz, que contém todo o Universo            futuro homem com todas as suas potencialidades.

Na série   como a bolota contém o carvalho.

Esta é a primeira bolha    de princípios do sistema humano, é o Atman,   na superfície da Substância homogênea ilimitada, ou         ou o princípio superespiritual, assim como no   Espaço, a bolha de diferenciação em seu estágio            sistema solar físico é o Sol.

incipiente.

É o começo do Ovo Órfico ou de Brahma.

Corresponde, em Astrologia e Astronomia, ao Sol.

(2) O Fluido Amniótico exsuda do Embrião.

(2) A vis vitae do nosso sistema solar emana do Sol. (a) É chamada, no plano da matéria, Pr∼Ša. (a) É chamada, quando referida aos planos superiores, šk∼ a. (b) Procede, tendo sua fonte na Vida Una universal, ou J…v∼tman, do coração do homem, e Buddhi, sobre a qual presidem os Sete Raios Solares (Deuses). (b) Procede das dez “divindades”, os dez números do Sol, que é em si mesmo o “Número Perfeito”. Estes são chamados Dis––na realidade, Espaço––as forças espalhadas no Espaço, três das quais estão contidas no štman do Sol, ou sétimo princípio, e sete são os raios emitidos pelo Sol.

(3) O Âmnio, a membrana que contém o Líquido Amniótico e envolve o Embrião. Após o nascimento do homem, torna-se a terceira camada, por assim dizer, de sua aura magnetovital. (3) O Éter do Espaço, que em seu aspecto externo é a crosta plástica que se supõe envolver o Sol. No plano superior, é todo o Universo, como a terceira diferenciação da Substância em evolução. (a) Manas, o terceiro princípio (contando de cima), ou a Alma Humana no Homem. M™laprakriti tornando-se Prakriti. (a) Corresponde misticamente ao Mahat manifestado, ou o Intelecto ou Alma do Mundo.

(4) Vesícula Umbilical, servindo, como ensina a ciência, para nutrir originalmente o Embrião, mas, como afirma a Ciência Oculta, para levar ao Feto por osmose as influências cósmicas estranhas à mãe. (4) Os conteúdos siderais do Éter, as partes substanciais dele, desconhecidas da ciência moderna, representadas:

–––––––––– Pr∼Ša é na realidade o Princípio da Vida universal.

–––––––––– (a) Nos Mistérios Ocults e Cabalísticos por Elementais. (a) No homem adulto, estes se tornam alimentadores de K∼ma, sobre o qual presidem.


(b) Na Astronomia física por meteoros, cometas e todos os tipos de corpos cósmicos casuais e fenomênicos. (b) No homem físico, suas paixões e emoções, os meteoros e cometas morais da natureza humana.

(5) Correntes de vida no Éter, tendo sua origem no Sol: os canais através dos quais o princípio vital desse Éter (o sangue do Corpo Cósmico) passa para nutrir tudo na Terra e nos outros planetas: desde os minerais, que assim são feitos para crescer e se especializar, passando pelas plantas, que são assim alimentadas, até o animal e o homem, aos quais a vida é assim transmitida.

(5) O Alantoide, uma protrusão do Embrião que se espalha entre o Âmnio e o Córion; supõe-se que conduza o nutriente da mãe para o Embrião. Corresponde ao princípio de vida, Prâna ou Jiva.

(6) A dupla radiação, psíquica e física, que irradia da Semente Cósmica e se expande ao redor de todo o Cosmos, bem como ao redor do sistema solar e de cada planeta. No Ocultismo, é chamada de Luz Astral superior divina e inferior material.

(6) O Alantoide é dividido em duas camadas. O espaço entre o Âmnio e o Córion contém o Alantoide e também um fluido albuminoso.

(7) A crosta externa de todo corpo sideral, a Casca do Ovo Mundano, ou a esfera do nosso sistema solar, da nossa Terra, e de cada homem e animal. No espaço sideral, o Éter propriamente dito; no plano terrestre, o Ar, que por sua vez é construído em sete camadas.

(7) O Córion, ou a Zona Pelúcida, o objeto globular chamado Vesícula Blastodérmica, as camadas externa e interna da membrana que vão formar o homem físico. A externa (ou ectoderma) forma sua epiderme, a interna (ou endoderma) forma seus músculos, ossos, etc. A pele do homem, novamente, é composta de sete camadas.

(a) O Córion "primitivo" torna-se o Córion "permanente".

(a) A matéria primordial potencial do mundo torna-se o globo ou globos permanentes (para o período Manvantárico).

Mesmo na evolução das Raças, vemos a mesma ordem que na natureza e no homem. O homem animal placentário tornou-se tal somente após a separação dos sexos na Terceira Raça-Raiz.

Na evolução fisiológica, a placenta está totalmente formada e funcional somente após o terceiro mês de vida uterina.

Deixemos de lado tais concepções humanas como um Deus pessoal, e nos ater ao puramente divino, àquilo que subjaz a tudo e a todos na Natureza sem limites.

É chamado por seu nome esotérico sânscrito nos Vedas de TAD (ou ISSO), um termo para a incognoscível Raiz sem Raízes.

Se –––––––––– Todos os conteúdos uterinos, tendo uma conexão espiritual direta com seus antetipos cósmicos, são no plano físico objetos potentes na Magia Negra––portanto considerados impuros.

 Ver A Doutrina Secreta, Vol.

I, Parte I ––––––––––

DIAGRAMA I

1º.—MACROCOSMO E SEUS 3, 7, OU 10 CENTROS DE FORÇAS CRIATIVAS                                   E. S. INSTRUÇÃO N.º I

o fizermos, poderemos responder a estas sete perguntas do Catecismo Esotérico assim: (1) P.––O que é o Absoluto Eterno? R.––ISSO.

(2) P.––Como veio o Cosmos a existir? R.––Através de ISSO.

(3) P.––Como, ou o que será quando cair de volta no Pralaya? R.––Em ISSO.

(4) P.––De onde toda a natureza animada e, supostamente, a “inanimada”?––R. De ISSO.

(5) P.––Qual é a Substância e Essência da qual o Universo é formado? R.–– ISSO.

(6) P.––No que foi e será repetidamente resolvido? R.––Em ISSO.

(7) P.––É ISSO então tanto a causa instrumental quanto a material do Universo? R.––O que mais é ou pode ser senão ISSO?

Como o Universo, o Macrocosmo e o Microcosmo, são dez, por que deveríamos dividir o Homem em sete “princípios”? Esta é a razão pela qual o número perfeito dez é dividido em dois, uma razão que não pode ser divulgada publicamente: Em sua completude, isto é, superespiritualmente e fisicamente, as forças são DEZ: a saber, três no plano subjetivo e inconcebível, e sete no plano objetivo.

Lembre-se de que estou agora lhes dando a descrição dos dois polos opostos: (a) o triângulo primordial, que tão logo se reflete no “Homem Celeste”, o mais elevado dos sete inferiores––desaparece, retornando ao “Silêncio e Escuridão”; e (b) o homem astral paradigmático, cuja Mônada (ātman) também é representada por um triângulo, pois deve tornar-se uma tríade nos interlúdios devachânicos conscientes.

O homem puramente terrestre, sendo refletido no universo da matéria, por assim dizer, de cabeça para baixo, o triângulo superior, no qual residem a ideação criativa e a potencialidade subjetiva da faculdade formativa, é deslocado no homem de barro para abaixo dos sete.

Assim, três dos dez, contendo no mundo arquetípico apenas potencialidade ideativa e paradigmática, isto é, existindo em possibilidade, não em ato, são de fato um.

A potência da criação formativa reside no Logos, a síntese das sete Forças ou Raios, que se torna imediatamente a Quaternidade, a sagrada Tetraktys.

Esse processo se repete no homem, em quem o Triângulo físico inferior se torna, em conjunção com o Um feminino, o criador ou gerador masculino-feminino.

O mesmo ocorre num plano ainda mais inferior no mundo animal.

Um mistério acima, um mistério abaixo, verdadeiramente.

É assim que o superior e o mais elevado, e o inferior e o mais animal, mantêm-se em relação mútua.

––––––––––        O sistema solar ou a terra, conforme o caso. –––––––––– DIAGRAMA I.


Neste diagrama vemos que o homem físico (ou seu corpo) não participa da onda pura e direta da Essência divina que flui do Um nos Três, o Não-Manifestado, através do Logos Manifestado (a face superior no diagrama). Purusha, o Espírito primevo, toca a cabeça humana e ali para.

Mas o Homem Espiritual (a síntese dos sete princípios) está diretamente conectado a ela. E aqui algumas palavras devem ser ditas sobre a enumeração exotérica usual dos princípios.

Como os não comprometidos dificilmente poderiam ser confiados com toda a verdade, apenas uma divisão aproximada foi feita e divulgada.

O Budismo Esotérico começa com Ātman, o sétimo, e termina com o Corpo Físico, o primeiro.

Agora, nem Ātman, que não é um "princípio" individual, mas uma radiação do Logos Não-Manifestado e uno com ele; nem o corpo, que é a casca ou invólucro material do Homem Espiritual, podem ser, em estrita verdade, referidos como "princípios". Além disso, o principal "princípio" de todos, um nem mesmo mencionado até agora, é o "Ovo Luminoso" (HiraŠyagarbha) ou a esfera magnética invisível na qual todo homem está envolvido. É a emanação direta: (a) do Raio Átmico em seu tríplice aspecto de Criador, Preservador e Destruidor (Regenerador); e (b) de Buddhi-Manas.

O sétimo aspecto dessa aura individual é a faculdade de assumir a forma de seu corpo e tornar-se o "Radiante", o Luminoso Augoeides.

É isto, estritamente falando, que às vezes se torna a forma chamada Māyāvi-Rūpa. Portanto, como explicado na segunda face do diagrama (o homem astral), o Homem Espiritual consiste em apenas cinco princípios, como ensinado pelos Vedantins, que substituem tacitamente o físico por este sexto, ou Corpo Áurico, e fundem o Manas dual (a mente ou consciência dual) em um só.

Assim, eles falam de cinco kośas (invólucros ou princípios) e chamam Ātman de sexto, porém não um “princípio”. Este é o segredo da crítica do falecido Subba Row à divisão em Esoteric Buddhism.

Mas que o estudante aprenda agora a verdadeira enumeração esotérica.

PLATE I.

A razão pela qual a menção pública do Corpo Áurico não é permitida é por ser ele tão sagrado.

É este Corpo que, na morte, assimila a essência de Buddhi e Manas e se torna ––––––––––      Assim são os animais, as plantas e até os minerais.

Reichenbach nunca compreendeu o que aprendeu através de seus sensitivos e clarividentes.

É o fluido ódico, ou melhor, áurico ou magnético que emana do homem, mas é também algo mais.

 Veja A Doutrina Secreta, Vol. I, pp. 157-58, para a enumeração exotérica Vedântica.

 [As Pranchas Coloridas I, III e II, nessa sequência, podem ser encontradas entre as Instruções II e III.] ––––––––––

E. S. INSTRUCTION NO. I

o veículo desses princípios espirituais, que não são objetivos, e então, com a plena radiação de Ātman sobre ele, ascende como Manas-Taijasa ao estado devachânico.

Portanto, é chamado por muitos nomes.

É o Sūtrātman, o “fio” prateado que “encarna” do início ao fim do Manvantara, enfiando em si as pérolas da existência humana – em outras palavras, o aroma espiritual de cada personalidade que ele acompanha através da peregrinação da vida. É também o material do qual o Adepto forma seus Corpos Astrais, desde o Augoeides e o Māyāvi-Rūpa para baixo.

Após a morte do homem, quando suas partículas mais etéreas absorveram em si os princípios espirituais de Buddhi e do Manas Superior, e são iluminadas com o resplendor do Atman, o Corpo Áurico permanece ou no estado de consciência devachânico ou, no caso de um Adepto pleno, prefere o estado de um Nirmanakaya – isto é, alguém que purificou tanto todo o seu sistema que está acima até mesmo da ilusão divina de um Devachan…. Tal Adepto permanece no plano astral (invisível) ligado à nossa Terra, e daí em diante se move e vive na posse de todos os seus princípios, exceto o Kama-Rupa e o Corpo Físico.

No caso do Devachan… o Linga-Sharira – o alter ego do Corpo que durante a vida está dentro do invólucro físico enquanto a aura radiante está fora –, fortalecido pelas partículas materiais que essa aura deixa para trás, permanece próximo ao corpo morto e fora dele, e logo se desvanece.

No caso do Adepto pleno, somente o corpo se torna sujeito à dissolução, enquanto o centro daquela força que era a sede dos desejos e paixões desaparece com sua causa – o corpo animal.

Mas durante a vida deste último, todos esses centros estão mais ou menos ativos e em constante correspondência com seus protótipos, os centros cósmicos, e seus microcosmos, os princípios.

É somente através desses centros cósmicos e espirituais que os centros físicos (os sete orifícios superiores e a tríade inferior) podem se beneficiar de sua interação oculta, pois esses orifícios, ou aberturas, são canais que conduzem para dentro do corpo as influências que a vontade do homem atrai e usa, a saber, as forças cósmicas.

Essa vontade tem, naturalmente, de agir primeiramente através dos princípios espirituais.

Para tornar isso mais claro, tomemos um exemplo.

Para estancar a dor, digamos no olho direito, você tem de atrair para ele o magnetismo potente daquele princípio cósmico que corresponde a esse olho e também a Buddhi.

Crie, por um poderoso esforço de vontade, uma linha imaginária de comunicação entre o olho direito e Buddhi, localizando este último como um centro na mesma parte da cabeça.

Essa linha, embora você possa chamá-la de “imaginária”, uma vez que você consiga vê-la com seu olho ––––––––––       Ver Lucifer, Vol. III, janeiro de 1889, pp. 407-16, “Dialogue on the Mysteries of the After-Life.” [Mesmo texto em From the Caves and Jungles of Hindostan, Parte II, Capítulo III.] –––––––––– mental e dar-lhe uma forma e cor, é, na verdade, tão boa quanto real.


Uma corda em um sonho não é e, no entanto, é. Além disso, de acordo com a cor prismática com a qual você dota sua linha, assim agirá a influência.

Agora, Buddhi e Mercúrio correspondem um ao outro, e ambos são amarelos, ou radiantes e de cor dourada.

No sistema humano, o olho direito corresponde a Buddhi e Mercúrio, e o esquerdo a Manas e Vênus ou Lúcifer.

Assim, se sua linha é dourada ou prateada, ela deterá a dor; se vermelha, aumentará, pois o vermelho é a cor de Kâma e corresponde a Marte.

Os Cientistas Mentais ou Cristãos tropeçaram nos efeitos sem compreender as causas.

Tendo descoberto por acaso o segredo de produzir tais resultados devido à abstração mental, atribuem-nos à sua união com Deus — seja um Deus pessoal ou impessoal, eles é que sabem —, quando na verdade é simplesmente o efeito de um ou outro princípio.

Seja como for, eles estão no caminho da descoberta, embora devam permanecer vagando por muito tempo ainda.

Que os estudantes da Escola Esotérica não cometam o mesmo erro.

Frequentemente foi explicado que nem os planos cósmicos de substância nem mesmo os princípios humanos — com exceção do plano ou mundo material mais inferior e do corpo físico, que, como foi dito, não são "princípios" — podem ser localizados ou pensados como estando no Espaço e no Tempo.

Assim como os primeiros são sete em Um, também nós somos sete em Um — essa mesma Alma Absoluta do Mundo, que é ao mesmo tempo matéria e não-matéria, espírito e não-espírito, ser e não-ser.

Impressionai-vos bem com esta ideia, todos vós que desejais estudar os mistérios do SELF.

Lembrai-vos de que, com apenas nossos sentidos físicos à nossa disposição, nenhum de nós pode esperar alcançar além da matéria grosseira.

Só podemos fazê-lo através de um ou outro de nossos sete sentidos espirituais, seja por treinamento, ou se alguém é um vidente nato.

Contudo, mesmo um clarividente dotado de tais faculdades, se não for um Adepto, por mais honesto e sincero que seja, será levado, por sua ignorância das verdades da Ciência Oculta, pelas visões que vê na Luz Astral a tomar por Deus ou Anjos os habitantes daqueles planos dos quais pode ocasionalmente vislumbrar algo — como testemunham Swedenborg e outros.

[Continua na página 532.]                         Obras Completas VOLUME XII                                         E. S. INSTRUÇÃO N.º I

PLACA I    Na Placa I, vemos que ÂTMAN não é um "princípio", mas permanece separado do Homem, cujos sete "princípios" são representados da seguinte forma:

7º, OVO ÁURICO, colorido de Azul.

6º, BUDDHI, colorido de Amarelo.

{ 5º, MANAS               O SUPERIOR, representado como um triângulo com o ápice voltado para cima,                          colorido de Azul-Índigo.

O INFERIOR, representado por um triângulo com o ápice voltado para baixo,                          colorido de Verde.

4º, KšMA, representado como uma estrela de cinco pontas, com os “chifres do mal” voltados para cima, abraçando o MANAS INFERIOR, colorido de Vermelho-Sangue.

3º, LI¥GA-®ARŸRA, colorido de Violeta como veículo de PRš¦A (Laranja), e participando de KšMA (Vermelho) e      ocasionalmente do ENVOLTÓRIO ÁURICO (Azul). 2º, PRš¦A, Vida, colorido de Laranja, o matiz das vestes do asceta.

1º, STH¶LA-®ARŸRA, o Corpo Físico do Homem, representado pelo contorno m∼yavico da grande       estrela de cinco pontas dentro do OVO ÁURICO. ––––––––––        [Ver página 530 para nota de rodapé do Compilador.] –––––––––– ––––––––––      [Assim, o homem funciona em, e responde a, sete comprimentos de onda distintos porém correlacionados, cada um dos quais corresponde a um plano ou mundo específico de ser, enquanto a Una Consciência-Vida Cósmica, ligando e permeando tudo, flui através de todos eles.


À luz do ensinamento delineado acima, a constituição do homem na existência encarnada pode ser representada por qualquer um dos seguintes Diagramas:

šTMAN                                                   šTMAN           Eu Divino-Espiritual ou Universal                                     |                             |                                                       |                       BUDDHI                                                   BUDDHI                      Eu Espiritual                               Campo da Individualidade Espiritual Inteligência Espiritual, Sabedoria, Visão e Intuição                                |                             |                                                       |                        MANAS                                             MANAS SUPERIOR                     Eu Planetário                                          (Buddhi-Manas)        Mente Humana Superior ou Eu Reencarnante                  Campo do Eu Reencarnante ou do                           Superior                                      Eu Humano Superior; Intelecto Espiritual                             |                                                       |                         KšMA                                              MANAS INFERIOR                     Eu Animal                                             (K€ma-Manas)              Paixões, Emoções, Desejos                            Campo do Eu Humano Inferior ou Pessoal                             |                               Campo dos Desejos Animais e                             |                                                   Paixões;                             |                                                 Mente Inferior                        PRšNA                                                        |                    Eu Vital-Astral                                            PRšNA                 Campo das Correntes Vitais                                Vitalidade; Eletricidade Vital                             |                                                e Magnetismo                   LINGA-®ARŸRA                                                      |         Corpo Astral, Corpo-Padrão ou Modelo                                LINGA-®ARŸRA                             |                                                 Corpo Astral                  STH¶LA-SARŸRA                                                      |                     Corpo Físico                                        STH¶LA-®ARŸRA                                                                              Corpo Físico

Enquanto o homem é construído de “materiais” ou “substâncias” extraídas do reservatório cósmico, ele não é, contudo, um mero feixe de substâncias e energias simplesmente reunidas.

O homem é uma série intimamente correlacionada de centros de consciência,

E. S. INSTRUCTION NO. I

e estes são denominados Mônadas.

A Mônada Espiritual-Divina essencial ou suprema é nossa fonte ou raiz última.

Ela está continuamente derramando correntes de inteligência e substância vital que produzem, por suas energias interativas, os vários “nós” ou focos de consciência que são suas mônadas-filhas, por assim dizer.

Assim, a estrutura complexa do homem também pode ser considerada como composta da seguinte sequência de centros monádicos:

šTMAN                                              Mônada Espiritual-Divina                   Ego Espiritual-Divino                   |                Alma Espiritual-Divina                                                       |                                                    BUDDHI                                                  Mônada Espiritual                                                          |                         Ego Espiritual                    |                  Alma Espiritual                           (Individualidade)                  |                                                      |                                                BUDDHI-MANAS                                                  Mônada Intelectual                    Ego Humano Superior                        |                   Alma Humana Superior                    (Reencarnante)                           |                                                       |                                                  KšMA-MANAS                                                    Mônada Psíquica                     Ego Humano Inferior                       |                   Alma Humana Inferior                      (Ego Pessoal)                       |                                                       |                                                  KšMA-PRšNA                                                     Mônada Animal                      Ego Elementar                       |                     Alma Vital-Astral                                           |                          PRšNA––LINGA-®ARŸRA––STH¶LA-®ARŸRA                                                Mônada Astral-Física                        Ego Elementar                                             Alma Física                                                                                                      ––Compilador.] ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS

Estes nossos sete sentidos correspondem a cada outro septenário na natureza e em nós mesmos.

Fisicamente, embora invisivelmente, o Invólucro Áurico humano (o âmnio do homem físico em cada idade da vida) tem sete camadas, assim como o Espaço Cósmico e a nossa epiderme física os têm.

É esta aura que, de acordo com o nosso estado mental e físico de pureza ou impureza, ou nos abre perspectivas para outros mundos, ou nos exclui completamente de tudo, exceto deste mundo tridimensional da matéria.

Cada um dos nossos sete sentidos físicos (dois dos quais ainda são desconhecidos para a ciência profana), e também os nossos sete estados de consciência–––a saber: (1) vigília; (2) vigília-sonho; (3) sono natural; (4) sono induzido ou de transe; (5) psíquico; (6) superpsíquico; e (7) puramente espiritual––corresponde a um dos sete planos cósmicos, desenvolve e utiliza um dos sete supersentidos, e está diretamente conectado, em seu uso no plano terrestro-espiritual, com o centro de força cósmico e divino que lhe deu origem, e que é seu criador direto.

Cada um também está conectado com, e sob a influência direta de, um dos sete Planetas Sagrados. Estes pertenciam aos Mistérios Menores, cujos seguidores eram chamados de *Mystai* (os velados), visto que lhes era permitido perceber as coisas apenas através de uma névoa, como que "com os olhos fechados"; enquanto os Iniciados ou "Videntes" dos Mistérios Maiores eram chamados de *Epoptai* (aqueles que veem as coisas desveladas). Foram estes últimos, somente, que aprenderam os verdadeiros Mistérios do Zodíaco e as relações e correspondências entre seus doze signos (dois secretos) e os dez orifícios humanos.

Estes últimos são, naturalmente, agora dez na mulher, e apenas nove no homem; mas isso é meramente uma diferença externa.

No segundo volume de *A Doutrina Secreta*, afirma-se que até o fim da Terceira Raça-Raiz (quando o homem andrógino se separou em macho e fêmea) os dez orifícios existiam no hermafrodita, primeiro potencialmente, depois funcionalmente.

A evolução do embrião humano demonstra isso.

Por exemplo, a única abertura formada no início é a cavidade bucal, "uma cloaca que se comunica com a extremidade anterior do intestino". Esta se torna mais tarde a boca e o orifício posterior: o Logos diferenciando e emanando matéria grosseira no plano inferior, em linguagem oculta.

A dificuldade que alguns estudantes experimentarão em reconciliar as correspondências entre o Zodíaco e os orifícios pode ser facilmente explicada.

A magia é coetânea com a Terceira Raça-Raiz, que começou por criar através de Kriyāśākti e terminou por gerar sua espécie no –––––––––– Ver *A Doutrina Secreta*, Vol.

I, pp. 572-74. [Ver o excerto sobre os sentidos e gunas de G. de Purucker em *Fountain-Source of Occultism*, pp. 240-43, anexado ao final da presente Instrução.––Compilador.] ––––––––––

INSTRUÇÃO E.S. Nº I

maneira atual. A mulher, ficando com o número cósmico completo ou perfeito 10 (o número divino de Jeová), era considerada mais elevada e mais espiritual do que o homem.

No Egito, em tempos antigos, o serviço de casamento continha um artigo segundo o qual a mulher deveria ser a "senhora do senhor", e verdadeira senhora sobre ele, comprometendo-se o marido a ser "obediente à sua esposa" para a produção de resultados alquímicos, como o elixir da vida e a pedra filosofal, pois a ajuda espiritual da mulher era necessária ao alquimista do sexo masculino.

Mas ai do alquimista que tomasse isso no sentido literal de união física.

Tal sacrilégio tornar-se-ia magia negra e seria seguido de fracasso certo.

O verdadeiro alquimista de outrora tomava mulheres idosas para ajudá-lo, evitando cuidadosamente as jovens; e se alguma delas porventura fosse casada, tratavam suas esposas por meses, tanto antes como durante as operações, como irmãs.

O erro de atribuir aos antigos o conhecimento de apenas dez signos zodiacais é explicado em Ísis sem Véu. Os antigos conheciam doze, mas viam esses signos de maneira diferente de nós.

Não consideravam Virgem nem Escorpião isoladamente, mas os viam como dois em um, pois eram feitos para se referir direta e simbolicamente ao homem dual primordial e à sua separação em sexos.

Durante a re-formação do Zodíaco, Libra foi adicionado como o décimo segundo signo, embora seja simplesmente um signo de equilíbrio, no ponto de virada––o mistério do homem separado.

Que o estudante aprenda bem tudo isso.

Enquanto isso, recapitulamos o que foi dito.

(1) Cada ser humano é uma encarnação do seu Deus––em outras palavras, um com o seu "Pai no Céu", assim como Jesus, um Iniciado, é apresentado a dizer.

Quantos homens na Terra, tantos Deuses no Céu; e, no entanto, esses Deuses são na realidade Um, pois no final de cada período de atividade, são retirados como os raios do sol poente para dentro do Lumiar Parental, o Logos Não-Manifestado, que por sua vez é fundido no Absoluto Único.

Chamaremos esses nossos "Pais", seja individual ou coletivamente e sob quaisquer circunstâncias, de nosso Deus pessoal? O Ocultismo responde: Nunca.

Tudo o que um homem comum pode saber do seu "Pai" é o que sabe de si mesmo, através e dentro de si mesmo.

A Alma do seu "Pai Celestial" está encarnada nele.

Essa Alma é ele mesmo, se for bem-sucedido em assimilar a individualidade divina enquanto está em sua concha animal física.

Quanto ao Espírito do mesmo, seria tão inútil esperar ser ouvido pelo Absoluto quanto esperar que uma estátua nos ouça.

Nossas orações e súplicas são vãs, a menos que a palavras potenciais acrescentemos atos potentes, e tornemos a aura –––––––––– Ver A Doutrina Secreta, Vol.

I, pp. 207 e seguintes, e Vol.

II, passim.

 Ver Ísis sem Véu, Vol.

II, pp. 456, 461, 465. –––––––––– que circunda cada um de nós tão pura e divina que o Deus dentro de nós possa agir exteriormente, ou, em outras palavras, tornar-se como que uma Potência extrínseca.


Assim, Iniciados, Santos e homens muito santos e puros puderam ajudar outros, bem como a si mesmos, na hora da necessidade, e produzir o que foolishmente se chama de "milagres", cada um com a ajuda e o auxílio do Deus dentro de si, o qual ele sozinho habilitou a agir no plano externo.

(2) A palavra šum ou Ōm, que corresponde ao triângulo superior, se pronunciada por um homem muito santo e puro, atrairá ou despertará, não apenas as potências menos exaltadas residentes nos espaços planetários e nos elementos, mas até mesmo o seu Eu Superior, ou o "Pai" dentro dele.

Pronunciada por um homem medianamente bom, da maneira correta, fortalecê-lo-á moralmente, especialmente se entre dois "šums" ele meditar intensamente sobre o šum dentro de si, concentrando toda a sua atenção na glória inefável.

Mas ai do homem que a pronuncia após a comissão de algum pecado de grande alcance: ele apenas atrairá para a sua própria fotosfera impura presenças e forças invisíveis que, de outro modo, não poderiam romper o envelope divino.

Todos os membros da Escola Esotérica, se sinceros em seu esforço de aprender, são convidados a pronunciar a palavra divina antes de dormir e logo ao despertar.

O acento correto, no entanto, deve ser primeiramente obtido de um dos oficiais da E.S.T.       Āum é o original de Amém.

Ora, Amém não é um termo hebraico, mas, como a palavra Aleluia, foi tomado de empréstimo pelos judeus e gregos dos caldeus.

Esta última palavra é frequentemente encontrada repetida em certas inscrições mágicas sobre taças e urnas entre as relíquias babilônicas e ninivitas.

Amém não significa “assim seja” ou “em verdade”, mas significava na antiguidade remota quase o mesmo que Āum. Os Tannaïm judeus (Iniciados) o usavam pela mesma razão que os Adeptos arianos usam Āum, e com igual sucesso, sendo o valor numérico de AMeN em letras hebraicas 91, o mesmo que o valor completo de YHVH, 26, e ADoNaY, 65, ou 91. Ambas as palavras significam a afirmação do ser, ou existência do “Senhor” assexuado dentro de nós.

(3) A Ciência Esotérica ensina que todo som no mundo visível desperta seu som correspondente nos reinos invisíveis e incita à ação alguma força ou outra no lado oculto da natureza.

Além disso, todo som corresponde a uma cor e a um número (uma potência espiritual, psíquica ou física) e a uma sensação em algum plano.

Todos estes encontram eco em cada um dos elementos até agora desenvolvidos e mesmo no

––––––––––      Jāh-žavāh, ou macho-fêmea no plano terrestre, como inventado pelos judeus, e agora feito para significar Jeová, mas significando na realidade e literalmente, “dando ser” e “recebendo vida”. ––––––––––                                         INSTRUÇÃO ESOTÉRICA Nº I

plano terrestre, nas Vidas que pululam na atmosfera terrena, incitando-as assim à ação.

Assim, uma prece, a menos que pronunciada mentalmente e dirigida ao “Pai” de cada um no silêncio e solidão do “quarto” de cada um, deve ter mais frequentemente resultados desastrosos do que benéficos, visto que as massas são inteiramente ignorantes dos efeitos potentes que assim produzem.

Para produzir bons efeitos, a prece deve ser proferida por “aquele que sabe como se fazer ouvido no silêncio”, quando não é mais uma prece, mas se torna um comando.

Por que Jesus é mostrado proibindo seus ouvintes de irem às sinagogas públicas? Certamente todo homem que orava não era um hipócrita e um mentiroso, nem um fariseu que amava ser visto orando pelas pessoas! Ele tinha um motivo, devemos supor: o mesmo motivo que leva o Ocultista experiente a impedir seus pupilos de irem a lugares lotados agora como então, de entrarem em igrejas, salas de sessões espíritas, etc., a menos que estejam em simpatia com a multidão.

Há um conselho a ser dado aos principiantes que não podem evitar ir a multidões – um que pode parecer supersticioso, mas que, na ausência de conhecimento oculto, será achado eficaz.

Como é bem conhecido dos bons astrólogos, os dias da semana não estão na ordem daqueles planetas cujos nomes eles carregam.

O fato é que os antigos hindus e egípcios dividiam o dia em quatro partes, estando cada dia sob a proteção (conforme verificado pela magia prática) de um planeta; e cada dia, como corretamente afirmado por Dion Cássio, recebia o nome do planeta que regia e protegia sua primeira porção.

Que o estudante se proteja das "Potências do Ar" (Elementais) que povoam os lugares públicos, usando um anel contendo alguma joia da cor do planeta regente, ou então do metal a ele sagrado. Mas a melhor proteção é uma consciência limpa e um firme desejo de beneficiar a Humanidade.


OS PLANETAS, OS DIAS DA SEMANA E SUAS CORES E METAIS CORRESPONDENTES

No Diagrama II anexo, os dias da semana não aparecem em sua ordem usual, embora estejam dispostos em sua sequência correta, conforme determinada pela ordem das cores no espectro solar e pelas cores correspondentes de seus planetas regentes.

A culpa da confusão na ordem dos dias revelada por essa comparação recai sobre os primeiros cristãos.

Adotando dos judeus seus meses lunares, tentaram mesclá-los com os planetas solares, e assim fizeram uma bagunça; pois a ordem dos dias da semana, como hoje se apresenta, não segue a ordem dos planetas.

Ora, os antigos organizavam os planetas na seguinte ordem: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, contando o Sol como um planeta para fins exotéricos.

Novamente, os egípcios e os indianos, as duas nações mais antigas, dividiam seu dia em quatro partes, cada uma das quais estava sob a proteção e o domínio de um planeta.

Com o tempo, cada dia passou a ser chamado pelo nome do planeta que regia sua primeira porção – a manhã.

Ora, ao organizarem sua semana, os cristãos procederam da seguinte maneira: quiseram fazer do dia do Sol, ou domingo, o sétimo, então nomearam os dias da semana tomando cada quarto planeta em sequência, por exemplo, começando com a Lua (segunda-feira), contaram assim:

Lua, Mercúrio, Vênus, Marte: assim, terça-feira, o dia cuja primeira porção era regida por Marte, tornou-se o segundo da semana; e assim por diante. Deve-se lembrar também que a Lua, assim como o Sol, é um substituto para um planeta secreto.

A presente divisão do ano solar foi feita vários séculos depois do início de nossa era; e nossa semana não é a dos antigos e dos ocultistas.

A divisão septenária das quatro partes das fases lunares é tão antiga quanto o mundo, e originou-se com os povos que contavam o tempo pelos meses lunares.

Os hebreus nunca a usaram, pois contavam apenas o sétimo dia, o Sábado, embora o segundo capítulo do Gênesis pareça falar dela. Até os dias dos Césares, não há vestígio de uma semana de sete dias entre qualquer nação, exceto os hindus.

Da Índia passou para os árabes, e chegou à Europa com o cristianismo.

A semana romana consistia em oito dias, e a ateniense em dez. Assim, uma das inúmeras contradições e falácias da cristandade é a adoção da semana septenária indiana do cômputo lunar e a preservação, ao mesmo tempo, dos nomes mitológicos dos planetas.

––––––––––        J. M. Ragon, Notice historique sur le calendrier, etc., Paris, 1842. ––––––––––

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº I

Tampouco os astrólogos modernos fornecem corretamente as correspondências dos dias e planetas e suas cores; e, enquanto os ocultistas podem dar boa razão para cada detalhe de suas próprias tabelas de cores, etc., é duvidoso que os astrólogos possam fazer o mesmo.

––––––––––

Para encerrar esta primeira Instrução, permita-me dizer que aqueles que me honraram com sua confiança ao fazer o compromisso devem, necessariamente, ser divididos em duas grandes categorias: aqueles que ainda não se livraram completamente das usuais dúvidas céticas, mas que anseiam por verificar quanta verdade pode haver nas reivindicações do ocultista; e aqueles outros que, tendo-se libertado dos grilhões do materialismo e da relatividade, sentem que a verdadeira e real bem-aventurança deve ser buscada apenas no conhecimento e na experiência pessoal daquilo que o filósofo hindu chama de Brahma-Vidyā, e o Arhat budista, a realização de Ādi-Buddha, a Sabedoria primordial.

Que os primeiros selecionem e estudem, das Instruções, apenas aquelas explicações dos fenômenos da vida que a ciência profana é incapaz de lhes dar.

Mesmo com tais limitações, eles descobrirão, ao final de um ou dois anos, que terão aprendido mais do que todas as suas universidades e faculdades podem lhes ensinar.

Quanto aos sinceros crentes, eles serão recompensados ao ver sua fé transformada em conhecimento.

O verdadeiro conhecimento é do Espírito e somente no Espírito, e não pode ser adquirido de nenhuma outra maneira, exceto pelo reinado da mente superior, o único plano a partir do qual podemos penetrar as profundezas da Absolutidade onipenetrante.

Aquele que executa apenas as leis estabelecidas pelas mentes humanas, que vive a vida prescrita pelo código dos mortais e sua legislação falível, escolhe como estrela-guia um farol que brilha no oceano de Mâyâ, ou ilusões temporárias, e dura apenas uma encarnação.

Essas leis são necessárias apenas para a vida e o bem-estar do homem físico.

Ele escolheu um piloto que o dirige através dos baixios de uma existência, um mestre que, no entanto, se despede dele no limiar da morte.

Quão mais feliz é aquele homem que, enquanto cumpre estritamente no plano objetivo temporário os deveres da vida diária, executando cada lei de seu país, e prestando, em suma, a César o que é de César, leva na realidade uma existência espiritual e permanente, uma vida sem rupturas de continuidade, sem lacunas, sem interlúdios, nem mesmo aqueles períodos que são as pausas da longa peregrinação da vida puramente espiritual.

Todos os fenômenos da mente humana inferior desaparecem como o pano de um proscênio, permitindo-lhe viver na região além dele, o plano do noumenal, a única realidade.

Se o homem, suprimindo, se não destruindo, seu egoísmo e personalidade, consegue conhecer a si mesmo como ele é por trás do véu

BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS da Mâyâ física, ele logo estará além de toda dor, de toda miséria, e além de todo o desgaste da mudança, que é a principal originadora da dor.

Tal homem será fisicamente de matéria, mover-se-á cercado de matéria, e, no entanto, viverá além e fora dela. Seu corpo estará sujeito à mudança, mas ele próprio estará inteiramente livre dela, e experimentará a vida eterna mesmo enquanto estiver em corpos temporários de curta duração.

Tudo isso pode ser alcançado pelo desenvolvimento do amor universal e altruísta pela Humanidade, e pela supressão da personalidade, ou egoísmo, que é a causa de todo pecado e, consequentemente, de toda dor humana.

H.P.B. ...                                                            šUM

–––––––––

[Excerto de A Fonte do Ocultismo, de G. de Purucker, pp. 240-43]

"Mesmo os cinco sentidos comuns que temos hoje ainda são imperfeitamente evoluídos.

Cada um está progressivamente se tornando mais sutil, mais capaz de interpretar, através de si mesmo como um canal para a consciência interior, a natureza e as funções do universo exterior."

Lembre-se de que o homem é uma corrente de consciência que atua em veículos e constrói nesses veículos câmaras e moradas apropriadas, portas e janelas, por assim dizer, para manifestar seus próprios poderes e para receber de dentro para fora, do mundo exterior, os estímulos e as reações que a natureza o obriga a receber.

“Cinco sentidos até agora se manifestaram mais ou menos perfeitamente; e eles foram derivados na seguinte ordem: primeiro, a audição, de ākāśa ou éter; em seguida, o tato, de vāyu ou ar; depois, a visão, do fogo ou antes da luz, chamada tejas ou taijasa; quarto, o paladar, de āpas ou água; quinto e último, o olfato, da terra ou pṛthivī. De todos esses, o paladar é o mais grosseiro e material; mas a faculdade do olfato e suas reações sobre a corrente de consciência são ainda piores do que as do paladar.

Mais dois sentidos se desenvolverão em nós e se expressarão com um aparato físico apropriado antes que o manvantara desta presente ronda neste globo tenha completado seu curso.

Todos esses sentidos são funções da consciência interna.

“Desde a Idade Média, em um ciclo menor, temos vindo a subir para fora do pṛthivī-tattwa, sucessivamente para dentro da água ou āpas-tattwa, ––––––––––      [Consulte o Apêndice Bio-Bibliográfico, s.v. PURUCKER, para informações sobre o autor.] ––––––––––

E. S. INSTRUCTION NO. I

para dentro do ar ou vāyu-tattwa, então para dentro do fogo ou taijasa-tattwa, e agora estamos entrando suavemente, lentamente, no éter ou ākāśa-tattwa––muito imperfeitamente, é verdade, mera previsão do que acontecerá na sétima raça; ainda assim, temos estado e estamos passando por pequenos ciclos de todos esses, e as invenções correspondem.

As produções humanas acompanham o ritmo; e dependerá inteiramente do gênio do homem se essas novas descobertas serão usadas para o propósito do céu ou do inferno.

Se para o último, desceremos, sufocados e asfixiados em nossas próprias eflúvias malignas.

Se forem usadas para propósitos de beneficência, toda a humanidade avançará.

Os sinais estão ao nosso redor de uma era em mudança, com a chegada de uma nova maré nos assuntos humanos.

“Após a queda do Império Romano, os homens viveram em sua maior parte na terra, no pṛthivī-tattwa, quase não indo ao mar.

Então começaram a viajar mais extensivamente e com maior engenhosidade sobre as águas––o āpas-tattwa vindo à frente.

Em seguida, começaram a usar vapor (vapor, 'ar', gás)––o elemento vāyu; nos séculos posteriores, tomando o próprio ar.

Agora, com um avanço rumo a uma culminação da experiência aérea, do ar eles estão entrando nos tattwas mais sutis.

Eles estão usando, cada vez mais extensivamente, o fogo (o elemento taijasa), a eletricidade, explosivos, incluindo todos os vários tipos de horrores ígneos––conectados com o ar porque surgem dele. Finalmente, o éter (ākāśa) está se manifestando nas obras do homem, como evidenciado pelo wireless e pelo rádio, etc.

Tudo isso mostra que há pequenos ciclos dentro de ciclos maiores, repetindo em linhas gerais os processos dos maiores.

“Os dois sentidos futuros são quase impossíveis de descrever, porque aquele que segue o atual quinto, o olfato, ainda nem manifestou sua presença, exceto por um instinto ocasional de seu funcionamento.

Ele participará um pouco da natureza da faculdade ou sentido pertencente ao tato; mas, em vez de ser tato físico, será um sentido interior, e a intuição dele, ou o instinto dele, é ocasionalmente encontrada até entre os homens de hoje––sombras de eventos vindouros.

Assim como o tato contata o mundo exterior, esses dois outros sentidos no arco ascendente estarão nos mesmos planos respectivos que a audição e o tato; mas, porque existirão em uma entidade mais evoluída, manifestar-se-ão primeiro através de um órgão físico interior.

Um indício do sexto sentido é o que chamamos de pressentimentos de que tal coisa é certa ou errada, ou a coisa a fazer ou não fazer. Isso não é intuição, no entanto, pois é inferior à intuição: é um pressentimento ou um sentimento de coisas que estão por vir.

Pode, em certo sentido, ser falado como uma forma de clarividência.

“E o sétimo sentido, correspondendo à audição no plano físico, será também um desenvolvimento ākāśico.

Será o último sentido a ser trazido pela evolução no corpo físico do homem e, portanto, expressará uma faculdade interior, que será despertada pelo contato com os graus mais baixos do ākāśa. A aproximação mais próxima que podemos chegar quanto ao que essa faculdade será, deixando de lado a natureza e a localidade do órgão através do qual ela trabalhará, é a intuição, totalmente desenvolvida até onde pode ser neste planeta neste manvantara: instantânea, sempre pronta, funcionando regularmente, para ser interrompida ou usada à vontade.


“Toda faculdade dos sentidos, e portanto todo órgão sensorial como sua expressão no corpo, é uma faculdade do nosso fluxo de consciência; e nenhuma faculdade sensorial pode aparecer na evolução, e consequentemente nenhum órgão sensorial pode se mostrar no corpo, até que aquela porção do fluxo de consciência tenha se expressado equivalentemente.

Os atlantes, por exemplo, tinham em seu início apenas um instinto do que é o olfato. Eles usavam essa faculdade quase inconscientemente, assim como os homens de hoje usam o sexto sentido e a sexta faculdade quase inconscientemente, e apenas ocasionalmente têm vaga consciência dela e dizem: “Tive um palpite”. A faculdade passa do invisível para o visível e cria para si seu órgão apropriado, que se desenvolve exatamente à medida que a faculdade interna evolui em seu próprio plano.

“Seria oportuno acrescentar aqui algumas palavras sobre os gunas, porque às vezes são confundidos com as essências cósmicas ou tattvas.

Os gunas ou ‘qualidades’, comumente enumerados como sattva, rajas e tamas, são os três modos fundamentais e universalmente potentes de consciência das hostes de seres que constituem o universo.

De sattva fluem os outros dois modos de consciência, rajas ou atividade, e tamas ou inatividade, de modo geral.

Ora, a união dessas duas qualidades, que não se neutralizam mutuamente, mas se combinam para formar algo superior a qualquer uma delas, é o que se entende por sattva — aquilo que é ‘real’. É a condição em que vivem os deuses superiores.

“Quando o universo está em manifestação manvantárica, é a qualidade rajas que predomina, embora, naturalmente, tamas e também sattva estejam ambos presentes.

Quando o universo está em pralaya, com a paz e o sossego sem fim que então prevalecem, a qualidade predominante é o mais elevado tamas, mas rajas está presente, ainda que relativamente latente.

Assim, nos Vedas, bem como nas Leis de Manu, está declarado que antes do início da manifestação o universo se encontra na condição de tamas, em completo repouso.

É claro que os princípios mais elevados do universo estão então na qualidade sattva, enquanto a qualidade rajas durante o pralaya está adormecida.

“A filosofia hindu, em conexão com sua Trimurti ou tríade de Brahmā-Vishṇu-Śiva, geralmente atribui o sattva guna ou característica a Brahmā; a qualidade de rajas a Vishṇu; e a qualidade de tamas a Śiva.

No entanto, tanto no manvantara quanto no pralaya, a qualidade sattva permeia tudo.”

Assim, os deuses, embora eternamente ativos, são, no entanto,                                        INSTRUÇÃO E. S. Nº I

pacíficos, porque plenos de sabedoria, e seus movimentos são atividade sem esforço, e suas ações são maravilhosamente silenciosas e imperturbadas.

“Além disso, cada um dos gunas – porque o universo é fundamentalmente uno, e todas as coisas nele estão intermisturadas e interagindo – é em si mesmo tríplice; caso contrário, teríamos cada uma dessas três qualidades universais existindo absolutamente separadas e distintas das outras duas, e isso faria três absolutos.

Eles não são absolutos, mas todos os três são relativos; e tanto rajas quanto tamas, quando unidos e equilibrando-se mutuamente sem perda de individualidade em qualquer um deles, manifestam a presença de sua origem comum, sattva.

“Tem sido costume entre alguns orientalistas, que não compreendem o significado esotérico desses gunas, falar do tamas como sendo apenas indolência, trevas, mal; mas isso é bastante errado; pois há um sattva-tamas assim como um tamas-tamas; e o mesmo tipo de observação pode ser feito com relação tanto ao caráter de rajas quanto ao de sattva, ou guna.

“Assim, é que cada uma das essências cósmicas ou tattwas é marcada pela presença e atividade inerente dos três gunas, cada um agindo em conjunção com os outros dois.

Deve ser o esforço de todos os homens trazer à tona especialmente a qualidade sattva, pois isso significa que, em vez do frequente desequilíbrio ou tendência de rajas ou tamas, ambas essas qualidades estão em equilíbrio no caráter e cooperando.”

                        Escritos Reunidos VOLUME XII 542 ESTRITAMENTE PRIVADO E CONFIDENCIAL


NÃO É PROPRIEDADE DE NENHUM MEMBRO, E DEVE SER DEVOLVIDO SOB

                          EXIGÊNCIA AO AGENTE DO CHEFE DA E.S.T.

INSTRUÇÃO Nº II

Em vista da natureza abstrusa dos assuntos tratados, a presente Instrução começará com uma explicação de alguns pontos que permaneceram obscuros na anterior, bem como algumas afirmações nas quais havia uma aparência de contradição.

Os astrólogos, dos quais há muitos entre os esoteristas, provavelmente ficarão perplexos com algumas afirmações que contradizem distintamente seus ensinamentos; enquanto aqueles que nada sabem sobre o assunto talvez se encontrem opostos de início por aqueles que estudaram os sistemas exotéricos da Cabala e da Astrologia.

Pois, que fique claramente sabido, nada do que é impresso e divulgado amplamente, e disponível a todo estudante em bibliotecas públicas ou museus, é verdadeiramente esotérico, mas está ou misturado com "véus" deliberados, ou não pode ser compreendido e estudado com proveito sem um glossário completo de termos ocultos.

Os seguintes ensinamentos e explicações, portanto, podem ser úteis ao estudante para auxiliá-lo a formular o ensino dado na Instrução precedente.

No Diagrama I, observar-se-á que os centros 3, 7 e 10 são, respectivamente, os seguintes:     (a) Os 3 pertencem ao mundo espiritual do Absoluto e, portanto, aos três princípios superiores no Homem.

(b) Os 7 pertencem aos mundos espiritual, psíquico e físico e ao corpo do homem.

Física, metafísica e hiperfísica são a tríade que simboliza o homem neste plano.

(c) Os 10, ou a soma total destes, é o Universo como um todo, em todos os seus aspectos, e também o seu Microcosmo––o Homem, com seus dez orifícios.

Deixando de lado, por ora, a Década Superior (Kosmos) e a Década Inferior (Homem), os três primeiros números dos setes separados têm uma referência direta ao Espírito, à Alma e ao Envelope Áurico do Ser Humano, bem como ao Mundo Supersensual Superior.

Os quatro inferiores, ou os quatro aspectos, pertencem também ao Homem, bem como ao Kosmos Universal, sendo o todo sintetizado pelo Absoluto.

INSTRUÇÃO E. S. Nº II

Se esses três graus discretos ou distributivos do ser forem concebidos, segundo o simbolismo de todas as religiões orientais, como contidos em um Ovo, ou OVO, o nome desse Ovo será Svabhavat, ou o TODO-SER no plano manifestado.

Este Universo não tem, em verdade, nem centro nem periferia; mas na mente individual e finita do homem tem tal definição, consequência natural das limitações do pensamento humano.

No Diagrama II, como já ali se afirmou, não é necessário tomar nota dos números usados na coluna à esquerda, pois estes se referem apenas às Hierarquias das Cores e dos Sons no plano metafísico, e não são o número característico dos princípios humanos ou dos planetas.

Os princípios humanos escapam à enumeração, porque cada homem difere de todos os outros, assim como não há duas folhas de grama em toda a terra que sejam absolutamente iguais.

A numeração aqui é uma questão de progresso espiritual e da predominância natural de um princípio sobre outro.

Com um homem pode ser o Buddhi que ocupa o primeiro lugar; com outro, se ele for um sensualista bestial, o Manas inferior.

Com um, o corpo físico, ou talvez o PrāŠa (o princípio vital), estará no primeiro e mais elevado plano, como seria o caso de um homem extremamente saudável, cheio de vitalidade; com outro, pode vir como o sexto ou mesmo o sétimo em ordem descendente.

Novamente, as cores e metais correspondentes aos planetas e princípios humanos, como se observará, não são aqueles conhecidos exotericamente pelos astrólogos modernos e ocultistas ocidentais.

Vejamos de onde o astrólogo moderno tirou suas noções sobre a correspondência de planetas, metais e cores.

E aqui somos lembrados do orientalista moderno, que, julgando pelas aparências, atribui aos antigos acadianos (e também aos caldeus, hindus e egípcios) a noção grosseira de que o Universo, e da mesma maneira a Terra, era como uma tigela invertida em forma de sino! Isso ele demonstra apontando para as representações simbólicas de algumas inscrições acadianas e para as esculturas assírias.

Não é, contudo, lugar aqui para explicar quão equivocado está o assiriólogo, pois todas essas representações são simplesmente simbólicas do Khargak kurra, a Montanha-Mundo, ou Meru, e se relacionam apenas ao Polo Norte, a terra dos Deuses. Ora, os assírios organizaram seu ensinamento exotérico sobre os planetas e suas correspondências da seguinte maneira: –––––––––– Ver A Doutrina Secreta, Vol. II, p. 357. –––––––––– NÚMEROS                          METAIS               CORES             DIAS SOLARES DA SEMANA       1              Saturno          Chumbo            Preto                 Sábado (donde o Sabá, em                                                                                 honra de Jeová)         2            Júpiter           Estanho          Branco, mas frequentemente              Quinta-feira                                                     Púrpura ou Laranja         3            Marte             Ferro                 Vermelho                       Terça-feira         4             Sol            Ouro            Amarelo-Dourado                   Domingo         5            Vênus          Cobre          Verde ou Amarelo                   Sexta-feira         6           Mercúrio        Mercúrio (azougue)             Azul                     Quarta-feira         7            Lua            Prata           Branco-Prateado                   Segunda-feira


Esta é a disposição agora adotada pelos Astrólogos Cristãos, com exceção da ordem dos dias da semana, da qual, ao associarem os nomes planetários solares às semanas lunares, fizeram uma grande confusão, como já foi mostrado na Instrução I. Este é o sistema geocêntrico ptolomaico, que representa o Universo como no diagrama seguinte, mostrando a nossa Terra no centro do Universo e o Sol como um planeta, o quarto em número: E se a cronologia cristã e a ordem dos dias da semana são diariamente denunciadas como baseadas em um fundamento astronômico inteiramente errado, é mais que tempo de começar uma reforma também na Astrologia construída sobre tais linhas, e que nos chega inteiramente da multidão exotérica caldeia e assíria.

Mas as correspondências dadas em nossas Instruções são puramente esotéricas.

Por essa razão, segue-se que quando os planetas do sistema solar são nomeados ou simbolizados (como no Diagrama II), não se deve supor que os próprios corpos planetários sejam referidos, exceto como tipos em um plano puramente físico da natureza septenária dos mundos psíquico e espiritual.

Um planeta material só pode corresponder a algo material.

Assim, quando se diz que Mercúrio corresponde ao olho direito, isso

E. S. INSTRUÇÃO Nº II

não significa que o planeta objetivo tenha qualquer influência sobre o órgão óptico direito, mas que ambos estão antes como correspondentes misticamente através do Buddhi.

O homem deriva sua Alma Espiritual (Buddhi) da essência dos Mānasaputras, os Filhos da Sabedoria, que são os Seres Divinos (ou Anjos) que regem e presidem o planeta Mercúrio.

Da mesma forma, Vênus, Manas e o olho esquerdo são estabelecidos como correspondências.

Exotericamente, não há, na realidade, tal associação de olhos físicos e planetas físicos; mas esotericamente há; pois o olho direito é o "Olho da Sabedoria", isto é, corresponde magneticamente àquele centro oculto no cérebro que chamamos de "Terceiro Olho", enquanto o esquerdo corresponde ao cérebro intelectual, ou àquelas células que são o órgão no plano físico da faculdade de pensar.

O triângulo cabalístico de Kether, žokhmah e Bīnāh mostra isso.

žokhmah e Bīnāh, ou Sabedoria e Inteligência, o Pai e a Mãe, ou, ainda, o Pai e o Filho, estão no mesmo plano e reagem mutuamente um sobre o outro.

Quando a consciência individual se volta para dentro, ocorre uma conjunção de Manas e Buddhi.

No homem regenerado espiritualmente, essa conjunção é permanente, o Manas superior aderindo ao Buddhi para além do limiar do Devachan, e a Alma, ou antes o Espírito, que não deve ser confundido com Ātman (o Super-Espírito), é então dito possuir o “Olho Único”. Esotericamente, em outras palavras, o “Terceiro Olho” está ativo.

Ora, Mercúrio é chamado Hermes, e Vênus Afrodite, e assim sua conjunção no homem, no plano psico-físico, lhe confere o nome de Hermafrodita, ou Andrógino.

O homem absolutamente Espiritual, no entanto, está inteiramente desconectado do sexo.

O homem Espiritual corresponde diretamente aos “círculos coloridos” superiores, o Prisma Divino que emana do Único Círculo Branco Infinito; enquanto o homem físico emana das Sephīrōth, que são as Vozes ou Sons da Filosofia Oriental.

E essas “Vozes” são inferiores às “Cores”, pois são as sete Sephīrōth inferiores, ou os Sons objetivos, vistos, não ouvidos, como o Zohar (ii, 81, 6) mostra, e até mesmo o Antigo Testamento também.

Pois, quando traduzido corretamente, o versículo 18 do capítulo xx do Êxodo seria lido: “E o povo viu as Vozes” (ou Sons, não os “trovões”, como agora se traduz); e essas Vozes ou Sons são as Sephīrōth.      Da mesma forma, as narinas direita e esquerda, nas quais é soprado o “Sopro das Vidas” (Gênesis ii, 7), são aqui ditas corresponder ao Sol e à Lua, assim como Brahmā-Prajāpati e Vāch, ou Osíris e Ísis, são os pais da vida natural.

Essa Quaternidade, a saber, dois olhos e ––––––––––      Ver A Doutrina Secreta, Vol.

II, pp. 288 e seguintes.

 A. Franck, La Kabbale, ou la philosophie religieuse des Hébreux, Paris, Hachette, 2ª ed., p. 314. –––––––––– duas narinas, Mercúrio e Vênus, Sol e Lua, constitui os Anjos Guardiões Cabalísticos dos Quatro Cantos da Terra.


É o mesmo na filosofia esotérica oriental, que, no entanto, acrescenta que o Sol não é um planeta, mas a estrela central do nosso sistema, e a Lua um planeta morto, do qual todos os princípios se foram, sendo ambos substitutos, um para um planeta intra-Mercurial invisível, e o outro para um planeta que parece ter agora desaparecido completamente de vista.

Esses são os Quatro Mahārājas de A Doutrina Secreta, os “Quatro Santos” ligados ao Karma e à Humanidade, ao Cosmos e ao Homem, em todos os seus aspectos.

Eles são: o Sol, ou seu substituto Miguel; a Lua, ou substituto Gabriel; Mercúrio, Rafael; e Vênus, Uriel.

Desnecessário dizer aqui, mais uma vez, que os próprios corpos planetários, sendo apenas símbolos físicos, não são frequentemente referidos no Sistema Esotérico, mas, via de regra, suas forças cósmicas, psíquicas, físicas e espirituais são simbolizadas sob esses nomes.

Em suma, são os sete planetas físicos, que são as Sephīrōth inferiores da Cabala, e nosso Sol físico triplo, cujo reflexo apenas vemos, que é simbolizado, ou melhor, personificado, pela Tríade Superior, ou a Coroa Sephīrōthal.

Tudo isso será demonstrado.      Então, novamente, será bom salientar que os números atribuídos aos princípios psíquicos no Diagrama I aparecem invertidos em relação aos da Lâmina I. Isso, novamente, ocorre porque os números, nesse contexto, são puramente arbitrários, mudando a cada escola.

Algumas escolas contam três, algumas quatro, algumas seis, e outras sete, como fazem todos os esoteristas budistas.

Na Lâmina I, os números dos princípios discordam dos números usados no Diagrama I, simplesmente porque os primeiros são aqueles até agora usados nos ensinamentos semi-exotéricos da Teosofia, por exemplo, no Budismo Esotérico.

Como dito em A Doutrina Secreta, desde o século XIV a Escola Esotérica tem sido dividida em dois departamentos, um para os Lanoos internos, ou Chelas superiores, o outro para o círculo externo, ou Chelas leigos.

Ao Sr. Sinnett foi claramente dito nas cartas que recebeu de um dos Gurus que ele não poderia ser ensinado na verdadeira Doutrina Esotérica, transmitida apenas aos Discípulos comprometidos do Círculo Interno.

Portanto, talvez simplificasse as coisas se cada estudante adicionasse à enumeração exotérica da ordem na Lâmina I a secreta, como dada no Diagrama II. Mas mesmo isso exigiria estudo especial.

A ––––––––––       Vol.

I, p. 122.       Enquanto isso, apontamos para confirmação as obras de Orígenes, que diz que "os sete daimons governantes" (gênios ou regentes planetários) são Miguel, o Sol (o leonino); o segundo em ordem, o Touro, Júpiter ou Suriel, etc.

[Contra Celsum, VI  xxx] e todos esses, os "Sete da Presença", são as Sephīrōth. A Árvore Sephīrōthal é a Árvore dos Planetas Divinos, como dada por Prophyry, ou a Árvore de Porfírio, como é geralmente chamada.

 Vol.

I, p. 122. ––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº II

números e princípios não seguem em sequência regular, como as cascas de uma cebola, mas o estudante deve elaborar por si mesmo o número apropriado a cada um de seus princípios, quando chegar o momento de iniciar o estudo prático.

O acima sugerirá ao estudante a necessidade de conhecer os princípios por seus nomes e suas faculdades apropriadas, à parte de qualquer sistema de enumeração, ou por associação com seus correspondentes centros de ação, cores, sons, etc., até que estes se tornem inseparáveis.

O antigo e familiar modo de contar os princípios, dado em *The Theosophist* e em *Esoteric Buddhism*, conduz a outra aparentemente perplexa contradição, embora na realidade não o seja.

Na Estampa I, ver-se-á que os princípios numerados 3 e 2, a saber, Liṅga-Śarīra e Prāṇa, ou Jīva, estão na ordem inversa à dada no Diagrama I. Um momento de consideração bastará para explicar a aparente discrepância entre a enumeração exotérica, como impressa na Estampa I, e a ordem esotérica dada no Diagrama I. Pois no Diagrama I, Liṅga-Śarīra é definido como o veículo de Prāṇa, ou Jīva, o princípio vital, e como tal deve, no plano esotérico, por necessidade, ser inferior a Prāṇa, não superior como a enumeração exotérica na Estampa I sugeriria.

A parte colorida da Estampa é profundamente esotérica, mas a antiga e mais familiar enumeração exotérica foi usada para forçar à atenção do estudante o fato de que os princípios não se situam um acima do outro, e assim não podem ser tomados em sequência numérica, sua ordem dependendo da superioridade e predominância de um ou outro princípio, e portanto diferindo em cada homem.

O Liṅga-Śarīra é o duplo, ou antetipo protoplasmático do corpo, do qual é a imagem.

É nesse sentido que é chamado no Diagrama II o progenitor do corpo físico, i.e., a mãe por concepção de Prāṇa, o pai.

Essa ideia é transmitida na mitologia egípcia pelo nascimento de Hórus, o filho de Osíris e Ísis, embora, como todos os Mitos sagrados, isso tenha tanto uma aplicação tríplice espiritual quanto uma aplicação séptupla psicofísica.

Para encerrar o assunto, Prāṇa, o princípio vital, pode, em verdade sóbria, não ter número, pois permeia todos os outros princípios, ou o total humano.

Cada número dos sete seria assim naturalmente aplicável a Prāṇa-Jīva exotericamente, como o é ao Corpo Áurico esotericamente.

Como Pitágoras mostrou, o Kosmos foi produzido não através ou por número, mas geometricamente, i.e., seguindo as proporções dos números.

––––––––– Para aqueles que não estão familiarizados com as naturezas astrológicas exotéricas atribuídas na prática aos corpos planetários, pode ser útil que as exponhamos aqui, à maneira do Diagrama II, em relação ao seu domínio sobre o corpo humano, cores, metais, etc., e expliquemos ao mesmo tempo por que a Filosofia Esotérica genuína difere das alegações astrológicas.


PLANETAS            DIAS            METAIS               PARTES DO CORPO                      CORES

Saturno                                           Ouvido Direito, Joelhos e Sistema                     Sábado            Chumbo                    Ósseo                         Preto

Ouvido Esquerdo, Coxas, Pés e        Júpiter                      Quinta-feira            Estanho        Sistema Arterial                           Púrpura

Testa e Nariz, o       Marte           Terça-feira            Ferro       Funções Sexuais e Sistema Muscular                  Vermelho                                                      Sistema

Olho Direito, Coração e Centros         Sol           Domingo            Ouro        Vitais                                   Laranja

Vênus                                             Queixo e Bochechas, Pescoço                       Sexta-feira            Cobre       e Rins, e o Sistema Venoso                  Amarelo                                                      Sistema

Boca, Mãos, Vísceras e       Mercúrio                     Quarta-feira        Mercúrio    Sistema Nervoso            Cor de Pomba ou Creme¶                                                         Seios, Olho Esquerdo, o       Lua           Segunda-feira             Prata       Sistema Fluídico, Saliva                    Branco||                                                      Linfa, etc.

––––––––––       Esotericamente, verde, não havendo preto no raio prismático.

 Esotericamente, azul-claro.

Como pigmento, o púrpura é um composto de vermelho e azul, e no Ocultismo Oriental o azul é a essência espiritual da cor púrpura, enquanto o vermelho é sua base material.

Na realidade, o Ocultismo faz Júpiter azul porque ele é filho de Saturno, que é verde, e o azul-claro, como cor prismática, contém muito verde.

Novamente, o Corpo Áurico conterá muito da cor do Manas Inferior se o homem for um sensualista material, assim como conterá muito do tom mais escuro se o Manas Superior tiver preponderância sobre o Inferior.

Esotericamente, o Sol não pode corresponder ao olho, ao nariz ou a qualquer outro órgão, pois, como foi explicado, ele não é um planeta, mas uma estrela central.

Foi adotado como planeta pelos Astrólogos pós-cristãos, que nunca foram iniciados.

Além disso, a verdadeira cor do Sol é azul, e ele parece amarelo apenas devido ao efeito da absorção de vapores (principalmente metálicos) pela sua atmosfera.

Tudo é Māyā na nossa Terra.

Esotericamente, o índigo ou azul-escuro, que é o complemento do amarelo no prisma.

O amarelo é uma cor simples ou primitiva.

Sendo Manas dual em sua natureza, como o é seu símbolo sideral, o planeta Vênus, que é tanto a estrela da manhã quanto a da tarde, a diferença entre os princípios superior e inferior de Manas, cuja essência deriva da Hierarquia que rege Vênus, é denotada pelo azul-escuro e pelo verde.

O verde, o Manas Inferior, assemelha-se à cor do espectro solar que aparece entre o amarelo e o azul-escuro, o Manas Espiritual Superior.

O índigo é a cor intensificada do céu ou firmamento, para denotar a tendência ascendente de Manas em direção a Buddhi, ou a Alma Espiritual celeste.

Essa cor é obtida da indigoferra tinctoria, uma planta de altíssimas propriedades ocultas na Índia, muito usada na Magia Branca e ocultamente ligada ao cobre.

Isso é mostrado ––––––––––

E. S. INSTRUCTION NO. II

Assim, ver-se-á que a influência do sistema solar na Astrologia Cabalística exotérica é, por este método, distribuída por todo o corpo humano, os metais primários e as gradações de cor do preto ao branco; mas que o Esoterismo não reconhece nem o preto nem o branco como cores, porque se apega religiosamente às sete cores solares ou naturais do prisma.

O preto e o branco são matizes artificiais.

Pertencem à Terra e são percebidos apenas em virtude da construção especial dos nossos órgãos físicos.

O branco é a ausência de todas as cores e, portanto, não é cor; o preto é simplesmente a ausência de luz e, portanto, o aspecto negativo do branco.

As sete cores prismáticas são emanações diretas das Sete Hierarquias do Ser, cada uma das quais tem uma relação e um vínculo diretos com um dos princípios humanos, pois cada uma dessas Hierarquias é, de fato, a criadora e a fonte do princípio humano correspondente.

Cada cor prismática é chamada no Ocultismo de "Pai do Som" que lhe corresponde; sendo o som a Palavra, ou o Logos, do seu Pensamento-Pai.

Esta é a razão pela qual os sensitivos associam cada cor a um som definido, fato bem reconhecido na ciência moderna (por exemplo, *Nature and Nurture* de Francis Galton). Mas o preto e o branco são cores inteiramente negativas e não têm representantes no mundo do ser subjetivo.

A Astrologia Cabalística diz que o domínio dos corpos planetários no cérebro humano também é definido assim: há sete primárias –––––––––– pelo índigo assumindo um lustre acobreado, especialmente quando friccionado sobre qualquer substância dura.

Outra propriedade do corante é que ele é insolúvel em água e até mesmo em éter, sendo mais leve em peso do que qualquer líquido conhecido.

Nenhum símbolo jamais foi adotado no Oriente sem ser baseado em uma razão lógica e demonstrável.

Portanto, os simbolistas orientais, desde as eras mais remotas, conectaram as mentes espiritual e animal do homem — uma com o azul-escuro (índigo de Newton), ou azul verdadeiro, livre de verde; e a outra com o verde puro.

¶Esotericamente, amarelo, porque a cor do Sol é laranja, e Mercúrio agora está próximo ao Sol, em distância, como também em cor.

O planeta pelo qual o Sol é um substituto estava ainda mais próximo do Sol do que Mercúrio agora está, e era um dos planetas mais secretos e mais elevados.

Diz-se que se tornou invisível no final da Terceira Raça.

|| Esotericamente, violeta, porque talvez o violeta seja a cor assumida por um raio de luz solar quando transmitido através de uma finíssima placa de prata, e também porque a Lua brilha sobre a Terra com luz emprestada do Sol, assim como o corpo humano brilha com qualificações emprestadas de seu duplo — o homem aéreo.

Assim como a sombra astral inicia a série de princípios no homem, no plano terrestre, até o Manas inferior, animal, assim o raio violeta inicia a série de cores prismáticas de sua extremidade até o verde, sendo ambos — um como princípio e o outro como cor — os mais refrangíveis de todos os princípios e cores.

Além disso, há o mesmo grande mistério oculto ligado a todas essas correspondências, tanto dos corpos celestes quanto dos terrestres, cores e sons.

Em palavras mais claras, existe a mesma lei de relação entre a Lua e a Terra, o corpo astral e o corpo vivo do homem, como entre a extremidade violeta do espectro prismático e o índigo e o azul.

Mas disso trataremos mais adiante.

[Título posteriormente alterado para: *Inquiry into Human Faculty and its Development*, Nova York, 1883.] –––––––––– grupos de faculdades, seis dos quais funcionam através do cérebro, e o sétimo através do cerebelo.


Isto é perfeitamente correto esotericamente.

Mas quando se diz ainda que: Saturno rege as faculdades devocionais; Mercúrio, as intelectuais; Júpiter, as simpáticas; o Sol, as faculdades governantes; Marte, as egoístas; Vênus, as tenazes; e a Lua, os instintos; –– dizemos que a explicação é incompleta e até mesmo enganosa.

Pois, em primeiro lugar, os planetas físicos podem reger apenas o corpo físico e as funções puramente físicas.

Todas as faculdades mentais, emocionais, psíquicas e espirituais são influenciadas pelas propriedades ocultas da escala de causas que emanam das Hierarquias dos Regentes Espirituais dos planetas, e não pelos próprios planetas.

Essa escala, como dada no Diagrama II, leva o estudante a perceber na seguinte ordem: (1) cor; (2) som; (3) o som materializa-se no espírito dos metais, isto é, nos Elementais metálicos; (4) estes materializam-se novamente nos metais físicos; (5) então a essência radiante harmônica e vibratória passa para as plantas, dando-lhes cor e cheiro, ambas as "propriedades" dependendo da taxa de vibração dessa energia por unidade de tempo; (6) das plantas passa para os animais; (7) e finalmente culmina nos "princípios" do homem.

Assim vemos a essência divina de nossos Progenitores no céu circulando através de sete estágios; o espírito tornando-se matéria, e a matéria retornando ao espírito.

Assim como há som na natureza que é inaudível, há também cor que é invisível, mas que pode ser ouvida.

A força criativa, trabalhando em sua tarefa incessante de transformação, produz cor, som e números, na forma de taxas de vibração que compõem e dissociam os átomos e moléculas.

Embora invisível e inaudível para nós em detalhe, contudo a síntese do todo torna-se audível para nós no plano material.

É aquilo que os chineses chamam de "Grande Tom", ou Kung.

É, mesmo por confissão científica, o tônico real da natureza, considerado pelos músicos como o Fá médio no teclado de um piano.

Nós o ouvimos distintamente na voz da natureza, no rugido do oceano, no som da folhagem de uma grande floresta, no rugido distante de uma grande cidade; no vento, na tempestade e na tormenta: em suma, em tudo na natureza que tem voz ou produz som.

Para os ouvidos de todos os que escutam, culmina em um único tom definido, de altura inapreciável, que, como foi dito, é o F, ou Fá, da escala diatônica.

A partir desses detalhes, aquilo em que reside a diferença entre a nomenclatura e o simbolismo exotéricos e esotéricos será evidente para o estudante de Ocultismo.

Em suma, a Astrologia Cabalística, como praticada na Europa, é a ciência secreta semi-esotérica, adaptada para o círculo externo e não para o interno.

Além disso, é frequentemente deixada incompleta e não raramente distorcida para ocultar a verdade real.

Enquanto ela simboliza e adota suas correspondências nas meras aparências das coisas,                                                 INSTRUÇÃO E. S. Nº II

a filosofia esotérica, que se ocupa preeminentemente da essência das coisas, aceita apenas tais símbolos que cobrem todo o terreno, ou seja, tais símbolos que produzem um significado espiritual, bem como psíquico e físico.

Contudo, mesmo a Astrologia Ocidental realizou excelente trabalho, pois ajudou a carregar o conhecimento da existência de uma Sabedoria Secreta através dos perigos das Eras Medievais e sua obscura intolerância até os dias atuais, quando todo perigo desapareceu.

A ordem dos planetas na prática exotérica é aquela definida por seus raios geocêntricos, ou a distância de suas respectivas órbitas da Terra como centro, a saber: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua.

Nos três primeiros encontramos simbolizada a tríade celestial do poder supremo no universo físico manifestado, ou Brahmā, Vishnu e Śiva; enquanto nos últimos quatro reconhecemos os símbolos da quaternidade terrestre que rege todas as revoluções naturais e físicas das estações, quartos do dia, pontos cardeais e elementos.

Assim:

Primavera                  Verão                  Outono                 Inverno          Manhã                 Meio-dia                   Tarde                 Noite          Juventude                   Adolescência            Maturidade                 Velhice          Fogo                    Ar                    Água                   Terra          Leste                    Sul                  Oeste                     Norte

Mas a Ciência Esotérica não se contenta com analogias no plano puramente objetivo dos sentidos físicos, e portanto é absolutamente necessário preceder ensinamentos adicionais nessa direção com uma clara explicação do significado real da palavra Magia.

––––––––––

O QUE A MAGIA É, NA REALIDADE

[Os números superiores nas páginas seguintes referem-se aos números correspondentes nas Notas do Compilador ao final desta Instrução.]

A Ciência Esotérica é, acima de tudo, o conhecimento de nossas relações com e na magia divina, a inseparabilidade de nossos Eus divinos––sendo este último termo algo além de nosso próprio espírito superior.

Assim, antes de proceder a exemplificar e explicar essas relações, talvez seja ––––––––––       Magia, Magia, significa em seu sentido espiritual e secreto, a “Grande Vida” ou vida divina no espírito.

A raiz é *magh*, como se vê no sânscrito *mahat*, no zenda *mazas*, no grego *megas* [µ], e no latim *magnus*, todos significando “grande.” –––––––––– útil dar ao estudante uma ideia correta do significado pleno dessa palavra tão mal compreendida, “magia.” Muitos são os dispostos e ansiosos por estudar Ocultismo, mas pouquíssimos têm uma ideia sequer aproximada da ciência em si.


Agora, pouquíssimos de nossos estudantes americanos e europeus podem extrair benefício das obras sânscritas ou mesmo de suas traduções, pois essas traduções são, em sua maioria, meros véus para os não iniciados.

Proponho, portanto, oferecer à sua atenção demonstrações do supracitado extraídas de obras neoplatônicas.

Estas são acessíveis em traduções; e, a fim de lançar luz sobre o que até agora esteve repleto de trevas, bastará apontar para uma certa chave nelas.

Assim, a *Gnose*, tanto pré-cristã quanto pós-cristã, servirá admiravelmente ao nosso propósito.

Há milhões de cristãos que conhecem o nome de Simão Mago e o pouco que dele é dito nos Atos, mas muito poucos que sequer ouviram falar dos muitos detalhes heterogêneos, fantásticos e contraditórios que a tradição registra sobre sua vida.

A história de suas pretensões e de sua morte é encontrada apenas nos registros preconceituosos e semifantásticos sobre ele nas obras dos Padres da Igreja, tais como Irineu, Epifânio e São Justino, e especialmente nos *Philosophumena* anônimos.

Contudo, ele é um personagem histórico, e a designação de “Mago” foi-lhe dada e aceita por todos os seus contemporâneos, incluindo os chefes da Igreja Cristã, como uma qualificação que indicava os poderes miraculosos que possuía, independentemente de ser considerado um mago branco (divino) ou negro (infernal).

A esse respeito, a opinião sempre foi subserviente às inclinações gentílicas ou cristãs do cronista.

É em seu sistema e no de Menandro, seu discípulo e sucessor, que encontramos o que o termo “magia” significava para os iniciados daquela época.

Simão, como todos os outros gnósticos, ensinava que nosso mundo foi criado pelos anjos inferiores, a quem ele chamava de Eões ["f]. Ele menciona apenas três graus desses, porque era e é inútil, como explicado em A Doutrina Secreta, ensinar algo sobre os quatro superiores, e ele portanto começa no plano dos globos A e G. Seu sistema está tão próximo da verdade oculta quanto qualquer outro, de modo que podemos examiná-lo, bem como suas próprias alegações e as de Menandro sobre “magia”, para descobrir o que eles queriam dizer com esse termo.

Ora, para Simão, o ápice de toda a criação manifestada era o Fogo [BØD]. É, para ele como para nós, o Princípio Universal, a Potência Infinita nascida da Potencialidade oculta.

Esse Fogo era a causa primordial do mundo manifestado do ser, e era dual, tendo um lado manifestado e um lado oculto ou secreto.

––––––––––       Para mais informações sobre este assunto, os estudantes são remetidos a Simão Mago, um ensaio escrito por G. R. S. Mead.

 Atos viii, 9, 10. ––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. N.º II

“O lado secreto do Fogo está oculto em seu lado evidente (ou objetivo)”, escreve ele, o que equivale a dizer que o visível está sempre presente no invisível, e o invisível no visível.

Isso era apenas uma nova forma de enunciar a ideia de Platão sobre o Inteligível (JÎ @0J` to noēton) e o Sensível (JÎ "F20J`, to aisthēton), e o ensinamento de Aristóteles sobre o Poder ou Potencialidade (b":4l, dynamis) e a Existência Atual (XXD(,4", energeia). Para Simão, tudo o que pode ser pensado, tudo o que pode ser objeto de ação, era inteligência perfeita.

O Fogo continha tudo.

E assim todas as partes desse Fogo, sendo dotadas de inteligência e razão, são suscetíveis de desenvolvimento por extensão e emanação.

Este é o nosso ensinamento do Logos Manifestado, e essas partes em sua emanação primordial são nossos Dhyāni-Chohans, os “Filhos da Chama e do Fogo”, ou Eões superiores. Esse “Fogo” é o símbolo do lado ativo e vivo da natureza divina.

Por trás dele jazia a “Potencialidade infinita em Potencialidade”, que Simão denominou “aquilo que esteve de pé, está de pé e estará de pé” [Ò ©FJäl, FJ"l, FJ0F`:,@l, o estōs, stas, stēsomenos] ou estabilidade permanente e Imutabilidade personificada.

Da Potência do Pensamento, a Ideação Divina passou assim à Ação.

Portanto, a série de emanações primordiais através do Pensamento gerando o Ato, o lado objetivo do Fogo sendo a Mãe, o lado secreto dele sendo o Pai.

Simão chamou a essas emanações Sízigias (um par ou casal unido), pois emanavam de duas em duas, uma como Eão ativo e a outra como Eão passivo. Três pares assim emanaram (ou seis no total, sendo o Fogo o sétimo), aos quais Simão deu os seguintes nomes: Mente (Nous) e Pensamento (Epinoia), Voz (Phōnē) e Nome (Onoma), Razão (Logismos) e Reflexão (Enthumēsis), sendo o primeiro de cada par masculino e o último feminino.

Desses seis primordiais emanaram os seis Eões do Mundo Médio.

Vejamos o que o próprio Simão diz: “Cada um desses seis seres primitivos continha toda a Potência infinita [de seu progenitor], mas ali ela estava apenas em Potência, e não em Ato.

Essa Potência tinha de ser evocada (ou conformada) através de uma imagem para que se manifestasse em toda a sua essência, virtude, grandeza e efeitos; pois somente então a Potência emanada poderia tornar-se semelhante ao seu progenitor, a Potência eterna e infinita. Se, ao contrário, permanecesse simplesmente potencial nos seis Poderes e não fosse conformada através de uma imagem, então a Potência não passaria à ação, ––––––––––       Philosophumena, lib.

VI, ch. i (De Simone),  9 (ed. Cruice, p. 247).       [Irineu e Epifânio chamam ambos a essa segunda parceira no primeiro par de “Raízes” de Ennoia.]       [O Abade Cruice traduziu Enthumēsis como “Concepção”.] –––––––––– mas se perderia”; em termos mais claros, tornar-se-ia atrofiada, como diria a expressão moderna.


Ora, o que significam essas palavras senão que, para serem iguais em tudo à Potência Infinita, os Eões tinham de imitá-la em sua ação e tornar-se, eles próprios, por sua vez, princípios emanativos, como fora seu progenitor, dando vida a novos seres e tornando-se Potências em ato? Produzir emanações, ou ter adquirido o dom de Kriyāśakti, é o resultado direto desse poder, um efeito que depende de nossa própria ação.

Esse poder, então, é inerente ao homem, como o é nos Eões primordiais e mesmo nas emanações secundárias, pelo próprio fato de sua e nossa descendência do Único Princípio Primordial, o Poder ou Potência infinitos.

Assim, encontramos no sistema de Simão Mago que os seis primeiros Aeons, sintetizados pelo sétimo, a Potência Parental, passaram ao Ato e emanaram, por sua vez, seis Aeons secundários, cada um sintetizado por seu respectivo Parental.

No *Philosophumena* lemos que Simão comparava os Aeons à "Árvore da Vida". " 'Está escrito', disse Simão na *Grande Revelação* (º :,(V80 B`N"F4l, hē ' Megalē Apophasis), da qual se supõe que o próprio Simão tenha sido o autor, 'que há duas ramificações dos Aeons universais, sem começo nem fim, emitidas ambas da mesma raiz, a Potencialidade invisível e incompreensível, Sigē (Silêncio). Uma dessas [séries de Aeons] aparece do alto.

Esta é a Grande Potência, Mente Universal [ou Ideação Divina, o Mahat dos Hindus]: ela ordena todas as coisas e é masculina.

A outra é de baixo, pois é o Grande Pensamento [manifestado], o Aeon feminino, que gera todas as coisas.

Esses [dois tipos de Aeons], correspondendo-se entre si, têm conjunção e manifestam a distância média [a esfera intermediária, ou plano], o Ar incompreensível que não tem começo nem fim'."¶ Esse "Ar" feminino é nosso Éter, ou a Luz Astral cabalística.

É, então, o Segundo Mundo de Simão, nascido do FOGO, o princípio de tudo.

Nós o chamamos de UMA VIDA, a Chama Inteligente, Divina, onipresente e infinita.

No sistema de Simão, esse Segundo Mundo era governado por um Ser, ou Potência, tanto masculino quanto feminino, ou ativo e passivo, bom e mau.

Esse Ser-Parental, como a Potência infinita primordial, também é chamado "aquilo que esteve de pé, está de pé e estará de pé", enquanto durar o Cosmos manifestado.

Quando emanou *in actu* e se tornou semelhante ao seu próprio Parental, não era dual ou andrógino.

––––––––––        *Philosophumena*, lib. VI, cap. i, § 12 (ed. Cruice, p. 250).        Ver *The Secret Doctrine*, Índice, sub voce.

 [Também chamada de Grande Anúncio ou Declaração.]        [F4(¬ 6"JV80BJ@l, Sigē akatalēptos.]       || Literalmente, em pé, opostos um ao outro em fileiras ou pares.

¶ *Philosophumena*, lib. VI, cap. i, § 18 (ed. Cruice, 261). ––––––––––                           Escritos Reunidos VOLUME XII                                            INSTRUÇÃO E. S. Nº II

É o Pensamento que emanou dela (Sigē) que se tornou como ela mesma (o Parental), tendo-se tornado semelhante à sua própria imagem (ou antetipo); o segundo tornara-se agora, por sua vez, o primeiro (em seu próprio plano ou esfera). Como diz Simão:

“Ele [o Parental ou Pai] era um.

Pois, tendo-a [o Pensamento] em si mesmo, era só.

Não era, porém, primeiro, embora fosse pré-existente; mas manifestando-se a si mesmo, a partir de si mesmo tornou-se o segundo (ou dual). Nem foi chamado Pai antes que ela [o Pensamento] lhe desse esse nome.

Assim, portanto, desenvolvendo-se a si mesmo por si mesmo, manifestou a si mesmo seu próprio Pensamento, assim também o Pensamento, sendo manifestado, não agiu, mas vendo o Pai, escondeu-o em si mesmo, isto é, (escondeu) aquela Potência (em si mesmo). E a Potência (Dynamis, a saber, Nous) e o Pensamento (Epinoia) são macho-fêmea.

Donde correspondem um ao outro––pois a Potência em nada difere do Pensamento––sendo um.

Assim, das coisas acima se encontra a Potência, e das abaixo, o Pensamento.

Acontece, portanto, que aquilo que é manifestado deles, embora sendo um, contudo se encontra ser duplo, o andrógino tendo a fêmea em si mesmo.

Assim é a Mente no Pensamento, coisas inseparáveis uma da outra, que embora sendo uma, contudo se encontram duais.”

“Ele (Simão) chama a primeira Sízigia das seis Potências e da sétima, que está com ela, Nous e Epinoia, Céu e Terra: o macho olha do alto e cuida de sua Sízigia (ou Esposa), pois a Terra abaixo recebe aqueles frutos intelectuais que são trazidos do Céu e são cognatos à Terra.”

O Terceiro Mundo de Simão, com sua terceira série de seis Eões e o sétimo, o Parental, é emanado da mesma maneira.

É esta mesma nota que percorre todo sistema gnóstico––desenvolvimento gradual para baixo, na matéria, por similitude; e é uma lei que deve ser rastreada até o Ocultismo primordial, ou Magia.

Com os gnósticos, como conosco, esta sétima Potência, sintetizando tudo, é o Espírito pairando sobre as águas escuras do Espaço indiferenciado, NārāyaŠa, ou VishŠu, na Índia; o Espírito Santo no Cristianismo.

Mas enquanto neste último a concepção é condicionada e diminuída por limitações que exigem fé e graça, a Filosofia Oriental mostra-a permeando cada átomo, consciente ou inconsciente.

Irineu complementa a informação sobre o desenvolvimento posterior desses seis Éons. Dele aprendemos que o Pensamento, tendo-se separado de seu Pai, e conhecendo, por sua identidade de Essência com este último, o que lhe era necessário conhecer, procedeu no segundo plano, ou intermediário, ou antes Mundo (cada um desses Mundos consistindo de dois planos, o superior e o inferior, masculino e feminino, assumindo este último finalmente ambas as potências e tornando-se andrógino), a criar Hierarquias inferiores, Anjos e Potestades, Dominações e Hostes, de toda descrição, que por sua vez criaram, ou antes emanaram de sua própria Essência, o nosso mundo com seus homens e seres, sobre os quais velam.

Segue-se, portanto, que todo ser racional––chamado Homem na Terra––é da mesma essência e possui potencialmente todos os atributos dos ––––––––––        Ibid.

Philosophumena, lib.

VI, cap. i, 13 (ed. Cruice, 251). ––––––––––

BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS Éons superiores, os sete primordiais.

Cabe a ele desenvolver, "tendo diante de si a imagem do mais alto", por imitação in actu, a Potência com a qual o mais alto de seus Pais, ou Pais, é dotado.² Aqui podemos novamente citar com proveito o Philosophumena:

"Assim, então, segundo Simão, este princípio bem-aventurado e imperecível está oculto em tudo em potência, não em ato.

Este é 'aquele que esteve de pé, está de pé e estará de pé', a saber: aquele que esteve de pé acima na Potência ingerável, aquele que está de pé abaixo na corrente das águas geradas em imagem, aquele que estará de pé acima, junto à bem-aventurada Potência Infinita, se se tornar semelhante a esta imagem.

Pois três, diz ele, são os que estão de pé, e sem estes três Éons de estabilidade, não há ornamento do gerável que, segundo eles [os simonianos], é sustentado sobre a água, e sendo moldado segundo a semelhança é um Éon perfeito e celestial, em nada inferior à Potência ingerável.

Assim dizem; 'Eu e tu [somos] um; antes de mim [foste] tu; o que é depois de ti [é] eu.' Isto, diz ele, é a única Potência dividida em acima e abaixo, gerando a si mesma, nutrindo a si mesma, buscando a si mesma, encontrando a si mesma; sua própria mãe, pai, irmão, esposa, filha e filho, um, pois é a Raiz de tudo."

Assim, deste triplo Eão, aprendemos que o primeiro existe como "aquilo que permaneceu, permanece e permanecerá", ou o Poder incriado, Ātman; o segundo é gerado nas águas escuras do Espaço (Caos, ou Substância indiferenciada, nosso Buddhi), a partir ou através da imagem do primeiro refletida nessas águas, a imagem dele, ou Disso, que se move sobre elas; o terceiro Mundo (ou, no homem, Manas) será dotado de todo poder dessa imagem eterna e onipresente se apenas a assimilar a si mesmo.

Pois, "tudo o que é eterno, puro e incorruptível está oculto em tudo o que existe", se apenas potencialmente, não atualmente.

E "tudo é essa imagem, desde que a imagem inferior (o homem) ascenda àquela Fonte e Raiz supremas em Espírito e Pensamento." A Matéria como Substância é eterna e nunca foi criada.

Portanto, Simão Mago, com todos os grandes mestres gnósticos e filósofos orientais, nunca fala de seu começo.

A "Matéria Eterna" recebe suas diversas formas no Eão inferior dos Anjos Criativos, ou Construtores, como os chamamos.

Por que, então, não deveria o Homem, herdeiro direto do Eão supremo, fazer o mesmo, pela potência de seu pensamento, que nasce do Espírito? Isto é Kriyā ākti, o poder de produzir formas no plano objetivo através da potência da Ideação e da Vontade, a partir da matéria invisível e indestrutível.

Verdadeiramente diz Jeremias, citando a "Palavra do Senhor": "Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e antes que saísses da madre, te santifiquei"; pois Jeremias representa aqui o Homem quando ele era ainda um Eão, ou Homem Divino, tanto para Simão Mago quanto para a Filosofia Oriental.

Os três primeiros capítulos do Gênesis são tão ocultos quanto o que é dado na Instrução Nº I. Pois o paraíso terrestre ––––––––––       Philosophumena, lib.

VI, cap. i,  17 (ed. Cruice, 258-59).       Jeremias i, 5. ––––––––––

E. S. INSTRUÇÃO Nº II

é o Ventre, diz Simão, o Éden a região que o circunda. O rio que saía do Éden para regar o jardim é o Cordão Umbilical; este cordão é dividido em quatro Cabeças, os riachos que dele fluíam, os quatro canais que servem para levar nutrição ao Feto, i.e., as duas artérias e as duas veias que são os canais para o sangue e conduzem o ar vital, o nascituro, segundo Simão, sendo inteiramente envolvido pelo Âmnio, alimentado através do Cordão Umbilical e recebendo ar vital através da Aorta.      O acima é dado para a elucidação do que se segue.

Os discípulos de Simão Mago eram numerosos e por ele eram instruídos na magia.

Eles faziam uso dos chamados "exorcismos" (como no Novo Testamento), encantações, filtros; acreditavam em sonhos e visões, e os produziam à vontade; e, por fim, forçavam as ordens inferiores de espíritos a lhes obedecer.

Simão Mago era chamado "o Grande Poder de Deus", literalmente "a Potência da Divindade que é chamada Grande". Aquilo que então se denominava Magia, nós agora chamamos de Teosofia, ou Sabedoria Divina, Poder e Conhecimento.

Seu discípulo direto, Menandro,3 foi também um grande Mago.

Diz Irineu, entre outros escritores: "O sucessor de Simão foi Menandro, samaritano de nascimento, que atingiu os mais altos cumes na Ciência da Magia." Assim, tanto mestre quanto discípulo demonstram ter alcançado os mais elevados poderes na arte dos encantamentos, poderes que só podem ser obtidos mediante "a ajuda do Diabo", como afirmam os cristãos; e, no entanto, suas "obras" eram idênticas àquelas mencionadas no Novo Testamento, nas quais tais resultados fenomenais são chamados de milagres divinos e, portanto, são cridos e aceitos como vindos de e através de ––––––––––       Philosophumena, lib.

VI. cap. i, 14 (ed. Cruice, 254).       No início, há os vasos onfalomesentéricos, duas artérias e duas veias, mas estes depois desaparecem totalmente, assim como a "área vascular" na Vesícula Umbilical, da qual procedem.

No que diz respeito aos "Vasos Umbilicais" propriamente ditos, o Cordão Umbilical tem, em última instância, entrelaçada ao seu redor, da direita para a esquerda, a única Veia Umbilical que leva o sangue oxigenado da mãe ao Feto, e duas Artérias Hipogástricas ou Umbilicais que levam o sangue já utilizado do feto à Placenta, sendo o conteúdo dos vasos o inverso do que prevalece após o nascimento.

Assim, a ciência corrobora a sabedoria e o conhecimento do ocultismo antigo, pois nos dias de Simão Mago nenhum homem, a menos que fosse um Iniciado, sabia algo sobre a circulação do sangue ou sobre Fisiologia.

Enquanto esta Instrução estava sendo impressa, recebi dois pequenos panfletos do Dr. Jerome A. Anderson (E.S.T.), impressos em 1884 e 1888, nos quais se encontra a demonstração científica da nutrição fetal conforme avançada na Instrução Nº I. Em suma, o feto é nutrido por osmose a partir do Líquido Amniótico e respira por meio da Placenta.

A ciência sabe pouco ou nada sobre o Líquido Amniótico e seus usos.

Se algum de nossos membros desejar aprofundar esta questão, recomendo o *Remark on the Nutrition of the Foetus*, do Dr. Anderson (Wood & Co., Nova York). [Lido perante a Sociedade Obstétrica e Ginecológica de São Francisco, em 12 de abril de 1888.] [Adv. Haer., I, xxiii, 5.] –––––––––– Deus.


Mas a questão é: esses chamados "milagres" do "Cristo" e dos Apóstolos foram alguma vez explicados mais do que as realizações mágicas dos chamados feiticeiros e magos? Eu digo: nunca.

Nós, Ocultistas, não acreditamos em fenômenos sobrenaturais, e os Mestres riem da palavra "milagre". Vejamos, então, qual é realmente o sentido da palavra Magia.

A fonte e a base dela residem no Espírito e no Pensamento, seja no plano puramente divino ou no terrestre.

Aqueles que conhecem a história de Simão têm diante de si as duas versões, a da Magia Branca e a da Magia Negra, à sua escolha, na tão comentada união de Simão com Helena, a quem ele chamava de sua Epinoia (Pensamento). Aqueles que, como os cristãos, precisavam desacreditar um rival perigoso, falam de Helena como sendo uma mulher bela e real, que Simão teria encontrado numa casa de má fama em Tiro, e que era, segundo os que escreveram sua vida, a reencarnação de Helena de Troia.

Como, então, era ela o "Pensamento Divino"? Os anjos inferiores, dizem que Simão afirmava nos *Philosophumena*, ou os terceiros Eões, sendo tão materiais, tinham mais maldade em si do que todos os outros.

O pobre homem, criado ou emanado deles, tinha o vício de sua origem.

O que era isso? Apenas isto: quando os terceiros Eões se apoderaram, por sua vez, do Pensamento Divino através da transmissão do Fogo neles, em vez de fazer do homem um ser completo, segundo o plano universal, eles primeiro retiveram dele aquela centelha divina (Pensamento, na Terra Manas); e essa foi a causa e a origem de o homem insensato cometer o pecado original, assim como os anjos o cometeram éons antes, ao recusarem criar. Finalmente, após manterem a Epinoia prisioneira entre eles e terem submetido o Pensamento Divino a todo tipo de insulto e profanação, acabaram por encerrá-lo no já contaminado corpo do homem.

Depois disso, conforme interpretado pelos inimigos de Simão, ela passou de um corpo feminino a outro através das eras e das raças, até que Simão a encontrou e reconheceu na forma de Helena, a "prostituta", a "ovelha perdida" da parábola.

Simão é apresentado como representando a si mesmo como o Salvador que desceu à Terra para resgatar esta "cordeira" e aqueles homens em quem Epinoia ainda está sob o domínio dos anjos inferiores.

Os maiores feitos mágicos são assim atribuídos a Simão através de sua união sexual com Helena, daí a Magia Negra.

De fato, os principais ritos desse tipo de magia baseiam-se em tão repugnante interpretação literal de mitos nobres, um dos mais nobres dos quais foi assim inventado por Simão como uma marca simbólica de seu próprio ensinamento.

Aqueles que o compreenderam corretamente sabiam o que se queria dizer com "Helena". Era o casamento de Nous (Ātma-Buddhi) com Manas, a união através da qual Vontade e Pensamento tornam-se um e –––––––––– A Doutrina Secreta, Vol.

II (consultar Índice, s.v. Anjos). ––––––––––

INSTRUÇÃO E.S. Nº II

são dotados de poderes divinos.

Pois Ātman no homem, sendo de uma essência imaculada, o Fogo divino primordial (ou o eterno e universal "aquilo que permaneceu, permanece e permanecerá"), é de todos os planos; e Buddhi é seu veículo ou Pensamento, gerado por e gerando o "Pai" por sua vez, e também Vontade.

Ela é "aquilo que permaneceu, permanece e permanecerá", tornando-se assim, em conjunção com Manas, macho-fêmea, somente nesta esfera.

Portanto, quando Simão falava de si mesmo como o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e de Helena como sua Epinoia, Pensamento Divino, ele queria dizer o casamento de sua Buddhi com Manas.

Helena era a Śakti do homem interior, a potência feminina.

Agora, o que diz Menandro? Os anjos inferiores, ensinava ele, eram as emanações de Ennoia (@4", Pensamento Projetado). Foi Ennoia quem ensinou a Ciência da Magia e a transmitiu a ele, juntamente com a arte de conquistar os anjos criativos do mundo inferior.

Estes últimos representam as paixões de nossa natureza inferior.

Seus pupilos, após receberem o batismo dele (isto é, após a iniciação), dizia-se que "ressuscitavam dos mortos" e, "não envelhecendo mais", tornavam-se "imortais". A "ressurreição" prometida por Menandro significava, é claro, simplesmente a passagem das trevas da ignorância para a luz da verdade, o despertar do Espírito imortal do homem para a vida interior e eterna.

Esta é a Ciência dos Rāja-Yogis –––– Magia.

Toda pessoa que leu a filosofia neoplatônica sabe como seus principais Adeptos, tais como Plotino, e especialmente Porfírio, lutaram contra a Teurgia fenomênica.

Mas, além de todos eles, Jâmblico, o autor do *De Mysteriis*, ergue bem alto o véu do verdadeiro termo Teurgia, e nos mostra nela a verdadeira Ciência do Rāja-Yoga.

A Magia, diz ele, é uma Ciência elevada e sublime, divina, e exaltada acima de todas as outras.

“Ela é o grande remédio para tudo.

. . . Ela não tem sua fonte, nem se limita, ao corpo ou às suas paixões, ao composto humano ou à sua constituição; mas tudo é derivado por ela de nossos Deuses superiores,” nossos Egos divinos, que correm como um fio de prata desde a Centelha em nós até o primordial Fogo divino. Jâmblico execra os fenômenos físicos, produzidos, como ele diz, pelos demônios malignos que enganam os homens (os fantasmas da sala de sessão), tão veementemente quanto exalta a Teurgia divina.

Mas para exercer esta última, ele ensina, o Teurgo deve imperativamente ser “um homem de alta moralidade e uma alma casta.” O outro tipo de magia é usado apenas por homens impuros e egoístas e não tem nada de divino em si. . . . Nenhum verdadeiro Vate consentiria jamais em encontrar em suas comunicações algo que viesse de nossos Deuses superiores.

. . . Assim, uma (a Teurgia) é o conhecimento de nosso Pai (o Eu Superior); a outra, a sujeição à nossa natureza inferior.

. . . Uma exige

–––––––––– Eusébio, *Hist. Ecles.*, lib. III, cap. xxvi (p. 98). *De Mysteriis*, p. 100, linhas 10-19; p. 109, fol. i. ––––––––––

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS santidade da alma, uma santidade que rejeita e exclui tudo o que é corpóreo; a outra, a profanação dela (da Alma). . . . Uma é a união com os Deuses (com o próprio Deus), a fonte de todo o Bem; a outra, o intercâmbio com demônios (Elementais), que, a menos que os subjuguemos, nos subjugarão, e nos conduzirão passo a passo à ruína moral (mediunidade). Em suma: “A Teurgia nos une fortissimamente à natureza divina.

Essa natureza gera a si mesma através de si mesma, move-se por seus próprios poderes, sustenta tudo, e é inteligente.

Sendo o ornamento do Universo, ela nos convida à verdade inteligível, à perfeição e a transmitir perfeição aos outros.

Ela nos une tão intimamente a todas as ações criativas dos Deuses, segundo a capacidade de cada um de nós, que a alma, tendo realizado os ritos sagrados, é consolidada em suas [dos Deuses] ações e inteligências, até que se lance e seja absorvida pela essência divina primordial.

Este é o objetivo das Iniciações sagradas dos Egípcios.” Agora Jâmblico nos mostra como essa união de nossa Alma Superior com a Alma Universal, com os Deuses, deve ser efetuada.

Ele fala de Manteia [:"J,"] que é Samādhi, o transe mais elevado. Ele fala também do sonho que é a visão divina, quando o homem se torna novamente um Deus.

Pela Teurgia, ou Rāja-Yoga, o homem chega a: (1) Discernimento Profético através de nosso Deus (o respectivo Ego Superior de cada um de nós) revelando-nos as verdades do plano em que porventura estejamos atuando; (2) Êxtase e Iluminação; (3) Ação no Espírito (no Corpo Astral ou através da Vontade); (4) e Domínio sobre os Demônios menores e insensatos (Elementais) pela própria natureza de nossos Egos purificados.

Mas isso exige a completa purificação deste último.

E isso é por ele chamado de Magia, através da iniciação na Teurgia.

Mas a Teurgia deve ser precedida por um treinamento de nossos sentidos e pelo conhecimento do Self humano em relação ao DIVINO SELF.

Enquanto o homem não dominar completamente esse estudo preliminar, é inútil antropomorfizar o sem forma.

Por “sem forma” quero dizer os Deuses superiores e inferiores, os Espíritos supramundanos e mundanos, ou Seres, que para os iniciantes só podem ser revelados em Cores e Sons.

Pois somente um Alto Adepto pode perceber um “Deus” em sua verdadeira forma transcendental, que para o intelecto não treinado, para o Chela, será visível apenas por sua Aura.

As visões de figuras completas percebidas casualmente por sensitivos e médiuns pertencem a uma ou outra das únicas três categorias que eles podem ver: (a) Astrais de homens vivos; (b) Nirmāṇakāyas (Adeptos, bons ou maus, cujos corpos estão mortos, mas que aprenderam a viver no espaço invisível em suas personalidades etéreas); e (c) Espectros, Elementares e Elementais mascarados em formas emprestadas

––––––––––      De Mysteriis, p. 290, linhas 15-18 e seguintes, caps.

V e VII.

 Ibid., p. 100, Seção.

III, cap.

III.

––––––––––

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº II

do Astral Light em geral, ou de figuras no “olho da mente” da audiência, ou do médium, que são imediatamente refletidas em suas respectivas Auras.

Tendo lido o exposto, os estudantes agora compreenderão melhor a necessidade de primeiro estudar as correspondências entre nossos “princípios”––que são apenas os vários aspectos do homem trino (espiritual e físico)––e nosso Paradigma, as raízes diretas destes no Universo.

Em vista disso, devemos retomar nosso ensinamento sobre as Hierarquias diretamente conectadas e para sempre ligadas ao homem.

––––––––––                                                  HIERARQUIAS

Bastante foi dito para mostrar que, enquanto para os orientalistas e as massas profanas a frase Om Mani Padme Hūm significa simplesmente “Ó, a Jóia no Lótus”, esotericamente ela significa “Ó, meu Deus dentro de mim”. Sim; há um Deus em cada ser humano, pois o homem foi e voltará a se tornar Deus.

A frase aponta para a união indissolúvel entre o Homem e o Universo.

Pois o Lótus é o símbolo universal do Cosmos como totalidade absoluta, e a Jóia é o homem espiritual ou Deus.

Na Instrução precedente, foram dadas as correspondências entre Cores, Sons e “Princípios”; e aqueles que leram o segundo volume de A Doutrina Secreta lembrarão que esses sete princípios derivam das sete grandes Hierarquias de Anjos ou Dhyāni-Chohans, que, por sua vez, estão associadas a Cores e Sons, e formam coletivamente o Logos Manifestado.

Na música eterna das esferas encontramos a escala perfeita correspondente às cores, e no número, determinado pelas vibrações da cor e do som, que “subjaz a toda forma e guia todo som”, encontramos a síntese do Universo Manifestado.

Podemos ilustrar essas correspondências mostrando a relação da cor e do som com as figuras geométricas que, como explicado em A Doutrina Secreta, expressam os estágios progressivos na manifestação do Cosmos.

Mas o estudante certamente estará sujeito a confusão se, ao estudar os Diagramas, não se lembrar de duas coisas: (1) Que, sendo nosso plano um plano de reflexão e, portanto, ilusório, as várias notações são invertidas e devem ser contadas de baixo para cima.

A escala musical começa de baixo para cima, começando com o Dó grave

––––––––––        Vol.

I, pp. 4 e seguintes; Vol. II, pp. 36 e seguintes.

–––––––––– e terminando com o Si muito mais agudo. (2) Que Kāma-Rūpa (correspondente ao Dó na escala musical), contendo como contém todas as potencialidades da matéria, é necessariamente o ponto de partida em nosso plano.


Além disso, ele inicia a notação em todos os planos, como correspondente à “matéria” desse plano.

Novamente, o estudante deve também lembrar que essas notas têm de ser dispostas em um círculo, mostrando assim como Fá é a nota média da Natureza.

Em suma, as notas musicais, ou Sons, Cores e Números procedem de um a sete, e não de sete a um, como erroneamente mostrado no espectro das cores prismáticas, em que o vermelho é contado primeiro: fato que me obrigou a colocar os princípios e os dias da semana ao acaso no Diagrama II. A escala musical e as Cores, segundo a escala de vibrações, procedem do mundo da matéria grosseira ao do espírito, assim:

PRINCÍPIOS                            CORES      NOTAS NÚMEROS ESTADOS DA MATÉRIA  
Chhāyā, Sombra ou Duplo                    Violeta       Si     1    Éter  
Manas Superior, Inteligência               Índigo       Lá     2    Estado Crítico, chamado Ar  
Espiritual                                                      no Ocultismo  
Envoltura Áurica                               Azul       Sol     3    Vapor ou Vaporização  
Manas Inferior, ou Alma Animal                  Verde       Fá     4    Estado Crítico  
Buddhi, ou Alma Espiritual                   Amarelo       Mi     5    Água  
Prāṇa, ou Princípio Vital                    Laranja       Ré     6    Estado Crítico  
Kāma-Rūpa, a sede da                       Vermelho       Dó     7    Gelo  
Vida Animal

Aqui novamente se pede ao estudante que afaste de sua mente qualquer correspondência entre "princípios" e números, pelas razões já dadas.

A enumeração esotérica não pode ser feita para corresponder à exotérica convencional.

Uma é a realidade; a outra é classificada segundo aparências ilusórias.

Os princípios humanos, como dados em *Esoteric Buddhism*, foram tabulados para principiantes, a fim de não confundir suas mentes.

Foi meia venda.

Para prosseguir: (ver página 564).

O acima está no plano manifestado; após o qual obtemos o sete e o Prisma Manifestado, ou o Homem na Terra.

Com este último, somente o Mago Negro está preocupado.

No Cosmos, as gradações e correlações de Cores e Sons e, portanto, de Números, são infinitas.

Isto é suspeitado até na Física

E. S. INSTRUCTION NO. II

pois se verificou que existem vibrações mais lentas do que as do Vermelho, as mais lentas perceptíveis para nós, e vibrações muito mais rápidas do que as do Violeta, as mais rápidas que nossos sentidos podem perceber.

Mas na Terra, em nosso mundo físico, o alcance das vibrações perceptíveis é limitado.

Nossos sentidos físicos não podem tomar conhecimento de vibrações acima e abaixo das gradações septenárias e limitadas das cores prismáticas, pois tais vibrações são incapazes de causar em nós a sensação de cor ou som.

Será sempre a septenária graduada e nada mais, a menos que aprendamos a paralisar nosso Quaternário e discernir tanto as vibrações superiores quanto as inferiores com nossos sentidos espirituais situados no Triângulo superior.

Agora, neste plano de ilusão, há três cores fundamentais, como demonstrado pela Ciência física: Vermelho, Azul e Amarelo (ou melhor, Amarelo-Alaranjado). Expressas em termos dos princípios humanos, são: (1) Kāma-Rūpa, a sede das sensações animais, soldada à Alma Animal ou Manas Inferior e servindo-lhe de veículo (Vermelho e Verde, como foi dito, sendo intercambiáveis); (2) Envoltório Áurico, ou a essência do homem; e (3) PrāŠa, ou Princípio Vital.

Mas se do reino da ilusão, ou do homem vivo como ele é em nossa Terra, sujeito apenas às suas percepções sensuais, passarmos ao da semi-ilusão e observarmos as próprias cores naturais, ou aquelas dos princípios, isto é, se tentarmos descobrir quais são aquelas que no homem perfeito absorvem todas as outras, descobriremos que as cores correspondem e se tornam complementares da seguinte maneira:

Violeta                 (1) Vermelho--------------------- -------- -------------------Verde                 (2) Laranja----------------- -------- --------------------Azul                 (3) Amarelo----------------- -------- --------------------Índigo                                                        Violeta O ponto no Círculo é o Logos Não Manifestado, correspondendo à Vida Absoluta e ao Som Absoluto.


O Esferoide é o Triângulo.

Corresponde ao Movimento, à Cor e ao Som.

Assim, o Ponto no Triângulo representa o Segundo Logos, "Pai-Mãe", ou o Raio Branco que não é cor, pois contém potencialmente todas as cores.

É mostrado irradiando do Logos Não Manifestado, ou da Palavra Não Pronunciada.

Ao redor do primeiro Triângulo é formado no plano da Substância Primordial nesta ordem (invertida em relação ao nosso plano):

A
(a) O Duplo Astral da Natureza, ou o Paradigma de todas as formas.

(b) Ideação Divina, ou Mente Universal.

(c) A Síntese da Natureza oculta, o Ovo de Brahmā, contendo tudo e irradiando tudo.

(d) Alma Animal ou Material da Natureza, fonte da inteligência e do instinto animal e vegetal.

(e) O agregado das Inteligências Dhyāni-Chohânicas, Fohat.

(f) Princípio de Vida na Natureza.

(g) O Princípio Procriador de Vida na Natureza.

Aquilo que, no plano espiritual, corresponde à afinidade sexual no inferior.

Refletido no Plano da Natureza Grosseira, o Mundo da Realidade é invertido, e torna-se na Terra e em nosso plano:

B
(a) O Vermelho é a cor do dual manifestado, ou masculino e feminino.

No homem, é mostrado em sua forma animal mais baixa.

(b) O Laranja é a cor das vestes dos Yogis e sacerdotes budistas, a cor do Sol e da Vitalidade Espiritual, também do Princípio Vital.

(c) O Amarelo ou Dourado radiante é a cor do Raio Espiritual e Divino em cada átomo; no homem, de Buddhi.

(d) O Verde e o Vermelho são, por assim dizer, cores intercambiáveis, pois o Verde absorve o Vermelho, sendo três vezes mais forte em suas vibrações do que este; e o Verde é a cor complementar do Vermelho extremo.

É por isso que o Manas inferior e o Kāma-Rūpa são mostrados respectivamente como Verde e Vermelho.

(e) O Plano Astral, ou Envelope Áurico na Natureza e no Homem.

(f) A Mente ou elemento racional no Homem e na Natureza.

(g) O contraparte mais etérea do Corpo do homem, o polo oposto, situando-se em ponto de vibração e sensibilidade como o Violeta se situa em relação ao Vermelho.

A Chave-Mestra ou Tônica da Natureza Manifestada

INSTRUÇÃO E. S. Nº II

Portanto, o homem setenário completo, simbolicamente quanto às figuras geométricas, e em realidade quanto às várias cores de seus princípios, apresenta alguma aparência como na Estampa II.

Uma forma violeta-fraca, semelhante a névoa, representa o Homem Astral com um círculo oviforme azulado, sobre o qual irradiam em vibrações incessantes as cores prismáticas.

Predomina aquela cor cujo princípio correspondente é o mais ativo em geral, ou no momento particular em que o clarividente a percebe. Tal homem aparece durante seus estados de vigília; e é pela predominância desta ou daquela cor, e pela intensidade de suas vibrações, que um clarividente, se conhece as correspondências, pode julgar do estado interior ou caráter de uma pessoa, pois esta é um livro aberto para todo Ocultista prático.

No estado de transe, a Aura muda inteiramente, não sendo mais discerníveis as sete cores prismáticas.

No sono, também, nem todas estão "em casa". Pois aquelas que pertencem aos elementos espirituais no homem, a saber: Amarelo, Buddhi; Índigo, Manas Superior; e o Azul do Envelope Áurico, serão ou dificilmente discerníveis, ou totalmente ausentes.

O Homem Espiritual é livre durante o sono, e embora sua memória física possa não tomar consciência disso, vive, vestido em sua mais alta essência, em reinos de outros planos, em reinos que são a terra da realidade, chamados sonhos em nosso plano de ilusão.

Um bom clarividente, além disso, se tivesse a oportunidade de ver um Iogue em estado de transe e um sujeito mesmerizado, lado a lado, aprenderia uma importante lição em Ocultismo.

Ele aprenderia a conhecer a diferença entre transe autoinduzido e um estado hipnótico resultante de influência extrínseca.

No Iogue, os "princípios" do Quaternário inferior desaparecem inteiramente.

Nem Vermelho, Verde, Vermelho-Violeta nem o Azul Áurico do Corpo são vistos; nada além de vibrações dificilmente perceptíveis do princípio PrāŠa de tonalidade dourada e uma chama violeta listrada de ouro subindo rapidamente da cabeça, na região onde repousa o Terceiro Olho, e culminando em um ponto.

Se o estudante lembrar que o verdadeiro Violeta, ou o extremo final do espectro, não é uma cor composta de Vermelho e Azul, mas uma cor homogênea com vibrações sete vezes mais rápidas do que as do Vermelho extremo, e que o matiz dourado é a essência dos três matizes amarelos, do Laranja-Vermelho ao Amarelo-Laranja e Amarelo, ele compreenderá a razão pela qual: ele vive em seu próprio Corpo Áurico, agora tornado veículo de Buddhi-Manas.


Por outro lado, em um sujeito em transe hipnótico ou mesmérico produzido artificialmente, um efeito de Magia Negra inconsciente, quando não consciente, a menos que produzido por um Alto Adepto, todo o conjunto de princípios estará presente, com o Manas Superior paralisado, Buddhi separado dele por essa paralisia, e o Corpo Astral vermelho-violeta inteiramente subjugado ao Manas Inferior e ao Kāma-Rūpa (os monstros animais verde e vermelho em nós). Aquele que compreender bem as explicações acima verá prontamente quão importante é para todo estudante, quer ele se esforce por poderes ocultos práticos, quer apenas pelos dons puramente psíquicos e espirituais de clarividência e conhecimento metafísico, dominar minuciosamente as correspondências corretas entre os princípios humanos ou naturais e os do Cosmos.

É a ignorância que leva a ciência materialista a negar o homem interior e seus poderes divinos; o conhecimento e a experiência pessoal que permitem ao Ocultista afirmar que tais poderes são tão naturais ao homem quanto o nadar é para os peixes.

É como um lapão que, com toda sinceridade, negasse a possibilidade de o barbante de tripa, esticado frouxamente sobre a caixa de ressonância de um violino, produzir sons compreensíveis ou melodia.

Nossos princípios são a Lira de Sete Cordas de Apolo, verdadeiramente.

Nesta nossa era, quando o esquecimento envolveu o conhecimento antigo, as faculdades do homem não são melhores do que as cordas frouxas do violino para o lapão.

Mas o Ocultista que sabe como apertá-las e afinar seu violino em harmonia com as vibrações da cor e do som extrairá delas a harmonia divina.

A combinação desses poderes e a afinação

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COMPRIMENTOS DE ONDA EM                                                      NÚMERO DE                                                                     MÍCRONS (µ)                                             VIBRAÇÕES EM                                                                                                                                            TRILHÕES                 Violeta extremo-----------------                                                         400            -----------------                 Violeta----------------------------                                                      423            -----------------                 Violeta-Índigo-------------------                                                        439            -----------------                 Índigo---------------------------                                                       449            -----------------                 Índigo-Azul---------------------                                                        459            -----------------                 Azul------------------------------                                                      479            -----------------                 Azul-Verde---------------------                                                         492            -----------------                 Verde----------------------------                                                       512            -----------------                 Verde-Amarelo------------------                                                          532            -----------------                 Amarelo--------------------------                                                        551            -----------------                 Amarelo-Laranja-----------------                                                          571            -----------------                 Laranja--------------------------                                                        583            -----------------                 Laranja-Vermelho---------------------                                                         596            -----------------                 Vermelho------------------------------                                                       620            -----------------                 Vermelho extremo--------------------                                                         645            ----------------- ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

INSTRUÇÃO E.S. Nº II

do Macrocosmo e do Microcosmo, quando combinados, darão o equivalente geométrico da invocação “Om Mani Padme Hum”. É por isso que o conhecimento prévio de música e geometria era obrigatório na escola de Pitágoras.

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AS RAÍZES DA COR E DO SOM

LÂMINA III

Além disso, cada um dos Sete Primordiais, os primeiros Sete Raios que formam o Logos Manifestado, é novamente setenário.

Assim, como as sete cores do espectro solar correspondem aos sete Raios, ou Hierarquias, assim cada uma destas últimas tem novamente suas sete divisões correspondendo à mesma série de cores.

Mas, neste caso, uma cor, a saber: aquela que caracteriza a Hierarquia particular como um todo, é predominante e mais intensa do que as outras.

Estas Hierarquias só podem ser simbolizadas como círculos concêntricos de cores prismáticas; cada Hierarquia sendo representada por uma série de sete círculos concêntricos, cada círculo representando uma das cores prismáticas em sua ordem natural.

Mas, em cada uma dessas “rodas”, um círculo será mais brilhante e mais vívido em cor do que o restante, e a roda terá uma Aura circundante (uma franja, como os físicos a chamam) dessa cor.

Esta cor será a cor característica dessa Hierarquia como um todo.

Cada uma dessas Hierarquias fornece a essência (a alma) e é a “Construtora” de um dos sete reinos da Natureza, que são os três reinos elementais, o mineral, o vegetal, o animal e o reino do homem espiritual. Além disso, cada Hierarquia fornece a Aura de um dos sete princípios no homem com sua cor específica.

Além disso, como cada uma dessas Hierarquias é a Regente de um dos Planetas Sagrados, será facilmente compreendido como a Astrologia veio a existir, e que a Astrologia real tem uma base estritamente científica.

A Lâmina III demonstra o fato ao mostrar o símbolo adotado na escola oriental para representar as Sete Hierarquias de Poderes Criativos; chame-as de Anjos, se quiser, ou de Espíritos Planetários, ou, ainda, de –––––––––– Ver Five Years of Theosophy (1885), pp. 273-78: “About the Mineral Monad” [Collected Writings, Vol. V, pp. 171-75]. –––––––––– Collected Writings VOLUME XII 568 BLAVATSKY: COLLECTED WRITINGS

Sete Regentes dos Sete Planetas Sagrados do nosso sistema, como no nosso caso presente.

Em todo caso, os círculos concêntricos são símbolos das Rodas de Ezequiel para alguns Ocultistas e Cabalistas ocidentais, e dos "Construtores" ou Prajāpatis para nós.

DIAGRAMA III — O estudante deve examinar cuidadosamente o Diagrama adjacente.

Assim, o Liṅga-śarīra é derivado do sub-raio Violeta da Hierarquia Violeta; o Manas Superior é similarmente derivado do sub-raio Índigo da Hierarquia Índigo, e assim por diante. Todo homem, nascendo sob um certo planeta, terá sempre em si uma predominância da cor desse planeta, porque aquele "princípio" que nele governa tem sua origem na Hierarquia em questão.

Haverá também uma certa quantidade da cor derivada dos outros planetas presente em sua Aura, mas a do planeta regente será a mais forte.

Ora, uma pessoa em quem, digamos, o princípio de Mercúrio é predominante, agindo sobre o princípio de Mercúrio em outra pessoa nascida sob um planeta diferente, poderá colocá-la inteiramente sob seu controle.

Pois o princípio de Mercúrio mais forte nela dominará o elemento mercurial mais fraco do outro.

Mas terá pouco poder sobre pessoas nascidas sob o mesmo planeta que ela.

Esta é a chave da Ciência Oculta do Magnetismo e do Hipnotismo.

INSTRUÇÃO E.S. Nº II — O estudante compreenderá que as Ordens e Hierarquias são aqui nomeadas segundo suas cores correspondentes, a fim de evitar o uso de numerais, que seriam confusos em relação aos princípios humanos, pois estes não têm números próprios.

Os verdadeiros nomes ocultos dessas Hierarquias não podem ser dados agora.

O estudante deve, contudo, lembrar que as cores que vemos com nossos olhos físicos não são as verdadeiras cores da natureza oculta, mas meramente os efeitos produzidos sobre o mecanismo de nossos órgãos físicos por certas taxas de vibração.

Por exemplo, Clerk-Maxwell demonstrou que os efeitos retinianos de qualquer cor podem ser imitados combinando-se adequadamente três outras cores.

Segue-se, portanto, que nossa retina possui apenas três sensações distintas de cor, e por isso não percebemos as sete cores que realmente existem, mas apenas suas "imitações", por assim dizer, em nosso organismo físico.

Assim, por exemplo, o Laranja-Vermelho do primeiro “Triângulo” não é uma combinação de Laranja e Vermelho, mas o Vermelho “espiritual”, se o termo for permitido, enquanto o Vermelho (vermelho-sangue) do espectro é a cor do Kâma, o desejo animal, e é inseparável do plano material.

A UNIDADE DA DIVINDADE

O esoterismo, puro e simples, não fala de um Deus pessoal; por isso somos considerados ateus.

Mas, na realidade, a Filosofia Oculta, como um todo, baseia-se absolutamente na presença ubíqua de Deus, a Divindade Absoluta; e se Ela mesma não é especulada, por ser demasiado sagrada e ainda incompreensível como Unidade para o intelecto finito, toda a filosofia está, no entanto, baseada em Seus divinos Poderes como sendo a fonte de tudo o que respira, vive e tem existência.

Em toda religião antiga, o Um era demonstrado pelos muitos.

No Egito e na Índia, na Caldeia e na Fenícia, e finalmente na Grécia, as ideias sobre a Divindade eram expressas por múltiplos de três, cinco e sete; e também de oito, nove e doze grandes Deuses, que simbolizavam os poderes e propriedades da Única e Única Divindade.

Isso estava relacionado àquela subdivisão infinita por números irregulares e ímpares, à qual a metafísica dessas nações submetia sua ÚNICA DIVINDADE.

Assim constituído, o ciclo dos Deuses possuía todas as qualidades e atributos do ÚNICO SUPREMO E INCOGNOSCÍVEL; pois nessa coleção de personalidades divinas, ou melhor, de símbolos personificados, habita o ÚNICO DEUS, o DEUS UM, aquele Deus que, na Índia, se diz não ter Segundo: “Ó Deus Ani (o Sol Espiritual), tu resides na aglomeração de tuas personagens divinas.” Essas palavras mostram a crença dos antigos de que toda manifestação procede de uma única e mesma fonte, tudo emanando do idêntico princípio que nunca pode ser completamente desenvolvido exceto na e através da coletiva e inteira agregação de suas emanações.

O Pleroma de Valentinus é absolutamente o Espaço da Filosofia Oculta; pois Pleroma significa a “Plenitude”, as regiões superiores.

É a soma total de todas as manifestações e emanações divinas, expressando o pleno ou a totalidade dos raios que procedem do UM, diferenciando-se em todos os planos e transformando-se em Poderes divinos, chamados Anjos e Espíritos Planetários na filosofia de toda nação.

Os Eons Gnósticos e os Poderes do Pleroma são feitos para falar como os Devas e Siddhas dos Purāṇas. A Epinoia, a primeira manifestação feminina de Deus, o “Princípio” de Simão Mago e Saturnino, mantém a mesma linguagem que o Logos de Basílides; e cada um deles é remontado à puramente esotérica Aletheia, a VERDADE dos Mistérios.

Todos eles, somos ensinados, repetem em diferentes épocas e em diferentes línguas o magnífico hino do papiro egípcio, com milhares de anos: “Os deuses te adoram, eles te saúdam, ó Única Verdade Obscura”; e dirigindo-se a Rá, acrescentam: “Os deuses se curvam diante de tua Majestade, exaltando as Almas daquilo que os produz . . . e te dizem: Paz a todas as emanações do Pai Inconsciente dos Pais Conscientes dos deuses.

. . . Tu, produtor de seres, adoramos as Almas que emanam de ti.

Tu nos geras, ó Desconhecido, e nós te saudamos adorando cada Alma-Deus que desce de ti e vive em nós.” (Hino a Amon-Rá. Esta é a fonte da afirmação: “Não sabeis que sois deuses e o templo de Deus.” Isso é mostrado em “Raízes do Ritualismo na Igreja e na Maçonaria,” Lucifer de março de 1889. Verdadeiramente então, como foi dito há dezessete séculos, “O homem não pode possuir a Verdade (Aletheia) exceto se participar da Gnose.” Assim podemos dizer agora: Nenhum homem pode conhecer a Verdade a menos que estude os segredos do Pleroma do Ocultismo; e esses segredos estão todos na Teogonia da antiga Religião da Sabedoria, que é a Aletheia da Ciência Oculta.

H.P.B.... ––––––––––      Apud Grébaut Papyrus Orbiney, p. 101.      [Collected Writings, Vol.

XI.] ––––––––––

E. S. INSTRUÇÃO NO. II

NOTAS DO COMPILADOR     1 As fontes disponíveis de informação sobre Simão Mago se enquadram em três categorias:

I. O SIMÃO DO NOVO TESTAMENTO:

Atos (viii, 9-24). Autor e data desconhecidos, mas comumente suposto ser “pelo autor do terceiro evangelho, tradicionalmente conhecido como Lucas” (Wm. Smith, A Dictionary of the Bible, 1863 & 1893, s.v. “Atos dos Apóstolos.”).     II. O SIMÃO DOS PADRES DA IGREJA:     Justino Mártir (Justinius Flavius, 100?-165 d.C.). Primeira Apologia (I, 26.56), cuja data provável é 141 d.C. O único MS. preservado é o cod.

Paris, 450, 1364 d.C. Texto: J.C.T. Eques de Otto, Justini philosophi et martyris opera quae feruntur omnia, 3ª ed. em 5 vols., Jena, 1876-81. Trad. inglesa.

por John Kaye, Edimburgo: John Grant, 1912. Também na Biblioteca Oxford dos Padres e na Biblioteca Cristã Ante-Nicena.––Segunda Apologia (II, 15), cuja data provável é incerta.

Como acima.––Dialogus cum Tryphone (120), cuja data provável é 142-148 d.C. Como acima.

Ireneu, bispo grego de Lião (97-147?––202-203 d.C.). Principal atividade literária no último decênio do século II.

Contra Haereses (I, xxiii, 1-4). MSS.

provavelmente dos séculos VI, VII e VIII.

Texto: Opera, ed. por Adolph Stieren, 2 vols., Leipzig, 1848-53. Trad. inglesa

na Biblioteca Cristã Ante-Nicena.

Passagens pertinentes em G. R. S. Mead, Simon Magus, Londres, Sociedade Publicadora Teosófica, 1892, pp. 8-10. Publicado originalmente em Lucifer, Londres, Vols.

X-XI, junho––dezembro de 1892.

Clemente Alexandrino (Titus Flavius Clemens, 150? ––220 d.C.) Diretor da Escola Catequética.

Maior atividade literária por volta de 190-203 d.C. Str∩mateis ou Stromata (ii, 11; vii, 17), significando Miscelâneas.

Preservado em um único MS. do século XI: Cod.

Flor.

(Laur.

v. 3) (L). Edição grega e latina de John Potter, bispo de Oxford e posteriormente arcebispo de Cantuária, Oxford, 1715 e 1757, vols.

fólio.

Edição padrão das obras completas por O. Stählin, Leipzig, 1905. Trad. inglesa

dos Stromata na Biblioteca Cristã Ante-Nicena.

Tertuliano (Quintus Septimius Florens Tertullianus, ca. 155––ca. 220-240). De Prescriptionibus adversus Haereticos (46), ca. 199 d.C. Texto: Liber de Praes., etc., ed. por H. Hurter, S. J. Oeniponti, 1870. Também em J. P. Migne, Patrologiae Cursus Completus, Series Latina, Paris, 1879. Trad. inglesa

na Biblioteca Cristã Ante-Nicena.––De Anima (34, 36), ca. 208-09 d.C. Texto: Bibliothec.

Patr.

Eccles.

Select.


do Dr. G. B. Linder, Fasc.

iv, Leipzig, 1859. Trad. inglesa

na Biblioteca Cristã Ante-Nicena, e passagem pertinente em Mead, op. cit., p. 11.

Hipólito de Roma (m. ca. 230 d.C.), Philosophumena (vi, 7-20). Ver abaixo.

Orígenes (Origenes Adamantius, 185-86––254-55 d.C.). Contra Celsum (i, 57; v, 62, vi, 11). Principal obra apologética do escritor, escrita em Cesareia na época de Filipe, o Árabe.

Contém quase toda a famosa obra de Celso, Logos Alethes, contra o cristianismo.

A obra mostra uma estreita afinidade entre as próprias visões de Orígenes e as de Celso sobre muitos assuntos.

MS. do século XIV.

Texto grego em J. P. Migne, Patrol.

Gr., Vols.

XI-XVII.

Tradução para o português do Brasil:

Tradução para o inglês: por F. Crombie & W. H. Cairns na Ante-Nicene Christian Library, Vols. X & XXIII (Edimburgo, 1869-72); e por Henry Chadwick, com Introdução e Notas (Cambridge, Univ. Press, 1953; xl, 531 pp.), bem como copioso Índice e Bibliografia.

Passagens pertinentes em Mead, op. cit., pp. 22-23.

Filástrio, Bispo de Bréscia (Brescia), m. ca. 387. De Haeresibus, i. Texto: Patres Quarti Ecclesiae Saeculi, ed. por D. A. B. Caillau, Paris, 1842, e em Corpus Haeresiologicum de Franz Oehler, Berlim, 1859-61. Passagens pertinentes em Mead, op. cit., pp. 23-24.

Epifânio, Bispo de Salamina (310-20––404 d.C.). Contra Haereses ou Panarion (ii, 1-6). Manuscrito do século XI.

Texto: Opera, ed. por G. Dindorf, Leipzig, 1859; e por K. Holl, Leipzig, 1915. Edição grega e latina por Franz Oehler em seu Corpus Haeresiologicum, Berlim, 1859-61. Passagens pertinentes traduzidas para o inglês em Mead, op. cit., pp. 24-28.

Jerônimo (Eusébio Sofrônio Jerônimo, 340-420 d.C.). Commentarius in Evangelium secundum Matthaeum (IV, xxiv, 5), escrito ca. 387. Texto: J. P. Migne, Patrol. Graec., VII, e Ser. Latina, XXVI, Paris, 1884. Passagem pertinente em Mead, op. cit., p. 28.

Teodoreto, Bispo de Cirro (ca. 386––453-58 d.C.). Haereticarum Fabularum Compendium (I, i). Manuscrito do século XI.

Texto: Edição grega e latina de Opera Omnia pelo jesuíta Jac. Sirmond, Paris, 1642, reeditada por J. L. Schulze, Halae Sax., 1769-74. Passagens pertinentes traduzidas por Mead, op. cit., pp. 28-30.

III.

O SIMÃO DAS LENDAS:

Referências a Simão Mago são encontradas na chamada Literatura Clementina, a saber, nas Recognitiones (Texto: Rufino Aquilei Presb. Interprete [curante E. G. Gersdorf], Leipzig, 1838), nas Homiliae

E. S. INSTRUÇÃO N.º II

(Texto: Bibliotheca Patrum Ecclesiasticorum Latinorum Selecta, Vol. I, ed. Albertus Schwegler, Tubingensis, Stuttgardt, 1847), e nas Constituições Apostólicas (Texto: S.S. Patrum qui Temporibus Apostolicis Floruerunt Opera, ed. por J. B. Cotelerius, Amsterdã, 1742). Um resumo das histórias contidas nessas obras pode ser encontrado em Mead, op. cit., pp. 31-37.      As fontes enumeradas acima são de valor muito desigual.

É somente quando chegamos ao Simão dos Philosophumena que nos sentimos em terreno seguro.

A parte anterior é de especial interesse devido às citações de A Grande Revelação ou Anúncio (º :,(V80 B`N"F4l), uma obra que se supõe ter sido escrita por Simão e que não é mencionada em nenhuma outra fonte.

É óbvio que o autor dos *Philosophumena* (chamados também de *Elenchus*), quem quer que fosse, teve acesso a alguns dos escritos dos simonianos, dos quais extraiu suas copiosas citações.

Não foi senão no ano de 1842 que Minoides Mynas, um erudito grego, trouxe a Paris, de um dos mosteiros do Monte Atos, ao retornar de uma missão literária que lhe fora confiada pelo governo francês, um manuscrito do século XIV em condição mutilada.

Este era o manuscrito dos *Philosophumena*, supostamente escrito no primeiro quartel do século III por Hipólito Romanus, Bispo de Óstia, em refutação de todas as heresias, dividido em dez livros, embora começasse no meio do quarto, pois os primeiros três livros e meio estavam faltando.

Emmanuel Miller, que publicou o livro em 1851 para a Universidade de Oxford, notou que esses livros recentemente recuperados pertenciam à mesma obra que aquilo que havia sido publicado sob o nome de *Philosophumena* de Orígenes por J. F. Gronovius (1611-71), e mais tarde na edição beneditina de Orígenes.

Miller atribuiu todo o texto a Orígenes, o que deu origem a uma controvérsia muito acalorada.

Vários estudiosos pareceram ter encontrado evidências conclusivas de que esta obra foi escrita por Hipólito, mas sua real autoria ainda está em questão.

Os *Philosophumena* ou *Refutatio Omnium Haeresium*, publicados pela primeira vez por Miller em 1851, foram editados por Lud. Duncker e F. G. Schneidewin, Göttingen, 1859. Podem ser consultados no *Patrologiae Cursus Completus* de Migne, Ser. Gr.-Lat., XVI-3. Texto grego e latino editado por Patricius Cruice, Paris, Imprimerie Royale, 1860. Tradução inglesa pelo Rev. J. H. Macmahon na *Ante-Nicene Christian Library*, Edimburgo, 1867-72 (Vol. I, 1868), e Buffalo, 1884-86. Passagens pertinentes em Mead, op. cit., pp. 12-22.


2[Excerto de G. de Purucker, *Fountain-Source of Occultism*. Theosophical University Press, Pasadena, Calif., 1974, pp. 193-97.]

SOBRE OS ÉONS GNÓSTICOS

2"Durante os dois ou três séculos que se seguiram à queda do sistema esotérico na Europa e suas escolas de mistérios anexas –– queda que teve seus estágios incipientes por volta do início da era cristã –– surgiu um considerável número de escolas de pensamento místicas e quase-ocultas, algumas delas contendo não pequena porção da então esmaecida luz da sabedoria esotérica, outras apenas raios débeis.

Entre essas escolas que assim ganhavam voga temporária estavam os diferentes grupos dos gnósticos, a maioria deles comumente chamados erroneamente pelos escritores históricos cristãos de “seitas cristãs heréticas”, embora, na verdade, fossem muito menos cristãos do que raios decadentes dos centros originais de ensino esotérico no mundo mediterrâneo.

No entanto, é verdade que alguns desses grupos gnósticos, por uma razão ou outra e principalmente por conveniência, tinham certos caminhos de aproximação com as diferentes seitas cristãs, provavelmente para que pudessem viver mais ou menos em paz e continuar em relativa segurança seus estudos privados.

“A verdade completa sobre essas seitas gnósticas nunca foi escrita.

A Escola Gnóstica de Simão foi uma das mais fiéis no ensino de algumas das doutrinas fundamentais da filosofia esotérica.

Outros grupos gnósticos que preservavam elementos da sabedoria arcaica foram os fundados por Menandro, Valentino, Basilides, etc.

Simão, porque ensinava em uma época que, embora ávida e faminta por todos os tipos de conhecimento oculto e quase oculto, era ainda extremamente crítica e teologicamente hostil, obviamente teve que formular seu ensino em formas de discurso que não ofendessem o poder cristão dominante.

Consequentemente, ele abandonou em grande parte as frases sagradas e antigas de ensino, e usou modos de falar e ilustrações que eram frequentemente bastante exotéricos, e em certos casos foram realmente inventados por ele para ocultar dos inimigos de sua escola exatamente o que ele realmente queria dizer em suas doutrinas – cujo significado interno era, no entanto, perfeitamente compreensível para seus seguidores instruídos.

. . . . “Quando H. P. B. se refere ao sistema de Eons de Simão como começando ‘no plano dos globos A e G’, o leitor deve lembrar que não há apenas sete, mas na verdade doze diferentes estágios evolutivos de crescimento na história da vida de uma encarnação de uma cadeia planetária desde seu início até seu fim.

Ela passou em relativo silêncio pelos primeiros cinco estágios preliminares, e aborda a cadeia realmente em seu sexto estágio,

E. S. INSTRUCTION NO. II

que ela chama de ‘primeiro’. O diagrama a seguir pode tornar o assunto um pouco mais claro:                                                        1. Etérico              Estágios Primordiais                  {      2. Etérico

{                                                            1. Primeiro Reino Elemental               Evolução Elementar                         2. Segundo Reino Elemental                                                            3. Terceiro Reino Elemental                                                            1. Globo A ígneo

{                                                            2. Globo B aéreo                                                            3. Globo C aquoso               Os Sete Globos Manifestados                         4. Globo D sólido ou terreno                    Globos                                  5. Globo E etéreo                                                            6. Globo F etéreo-espiritual                                                            7. Globo G quase-espiritual

“Disto se vê que, precedendo a evolução dos reinos elementais, que são os primeiros a auxiliar na construção de um globo em um plano, há os estágios etéricos e etéreos, que realmente são o estágio cometário mais primitivo em suas duas principais divisões de desenvolvimento.

Uma vez terminados esses dois estágios primordiais de preparação e quase-materialização, então as três classes principais de elementais, que vêm se preparando e foram separadas e atraídas para suas três respectivas classes, começam seu trabalho de lançar os fundamentos de um globo por vir.      “Novamente, quando as três classes de elementais construíram o contorno do globo por vir, cada classe seguindo quando a precedente terminou seu trabalho, o verdadeiro globo começa sua existência no que aqui é chamado de primeira ronda, porque, quando os três reinos elementais completaram sua tarefa, as diferentes famílias de mônadas tornaram-se mais ou menos segregadas em seus respectivos grupos e, portanto, estão prontas para começar suas rondas como ondas de vida.

“Deste momento em diante, as sete rondas começam e continuam através de progressões seriais ao redor de todos os globos da cadeia; pois deve-se notar que, embora a descrição acima trate principalmente do globo D, todos os outros globos têm igualmente evoluído ou entrado em manifestação pari passu com ele. Uma ronda começa no mais elevado dos doze globos e prossegue regularmente de globo a globo ao redor da cadeia.

Isto é apenas outra maneira de afirmar que cada globo desdobra de si mesmo seu excedente de vida, ou vidas.

“Primeiramente, temos o despertar etérico para a vida de um centro laya, que, começando a se mover em suas peregrinações pelo espaço, gradualmente acumula para si matéria etérica e etérea e assim lentamente entra em seu segundo estágio, o etéreo; e quando este estágio termina, o centro laya, que agora se manifesta como um cometa etéreo, está prestes a se tornar um membro do sistema solar ao qual seu destino cármico inevitavelmente o trouxe de volta para a encarnação como uma cadeia planetária em formação. Uma vez que o cometa se estabelece em sua órbita ao redor do sol como um globo altamente etéreo no primeiro, ou primeiro e segundo estados, da matéria do plano cósmico físico, os três reinos dos elementais em ordem serial começam suas atividades características, e assim gradualmente constroem um corpo luminoso e brilhante ou ‘nublado’ de densidade física muito leve, e um tipo que provavelmente nossos astrônomos descreveriam como etéreo e ígneo.


(A palavra ígneo é usada para sugerir a natureza brilhante ou luciforme do fogo em seus primeiros estágios, em vez do fogo físico que produz calor, como o temos na terra; substância elétrica talvez transmitisse melhor a ideia.) Quando este estágio termina, então a ‘primeira ronda’ começa, e é com esta ronda que H.P.B. começa sua maravilhosa exposição.

“O processo de solidificação ou materialização dos globos prossegue firmemente até o meio da quarta ronda, após o qual uma re-eterealização do globo ocorre, concomitante com e seguida pela espiritualização no arco ascendente ou luminoso das várias famílias de mônadas que têm seguido ou feito estas rondas até o presente ponto.”     3 Menander, ou Mainandros, foi um dos mestres da Gnose “Simoniana”, natural da cidade samaritana de Capparatea, sobre cuja vida pessoal sabemos quase nada.

O centro de sua atividade é dito ter sido Antioquia, uma das cidades comerciais e literárias mais importantes do mundo greco-romano.

Menander foi destacado por Justino para menção especial, por ter desviado “muitos”, o que poderia facilmente ser interpretado como significando que ele construiu um considerável número de seguidores entre os buscadores.

“É um dos ensinamentos fundamentais da filosofia esotérica que todo som tem sua cor svabhávica inata e, inversamente, que toda cor tem seu som svabhávico inerente; e que, como corolário, ––––––––––       Cf. A Doutrina Secreta, I, 205-6, nota de rodapé:      “As sete transformações fundamentais dos globos ou esferas celestes, ou melhor, de suas partículas constituintes de matéria, são descritas como segue: (1) A homogênea; (2) a aeriforme e radiante (gasosa); (3) Coalhada (nebulosa); (4) Atômica, Etérea (início do movimento, portanto da diferenciação); (5) Germinal, ígnea (diferenciada, mas composta apenas dos germes dos Elementos, em seus estados mais primitivos, tendo eles sete estados, quando completamente desenvolvidos em nossa terra); (6) Quádrupla, vaporosa (a futura Terra); (7) Fria e dependente (do Sol para vida e luz).” ––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº II

visto que tanto o som quanto a cor são expressões de taxas de vibração, não pode haver som nem cor sem número, pois cada período de frequência vibratória tem tantas unidades de vibração, o que equivale a dizer que é um número.

“Deste ponto de vista, quando falamos de som, imediatamente implicamos cor e número; ou, sempre que falamos de cor, implicamos som e o número vibratório que o manifesta; e igualmente, sempre que falamos de número, se tivéssemos olhos para vê-lo e ouvidos para ouvi-lo, veríamos a cor bem como ouviríamos o som correspondente a tal número ou frequência vibratória.

É a isto que Pitágoras aludiu quando falou da majestosa harmonia das esferas.

“Agora, como cada átomo em cada objeto da natureza, animado ou inanimado, entoa sua própria nota-chave e produz seu próprio som e tem sua própria cor e número, assim cada homem, flor, árvore e cada corpo celeste é um jogo e interação de sons, tanto altos quanto suaves, intercalando-se numa sinfonia maravilhosa, bem como um belo entrelaçamento de cores cintilantes e faiscantes.

Por exemplo, o ovo áurico de um homem, devido às atividades contínuas das auras prânicas, não é apenas uma massa de cores coruscantes, mas igualmente é um órgão vivo que produz harmonias de som quando as emoções, pensamentos e sentimentos estão num plano elevado, e discórdia horrível quando são caracterizados pelo ódio e outras paixões baixas.

Durante muitas décadas, os astrônomos têm sido intrigados pelos variados matizes de cor que a vasta hoste estelar apresenta; algumas estrelas são azuladas, outras amareladas, e ainda outras avermelhadas.

A ideia científica é que as cores das estrelas representam diferentes idades em seu desenvolvimento evolutivo.

Seja como for, e encarando a questão por outro ângulo, seria errado dizer que todas as estrelas azuis são mais espirituais do que todas as estrelas vermelhas, meramente porque o vermelho é dado como a cor do kâma, e o azul ou azul-índigo como a cor do manas superior.

Pois há um vermelho espiritual, bem como um vermelho material, e um azul espiritual, bem como um azul material.

Na verdade, há fortes razões ocultas para afirmar que, para certas estrelas, uma cor avermelhada significaria uma condição mais espiritual do que o brilhante azul elétrico de outras.

Quanto maior a intensidade da vibração da luz ou radiação, mais baixo ou mais material na escala é aquela luz; e como a cor azul em nossa própria oitava de radiação visível é produzida por uma frequência muito mais alta do que o vermelho, é óbvio que o azul poderia significar uma condição mais material do que a vibração menos intensa do vermelho.

“H.P.B. afirmou que ‘a verdadeira cor do Sol é azul’ porque sua aura vital é azul.

É o sol real no mesmo sentido em que a aura vital de um ser humano é o homem real; no entanto, o homem real, o núcleo essencial, é a fonte espiritual de sua mera aura vital.

Não seria correto dizer que a aura vital do sol é o sol interior; é meramente uma das camadas ou invólucros de seu ovo áurico, e de modo algum um dos mais interiores.


A força azul mencionada é a aura vital do sol, entremeada, até certo ponto, com energia intelectual e espiritual, que flui do sol continuamente e em todas as direções.

O sol está constantemente derramando essa energia azul em volume simplesmente inestimável.

“Outros sóis têm outras cores, que são as expressões de seus complexos swabhâvas.

Da mesma forma, se pudéssemos ouvir os sons que os vários corpos celestes produzem como sua expressão natural, perceberíamos que cada sol, cada estrela, cada planetoide, tem sua própria nota-chave característica.”

Nossos cientistas já são capazes de ‘ouvir’ certas estrelas, isto é, de transformar a luz proveniente de um determinado astro em som. Curiosamente, quando os raios da lua incidiam sobre a célula fotoelétrica usada nesses experimentos, emitiam sons gemebundos, como o soar de grandes sinos; mas quando a luz da brilhante estrela Arcturo cintilava, produzia sons brilhantes e cintilantes.

Se pudéssemos conhecer o esquema da correspondência entre cores, sons e números, seríamos capazes de julgar as qualidades de um sol ou de uma estrela: por exemplo, o azul-escuro significaria um sol intelectual; o amarelo, um sol búddhi.

“A dificuldade em tentar determinar a que raio ou classe específica um determinado sol possa pertencer pela sua cor é que nossa atmosfera afeta muito as cores, bem como outras coisas que nos chegam dos corpos celestes.

A atmosfera aérea que envolve nossa Terra é um notável transformador e, até certo ponto, um solvente.

Nossa atmosfera é uma transmissora, bem como uma transmutadora.

Ela deforma e de fato altera a luz – e, portanto, o som – que nos chega dos corpos planetários e solares.

A observação espectroscópica não é, de modo algum, tão confiável quanto se supôs até agora.

“Todas as diferentes cores do espectro solar originam-se no sol e são representadas em nossa Terra sob a forma de luz, sob a forma de forças – forças no sol, cada cor das quais é a emanação de um distinto swabh∼va ou energia individual, ou logos solar.

O sol é o veículo de uma divindade; tudo o que dele flui está enraizado no divino.

Há sete (ou doze) forças solares ou princípios-elementos e, portanto, sete (ou doze) swabh∼vas que constituem o grande swabh∼va do sol.

Dessas individualidades solares, poderes, forças, logoi menores, fluem correntes de substância-energia, combinadas na luz que recebemos como luz do dia, luz branca.

Faça passar esse feixe solar através de –––––––––– E.S. Instruction, No. II. [Nota de rodapé na p. 548.] Cf. The Mahatma Letters, p. 170. [Página 166 na 3ª ed.] ––––––––––

E. S. INSTRUCTION NO. II um prisma, e ele será decomposto em suas cores componentes.

Esses sete raios do espectro são sete fluxos áuricos de vitalidade provenientes do coração solar, e essas energias sw∼bh∼vicas combinam-se para formar a luz como a percebemos. Nenhuma das cores, em essência, é superior a qualquer das outras.

Mas no plano da existência material, e tendo em vista o trabalho que cada um dos eflúvios do sol realiza nesta escala de matéria, somos obrigados a fazer distinções e dizer que o ātman é incolor, o buddhi é amarelo, o kāma é vermelho, e assim por diante.

Contudo, todos são de origem divina.

“Cada mínima porção da Infinitude contém todo elemento essencial, força e svabhāva que a Infinitude contém.

Da mesma forma, toda subdivisão ou subplano deriva sua própria septenária repetitiva do universo circundante.

O microcosmo repete o macrocosmo . . .”      5Saturnino, ou Satornilo, é geralmente considerado o fundador da Gnose síria, por volta do final do primeiro e início do segundo século de nossa era.

Diz-se que ele ensinou em Antioquia, mas não temos informações sobre sua nacionalidade ou quaisquer incidentes de sua vida.

Ele se distinguiu especialmente por seu ascetismo rígido.

Nossas informações sobre ele derivam principalmente do Diálogo com Trifão, xxxv, de Justino Mártir, e do resumo de Irineu, presumivelmente baseado no perdido Compêndio de Justino.

6Basílides foi um dos maiores expoentes da Gnose.

De sua vida nada se sabe além do fato de que ensinou em Alexandria.

Sua data é inteiramente conjectural, mas várias autoridades independentes indicam o reinado de Adriano (117-138 d.C.) como o período em que Basílides floresceu.

Também não temos informações sobre sua nacionalidade, mas, fosse ele grego, egípcio ou sírio, estava imerso na cultura helênica e era versado na sabedoria do Egito.

Nossas principais fontes de informação sobre Basílides são: 1) Hipólito em seus Philosophumena; 2) Clemente de Alexandria em seus Stromateis; 3) a obra perdida de Agripa Castor, citada por Eusébio e posteriormente copiada por Irineu; e 4) os Atos da Disputa de Arquelau e Mani.

A grande obra de Hipólito é a fonte de informação mais valiosa existente para a reconstrução do grande sistema metafísico de Basílides.

É possível que Hipólito tivesse diante de si os Exegetica de Basílides, supostamente um dos vinte e quatro livros sobre os Evangelhos por ele escritos.

É provável que a Escola Basilidiana da Gnose tenha eventualmente se amalgamado com o movimento valentiniano da segunda metade do segundo século.

Consulte para um esboço detalhado dos ensinamentos de Basílides: A Dictionary of Christian Biography (Wm. Smith & Henry Wace), s.v. Basilides; ––––––––––        [G. de Purucker, op. cit., 204-07] –––––––––– e G. R. S. Mead, *Fragments of a Faith Forgotten* (Londres e Benares, Sociedade de Publicações Teosóficas, 1900), pp. 253-83. Uma segunda edição desta obra foi publicada em 1960 pela University Books, New Hyde Park, N.Y. Inclui uma excelente Introdução de Kenneth Rexroth e um valioso Índice que acrescenta muito ao valor desta obra.


Por trás do movimento gnóstico de um período posterior, destaca-se a figura imponente de Valentinus, universalmente reconhecido como o maior dos gnósticos. Ele foi reconhecido, mesmo por seus oponentes, por seu grande saber e eloquência e pela influência generalizada de seus ensinamentos sobre o pensamento contemporâneo. Embora não tenhamos indicação segura da data de Valentinus em si, pode-se conjecturar que se estende de cerca de 100 d.C. a 180 d.C. Valentinus era um egípcio nascido em Pheb∩nit, na costa egípcia, e a partir de cerca de 130 d.C. ensinava ciência e literatura gregas em Alexandria. Ele deve ter tido grande intimidade com Basilides, embora se diga que afirmou que um certo Theodas, um "homem apostólico", era sua testemunha da tradição direta da Gnose. Parece, a partir das fontes de informação disponíveis, que Valentinus decidiu sintetizar a Gnose e formular um sistema universal de pensamento religioso-filosófico. Com relação aos seus escritos, além do fato de serem numerosos e de seus tratados técnicos serem difíceis e abstrusos, sabemos muito pouco. Os notáveis textos conhecidos como Códice Askew (*Pistis Sophia*) e Códice Bruce, agora na Biblioteca Britânica e na Biblioteca Bodleiana, respectivamente, podem ter sido escritos ou compilados por ele, ou pelo menos por algum outro gnóstico proeminente do movimento valentiniano. O mesmo se aplicaria ao *Evangelho da Verdade*, descoberto em 1945 em tradução copta em Nag Hammadi e publicado como parte do Códice Jung em 1956.

Dos outros líderes do movimento, deve-se mencionar Marcus, Secundus, Ptolemaeus, Heracleon, Axionicus e Bardesanes. As informações sobre eles são muito escassas. Como no caso de outros grandes mestres gnósticos, nossa informação mais confiável sobre Valentinus é derivada dos *Philosophumena* de Hipólito. Consulte também: Smith e Wace, *Dictionary Of Christian Biography*, s.v. Valentinus; *Fragments of a Faith Forgotten*, de Mead; e *Notes, Comments and Diagrams* sobre a *Pistis-Sophia*, nas páginas iniciais do Volume XIII dos *Collected Writings* de H.P.B.

Na Doutrina Secreta, Vol. I, p. 568, H.P.B. cita um texto que ela identifica em uma nota de rodapé como: *Tratado Esotérico de Valentino sobre a Doutrina do Gilg™l*. Nenhuma informação definitiva foi jamais encontrada sobre esse escrito.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                         INSTRUÇÃO Nº III DA E.S.

ESTRITAMENTE PRIVADA E CONFIDENCIAL

NÃO É PROPRIEDADE DE NENHUM MEMBRO, E DEVE SER DEVOLVIDA SOB                     SOLICITAÇÃO AO AGENTE DO CHEFE DA E.S.T.

INSTRUÇÃO Nº III          As seguintes "Explicações Preliminares" foram escritas por H. P. B. por ocasião de uma grave crise, ou antes, de uma série de crises, pelas quais a S.T. passou em 1889-90. A traição dentro da própria E.S. e os ataques persistentes e implacáveis à S.T. vindos de fora, especialmente da América, tornaram necessário o estabelecimento de uma nova nota-chave e a emissão de diretrizes para o fechamento das fileiras da E.S. Na ocasião da reimpressão das Instruções em Londres, em 1890-91, certas porções dessas "Explicações Preliminares" que tratavam dos detalhes do assunto foram propositalmente omitidas pelos discípulos de H.P.B. que foram constituídos editores, sendo tais porções por eles consideradas de caráter demasiado pessoal para permanecerem.

Isso foi feito quando H.P.B. estava demasiado doente para supervisionar, sem sua sanção e, como ela posteriormente disse, muito contra seus desejos.

As "Explicações Preliminares" são, portanto, agora impressas exatamente como originalmente estavam, sendo aquelas porções anteriormente omitidas agora colocadas entre colchetes: [         ].

E.S.                         EXPLICAÇÕES PRELIMINARES À Nº III DAS                                  INSTRUÇÕES.

[IRMÃOS e IRMÃS EM TEOSOFIA:

Muitos de vós que, tendo aderido à E.S., esperavam receber seus papéis a cada dois meses, pelo menos, mas receberam apenas os de Jan.-Fev.

e Março-Abril, devem ter se sentido decepcionados, talvez descontentes.

Por isso, estou sinceramente pesarosa, mas devido ao atual estado de coisas na América, traição desde o início, e ainda pior traição recentemente, a traição por alguém que aderiu à E.S. com o determinado objetivo de se apossar de seus supostos segredos, a fim de derrubar a Sociedade Teosófica e, esmagando-me, esmagar a E.S. fora da existência, colocou um obstáculo inevitável aos ensinamentos.]

Você leu na minha "Carta Aberta a todos os Teosofistas" a verdadeira e triste história de um ex-irmão que, seja por motivos pessoais ou outros, consentiu em assumir a missão de um Judas.

Embora tenha falhado em descobrir o que tão diligentemente procurava ao vir para Londres, ele, no entanto, desde então, nos causou o maior dano ao substituir fatos por falsidades e calúnias, chegando até a conseguir afastar de nós vários homens honrados. (Desde que comecei a escrever isto, mais dois membros proeminentes de Boston foram abalados pelos esforços conjuntos da "liga" de nossos inimigos e saíram do rebanho, laborando sob as mais falsas impressões sugeridas.) Como, então, poderia eu continuar em tais circunstâncias? Contudo, eu já havia começado a preparar o Nº III dos papéis, que teria sido enviado a vocês há muito tempo, não fosse um terceiro obstáculo ter surgido.

Uma reorganização completa foi necessária, e nosso Irmão W. Q. Judge, juntamente com alguns membros do Conselho Americano da E.S., gentilmente a empreenderam. Mas agora as flechas envenenadas de nossos perseverantes inimigos estão voltadas contra ele; e é, como sei, em parte devido ao mesmo trabalho calunioso e dissimulado que vários de vocês se recusaram a cumprir as novas Regras por ele emitidas em meu nome.

Da razão principal, contudo, para a suspensão dos ensinamentos, poucos, exceto aqueles em meu círculo imediato, sabem, e vocês precisam aprendê-la agora. Do fato de que nenhum corpo tão grande e sempre crescente como a E.S. se tornou poderia permanecer sem seus traidores, secretos e abertos, eu estava ciente desde o início.

Eu sabia o que tinha a esperar desde o primeiro dia.

Eu sabia que a tarefa que havia empreendido traria para mim mais opróbrio e deturpações do que nunca; que certamente criaria uma grande quantidade de mau sentimento entre os membros do corpo principal (exotérico) da S.T., o qual seria finalmente descarregado, em particular, se não exclusivamente, sobre mim mesma.

E tudo aconteceu como eu sabia que aconteceria.

Mas se foi, em grande medida, devido a isso que a entrega das instruções foi adiada, não foi, como disse, a única razão.

Surgiu um impedimento mais sério — para mim, o mais amargo de todos.

Recebi duas cartas e uma repreensão dos Mestres.

Elas me chegaram de tal maneira que não permitiam a esperança de que fosse menos grave do que parecera à primeira vista.

O que recebi em ambas as ocasiões foi uma carta em linguagem simples, enviada pelo correio e postada de maneira bastante prosaica na fronteira de Sikkim, uma em março, a outra em agosto.

A última delas não me deixou nenhuma esperança efêmera de que eu tivesse compreendido mal ou mesmo exagerado os fatos.

Na primeira, nossos Mestres estavam descontentes, e na última, que chegou justamente quando a notícia da traição de M. A. Lane veio de Nova York, esse descontentamento tornou-se ainda mais aparente.

Foi no final de agosto, e fui instruída a reter o nº III dos Papéis até novos desenvolvimentos, e então a tornar conhecidas àqueles trechos do conteúdo da carta dos Mestres que se relacionavam com a E.S. a todos os seus membros de ambos os continentes, sem mesmo omitir mostrar-lhes quão equivocada e perigosa havia sido minha política na E.S. desde o seu início.

Eu havia sido advertida pelo Conselho e por meus amigos de confiança sobre o perigo que havia em admitir um número tão grande de pessoas, espalhadas tão amplamente pelo mundo, que, acrescentava-se, não me conheciam, exceto por ouvir dizer, e cada uma das quais eu não tinha outro

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº III

meio, como supunham, de estudar senão através de suas auras e fotografias.

Eu mesma percebia esse perigo, mas não tinha meios de evitá-lo, pois o "Livro da Disciplina e Regras" afirma que: "Ninguém será recusado admissão, ou a chance de aprender a verdade e com isso melhorar sua vida, apenas porque alguém, ou mesmo todos os seus vizinhos, pensam mal dele." Tal é a regra.

Portanto, quanto maior o número de candidatos que fazem o compromisso, maior a possibilidade de ajudar as massas.

Um membro da S.T. pode ser totalmente inadequado para as ciências superiores e nunca compreender os verdadeiros ensinamentos do ocultismo e da filosofia esotérica; mas, ainda assim, se tiver a verdadeira centelha e fé na presença real do EU SUPERIOR nele, permanecerá leal ao seu compromisso e tentará modelar sua vida de acordo com as regras da E.S., e com isso tornar-se-á mais nobre e melhor em todos os casos.

A filiação à E.S., e os "compromissos" enviados, aceitos e assinados, não são garantias de um alto sucesso, nem visam esses compromissos a fazer de cada estudante um adepto ou um mago.

São simplesmente as sementes nas quais reside a potencialidade de toda verdade, o germe daquele progresso que será a herança apenas da sétima Raça perfeita.

Um punhado de tais sementes foi-me confiado pelos guardiões dessas verdades, e é meu dever semeá-las ali, onde percebo uma possibilidade de crescimento.

É a parábola do Semeador posta mais uma vez em prática, e uma nova lição a ser extraída de sua nova aplicação.

As sementes que caem em boa terra produzirão fruto a cento por um, e assim recompensarão, em cada caso, o desperdício daquelas sementes que terão caído à beira do caminho, sobre corações pedregosos e entre os espinhos das paixões humanas.

É dever do Semeador escolher o melhor solo para as colheitas futuras.

Mas ele é considerado responsável apenas na medida em que essa capacidade esteja diretamente ligada aos fracassos, e que tais fracassos se devam unicamente a ela; é o Karma dos indivíduos que recebem as sementes por pedi-las que recompensará ou punirá aqueles que falham em seus deveres para com seu EU SUPERIOR.

A Natureza está sempre lutando, mesmo em seus reinos chamados inorgânicos e inanimados, rumo ao progresso e à perfectibilidade pela produção; quanto mais a natureza do homem consciente e pensante! Cada um de nós, se sua natureza não for produtiva ou profunda o suficiente por si só, pode tomar emprestado e derivar material para o solo das próprias sementes que recebe; e todos têm os meios para evitar o sol escaldante, e forçar as sementes a criar raízes, ou impedir que os espinhos as sufoquem, com muito pouco esforço, de fato.

Portanto, meu erro não consistiu em ter aceitado com demasiada prontidão os pedidos de adesão à E.S. Tampouco pequei ao aceitar homens e mulheres dos quais não tive plena certeza, embora a oportunidade de discernir suas naturezas interiores me fosse possível e dada em quase todos os casos.

Não pequei, nisto, digo eu, como alguns pensam, porque as regras ensinam novamente que a grande ética ensinada nas escolas secretas de Āryāsanga não é para o benefício ou perfeição dos santos, mas verdadeiramente dos pecadores que necessitam de ajuda moral e intelectual.


Em que particular, então, falhei em meu dever? Simplesmente nisto, como me é mostrado: comecei a transmitir ensinamentos orientais àqueles que não estavam familiarizados com a disciplina oriental; a ocidentais que, se tivessem sido profundamente versados nas leis dessa disciplina tão desconhecida para pessoas educadas na fé cristã, teriam pensado duas vezes antes de se juntarem à E.S. Ensinados a confiar em seu Salvador e bode expiatório em vez de em si mesmos, eles nunca pararam para pensar que sua salvação e futura encarnação dependem inteiramente deles mesmos, e que toda transgressão contra o Espírito Santo (seu Eu Superior) se tornará de fato imperdoável em sua vida presente––ou em sua próxima encarnação: pois o Karma está ali para vigiar suas ações, e até mesmo seus pensamentos.

Em suma, comecei a instruí-los na soletração antes de lhes ter ensinado as letras do alfabeto oculto.

Em vez de advertir solenemente aqueles que assinaram seu compromisso de que, ao rompê-lo e tornarem-se culpados daquilo que juraram evitar, incorreriam nas mais perigosas responsabilidades, acarretando, mais cedo ou mais tarde, as mais terríveis consequências, e provando isso a eles por meio de exemplos vivos de suas próprias vidas e das vidas de outras pessoas, deixei-os à própria sorte.

Em vez de tal advertência, transmiti-lhes o conhecimento preliminar que conduz aos mais ocultos segredos da natureza e da antiga Religião da Sabedoria––e que muito poucos podem apreciar.

Finalmente, negligenciando prepará-los, colocando primeiro cada um e todos sob uma probação de doze meses ou mais, dei-lhes a oportunidade de se desviarem com bastante facilidade e, na maioria dos casos, inconscientemente para si mesmos.

É em consequência disso que tem havido um número tão grande de membros que não se importam com nada além de novas instruções para diverti-los, e vários reincidentes que já causaram o maior dano à Sociedade Teosófica, sem mencionar a E.S. Este é o resultado e a consequência de minha negligência em me conformar com as regras e fazê-las cumprir; e agora confesso isso, com toda humildade, a todos os meus amigos que lerem isto.

Quão verdadeiras são estas palavras na carta do Mestre: “A experiência prova, porém com demasiada clareza, que qualquer afastamento das regras consagradas pelo tempo para o governo e instrução do discípulo, a fim de adaptá-las aos costumes e preconceitos ocidentais, é uma política fatal.” “Antes que o pupilo possa ser ensinado, ele deve aprender como se conduzir em relação ao mundo, ao seu professor, à ciência sagrada e ao seu EU INTERIOR,” acrescenta a carta, citando o aforismo oriental de que: “A superfície agitada da água nada reflete senão imagens fragmentadas:” querendo o Mestre dizer que, enquanto os aprendizes não tiverem dominado suas paixões mundanas e permanecerem ignorantes da Verdade, suas mentes despreparadas

INSTRUÇÃO ESOTÉRICA N.º III perceberão tudo sob a luz de seu julgamento mundano, e não do verdadeiramente espiritual e esotérico.

“Como se pode esperar, então,” pergunta ela, “que vejam algo além das verdades fragmentadas, que tal julgamento certamente sugere e distorce ainda mais? A violação dos usos antigos certamente resultará em mal.” Quão verdadeiras são estas palavras é demonstrado em nosso próprio caso.

Pois o que as violações daquele uso consagrado pelo tempo, que proíbe falar em público ou diante das massas ignorantes sobre coisas sagradas, das quais nós, os dois Fundadores, fomos culpados, trouxeram sobre a S.T. e sobre os aspirantes individuais, mesmo antes de a E.S. ter sido estabelecida, senão dor e escândalo? Em cega tolice, sem justificativa e reflexão, nós, Cel.

Olcott e eu, principalmente eu, levantamos alguns dos véus da Verdade, concedemos alguns vislumbres fugazes das leis secretas da Natureza e do Ser, a um público cego, ignorante e governado pelos sentidos, e assim provocamos o ódio, aprofundamos o ceticismo e excitamos a atividade malévola de muitos opositores que, de outra forma, nos teriam deixado em paz.

Ah, amigos, era uma lei sábia e uma restrição prudente aquela regra antiga que mantinha o conhecimento sagrado, mas perigoso (perigoso, porque corta em ambos os sentidos), confinado a poucos, e esses poucos comprometidos por um voto que, se quebrado, os levava quase à perdição.

E até hoje são esses poucos que correm o maior risco.

Alguns dos Teosofistas, ainda recentemente quase adoradores da S.T., e especialmente de seus Mestres, perderam ou estão perdendo inconscientemente para si mesmos seu equilíbrio moral; alguns por causa das palavras venenosas ditas em seus ouvidos por traidores, enquanto outros estão lançando aos quatro ventos suas boas oportunidades Kármicas, e se transformando em amargos e inescrupulosos inimigos.

Do público rude, isso seria de se esperar, mas de amigos, irmãos e associados! Bem, como agora parece, no que diz respeito aos membros da E.S., a culpa é em grande parte, senão inteiramente, minha; e é um trago amargo que o Karma me obriga a beber de seu cálice de ferro.

Se eu, em vez de demonstrar tão esperançosa confiança e crença na inviolabilidade da palavra de honra das pessoas, e quase uma fé cega de que a sacralidade de seu compromisso seria a garantia mais segura da boa-fé de qualquer membro comprometido; se eu, em vez disso, tivesse seguido as antigas linhas ocultas da disciplina oriental, coisas como as que ocorreram jamais poderiam ter acontecido.

Mas nunca me permiti sequer sonhar que um duplo compromisso de tamanha santidade como aquele assumido em nome do EU SUPERIOR pudesse algum dia ser quebrado, por mais que alguém faça pouco de sua "palavra de honra mais sagrada". Mesmo nos poucos casos em que uma aura escura e ominosa ao redor do rosto de uma fotografia claramente me advertia, ainda tentei esperar contra toda esperança.

Não pude me convencer de que qualquer homem ou mulher fosse capaz de tamanha traição deliberada.

Rejeitei como um pensamento mau e pecaminoso a ideia de que a depravação consciente pudesse jamais permanecer em bons termos com um homem, após a assinatura de uma promessa tão sagrada; e aprendi agora, pela primeira vez, a possibilidade do que foi apropriadamente apelidado por alguns teosofistas de "apenas uma promessa de lábios". Se eu tivesse aplicado rigorosamente as regras, sem dúvida teria perdido dois terços de nossos membros comprometidos — aqueles que assinaram como assinariam qualquer carta circular — mas então, ao menos, aqueles poucos que permanecerão fiéis aos seus votos até o amargo fim teriam se beneficiado mais do que agora.


Tendo omitido, contudo, as precauções usuais do período probatório, só tenho a mim mesma para agradecer; e, portanto, é justo que eu também seja a primeira a sofrer por isso nas mãos da inexorável lei cármica.

Por isso, blindada como fui por ataques injustos diários e quase horários, pouco me importaria; mas o que mais deploro — com uma amargura que poucos de vocês jamais compreenderão — é o fato de que um número tão grande de homens e mulheres profundamente sinceros, bons e honestos seja feito sofrer pela culpa de poucos.

Pois, embora seja apenas uma falta por omissão de minha parte, ainda assim essa culpa, como sinto, deve-se à minha negligência.

Vede! Meu Karma apareceu como um aviso quase desde o início da E.S. Eu havia começado bem.

Vários daqueles que eu sabia serem totalmente inaptos para fazer o voto foram recusados desde o início; mas não pude resistir às suas súplicas quando alguns deles me declararam que aquela era a sua "última chance na vida". A "febre do voto" deu fim rápido às suas promessas.

Uma delas quebrou seus votos apenas quatro dias depois de assinar seu compromisso, tornando-se culpada da mais negra traição e deslealdade ao seu EU SUPERIOR.

E quando não pude mais manter na E.S. nem ela nem sua amiga, as duas convulsionaram toda a Sociedade com suas calúnias e falsidades.

Foi então que a antiga e curiosa pergunta: "Como é que a 'pobre H.P.B.', apesar dos Mestres a seu favor, e de sua própria intuição, é tão evidentemente incapaz de distinguir seus amigos de seus inimigos?" circulou mais uma vez pelos círculos teosóficos, tanto aqui quanto na América.

Irmãos, se julgardes pelas aparências, e do ponto de vista mundano, tendes razão; mas se vos derdes ao trabalho de examinar as causas internas que produzem os resultados externos, descobrireis que estais decididamente em erro.

Para que não me façais mais injustiça, deixai-me explicar o que quero dizer.

Considerai por um instante como certo (vós, que ainda duvidais por vezes em vossos corações) que estou fazendo a obra de um Mestre real e vivo.

E se estou, então certamente não me teria sido confiada tal missão a menos que eu tivesse me comprometido irrevogavelmente com as leis da Ética, das Ciências e da Filosofia que ELES ensinam.

Venha o que vier, tenho de obedecer a essas leis e regras mesmo diante da condenação

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº III

à morte.

Ora, se a lei, mesmo na legislação comum, sustenta que ninguém deve ser condenado antes que sua culpa seja provada, ou se torne manifesta, quanto mais estrita deve ser essa lei em nosso Código Oculto? Tenho eu o direito – em casos especiais, quando vejo que uma pessoa tem em si os germes, ou mesmo uma decidida propensão, para o mal, o engano, a ingratidão ou a vingança, que, em suma, não é um homem ou uma mulher confiável; mas que, por outro lado, é sincera e honesta, no momento, em seu interesse e simpatia pela Teosofia e pelo Ocultismo; tenho eu o direito, pergunto, de negar-lhe a chance de se tornar uma pessoa melhor, meramente por medo de que um dia ela se volte contra mim? Direi mais.

Sabendo, como sei, que nenhuma força terrena combinada pode destruir a S.T. e suas verdades, mesmo que possam e de fato, em cada caso, ferir mais ou menos minha personalidade exterior e miserável, essa casca que estou solenemente comprometido a usar como amortecedor da causa que sirvo, tenho eu o direito, pensais, por mera covardia pessoal e em autodefesa, de recusar a alguém a chance de se beneficiar das verdades que posso lhe ensinar e, com isso, tornar-se melhor? Que muitos são chamados, mas poucos escolhidos, é algo que soube desde o início; que aquele que fala a verdade é expulso de nove cidades é um velho ditado; e que o homem (e especialmente a mulher) que prega novas verdades, seja na religião ou na ciência, é apedrejado e feito mártir por aqueles a quem elas são indesejáveis––tudo isso é o que eu já havia aceitado, e nada mais.

Deixe-me dar-lhe uma ilustração da vida real.

Quando a notória Madame Coulomb veio a mim em Bombaim, com seu marido, para pedir pão e abrigo, embora eu a tivesse conhecido no Cairo e soubesse que era uma mulher traiçoeira, perversa e mentirosa, ainda assim dei-lhe tudo o que precisava, porque tal era meu dever.

Mas quando, com o tempo, vi que ela me odiava, invejava minha posição e influência, e me caluniava diante de meus amigos enquanto me lisonjeava em minha presença, minha natureza humana se revoltou.

Éramos muito pobres então, mais pobres até do que somos agora, tanto a Sociedade quanto nós mesmos, e manter dois inimigos às nossas custas parecia difícil.

Então recorri ao meu Guru e Mestre, que estava então a três dias de distância de Bombaim, e submeti à sua decisão se era certo e teosófico manter duas tais Serpentes em casa; pois ela, ao menos, se não o marido, ameaçava toda a Sociedade.

Gostaria de saber a resposta que recebi? Estas são as palavras verbatim, a resposta começando com um aforismo do Livro dos Preceitos: “‘Se encontrares uma Serpente faminta rastejando para dentro de tua casa, buscando alimento, e, por medo de que te morda, em vez de lhe oferecer leite a expulsas para que sofra e passe fome, tu te desvias do Caminho da Compaixão.

Assim age o tímido e o egoísta.’ Tu sabes,” continuava a mensagem, “que estás PESSOALMENTE ameaçado; ainda tens de aprender que ENQUANTO HOUVER TRÊS HOMENS DIGNOS DA BÊNÇÃO DE NOSSO SENHOR NA SOCIEDADE TEOSÓFICA––ELA JAMAIS PODERÁ SER DESTRUÍDA.


. . . Vossos dois Karmas [o dela e o meu] correm em duas direções opostas.

Acaso, por um medo abjeto do que possa vir, misturareis os dois [Karmas] e vos tornareis como ela é? . . . Eles estão sem lar e famintos; abrigai-os e alimentai-os, então, se não quiserdes tornar-vos participantes do Karma dela.” Desde então, agi mais do que nunca segundo esse princípio de tentar ajudar a todos, independentemente do que eu pessoalmente possa sofrer por isso. Não é, portanto, a total incapacidade de discriminação correta em mim, mas algo bastante diferente que me compeliu a deixar de lado todo pensamento de possíveis consequências neste caso de seleção de membros aptos da E.S. Não; pequei em um plano diferente.

Negligenciando aproveitar minha experiência pessoal, permiti-me, nesta ocasião, ser mais guiada por uma delicadeza facilmente compreensível e por consideração ao sentimento ocidental do que pelo meu dever.

Em uma palavra, relutei em aplicar aos estudantes ocidentais as regras rigorosas e a disciplina da escola oriental; temendo que qualquer exigência de minha parte de estrita submissão às regras fosse mal interpretada como um desejo de reivindicar autoridade papal e despótica. Relede vossos compromissos e os Memorandos Preliminares, e estudai-os; e então, encontrando a quantidade de autoridade que vós mesmos conferistes a mim ao assinar o compromisso — dizei honestamente qual de vós, se algum, pode vir e queixar-se, não apenas de que eu alguma vez abusei, mas até mesmo usei essa autoridade sobre qualquer probacionista? Em um único caso — o de um amigo que dificilmente poderia interpretar mal minha ação — insisti que ele deixasse a América por certo tempo.

E para enfatizar isso ainda mais, tão logo ouvi de vários desses membros em quem tenho a maior confiança que o compromisso, como agora redigido, estava sujeito a uma interpretação de letra morta, imediatamente o alterei, do que agora vos notifico.

As 2ª e 3ª cláusulas agora dizem —

–––––––––– [E justamente porque sempre evitei exercer minha autoridade legítima na E.S., e pequei por isso, agora sou punida pelas mãos de um membro sincero e dedicado da E.S. que acaba de renunciar, e está agora denunciando por escrito, sob sua assinatura, aqueles que ele se compraz em chamar de meus “adoradores pessoais” por “culto ao herói”, e de clamar à T.S. em meu nome: “Eis o vosso deus . . . curvai-vos e adorai!!” Isso é sumamente injusto, e espero que em caso algum seja verdadeiro.

A origem do protesto está na súbita indisposição deste membro, cuja natureza refinada e sensível foi trabalhada nessa direção por nossos inimigos, em submeter-se às regras elaboradas pelo Conselho da E.S. Americana –– regras absolutamente obrigatórias para os membros comprometidos, e que devem ser seguidas, ou terei de abandonar inteiramente as instruções esotéricas.

Agora, pergunto: se um membro assinou seu compromisso sem protesto, por que ele deveria objetar em repeti-lo mais uma vez diante de sua loja, cujos membros têm de estar comprometidos uns com os outros para a segurança comum e mútua? Trabalho cármico em todos os sentidos, digo eu.

"A febre do compromisso" está grassando.] ––––––––––

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº III

(2) Comprometo-me a apoiar perante o mundo o movimento teosófico e aqueles de seus líderes e membros em quem deposito plena confiança; e, em particular, a obedecer, sem objeções ou delongas, às ordens dadas através do Chefe da Seção em tudo o que concerne aos meus deveres teosóficos e ao trabalho esotérico, na medida em que meu compromisso com meu Eu Superior e minha consciência o sancionem.

(3) Comprometo-me a nunca ouvir, sem protesto, qualquer coisa maldosa dita falsamente ou ainda não comprovada contra um irmão teósofo, e a abster-me de condenar os outros.

Fiz isso porque considero correto explicar o verdadeiro espírito do compromisso.

Mas é precisamente essa indisposição em mim de jamais guiar qualquer um de vocês mais do que o estritamente necessário que agora se mostra como tendo sido produtiva de mal, e como aquilo em que reside minha falha.

Como a mesma carta diz, dirigindo-se a mim:

"Você falou a eles antes que seu ouvido estivesse treinado para ouvir, e começou a mostrar coisas antes que o olho do aprendiz estivesse preparado para ver.

E justamente por essa razão, ouvindo apenas indistintamente e vendo cada um à sua própria maneira, mais de um [membro da E.S.] voltou-se e tentou dilacerar você [a mim] por seus esforços."

[E agora espero sinceramente que vocês –– alguns de vocês, ao menos –– aprendam uma lição com minha fraqueza, e demonstrem sua apreciação disso não me julgando com demasiada dureza se eu agora mudar um pouco minha política.

Pois tenho de fazê-lo, ou abandonar inteiramente os ensinamentos esotéricos, para aqueles, ao menos, que discordarem deste arranjo.

Para evitar repetir o erro, isto é o que proponho fazer.]

Cada Documento será enviado como até agora, apenas aparecerá como um Suplemento à Ética e aos ensinamentos que transmitirão as regras de Disciplina e as leis do Discipulado, como no caso de todos os Probacionistas. Aqueles que aceitarem o novo arranjo terão de estudar este último, ou não poderão receber mais ensinamentos meus. Pois, como diz o Livro de Disciplina nas Escolas de Dzyan:

––––––––––       Como esta qualificação pode possivelmente ser abusada, a decisão caberá a sete membros da S.E. como árbitros, quatro dos quais serão escolhidos pelo Probacionista e três pela Chefia da Seção.

A regra acima será incorporada ao Memorando Preliminar.

 A segunda e a terceira cláusulas do Voto original eram as seguintes:      “2. Comprometo-me a apoiar, perante o mundo, o movimento teosófico, seus líderes e seus membros, e em particular a obedecer, sem objeções ou demoras, às ordens do Chefe da Seção Esotérica em tudo o que diz respeito à minha relação com o movimento teosófico.

“3. Comprometo-me a nunca ouvir, sem protesto, qualquer coisa maldosa dita sobre um irmão teósofo, e a abster-me de condenar os outros.” –––––––––– “Não fales dos mistérios ao vulgo comum, nem ao amigo casual, ou ao novo discípulo.


Com olhar prudente para as possíveis consequências, guarda trancados em teu peito os ensinamentos recebidos, até encontrares um ouvinte que compreenda tuas palavras e simpatize com tuas aspirações.”      Isto não significa que estejas à vontade para repetir o que aprendeste a qualquer um que acredites corresponder a essa descrição, mas que podes trocar ideias com teus co-discípulos que estão comprometidos como tu mesmo.

Não posso fazer melhor, creio, do que dar de imediato alguns dos preceitos orais e escritos do mesmo livro acima mencionado, e conforme indicado pelo Mestre.

“1. Para o Discípulo sincero, seu Instrutor ocupa o lugar de Pai e Mãe.

Pois, enquanto estes lhe dão o corpo e suas faculdades, sua vida e forma casual, o Instrutor lhe mostra como desenvolver as faculdades internas para a aquisição da Sabedoria Eterna.

“2. Para o Discípulo, cada Co-discípulo torna-se um Irmão e uma Irmã, uma porção de si mesmo. Pois seus interesses e aspirações são os deles; seu progresso é ajudado ou dificultado pela inteligência, moralidade e comportamento deles, através da intimidade proporcionada pelo co-discipulado.

“3. Um co-discípulo não pode retroceder ou cair da linha sem afetar aqueles que permanecem firmes, através do vínculo simpático entre si e as correntes psíquicas entre eles e seu Professor.

“4. Ai do desertor, ai também de todos os que ajudam a levar sua alma ao ponto em que a deserção se apresenta pela primeira vez diante dos olhos de sua mente como o menor de dois males.

Ouro no cadinho é aquele que suporta o calor fundente da provação e deixa apenas a escória ser queimada de seu coração; amaldiçoado pela ação do Carma se verá aquele que lança escória no cadinho do discipulado para a degradação de seu companheiro de estudo.

Assim como os membros são para o corpo, assim são os discípulos uns para os outros, e para a Cabeça e o Coração que os ensinam e os nutrem com a corrente viva da Verdade.

“5. Assim como os membros defendem a cabeça e o coração do corpo a que pertencem, assim os discípulos devem defender a cabeça e o coração do corpo a que pertencem [neste caso, a Teosofia] de danos.” Antes de prosseguir, deixe-me explicar, por medo de ser mal compreendido novamente, que por “Professor” não quero dizer a mim mesmo––pois sou apenas o humilde porta-voz do verdadeiro Professor––nem escrevo o acima para estimular alguém a defender ou apoiar minha própria personalidade, mas verdadeiramente para deixar claro, de uma vez por todas, que defender a E.S. e a Teosofia –––––––––– “Assim estarás em plena harmonia com tudo o que vive, tem amor pelos homens como se fossem teus irmãos-discípulos, discípulos de um só Professor, os filhos de uma mesma doce mãe.” (Ver Fragmento III em A Voz do Silêncio, p. 49.) ––––––––––

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº III

(o coração e a alma da S.T., seu corpo visível) é o dever de todo bom teósofo, especialmente da E.S.

Assim, é seu “dever sagrado” proteger de ataques e defender cada irmão companheiro, se souber que ele é inocente, e tentar ajudá-lo moralmente, se pensar que ele é culpado.

Tampouco o versículo 5 pretende transmitir a ideia de que a agressividade é o melhor caminho a seguir, pois não é: a resistência passiva e uma firme recusa em ouvir quaisquer relatos caluniosos uns sobre os outros, tanto no caso de um membro quanto de um estranho ou ex-companheiro, é tudo o que seria necessário em alguns casos para derrotar inteiramente a conspiração e a malevolência.

E agora, esperando que nenhum mal-entendido seja mais possível, retomo nesta esperança as Regras, citando mais alguns comentários sobre elas da referida carta.

Eles vêm como um comentário sobre o art. 5, e os cito verbatim.

“. . . E se os membros têm de defender a cabeça e o coração de seu corpo, então por que não também os Discípulos aos seus Mestres, como representantes da CIÊNCIA da Teosofia, que contém e inclui a ‘cabeça’ de seu privilégio, o ‘coração’ de seu crescimento espiritual? Diz a Escritura: “Aquele que não limpa a imundície com que o corpo de seu pai possa ter sido manchado por um inimigo, nem ama o pai nem honra a si mesmo.

Aquele que não defende o perseguido e o desamparado, que não dá de seu alimento ao faminto, nem tira água de seu poço para o sedento, nasceu cedo demais em forma humana.

“Eis a verdade diante de vós: uma vida limpa, uma mente aberta, um coração puro, um intelecto ávido, uma percepção espiritual desvelada, uma fraternidade para com o co-discípulo, uma prontidão para dar e receber conselho e instrução, um leal senso de dever para com o Mestre, uma obediência voluntária aos mandamentos da VERDADE, uma vez que tenhamos depositado nossa confiança em, e acreditado que esse Mestre a possua; uma corajosa resistência à injustiça pessoal, uma brava declaração de princípios, uma valente defesa daqueles que são injustamente atacados, e um olhar constante para o ideal de progresso e perfeição humanos que a ciência secreta (Gupta-Vidyā) descreve –– estas são as escadas douradas por cujos degraus o aprendiz pode subir ao Templo da Sabedoria Divina.

Dizei isto àqueles que se ofereceram para ser ensinados por vós.” Estas são as palavras de grandes Mestres, e eu apenas cumpro a ordem de um deles ao repeti-las para vós.

O que se encontra na carta, eu, H.P.B., agora vos digo nas palavras autênticas, que são: “PENSAI; e pensando, TENTAI: a meta é de fato digna de todo o esforço possível.” Muito do que o Livro da Disciplina contém podeis encontrar nos fragmentos que acabei de traduzir de O Livro dos Preceitos Dourados, e publicados para o benefício dos “Poucos.” Estas regras são tão antigas quanto o mundo.

E são estas, como agora vejo, que se esperava que eu imprimisse

BLAVATSKY: OBRAS COMPLETAS nas mentes de todos aqueles que a mim se candidataram para instrução.

Esse dever eu conhecia bem, e contudo omiti de fazê-lo. Não me desculparei dizendo que esqueci de fazê-lo, pois isso não seria a verdade, mas digo e confesso que o omiti, por um idiota respeito aos preconceitos e hábitos de pensamento ocidentais.

Eu sabia que um código de ética preliminar, como é obrigatório e imposto aos discípulos orientais, causaria atrito, até mesmo ofenderia, os sentimentos de muitos probacionistas americanos e europeus.

Sempre incompreendida, julgada pelas aparências, vilipendiada, caluniada e perseguida, temi ferir a Sociedade forçando vários, senão muitos, de nossos membros a romperem sua ligação com ela, se descobrissem que eu tornara as regras demasiado exigentes.

Pela primeira vez em minha vida, agi como uma covarde aos meus próprios olhos, e quase como uma traidora dos meus deveres, por tal compromisso com minha consciência.

Portanto, embora tenha sido a primeira a ser punida, não me queixo, e apenas espero que ninguém mais sofra por minha fraqueza.

É da segunda e última carta referente à E.S. que falo.

A primeira dizia que aqueles que desejassem receber o ensinamento oriental teriam de se conformar às regras orientais, e que eu faria melhor em suspender minhas instruções até que os tivesse notificado disso; lembrando-lhes também da Regra 3 de seu Compromisso, que, se eu não tivesse a coragem de impor, faria melhor em mudar, pois apenas fazia com que os membros se tornassem infiéis aos seus votos.

Isso foi repetido por mim ao Conselho da E.S., e levou ao envio daquele conselho conjunto aos esoteristas, que foi sorrateiramente entregue ao escritório do R.P.J. [Religio-Philosophical Journal] e publicado.

Eis, todos vós, a obra do infalível e imediato Karma! Se eu não tivesse me afastado das antigas Regras do Livro de Disciplina, um caso tão triste não teria acontecido, pois não teria havido necessidade de um documento como o elaborado pelo Conselho.

Pois a Regra diz, ao Chela: “Se não podes cumprir teu compromisso, recusa-o; mas uma vez que te ligaste a qualquer promessa, cumpre-a, ainda que tenhas de morrer por ela.” E ao Professor: “Não lembrarás ao Discípulo que se mostra, seja voluntária ou inadvertidamente, desleal à letra e ao espírito de qualquer lei – mais de DUAS vezes: à terceira vez, tu o separarás do Corpo,” – i.e., pedir-lhe-ás que renuncie ou o expulsarás.

Mas como, infelizmente em geral, embora muito felizmente neste caso, cada punhado de lama atirado à S.T. alcança apenas a mim mesma, e que os membros da E.S. não tiveram oportunidade de defender ninguém além de mim, eu relutava em impor esta regra.

Senti uma grande relutância até mesmo em transmitir uma mensagem na qual eu estava pessoalmente envolvida.

INSTRUÇÃO Nº III DA E.S.

Mas, após a segunda carta, não pude mais permanecer em silêncio; é a lei e só me resta obedecer, aproveitando esta oportunidade para implorar a todo membro comprometido da E.S. que se sinta incapaz de se submeter a tal disciplina que se demita.

Sabendo, de fato, como sei, o que é o livre americano e o livre britânico, como posso ir dizer a qualquer um deles, por exemplo: “O cargo de Instrutor sempre foi considerado, entre nossos ancestrais asiáticos, como um ofício muito solene e responsável, e o pupilo era sempre exortado à obediência e à lealdade.

Isto é o que você tem a lhes dizer, aconselhando-os a estudar Manu.” (Da carta.) E como poderia eu esperar fazê-los compreender que por Instrutor se queria dizer o Mestre, e não a mim mesmo, quando sabia que muitos, muitos deles, embora me conhecendo e, felizmente, não tendo qualquer razão para duvidar de minha existência, ainda duvidavam da dos Mahatmas, com exceção de muito poucos? Tal é minha única desculpa.

Incapaz de transfundir meu conhecimento certo da realidade dos Mestres como homens na consciência dos teosofistas e até mesmo dos membros comprometidos, durante os últimos catorze anos, sempre evitei impor-lhes essa verdade.

Contudo, não querendo representar o papel do corvo com penas de pavão, tive de afirmar a existência de Instrutores que me ensinaram tudo o que sei.

E, sendo as regras do Discipulado tão estritas quanto ao assunto das relações pessoais e outras entre os Instrutores e os pupilos, não tenho escolha.

Um Guru sempre foi considerado o benfeitor do chela, porque transmitia aquilo que era mais precioso do que riqueza mundana ou honrarias, aquilo que o dinheiro não podia comprar e que concernia ao bem-estar da alma do pupilo e à sua ventura ou desventura futura.

Contudo, o Guru não é o único apontado à consideração do chela, mas também todos aqueles que ajudam um discípulo, de uma forma ou de outra, a prosseguir e a progredir em seus estudos.

[Aqui, tenho que dizer algumas palavras a respeito destes.

E agora, novamente, não sou eu que estou em causa, mas falo de outros “auxiliadores”. No pior dos casos, posso sempre cuidar de mim mesmo pessoalmente e realmente não preciso da defesa de ninguém, embora sempre me sinta grato àqueles que a ofereceram. Mas por “auxiliadores” quero dizer tais como William Q. Judge; e agora convoco todos aqueles que permanecerão fiéis aos seus compromissos a cumprir seu dever para com ambos, quando chegar a hora, e especialmente para com seu irmão americano.]

Ambos estão ameaçados e ambos são odiados por certas pessoas tão injustamente quanto eu o sou por alguns inimigos sem princípios que ainda se autodenominam teosofistas.

A ingratidão é um crime no Ocultismo, e ilustrarei o ponto citando o caso de W. Q. Judge.

Ele é um dos três fundadores da Sociedade Teosófica, os únicos três que permaneceram tão firmes como rocha à Causa.

Enquanto todos os outros se tornaram desertores ou inimigos, ele permaneceu sempre fiel ao seu compromisso original.


Se alguém quiser saber como os Mestres se sentiriam em relação a ele, que leia o que um deles escreve sobre a fidelidade do Coronel Olcott e sua apreciação por ela, em uma carta publicada em The Occult World.

Embora forte pressão tenha sido usada para deslocá-lo e a seus associados (Judge junto com eles) em favor de outro – um recém-chegado – e todos os tipos de benefícios tenham sido prometidos para a S.T., o Mah∼tma 'K.H.' recusou terminantemente, dizendo que a ingratidão nunca fora um de seus vícios.

Agora, o que o Coronel Olcott realizou na Índia e na Ásia, W. Q. Judge fez na América.

Ele é o ressuscitador da Teosofia nos Estados Unidos e trabalha com o melhor de seus recursos e habilidades, e com grande sacrifício, pela propagação do movimento; e agora ele está sendo infamemente atacado e alvo de conspirações por alguém que nunca fez nada pela S.T., mas agora tenta esmagá-la até deixar de existir. Desde o início, esse inimigo da causa, embora nunca tenha acreditado em quaisquer Mah∼tmas, em seus poderes, ou mesmo em sua existência, trabalhou por um objetivo; daí ele se vangloriou por mais de dois anos de seus próprios poderes maravilhosos e de seu intercâmbio com nossos Mestres.

É ele quem publicou a vergonhosa falsificação sob o nome do Mestre K.H. no Chicago Tribune; ele que fez todos os que quisessem acreditar que estava em comunicação regular com os 'Adeptos'. E agora, quando seu objetivo – governar despoticamente sobre toda a Seção Americana – foi derrotado; quando a negação categórica por um dos Mestres (K.H.) de ter escrito uma única linha a qualquer pessoa na Inglaterra ou na América nos últimos cinco anos o mostrou como um enganador, e que nem o Sr. Judge nem eu o ajudaríamos a enganar o público, ou a se juntar a ele em uma conspiração de engano ainda pior em relação aos teosofistas, ele agora se volta, repudia Mestres e Mah∼tmas, e tenta substituí-los por alguns adeptos falsos nas Montanhas Rochosas, e assim arruinar a Causa.

Tendo tentado em vão esmagar-me, e achando-me inflexível, ele agora crava suas presas venenosas no Irmão Judge.

Ele possui astúcia, energia indomável, vingatividade que nunca relaxa, e grande domínio sobre o dinheiro.

Estas são acusações graves, e podem parecer "antiteosóficas" para muitos, como indubitavelmente seriam se houvesse apenas perigo para algumas unidades da Sociedade.

Mas é a própria Sociedade, a nossa CAUSA, tão querida e tão sagrada para muitos de nós, que está ameaçada –– ou melhor, atacada; e para salvá-la, eu, por mim, não hesitaria um momento em ser considerado antiteosófico vinte vezes, por todo o

––––––––––       [Um trecho de uma carta de H.P.B., sobre a qual não temos mais informações, foi publicado no Vol.

II de Letters That Have Helped Me (Radlett, Herts, 1905), pp. 110-11; nele H.P.B. diz: “. . . Que leiam a carta do Mestre no preâmbulo.

Tudo o que eu disse sobre W.Q.J. foi a partir das SUAS palavras na SUA carta para mim . . . Façam com esta carta o que quiserem . .” –– Compilador.] ––––––––––                                         E. S. INSTRUÇÃO Nº III

mundo.

Pois compreendam bem; a menos que unamos todas as nossas forças contra este inimigo, não poderemos vencer a batalha, ou mesmo ter uma hora de plena paz e segurança para, ou na, Sociedade.

Ele é rico e nós somos pobres; ele é inescrupuloso, e nós nos sentimos vinculados por nossos compromissos e pelo dever teosófico.

Ele mente com uma facilidade digna da admiração dos Filhos de Loyola; e nós, Teosofistas, sustentamos que quem quer que minta, mesmo para conquistar um inimigo, ou salvar-se de uma condenação, não é digno de chamar-se um de nós.

Ele nos ataca por todos os meios disponíveis e com jogo sujo; nós só podemos permanecer na defensiva, e derrotá-lo pela verdade e nada mais que a verdade.

Contudo, essa verdade não deve ser retida, se, devido ao seu ódio implacável e à sua aliança com todo inimigo que até agora nos atacou, aberta ou secretamente (falo com conhecimento), não quisermos que o próprio nome de Teosofia e sua Sociedade se torne muito em breve uma palavra pública e doméstica de opróbrio.

O Irmão Judge recusa-se a defender-se, ainda mais do que eu me recusei a defender-me após a conspiração de Coulomb.

Nenhum homem que se sabe inocente jamais o fará.

Mas é essa uma razão para deixarmos que ele fique indefeso? É nosso dever inalienável apoiá-lo, de todas as maneiras, com nossa simpatia e influência, energicamente, não de modo hesitante ou tímido.

Que nosso protesto seja meramente em linhas defensivas, e não de caráter agressivo.

Pois, se o espírito da verdadeira Teosofia não permite o uso da agressividade, exige, contudo, em alguns casos, defesa ativa, e impõe a cada um de nós o dever de tomar um interesse ativo no bem-estar de um irmão, especialmente de um irmão perseguido, como o Sr. Judge o é agora.

Será papel de um "Irmão-Colega" permanecer indiferente e inativo quando alguém que tanto fez pela nobre e sagrada CAUSA é difamado por causa dela, e, portanto, por causa de cada teosofista; quando ele é escolhido pelo inimigo como alvo de todos os ataques mentirosos e danosos daqueles que desejam destruir a Sociedade para construir sobre suas ruínas outra, um Corpo falso de mesmo nome, e ali consagrar um ídolo com pés de barro e um coração cheio de egoísmo e maldade, para admiração e adoração de tolos crédulos? Podemos permitir que eles atinjam esse objetivo quando buscam garantir o sucesso arruinando o caráter desse campeão tão altruísta de nossa S.T.? Coloquem-se no lugar da vítima e então ajam como acham que seus Irmãos deveriam agir convosco em circunstâncias semelhantes.

Protestemos, digo eu, todos nós; protestemos por palavras e ações.

Que todo aquele que possa segurar a pena exponha cada mentira dita sobre nosso amigo e Irmão, em todos os casos em que sabemos ser mentira.

Todos professais o desejo de adquirir conhecimento esotérico, e alguns de vós — aqueles que creem nos abençoados Mestres — de conquistar a estima de nossos Instrutores.

Sabei então, Irmãos, que eles têm consideração apenas por aqueles que ajustam seu comportamento às regras sugeridas, com a permissão de nosso Mestre, por mim em A Voz do Silêncio, no Segundo e no Terceiro Tratados.

A reputação da Sociedade Teosófica está sob a guarda de cada um de vós, e conforme a considereis ou a negligencieis, assim ela prosperará.

Mas deveis lembrar que a vida da S.E. também depende da do corpo.

No momento em que a S.T. cair na América (ela não pode morrer na Índia, ou mesmo na Europa, enquanto o Coronel ou eu estivermos vivos) por vossa apatia ou descuido, todo membro da S.E. que não tiver cumprido seu dever afundará com ela. Desse dia em diante, não haverá mais esperança de adquirir o verdadeiro conhecimento secreto oriental até o fim do século XX.

Se me perguntam: Que tipo de protesto em linhas defensivas eu teria? e me lembram que nem o Irmão Judge consente em fazer de seu Caminho um campo de controvérsia, nem a maioria dos jornais diários e semanais consente em inserir tais cartas de Teosofistas––respondo clara e sinceramente:––Há meios para fazê-lo, mas não há nem a disposição nem a energia para realizar o que é necessário para isso entre os membros americanos da E.S., e Teosofistas que se recusam até mesmo a apoiar *The Path* como deveria ser apoiado.

E, no entanto, olhem ao seu redor, meus irmãos e irmãs.

Não há seita, guilda ou Sociedade, por mais insignificante e inútil que seja, e muito menor que nosso corpo teosófico, que não tenha seu órgão reconhecido.

Adventistas, Cientistas Cristãos, curadores mentais, swedenborgianos, comerciantes, e quem mais, têm seus diários, semanais e mensais.

Um semanário ou mesmo um mensário de apenas quatro páginas é melhor que nada; e se não tivéssemos uma necessidade absoluta e imediata de tal órgão defensivo agora, ele serviria em todos os momentos para a disseminação de nossos ensinamentos teosóficos, a popularização da Teosofia e da Ética Oriental adequadas à inteligência das massas.

Nem *The Path* nem *Lucifer*––menos ainda *The Theosophist*––são para as massas.

Compreendê-los exige leitores instruídos e, na maioria dos casos, altos metafísicos; e, portanto, nenhuma dessas revistas pode jamais se tornar popular.

O que vocês, Teosofistas americanos, realmente necessitam são extratos e um jornal semanal tão barato quanto puderem fazê-lo.

Tenham um órgão no qual defender a Causa contra ataques insidiosos, contra deturpações e mentiras, e ensinar ao povo a verdade, e muito em breve o inimigo não terá domínio sobre nós. Ensinem ao trabalhador comum as verdades que ele não encontra nas igrejas, e logo terão salvo metade da humanidade dos países civilizados, pois o CAMINHO é mais fácil para os pobres e os simples de coração do que para os cultos e os ricos.] “Observe,” escreve o Mestre, “que o primeiro dos degraus de ouro que sobem em direção ao Templo da Verdade é––UMA VIDA LIMPA.

Isso significa uma pureza de corpo, e uma pureza ainda maior de mente, coração e espírito.”

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº III

E estes são encontrados mais nas classes pobres do campo do que entre os cultos e os ricos.

Que o olho do Mestre está sobre vós, Teosofistas, é evidenciado pelas seguintes linhas da mesma pena: “Quantos deles [vós] violam uma ou mais dessas condições (do Caminho correto) e, no entanto, esperam ser livremente ensinados na mais alta Sabedoria e Ciências, a Sabedoria dos deuses.

Assim como a água pura derramada no balde do varredor é contaminada e imprópria para uso, assim é a Verdade divina quando derramada na consciência de um sensualista, de alguém de coração egoísta e mente indiferente e inacessível à justiça e compaixão.” . . . “Há uma máxima MUITO, MUITO antiga, muito mais antiga que o tempo dos Romanos ou dos Gregos, mais antiga que os Egípcios ou Caldeus.

É uma máxima que todos eles (Teosofistas) deveriam lembrar e viver de acordo.

E é que uma mente sã e pura requer um corpo são e puro.

Pureza corporal todo adepto toma precauções para manter.

. . . A maioria de vós (Teosofistas) sabe disso.” E, no entanto, sabendo-o, quão poucos vivem à altura disso! Prefiro não dizer se a carta inclui nesta reprovação os Teosofistas em geral, ou apenas os Esoteristas.

Significa alguns, mas isso é para minha informação privada; entretanto, estas são as palavras dirigidas a todos.

“. . . Mas embora lhes tenha sido repetidamente dito sobre esta regra sine qua non no Caminho da Teosofia e do chelaship, quão poucos deles têm dado atenção a isso. Eis que quantos deles são preguiçosos pela manhã e desperdiçadores de tempo à noite; GLUTÕES, comendo e bebendo pelo prazer sensual que isso lhes dá; indolentes nos negócios; egoístas quanto a manter os interesses de seus vizinhos (irmãos) em vista; tomando emprestado de irmãos-teosofistas, lucrando com o empréstimo e falhando em devolvê-lo; preguiçosos no estudo e esperando que outros pensem e ensinem por eles; negando a si mesmos nada, ATÉ MESMO DE LUXOS, em prol de ajudar irmãos mais pobres; esquecendo a Causa em geral e seus voluntários, trabalhadores árduos,—e até devassos, CULPADOS DE IMORALIDADE SECRETA em mais de uma forma.

E, no entanto, todos se chamam Teosofistas; todos falam com estranhos sobre ‘ética teosófica’ e coisas assim, com uma vaidade inflada e presunção vã em seus corações.

. . .” Ai de nós! Se estas palavras se aplicam à Sociedade Teosófica em geral, à fria indiferença e supremo egoísmo da maioria dos membros quanto ao futuro da causa a que pertencem, mas pela qual não se dispõem a sair de seu caminho para servir, não se aplicam também a maioria dos casos citados a alguns esotericistas, senão a todos? Não encontramos entre eles inveja e ódio por seus colegas, suspeitas e conversas caluniosas? Qual de vós, que ledes isto, está preparado para dizer que nenhuma das faltas acima enumeradas vos concerne? Ah, amigos, irmãos, e muitos de vós, amados colaboradores, em verdade, em verdade pouco sabeis das condições eternas e imutáveis do

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

desenvolvimento da alma, e principalmente das inexoráveis leis ocultas! Crede no Mestre de cuja carta cito, se não quiserdes crer em mim, que:

“Embora tal pessoa, com qualquer das faltas acima declaradas, enchesse o mundo com suas caridades e tornasse seu nome conhecido em todas as nações, ela não faria nenhum progresso nas ciências ocultas práticas, mas estaria continuamente escorregando para trás.

As ‘seis e dez virtudes transcendentais’, as Pāramitās, não são apenas para iogues e sacerdotes plenamente desenvolvidos, mas para todos aqueles que desejam entrar no ‘Caminho’.”

Se, explicando isto, eu acrescentar que a gentil bondade para com todos os seres, a honestidade estrita (não segundo o código do mundo, mas o da ação kármica), os hábitos virtuosos, a estrita veracidade e a temperança em todas as coisas; que somente estas são as chaves que abrem as portas da felicidade terrena e da paz de espírito beatífica, e que preparam o homem de carne para evoluir até o perfeito Ego-Espírito — muitos de vós se sentirão inclinados, temo, a zombar de mim por dizer isto.

Podeis pensar que estou a levar água ao mar, e que cada um de vós sabe isto, pelo menos, tão bem quanto eu. Podeis observar, talvez, que estou assumindo meu papel de “instrutora” em um tom demasiado elevado, tratando-vos, homens e mulheres adultos e inteligentes, como eu trataria pequenos meninos e meninas de escola.

E alguns de vós podem se permitir o pensamento de que é inútil eu vos ensinar a ser “bonzinhos”, em vez de continuar com minhas Instruções e dar-vos explicações sobre “aquela confusão oculta de cor e som, e suas respectivas relações com os princípios humanos”, como alguns já se queixaram.

Mas eu digo novamente: se vocês ignoram o valor oculto real até mesmo de verdades tão triviais como as contidas no "sermão da minha avó", como podem esperar compreender a ciência que estão estudando? Pode um eletricista, por mais familiarizado que esteja com o fluido elétrico e suas correntes variáveis, aplicá-las a si mesmo ou ao corpo de qualquer homem vivo, a menos que conheça anatomia humana e seja ao mesmo tempo um bom médico, sem arriscar matar seu paciente ou a si mesmo? De que adianta saber tudo sobre as relações ocultas entre as forças da natureza e os princípios humanos, se, permanecendo deliberadamente ignorantes do EU, permanecemos igualmente ignorantes do que afeta ou não afeta cada princípio distinto? Estão cientes de que, ao subalimentar, por assim dizer, um princípio ou mesmo um centro, às custas de outro princípio ou centro, podemos perder o primeiro e prejudicar irremediavelmente o último? De que, ao forçar nosso Ego Superior (não o Self, note-se) a permanecer inativo e silencioso — o que se alcança facilmente superalimentando o Manas inferior, que sempre gravita para baixo, em direção ao Kāma-rūpa — corremos o risco de aniquilação total de nossa personalidade atual? Como isto pode ser questionado por alguns membros que não são muito fortes nem mesmo nas doutrinas teosóficas exotéricas, a fim de tornar meu significado mais claro, suplementarei a presente explicação,

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº III

que se tornara inevitável, incorporando um artigo sobre este assunto nas próximas Instruções, que explica o caso em questão.

Que a terrível possibilidade de perder a própria "alma" — ocorrência não rara, e ademais confirmada pela experiência de uma longa série de videntes e professores clarividentes — torne-se conhecida de todos.

Este dogma das escolas internas tem sido frequentemente insinuado em nossa literatura, porém nunca até agora explicado.

Ele só pode ser transmitido aos poucos que se comprometeram a não divulgar seus detalhes.

Aqueles que ainda desejam permanecer como membros ativos da E.S. receberão doravante suas Instruções com toda a regularidade possível.

A Nº III está pronta e está sendo multiplicada: será enviada muito em breve.

E agora devo encerrar.

Para alguns de vocês, tenho pouca dúvida, esta se revelará uma carta de "despedida".

A esses, agradeço desde já pela confiança que demonstraram e com a qual me honraram, ainda que por poucos meses; e assim lhes desejo "Boa sorte" em alguma outra Ciência menos onerada por disciplina e regras.

Mas àqueles que nenhuma adversidade, desde que os conduza à ETERNA VERDADE, pode jamais desencorajar, dirijo-me com as palavras do grande poeta americano, cujos lábios agora estão frios e mudos: "Avante e sempre para o alto!" Que este seja o lema da E.S., aplicado à Morte do Egoísmo e do Pecado através do brilhante amanhecer da ressurreição da Ciência Divina agora conhecida como TEOSOFIA.

H.P.B.

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UMA PALAVRA SOBRE AS INSTRUÇÕES ANTERIORES

Como muitos esoteristas escreveram e quase se queixaram a mim de que não conseguiam encontrar aplicação prática e clara de certos diagramas anexados aos dois primeiros números de Instruções, e outros falaram de sua abstrusidade, uma breve explicação se faz necessária.

A razão dessa dificuldade, na maioria dos casos, tem sido que o ponto de vista adotado era errôneo; o puramente abstrato e metafísico foi confundido com o concreto e o físico, e tomado por eles.

Tomemos, por exemplo, os diagramas na página 564 da Instrução II, e digamos que estes são inteiramente macrocósmicos e ideais.

Deve-se lembrar que o estudo do Ocultismo procede dos Universais para os Particulares, e não o inverso, como aceito pela Ciência.

Como Platão era um Iniciado, naturalmente usou o primeiro método, enquanto Aristóteles, nunca tendo sido iniciado, zombou de seu mestre e, elaborando um sistema próprio, deixou-o como herança para ser adotado e aperfeiçoado por Bacon.

Em verdade, o aforismo da Sabedoria Hermética, "como acima, tão abaixo", aplica-se a todo ensinamento esotérico; mas devemos começar pelo acima; devemos aprender a fórmula antes de podermos somar a série.


As duas figuras, portanto, não pretendem representar quaisquer dois planos particulares, mas são a abstração de um par de planos, explicativos da lei da reflexão, assim como o Manas inferior é um reflexo do Superior na Prancha I. Devem, portanto, ser tomadas no mais elevado sentido metafísico.

Este aviso aplica-se igualmente ao Diagrama I, onde o Microcosmo deve ser tomado como o Microcosmo do Macrocosmo, e não como o paradigma do homem.

Os Diagramas e Pranchas destinam-se apenas a familiarizar os estudantes com as ideias principais das correspondências ocultas, pois o próprio gênio do Ocultismo metafísico, ou macrocósmico e espiritual, proíbe o uso de figuras ou mesmo símbolos além de meros auxílios temporários.

Uma vez definida uma ideia em palavras, ela perde sua realidade; uma vez figurada uma ideia metafísica, você materializa seu espírito.

As figuras devem ser usadas apenas como escadas para escalar as ameias, escadas a serem desconsideradas uma vez que o pé esteja posto sobre o parapeito.

Que os Esoteristas, portanto, tenham muito cuidado em espiritualizar as Instruções e evitem materializá-las; que sempre tentem encontrar o significado mais elevado possível, confiantes de que, na proporção em que se aproximam do material e do visível em suas especulações sobre as Instruções, tão longe estão da correta compreensão delas.

Este é especialmente o caso com estas primeiras Instruções e Diagramas, pois, como em todas as artes verdadeiras, assim também no Ocultismo, devemos aprender a teoria antes de nos ser ensinada a prática.

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SOBRE O SIGILO REQUERIDO         [Os números superiores nas páginas seguintes referem-se aos números correspondentes no material citado ao final desta Instrução.]

Os estudantes perguntam: Por que tanto sigilo acerca dos detalhes de uma doutrina cujo corpo foi publicamente revelado, como em *O Budismo Esotérico* e *A Doutrina Secreta*?     A isso o Ocultismo responderia: Por duas razões:     
(a) A verdade inteira é sagrada demais para ser divulgada promiscuamente.

(b) O conhecimento de todos os detalhes e elos faltantes nos ensinamentos exotéricos é perigoso demais em mãos profanas.

As verdades reveladas ao homem pelos "Espíritos Planetários" (os mais elevados Kumāras, aqueles que não mais encarnam no universo durante este Mahāmanvantara), que aparecem na Terra como Avatāras apenas no início

INSTRUÇÃO E.S. Nº III

de cada nova raça humana, e na junção ou término das duas extremidades do pequeno e do grande ciclo, foram, com o tempo, destinadas a desaparecer da memória do homem à medida que ele se tornava mais animalizado.

Contudo, embora esses Mestres permaneçam com o homem apenas pelo tempo necessário para imprimir nas mentes plásticas da humanidade-infantil as verdades eternas que ensinam, o espírito dos ensinamentos permanece vívido, embora latente, na humanidade.

O conhecimento completo da revelação primitiva, tendo, no entanto, permanecido sempre com alguns Eleitos, foi transmitido, desde aquela época até agora, de uma geração de Adeptos a outra.

Como dizem os Mestres no *Primer* Oculto: "Isso é feito para assegurar que elas (as verdades eternas) não sejam totalmente perdidas ou esquecidas nas eras vindouras pelas gerações futuras.

. ." A missão do Espírito Planetário é apenas tocar a nota fundamental da Verdade.

Uma vez que ele tenha dirigido a vibração desta última para que percorra ininterruptamente seu curso ao longo da concatenação da raça até o fim do ciclo––ele desaparece de nossa terra até o próximo Manvantara Planetário.

A missão de qualquer professor de verdades esotéricas, esteja ele no topo ou na base da escada do conhecimento, é precisamente a mesma: como acima, assim abaixo.¹ Tenho apenas ordens para dar a nota fundamental das várias verdades esotéricas entre os estudantes como um corpo.

Aquelas unidades entre vós que se elevarem no “Caminho” acima de seus colegas de estudo em sua esfera esotérica, receberão, como os “Eleitos” de quem se falou fizeram e fazem nas FRATERNIDADES-MÃE, os últimos detalhes explicativos e a chave final para o que aprendem.

Ninguém, contudo, pode esperar obter esse privilégio antes que os MESTRES (não minha humilde pessoa) o considerem ou a considerem digno.

Se desejais saber a verdadeira raison d'être dessa política, eu a dou agora a vós.

Não adianta mostrar e explicar aquilo que todos vós sabeis tão bem quanto eu; desde o início, os eventos mostraram que nenhuma cautela pode ser dispensada.

De nosso corpo de várias centenas de homens e mulheres, muitos não pareciam perceber nem a sagrada solenidade do compromisso assumido (que alguns tomaram ao final de sua assinatura), nem o fato de que sua personalidade deve ser totalmente ignorada quando confrontada com seu EU SUPERIOR, nem que todas as suas palavras e declarações não valiam nada a menos que corroboradas por ações.

Isso era natureza humana, e nada mais; portanto, foi tratado com indulgência, e uma nova concessão foi dada pelo MESTRE.

Mas, além disso, há um perigo latente na natureza do próprio ciclo atual.

A Humanidade civilizada, por mais cuidadosamente guardada que seja por seus Vigilantes invisíveis, os Nirmanakayas––que vigiam nossas respectivas raças e nações––devido ao seu Carma coletivo, está terrivelmente sob o domínio dos opositores tradicionais dos Nirmanakayas, os “Irmãos da Sombra”, encarnados e desencarnados; e isso, como já vos foi dito, durará até o fim do primeiro ciclo de Kali-Yuga (1897), e alguns anos além, pois o ciclo escuro menor coincide com o grande.


Assim, apesar de todos os esforços, segredos terríveis são frequentemente revelados a pessoas inteiramente indignas, pelos esforços dos "Irmãos das Trevas" e sua atuação sobre os cérebros humanos, devido ao simples fato de que em certos organismos privilegiados o que a filosofia ocidental chamaria de ideias inatas, e o Ocultismo de "clarões de gênio", são as vibrações das verdades primitivas postas em movimento pelos Seres Planetários.

Alguma ideia desse tipo, baseada na verdade eterna, é despertada, e tudo o que os Poderes vigilantes podem fazer é impedir sua revelação completa.

Vês tal exemplo na América na pessoa de John W. Keely, da Filadélfia; do Dr. Babbitt, e do digno associado de Hiram Butler, que usava o pseudônimo de Vidyā Nyaiaka.

Todos os três tendem, em vários graus, para a MAGIA NEGRA — seja inconscientemente e com boas intenções, seja deliberadamente e com os mais abomináveis objetivos em vista.

Tudo neste Universo de matéria diferenciada tem seus dois aspectos — o lado luminoso e o lado sombrio —, dois atributos que, aplicados na prática, conduzem, um ao uso, o outro ao abuso.

Todo homem pode tornar-se botânico sem perigo aparente para seus semelhantes; e muitos químicos que dominaram a ciência das essências sabem que cada uma pode tanto curar quanto matar.

Não há ingrediente, não há veneno, que não possa ser usado para ambos os fins — sim, desde a inofensiva cera até o mortal ácido prússico, desde a saliva do infante até a da cobra de capela.

Todo novato em medicina sabe disso — teoricamente, ao menos.

Mas onde está, em nossos dias, o químico erudito a quem foi permitido descobrir o "lado noturno" de um atributo de qualquer substância que entre nos três reinos da Ciência, quanto mais nos sete dos Ocultistas, isto é, qual deles penetrou em seus Arcanos, na Essência mais íntima das coisas e em suas correlações primárias? Contudo, é somente esse conhecimento que faz de um Ocultista um verdadeiro Iniciado prático, quer ele se revele um Irmão da Luz ou um Irmão das Trevas.

A essência desse veneno sutil e sem vestígios, o mais potente da natureza, que entrava na composição dos chamados venenos dos Médici e dos Bórgia, se usada com discernimento por alguém versado nos graus septenários de sua potencialidade em cada um dos planos acessíveis ao homem na Terra, poderia curar ou matar todos os homens do mundo; o resultado dependendo, naturalmente, de se o operador era um Irmão da Luz ou um Irmão da Sombra.

O primeiro é impedido de fazer o bem que poderia, pelo Karma racial, nacional e individual; o segundo é impedido em seu

––––––––––      Ver artigo “Genius” [por H.P.B.], em Lucifer, Vol.

V, novembro de 1889, pp. 227-33. [Publicado no presente volume.] ––––––––––

INSTRUÇÃO E.S. Nº III trabalho diabólico pelos esforços conjuntos das “Pedras” humanas da “Muralha Guardiã”.      É incorreto pensar que exista qualquer “pó de projeção” especial, ou “pedra filosofal”, ou “elixir da vida”. Este último espreita em cada flor, em cada pedra e mineral em todo o globo.

É a essência última de tudo em seu caminho para uma evolução cada vez mais elevada.

Assim como não há bem ou mal per se, também não há “elixir da vida” nem “elixir da morte”, nem veneno, per se, mas tudo isso está contido em uma mesma e única Essência Universal, este ou aquele efeito, ou resultado, dependendo do grau de suas diferentes diferenciações e correlações variadas.

O lado luminoso dela produz vida, saúde, bem-aventurança, paz divina, etc.; o lado sombrio traz morte, doença, tristeza e discórdia.

Isso é comprovado pelo conhecimento da natureza dos venenos mais violentos; de alguns deles, mesmo uma grande quantidade não produzirá efeito maligno no organismo, enquanto um grão do mesmo veneno mata com a rapidez do relâmpago; enquanto o mesmo grão, novamente, alterado por uma certa combinação, embora sua quantidade permaneça quase idêntica––curará.

O número dos graus de sua diferenciação é septenário, assim como são os planos de sua ação, cada grau sendo benéfico ou maléfico em seus efeitos, de acordo com o sistema no qual é introduzido.

Aquele que é hábil nesses graus está na estrada real para o Adeptado prático; aquele que age ao acaso––como a enorme maioria dos “Curandeiros da Mente”, sejam “Mental” ou “Cientista Cristão”––provavelmente se arrependerá dos efeitos sobre si mesmo e sobre os outros.

Colocados na trilha pelo exemplo dos Yogis indianos, e de suas práticas amplamente, mas incorretamente delineadas, das quais apenas leram, mas não tiveram oportunidade de estudar––essas novas seitas têm se precipitado, sem guia e de cabeça, na prática de negar e afirmar.

Assim, fizeram mais mal do que bem.

Aqueles que são bem-sucedidos devem isso aos seus poderes magnéticos e curativos inatos, que muitas vezes contrabalançam aquilo que, de outra forma, seria propício a muito mal.

Cuidado, digo eu; Satã e o Arcanjo são mais que gêmeos; são um só corpo e uma só mente––Deus est daemon inversus.

––––––––––

É BENÉFICA A PRÁTICA DA CONCENTRAÇÃO?

Tal é outra pergunta feita por membros da E.S.T. Respondo: A concentração e meditação genuínas, conscientes e cautelosas, sobre o próprio eu inferior à luz do homem divino interior e das Pāramitās, é uma coisa excelente.

Mas "sentar-se para Yoga", com apenas um conhecimento superficial e

––––––––––        Ver A Voz do Silêncio, pp. 68 e 94 (Nota 28 à Parte III). –––––––––– frequentemente distorcido da prática real, é quase invariavelmente fatal; pois em dez casos, nove, o estudante ou desenvolverá em si poderes mediúnicos ou perderá tempo e se desgostará tanto da prática quanto da teoria.


Antes de alguém se lançar em tão perigosa experiência e buscar ir além de um minucioso exame do próprio eu inferior e de seu caminhar na vida, ou daquilo que em nossa fraseologia se chama "O Livro de Registro Diário da Vida do Chela", faria bem em aprender ao menos a diferença entre os dois aspectos da "Magia", a Branca ou Divina, e a Negra ou Diabólica, e certificar-se de que, ao "sentar-se para Yoga", sem experiência, bem como sem guia que lhe mostre os perigos, não cruza diária e horariamente as fronteiras do Divino para cair no Satânico.

No entanto, o modo de aprender a diferença é muito fácil; basta lembrar que nenhuma verdade esotérica inteiramente desvelada será jamais dada em impresso público, em livro ou revista.

No Livro de Regras aconselho os estudantes a obterem certas obras, pois terei de referir-me a elas e citá-las repetidamente.

Reitero o conselho e peço-lhes que consultem The Theosophist [Vol.

IX] de novembro de 1887. Na página 98 encontrarão o início de um excelente artigo do Sr. Rāma Prasad sobre "As Forças Mais Sutis da Natureza". O valor dessa obra não está tanto em seu mérito literário, embora tenha granjeado a seu autor a medalha de ouro de The Theosophist––quanto em sua exposição de doutrinas até então ocultas em uma rara e antiga obra sânscrita sobre Ocultismo.

Mas o Sr. Rāma Prasad não é um Ocultista, apenas um excelente erudito em sânscrito, um graduado universitário e um homem de notável inteligência.

Seus Ensaios são quase inteiramente baseados em obras Tāntricas, que, se lidas indiscriminadamente por um novato em Ocultismo, levarão à prática da mais absoluta Magia Negra.

Pois, quer os Tattvas signifiquem, como ensina o Ocultismo, "forças da natureza" ou, como explica o erudito Rāma Prasad, "a substância da qual o universo é formado" e "o poder pelo qual é sustentado", é tudo o mesmo; eles são força e matéria, Prakriti.

E se as formas, ou antes, planos desta última são sete, então suas forças também devem ser sete; isto é, os graus de solidificação da matéria e os graus do poder que a anima devem caminhar de mãos dadas.

"O Universo é feito do Tattva, é sustentado pelo Tattva, e desaparece no Tattva," diz Śiva, conforme citado do Śaivāgama em "Nature's Finer Forces." Isso resolve a questão; se Prakriti é septenária, então os Tattvas devem ser sete, pois, como foi dito, eles são tanto substância quanto força, ou matéria atômica e o espírito que a anima.

Isto é explicado aqui para habilitar o estudante a ler nas entrelinhas dos assim chamados artigos ocultos sobre filosofia sânscrita, pelos quais não devem ser induzidos a erro.

Todo esoterista que lê The Theosophist deve lembrar como Subba Row, um erudito brâmane vedantino, se levantou amargamente contra os princípios septenários no homem.

Ele sabia bem que eu não tinha o direito e não ousava explicar em The Theosophist, uma revista pública, a numeração real, e simplesmente se aproveitou do meu silêncio forçado.

A doutrina dos sete Tattvas (os princípios do universo como no homem) era tida em grande sacralidade e, portanto, em segredo, pelos brâmanes dos tempos antigos, pelos quais agora o ensinamento está quase esquecido.

Contudo, é ensinada até hoje nas escolas além da cordilheira do Himalaia, mas agora dificilmente é lembrada ou ouvida na Índia, exceto através de raros Iniciados.

A política foi gradualmente mudada; Chelas começaram a ser ensinados em suas linhas gerais, e no advento da S.T. na Índia, em 1879, fui ordenada a ensiná-la em sua forma exotérica a um ou dois, e obedeci.


A vós, que estais comprometidos, eu a entrego esotericamente.

Sabendo que alguns dos membros da E.S.T. tentam seguir um sistema de Yoga à sua própria maneira, guiados apenas pelas raras indicações que encontram em livros e revistas teosóficos, que naturalmente devem ser incompletos, escolhi uma das melhores exposições já escritas sobre obras ocultas antigas, "Nature's Finer Forces," a fim de apontar quão facilmente alguém pode ser induzido a erro por seus véus.

O autor parece ter sido ele mesmo enganado.

Os Tāntras, lidos esotericamente, são tão plenos de sabedoria quanto as mais nobres obras ocultas.

Estudados sem um guia e aplicados à prática, podem levar à produção de vários resultados fenomênicos, nos planos moral e fisiológico.

Mas que alguém aceite suas regras e práticas de letra morta, que tente, com algum motivo egoísta em vista, realizar os ritos ali prescritos, e – estará perdido.

Seguidos com coração puro e devoção desinteressada, apenas por causa desta, ou nenhum resultado se seguirá, ou tais que apenas poderão fazer o praticante retroceder.

Ai, então, do homem egoísta que busca desenvolver poderes ocultos apenas para obter benefícios terrenos ou vingança, ou para satisfazer sua ambição; a separação dos Princípios Superiores dos Inferiores e o desligamento do Buddhi-Manas da Personalidade do tântrico seguir-se-ão rapidamente, os terríveis resultados kármicos do aprendiz de magia.

No Oriente, na Índia e na China, homens e mulheres sem alma são tão frequentemente encontrados quanto no Ocidente, embora o vício seja, na verdade, muito menos desenvolvido do que aqui.

É a Magia Negra e o esquecimento de sua sabedoria ancestral que os leva a isso.

Mas disso falarei mais tarde, agora apenas acrescentando – vocês precisam ser advertidos e conhecer o perigo.

Enquanto isso, em vista do que se segue, a verdadeira divisão oculta dos Princípios em suas correspondências com os Tattvas e outras forças menores deve ser bem estudada.

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

SOBRE “PRINCÍPIOS” E “ASPECTOS”

Falando metafísica e filosoficamente, em linhas esotéricas estritas, o homem como unidade completa é composto de Quatro Princípios básicos e Três Aspectos produzidos por eles nesta terra.

Nos ensinamentos semi-esotéricos, esses Quatro e Três foram chamados de Sete Princípios, para facilitar a compreensão das massas.

OS PRINCÍPIOS BÁSICOS ETERNOS                           ASPECTOS TRANSITÓRIOS PRODUZIDOS PELOS                                                                              PRINCÍPIOS   1. Ātman, ou Jīva, “a Vida Una”, que              1. PrāŠa, o Sopro da Vida, o mesmo que Nephesh.

   permeia a Tríade Mônadica.

(Um em três e      na morte de um ser vivo, PrāŠa torna-se novamente Jīva.   três em Um.)   2. Envelope Áurico; porque o substrato da      2. Li‰ga-Śar…ra, a Forma Astral, a emanação transitória   Aura ao redor do homem é o difundido        do Ovo Áurico.

Esta forma precede o Ākaśa primordial e puro, a primeira película na formação do Corpo vivo, e após a morte a ele se apega, expansão sem limites e sem margens de Jīva, dissipando-se apenas com o desaparecimento de seu último átomo, Raiz imutável de tudo.

(com exceção do esqueleto).   3. Buddhi; porque Buddhi é um raio da             3. Manas inferior, a Alma Animal, o reflexo ou   Alma Espiritual Universal (ALAYA).                  sombra do Buddhi-Manas, tendo as potencialidades                                                      de ambos, mas conquistado geralmente por sua associação                                                      com os elementos Kāma.

4. Manas (o Ego Superior); pois procede de       Assim como o homem é o produto combinado de dois aspectos:   Mahat, o primeiro produto ou emanação de Pradhāna,       fisicamente, de sua Forma Astral, e   que contém potencialmente todos os GuŠas           psico-fisiologicamente de Kāma-Manas, ele não é   (atributos). Mahat é a Inteligência Cósmica, chamado       considerado nem mesmo como um aspecto, mas como uma ilusão.

o “Grande Princípio.” ––––––––––      PrāŠa, na terra de qualquer forma, é assim apenas um modo de vida, um movimento cíclico constante de dentro para fora e de volta, uma expiração e inspiração da ÚNICA VIDA, ou Jīva, o sinônimo da Divindade Absoluta e Incognoscível.

PrāŠa não é vida abstrata, ou Jīva, mas seu aspecto em um mundo de ilusão.

Em The Theosophist, maio de 1888, p. 478, diz-se que PrāŠa é “um estágio mais sutil do que a matéria grosseira da terra.”      Lembre-se de que nossos Egos, o Princípio que reencarna, são chamados em A Doutrina Secreta de Mānasaputras, “Filhos de Manas” (ou Mahat), ou Inteligência, Sabedoria.

–––––––––– O Ovo Áurico, devido à sua natureza e múltiplas funções, deve ser bem estudado.


Assim como HiraŠyagarbha, o Ventre Dourado ou Ovo, contém Brahmā, o símbolo coletivo das Sete Forças Universais, o Ovo Áurico contém, e está diretamente relacionado a, tanto o homem divino quanto o físico.

Em sua essência, como foi dito, é eterno; em suas constantes correlações, é uma espécie de máquina de movimento perpétuo durante o progresso reencarnatório do Ego nesta terra.

Como é dito em A Doutrina Secreta, os Egos ou Kumāras, encarnando no homem, no final da Terceira Raça-Raiz, não são Egos humanos desta terra ou plano, mas tornaram-se tais apenas a partir do momento em que animaram o homem animal, dotando-o assim de sua Mente Superior.

Eles são “Sopros” ou Princípios, chamados de Alma Humana, ou Manas, a Mente.

Como os ensinamentos dizem: “Cada um é um Pilar de Luz.

Tendo escolhido seu veículo, expandiu-se, envolvendo com uma Aura Akáshica o animal humano, enquanto o Princípio Divino (Mânasico) se estabeleceu dentro dessa forma humana.” A Sabedoria Antiga ensina, ademais, que desde esta primeira encarnação, os Lunares Pitris (que haviam feito os homens a partir de suas Chhāyās, ou Sombras) são absorvidos por essa essência áurica, e uma Forma Astral distinta é agora produzida para cada Personalidade vindoura da série reencarnante de cada Ego.

Assim, o Ovo Áurico, refletindo todos os pensamentos, palavras e ações do homem, é:

(a) O preservador de todo registro kármico.

(b) O depósito de todos os poderes bons e maus do homem, recebendo e emitindo à sua vontade –– e até ao seu próprio pensamento –– toda potencialidade, que se torna, então e ali, uma potência atuante: esta aura é o espelho no qual sensitivos e clarividentes sentem e percebem o homem real, e o veem como ele é, não como aparenta.

(c) Como fornece ao homem sua Forma Astral, em torno da qual a entidade física se modela, primeiro como feto, depois como criança e homem, crescendo o astral em igualdade com o ser humano, assim também lhe fornece durante a vida, se for um Adepto, seu Māyāvi-Rūpa, Corpo de Ilusão (que não é seu Corpo Astral Vital); e após a morte, sua Entidade Devachânica e Kāma-Rūpa, ou Corpo de Desejo (o Fantasma).

No primeiro caso, o da Entidade Devachânica, o Ego, para poder entrar em estado de bem-aventurança, como o “eu” de sua imediatamente precedente encarnação, tem de ser revestido (metaforicamente falando) com os elementos espirituais das ideias, aspirações e pensamentos da

––––––––––

É errôneo, ao se falar do quinto princípio humano, chamá-lo de “Kāma-Rūpa”. Ele não é um Rūpa, ou forma, de modo algum, exceto após a morte, mas os elementos Kâmicos, desejos e paixões animais, tais como ira, luxúria, inveja, vingança, etc., etc., a progênie do egoísmo e da matéria.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

Personalidade agora desencarnada; caso contrário, o que é que desfruta da bem-aventurança e da recompensa? Certamente não o Ego impessoal, a Individualidade Divina.

Portanto, devem ser os bons registros kármicos do falecido, impressos na Substância Áurica, que fornecem à Alma Humana apenas o suficiente dos elementos espirituais da ex-personalidade para permitir-lhe ainda acreditar-se aquele corpo do qual acaba de ser separada, e receber sua fruição, durante um período mais ou menos prolongado de “gestação espiritual”. Pois Devachan é uma “gestação espiritual” dentro de um estado de matriz ideal, que termina no novo nascimento do Ego no mundo dos efeitos, nascimento ideal e subjetivo que precede seu próximo nascimento terrestre – sendo este último determinado por seu mau Karma – no mundo das causas.¹

No segundo caso, o de fornecer o Kāma-Rūpa para o fantasma ou espectro da Entidade, é dos resíduos animais do Envelope Áurico, com seu registro kármico diário de vida animal, tão cheio de desejos animais e aspirações egoístas, que ele é fornecido. Agora, o Liṅga-Śarīra permanece com o Corpo Físico e se desvanece junto com ele. Uma entidade astral então tem de ser criada (um novo Liṅga-Śarīra providenciado) para se tornar o portador de todos os TāŠhas passados e do Karma futuro.

Como isso é realizado? O “espectro” mediúnico, o “anjo partido”, desvanece-se e desaparece também, por sua vez, como entidade ou imagem completa da Personalidade que foi, e deixa no mundo kāmalóquico dos efeitos apenas os registros de seus erros e pensamentos e atos pecaminosos, conhecidos na fraseologia dos Ocultistas como Elementais TāŠhicos ou humanos. São esses Elementais que – ao entrarem na composição da “forma astral” do novo corpo, no qual o Ego, ao deixar o estado devachânico, deve entrar de acordo com o decreto kármico – formam essa nova entidade astral que nasce dentro do Envelope Áurico, e da qual frequentemente se diz: “Karma, com seu exército de Skandhas, espera no limiar de Devachan.” Pois não é mais cedo do que ––––––––––        Aqui o mundo dos efeitos é o estado devachânico, e o mundo das causas, a vida terrestre.

E é somente esse Kāma-Rūpa que pode materializar-se em sessões mediúnicas, o que ocasionalmente faz quando não é o Duplo Astral, ou Liṅga-Śarīra, do próprio médium que aparece.

Portanto, como pode esse feixe de paixões morais vis e luxúrias terrestres, ressuscitado pelo organismo do médium e adquirindo consciência somente através dele, ser aceito como um “anjo partido” ou o espírito de um corpo outrora humano? Tão bem se poderia dizer da praga microbiana que se fixa em uma pessoa que é um doce anjo partido.

Isso é realizado em mais ou menos tempo, conforme o grau em que a Personalidade (cujo resíduo agora é) foi espiritual ou material.

Se a espiritualidade prevaleceu, então a Larva, "espectro", desaparecerá muito em breve; mas se foi muito materialista, o Kāma-Rūpa pode durar séculos e––até sobreviver com a ajuda de alguns de seus Skandhas dispersos, que são todos transformados com o tempo em Elementos.

Veja The Key to Theosophy, pp. 141 e seguintes, obra na qual foi impossível entrar em detalhes, mas onde os Skandhas são mencionados como germes de efeitos kármicos.

The Key to Theosophy, p. 141. –––––––––– Terminado o estado devachânico de recompensa, o Ego é indissoluvelmente unido (ou melhor, segue o rastro) da nova Forma Astral.


Ambos são impelidos karmicamente em direção à família ou à mulher da qual deve nascer o animal criança escolhido pelo Karma para se tornar o veículo do Ego que acabou de despertar do estado devachânico.

Então a nova Forma Astral, composta em parte pela pura Essência Ākāśica do "Ovo" Áurico, e em parte pelos elementos terrestres dos pecados e más ações puníveis da última Personalidade, é atraída para a mulher.

Uma vez lá, a Natureza molda o feto de carne ao redor do Astral, a partir dos materiais em crescimento da semente masculina no solo feminino.

Assim cresce, da essência de uma semente deteriorada, o fruto ou eidōlon da semente morta, o fruto físico produzindo por sua vez dentro de si outra e outras sementes para futuras plantas.

E agora podemos retornar aos Tattvas, e ver o que significam na natureza e no homem, mostrando assim o grande perigo de se entregar a um Yoga fantasioso e amador, sem saber o que estamos fazendo.

––––––––– Collected Writings VOLUME XII AS CORRELAÇÕES TÁTTVICAS E SEU SIGNIFICADO

Na natureza, então, encontramos sete Forças, ou sete Centros de Força, e tudo parece responder a esse número, como, por exemplo, a escala septenária na música, ou Sons, e o espectro septenário nas Cores.

Em The Secret Doctrine não esgotei sua nomenclatura e provas, mas o suficiente é dado para mostrar a todo pensador que os fatos aduzidos não são coincidências, mas testemunho muito ponderoso.

Há várias razões pelas quais apenas cinco Tattvas são dados nos sistemas indianos.

Uma destas já mencionei; outra é que, por termos alcançado apenas a Quinta Raça e estarmos (tanto quanto a Ciência pode averiguar) dotados de apenas cinco sentidos, os dois sentidos remanescentes que ainda estão latentes no homem só podem ter sua existência comprovada por evidência fenomênica, que para o materialista não é evidência alguma.

Os cinco sentidos físicos são postos em correspondência com os cinco Tattvas inferiores; os dois sentidos ainda não desenvolvidos no homem, e as duas forças, ou Tattvas, esquecidos pelos brâmanes e ainda não reconhecidos pela Ciência, sendo tão subjetivos, e o mais elevado deles tão sagrado, que só pode ser reconhecido por, e através, das mais elevadas Ciências Ocultas.

É fácil ver que esses dois Tattvas e os dois sentidos (o sexto e o sétimo) correspondem aos dois Princípios humanos mais elevados, Buddhi e o Envelope Áurico, impregnado com a luz de Ātman.

A menos que abramos em nós mesmos, por meio do treinamento oculto, o sexto e o sétimo sentidos, jamais poderemos compreender corretamente seus correspondentes

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº III

tipos.

Assim, a afirmação em "As Forças Mais Sutis da Natureza" de que, na escala tátvica, o mais elevado Tattva de todos é Ākāśa (seguido por [apenas] quatro, cada um dos quais se torna mais grosseiro que seu predecessor), se feita do ponto de vista esotérico, é errônea.

Pois uma vez que Ākāśa, um princípio quase homogêneo e certamente universal, é traduzido como Éter, então Ākāśa é diminuído e limitado ao nosso universo visível, pois certamente não é o Éter do Espaço.

O Éter, seja o que for que a Ciência moderna faça dele, é Substância diferenciada; Ākāśa, não tendo atributos exceto um––SOM, do qual é o substrato––não é substância mesmo exotericamente e na mente de alguns orientalistas, mas antes o Caos, ou o Grande Vazio Espacial. Esotericamente, somente Ākāśa é o Espaço Divino, que se torna Éter apenas no plano mais baixo e último, ou nosso Universo visível e Terra.

Neste caso, o obstáculo está na palavra "atributo", que é dada como Som! Não é atributo algum, mas a correlação primordial de Ākāśa; sua manifestação primordial, o Logos, ou Ideação Divina tornada VERBO, e esse "Verbo" feito carne.

O Som pode ser considerado um "atributo" de Ākāśa apenas sob a condição de antropomorfizar este último.

Não é uma característica sua, embora certamente seja tão inerente a ele quanto a ideia "Eu sou Eu" é inerente ao nosso pensamento.

O Ocultismo ensina que Ākāśa contém e inclui os sete Centros de Força, portanto os sete Tattvas dos quais Ākāśa é o sétimo, ou melhor, sua síntese.

Mas se Ākāśa for tomado––como acreditamos ser o fato neste caso––para representar apenas a ideia exotérica, então o autor está certo; porque (como Ākāśa é universalmente onipresente), seguindo a limitação purânica, ele coloca seu início, para melhor compreensão de nossos intelectos finitos, apenas além dos quatro planos de nossa Cadeia Terrestre, sendo os dois Tattvas superiores tão ocultos para o mortal comum quanto o sexto e o sétimo sentidos o são para a mente materialista.

Portanto, enquanto a filosofia hindu, sânscrita e purânica fala apenas de cinco Tattvas, os Ocultistas nomeiam sete, fazendo-os corresponder a cada setenário na natureza.

Os Tattvas estão na mesma ordem que as sete Forças macro e microcósmicas.

Estas, como ensinadas no Esoterismo, são as seguintes: ––––––––––       Seguindo o Śaivāgama, o referido autor enumera a correspondência desta maneira: Ākāśa (ou Éter) é seguido por Vāyu (Gás), Tejas (Calor), Āpas (Líquido) e P ithivī (Sólido).       Ver notas de Fitz-Edward Hall sobre o VishŠu-PurāŠa.       O par ao qual nos referimos como a Vida Una, a Raiz de Tudo, e Ākāśa em seu período pré-diferenciador corresponde ao Brahma (neutro) e Aditi de alguns hindus, e está na mesma relação que o Parabrahman e Mūlaprak iti dos Vedāntins.

 Ver A Doutrina Secreta, Vol.

I, Diagrama No. 3, p. 200. –––––––––– (1) ĀDI TATTVA, a Força universal primordial, emanando no início da manifestação (ou período criativo) do eterno e imutável SAT, o substrato de TUDO.


Corresponde à Envoltura Áurica ou "Ovo de Brahmā", que envolve cada globo, assim como cada homem, animal e coisa.

É o veículo que contém potencialmente tudo––Espírito e Substância, Força e Matéria.

É ao Ādi Tattva que nos referimos na Cosmogonia Esotérica, como a Força que procede do Primeiro ou Logos Não-Manifestado.

(2) ANUPAPĀDAKA TATTVA, a primeira diferenciação no plano do ser––sendo a primeira uma ideal––ou aquilo que nasce por transformação de algo superior a si mesmo.

Com os Ocultistas, a Força procede do Segundo Logos.

3) ĀKĀSA TATTVA.

É neste ponto que todas as filosofias e religiões exotéricas começam.

Ākāśa Tattva é explicado nelas como a Força Etérica, Éter.

Portanto, o nome dado a Júpiter, o deus “supremo”, ou Pater Aether; Indra, outrora o deus supremo na Índia, como a expansão etérica ou celeste, Urano, etc., etc., e o Deus bíblico como o Espírito Santo, Pneuma, vento ou ar rarefeito.

Os Ocultistas chamam a Força do Terceiro Logos, a Força Criativa no Universo já Manifestado.

(4) VĀYU TATTVA (Força do Ar), o plano aéreo onde a substância é gasosa.

(5) TAIJASA TATTVA (de tejas, luminoso) o plano da nossa atmosfera.

(6) ĀPAS TATTVA, substância ou força aquosa ou líquida.

(7) P¬ITHIVŸ TATTVA, substância terrena sólida––o espírito ou força terrestre, o mais baixo de todos.

Todos estes correspondem aos nossos princípios, e aos sete sentidos e forças no homem.

De acordo com o Tattva ou Força gerada ou induzida em nós, assim os nossos corpos agirão.

Agora, o que tenho a dizer aqui é dirigido especialmente àqueles membros que estão ansiosos por desenvolver poderes “sentando para Yoga”. Vós vedes, pelo que já foi dito, que no desenvolvimento do Rāja-Yoga, nenhuma obra existente tornada pública é do menor proveito; elas podem, na melhor das hipóteses, dar indícios de Haṭha-Yoga, algo que pode desenvolver mediunidade na melhor das hipóteses, e no pior caso––tísica.

Se aqueles que praticam “meditação” e tentam aprender a “Ciência da Respiração” lerem atentamente “As Forças Mais Sutis da Natureza”, descobrirão que é por

––––––––––       Anupapādaka, em Pāli Opapātika (Tibetano: Brdus-te-skyas-pa), significando o “sem pais”, nascido sem pai ou mãe, de si mesmo,” como uma transformação, ex.: o deus Brahmā surgiu do Lótus (o símbolo do Universo) que cresce do umbigo de VishŠu, simbolizando VishŠu o espaço eterno e ilimitado, e Brahmā o universo e o Logos; o Buda mítico também nasce de um Lótus.

––––––––––                                          INSTRUÇÃO E. S. Nº III

utilizando os cinco Tattvas somente que esta ciência perigosa é adquirida.

Pois na Filosofia Yoga exotérica, e na prática do Haṭha-Yoga, o Tattva Ākāśa é colocado na cabeça (ou cérebro físico) do homem; o Tattva Tejas nos ombros; o Tattva Vāyu no umbigo (a sede de todos os deuses fálicos, “criadores” do universo e do homem); o Tattva Āpas nos joelhos; e o Tattva P ithiv… nos pés.

Portanto, os dois Tattvas superiores e suas correspondências são ignorados e excluídos; e––como são os fatores principais no Rāja-Yoga––nenhum fenômeno espiritual ou intelectual de natureza mais elevada pode ocorrer; mas, sendo o sistema psicofisiológico desenvolvido simplesmente, os melhores resultados obtidos são fenômenos físicos e nada mais.

Como os “Cinco Sopros”, ou melhor, os cinco estados do sopro humano, correspondem no Haṭha-Yoga a esses planos e cores terrestres, que resultados espirituais podem ser obtidos? Eles são o exato oposto do plano do Espírito, ou do plano macrocósmico superior, refletidos como são na Luz Astral de cabeça para baixo.

Isso é comprovado na própria obra Tāntra, o Śaivāgama.

Comparemos.

Em primeiro lugar, lembre-se de que o Setenário da Natureza visível, assim como da invisível, é dito no Ocultismo consistir dos três (e quatro) Fogos, que crescem em quarenta e nove Fogos.

Isso mostra que, assim como o Macrocosmo é dividido em sete grandes planos de várias diferenciações da Substância––do espiritual, ou subjetivo, ao plenamente objetivo ou material, de Ākāśa até a atmosfera carregada de pecado da nossa terra––assim, por sua vez, cada um desses grandes planos tem três aspectos, baseados em quatro princípios, como já foi mostrado acima.

Isso parece bastante natural, pois até a ciência moderna tem seus três estados da matéria e o que geralmente se chama de estados “críticos” ou intermediários entre o sólido, o fluídico e o gasoso.

Agora, a Luz Astral não é uma substância universalmente difundida, mas pertence à nossa terra e a todos os outros corpos do sistema no mesmo plano de matéria que ela. Nossa Luz Astral é, por assim dizer, o Liṅga-Śarīra da nossa terra; somente que, em vez de ser seu protótipo primordial, como no caso da nossa Chhāyā, ou Duplo, ela é o inverso.

Enquanto os corpos humano e animal crescem e se desenvolvem no modelo de seus Duplos antetípicos, é a Luz Astral que nasce das emanações terrenas, cresce e se desenvolve após seu pai prototipal, e reflete tudo invertido em sua onda traiçoeira (tanto dos planos superiores quanto de seu plano sólido inferior, a terra). Daí a confusão de suas cores e sons na percepção e clariaudiência do sensitivo que confia em seus registros––seja esse sensitivo um Haṭha-Yogi ou um médium.

O paralelo entre as Tabelas Esotérica e Tāntra dos Tattvas em relação a Sons e Cores mostra isso muito claramente na tabela anexa.

Tal é, então, a ciência oculta sobre a qual os ascetas modernos e os Yogis da Índia baseiam o desenvolvimento de sua alma e seus poderes. Eles são conhecidos como Haṭha-Yogis.

Agora, a ciência do Haṭha-Yoga baseia-se na “supressão da respiração”, ou Prāṇāyāma, exercício ao qual nossos Mestres se opõem unanimemente.

Pois o que é Prāṇāyāma? Traduzido literalmente, significa a “morte da respiração (vital)”. Prāṇa, como foi dito, não é Jīva, a fonte eterna da vida imortal, nem está conectado de qualquer forma com Praṇava, como alguns pensam, pois Praṇava é um sinônimo de AUM em sentido místico.

Tudo o que foi ensinado pública e claramente sobre isso encontra-se em “Nature’s Finer Forces”. Se tais instruções, no entanto, forem seguidas, só podem levar à magia negra e à mediunidade.

Vários chelas impacientes, que conhecemos pessoalmente na Índia, dedicaram-se à prática do Haṭha-Yoga, apesar de nossos avisos.

Desses, dois desenvolveram tuberculose, dos quais um morreu; os outros tornaram-se quase idiotas; outro cometeu suicídio; e um desenvolveu-se em um Tāntrika regular, um mago negro, mas sua carreira, felizmente para ele, foi interrompida pela morte.

A ciência dos cinco sopros – o úmido, o ígneo, o aéreo, etc., etc. – tem um significado duplo e duas aplicações.

Pelos Tāntrikas é aceita literalmente, como relacionada à regulação da respiração vital e pulmonar, mas pelos antigos Rāja-Yogis como referindo-se ao sopro mental ou da “vontade”, que sozinho conduz aos mais elevados poderes clarividentes, à função do Terceiro Olho e à aquisição dos verdadeiros poderes ocultos do Rāja-Yoga.

A diferença entre os dois é enorme.

Os primeiros, como foi mostrado, usam os cinco Tattvas inferiores; os últimos começam usando apenas os três superiores – para o desenvolvimento mental e da vontade – e o resto somente quando dominaram completamente os três; portanto, usam apenas um (Ākāśa Tattva) dos cinco Tāntricos.

Como bem dito na obra acima mencionada, “Tattvas são as modificações de Svara”. Ora, Svara é a raiz de todo som, o substrato da música pitagórica das esferas, sendo Svara aquilo que está além do espírito, na acepção moderna da palavra – o espírito do espírito, ou, como foi muito apropriadamente traduzido, a “corrente da onda de vida”, a emanação da Vida Una.

O Grande Sopro mencionado no Volume I de *A Doutrina Secreta* é ĀTMAN, cuja etimologia é “movimento eterno”. Ora, enquanto o chela asceta de nossa escola segue cuidadosamente, para seu desenvolvimento mental, o processo da evolução do Universo, isto é, procede dos universais aos particulares, o Haṭha-Yogi inverte as condições e começa sentando-se para a supressão de sua respiração (vital).

E se, como ensina a filosofia hindu, no início da evolução cósmica, “Svara lançou-se na forma de Ākāśa”, e daí sucessivamente nas formas de Vāyu (ar), Agni (fogo), Āpas (água) e Pṛithivī (matéria sólida), então é lógico que temos de começar pelos –––––––––– Ver *The Theosophist*, Vol.

IX, fevereiro de 1888, p. 276. –––––––––– Tattvas superiores e suprassensíveis.


O Rāja-Yogi não desce aos planos da substância além de Sūkshma (matéria sutil); enquanto o Haṭha-Yogi desenvolve e usa seus poderes apenas no plano material.

Uma boa prova disso encontra-se no fato de que o Tāntrika localiza os três “Nāḍīs” (Sushumnā, Idā e Piṅgalā) na medula oblonga, cuja linha central ele chama de Sushumnā, e as divisões direita e esquerda, Piṅgalā e Idā––e também no coração, às divisões do qual ele aplica os mesmos nomes.

A escola Trans-Himalaica, dos antigos Rāja-Yogis da Índia, com a qual os yogis modernos da Índia têm pouco a ver, localiza Sushumnā, a principal sede desses três Nāḍīs, no tubo central da medula espinhal, e Idā e Piṅgalā em seus lados esquerdo e direito.

Sushumnā é o Brahmadaṇḍa. É esse tubo (dos dois ao longo da medula espinhal) cujo uso a fisiologia não conhece mais do que conhece o baço e a glândula pineal.

Idā e Piṅgalā são simplesmente o sustenido e o bemol daquele Fá (da natureza humana), a nota fundamental e a tecla média na escala da harmonia setenária dos princípios––que, quando tocadas de maneira adequada, despertam os sentinelas de ambos os lados, o Manas espiritual e o Kāma físico, e subjugam o inferior através do superior.

Mas esse efeito tem de ser produzido pelo exercício da força de vontade, não pela supressão científica ou treinada da respiração.

Faça uma secção transversal da medula espinhal, e você encontrará que as partes sombreadas mostram secções através do tubo, cujo um lado transmite as ordens volitivas, e o outro uma corrente vital de Jīva––não de Prāṇa––enviada para animar as extremidades inferiores do homem––durante o que é chamado Samādhi e estados afins.

Aquele que estudou ambos os sistemas, o Haṭha e o Rāja-Yoga, encontra uma diferença enorme entre os dois: um é puramente psico-fisiológico, o outro puramente psico-espiritual.

Os Tāntrikas não parecem ir além dos seis plexos visíveis e conhecidos, com cada um dos quais eles conectam os Tattvas; e a grande ênfase que eles colocam no principal deles, o Mūladhāra Chakra (o plexo sacral), mostra a tendência material e egoísta de seus esforços para a aquisição de poderes.

Seus cinco Sopros e cinco Tattvas estão principalmente relacionados aos plexos prostático, epigástrico, cardíaco e laríngeo.

Quase ignorando o Agneya, eles são positivamente ignorantes do plexo faríngeo sintetizador.

Mas com os seguidores da escola antiga é diferente.

Começamos com o domínio daquele órgão que está situado na base do cérebro, na faringe, e chamado pelos anatomistas ocidentais de Corpo Pituitário.

Na série dos órgãos cranianos objetivos, correspondentes aos princípios Tattvicos subjetivos, ele está para o "Terceiro Olho" (Glândula Pineal) assim como Manas está para Buddhi; o despertar e a ativação do Terceiro Olho deve ser realizado por esse órgão vascular, esse pequeno corpo insignificante,

INSTRUÇÃO E.S. Nº III

do qual, mais uma vez, a fisiologia nada sabe.

Um é o Energizador da VONTADE, o outro o da Percepção Clarividente.

Aqueles entre os estudantes da E.S.T. que são médicos, fisiologistas, etc., me compreenderão melhor do que os demais na explicação seguinte.

Agora, quanto às funções da Glândula Pineal, ou Conário, e do Corpo Pituitário, não encontramos explicações concedidas pelas autoridades padrão.

De fato, ao examinar as obras dos maiores especialistas, é curioso observar quanta ignorância confusa sobre a economia vital humana, tanto fisiológica quanto psicológica, é abertamente confessada.

Na verdade, o seguinte é tudo o que pode ser colhido das autoridades sobre esses dois órgãos importantes.

(1) A Glândula Pineal, ou Conário, é um corpo oblongo e arredondado, de três a quatro linhas de comprimento, de um cinza-avermelhado profundo, conectado com a parte posterior do terceiro ventrículo do cérebro.

Está fixada em sua base por dois finos cordões medulares, que divergem para frente em direção aos Tálamos Ópticos (ou gânglios cerebrais posteriores). Lembre-se de que estes últimos são considerados pelos melhores fisiologistas como os órgãos de recepção e condensação das mais sensíveis e sensoriais incitações provenientes da periferia do corpo (segundo o Ocultismo, da periferia do Ovo Áurico, que é nosso ponto de comunicação com os Planos superiores e universais). Somos ainda informados de que as "duas bandas dos Tálamos Ópticos, que se infletem para se encontrarem, unem-se na linha mediana, onde se tornam os dois Pedúnculos da Glândula Pineal."      (2) A Glândula Pituitária, ou Hipófise Cerebral, é um pequeno e duro corpo com cerca de seis linhas de largura, três de comprimento e três de altura.

É sempre formada por um lobo anterior em forma de feijão e um lobo posterior mais arredondado, que estão uniformemente unidos.

Seus componentes, somos informados, são quase idênticos aos da Glândula Pineal; contudo, nenhuma conexão mínima pode ser traçada entre as duas.

A isso, no entanto, os Ocultistas fazem objeção; eles sabem que há uma conexão, e isso até mesmo anatômica e fisicamente.

Os dissecadores, por outro lado, têm de lidar com cadáveres; e, como eles próprios admitem, a matéria cerebral, de todos os tecidos e órgãos, é a que mais rapidamente colapsa e muda de forma – na verdade, poucos minutos após a morte.

Quando, então, a vida pulsante que expandia a massa do cérebro, preenchia todas as suas cavidades e energizava todos os seus órgãos, desaparece, a massa cerebral se contrai em uma espécie de estado pastoso, e passagens outrora abertas tornam-se fechadas.

Mas a contração e até mesmo a intermistura de partes nesse processo de encolhimento, e o subsequente estado pastoso do cérebro morto, não implicam que não haja conexão entre essas duas glândulas antes da morte.

De fato, como o Professor Owen demonstrou, uma conexão tão objetiva quanto um sulco e um tubo existe nos crânios do feto humano e de certos peixes.

Quando um homem está em sua condição normal, o Adepto introspectivo pode ver a Aura dourada pulsando em ambas as glândulas, uma pulsação que, como a do coração, nunca cessa ao longo da vida.


Esse movimento, no entanto, sob a condição anormal de esforço para desenvolver faculdades clarividentes, torna-se intensificado, e a Aura assume uma ação vibratória e pulsante ou oscilante mais forte.

O arco (da Glândula Pituitária) ascende cada vez mais em direção à Glândula Pineal, até que finalmente a corrente o atinge, exatamente como quando a corrente elétrica atinge algum objeto sólido, o órgão adormecido é despertado e se torna todo incandescente com o puro Fogo Akáshico.

Esta é a ilustração psicofisiológica de dois órgãos no plano físico, que são os símbolos concretos e representam, respectivamente, os conceitos metafísicos denominados Manas e Buddhi.

Este último, para se tornar consciente neste plano, necessita do fogo mais diferenciado de Manas; porém, uma vez que o sexto sentido tenha despertado o sétimo, a luz que dele irradia ilumina os campos do infinito: por um breve espaço de tempo, o homem torna-se onisciente; o Passado e o Futuro, o Espaço e o Tempo, desaparecem e tornam-se para ele o Presente.

Se for um Adepto, ele armazenará esse conhecimento assim adquirido em sua memória física, e nada — exceto o crime de se entregar à Magia Negra — poderá obliterar a lembrança disso. Se for apenas um Chela, apenas porções da verdade total se imprimirão em sua memória, e ele terá que repetir o processo por anos, jamais permitindo que uma única partícula de impureza o macule mental ou fisicamente, antes de se tornar um Adepto plenamente iniciado.

Pode parecer estranho, quase incompreensível, que o principal êxito na Gupta-Vidyā, ou Conhecimento Oculto, dependa de tais lampejos de clarividência, e que esta dependa, no homem, de duas excrescências insignificantes, quase imperceptíveis, em sua cavidade craniana, "duas verrugas córneas cobertas de areia cinzenta (acervulus cerebri)", como expressou Bichat em seu Traité d'Anatomie Descriptive; contudo, assim é. Mas essa areia não deve ser desprezada; na verdade, é somente esse marco da atividade interna e independente do Conário (Glândula Pineal) que impede os fisiologistas de classificá-lo entre os órgãos atrofiados absolutamente inúteis, relíquias de uma anatomia anterior e agora totalmente modificada do homem, durante algum período de sua evolução desconhecida.

Essa "areia" é muito misteriosa e desafia a investigação de todo materialista.

Na cavidade da superfície anterior dessa glândula, apenas em pessoas jovens, e em sua substância, em pessoas de idade avançada, encontra-se "uma substância amarelada, semitransparente, brilhante e dura, cujo diâmetro não excede meio milímetro". Tal é o acervulus cerebri –––––––––– S.T. von Sömmerring, De acervulo cerebri (1785), Vol.

III, p. 322. ––––––––––

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº III

Esta brilhante “areia” é a concreção da própria glândula, assim dizem os fisiologistas.

Talvez não, respondemos nós.

A Glândula Pineal é aquilo que o Ocultista Oriental chama de Devaksha, o “Olho Divino”, ou o “Terceiro Olho”. Até hoje, é o principal e mais importante órgão de espiritualidade no cérebro humano, a sede do gênio, o mágico Sésamo proferido pela Vontade purificada do místico, que abre todas as avenidas da verdade para aquele que sabe usá-lo. A Ciência Esotérica ensina que Manas, o Ego Mental, não realiza sua plena união com a criança antes dos seis ou sete anos de idade, período antes do qual, mesmo segundo o cânon da Igreja e da Lei, nenhuma criança é considerada responsável. Manas torna-se prisioneiro, uno com o corpo, somente nessa idade.

Ora, uma coisa estranha foi observada em vários milhares de casos pelo famoso anatomista alemão Wengel.

Com pouquíssimas exceções, esta “areia”, ou concreção de cor dourada, é encontrada apenas em sujeitos após a conclusão do sétimo ano de vida; e está ausente na cabeça de crianças com menos de seis anos.

No caso dos tolos, estes cálculos são muito poucos; em idiotas congênitos, estão completamente ausentes.

Morgagni, Greding e Günz foram homens sábios em sua geração, e são sábios até hoje, pois são os únicos fisiologistas, até agora, que conectam estes cálculos à mente.

Pois, somando os fatos — que estão ausentes em crianças pequenas, em pessoas muito idosas e em idiotas — a conclusão inevitável será que devem estar conectados à mente.

Ora, uma vez que todo átomo mineral, vegetal e de outra natureza é apenas uma concreção de Espírito cristalizado, ou Ākāśa, a Alma Universal, por que, pergunta o Ocultismo, o fato de estas concreções da Glândula Pineal serem, após análise, compostas de matéria animal, fosfato de cal e carbonato, serviria como objeção à afirmação de que são o resultado do trabalho da eletricidade mental sobre a matéria circundante? Nossos sete Chakras estão todos situados na cabeça, e são estes Chakras Mestres que governam e regem os sete (pois há sete) plexos principais do corpo, e os quarenta e dois menores aos quais a Fisiologia recusa esse nome.

O fato de nenhum microscópio poder detectar tais centros no plano objetivo nada significa; nenhum microscópio jamais detectou, nem jamais detectará, a diferença entre os tubos nervosos “motores” e “sensoriais”, os condutores de todas as nossas sensações corporais e psíquicas; e, no entanto, somente a lógica fisiológica mostraria que tal diferença

––––––––––      Na Igreja Grega Oriental, nenhuma criança é autorizada a ir à confissão antes dos sete anos de idade, após o que é considerada ter alcançado a idade da razão.

 G. B. Morgagni, De sedibus, et causis morborum, etc., Vol. XII.

 J. E. Greding, Adversaria medica practica.

 J. G. Günz, Prolusio capillos glandulae pinealis in quinque mente alienatis proponit, Lipsiae, 1753. –––––––––– existe.


E se o termo plexo, nesta aplicação, não representa para a mente ocidental a ideia transmitida pelo termo do anatomista, então chame-os de Chakras ou Padmas, ou as Rodas, os Corações de Lótus e as Pétalas.

Lembre-se de que a Fisiologia, por mais imperfeita que seja, mostra grupos septenários por todo o exterior e interior do corpo; os sete orifícios da cabeça, os sete “órgãos” na base do cérebro, os sete plexos (o faríngeo, laríngeo, cavernoso, cardíaco, epigástrico, prostático e o plexo sacral), etc., etc.

Quando chegar o momento, os membros da E.S.T. receberão os detalhes minuciosos sobre os Chakras Mestres e serão ensinados a usá-los; até lá, assuntos menos difíceis devem ser aprendidos.

Se perguntado se os sete plexos, ou centros tátvicos de ação, são os centros onde os sete raios do Logos vibram, respondo afirmativamente, simplesmente observando que os raios do Logos vibram em cada átomo, aliás.

Em A Doutrina Secreta, é quase revelado que os “Filhos de Fohat” são as forças personificadas conhecidas, de modo geral, como Movimento, Som, Calor, Luz, Coesão, Fluido Elétrico (ou Eletricidade) e Força Nervosa (ou Magnetismo). Essa verdade, no entanto, não pode ensinar o estudante a sintonizar e moderar a Kundaliní do plano Cósmico com a Kundaliní vital, o Fluido Elétrico com as Forças Nervosas, e a menos que ele o faça, com certeza se matará; pois uma viaja a uma velocidade de cerca de 90, e a outra a uma velocidade de 115 léguas por segundo.

As sete Śaktis, respectivamente chamadas Para Śakti, Jnāna-Śakti, etc., etc., são sinônimos dos “Filhos de Fohat”, pois são seus aspectos femininos.

Na etapa atual, contudo, como seus nomes apenas confundiriam o estudante ocidental, é melhor lembrar os equivalentes ingleses conforme traduzidos acima.

Como cada força é septenária, sua soma é, naturalmente, quarenta e nove.

A questão ora debatida na Ciência, se um som é capaz de evocar impressões de luz e cor além de suas impressões sonoras naturais, foi respondida pela Ciência Oculta há eras.

Todo impulso ou vibração de um objeto físico que produz certa vibração do ar – isto é, causando a colisão de partículas físicas, cujo som é capaz de afetar o ouvido – produz ao mesmo tempo um lampejo correspondente de luz, que assumirá alguma cor particular.

Pois, no reino das Forças ocultas, um som audível é apenas uma cor subjetiva; e uma cor perceptível, apenas um som inaudível; ambos procedem da mesma substância potencial, que os físicos costumavam chamar de éter, e agora se referem a ela sob vários outros nomes; mas que chamamos de ESPAÇO plástico, embora invisível.

Isso pode parecer uma hipótese paradoxal, mas os fatos estão aí para prová-la. A surdez completa, por exemplo, não impede a possibilidade de discernir sons; e

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº III

a ciência médica tem vários casos registrados que provam que esses sons são recebidos e transmitidos ao órgão visual do paciente, através da mente, sob a forma de impressões cromáticas coloridas.

O próprio fato de que os tons intermediários da escala musical cromática eram antigamente escritos em cores mostra uma reminiscência inconsciente do antigo ensinamento oculto de que cor e som são dois dos sete aspectos correlativos, em nosso plano, de uma mesma coisa, a saber,

a primeira Substância diferenciada da Natureza.

Eis um exemplo das relações da cor com a vibração bem digno da atenção dos Ocultistas.

Não apenas Adeptos e Chelas avançados, mas também a ordem inferior de psíquicos, como clarividentes e psicometristas, podem perceber uma Aura psíquica de várias cores ao redor de cada indivíduo, correspondendo ao temperamento da pessoa dentro dela. Em outras palavras, os registros misteriosos dentro do Ovo Áurico não são herança apenas de Adeptos treinados, mas às vezes também de psíquicos naturais.

Toda paixão humana, todo pensamento e qualidade, é indicado na Aura por cores e matizes correspondentes, e certos deles são percebidos e sentidos, mais do que vistos.

Os melhores desses psíquicos, como demonstrado por Galton, também podem perceber cores produzidas pelas vibrações de instrumentos musicais, cada nota sugerindo uma cor diferente.

Assim como uma corda vibra e emite uma nota audível, os nervos do corpo humano vibram e estremecem em correspondência com várias emoções sob o impulso geral da vitalidade circulante do Prāṇa, produzindo assim ondulações na Aura psíquica da pessoa, o que resulta em efeitos cromáticos.

O sistema nervoso humano como um todo, então, pode ser considerado uma Harpa Eólia, respondendo ao impacto da força vital (que não é uma abstração, mas uma realidade dinâmica) e manifesta os matizes mais sutis do caráter individual em fenômenos cromáticos.

Se essas vibrações nervosas forem intensificadas o suficiente e colocadas em relação vibratória com um elemento astral, o resultado é––som.

Como, então, alguém pode duvidar da relação entre as forças microcósmicas e macrocósmicas? E agora que mostrei que as obras tântricas, conforme explicadas por Rāma Prasad, e outros tratados de Yoga do mesmo caráter que têm aparecido de tempos em tempos em periódicos teosóficos––pois note bem que aqueles do verdadeiro Rāja-Yoga nunca são publicados––tendem à Magia Negra e são muito perigosos para serem tomados como guias no autotreinamento, espero que os Esoteristas americanos estejam em guarda.

Pois, considerando que nenhuma duas autoridades até os dias atuais concordam quanto à localização real no corpo dos Chakras e Padmas, e, vendo que as cores dos Tattvas como dadas são invertidas, por exemplo:

(a) Ākāśa é mostrado preto ou incolor, enquanto, correspondendo a Manas, é índigo; (b) Vāyu é feito azul, enquanto, correspondendo ao Manas inferior, é verde;

(c) Āpas é feito branco, enquanto é violeta, a cor do Corpo Astral, com um substrato branco prateado, semelhante à lua; Tejas, vermelho, sendo a única cor dada corretamente––a partir de tais considerações, digo, é fácil ver que essas discordâncias são disfarces perigosos.

Além disso, a prática dos Cinco Sopros resulta em dano mortal, tanto fisiológica quanto psiquicamente, como já foi mostrado.

É de fato aquilo que é chamado, Prāṇāyāma, ou a “morte do sopro,” pois resulta, para o praticante, em morte––em morte moral sempre, e em morte física muito frequentemente.

––––––––––

DISFARCES EXOTÉRICOS E “A MORTE DA ALMA”

Como corolário disso, e antes de adentrar em ensinamentos ainda mais abstrusos, devo resgatar a promessa que já vos fiz em minha última carta.

Tenho de ilustrar, por meio de doutrinas que já conheceis, a terrível doutrina da aniquilação pessoal.

Bani de vossas mentes tudo o que até agora haveis lido e pensado haver compreendido, em obras como *Budismo Esotérico*, sobre hipóteses tais como a oitava esfera e a lua, e que o homem compartilha um ancestral comum com o macaco.

Mesmo os detalhes ocasionalmente divulgados por mim em *The Theosophist* e *Lucifer* não eram nada parecidos com a verdade completa, mas apenas amplas ideias gerais, mal tocadas em seus detalhes.

Certas passagens, contudo, fornecem indícios, especialmente minhas notas de rodapé aos artigos traduzidos das "Cartas sobre Magia" de Éliphas Lévi.      No entanto, a imortalidade pessoal é condicional, pois existe algo como o "homem sem alma", um ensinamento apenas mencionado, mas ainda assim tratado em *Ísis sem Véu*; e existe um Avichi, corretamente chamado de Inferno, embora não tenha conexão ou semelhança com o bom Inferno cristão, seja geográfica ou psiquicamente.

A verdade conhecida pelos Ocultistas e Adeptos de todas as épocas não poderia ser divulgada a um público promíscuo; portanto, embora quase todo mistério da filosofia oculta esteja meio oculto em *Ísis* e em *A Doutrina Secreta*, eu não tinha o direito de ampliar ou corrigir os detalhes do Sr. Sinnett.

Podeis agora comparar estes quatro volumes e especialmente *Budismo Esotérico* com os diagramas e explicações escritas nas Instruções, e ver por vós mesmos.

––––––––––       Ver "Pensamentos Avulsos sobre a Morte e Satanás" [Notas e Notas de Rodapé de H. P. B.], *The Theosophist*, Vol.

III, outubro de 1881, pp. 12-15 [*Collected Writings*, Vol.

III pp. 287-91]; também "Fragmentos de Verdade Oculta", *The Theosophist*, Vols.

III e IV       Volume II, pp. 368 e seguintes.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

Tenho, antes de tudo, de chamar vossa atenção para a Lâmina I. A numeração, como já vos foi dito, é exotérica, e deveis deixá-la de fora de vossos cálculos e considerações.

Mas examinai bem o Ovo Áurico, contendo a imagem do Microcosmo dentro do Macrocosmo, o Homem dentro do Universo, e procurai reter aquilo que agora tenho de revelar em todos os seus detalhes.

Encontrais aqui Paramātman, o Sol Espiritual, fora do Ovo Áurico humano, como também fora do Ovo Macrocrômico ou de Brahmā.

sombra pura, do Ego divino, introduz-se no cérebro e nos sentidos do feto uterino (ao completar seu sétimo mês), o Manas superior não se une à criança antes de completar os primeiros sete anos de sua vida.

Essa essência destacada, ou melhor, o reflexo ou sombra do Manas superior, torna-se, à medida que a criança cresce, um princípio pensante distinto no homem, cujo principal agente é o cérebro físico.

Não é de admirar que os materialistas, que percebem apenas essa "alma racional", ou mente, não a desvinculem do cérebro e da matéria.

Mas a filosofia oculta evoluiu [resolveu?], há eras, o problema da mente e descobriu a dualidade do Manas.

Olhe para a Lâmina; veja o Ego divino tendendo com sua ponta para cima em direção a Buddhi, e o Ego humano gravitando para baixo, imerso na matéria e conectado à sua metade subjetiva superior apenas por esse Antaskaraṇa. Você se lembrará do nome, pois é o elo de ligação durante a vida entre as duas mentes––a consciência superior do Ego e a inteligência humana da mente inferior.

Para compreender essa doutrina metafísica abstrusa plena e corretamente, é preciso estar profundamente imbuído de uma ideia que em vão tentei transmitir aos teósofos em geral, a saber, a grande verdade axiomática de que a única realidade eterna e viva é aquilo que os hindus chamam de Paramātman e Parabrahman.

Essa é a única Essência-Raiz sempre existente, imutável e incognoscível aos nossos sentidos físicos, mas manifesta e claramente perceptível às nossas naturezas espirituais.

Uma vez imbuído dessa ideia básica e da concepção adicional de que, se ela é onipresente, universal e eterna, como o próprio Espaço abstrato, devemos ter emanado dela e, algum dia, devemos retornar a ela, e todo o resto se torna fácil.

–––––––––– A essência do Ego divino é "chama pura", uma entidade à qual nada pode ser acrescentado e da qual nada pode ser subtraído; portanto, não pode ser diminuída nem mesmo por inúmeras mentes inferiores, destacadas dela como chamas de uma Chama.

Isto é em resposta a uma objeção de um esoterista que perguntou de onde provinha essa essência inesgotável de uma mesma Individualidade, que era chamada a fornecer um intelecto humano para cada nova personalidade na qual encarnava.

O cérebro, ou maquinaria pensante, não está apenas na cabeça e no crânio, mas, como todo fisiologista que não seja inteiramente materialista lhe dirá, cada órgão no homem — coração, fígado, pulmões, etc., até cada nervo e músculo — tem, por assim dizer, seu próprio cérebro distinto, ou aparato pensante.

Como nosso cérebro nada tem a ver com a orientação do trabalho coletivo e individual de cada órgão em nós, o que é que guia cada um tão infalivelmente em suas funções incessantes, que os faz lutar contra a doença, expulsá-la e agir, cada um deles, até o menor, não de modo mecânico, como alegam alguns materialistas (pois, ao menor distúrbio ou quebra, o relógio para), mas como uma entidade dotada de instinto? Dizer que é a Natureza é nada dizer, se não for uma falácia; pois a Natureza, afinal, é apenas um nome para essas mesmas funções, a soma das qualidades e atributos, físicos, mentais, etc., no universo e no homem, o total de agências e forças guiadas por leis inteligentes.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

Se assim é, então é lógico que vida e morte, bem e mal, passado e futuro, são todas palavras vazias, ou, na melhor das hipóteses, figuras de linguagem.

Se o próprio universo objetivo é apenas uma ilusão passageira devido ao seu começo e finitude, então tanto a vida quanto a morte também devem ser aspectos e ilusões.

São mudanças de estado, de fato, e nada mais.

A vida real está na consciência espiritual dessa vida, numa existência consciente no Espírito, não na Matéria; e a morte real é a percepção limitada da vida, a impossibilidade de sentir a existência consciente ou mesmo individual fora da forma, ou, pelo menos, de alguma forma de matéria.

Aqueles que sinceramente rejeitam a possibilidade de vida consciente separada da substância e de um cérebro — são unidades mortas.

As palavras de Paulo, um Iniciado, tornam-se compreensíveis.

“Estais mortos e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus”, o que quer dizer: Vós sois pessoalmente matéria morta, inconsciente de sua própria essência espiritual, e a vossa vida real está oculta com vosso Ego divino (Christos) em, ou fundida com, Deus (Ātman); agora ela se apartou de vós, pessoas sem alma. Falando em linhas esotéricas, toda pessoa irrevogavelmente materialista é um homem morto, um autômato vivo, apesar de ser dotada de grande poder cerebral.

Ouvi o que diz Āryāsaṅga, afirmando o mesmo fato: “Aquilo que não é nem Espírito nem Matéria, nem Luz nem Trevas, mas é verdadeiramente o continente e a raiz destes, isso tu és.”

A Raiz projeta a cada Aurora sua sombra sobre SI MESMA, e a essa sombra chamas de Luz e Vida, ó pobre forma morta.

(Esta) corrente de Vida-Luz flui para baixo através da escada dos sete mundos, a escada, da qual cada degrau se torna mais denso e mais escuro.

É desta escala de sete vezes sete que tu és o fiel escalador e espelho, ó pequeno homem! Tu és isto, mas não o sabes.”

Esta é a primeira lição a aprender.

A segunda é estudar bem e conhecer os princípios tanto do Kosmos quanto de nós mesmos, dividindo o grupo no permanente e no impermanente, no superior e imortal, e no inferior e mortal; pois somente assim podemos dominar e guiar o cósmico e pessoal inferior, e então o cósmico e impessoal superior.

Uma vez que possamos fazer isso, teremos assegurado nossa imortalidade.

Mas alguns podem dizer: “Quantos poucos são aqueles que podem fazê-lo! Todos esses são grandes Adeptos, e ninguém pode alcançar tal Adeptado em uma vida curta.” Concordo; mas há uma alternativa.

“Se não podes ser o Sol, então sê o humilde Planeta,” diz o Livro dos Preceitos Dourados.

E se mesmo isso está além do nosso alcance, então ao menos esforcemo-nos por permanecer dentro do raio de alguma estrela menor, para que sua luz prateada possa penetrar a escuridão turva, através da qual o caminho pedregoso da vida segue adiante; pois sem essa radiação divina corre-se o risco de perder mais do que se imagina.

Com relação, então, aos homens “sem alma” e à “segunda morte” da “Alma,” mencionados em Ísis sem Véu, ali encontrarás que eu ––––––––––        Colossenses, iii.

3.        Vol.

II, pp. 367-70. –––––––––– falei de tais pessoas sem alma, e mesmo de Avichi, embora deixe esta última sem nome.


Leia do último parágrafo da página 367 até o fim do primeiro parágrafo da página 370, e então compare o que ali está dito com o que tenho agora a dizer.

A tríade superior, Ātma-Buddhi-Manas, pode ser reconhecida desde as primeiras linhas da citação do papiro egípcio.

No Ritual (agora o Livro dos Mortos), a Alma purificada (o Manas dual) aparece como “a vítima da influência sombria do Dragão Apophis” (a personalidade física do homem Kāma-Rúpico, com suas paixões). Se ela alcançou o conhecimento final dos mistérios celestiais e infernais, a Gnōsis––os mistérios divinos e terrestres da Magia Branca e Negra––então a personalidade defunta “triunfará sobre seu inimigo”––a morte.

Isto alude ao caso de uma reunião completa, no fim da vida terrena, do Ego com seu Manas inferior, pleno da “‘colheita’ da vida”. Mas se “Apophis” conquista a “Alma”, então ela “não pode escapar de sua segunda morte”. Estas poucas linhas de um papiro, com muitos milhares de anos, contêm uma revelação inteira, conhecida, naqueles dias, apenas pelos Hierofantes e pelos Iniciados.

A “colheita da vida” consiste nas mais refinadas ideações espirituais, na memória dos atos mais nobres e mais altruístas da personalidade, e na presença constante, durante sua bem-aventurança após a morte, de todos aqueles que ela amou com devoção divina e espiritual. Lembrai-vos do ensinamento: A alma humana (Manas inferior) é o único e direto mediador entre a personalidade e o Ego divino.

Aquilo que contribui para formar nesta terra a personalidade (por nós erroneamente chamada de individualidade) é a soma de todos os seus traços característicos mentais, físicos e espirituais, que, sendo impressos na alma humana, produzem o homem.

Ora, de todas essas características, apenas as ideações purificadas podem ser impressas no Ego imortal superior.

Isso é feito pela “alma humana” fundindo-se novamente, em sua essência, em sua fonte parental, misturando-se com seu Ego divino durante a vida, e reunindo-se inteiramente com ele após a morte do homem físico.

Portanto, a menos que Kāma-Manas transmita a Buddhi-Manas tais ideações pessoais, e tal consciência de seu “eu” que possa ser assimilada pelo EGO divino, nada desse “eu” ou personalidade pode sobreviver no Eterno.

Somente aquilo que é digno do deus imortal dentro de nós, e idêntico em sua natureza à quintessência divina, pode sobreviver; pois, nesse caso, são as próprias “sombras” ou emanações do Ego divino que ascendem a ele e são por ele atraídas de volta a si mesmo, para se tornarem mais uma vez parte de sua própria Essência.

Nenhum pensamento nobre, nenhuma grande aspiração, desejo ou amor divino imortal pode chegar ao cérebro do homem de barro e ali se estabelecer, exceto como

––––––––––        Ver The Key to Theosophy, pp. 147 e seguintes.

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E. S. INSTRUCTION NO. III

uma emanação direta do superior para, e através do, Ego inferior; todo o resto, por mais intelectual que possa parecer, procede da “sombra”, da mente inferior, em sua associação e mistura com Kāma, e passa e desaparece para sempre.

Mas as ideações mentais e espirituais do “eu” pessoal retornam a ele, como partes da essência do Ego, e nunca podem se desvanecer.

Assim, da personalidade que foi, apenas suas experiências espirituais, a memória de tudo o que é bom e nobre, com a consciência de seu “eu”, mesclada com a de todos os outros “eus” pessoais que a precederam––sobrevivem e tornam-se imortais.

Não há imortalidade distinta ou separada para os homens da terra fora do EGO que os informou.

Esse Ego Superior é o único Portador de todos os seus alter egos na terra e seu único representante no estado mental chamado Devachan.

Como a última personalidade desencarnada, no entanto, tem direito ao seu próprio estado especial de bem-aventurança, sem mistura e livre das memórias de todas as outras, é apenas a última vida que é plenamente realista e vívida.

Devachan é frequentemente comparado ao dia mais feliz em uma série de muitos milhares de outros “dias” na vida de uma pessoa.

A intensidade de sua felicidade faz o homem esquecer completamente todos os outros; seu passado torna-se obliterado.

Isto é o que chamamos de Estado Devachânico e a recompensa da personalidade, e é sobre este antigo ensinamento que a vaga noção cristã de “Paraíso” foi construída, emprestada com muitas outras coisas dos Mistérios Egípcios, nos quais a doutrina era encenada.

E este é o significado da passagem citada em Ísis.

A Alma triunfou sobre Apófis, o Dragão da Carne.

Doravante, a personalidade viverá na eternidade, em seus elementos mais elevados e nobres, a memória de seus feitos passados, enquanto as “características” do “Dragão” se desvanecerão no Kāma-Loka.

Se a pergunta for feita: “Como viver na eternidade, quando Devachan dura apenas de 1000 a 2000 anos?” a resposta é: “Da mesma forma que a memória de cada dia que vale a pena recordar vive na memória de cada um de nós.” Para dar um exemplo, os dias passados em uma vida pessoal podem ser tomados por nós como uma ilustração de cada vida pessoal, e esta ou aquela pessoa pode representar o Ego divino.

Para obter a chave que abrirá a porta de muitos mistérios psicológicos, basta compreender e lembrar o que precede e o que segue.

Muitos espiritualistas ficaram terrivelmente indignados ao serem informados de que a imortalidade pessoal era condicional, e, no entanto, tal é o fato filosófico e lógico.

Muito já foi dito sobre o assunto, mas ninguém até hoje parece ter compreendido a doutrina.

Além disso, não basta saber que tal fato se diz existir.

Um Ocultista, ou aquele que deseja tornar-se um, deve saber por que isso é assim; pois tendo aprendido e compreendido a raison d'être, torna-se mais fácil corrigir os outros em suas especulações errôneas e, o mais importante de tudo, oferece-lhe uma oportunidade, sem dizer demais, de ensinar outras pessoas a evitar uma calamidade que, infelizmente, ocorre em nossa época quase diariamente.

Esta calamidade será agora explicada em detalhe.

Deve-se saber muito pouco dos modos orientais de expressão para não ver na passagem citada do Livro dos Mortos e nas páginas de Ísis referidas: (a) uma alegoria para os não iniciados, contendo nosso ensinamento esotérico; e (b) que os dois termos, "segunda morte" e "alma", são, em um sentido, véus.

"Alma" refere-se indiferentemente a Buddhi-Manas e Kāma-Manas.

Quanto ao termo "segunda morte", a qualificação "segunda" aplica-se a várias mortes que os "princípios" têm de sofrer durante sua encarnação, somente os Ocultistas compreendendo plenamente o sentido em que tal afirmação é feita.

Pois temos: (1) a morte do corpo; (2) a morte da Alma Animal em Kāma-Loka; (3) a morte do Astral (Liṅga-Śarīra), seguindo a do corpo; (4) a morte metafísica do Ego Superior, o imortal, toda vez que ele "cai na matéria", ou encarna em uma nova personalidade.

A Alma Animal, ou Manas Inferior, essa sombra do Ego divino que se separa dele para informar a personalidade (cujos detalhes do processo serão agora dados), não pode por nenhum meio possível escapar da morte em Kāma-Loka, pelo menos aquela porção desse reflexo que permanece como um resíduo terrestre e não pode ser impressa no Ego.

Assim, o principal e mais importante segredo com relação a essa "segunda morte", no ensinamento esotérico, foi e é até hoje a terrível possibilidade da morte da Alma, isto é, sua separação do Ego na terra durante a vida de uma pessoa.

Esta é uma morte real (embora com chances de ressurreição), que não mostra traços em uma pessoa e, no entanto, a deixa moralmente como um cadáver vivo.

É difícil ver por que esse ensinamento deveria ter sido preservado até agora com tanto segredo, quando, ao espalhá-lo entre as pessoas, pelo menos entre aquelas que acreditam na reencarnação, tanto bem poderia ser feito.

Mas assim foi, e eu não tinha o direito de questionar a sabedoria da proibição, mas o dei até agora, como me foi dado, sob compromisso de não revelá-lo ao mundo em geral.

Mas agora tenho permissão para transmiti-lo a todos, revelando seus princípios primeiramente aos Esoteristas; e, quando estes os tiverem assimilado por completo, será seu dever ensinar a outros este princípio especial da "segunda morte" e advertir todos os Teosofistas de seus perigos.

O compromisso de sigilo, portanto, não mais se estenderá sobre este único artigo isolado do credo esotérico.

Para tornar o ensinamento mais claro, aparentemente terei de percorrer terreno já conhecido; na realidade, porém, ele é apresentado com nova luz e novos

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

detalhes.

Tentei sugerir isso em *The Theosophist*, como fiz em *Isis*, mas não consegui me fazer compreendido.

Agora o explicarei, ponto por ponto.

––––––––––                        Obras Completas VOLUME XII                     A RAZÃO FILOSÓFICA DO PRINCÍPIO      (1) Imagine, para fins de ilustração, a única Essência homogênea, absoluta e onipresente, acima do degrau superior da "escada dos sete planos dos mundos", pronta para iniciar sua jornada evolutiva.

À medida que seu reflexo correlato desce gradualmente, ele se diferencia e se transforma em matéria subjetiva e, finalmente, em matéria objetiva.

Chamemo-la, em seu polo norte, de Luz Absoluta; em seu polo sul (que, para nós, seria o quarto ou degrau do meio, ou plano, contando em qualquer direção), nós a conhecemos esotericamente como a Vida Una e Universal.

Agora observe a diferença.

Acima, LUZ; abaixo, Vida.

A primeira é sempre imutável; a última manifesta-se sob os aspectos de inúmeras diferenciações.

De acordo com a lei oculta, todas as potencialidades contidas no superior tornam-se reflexos diferenciados no inferior; e, de acordo com a mesma lei, nada que é diferenciado pode ser mesclado com o homogêneo.

Tampouco pode perdurar algo daquilo que vive, respira e tem seu ser nas ondas fervilhantes do mundo, ou plano da diferenciação.

Assim, Buddhi e Manas, sendo ambos raios primordiais da Única Chama — o primeiro o veículo (upādhi ou vāhana) da única Essência eterna, o segundo o veículo de Mahat ou Ideação Divina (Mahā-Buddhi nos Purāṇas), a Alma Inteligente Universal — nenhum deles, como tal, pode extinguir-se ou ser aniquilado, seja em essência, seja em consciência.

Mas a personalidade física, com seu Liṅga-Śarīra, e a alma animal, com seu Kāma, podem e de fato se extinguem. Elas nascem no reino da ilusão e devem desaparecer como uma nuvem lanosa do céu azul e eterno.

Aquele que leu A Doutrina Secreta com qualquer grau de atenção deve conhecer a origem dos Egos humanos, chamados genericamente de Mônadas, e o que eles eram antes de serem forçados a encarnar no animal humano.

Os seres divinos que o Karma conduziu a atuar no drama da vida manvantárica são entidades de mundos e planetas superiores e mais antigos, cujo Karma não se havia esgotado quando seu mundo entrou em Pralaya.

Tal é o ensinamento; mas seja assim ou não, os Egos Superiores são — em comparação com tais formas de lodo terrestre transitório como nós — Seres Divinos, Deuses, imortais durante todo o Mahāmanvantara, ou os 311.040.000.000.000 de anos durante os quais

––––––––––      Kāma-Rūpa, o veículo do Manas inferior, diz-se que habita no cérebro físico, nos cinco sentidos físicos e em todos os órgãos sensoriais do corpo físico.

–––––––––– dura a Era de Brahmā.


E assim como os Egos Divinos, para se tornarem novamente a Essência Una, ou serem atraídos de volta ao AUM Universal, têm de se purificar no fogo do sofrimento e da experiência individual, também os Egos terrestres, as personalidades, têm de fazer o mesmo, se quiserem participar da imortalidade dos Egos Superiores.

Isso podem alcançar esmagando em si mesmos tudo o que beneficia a natureza pessoal inferior de seus "eus" e aspirando a transfundir seu princípio Kâmico pensante no do Ego Superior.

Nós (isto é, nossas personalidades) nos tornamos imortais pelo simples fato de nossa natureza moral e pensante ser enxertada em nossa divina Mônada trina (Ātma-Buddhi-Manas), os três em um e um em três (aspectos). Pois a Mônada manifestada na terra pelo Ego encarnante é o que se chama a Árvore da Vida Eterna, que só pode ser abordada comendo-se o fruto do Conhecimento, o Conhecimento do Bem e do Mal, ou da GNŌSIS, Sabedoria Divina.

Nos ensinamentos exotéricos, esse Ego é o quinto princípio no homem.

Mas o estudante que leu e compreendeu as duas primeiras Instruções sabe algo mais.

Ele está ciente de que o sétimo não é um princípio humano, mas um princípio universal do qual o homem participa; mas assim também participam igualmente todo átomo físico e subjetivo, e também toda folha de grama e tudo o que vive ou está no Espaço, quer tenha consciência disso ou não.

Ele sabe, além disso, que se o homem está mais intimamente ligado a ela, e a assimila com um poder cem vezes maior, é simplesmente porque é dotado da mais elevada consciência desta terra; que o homem, em suma, pode tornar-se um Espírito, um Deva ou um Deus na sua próxima transformação, ao passo que nem uma pedra, nem um vegetal, nem um animal o podem fazer antes de se tornarem homens na sua devida vez.

(2) Ora, quais são as funções de Buddhi? Neste plano ela não tem nenhuma, a menos que esteja unida a Manas, o Ego Consciente.

Buddhi está para a Essência-Raiz divina na mesma relação que Mūlaprakriti para Parabrahman, na Escola Vedānta; ou como Alaya, a Alma Universal, para o único Espírito Eterno, ou aquilo que está além do Espírito.

É o seu veículo humano, a um passo daquele Absoluto que não pode ter relação alguma com o finito e o condicionado.

(3) O que é, ainda, Manas e as suas funções? No seu aspecto puramente metafísico, Manas, estando novamente a um passo (no plano descendente) de Buddhi, é ainda tão imensuravelmente superior ao homem físico, que não pode entrar em relação direta com a personalidade, exceto através do seu reflexo, a mente inferior.

Manas é a Autoconsciência Espiritual, em si mesma, e a Consciência Divina quando unida a Buddhi, que é o verdadeiro "produtor" dessa "produção" (vikāra), ou Autoconsciência, através de Mahat.

Buddhi-Manas, portanto, é totalmente inadequado para se manifestar durante as suas encarnações periódicas, exceto através da mente humana, ou Manas inferior.

Ambos estão ligados e são inseparáveis,

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

e podem ter tão pouco a ver com os Tanmātras inferiores (átomos rudimentares) como o homogêneo com o heterogêneo.

É, portanto, a tarefa do Manas inferior, ou personalidade pensante, se quiser fundir-se com o seu Deus, o Ego divino, dissipar e paralisar os Tanmātras, ou propriedades da forma material.

Portanto, Manas é mostrado duplo, como o Ego e a Mente do homem.

É o Kāma-Manas, ou Ego inferior, que, iludido por uma noção de existência independente, como o "produtor" por sua vez e o Soberano dos cinco Tanmātras, torna-se o Ego-ísmo, o Eu egoísta, caso em que deve ser considerado como Mahābhútico e finito, no sentido de estar conectado com Ahamkāra, a faculdade pessoal "criadora do eu".

Portanto, “Manas tem de ser considerado como eterno e não-eterno; eterno em sua natureza atômica (paramanu-rūpa), como substância eterna (dravya), finito (kārya-rūpa), quando ligado como uma díade com Kāma (desejo animal ou volição egoísta humana), uma produção inferior, em suma.” Nisto apenas repito o que escrevi em agosto de 1883, em resposta a um crítico em The Theosophist, num artigo intitulado “O Real e o Irreal”. Portanto, enquanto o EGO INDIVIDUAL, devido à sua essência e natureza, é imortal por toda a eternidade, com uma forma (rūpa) que prevalece durante todo o ciclo de vida da Quarta Ronda, o seu Sosie, ou semelhança, o ego pessoal, tem de conquistar a sua imortalidade.

(4) AntaskaraŠa é o nome dessa ponte imaginária, o caminho que se encontra entre os Egos divino e humano, pois eles são Egos, durante a vida humana, para voltarem a tornar-se um só Ego em Devachan ou NirvāŠa. Isto pode parecer difícil de entender, mas na realidade, com a ajuda de uma ilustração familiar embora fantasiosa, torna-se bastante simples.

Imaginemos uma lâmpada brilhante no meio de uma sala, projetando a sua luz sobre a parede sólida de gesso.

Que a lâmpada represente o Ego divino, e a luz projetada na parede o Manas inferior, e que a parede represente o corpo.

A atmosfera que transmite o raio da lâmpada para a parede representará então, na nossa analogia, o AntaskaraŠa. Devemos ainda supor que a luz assim transmitida é dotada de razão e inteligência, e possui, além disso, a faculdade de dissipar todas as sombras malignas que atravessam a parede, e de atrair para si o brilho, recebendo as suas impressões indeléveis.

Ora, está no poder do Ego humano afastar as sombras (pecados) e multiplicar o brilho (boas ações) que produzem essas impressões,

––––––––––       Tanmātra significa forma sutil e rudimentar, o tipo grosseiro dos elementos mais finos.

Os cinco Tanmātras são realmente as propriedades ou qualidades características da matéria, como de todos os elementos; o verdadeiro espírito da palavra é “algo” ou “meramente transcendental”, no sentido de propriedades ou qualidades.

 The Theosophist, Vol.

IV, agosto de 1883: “O Real e o Irreal”, p. 268, nota de rodapé.

[Cf. Collected Writings, Vol.

V, p. 80, nota de rodapé.] –––––––––– e assim, através do AntaskaraŠa, assegurar a sua própria conexão permanente, e a sua reunião final com o Ego divino.


Lembre-se de que esta última não pode ocorrer enquanto permanecer uma única mácula do terrestre, ou da matéria, na pureza dessa luz.

Por outro lado, a conexão nunca pode ser rompida, e a reunião final impedida, enquanto restar uma única ação espiritual, ou potencialidade, que sirva como fio de união; mas no momento em que esta última centelha se extingue, e a última potencialidade se esgota, então vem a separação.

Numa parábola oriental, o Ego divino é comparado ao Mestre que envia seus trabalhadores para lavrar o solo e colher a safra, e que se contenta em manter o campo enquanto este puder produzir ainda o menor retorno.

Mas quando o solo se torna realmente estéril, não só é abandonado, como também o trabalhador (o Manas inferior) perece.

Por outro lado, contudo, ainda usando nossa comparação, quando a luz projetada na parede, ou o Ego humano racional, atinge o ponto de exaustão espiritual real, o AntaskaraŠa desaparece, a luz não é mais transmitida, e a lâmpada torna-se inexistente para ele. A luz que foi absorvida gradualmente desaparece e ocorre o "eclipse da alma"; o ser vive na Terra e então passa para o Kāma-Loka como um mero aglomerado sobrevivente de qualidades materiais; nunca pode passar para fora em direção ao Devachan, mas renasce imediatamente, um animal humano e flagelo.

Que "Jack, o Estripador" sirva como tipo.

Esta comparação, por mais fantástica que seja, ajudará a apreender a ideia correta.

Exceto através da fusão da natureza moral com o Ego divino, não há imortalidade para o Ego pessoal.

É somente aquilo que é afim às emanações mais espirituais da alma humana pessoal que sobrevive.

Tendo, durante uma vida, sido imbuída da noção e do sentimento do "eu-sou-eu" de sua personalidade, a alma humana, portadora da própria essência das ações kármicas do homem físico, torna-se, após a morte deste, parte integrante da Chama divina (o Ego). Torna-se imortal pelo simples fato de estar agora fortemente enxertada na Mônada, que é a "Árvore da Vida Eterna." E agora devemos falar do princípio da "segunda morte". O que acontece à alma kâmica humana, sempre a de um homem depravado e perverso ou de uma pessoa sem alma? Este mistério será agora explicado.

A "alma" pessoal neste caso––viz.

Naquele que nunca tem um pensamento desconectado do eu animal, não tendo nada a transmitir ao Superior, nem a acrescentar à soma das experiências de encarnações passadas que sua memória deve preservar por toda a eternidade––essa alma pessoal torna-se separada do Ego.

Ela não pode enxertar nada de Si naquele tronco eterno cuja seiva lança milhões de personalidades, como tantas folhas de seus ramos, folhas que murcham, morrem e caem ao fim de sua estação.

Essas personalidades brotam, florescem

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

e expiram, algumas sem deixar vestígio, outras após mesclarem sua própria vida com a do tronco progenitor.

São as "almas" da primeira classe que estão condenadas à aniquilação, ou Avichi, um estado tão incorretamente compreendido e ainda pior descrito por alguns escritores teosóficos, mas que, de fato, não está apenas localizado em nossa terra, mas é esta própria terra.

Assim vemos que o Antaskaraṇa foi destruído antes que o homem inferior tivesse oportunidade de assimilar o Superior e tornar-se uno com ele; e, portanto, a "Alma" Kâmica torna-se uma entidade separada, para viver daí em diante––por um período curto ou longo, de acordo com seu Karma––como uma criatura "sem alma".

Mas antes de elaborar esta questão, devo explicar mais claramente o significado e as funções do Antaskaraṇa. Como já foi dito, ele é representado na Lâmina I como uma estreita faixa conectando o Manas superior e o inferior.

Se você consultar o Glossário de A Voz do Silêncio, pp. 88 e 89, verá que ele é uma projeção do Manas inferior, ou, antes, o elo entre este e o Ego superior, ou entre a alma humana e a divina ou espiritual. "Na morte, ele é destruído como caminho, ou meio de comunicação, e seus restos sobrevivem como Kāma-Rūpa"––a "casca". É isso que os espiritualistas às vezes veem aparecer nas salas de sessão como "formas" materializadas, que eles tolamente confundem com os "Espíritos dos Falecidos". Tão longe está isso de ser o caso que, nos sonhos, embora o Antaskaraṇa esteja presente, a personalidade está apenas meio desperta; portanto, diz-se que o Antaskaraṇa está embriagado ou insano durante nosso estado normal de sono.

Se tal é o caso durante a morte periódica (sono) do corpo vivo, pode-se julgar o que a consciência do Antaskaraṇa se torna quando foi transformada após o "sono eterno" em Kāma-Rūpa. Mas voltemos.

Para não confundir a mente do estudante com as difíceis abstrações da metafísica indiana, que ele considere o Manas inferior, ou Mente, como o Ego pessoal durante o estado de vigília, e como Antaskaraṇa apenas naqueles momentos em que anseia pela sua metade superior, tornando-se assim o meio de comunicação entre os dois.

É por essa razão que é chamado de "Caminho". Ora, quando um membro ou órgão pertencente ao organismo físico humano é deixado em desuso, ele se enfraquece e finalmente atrofia; assim também acontece com qualquer

––––––––––        Como o autor de *Esoteric Buddhism* e *The Occult World* chamou Manas de Alma Humana, e Buddhi de Alma Espiritual, deixei esses termos inalterados em *The Voice*, visto que era um livro destinado ao público.

 Nos ensinamentos exotéricos do Rāja-Yoga, Antaskaraṇa é chamado de órgão interno de percepção, e é dividido em quatro partes: o Manas (inferior), Buddhi (razão), Ahaṁkāra (personalidade) e Chitta (egoísmo). Ele também, juntamente com vários outros órgãos, faz parte do Jīva, Alma, chamado também de Liṅgadeha.

Os esoteristas, no entanto, não devem ser induzidos a erro por essa versão popular.

–––––––––– faculdade mental; portanto, a atrofia da função da mente inferior, chamada Antaskaraṇa, torna-se compreensível tanto em naturezas completamente materialistas quanto naquelas de pessoas depravadas.


De acordo com a filosofia esotérica, no entanto, o ensinamento é o seguinte.

Visto que a faculdade e a função do Antaskaraṇa são tão necessárias quanto o meio do ouvido para ouvir, ou o do olho para ver, enquanto o sentimento de Ahamkāra (do "eu" pessoal ou egoísmo) não for completamente erradicado em um homem, e a mente inferior não estiver totalmente fundida e tornada uma com a Superior (Buddhi-Manas), é evidente que destruir o Antaskaraṇa é como destruir uma ponte sobre um abismo intransponível: o viajante nunca poderá alcançar a meta na outra margem.

E aqui reside a diferença entre o ensinamento exotérico e o esotérico.

O primeiro faz o Vedānta afirmar que enquanto a Mente (a inferior) se apega através do Antaskaraṇa ao Espírito (Buddhi-Manas), é impossível para ela adquirir a verdadeira Sabedoria espiritual, Jñāna, e que isso só pode ser alcançado buscando entrar em contato com a Alma Universal (Ātman); que, de fato, é ignorando completamente a Mente Superior que se alcança o Rāja-Yoga.

Nós dizemos que não é assim. Nenhum degrau da escada que conduz ao conhecimento pode ser pulado.

Nenhuma personalidade pode jamais alcançar ou colocar-se em comunicação com o Ātman, exceto através do Buddhi-Manas; tentar tornar-se um Jīvanmukta ou um “Mahātma,” antes de se ter tornado um Adepto ou mesmo um Naljor (um homem sem pecado), é como tentar chegar ao Ceilão partindo da Índia sem cruzar o mar.

Portanto, somos informados de que, se destruirmos o AntaskaraŠa antes que o pessoal esteja absolutamente sob o controle do Ego impessoal, corremos o risco de perder este último e ser dele separados para sempre, a menos que, de fato, nos apressemos a restabelecer a comunicação por um esforço supremo e final.

É somente quando estamos indissoluvelmente ligados à essência da Mente divina que devemos destruir o AntaskaraŠa. “Assim como um guerreiro solitário perseguido por um exército busca refúgio em uma fortaleza; para se isolar do inimigo, ele primeiro destrói a ponte levadiça, e só então começa a destruir o perseguidor; assim deve agir o Srotāpanna antes de matar o AntaskaraŠa.” Ou, como um axioma oculto o enuncia: “A unidade torna-se três, e três geram quatro.

Cabe a esta última (a quaternidade) tornar-se novamente três, e à tríade divina expandir-se no Um Absoluto.” As Mônadas (que se tornam díades no plano diferenciado, para se desenvolverem em tríades durante o ciclo de encarnações), mesmo quando encarnadas, não conhecem nem Espaço nem Tempo, mas estão difundidas através dos princípios inferiores da quaternidade, sendo onipresentes e oniscientes em sua natureza.

Mas essa onisciência é inata, e só pode manifestar sua luz refletida através daquilo que é ao menos semiterrestre ou material; assim como o cérebro físico que, por sua vez,

E. S. INSTRUÇÃO N.º III

é o veículo do Manas inferior entronizado no Kāma-Rūpa. E é isso que é gradualmente aniquilado nos casos de “segunda morte.” Mas tal aniquilação––que é, na realidade, a ausência do menor traço da alma condenada da MEMÓRIA eterna, e portanto significa aniquilação na eternidade––não significa simplesmente a descontinuação da vida humana na terra, pois a terra é AVICHI, e o pior Avichi possível.

Expulsos para sempre da consciência da Individualidade (o Ego reencarnante), os átomos físicos e as vibrações psíquicas da personalidade agora separada são imediatamente reencarnados na mesma terra, apenas em uma criatura inferior e ainda mais abjeta, um ser humano apenas na forma, condenado a tormentos cármicos durante toda a sua nova vida.

Além disso, se persistir em seu curso criminoso ou devasso, sofrerá uma longa série de tais reencarnações imediatas.

Aqui duas questões se apresentam: (1) O que acontece com o Ego Superior em tais casos? (2) Que tipo de animal é uma criatura humana nascida sem alma? Antes de responder a estas duas perguntas muito naturais, tenho de chamar a atenção de todos vós que nascestes em países cristãos para o fato de que o romance da expiação vicária e da missão de Jesus, como agora se apresenta, foi extraído ou emprestado por alguns Iniciados demasiado liberais da misteriosa e estranha doutrina das experiências terrenas do Ego reencarnante.

Este último é de fato a vítima sacrificial de, e através, do seu próprio Carma em Manvantaras anteriores, que assume sobre si voluntariamente, embora sem o querer, o dever de salvar o que de outro modo seriam homens ou personalidades sem alma.

A verdade oriental é assim mais filosófica e lógica do que a ficção ocidental.

O Cristo (Buddhi-Manas) de cada homem não é um Deus totalmente inocente e sem pecado, embora em um sentido seja o "Pai", sendo da mesma essência que o Espírito Universal, e ao mesmo tempo o "Filho", pois Manas é o segundo afastamento do "Pai". Pela encarnação, o Filho Divino torna-se responsável pelos pecados de todas as personalidades que irá informar.

Isto ele só pode fazer através do seu procurador ou reflexo, o Manas Inferior.

Isto, então, é o que acontece quando tem de romper com a personalidade.

É o único caso em que o Ego Divino pode escapar à penalidade e responsabilidade individuais como princípio orientador, porque a matéria, com as suas vibrações psíquicas e astrais, está então, pela própria intensidade das suas combinações, colocada para além do controle do EGO.

"Apophis, o Dragão", tendo-se tornado o conquistador, o Manas reencarnante, separando-se gradualmente do seu tabernáculo, rompe finalmente com a Alma psico-animal.

Assim, em resposta à primeira questão, digo: (1) O Ego Divino faz uma de duas coisas: ou (a) recomeça imediatamente sob os seus próprios impulsos kármicos uma nova série de

BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS encarnações; ou (b) procura e encontra refúgio no "seio da Mãe", Alaya, a Alma Universal, cujo aspecto manvantárico é Mahat.

Liberto das impressões de vida da personalidade, ele se funde numa espécie de interlúdio de NirvaŠa, no qual não pode haver nada além do Presente eterno, que absorve o Passado e o Futuro.

Desprovido do “trabalhador”, tanto o campo quanto a colheita agora se perdem; o Mestre, na infinitude de seu pensamento, naturalmente não preserva nenhuma recordação da ilusão finita e evanescente que fora sua última personalidade.

Esta última, então, é de fato aniquilada.

(2) O futuro do Manas inferior é mais terrível, e ainda mais terrível para a humanidade do que para o homem agora animal.

Acontece às vezes que, após a separação, a alma exaurida, tornada agora supremamente animal, desvanece-se no Kāma-Loka, como fazem todas as outras almas animais.

Mas, visto que quanto mais material é a mente humana, mais tempo ela perdura nesse estágio intermediário, acontece frequentemente que, após a vida real do homem sem alma ter terminado, ele é repetidas vezes reencarnado em novas personalidades, cada uma mais abjeta que a anterior.

O impulso da vida animal é forte demais; não pode esgotar-se em apenas uma ou duas vidas.

Em casos mais raros, contudo, algo muito mais terrível pode acontecer.

Quando o Manas inferior está fadado a exaurir-se pela inanição; quando não há mais esperança de que mesmo um resquício de uma luz inferior, devido a condições favoráveis – digamos, mesmo um curto período de aspiração espiritual e arrependimento – atraia de volta a si seu Ego Parental, então o Karma conduz o Ego Superior a novas encarnações.

Nesse caso, o espectro kāma-mânasico pode tornar-se aquilo que chamamos em Ocultismo de “Morador do Limiar”. Esse “Morador” não é como o que é descrito tão graficamente em Zanoni, mas um fato real na natureza e não uma ficção de romance, por mais belo que este possa ser. Bulwer deve ter obtido a ideia de algum Iniciado oriental.

Nosso “Morador”, guiado por afinidade e atração, força-se a entrar na corrente astral e, através do Envelope Áurico do novo tabernáculo habitado pelo Ego Parental, declara guerra à luz inferior que o substituiu. Isso, é claro, só pode ocorrer no caso de fraqueza moral da personalidade assim obcecada.

Ninguém forte em sua virtude e justo em seu caminho de vida pode arriscar-se ou temer tal coisa; apenas aqueles depravados de coração.

Robert Louis Stevenson teve um vislumbre de uma visão verdadeira, de fato, quando escreveu O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde.

Sua história é uma verdadeira alegoria.

Todo Chela reconheceria nele um substrato de verdade, e no Sr. Hyde um "Morador", um obsessor da personalidade, o tabernáculo do "Espírito Parental". "Esta é uma história de pesadelo!" fui muitas vezes informado por alguém, agora não mais em nossas fileiras, uma pessoa que tinha um "Morador" bastante pronunciado, um "Sr. Hyde", como companheiro quase constante.

"Como pode tal processo ocorrer

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

sem o conhecimento de alguém?" Pode e de fato ocorre, e quase o descrevi uma vez antes em The Theosophist.

"A Alma, a Mente Inferior, torna-se como um princípio semi-animal quase paralisado pelo vício diário, e gradualmente se torna inconsciente de sua metade subjetiva, o Senhor, ... um do Poderoso Hoste"; e "na proporção do rápido desenvolvimento sensorial do cérebro e dos nervos, mais cedo ou mais tarde, ela (a Alma pessoal) finalmente perde de vista sua missão divina na terra." Verdadeiramente, "como o vampiro, o cérebro se alimenta e vive e cresce em força às custas de seu progenitor espiritual ... e a Alma pessoal semi-inconsciente torna-se insensata, além de qualquer esperança de redenção.

É impotente para discernir a voz de seu 'Deus'. Visa apenas ao desenvolvimento e à compreensão mais plena da vida natural e terrena; e assim pode descobrir apenas os mistérios da natureza física.

... Começa por tornar-se virtualmente morta, durante a vida do corpo; e termina por morrer completamente––isto é, por ser aniquilada como uma Alma imortal completa.

Tal catástrofe pode ocorrer frequentemente muitos anos antes da morte física de alguém: 'Nós esbarramos em homens e mulheres sem alma a cada passo da vida.' E, quando a morte chega ... não há mais uma Alma (o Ego Espiritual reencarnante) para libertar, ... pois ela fugiu anos antes."      Resultado: Desprovido de seus princípios orientadores, mas fortalecido pelos elementos materiais, Kāma-Manas, de ser uma "luz derivada", torna-se agora uma Entidade independente.

Depois de permitir-se afundar cada vez mais no plano animal, quando a hora soa para seu corpo terreno morrer, uma de duas coisas acontece: ou Kāma-Manas é imediatamente renascido em Myalba (o estado de Avichi na terra), ou, se se tornar forte demais no mal––"imortal em Satã" é a expressão Oculta––às vezes é permitido, para propósitos cármicos, permanecer em um estado ativo de Avichi na Aura terrestre.

Então, através do desespero e da perda de toda esperança, torna-se como o mítico "diabo" em sua perversidade sem fim; continua em seus elementos, imbuído de ponta a ponta com a essência da matéria; pois o mal é coevo com a matéria separada do espírito.

E quando seu Ego superior tiver reencarnado mais uma vez, evoluindo um novo reflexo, ou Kāma-Manas, o Ego inferior condenado, como um monstro de Frankenstein, sentir-se-á sempre atraído ao seu "Pai", que repudia seu Filho, e tornar-se-á um regular "Morador" no "limiar" da vida terrestre.

Embora seja uma Doutrina Oculta, dei os esboços em The Theosophist de outubro de 1881 e novembro de 1882, mas não quis entrar em detalhes e, portanto, fiquei muito embaraçado quando fui chamado

––––––––––       A Terra, ou antes a vida terrestre, é o único Avichi (Inferno) que existe para os homens de nossa humanidade neste globo.

Avichi é um estado, não uma localidade – uma contraparte do Devachan.

Tal estado segue a "Alma" onde quer que ela vá, seja para o Kāma-Loka, como um "fantasma" semiconsciente, ou para um corpo humano, quando renasce para sofrer o Avichi.

Nossa filosofia não reconhece outro Inferno.

–––––––––– a explicar.


Contudo, eu havia escrito ali com clareza suficiente sobre "zangões inúteis" – aqueles que se recusam a tornar-se co-trabalhadores da natureza e que perecem aos milhões durante o ciclo de vida manvântico; aqueles (como no caso em questão) que preferem sofrer eternamente no Avichi sob a Lei Kármica a renunciar às suas vidas "no mal"; e, finalmente, aqueles que são co-trabalhadores da Natureza para a destruição.

Há homens completamente perversos e depravados, mas, contudo, tão altamente intelectuais e agudamente espirituais para o mal quanto aqueles que são espirituais para o bem.

"Os Egos (inferiores) destes podem escapar da lei da destruição final ou aniquilação por eras vindouras."      Assim, encontramos dois tipos de seres sem alma na terra: aqueles que perderam seu Ego superior na presente encarnação, e aqueles que nascem sem alma, por terem sido separados de sua Alma Espiritual no nascimento precedente.

Os primeiros são candidatos ao Avichi; os últimos são "Senhores Hydes", estejam dentro ou fora de seus corpos humanos, estejam encarnados ou pairando como ghouls invisíveis, porém potentes.

Em tais homens, a astúcia desenvolve-se em grau enorme, e ninguém, exceto aqueles que estão familiarizados com a doutrina, suspeitaria que são sem alma, pois nem a Religião nem a Ciência têm a menor suspeita de que tais fatos realmente existem na Natureza.

Enquanto ainda no corpo que perdeu sua “Alma” superior através de seus vícios, ainda há esperança para tal pessoa.

Ela ainda pode ser redimida e levada a voltar-se contra sua natureza material; nesse caso, ou um intenso sentimento de arrependimento, ou um único e sincero apelo ao Ego que fugiu, ou, melhor de tudo, um esforço ativo para emendar os próprios caminhos, pode trazer o Ego Superior de volta.

O fio ou a conexão não está totalmente rompido, embora o Ego esteja agora além do alcance forçado, pois “AntaskaraŠa está destruído,” e a Entidade pessoal já tem um pé em Myalba; mas ainda não está além de ouvir um forte apelo espiritual.

Há outra declaração feita em Ísis sem Véu (loc.

cit.) sobre este assunto.

Diz-se que esta morte terrível pode ser às vezes evitada “pelo conhecimento do NOME misterioso, o ‘VERBO’.” O que este “VERBO” (que não é um “Verbo” mas um Som) é, todos vós sabeis.

Sua potência reside no ritmo ou no acento.

Isto significa simplesmente

––––––––––      [Referência aos Volumes III e IV de O Teosofista, outubro de 1881 e novembro de 1882, respectivamente, nos quais H. P. B. acrescentou algumas Notas e Notas de Rodapé aos ensaios de Éliphas Lévi sobre “Morte” e “Satanás.” Consultar os Escritos Reunidos de H. P. B., Vol.

III, pp. 287 e seguintes, onde também estão incluídas observações adicionais precipitadas pelo Mestre K. H.]      Ver A Voz do Silêncio, p. 97 (Nota 35 à Parte III).      Leia a última nota de rodapé na página 368, Vol.

II de Ísis sem Véu, e vereis que até mesmo egiptólogos profanos e homens que, como Bunsen, ignoravam a Iniciação, ficaram impressionados com suas próprias descobertas ao encontrar o “Verbo” mencionado em papiros antigos.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. NO. III

que até mesmo uma pessoa má pode, pelo estudo da Ciência Sagrada, ser redimida e detida no caminho da destruição.

Mas a menos que esteja em completa união com seu Ego Superior, ela pode repeti-lo, como um papagaio, dez mil vezes por dia, e o “Verbo” não a ajudará.

Pelo contrário, se não estiver inteiramente em unidade com sua Tríade superior, pode produzir exatamente o oposto de um efeito benéfico, usando os “Irmãos da Sombra” muito frequentemente para objetivos maliciosos; nesse caso, ele desperta e agita apenas os elementos maus e materiais da natureza.

Mas se a natureza de alguém é boa, e sinceramente se esforça em direção ao EU SUPERIOR, que é esse “Aum,” através do seu Ego Superior, que é sua terceira letra (sendo Buddhi a segunda), não há ataque do Dragão Apophis que ele não repila.

Daqueles a quem muito é dado, muito é esperado.

Aquele que bate à porta do Santuário com pleno conhecimento de sua sacralidade, e após obter admissão, foge do limiar, ou se volta e diz: “Oh, não há nada nisso!” e assim perde sua chance de aprender a verdade completa – só pode aguardar seu Karma.

Tais são então as explicações esotéricas daquilo que tem perplexado tantos que encontraram o que pensavam ser contradições em vários escritos teosóficos, incluindo “Fragments of Occult Truth,” nos Vols. III e IV de The Theosophist, etc.

Antes de finalmente encerrar o assunto, devo acrescentar uma advertência, que peço que guardem bem em mente.

Será muito natural para vocês, que são esoteristas, esperar que nenhum de vocês pertença ainda à porção sem alma da humanidade, e que possam se sentir bem tranquilos quanto ao Avichi, assim como o bom cidadão se sente quanto às leis penais.

Embora, talvez, não exatamente no Caminho ainda, vocês estão contornando sua fronteira, e a maioria de vocês na direção certa.

Entre nossas faltas venais – inevitáveis sob nosso ambiente social – e a maldade devastadora descrita na nota do Editor sobre o “Satanás” de Éliphas Lévi, há um abismo.

Se não nos tornamos “imortais no bem pela identificação com (nosso) Deus,” ou AUM, Ātma-Buddhi-Manas, certamente não nos tornamos “imortais no mal” por coalescer com Satanás, o Eu Inferior.

Vocês esquecem, no entanto, que tudo deve ter um começo, e que o primeiro passo em uma encosta de montanha escorregadia é o antecedente necessário para alguém cair precipitadamente até o fundo e à morte.

Longe de mim a suspeita de que algum dos estudantes esotéricos tenha alcançado qualquer ponto considerável no plano da descida espiritual.

Mesmo assim, advirto-os a evitar dar o primeiro passo.

Vocês podem não chegar ao fundo nesta vida ou na próxima, mas podem agora gerar causas que garantirão sua destruição espiritual em seu terceiro, quarto, quinto ou algum nascimento subsequente.

No grande épico indiano vocês podem ler –––––––––– Ver The Theosophist, Vol. III, outubro de 1881, pp. 12-15, [Cf. Collected Writings, Vol. III, pp. 287-91.] –––––––––– Como uma mãe, cuja família inteira de filhos guerreiros foi massacrada em batalha, queixou-se a Krishna que, embora tivesse a visão espiritual que lhe permitia olhar para trás, através de cinquenta encarnações, não conseguia ver pecado algum seu que pudesse ter gerado um carma tão terrível; e Krishna respondeu-lhe: "Se pudesses olhar para a tua quinquagésima primeira existência anterior, como eu posso, verias a ti mesma matando, com crueldade gratuita, o mesmo número de formigas que o número de filhos que agora perdeste." Isso, naturalmente, é apenas um exagero poético; contudo, é uma imagem marcante para mostrar como grandes resultados provêm de causas aparentemente insignificantes.


O bem e o mal são relativos, e são intensificados ou atenuados conforme as condições que cercam o homem.

Aquele que pertence ao que chamamos de "porção inútil da humanidade", isto é, a maioria leiga, é, em muitos casos, irresponsável.

Crimes cometidos em Avidyā (ignorância) envolvem responsabilidades físicas, mas não morais, nem carma.

Tomai, por exemplo, o caso dos idiotas, das crianças, dos selvagens e de outras pessoas que não sabem distinguir o certo do errado.

Mas o caso de cada um de vós, comprometidos com o EU SUPERIOR, é questão bem diferente.

Não podeis invocar essa Testemunha Divina impunemente, e, uma vez que vos colocastes sob a sua tutela, pedistes que a Luz Radiante brilhasse e perscrutasse todos os recantos escuros do vosso ser; conscientemente invocastes a Justiça Divina do Carma para que tomasse nota de vossos motivos, examinasse vossas ações e lançasse tudo em vossa conta.

O passo é tão irrevogável quanto o do infante ao nascer.

Nunca mais podereis forçar-vos de volta à Matriz de Avidyā e à irresponsabilidade.

A resignação e a devolução de vossos compromissos não vos ajudarão.

Embora fujais para os confins da terra e vos oculteis da vista dos homens, ou busqueis o esquecimento no turbilhão do redemoinho social, essa LUZ vos encontrará e iluminará cada pensamento, palavra e ação vossos.

Estaria algum de vós tão tolo a ponto de supor que era à pobre e miserável H.P.B. que dáveis o vosso compromisso? Tudo o que ela pode fazer é enviar a cada um dos sinceros entre vós uma simpatia mais fraternal e a esperança de um bom resultado para vossos esforços.

Contudo, não vos desencorajeis, mas tentai, continuai sempre tentando; vinte fracassos não são irremediáveis se seguidos de outros tantos esforços intrépidos para cima.

Não é verdade que as montanhas são escaladas? E saibam ainda que, se o Karma registra inexoravelmente na conta do esoterista as más ações que, nos ignorantes, seriam ignoradas, igualmente verdadeiro é que cada uma de suas boas ações, em razão de sua associação com o Eu Superior, é centuplicada como potência para o bem.

Finalmente, tenham sempre em mente a Consciência de que, embora não vejam nenhum Mestre ao lado de seu leito, nem ouçam um sussurro audível no silêncio –––––––––– Leiam as páginas 40 e 63 de A Voz do Silêncio.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

da noite silenciosa, ainda assim o Poder Sagrado está ao vosso redor, a Luz Sagrada brilha em vossa hora de necessidade e aspirações espirituais, e não será culpa dos MESTRES, nem de seu humilde porta-voz e servo, se, por perversidade ou fraqueza moral, alguns de vós vos cortardes dessas Potências superiores e pisardes na declividade que conduz a Avichi.

H.P.B....


APÊNDICE                             NOTAS SOBRE AS INSTRUÇÕES I E II                                                     PÁGINA

Os estudantes do Ocidente têm pouca ou nenhuma ideia das forças que jazem latentes no Som, as vibrações Akáshicas que podem ser postas em movimento por aqueles que compreendem como pronunciar certas palavras.

O Om, ou o "Om mani padme hūm", estão em afinidade espiritual com as forças cósmicas, mas sem o conhecimento do arranjo natural, ou da ordem em que as sílabas se apresentam, muito pouco pode ser alcançado.

"Om" é, naturalmente, Aum, que pode ser pronunciado como duas, três ou sete sílabas, estabelecendo diferentes vibrações.

Ora, as letras, como sons vocais, não podem deixar de corresponder às notas musicais e, portanto, aos números e às cores; logo, também às Forças e aos Tattvas.

Aquele que se lembra de que o universo é construído a partir dos Tattvas compreenderá prontamente algo do poder que pode ser exercido pelos sons vocais.

Cada letra do alfabeto, seja dividido em três, quatro ou sete septenários, ou quarenta e nove letras, tem sua própria cor, ou matiz de cor.

Aquele que aprendeu as cores das letras do alfabeto, e os números correspondentes dos sete, e as quarenta e nove cores e matizes na escala de planos e forças, e conhece sua respectiva ordem nos sete planos, dominará facilmente a arte de colocá-los em afinidade ou interação.

Mas aqui surge uma dificuldade.

Os alfabetos Senzar e Sânscrito, e outras línguas ocultas, além de outras potências, têm um número, cor e sílaba distinta para cada letra, e assim também tinha o antigo hebraico mosaico.

Mas quantos dos membros da E.S. conhecem alguma dessas línguas? Quando chegar o momento, portanto, bastará ensinar aos estudantes os números e cores ligados apenas às letras latinas (N.B., como pronunciadas em latim, não em anglo-saxão, escocês ou irlandês). Isso, porém, seria, no presente, prematuro.

A cor e o número não apenas dos planetas, mas também das constelações zodiacais correspondentes a cada letra do alfabeto, são necessários para tornar qualquer sílaba especial, e até mesmo letra, operativa. Portanto, se um estudante quisesse tornar Buddhi operativa, por exemplo, ele teria que entoar as primeiras palavras do Mantra na nota mi. Mas ele teria ainda que acentuar o mi, e produzir mentalmente a cor amarela correspondente a esse som e nota, em cada letra M –––––––––– Ver A Voz do Silêncio, p. viii.

––––––––––

INSTRUÇÃO Nº III DA E.S.

em "Om mani padme hūm"; isso, não porque a nota tenha o mesmo nome no vernáculo, sânscrito, ou mesmo no Senzar, pois não tem – mas porque a letra M segue a primeira letra, e é nesta fórmula sagrada também a sétima e a quarta.

Como Buddhi é segunda; como Buddhi-Manas é a segunda e a terceira combinadas.

H.P.B.   ...                                                     ––––––––––     1 "AS CLASSES DE SERES ESPIRITUAIS que preenchem nosso sistema solar são doze em número, porém frequentemente referidas como dez, das quais três são ditas residindo no silêncio, e sete como manifestadas.

Como H.P.B. escreveu em A Doutrina Secreta (II, 77):

"O Ocultismo divide os 'Criadores' em doze classes; das quais quatro alcançaram a liberação ao fim da 'Grande Era', a quinta está pronta para alcançá-la, mas permanece ainda ativa nos planos intelectuais, enquanto sete estão ainda sob a lei cármica direta.

Estas últimas atuam nos globos portadores de homem de nossa cadeia."

"As quatro mais elevadas das doze classes de entidades mônadicas ou espirituais são as classes mais altas dos deuses.

A quinta classe são entidades que se encontram no limiar da divindade, e podem ser consideradas quase-divinas; estas são os vários graus dos buddhas superiores, sejam Buddhas de Compaixão ou mesmo os mais elevados Pratyeka Buddhas.

São espíritos elevados, dhyāni-chohans libertos, acima dos sete graus inferiores de seres manifestados."

Esta quinta classe compõe, coletivamente, o elo pelo qual todo o universo septenário inferior manifestado é mantido como um pendente dos reinos divinos.

Como o ápice de qualquer hierarquia se funde com o plano mais baixo daquele que lhe é superior, deve haver elos entre eles, agências conectoras, hierarquias de seres servindo como intermediários.

É esta quinta classe de seres elevados que nos liga diretamente aos deuses.

Seu lugar na natureza é, de fato, o reino do Observador Silencioso.

"As sete classes restantes de mônadas ou espíritos cósmicos––dhyāni-chohans de muitos graus e níveis––são comumente divididas em dois grupos: os três superiores e os quatro inferiores.

Aqueles dos três superiores desta hoste septenária de seres espirituais são chamados de dhyāni-buddhas, e são eles que compõem a Hierarquia da Compaixão.

São as inteligências que impulsionam os construtores, isto é, os dhyāni-chohans dos quatro inferiores, à ação.

É a interação das substâncias-energia entre essas duas linhas que juntas compõem a totalidade de todos os processos evolutivos em nosso cosmos.

Essas duas linhas não devem ser confundidas.

Os dhyāni-buddhas são os arquitetos, os supervisores que fornecem o modelo, estabelecem os planos, e seu trabalho é executado pelos graus inferiores de dhyāni-chohans chamados construtores, que recebem a impressão criativa dos seres do arco luminoso e a executam.


Os construtores não apenas trabalham no cosmos externo ou material, mas de fato o formam, e são (em um sentido) os princípios inferiores dos dhyāni-buddhas que compõem o cosmos interior.

Agora, cada uma dessas duas linhas é septenária: há sete classes de dhyāni-buddhas e sete classes dos graus inferiores de dhyāni-chohans . . . "Um dhyāni-chohan plenamente desenvolvido foi, éons e éons atrás, em outros manvantaras solares, um átomo de vida; e cada uma das hostes de átomos de vida que compõem toda a nossa constituição em todos os seus planos e em todos os seus princípios é, em seu eu exterior, um dhyāni-chohan em potencial e, no âmago de seu coração, um dhyāni-chohan plenamente desenvolvido––embora ainda inexpresso.

Assim, o homem não é apenas uma essência, que já é um dhyāni-chohan, mas é também uma hoste, uma vasta e quase infinita multidão de dhyāni-chohans não evoluídos.

Mesmo sua alma humana está a caminho de evoluir para a dhyāni-chohanidade . . . "Os agnishwāttas ou Lhas solares são outro aspecto dessa hoste chohânica.

Os agnishwāttas pitris pertencem à tríade superior dos sete manifestados que trabalham diretamente em e através do homem.

E é precisamente porque estamos estreitamente aliados a esta hierarquia solar, de fato pertencemos a ela, que temos esses vínculos de conexão psicológica, intelectual e espiritual com a divindade solar, o Pai Sol . . “Os mānasaputras são igualmente dhyāni-chohans.

Há sete classes desses mānasaputras, assim como há sete classes de agnishwāttas.

De fato, a energia agnishwātta e a energia mānasaputra são dois aspectos dos mesmos seres cósmicos.

A encarnação ou entrada desses mānasaputras na humanidade ainda não desperta mentalmente, da raça-raiz terceira, média e tardia, deste quarto globo, durante esta presente quarta ronda, ocorreu em sete estágios, de acordo com as sete classes dos mānasaputras.

Foram necessárias eras antes que toda a humanidade daquele período se tornasse autoconsciente.

A classe mais elevada dos mānasaputras

–––––––––– Agnishwātta é um composto sânscrito: agni, fogo e svad, provar ou adoçar; portanto, significa aqueles que provaram do fogo ou foram provados pelo fogo––o fogo do sofrimento e da dor na existência material, produzindo grande fibra e força de caráter, isto é, espiritualidade.

Esta palavra 'provar' também tem o significado de tornar-se uno com.

Assim, provar do fogo é tornar-se uno com ele: a parte ígnea da natureza de alguém é a parte na qual a essência mônadica está naquele momento se manifestando em torno de um centro eóico.

Do ponto de vista do ocultismo, o termo agnishwātta significa uma entidade que se tornou, através da evolução, una em essência com o fogo etéreo do Espírito.

Os agnishwāttas pitris são nossos ancestrais solares, em contraste com os barhishads, nossos ancestrais lunares.

Mānasaputra é um composto: mānasa, mental, da palavra manas, mente, e putra, filho––prole do mahat ou inteligência cósmica, que posteriormente sempre foi descrita como o fogo da consciência espiritual, –––––––––– Obras Completas VOLUME XII INSTRUÇÃO E.S. Nº III

Encarnaram primeiro, de modo que os veículos humanos nos quais se imbuíram não foram apenas os primeiros a se tornarem autoconscientes, mas também foram os maiores humanos daquele período distante; e os mānasaputras menos avançados foram aqueles que entraram nos veículos humanos mais inferiores, que também foram os últimos no tempo a se tornarem autoconscientes... “Kumāra é ainda outro nome para esses deuses ou espíritos cósmicos, e constitui um terceiro aspecto da mesma hoste de seres.

Cada hierarquia, seja ela sol, planeta ou o próprio homem, é um agregado de mônadas, todas conectadas entre si por laços inquebrantáveis––não de matéria ou de pensamento, mas da essência do universo.

Elas são intrinsecamente uma, assim como cada raio que emana do Pai Sol é da mesma substância fundamental, e ainda assim são diferentes como indivíduos.

As mônadas são kumāras superiores até mesmo aos agnishwāttas e mānasaputras.

Os agnishwāttas ou mānasaputras são chamados kumāras porque, em comparação conosco, são seres de pureza espiritual.

Desses três termos, kumāras é o mais geral, e poderia igualmente ser aplicado a outras hierarquias de seres que não podem tecnicamente ser chamadas de mānasaputras ou agnishwāttas.” 2 “Devemos notar que nesta passagem apenas quatro princípios básicos são mencionados: ātman, seu envoltório áurico, buddhi e manas––este último sendo realmente o manas superior; e três aspectos transitórios: prāna, linga-śarīra e o manas inferior ou alma animal.

Certos estudantes têm se perguntado sobre isso, e também por que o segundo princípio é dado como o envoltório áurico; e, novamente, por que kāma não entra no quadro.

“Primeiro, kāma é inerente a cada um desses quatro princípios básicos e seus três aspectos, porque, na constituição humana, ele é representativo do kāma cósmico––o princípio-atributo universal e fundamental que é a força ou energia intrínseca do universo.

Pois devemos sempre lembrar que cada um dos sete princípios no homem, seja um princípio básico ou um aspecto, é em si mesmo septenário.

“Esses quatro princípios são considerados ‘básicos’ porque são os mais elevados e, portanto, os mais poderosos e duradouros em toda a constituição do homem.”

Eles sobrevivem ao grande drama que ocorre na morte, levando à dissolução do quaternário inferior, ou o que H.P.B. chama de três aspectos mais o veículo físico – estes inferiores ––––––––––       Uma palavra sânscrita: ku, com dificuldade, e māra, mortal; a ideia sendo que esses seres espirituais são tão elevados que atravessam os mundos da matéria.

isto é, tornam-se mortais, apenas com dificuldade.

Cf. Occult Glossary, pp. 2-4.       G. de Purucker, Fountain-Source of Occultism.

Pasadena, Calif.: Theosophical University Press, 1974, pp. 477-82. –––––––––– três aspectos sendo reunidos apenas imediatamente antes e no momento da próxima reencarnação.


Isso se aplica com igual força e propriedade à constituição e à 'morte' de qualquer entidade cósmica, tal como um planeta ou uma galáxia.

"Ao dispor os princípios em colunas paralelas, H.P.B. sugere que cada um deles tem seu aspecto correspondente particular na Terra durante a vida de um homem setenário completo.

Para ilustrar: os vários prānas no homem correspondem ao ātman; pois, quando rastreados até sua origem última, os prānas serão encontrados como emanações da mônada átmica.

De maneira semelhante, o linga-śarīra é associado ao 'envoltório áurico' que encerra o ātman como sua aura espiritual; e da mesma forma o terceiro aspecto ou manas inferior, a alma animal, é no homem incorporado o reflexo de seu buddhi.

Podemos levar a analogia um passo adiante, apontando que, assim como manas é o centro focal do indivíduo humano eóico, ele tem sua correspondência na Terra no sthūla-śarīra, que é o foco dos poderes e faculdades que fazem do homem físico um indivíduo separado dos outros.

"Agora, todos esses princípios e aspectos, e de fato tudo na constituição humana, estão encerrados dentro do ovo áurico, que é ao mesmo tempo a efúvia agregada de todas as diferentes mônadas e, por causa disso, a expressão representativa conjunta das forças e energias do ser humano setenário incorporado."

Contudo, quando sobrevém a morte, a parte inferior do ovo áurico, por ser construída em grande parte dos eflúvios dos aspectos, dissipa-se naquela parte da luz astral chamada kāma-loka da terra; embora mesmo aqui os átomos de vida mais etéreos ou as forças e substâncias acessórias sejam atraídos para cima, para a latência, tornando-se os elementais tânhicos nas partes superiores do ovo áurico que envolve os princípios básicos permanentes mencionados por H.P.B. Assim, o ovo áurico, por funcionar continuamente e perdurar perenemente, em um sentido é o mais importante de todos os princípios ou partes da constituição humana.

Acima de qualquer outra coisa, ele é o campo, ou campos compostos, das diferentes fases da consciência humana em todos os seus planos septenários.

Assim, a cada nova encarnação, os vários 'aspectos' são formados a partir das substâncias e forças do ovo áurico––mesmo o corpo físico, ou sthūla-śarīra, sendo do linga-śarīra, ele próprio uma emanação condensada das camadas inferiores do ovo áurico.

"Além disso, H.P.B. aponta que o māyāvi-rūpa, ou corpo de pensamento e sentimento projetado pelo adepto à sua vontade, é formado das substâncias e energias das camadas apropriadas do ovo áurico; e justamente ––––––––––      Tanhā, termo budista que significa "sede de vida". ––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

porque todas essas projeções da substância áurica são para propósitos temporários, o māyāvi-rūpa possui seu nome, 'corpo de ilusão'. "É do ovo áurico que o rūpa ou forma real que circunda a entidade devachânica é formado, de modo que podemos propriamente falar desta parte do ovo áurico, vibrando com a consciência relativamente espiritual do devachanī, como sendo o campo para o jogo de sua consciência.

Essas camadas do ovo áurico, que podemos talvez chamar mais graficamente de 'corpo' do devachanī, dão ao ego devachânico a ilusão de que ele está em um belo veículo espiritual.

O kāma-rūpa após a morte, seja antes ou depois de se tornar o fantasma, é igualmente formado das substâncias apropriadas extraídas das camadas inferiores do ovo áurico.

"Do que foi exposto, vemos quão importante é o papel que o ovo áurico desempenha na constituição humana, pois ele não é apenas o campo de todas as diferentes gamas de consciência do homem encarnado, mas é igualmente a substância etérica, astral e até espiritual, ou envoltório áurico, a partir do qual se formam cada um dos veículos da entidade humana, incluindo seu linga-śarīra, seu māyāvi-rūpa, sua casca áurica devachânica e seu kāma-rūpa após a morte.

"Há duas maneiras básicas de ver o homem: uma, como sendo composto dos sete elementos cósmicos, como H.P.B. inicialmente apresentou; e a outra, como sendo um composto de mônadas interativas ou centros de consciência operando em, através e por meio do auxílio instrumental dos sete elementos cósmicos que conferem ao homem seus sete princípios.

"O que é, então, a distinção entre as diferentes mônadas no homem e os sete princípios, e quais são suas respectivas funções? Essa mesma questão esteve no cerne da disputa entre H.P.B. e Subba Row.

Subba Row seguia o ensinamento da escola esotérica brâmane ao fixar a atenção nas mônadas, encarando o universo como um vasto agregado de individualidades; enquanto H.P.B., para aquele momento da história do mundo, viu a necessidade de dar à mente ocidental indagadora, então tomando um rumo materialista e científico, alguma explicação real sobre o que é a composição do universo como entidade — qual é a sua 'substância', e o que é o homem como parte integrante dela. Ora, os sete princípios são os sete tipos de 'substância' do universo.

A parte superior de cada tipo é seu lado de consciência; a parte inferior de cada um é o lado do corpo através do qual sua própria consciência se expressa.

No entanto, todo ponto matemático no Espaço ilimitado pode realmente ser considerado uma mônada, porque o universo é consciência corporificada coletivamente; e consciência corporificada ou mônadas individualmente.

. .      "Agora, então, o que são esses sete (ou dez) princípios? Esse é o ponto que era tão importante destacar no tempo de H.P.B.

Um pano de fundo

BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS"

da divindade revestindo-se de espírito, estes dando à luz a luz da mente; e a luz da mente, cooperando com os outros princípios e elementos até então evoluídos, trouxe à existência o desejo cósmico; e assim por diante até alcançarmos o sthūla-śarīra. (Esta palavra, aliás, não significa físico, mas sim corpo substancial ou concretizado em qualquer plano, seja físico, espiritual ou divino; sthūla simplesmente significa compactado, grosseiro.) Como o universo é construído de radiações, luz e energia, essas radiações, manifestando-se em uma escala graduada, podem, de um ponto de vista, ser consideradas como forças; mas quando se tornam enormemente concretizadas, tornam-se matéria grosseira, através da qual as formas superiores de radiação, no entanto, continuamente trabalham.

“Todo ponto matemático do espaço é uma mônada, um ponto de consciência, porque toda a Infinidade é consciência infinita.

Portanto, todo ponto da Infinidade deve ser um centro de consciência, uma mônada setenária, que possui seu ātman, buddhi, manas, descendo até o fim, porque o universo é construído desses sete elementos redutíveis a uma substância causal única––espírito, consciência, ātman.

Enfatizo este ponto porque não devemos ter nossas mentes confundidas com a ideia de que os sete princípios são uma coisa, e as mônadas são outra coisa que trabalha através dos princípios como se fossem separados deles.

Isso está errado.

“Cada um dos sete princípios ou elementos de uma mônada pode representar um dos planos cósmicos, e é em si mesmo setenário.

Por exemplo, há um ātman do kāma, um buddhi do kāma, e assim por diante ao longo da gama de elementos-princípios ou substâncias.

O que diferencia um homem de outro, ou um homem de um animal? As diferenças não residem em seus respectivos sete princípios, porque estes entram e formam a constituição composta de todas as entidades, mas surgem do grau relativo de evolução das mônadas individuais.

A mônada humana é muito mais evoluída do que a de um animal ou de uma planta, ou do que as mônadas altamente unificadas que, devido aos seus estágios relativos de desenvolvimento, distinguem o granito do mármore ou do arenito.

“Os sete princípios que compõem o homem––ātman, buddhi, manas, kāma, prāna, linga-śarīra, sthūla-śarīra––são idênticos aos que compõem o nosso cosmos solar, interpenetrando-se e interagindo os sete princípios do homem de maneira mais ou menos semelhante à dos princípios cósmicos. Por exemplo, assim como a luz astral da nossa Terra é o seu duplo astral fluídico, assim no homem o linga-śarīra é o duplo astral do corpo humano; e assim como os vários prānas cósmicos são a vitalidade composta do nosso globo, assim o prāna composto da constituição humana é o elemento de vitalidade no homem.”

––––––––––        G. de Purucker, op. cit., pp. 441-45. ––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

3“Os elementais tânhicos podem ser descritos de outra forma como os depósitos emocionais e mentais de pensamento, como fez Patañjali; e estes permanecem após a segunda morte––e antes de o ego entrar no devachan––impressos nos vários tipos de átomos de vida que haviam funcionado em todos os planos inferiores da constituição do homem.

Alguns desses elementais tânhicos ou átomos de vida peregrinam e, finalmente, são psicomagneticamente atraídos de volta ao ego reencarnante durante o seu processo de gerar uma nova forma astral que precede o renascimento.

Outros pertencem às substâncias mônadicas do ovo áurico e, consequentemente, permanecem nele em condição latente, despertando somente quando o devachanī deixa o devachan.

Então esses elementais tânhicos adormecidos, em combinação com os outros átomos de vida que estiveram peregrinando, combinam-se na construção da nova forma astral de que H.P.B. fala; e são em grande parte essas duas classes de átomos de vida ou elementais tânhicos que compõem os skandhas do homem na sua próxima encarnação.

E esses skandhas são os vários grupos de características mentais, emocionais, psicovitais e físicas que, quando todos reunidos, formam a nova personalidade através da qual o homem superior ou individualidade eugóica atua.

Eles lentamente começam a se recombinar e a se ajustar às suas funções e lugares apropriados durante o período de gestação, continuando tal ‘fixação’ no ventre e, finalmente, após o nascimento, amadurecendo à medida que a entidade cresce até a idade adulta.

“Agora, a formação do homem astral ocorre dentro do ovo áurico do ex-devachanī. Desde o momento em que o ego deixa a condição devachânica, a forma astral torna-se cada vez mais completa ou definida à medida que a entidade gestante se aproxima da entrada no ventre.”

O raio do ego reencarnante penetra primeiramente a aura e, mais tarde, o ventre da futura mãe, por meio da forma astral em crescimento, que se origina e surge do centro de vida ou átomo de vida mais apropriado, latente no ovo áurico da entidade que está chegando.

“O termo forma astral é descritivo não tanto de um corpo real (como o concebemos em nosso mundo físico), mas sim de um aglomerado etéreo de átomos de vida no ovo áurico, que a princípio é apenas vagamente esboçado, mas gradualmente assume um contorno humano mais ou menos definido, e geralmente de tamanho extremamente pequeno.

No entanto, não devemos concentrar nossa atenção tanto no tamanho e na forma quanto nas forças e energias no ovo áurico, mais ou menos agregadas em um foco de atividade.

“A entidade que assim precede o renascimento é atraída para a família para a qual seu karma a atrai ou a impele; e se as atividades fisiológicas apropriadas ocorrerem no momento certo, então a concepção acontece e o crescimento do embrião prossegue.

––––––––––        Uma palavra sânscrita que significa feixes ou agregados.

–––––––––– “À medida que o esplendor ou raio do ego reencarnante alcança este plano, ele gradualmente se enreda na substância física, estabelecendo assim seu vínculo com a célula reprodutiva humana.


Esse vínculo é feito devido à afinidade eletromagnética, ou melhor, psicomagnética, entre o raio reencarnante e a célula germinativa viva.

Toda célula germinativa é um conjunto compacto de forças e substâncias internas que vão do divino ao físico e, portanto, é a 'precipitação' em nosso plano de uma radiação psicoetérea.

Em outras palavras, é uma incorporação de um ponto-raio que, originando-se nos mundos invisíveis e contatando a matéria física por afinidade, desperta assim um agregado molecular de substância viva para se tornar uma célula reprodutiva.

“Esse agregado molecular é o primeiro ou preliminar depósito ou aparecimento no plano físico da ação do ponto-raio.

Vemos que as células germinativas ou reprodutivas não são 'criadas' pelo corpo dos pais, mas aparecem e atuam através dele a partir da força ou entidade eógica incorporante 'exterior'––sendo os pais o hospedeiro ou transmissor.

A célula germinativa vital, seja do homem ou da mulher, é originalmente uma parte integral do corpo-modelo, que é um corpo eletromagnético de substância astral pertencente ao plano imediatamente acima do físico; e ao redor dessa forma astral o corpo físico é construído célula por célula, osso por osso e traço por traço.

“Quando o átomo de vida, como ponto de raio escolhido, é energizado pelas energias descendentes do raio reencarnante, ele entra, por atração psico-magnética, no corpo astral do pai e, no devido curso, é depositado em seu órgão físico apropriado como um precipitado astral.

Torna-se assim fisicalizado como uma célula germinativa.

Na mãe, esse processo de precipitação astral é o mesmo em linhas gerais, sendo a precipitação proveniente do idêntico raio em ambos os casos: de fato, cada progenitor contém, em seu órgão apropriado, átomos de vida pertencentes ao ego reencarnante e por ele usados em vidas passadas.

“O progenitor feminino é o veículo do que pode ser chamado de lado vegetativo ou passivo do ponto de raio, e o progenitor masculino é o veículo do lado positivo ou ativo.

O ponto de raio parece dividir-se em dois, para mais tarde se reunir pela coalescência dos lados positivo e negativo após a fertilização da célula germinativa.

Estamos aqui lidando com forças astrais sutis que obedecem às suas próprias leis e que não são obstadas em sua ação pelo pesado mundo físico em que vivem nossos corpos.

“Para reformular o acima em linguagem um tanto diferente: a parte mais material da nova forma astral é atraída primeiro para a aura da mulher e depois para o ventre, onde produz o óvulo vivo e encontra seu meio adequado; coincidentemente, a porção interna e mais mânásica da forma astral, que é a parte mais etérea da ponta do raio do ego reencarnante, lampeja para o progenitor masculino e

INSTRUÇÃO E. S. Nº III

produz em seu assento fisiológico apropriado o germe de vida positivo.

O pai semeia a semente, a mãe a recebe, nutre-a e a traz à luz.

“Os egos humanos que aguardam a encarnação são extremamente numerosos, de modo que pode haver dezenas de entidades que poderiam tornar-se filhos de qualquer casal, mas há sempre uma cuja atração é mais forte para a futura mãe em qualquer momento fisiológico específico, e é essa forma astral que se torna a criança.

Muitos são os casos em que a forma astral, assim ‘irradiada’ em duas direções, por assim dizer, encontra seu progresso para o nascimento físico interrompido porque o homem e a mulher são ou celibatários ou preferem não ter filhos, ou por alguma outra razão.” Em tais casos, a forma astral, sob o impulso cármico e a lei natural, tenta novamente.

Caso o primeiro ambiente se revele um fracasso, o ego reencarnante pode ver-se atraído para outro casal devido a relações cármicas em outras vidas.

“O ego reencarnante tem, em certo sentido, muito pouca escolha no assunto, se por isso entendemos uma seleção deliberada da futura família.

Tal escolha, como a compreendemos, é quase inexistente, porque o ego reencarnante acabou de deixar o devachan e está imerso na inconsciência relativa do período de gestação que precede o renascimento, e, portanto, não está em condições de escolher com intenção autoconsciente.

É o karma que, em todo esse processo, controla essas coisas; e o karma, em abstrato, é infalível em sua ação.

“Todo ser humano está envolvido por sua própria atmosfera emocional, passional e psicovital, que é realmente uma porção das camadas inferiores de seu ovo áurico.

Ora, essa atmosfera é viva e, vibrando com intensidades variadas, possui sua própria individualidade psico-áurica ou frequência vibratória.

Torna-se evidente, portanto, que o ponto-raio, que igualmente possui sua própria frequência, é atraído mais ou menos pela linha de atração magnética para a atmosfera do progenitor ou progenitores cuja frequência vibratória é mais simpática à sua própria e com quem suas afinidades cármicas são mais fortes.

Para completar o quadro, poderia acrescentar que tanto o ódio quanto a intensa aversão psíquica––cada um dos quais é uma espécie de amor invertido––às vezes produzem fortes atrações psico-áuricas, explicando assim a situação patética de pai e filho que se repelem mutuamente.

“Quando a forma astral tem união definitiva com o óvulo humano, ela começa a crescer como o feto.

As porções inferiores ou mais grosseiras da forma astral

––––––––––        Poderia salientar que, uma vez ocorrida a concepção e iniciado o crescimento do embrião, qualquer tentativa de interromper seu desenvolvimento ou destruí-lo é simplesmente assassinato.

No ensino da filosofia esotérica, isso é considerado apenas um pouco menos grave do que o assassinato de um adulto––apenas um pouco menos, porque tal destruição ou aborto ocorre antes que a autoconsciência da vítima tenha tido a chance de desabrochar.

––––––––––  652                              BLAVATSKY: COLETÂNEA DE ESCRITOS

forma tornam-se o linga-śarīra da criança, em combinação com as duas classes gerais de elementais tânhicos; ao passo que suas porções superiores, os veículos do ‘raio’ proveniente do ego reencarnante (à medida que o embrião e, mais tarde, a criança crescem), tornam-se as partes intermediárias da constituição do homem.”

“Devemos sempre ter em mente o importante papel desempenhado pelo ovo áurico do ego reencarnante em todos os diversos passos que precedem o renascimento.

A forma astral começa seu primeiro crescimento dentro do ovo áurico do reencarnante, gesta-se dentro dele e continua a ser ‘alimentada’ por suas essências ao longo dos processos pré-natais, e com o tempo produz os estágios do nascimento, infância, meninice e idade adulta; pois, de fato, o ovo áurico é realmente o verdadeiro homem manifestado, considerado como sendo os prānas áuricos vitais que fluem dos vários focos da mônada reencarnante.

“Quando o ponto-raio do ego reencarnante, ele próprio um raio da mônada espiritual, atinge sua própria esfera intermediária, não desce mais adiante na matéria.

Mas seu raio psicomagnético, tendo afinidades mais fortes com os mundos materiais, desce ainda mais, despertando para atividade os átomos-vida em cada um dos planos entre o do ego reencarnante e a matéria astral-física de nossa terra.

“Exatamente aqui vemos que a ‘vida’ ou característica de cada parte da constituição humana composta permanece em seu próprio plano, mas expele seu excesso de vida de si mesma para o próximo inferior, até que finalmente o plano físico é alcançado, onde a ponta do raio, reunindo para si átomos-vida deste plano, constrói ou forma a célula germinal física.

Seria bastante errado supor que o ego reencarnante em si está na célula germinal ou em um plano apenas ligeiramente menos físico que o nosso.

O processo é uma analogia exata do que ocorre na construção dos globos de uma cadeia planetária, onde a passagem do excesso de vida ocorre ao longo e ao redor das faixas de substância de plano cósmico a plano cósmico.”

––––––––––        G. de Purucker, op. cit., pp. 622-26. ––––––––––                         Escritos Reunidos VOLUME XII                                   INSTRUÇÃO E.S. Nº IV

NOTA DO COMPILADOR     [As Instruções E.S. I, II e III são as palavras reais de H.P.B. São, portanto, textos genuínos, cuja autoria não está em dúvida, pois os originais com sua assinatura existem.

Isto, no entanto, não pode ser dito sobre as Instruções IV e V, e o Primeiro Suplemento à Instrução IV. Originalmente, quando impressas pela H.P.B. Press em Londres, todas as três foram assinadas conjuntamente por Annie Besant e William Quan Judge.

Quando impressas pela Aryan Press em Nova York, a Instrução IV foi a única assinada conjuntamente, enquanto as outras duas foram assinadas apenas por W. Q. Judge.]

Estas Instruções posteriores baseiam-se nas palavras de H.P.B. registradas em estenografia e na forma de Notas por alguns de seus estudantes durante as reuniões do Grupo Interno em Londres.

O texto que chegou até nós apresenta muitas incertezas.

Nós o incluímos no presente Volume com algumas reservas, mesmo que muitas passagens nele sejam, sem dúvida, da própria H.P.B.

A melhor discussão sobre o contexto deste material posterior pode ser encontrada em *The Theosophical Forum* (Point Loma, Califórnia), Volume XVI, abril, maio, junho de 1940; XVII, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro de 1940; Vol. XVIII, janeiro, fevereiro, março, abril de 1941, onde o Dr. Joseph H. Fussell, antigo secretário do Sr. Judge, apresentou os dados disponíveis em uma Série intitulada "Folhas da História Teosófica: O 'Grupo Interno' de H.P.B."]                        *Collected Writings* VOLUME XII                                    INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

AVISO      Os membros da E.S.T. que receberem esta Instrução compreenderão, pelo seu recebimento, que passaram do Primeiro Grau Probatório da E. S. T. para o Segundo Grau Probatório.

Os estudantes do Segundo Grau não devem discutir esta Instrução com qualquer pessoa que ainda esteja no Primeiro Grau; devem permanecer absolutamente silenciosos sobre ela, exceto com as pessoas que lhes forem notificadas como pertencentes ao Segundo ou Terceiro Graus por Annie Besant ou William Q. Judge.

Qualquer violação desta regra de silêncio será uma barreira absoluta para o recebimento de quaisquer Instruções posteriores.

––––––––––

A matéria contida nesta Instrução foi transmitida oralmente por H.P.B. em seu Ensino de Grupo para membros do Terceiro Grau.

Foi assim dada com o objetivo de ser transmitida aos membros do Segundo Grau, e foi cuidadosamente escrita pelos estudantes na época, sendo um deles o relator em estenografia.

Todas as notas assim tomadas foram comparadas, e uma cópia limpa foi feita pelas duas Secretárias, Annie Besant e George R. S. Mead.

Esta cópia foi novamente verificada, questionando-se H.P.B. sobre qualquer ponto que parecesse obscuro.

Por sua orientação, a matéria foi reorganizada sob os títulos como apresentados abaixo.

A informação é frequentemente dada de forma extremamente condensada, e o estudante precisará meditar cuidadosamente sobre cada frase para não perder o conhecimento nela contido.

Adicionei entre colchetes, para distingui-las do texto, algumas notas que elucidam afirmações que pareciam obscuras, ou que acrescentam informações interessantes: estas são extraídas de fatos fornecidos por H.P.B. em conversa, ou em resposta a perguntas, mas não faziam parte do ensinamento distinto, registrado por escrito na época, de seus lábios.

ANNIE BESANT,                                     Secretária-Chefe do Grupo Interno e Registradora dos Ensinamentos.


Estritamente Privado                                                  Não é Propriedade de Nenhum     e Confidencial                                                  Membro, e Deve Ser Devolvido                                                                       Mediante Solicitação ao Agente dos                                                                       Chefes da E.S.T.

INSTRUÇÃO N.º IV

––––––––––                                     ESTADOS DE CONSCIÊNCIA

Dar o mais breve esboço dos Estados de Consciência é a coisa mais difícil do mundo, pois o Universo é Consciência corporificada, e um conhecimento dos Estados de Consciência significa um conhecimento dos Planos do Universo, e de todas as correspondências no Kosmos, no Sistema Solar e no Homem.

[NOTA:––“Kosmos” (grafado com K) foi usado por H.P.B. no sentido da manifestação manvantárica como um todo; ela frequentemente aplica o adjetivo “cósmico” (com c) a fenômenos do Sistema Solar, e fala desse sistema como o Cosmos, e o Universo.

Que o estudante observe a passagem em A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 13: “O leitor deve ter em mente,” etc.; e pp. 20, 21: “A história da evolução cósmica,” etc.

Infelizmente, essa distinção era constantemente perdida pelos revisores, e encontramos o termo Kosmos aplicado aos sistemas solares, onde ela teria escrito cosmos.

Aqui seguiremos sua regra, frequentemente expressa, e usaremos a palavra KOSMOS apenas para o Todo.

Macrocosmos se aplicará ao sistema solar, incluindo seus sete planos.

O termo Prakriti cobrirá o plano objetivo do sistema solar,

E. S. INSTRUÇÃO N.º IV

com suas subdivisões.

O termo Microcosmos será aplicado ao homem.

O estudante é aconselhado a perceber claramente e ter em mente esta nomenclatura, pois H.P.B. enfatizou fortemente a adoção definitiva de termos e seu uso sistemático.

Na melhor das hipóteses, o estudo dos Estados de Consciência é extremamente difícil, e sua busca bem-sucedida torna-se impossível a menos que a nomenclatura, pelo menos, seja clara.]

––––––––––

DIAGRAMA IV

Figura A, Macrocósmica.––O estudante observará que o estudo dos Estados de Consciência está confinado à Consciência tal como se manifesta no sistema solar.

Qualquer tentativa de figurar a Consciência no KOSMOS teria enganado o estudante, induzindo-o a acreditar que tal Consciência Cósmica poderia ser explicada, ao passo que a totalidade mesmo do mais baixo plano do Kosmos transcende o mais elevado Adepto na Terra.

Quanto à sua explicação em palavras materiais, é como tentar confinar o infinito numa casca de noz.

Uma única coisa sabemos da Consciência Cósmica, a saber:

que ela está absolutamente fora de todos os termos da consciência terrestre.

A Figura A, portanto, deve ser tomada como representando os sete planos de Consciência apenas no sistema solar.

Estes podem ser figurados como seis dentro de um sétimo, que sintetiza todos.

Agora, deve-se sempre ter em mente que diagramas só podem mostrar um aspecto de uma verdade, e que eles servem apenas para ajudar o estudante a apreender o aspecto simbolizado.

Lembremo-nos de que estamos lidando com Forças e Estados de Consciência, e não com compartimentos estanques.

Assim, Fohat, colocado no quarto plano, está, na realidade, em toda parte; ele corre como um fio através de tudo, e tem suas próprias sete divisões, cada uma com suas sete subdivisões; a consciência fohatica é um Estado de Consciência em toda parte: quando a consciência passa ao estado fohatico, ela está "no plano fohatico." Jīva, ou o Estado Jívico de Consciência, está também em toda parte, e assim com todos os outros estados.

A Consciência é una: ela tem sete estados, ou aspectos, ou planos, e cada um destes está em toda parte.

O estado mais elevado, o sétimo, ou sintetizador, é o do Envelope Áurico, o HiraŠyagarbha, contendo os elementos Átmicos e o Karma do Macrocosmo Manifestante.

Este diagrama representa o tipo do sistema solar.

As três divisões superiores deste plano são inconcebíveis para nós, e só são alcançadas pelo mais elevado Adepto em Samādhi.

Esotericamente, Samādhi

––––––––––      O estudante é lembrado da injunção de sigilo quanto ao Ovo Áurico.

Foi quebrada por alguns Esotericistas.

–––––––––– DIAGRAMA IV                                      ESTADOS DE CONSCIÊNCIA


Macrocósmico             FIGURA A

FIGURA B

FIGURA C

__________      O Quarto Globo de cada Cadeia Planetária.

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

é o estado mais elevado na terra alcançável enquanto no corpo.

Além disso, o Iniciado deve tornar-se um NirmāŠakāya. O mais elevado Adepto começa seu Samādhi no quarto plano macrocósmico, e não pode passar para fora do sistema solar.

Quando tal Adepto começa seu Samādhi, ele está em pé de igualdade com alguns dos Dhyāni-Chohans, mas os transcende à medida que ascende ao sétimo plano, NirvāŠa.      O “VIGIA SILENCIOSO” [ver A Doutrina Secreta, Vol.

I, pp. 207, 208] está no quarto plano.

O Pratyeka-Buddha, o Buda do Egoísmo––chamado por causa desse egoísmo espiritual de “rinoceronte”, o animal solitário––nunca pode passar além do terceiro plano, o de Jīva. Tal pessoa conquistou, de fato, seus desejos materiais, mas ainda não se libertou de seus anseios mentais e espirituais.

É somente o Buda da Compaixão que pode transcender este terceiro plano macrocósmico.

Figura B, Prāk itic.––Prak iti, o plano mais baixo da consciência macrocósmica, representa o “corpo” dos sistemas solares, com suas próprias sete subdivisões, ou os sete estados de consciência Prāk itic, cada um correspondendo a um estado da consciência macrocósmica.

[NOTA.––H.P.B. não explicou a consciência Prāk itic.

Ela deixou o estudante resolvê-la por correspondências com o macrocósmico e o microcósmico, meramente apontando que a consciência Prāk itic, ou aquela no plano objetivo dos sistemas solares––objetiva quanto aos sistemas, i.e., mais densa quanto à matéria––tinha seus próprios sete estágios, cada um desses sub-estágios formando um dos quarenta e nove sub-estágios do sistema solar.

Deve-se lembrar que a palavra “objetivo” é correlativa ao observador; o plano astral Prāk itic é objetivo para clarividentes e alguns animais; requer desenvolvimento além do normal na Quinta Raça para alcançar os planos Prāk itic superiores como objetivos; somente o Adepto pode passar para os planos macrocósmicos além do Prāk itic.]      Figura C, Microcósmico ou Humano.––Esta figura representa a consciência humana, que pode estar em qualquer um dos planos ou sub-planos de Prak iti.

Os nomes representam as correspondências dos princípios humanos, assim chamados, com os estados de consciência Prāk itic e macrocósmicos.

Os números em todas as figuras são acrescentados meramente por conveniência ou referência, e por nenhuma outra razão, como já foi explicado tantas vezes.

Atenção especial deve ser dada ao triângulo com seu ápice no estado Mânasico e sua base no estado Kāma-Mânasico.

O ápice é Manas, o Ego Superior, o Christos.

Este, ao emitir seu Raio, torna-se "crucificado entre dois ladrões". Pois o Raio pessoal é

––––––––––        Ver A Voz do Silêncio, Fragmento II, p. 43, e Nota 38. –––––––––– parcialmente puro, parcialmente impuro, arrastado para baixo por Kāma de um lado e estendendo-se para cima em direção ao Manas Superior do outro.


É a entidade de dupla face.

Um "ladrão", a parte pura do Manas Inferior, arrepende-se e vai com o Christos para o Paraíso, ou seja, torna-se o aroma da personalidade, a consciência da entidade Devachânica.

O outro, a parte impura, apega-se a Kāma, e é dissipado com ele no Kāma-Loka.

Assim, o Raio reencarnante pode ser separado, por conveniência, em duas porções; o Ego Kāmico inferior é dissipado no Kāma-Loka; a parte Mânasica cumpre seu ciclo e retorna ao Ego Superior.

É, na realidade, este Ego Superior que, por assim dizer, é punido, que sofre, e esta é a verdadeira crucificação do Christos, o mistério mais abstruso, mas ainda assim o mais importante do Ocultismo, sobre o qual mais será dito adiante.

Relacionando o plano mais baixo de Prak iti, ou o terrestre, à consciência humana, podemos dividi-lo em sete sub-planos.

A estes foram dados os seguintes nomes:

7º sub-plano, Consciência Âtmica, a do Para-Ego.

6º      "     Búdica        "      " " " Ego Interno.

5º      "     Mânasica      "       " " " Ego Superior ou Individual.

4º      "     Kāma-Mânasica "         " " " Ego Pessoal ou Psíquico Superior.

3º      "     PrāŠico-Kāmico "         ou Psíquico.

2º      "     Astral         "       1º      "     Objetivo      "

Os sub-planos são novamente divisíveis, cada um em sete, perfazendo mais uma vez os quarenta e nove.

[NOTA.––O termo Para-Ego foi adotado por H.P.B., como descritivo do sétimo sub-plano do mais baixo Prak iti, para significar que esse plano estava além da individualidade.

Ela apontou que "Ātma-Buddhi, neste plano Prāk itico, atua mais nos átomos do corpo, e em organismos como bacilos e micróbios do que no homem como um todo." Portanto, eles são quase sem sentido neste plano, sendo o que chamamos de consciência muito obtuso.

“O Átomo,” disse ela em outra ocasião, “é o Ātman da mais baixa Prak iti.”]

Prosseguiremos agora para discutir a natureza da consciência setenária nos dois planos mais baixos de Prak iti, o Objetivo e o Astral, a saber:

os sete Estados de Consciência no plano Terrestre Objetivo, o do globo D [no diagrama à p. 200, Vol. I de A Doutrina Secreta]; e também os sete Estados de Consciência no plano Astral Prāk itico.

Primeiramente, devemos lembrar que a vida perceptiva propriamente dita começa no sub-plano Astral de cada plano.

Não são as moléculas físicas, ou objetivas, que veem, ouvem, etc.

DIAGRAMA V

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

[NOTA.––Os centros de sensação, ou de ação interna, isto é, de ver, ouvir, cheirar, etc.––chamados Indriyas nos sistemas orientais––estão localizados no homem astral, sendo as moléculas físicas apenas os agentes materiais necessários para receber impulsos de fora e transmiti-los aos centros.

Os órgãos de ação, ou Karmēndriyas (ver Diagrama V) são Indriyas, ou centros adquiridos para o Karma (ação externa, neste caso). Os verdadeiros centros, que impulsionam à ação, estão no homem astral, ou seja, pertencem à Consciência Astral.] A autoconsciência propriamente dita só começa entre Kāma e Manas.

CONSCIÊNCIA OBJETIVA PRĀK¬ITICA

O primeiro dos sete sub-planos do Primeiro, ou mais Baixo, plano Prāk itico.

1. Consciência Sensual Objetiva.––A consciência que pertence aos cinco sentidos físicos no homem e rege nos animais, aves, peixes, alguns insetos, etc.

Aqui estão as “Vidas”; sua consciência está em Ātma-Buddhi; elas são inteiramente sem Manas.

2. Consciência Instintiva Astral.––A consciência das plantas sensitivas, das formigas, aranhas e algumas moscas noturnas (indianas), mas não das abelhas.

Entre outros animais, os vertebrados não mamíferos são desprovidos dessa consciência, mas os mamíferos placentários têm todas as potencialidades da consciência humana, embora, é claro, adormecidas, ou latentes, no presente.

Neste plano está a consciência dos idiotas.

A frase comum, “ele perdeu a razão,” é uma verdade oculta; pois quando, por susto ou outra causa, a mente inferior fica paralisada, então a consciência age no plano astral.

O estudo da loucura lançará muita luz sobre este ponto.

Este pode ser bem chamado de “plano nervoso.” É cognoscível por nossos “sentidos nervosos,” dos quais, até agora, a fisiologia moderna nada sabe.

Por isso é que um clarividente pode ler com os olhos vendados, com as pontas dos dedos, a boca do estômago, etc.

Essa consciência é grandemente desenvolvida nos surdos-mudos.

Neste plano, tudo é invertido, refletido de cabeça para baixo.

3. Consciência Kāma-PrāŠica, ou Fisiológico-Emocional. — Esta é a consciência geral de vida que pertence ao mundo objetivo, até mesmo à pedra; pois se as pedras não fossem vivas, não poderiam decair, esfarelar-se ou emitir uma faísca.

A afinidade entre elementos químicos é uma manifestação dessa consciência Kāma-PrāŠica.

A este plano também pertencem os instintos de preservação da vida, como, por exemplo, aquele que impede um gatinho de entrar na água e se afogar.

[Uma pedra não poderia esfarelar-se a menos que houvesse vida em toda ela; pois o esfarelamento não se deve apenas à fricção da água, do ar, etc., ou à ação da geada, mas ao fato de que cada partícula na pedra está em um estado de vibração ativa, realizando movimentos rítmicos, não em um estado de inércia.


Essas ondas de vida, pulsando na pedra, afastam suas moléculas, permitindo assim que matérias e influências estranhas penetrem entre elas, forçando-as a se afastarem ainda mais, e causando assim o esfarelamento.

Mesmo isso não é tudo: a ação vibratória da própria vida, independentemente de qualquer interferência externa, tende, em última análise, a desintegrar as combinações de moléculas que compõem a pedra.]

4. Consciência Kāma-Mānásica, ou Psíquica, ou Passional-Emocional. — Em animais e idiotas, a consciência instintiva nos planos inferiores da sensação está nesse estado; no homem, essas são racionalizadas.

Por exemplo, se um cão é encerrado em um quarto, ele tem o instinto de sair, mas é incapaz de fazê-lo porque esse instinto não é suficientemente racionalizado para tomar os meios necessários à sua libertação.

Um homem imediatamente compreende a situação e se deixa sair.

Os graus mais elevados dessa consciência Kāma-Mānásica são psíquicos, havendo dentro deste subplano, como em todos os outros, sete graus, desde o instintual até o psíquico.

5. Consciência Mânásica ou Mental-Emocional. — Deste plano, Manas se estende até Mahat.

6. Consciência Búddhica, ou Espiritual-Emocional. — O plano de Buddhi ou do Envelope Áurico.

Deste plano, a consciência vai ao "Pai no Céu", Ātman, refletindo tudo o que está no Envelope Áurico.

Os estados Máñásico e Búddhico abrangem os planos desde o Noético até o Divino, mas é impossível, neste estágio, defini-los de forma inteligível.

Chame o plano mais elevado de x, se quiser.

Você não pode compreendê-lo.

CONSCIÊNCIA ASTRAL PRĀKṚTICA

1. Consciência Objetiva. – Tudo o que é visto neste plano deve ser invertido ao ser traduzido em termos de consciência objetiva.

Por exemplo, os números aparecem como se escritos ao contrário: 591 apareceria como 195. O Astral objetivo corresponde em tudo ao objetivo Terrestre, ou à consciência sensorial.

2. Consciência Astral. – Esta segunda divisão corresponde à segunda do plano inferior, mas os objetos aqui vistos são de extrema tenuidade, astrais astralizados, por assim dizer.

Este plano é o limite da visão do médium comum.

Para alcançá-lo, uma pessoa não mediúnica deve estar dormindo, ou em transe, ou sob a influência do gás hilariante, ou de alguma droga.

No delírio comum, a consciência passa para este plano.

–––––––––– Ver "Ação Psíquica e Noética", Lucifer, Vol.

VII, outubro e novembro de 1890. [Incluído no presente Volume.] ––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

3. Consciência Kāma-Prāṇica. – Este estado é de natureza intensamente vívida.

A consciência está nele no delírio da febre alta.

No delirium tremens, o bêbado passa para este plano, e pode até prosseguir para o próximo.

Os lunáticos também estão frequentemente neste estado de consciência e veem visões terríveis.

Este plano se sobrepõe ao próximo, a Consciência Kāma-Mánásica.

4. Consciência Kāma-Mánásica. – Este é o pior dos planos astrais, kâmico e terrível.

Daqui vêm as imagens que tentam: imagens de bêbados e libertinos em Kāma-Loka, impelindo suas vítimas à bebida e à devassidão; imagens de toda luxúria e vício, inoculando nos homens o desejo de cometer crimes.

Pessoas de naturezas fracas e mediúnicas imitam essas imagens de uma espécie de maneira macaca, e assim caem sob sua influência.

Aqui estão espalhadas as sementes de epidemias de vício, de ciclos de desastres e catástrofes gerais de todos os tipos que acontecem em grupos – uma série de assassinatos, terremotos, naufrágios.

Nos casos mais agudos de delirium tremens, a consciência do sofredor está neste plano.

5. Consciência Mánásica. – Este plano é o das premonições em sonhos, dos reflexos da mentalidade inferior, dos vislumbres do passado e do futuro, o plano das coisas mentais e não espirituais.

6. Consciência Búdica. –– Deste plano provêm todas as belas inspirações da arte, da poesia e da música, tipos elevados de sonhos, lampejos de gênio.

Aqui podem ser vislumbradas visões de encarnações passadas, embora possa não ser possível localizá-las ou analisá-las.

7. Consciência Áurica. –– A consciência está neste plano no momento da morte, ou em visões excepcionais.

Aqui está a consciência do homem que se afoga quando ele se lembra de todos os incidentes passados de sua vida num lampejo.

A memória dessa consciência deve ser armazenada no coração, "a sede do Buddhi". Então permanecerá ali, mas impressões deste plano Átmico não podem ser feitas no cérebro físico.

Estes dois planos Prāk iticos são os únicos dois usados no Ha˜ha-Yoga, e nenhum Ha˜ha-Yogi pode ultrapassá-los.

––––––––––                          Escritos Reunidos VOLUME XII                  LOKAS E TALAS, EM CONEXÃO COM OS ESTADOS                                DE CONSCIÊNCIA

Os estudantes devem se familiarizar com o significado correto dos termos sânscritos usados no Ocultismo, e devem aprender a simbologia oculta.

Para começar, a classificação esotérica correta e os nomes dos quatorze (7 x 2) e sete (Sapta) Lokas, como encontrados nos livros-texto exotéricos, devem ser aprendidos.

Os Lokas são ali dados de maneira muito confusa, e a descrição está cheia de "biombos".


["Biombos", como usados nos livros-texto exotéricos, têm o duplo valor de ocultar verdades ocultas daqueles não preparados para recebê-las, e de transmitir informação aos iniciados.

Um esoterista, voltando-se para tais livros, pode obter uma massa de conhecimento que jaz oculta ao olho não treinado.

Uma boa lição no uso de "biombos" pode ser aprendida por um estudo cuidadoso e comparação das classificações e explicações dadas abaixo.]      As três classificações seguintes de Lokas, i.e., de mundos, lugares ou estados, podem ser tomadas como ilustrações.

1. A Categoria Geral, Exotérica, Ortodoxa e Tântrica.

Bhūr-Loka.

Bhuvar-Loka.

Svar-Loka.

Mahar-Loka.

Janar-Loka.

Tapar-Loka.

Satya-Loka.

Os segundos sete são refletidos.

2. A Categoria Sānkhya, e a de alguns Vedāntins.

Brahmā-Loka.

Pit i-Loka.

Soma-Loka.

Indra-Loka.

Gandharva-Loka.

Rākshasa-Loka.

Yaksha-Loka.

Há também um oitavo, Pisācha-Loka, a morada de fantasmas, duendes, etc.

3. A Vedāntica, a mais próxima da Esotérica.

A-Tala.

Vi-Tala.

Su-Tala.

Talā-Tala (ou Kara-Tala).           Rasā-Tala.

Mahā-Tala.

Pā-Tala.

Estes Talas––Tala significa lugar, mundo, esfera––são definidos como se segue: A-Tala: nenhum lugar.

Vi-Tala: alguma mudança para melhor.

Este "melhor" é do ponto de vista da matéria, na medida em que mais matéria entra nele, i.e., a matéria torna-se mais diferenciada.

Este é um termo oculto antigo.

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

Su-Tala: lugar bom, excelente.

Kara-Tala: algo que pode ser apreendido ou tocado (de Kara, uma mão): i.e., o estado em que a matéria se torna tangível.

Rasā-Tala: lugar do gosto: um lugar que pode ser sentido por um dos órgãos dos sentidos.

Mahā-Tala: exotericamente, grande lugar.

Mas esotericamente, um lugar que inclui todos os outros; subjetiva e potencialmente incluindo todos os que o precedem. Pā-Tala: algo sob os pés (de Pāda, um pé). O upādhi, ou base, de qualquer coisa.

As antípodas, a América, etc.

Tomando esta classificação Vedântica, e seguindo suas correspondências nos Estados de Consciência, temos o seguinte: Atala.––O estado ou localidade Átmica ou Áurica.

Irradia diretamente da manifestação periódica na ABSOLUTIDADE, e é a primeira algo no Universo.

Sua correspondência no Cosmos é a hierarquia de seres primordiais não substanciais, em um lugar que não é estado.

Esta hierarquia contém o plano primordial, tudo o que foi, é e será, do início ao fim do Mahāmanvantara; tudo está ali.

Esta afirmação não deve, contudo, ser tomada como implicando fatalidade, kismet: este último é contrário a todos os ensinamentos do Ocultismo.

Aqui estão as hierarquias dos Dhyāni-Buddhas.

Seu estado é o de Para-Samādhi, do Dharmakāya; um estado onde nenhum progresso é possível.

As entidades ali podem ser ditas cristalizadas em pureza, em homogeneidade.

Vitala.––Aqui estão as hierarquias dos Buddhas celestiais ou Bodhisattwas, que se diz emanarem dos sete Dhyāni-Buddhas.

Relaciona-se na terra ao Samādhi, à consciência Búdica no homem.

Nenhum Adepto, exceto um, pode ser mais elevado do que isto e viver: se ele passa para o estado Átmico ou Dharmakāya (Alaya) não pode mais retornar à terra.

Estes dois estados são puramente hiper-metafísicos.

Sutala.––Um estado diferenciado correspondendo na terra ao Manas Superior, e portanto a Śabda (Som), o Logos, nosso Ego Superior; e também ao estado Mānushya-Buddha, como o de Gautama na terra.

Este é o terceiro estágio do Samādhi (que é setenário). Aqui pertencem as hierarquias dos Kumāras––os Agnishwāttas, etc.

Karatala.––Um estado que corresponde a Sparśa (toque) e às hierarquias dos Dhyāni Chohans etéreos semi-objetivos, da natureza astral do Mānasa-Manas––ou o puro Raio de Manas, isto é, do Manas inferior antes de ser misturado com Kāma (como na criança pequena). Eles são chamados Sparśa-Devas, os Devas dotados de toque.

(Estas hierarquias são progressivas; as primeiras têm um sentido; as segundas dois, e assim por diante até sete, cada uma contendo todos os sentidos potencialmente, mas ainda não desenvolvidos.


Sparśa seria melhor traduzido por afinidade, contato.)     Rasātala, ou Rūpatala.––(Rasātala é um cego dentro de um cego, pois Rasa, gosto, pertence ao próximo Tala). Este estado corresponde às hierarquias dos Devas de Rūpa ou Visão, possuídos de três sentidos––visão, audição e tato.

Estes são entidades Kāma-Mānásicas, e os elementais mais elevados.

Com os Rosacruzes, as Sifides e Ondinas.

Corresponde na terra a um estado artificial de consciência, tal como o produzido por hipnotismo e drogas (morfina, etc.).      Mahātala.––O estado correspondente às hierarquias dos Devas de Rasa ou Gosto, e incluindo um estado de consciência que abrange os cinco sentidos inferiores e as emanações da vida e do ser.

Corresponde a Kāma e Prāṇa no homem, e a Salamandras e Gnomos na natureza.

Pātāla.––O estado que corresponde às hierarquias dos Devas de Gandha (olfato); o submundo ou antípodas; Myalba.

A esfera dos animais irracionais, sem sentimento exceto o de autopreservação e gratificação dos sentidos; também de seres humanos intensamente egoístas, despertos ou dormindo.

É por isso que se diz que Nārada visitou Pātāla quando foi amaldiçoado a renascer.

Ele relatou que a vida lá era muito agradável para aqueles "que nunca haviam deixado seu local de nascimento"; eles eram muito felizes.

É o estado terreno e corresponde ao sentido do olfato.

Aqui também estão dugpas animais, elementais de animais, e espíritos da natureza.

Relacionando estes Talas aos sentidos do homem, temos:      Atala.––Áurico, Átmico, Aláyico, sentido do gosto.

Um de plena potencialidade, mas não de atividade.

Vitala.––Búdico; o sentido de ser um com o Universo, a impossibilidade de se imaginar separado dele.      [Um estudante aqui perguntou a H.P.B. por que o termo Aláyico deveria ser dado ao estado Átmico em vez de ao estado Búdico.]

RESP.––Essas classificações não são divisões rígidas e fixas.

Um termo pode mudar de lugar conforme a classificação seja exotérica, esotérica ou prática.

À medida que o estudante avança, deve esforçar-se por reduzir todas as coisas a Estados de Consciência.

Buddhi é uno e indivisível.

É um sentimento interior, absolutamente inexprimível em palavras.

Toda classificação se desfaz ao tentar explicá-lo.]      Sutala.––Śábdico, sentido da audição.

Karatala.––Spárśico, sentido do tato.

Rasātala, ou Rūpatala.––O estado de sentir-se a si mesmo como corpo e percebê-lo (rūpa––forma).      Mahātala.––Sentido do paladar.

Gândhico.––Sentido do olfato.

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

Cada um e todos esses Talas correspondem esotericamente tanto às Hierarquias cósmicas e Dhyāni-Chohânicas quanto aos Estados Humanos de Consciência, com suas quarenta e nove subdivisões.

Cada um corresponde e se transforma em cinco (exotericamente) e sete (esotericamente) estados ou Tattvas, para os quais não há nomes definidos.

Esses Tattvas transformam-se a si mesmos no universo inteiro.

Os sete Lokas ou Talas, por reflexão, tornam-se catorze: acima, abaixo; dentro, fora; subjetivo, objetivo; puro, impuro; positivo, negativo; e assim por diante.      [“Pares de opostos” que constituem o universo.]      Para compreender como os Lokas e Talas correspondem aos quarenta e nove fogos da Consciência Humana, é necessário classificar esses estados em quatro divisões principais: (1) Tanmātras, ou Rudimentos; (2) Bhūtas, ou Elementos; (3) Jñānēndriyas, ou órgãos dos sentidos; (4) Karmēndriyas, ou órgãos de ação.

Todos os estados e sentidos cósmicos e antrópicos têm suas correspondências com nossos órgãos de sensação, ou Jñānēndriyas, os rudimentos para receber conhecimento através do contato direto, como visão, audição, etc.

Essas são as faculdades do Śarīra, através de Netra (olhos), nariz, fala, etc.

Correspondem também aos órgãos de ação, Karmēndriyas, mãos, pés, etc.

Exotericamente, então, temos cinco subdivisões de cada uma dessas quatro divisões principais, ou vinte, chamadas facultativas.

A essas são acrescentados cinco búdicos, perfazendo vinte e cinco no total.

Exotericamente, diz-se que Buddhi percebe, e assim suas percepções são somadas às outras.

Esotericamente, Buddhi alcança a percepção apenas através do Manas Superior, de modo que apenas os vinte facultativos são contados na classificação esotérica.

Mas cada um desses vinte existe como um estado positivo e um negativo, perfazendo assim quarenta no total.

Além disso, há dois estados subjetivos, correspondendo a cada divisão, portanto oito no total.

Estes, sendo subjetivos, não podem ser duplicados.

Assim, chegamos a 40 + 8 = 48 “cognições de Buddhi.” Estas, com Māyā, que as inclui a todas, perfazem 49. Uma vez que tenhas alcançado a cognição de Māyā, és um Adepto.

Para resumir:             5 positivos           + 5 negativos           Tanmātras              +   2 subjetivos.

“                  + 5 “                  Bhūtas                 +   2    “             5 “                  + 5 “                  Jñānēndriyas           +   2    “             5 “                  + 5 “                  Karmēndriyas           +   2    “             20 “                 + 20                                          +             20 + 20 + 8          + Māyā = 49.

BLVATSKY:COLETÂNEA DE ESCRITOS

–––––––––                                        DIAGRAMA V––CONTINUAÇÃO                                                    –––––––––

Em seus véus exotéricos, os Brâmanes contam 14 Lokas (incluída a terra), dos quais 7 são objetivos, embora não aparentes, e 7 subjetivos, porém plenamente demonstráveis ao homem interior.

Estes são:

SETE LOKAS DIVINOS                              SETE LOKAS INFERNAIS (TERRESTRES)

1. Bhūrloka, a terra.

1. Pātāla, a terra.

Bhuvarloka, o espaço entre a terra e o sol (Munis).         2. Mahātala.

3. Svarloka, o espaço entre o sol e a estrela polar        3. Rasātala.

(Yogis)  4. Maharloka, o espaço entre a terra e o limite        4. Talātala (também Karatala).  extremo do sistema solar.  5. Janarloka, além do sistema solar, a morada dos        5. Sutala.

Kumāras que não pertencem a este plano.

6. Taparloka, ainda além da região Mahātmica; a morada   6. Vitala.

das divindades Vairāja.

7. Satyaloka, a morada dos Nirvanīs.                       7. Atala.

Ora, todos estes 14 são planos de fora para dentro, e estados de consciência através dos quais o homem pode passar e deve passar, uma vez que esteja determinado a atravessar os sete caminhos e portais do Dhyāni. Não é necessário estar desencarnado para isso.

Tudo isto é alcançado na terra em uma ou muitas das encarnações.

Vejam a ordem: os quatro inferiores (1, 2, 3, 4) são rūpa; i.e., são realizados pelo homem interior com a plena concordância da porção ou elementos mais divinos do Manas inferior, e conscientemente pelo homem pessoal.

Os três estados superiores não podem ser alcançados e lembrados por este último, a menos que ele seja um Adepto totalmente iniciado.

Um Haṭha-Yogi nunca ultrapassará psiquicamente o Maharloka, e o Talātala (plano duplo ou dual) psico-mentalmente.

Para se tornar um Rāja-Yogi, um Chela deve

––––––––––      Todos esses espaços denotam as correntes magnéticas especiais, os planos de substância e os graus de aproximação que a consciência do Yogi ou Chela faz em direção à assimilação com os habitantes dos Lokas.      Estes os Brâmanes leem de baixo para cima.

––––––––––                                           E. S. INSTRUÇÃO Nº IV

ascender ao sétimo portal, o Satyaloka.

Pois, dizem-nos os MESTRES YOGIS, tal é a fruição do Ijya ou "sacrifício". Quando os estados Bhūr, Bhuvar e Swarga (Estados) são uma vez ultrapassados, e a consciência do Yogi está no Maharloka, este é o último plano e estado entre a identificação completa do Manas Pessoal e o Superior.

Uma coisa deve ser lembrada: enquanto os estados "infernais" ou terrestres são também as sete divisões da terra, tanto como planos ou estados, quanto como divisões cósmicas, os divinos Saptalokas são puramente subjetivos, e começam com o plano psíquico da Luz Astral, terminando com o estado Satya, ou Jivanmukta.

Esses catorze Lokas, ou esferas, formam a extensão de todo o Brahmāṇḍa (mundo). Os quatro inferiores são transitórios com todos os seus habitantes, e os três superiores eternos, isto é, os primeiros estados, planos e sujeitos a estes, duram apenas um Dia de Brahmā, mudando a cada Kalpa; os últimos perduram por uma Era de Brahmā.

––––––––––

EXPLICAÇÃO DO DIAGRAMA V

A linha dupla divide os estados Rūpa dos Arūpa.

Elementos. –– Os elementos têm uma ordem regular, mas o fogo os permeia a todos.

Lokas e Talas. –– Os Lokas Divinos e os Infernais (terrestres) são reflexos, um do outro, assim também são as hierarquias em cada um, em pares de opostos, nos dois polos da esfera.

Em toda parte existem tais opostos –– bem e mal, luz e trevas, masculino e feminino.


[O estudante deve observar cuidadosamente as correspondências entre os Lokas e Talas, i.e., como entre Maharloka e Talātala.]

Além disso, deve-se ter em mente a antítese entre o superior e o inferior nas categorias divina e infernal; os números são usados para mostrar correspondências, mas apenas para esse propósito; de Bhūrloka a Satyaloka, o Chela está espiritualmente ascendendo cada vez mais alto; de Pātāla a Atala, o homem está espiritualmente afundando cada vez mais baixo.

Os nomes dos Talas são os mesmos das categorias exotéricas acima, mas os significados esotéricos a eles atribuídos são totalmente diferentes.

Que o estudante estude lado a lado os "véus" exotéricos e as verdades esotéricas, e obterá muitas pistas para a leitura de obras exotéricas em geral.] Os Lokas e Talas representam planos de consciência nesta terra, através de alguns dos quais todos os homens devem passar, e através de todos os quais o Chela deve passar em seu caminho para o Adeptado.

Todos passam pelos Lokas inferiores, mas não necessariamente pelos Talas correspondentes.

Há dois polos em tudo, sete estados dentro de cada estado.

Os brâmanes e budistas consideram os Talas como infernos, mas a palavra deve ser tomada figurativamente.

Estamos no inferno sempre que sofremos, estamos em miséria, infortúnio e assim por diante. Quanto mais você desce nos Talas, mais intelectual você se torna e menos espiritual.

Você pode ser um homem moralmente bom, mas não espiritual.

O intelecto pode permanecer muito intimamente aliado ao Kāma. Um homem pode estar em um dos Lokas, ou seja, no plano de consciência representado por aquele Loka, e pode visitar um ou todos os Talas, sua condição neles dependendo do Loka ao qual pertence.

Assim, um homem apenas em Bhūrloka pode passar para os Talas e pode ir para o diabo.

Se ele habita em Bhuvarloka, pode visitar os Talas e não pode se tornar tão mau.

Se ele alcançou o estado de Satya, pode entrar em qualquer Tala sem perigo; sustentado por sua própria pureza, jamais pode ser engolfado.

Os Talas são os estados do intelecto cerebral, enquanto os Lokas – ou mais precisamente os três superiores – são espirituais.

Assim, um Chela poderia estar entre Maharloka e Janarloka quando a espiritualidade estivesse predominante nele; entre Talātala e Sutala quando a intelectualidade fosse suprema.

A consciência não pode estar inteiramente em dois planos, em dois Lokas, ao mesmo tempo.

Os estados superiores e inferiores não são totalmente incompatíveis, mas se você está no superior, divagará no inferior.

Para lembrar do estado superior ao retornar ao inferior, a memória deve ser levada para cima, ao superior.

Um Adepto pode aparentemente desfrutar de uma consciência dupla; quando não deseja ver, pode abstrair-se;

E. S. INSTRUCTION NO. IV

ele pode estar em um estado superior e ainda assim responder a perguntas que lhe são dirigidas.

Mas, nesse caso, retornará momentaneamente ao plano material, elevando-se novamente ao superior.

Esta é sua única salvação sob condições adversas.

O estudante que não é naturalmente psíquico deve fixar a consciência quádrupla em um plano superior e pregá-la ali.

Que ele faça um feixe dos quatro inferiores e os fixe a um estado superior.

Deve centralizar-se nesse superior, procurando não permitir que o corpo e o intelecto o puxem para baixo e o arrastem; que brinque com o corpo, comendo, bebendo e dormindo, mas vivendo sempre no ideal.

Pessoas vacilantes derivam de um estado de consciência para outro, sem autodireção ou controle.

[O estudante não deve dar a isso a interpretação de que vícios corporais, paixões etc. não têm importância.

H.P.B. em muitas ocasiões denunciou essa interpretação como das mais perniciosas e totalmente oposta ao Ocultismo.

A pureza é essencial, como primeiro passo, e permanece essencial ao longo de tudo, se a dugpaship deve ser evitada.

Mas o corpo deve ser tratado com indiferença, seus gostos desconsiderados e até opostos, até que suas vozes não sejam mais ouvidas como elemento perturbador.]

LOKAS

[Para Lokas etc., não mencionados abaixo, ver diagrama.]      Bhūrloka.––Bhūrloka é o estado de vigília em que normalmente vivemos; é o estado em que também os animais se encontram, quando sentem alimento, perigo etc.

Começa com o Manas inferior.

Os animais não sentem como os homens.

O cão pensa mais na ira de seu mestre do que na dor real do chicote.

O animal não sofre na memória e na imaginação, sentindo a dor passada e futura tanto quanto a dor presente real, como faz o homem.

Svarloka.––Estar em Svarloka é estar completamente abstraído neste plano, deixando apenas o instinto agir, de modo que no plano material você se comportaria como um animal.

Conhecem-se iogues que se cristalizaram nesse estado, e então precisam ser alimentados por outros.

Um iogue perto de Allāhābād está há cinquenta e três anos sentado sobre uma pedra; seus Chelas o mergulham no rio todas as noites e depois o recolocam no lugar.

Durante o dia, sua consciência retorna a Bhūrloka, e ele fala e ensina.

Outro iogue foi encontrado em uma ilha perto de Calcutá, em cujos membros as raízes das árvores haviam crescido.

Ele foi cortado, e no esforço para despertá-lo, tantas violências lhe foram infligidas que ele morreu.

––––––––––       [“Tendo fixado sua mente em repouso no Eu verdadeiro, ele não deve pensar em mais nada.

A qualquer objeto que a mente inconstante se dirija, ele deve subjugá-lo, trazê-lo de volta e colocá-lo sobre o Espírito.”––Bhagavad-Gītā, cap.

VI, 25-26] –––––––––– 672                             BLAVATSKY: ESCRITOS COLIGIDOS

Rasātala.––O amor materno, como instinto, está entre Rasātala e Talātala.

Vitala.––Vitala representa um estado sublime e também infernal.

Aquele estado que para o mortal é uma separação completa do Ego em relação à personalidade é, para um Buda, uma mera separação temporária.

Para o Buda, é um estado cósmico.

PLANOS DE HIERARQUIAS CORRESPONDENTES

“2.”––Os elementais na Luz Astral são reflexos.

Tudo na terra é ali refletido.

É a partir deles que, às vezes, se obtêm fotografias através de médiuns.

Os médiuns os produzem inconscientemente como formas.

Os Adeptos os produzem conscientemente através de Kriyāśakti, trazendo-os para baixo por um processo que pode ser comparado ao focalizar de raios de luz por uma lente de aumento.

“6.”––Os Vairājas pertencem a outros Manvantaras; são os Egos ígneos deles.

Eles já foram purificados no fogo das paixões.

Foram eles que se recusaram a criar.

Alcançaram o Sétimo Portal e recusaram o Nirvāṇa, permanecendo para os Manvantaras subsequentes.

PRINCÍPIOS

Corpo, Astral, Kāma, Manas Inferior, Manas Superior, Buddhi e Aura Ātmica ou Ovo Áurico são dados como os princípios.

A Vida é um Princípio Cósmico Universal, e não mais que Ātman pertence ela aos indivíduos.

Prāṇa e o Envelope Áurico são essencialmente os mesmos, e, novamente, como Jīva, é o mesmo que a Divindade Universal.

Os sete degraus do Antaskaraṇa correspondem aos Lokas.

SENTIDOS

Tato e Paladar não têm ordem.

Cada sentido permeia todos os outros, havendo na realidade apenas um sentido agindo através de diferentes órgãos de sensação.

Todos os sentidos são apenas diferenciações da consciência-sentido una.

Portanto, podemos sentir cores e ver sons.

Não há ordem geral; aquele sentido que é mais desenvolvido é o primeiro para aquela pessoa.

CORES

[Foi feita uma pergunta sobre por que o Azul, a cor do Envelope Áurico, deveria ser dado no diagrama como correspondente à terra.]

H.P.B. apenas respondeu que Azul era uma cor por si mesma, uma primária; que Índigo também era uma cor, não um tom de Azul; e que Violeta era uma cor.] Os estudantes devem aprender todas as correspondências dadas no diagrama, de modo que qualquer Loka, sentido, cor, etc., evoque imediatamente, sem esforço, todas as suas correspondências.

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

[NOTA.––Os estudantes, quer estudem sozinhos ou em grupo, são solicitados a anotar as dificuldades que surgirem no curso de seus estudos.

Se, após cuidadosa consideração, acharem tais dificuldades insuperáveis, são solicitados a escrevê-las cuidadosa e claramente, de forma inteligível, e a enviar a declaração a Annie Besant ou William Q. Judge, conforme o país em que residem.

Tal dificuldade será, se possível, resolvida, e as perguntas e respostas serão enviadas a todos os Membros do Segundo Grau antes da próxima Instrução ser publicada.]                                                                                                     ANNIE BESANT,                                                                                                 WILLIAM Q. JUDGE.

LONDRES, julho de 1891.                            –––––––––

Impresso na H. P. B. Press, Londres, e na Aryan Press, Nova York.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                     E. S. INSTRUCTION NO. IV

ESCOLA ORIENTAL DE TEOSOFIA

GRAU II

PRIMEIRO PAPEL SUPLEMENTAR                                                        A                                        INSTRUÇÃO Nº IV

E. S. INSTRUCTION NO. IV

ESTRITAMENTE PRIVADO E CONFIDENCIAL                   NÃO É PROPRIEDADE DE NENHUM MEMBRO, E DEVE SER DEVOLVIDO                        SOB SOLICITAÇÃO AO AGENTE DO CHEFE DA E.S.T.

PRIMEIRO PAPEL SUPLEMENTAR

À INSTRUÇÃO Nº IV

Nas duas primeiras páginas do Nº IV, é apontado que H.P.B. pretendia adotar certos termos, tais como Kosmos, em distinção de Cosmos, a fim de ter uma nomenclatura definida, e os estudantes foram lembrados de que ela "dava grande ênfase à adoção definida de termos e ao seu uso sistemático". Agora, como ao mesmo tempo o estudante encontrará aqui e ali em seus escritos publicados e às vezes nos papéis do Primeiro Grau, uma ausência dessa mesma definitude, é necessário chamar a atenção para o fato de que agora––neste Grau––a questão é muito diferente, e aqueles deste Grau devem ser tão cuidadosos com respeito aos termos quanto é solicitado nas duas páginas acima mencionadas.

Ao falar ao mundo e aos iniciantes, não é nem necessário nem útil ser excessivamente minucioso quanto às palavras em uma língua como o inglês, que não é uma língua científica, desde que as ideias sejam expressas de modo a serem compreendidas por tais iniciantes a partir de seu ponto de vista.

Não há contradição entre esta ênfase na definitude e o uso dos termos *loka* e *tala* nas pp. 662-68 e no Diagrama V, como alguns supuseram.

Neste último caso, H.P.B. primeiro fornece certos termos e explicações exotéricos aceitos; ela então seleciona dois conjuntos de nomes e os aloca à descrição de dois extremos opostos de estados de Consciência.

Mas, uma vez tendo assim os alocado, ela os usa de maneira perfeitamente definida.

–––––––––                                                     PÁGINA

Prosseguindo com o que aqui é dito sobre a inadequação dos diagramas, e também no que diz respeito à consciência, pode-se observar e deve-se sempre lembrar:      (a) Diagramas são sempre figuras planas ou chatas e não podem ser de outra forma.

(b) Quase todo fato e lei natural e oculto tem referência a estados, condições e coisas que se intermisturam e se interpenetram.


(c) A consciência, incluindo a percepção astral, vê não apenas objetos com limites, mas pode, num só olhar, ver muitos objetos e ideias numa extensão impossível para os cinco sentidos.

(d) Portanto, nenhum diagrama pode representar plenamente essas ideias e leis.

Tome-se, por exemplo, a percepção por um vidente com os sentidos astrais de uma estrela de cinco, ou outras, pontas, como estando sobre a cabeça de A, outra pessoa.

Essa estrela, embora esteja de frente para o vidente, pode ser visível a outros videntes que estejam ao lado de A, em vez de à frente.

Segue-se, aparentemente, que ou (a) há tantas estrelas quantos videntes, cada estrela com suas linhas em ângulo diferente das outras; ou (b) há apenas uma estrela.

Mas, de fato, tanto (a) quanto (b) estão corretos.

Se houver apenas um vidente, haverá apenas uma estrela; aumentem-se os videntes e as estrelas aumentam, embora cada vidente veja apenas uma.

A explicação disso mostra quão impossível é para um diagrama representar plenamente esses ensinamentos, e também transmite um fato do Ocultismo aos estudantes.

É isto: Tomando o caso citado, os raios de Ākāśa e sua disposição que fazem uma estrela ser vista estão presentes ao redor da pessoa, e em qualquer e cada ponto da aura a única estrela existe, mas como o percebedor é diferente da pessoa diante de quem a estrela existe, ele só pode ver uma estrela, e isso no ponto onde seus órgãos de visão astral cortam os raios do Ākāśa. E o mesmo ocorre com outras imagens que possam existir na aura de qualquer um.

Cada imagem existe em toda a aura sem interferir com qualquer outra, e ao mesmo tempo cada ou qualquer imagem está completa em qualquer lugar ou ponto na mesma aura.

Portanto, dois videntes podem, e frequentemente o fazem, ver duas imagens diferentes no mesmo ponto da luz astral.

Com outros assuntos no Ocultismo, a mesma lei prevalece, seja em relação àqueles estritamente humanos ou não.

Como, por exemplo, um Ego pode estar em um estado de Devachan em algum lugar onde seres humanos estão vivos e atuando neste plano, e ainda assim não estar ciente do fato.

É portanto absolutamente necessário para todos os estudantes neste Grau acostumarem-se a esta lei e torná-la parte de si mesmos, ao mesmo tempo não esquecendo nem descartando o conhecimento adquirido em relação a outros assuntos e modos de pensamento.

–––––––––                                                     PÁGINA

Que "H.P.B. não explicou a consciência Prākṛtica." Ela se referiu a ela para que o estudante soubesse de sua existência, mas reteve a explicação porque saber sobre ela agora, antes de ser guardado por

E. S. INSTRUCTION NO. IV

conhecimento mais avançado, seria perigoso.

Isso se relaciona aos Elementais, entre outros assuntos, e é bem sabido que instruções sobre esses sempre foram retidas.

Como isso representa todo o corpo do Sistema Solar, o estudante fará bem em consultar o que ela diz em A Doutrina Secreta sobre os planetas e o Sol.

Se instrução fosse dada sobre isso, naquele momento a força mental dos estudantes que trabalhassem sobre o ensinamento projetaria sua consciência para aquele reino.

Pois a mente e a consciência agindo juntas têm o poder de separar ou segregar os diferentes planos um do outro; e isso também no caso do mais mero principiante.

Remeta-se aqui às ilustrações dadas na página 658 a respeito da interpenetração e intermistura dos planos.

Enquanto a mente não for dirigida por instrução definida ou sugestões, raramente irá a esse extremo, e por isso era seguro afirmar, como foi dito, que existia essa consciência Prāk itica, sem explicá-la mais.

O perigo reside na possibilidade de evocar entidades demasiado poderosas e não espirituais para que homens e mulheres comuns tenham qualquer trato com elas.

––––––––––                                                      PÁGINA

Onde se diz que a ação do Ātma-Buddhi é com micróbios, etc.

O Ātma-Buddhi aqui mencionado não são princípios de Ātma-Buddhi como pertencentes ao homem, mas a fonte geral para o Cosmos do Ātma-Buddhi.

Pois, sob a lei das correspondências, Ātma-Buddhi e Manas no homem devem ter seu protótipo ou grande fonte no Cosmos.

Isto é, os mesmos tipos de princípios devem ter ação no Cosmos.

Agora, cada homem tem Manas especializado, de modo a permitir que Ātma-Buddhi atue através dele neste plano, mas até a Sétima Raça o princípio Manas não será desenvolvido para o Cosmos como o é agora no homem, e portanto um dos planos em que esse princípio geral de Ātma-Buddhi atua––sem que Manas também atue––é o dos micróbios, etc., e assim, de um ponto de vista, é sem sentido, na medida em que procede sob uma grande lei geral e não faz escolha consciente.

––––––––––                                                      PÁGINAS 661,      Não há confusão entre a observação na página 661 de que a consciência dos idiotas está no plano astral instintual e a da página 662 de que "nos idiotas a consciência instintual nos planos inferiores da sensação está no estado Kāma-Mānasico ou Psíquico" porque a observação na página 662 acrescenta "nos planos inferiores da sensação." Na página 661 é dada a lei geral para os idiotas, e na p. 662 ela é ampliada em relação à sua consciência em certos planos de sensação.


Esta explicação é dada porque alguns destacaram essas duas partes e exigiram uma reconciliação delas que parece que poderia ter sido feita pelos estudantes por meio do uso de análise e reflexão e pela liberdade de ação mental sobre toda a gama de tópicos relacionados entre si.

Naquele parágrafo em que se diz, sob “Consciência Astral Prāk itica”, que os objetos estão invertidos, deve-se ainda lembrar que, embora objetos, números etc. estejam de fato invertidos nesse plano, muitos clarividentes, inconscientemente para si mesmos, frequentemente realizam a reversão da imagem invertida, de modo a ver os números e objetos corretamente.

Isso novamente ilustra o caráter ilusório desse plano, na medida em que o vidente comum não conhece os fatos como são e age sem saber, no que concerne à sua razão, ignorando que reverteu a imagem invertida, assim como fazemos com o olho físico.

––––––––––                     PÁGINA 663 E SEGUINTES, INCLUINDO O DIAGRAMA V

O todo se refere a Lokas e Talas, como Estados de Consciência ou planos nos quais a consciência atua.

A terra e o corpo, por exemplo, constituem um lugar, ou estritamente um Loka, do qual a consciência pode ir para qualquer outro Loka ou Tala.

E quando se fala de um homem ir a ou estar neste ou naquele Loka ou Tala, o significado é que a consciência de uma pessoa viva, tendo e usando um corpo, pode alterar-se e assim ir de Loka a Loka, ou de Tala a Tala, ou de Loka a Tala.

Nesse caso, sua consciência desperta normal está em tal Loka ou Tala – conforme o caso – que representa adequadamente seu desenvolvimento.

O Diagrama V é tanto uma tabela de correspondências quanto de oposições.

Pois por oposição ou “extremo oposto” pode haver uma correspondência.

Isso seria conhecido como “correspondência por oposição”.      Os Lokas são qualificados pela palavra “divino” e os Talas por “infernal”, de modo a diferenciar os termos, pois às vezes Tala pode significar o mesmo que Loka se não for qualificado.

Assim, como mostrado na página 664, no Sānkhya, usa-se Loka, enquanto no Vedānta toma-se Tala.

Tendo explicado os Talas do ponto de vista vedantino e tendo dado seus correspondentes Estados de Consciência, H.P.B. procede a elaborar o ensinamento esotérico e então – necessitando de dois conjuntos de palavras para designar condições opostas dentro de um único Estado de Consciência – adotou Loka como representando o polo elevado, Tala como representando o polo degradado, ou o divino e o infernal.

Tome qualquer Loka e Tala correspondentes.

Os dois juntos representam um Estado de Consciência no qual um homem está; em seus momentos mais elevados nesse estado, ele está no polo Divino, o Loka; em seus momentos mais baixos, ele está no polo Infernal ou Tala.

Nisto

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

No diagrama, a palavra Tala é usada para designar um estado ou lugar inferior e é, portanto, chamada de “infernal”. Tomai agora a segunda e a terceira colunas até 4. Elas estão em oposição e, portanto, qualquer consciência em qualquer uma delas está em oposição à outra ou está em sua extremidade.

Bhūrloka, o habitat dos homens pensantes e bons, é oposto por Pātāla, o corpo grosseiro animal e a personalidade astral como tal.

Portanto, se, enquanto um homem está colocado entre homens bons, sua consciência está fixada no corpo grosseiro animal, ele está realmente em Pātāla. Bhuvarloka é um estado de consciência no qual ele pensa mais em sua vida interior, e é oposto por Mahātala, porque este é a morada da sombra astral.

Não está removido do corpo, mas distingue a condição ou vibração da sombra astral quando o pensador está trabalhando em Bhuvarloka.

Em 3, Svarloka, os desejos e paixões foram quase inteiramente superados, e é oposto por Rasātala, ou aquela condição na qual desejos e paixões têm controle completo.

Rasātala é propriamente o nome para esta última, na medida em que é o sabor ou o gosto das coisas e sensações que os desejos trazem à tona quando não são subjugados.

O 4º, Maharloka, é o ponto no desenvolvimento onde Kāma foi subjugado e o AntahkaraŠa pode ser destruído.

Portanto, é oposto, no outro extremo, por Talātala, onde o Manas inferior foi tão frequentemente sugado por Kāma que o AntahkaraŠa está atrofiado e a perda da alma resulta.

Isso é clara e graficamente mostrado na quarta divisão da coluna intitulada “planos das Hierarquias correspondentes”. Pois ali os dois polos opostos são dados, concluindo com as palavras: “A esfera da compaixão em um extremo, e a do egoísmo intenso no outro.” Nos Ensinamentos Secretos, a intensidade do egoísmo é sempre dada como o polo oposto da intensidade da compaixão.

As primeiras cinco colunas podem ser usadas juntas até a linha dupla.

Mas as seis colunas na outra página acima da linha dupla não podem ser feitas para corresponder plenamente com as anteriores.

Pois vede a página 672, que os sentidos não têm ordem regular de precedência ou prioridade, pois eles se interpenetram e são apenas diferenciações de um único sentido.

Mas uma correspondência pode ser feita em certas ocasiões.

Visto que é bem conhecido na medicina, no hipnotismo e na experiência geral que um sensitivo pode provar com os órgãos do tato e ouvir com os órgãos do paladar, e de outro modo inverter a experiência comum, é bastante evidente que os sentidos, como os conhecemos, não têm uma ordem imutável.

Além disso, como sabem os Mestres, e o Chefe da E.S.T. e muitos estudantes por experiência pessoal, todo som produz sua cor, quer esta seja percebida ou não.

Pode-se então ser incapaz de ouvir o som, mas ver a cor pertencente a um som produzido.

De Bhūr a Mahar-loka, estados metafísicos são mencionados; de Pātāla a Talātala, lugares e estados físicos e metafísicos.

E o uso das palavras “região”, “morada”, “estado” e “plano” deve ser feito com o entendimento de que os limites físicos no espaço não se pretendem inferir, visto que a “região astral” pode coexistir com o corpo físico ou região no mesmo lugar.

Isso é mostrado na sétima divisão da última coluna, onde se diz que, no que concerne ao Ākāśa no crânio, os vários corpos e células ali contidos não existem.

Isso significa que, se a vossa consciência estivesse fixada somente sobre e nesse Ākāśa em vosso próprio crânio, não veríeis nenhum dos conteúdos da caixa craniana, embora em relação ao lugar onde seriam visíveis ao olho externo.

Estas palavras nos conduzem agora à parte abaixo da dupla linha no Diagrama V (ver página 667, perto do rodapé). Acima dessa linha, referem-se aos estados de consciência Rūpa, ou aqueles quando no corpo; abaixo dela, são dados os estados Arūpa ou sem forma.

E nisto prevalece a regra dada acima com respeito à oposição.

Janar é um estado espiritual elevado, Sutala o estado material correspondentemente baixo, usando-se “material” aqui no sentido de matéria invisível; em Vitala a perda da alma é completa, opondo-se assim ao estado Crístico; Atala é uma continuação física de Vitala porque a força física deve ser exaurida; designa propriamente o próximo renascimento após aquele em que a alma foi perdida, e portanto opõe-se a Satyaloka, onde a grande escolha pode ser feita, ao passo que em Vitala nenhuma escolha é possível.

Não há contradição, como alguns pensaram apressadamente, entre isto e a página 672, segundo parágrafo, onde Vitala pode também representar um estado elevado.

Em ambos há o que os homens comuns chamam de aniquilação, pois o Ego é tragado. Mas na absorção superior do Ego é temporária ou Cósmica até o novo surgimento, enquanto na inferior é tragado para sempre no que concerne à pessoa.

E na página 672, H.P.B. fez as observações aludidas apenas de modo ilustrativo e não para confundir a nomenclatura.

Pois se as palavras Vitala e outras forem totalmente abandonadas, deve-se formular o estado de consciência anteriormente designado por essa palavra, por uma série de palavras expressivas da ideia envolvida.

Por exemplo, se destruirmos a palavra Atala, descreveremos então o estado assim: "aquele em que há uma continuação da combinação de moléculas de diferentes planos numa forma viva desprovida de alma que fugira numa vida precedente; e isso pode ser por causas espirituais ou não espirituais." Isso agora ficará claro com o conhecimento do seguinte fato no Ocultismo, a saber: Um santo e elevado Yogi pode abandonar o corpo e

INSTRUÇÃO E. S. Nº IV

os princípios inferiores quando chegou ao estado de Taparloka, mas as forças geradas neste plano podem produzir um corpo sem alma, mas de modo algum perverso.

Será como a rotação da roda quando o pé do oleiro é retirado.

O homem real está então em Satyaloka para fazer a grande escolha inevitavelmente.

Mas em Vitala a alma se foi e as forças no plano físico produzem um corpo no estado de Atala ou sem alma e perverso inevitavelmente, além de qualquer escolha em ambos os sentidos.

Isso deve tornar perfeitamente claro por que H.P.B. falou como registrado na página 672. Mas para elaborar mais.

Abandonemos por ora as palavras Taparloka e Vitala e Satyaloka e Atala, descrevendo esses estados opostos em termos.

Taparloka.

Aquele estado, encarnado ou não, do Ego, quando através de muitas vidas de devoção, etc., o Ego é invulnerável, etc.

As forças no plano material que produziram o corpo usado por tal Yogi têm uma força que pode resultar na produção de um novo corpo desprovido de alma, mas protegido de qualquer entrada de influências viciosas de qualquer tipo.

Tal corpo será bom, mas, sendo sem alma, está no estado de Vitala.

Vitala.

Como aplicado àqueles que viveram perversamente, a alma se perde na vida quando esse estado é alcançado e toda a tendência do que resta fisicamente, astralmente e mentalmente é perversa e viciosa.

Mas as forças devem se exaurir e produzirão um novo corpo que é sem alma desde o nascimento e totalmente vicioso.

Satyaloka.

Esse é o próximo passo ou estágio para o Yogi que alcançou Taparloka, e não requer necessariamente em todo caso uma nova encarnação do Ego.

Neste, a grande escolha é feita tão inevitavelmente quanto Atala segue Vitala.

O Yogi torna-se Nirmāṇakāya.      Atala.

A exaustão das forças produzidas pelos persistentemente perversos, e pela qual é gerado o novo corpo, sem alma e perverso, referido sob Vitala, acima.

O nº 7 sob "Hierarquias Correspondentes" está em linha com Satyaloka e Vitala.

É o numênico, o consummatum est do Universo, pois aqui os extremos se encontram.

Atala é o ponto onde o físico desaparece ou está desaparecendo no numênico, assim como Satyaloka é o estado no qual o Yogi está verdadeiramente unido ao Todo.

Portanto, podemos, do ponto de vista até aqui adotado, fazer uma correspondência com Ākāśa, Satyaloka, Atala, o próximo estado sem nome e Arūpa, pois neste ponto a forma, como impondo quaisquer limites à percepção, desapareceu.

Há muitos assim chamados mistérios da vida que são adicionalmente misteriosos para a mente atual devido ao efeito de tantos séculos de educação materialista, mas todos esses assim chamados mistérios são fatos.

Muitos deles são intrigantes pelo hábito que muitos têm de exigir em suas mentes, se não por palavras, que tudo se ajuste às regras que aprenderam ou ao seu próprio desenvolvimento.


E muitos fatos são evitados por estudantes por um medo de que pareçam como se a crença neles beirasse a superstição.

Alguns destes se relacionam às próprias questões aludidas no que precede.

É bem conhecido de certos estudantes, e muitas vezes lhes foi dito por H.P.B., que Adeptos em alguns casos abandonam inteiramente seus corpos, os quais vivem desde esse ponto até o dia da morte do corpo inteiramente desprovidos de alma, mas a influência do Adepto sobre os átomos e consequentemente sobre todos os novos átomos físicos que entram na forma é tal que nenhuma influência maligna entra, e a vida levada por esse corpo é inofensiva e frequentemente ativamente boa.

Novamente, às vezes tal corpo pode ser entregue a um Ego não progredido, mas merecedor, que o utiliza para o que pode ser extraído dele. Esse Ego, contudo, não pode ter tal corpo exceto onde seu Karma o permite.

Mas aqueles Adeptos que foram chamados de Mestres por H.P.B. não desertaram de seus corpos, e nos sentimos compelidos a prover para uma questão por esta declaração antecipadamente, porque poderia acontecer que alguns da Escola pudessem se perguntar––sem dar tempo para refletir sobre a questão––se esses seres poderiam ser tais como acabamos de falar. Mas no caso da deserção de um corpo por um Mago Negro, a questão é muito diferente, pois ali toda a linha de vidas precedentes tem sido tão essencialmente viciosa que os átomos deixados e todos os átomos que doravante vierem para os limites da forma são e serão totalmente maus, e assim tal ser sem alma será um terror para a raça.

Mas ao mesmo tempo há muitos no estado de Atala ou Vitala que são maus de forma inativa, não fazendo muito de qualquer espécie, e apenas cumprindo a lei da natureza que provê para a dissipação, da maneira correta, de todos aqueles elementos que têm de ser moídos, por assim dizer, no grande moinho dos Deuses.

Agora vá para a página 666, onde se diz que Rasātala é cego dentro do cego.

Não há confusão alguma aqui na realidade.

A tabela que dá o mesmo nome a um estado refere-se a um homem como ele é agora, tanto física quanto mentalmente, enquanto os comentários na página mencionada referem-se a outros planos de ser abaixo e acima do nosso, e portanto termos similares têm de ser empregados, visto que não temos os termos e a linguagem daqueles planos.

Aqui as Instruções estão falando dos Elementais superiores, frequentemente mencionados pelos Rosacruzes e pelos antigos, como os Devas da Visão.

Alguns destes estão abaixo do homem e alguns acima dele, no sentido de pertencerem a outra ordem de evolução; e portanto podem ser ditos estar em Rūpa- ou Rasā-tala.

O ter apenas três sentidos mostra que isso não tem referência ao diagrama aplicado ao homem.

Estes elementais são alguns daqueles com quem dissemos ser perigoso para o homem ter qualquer trato até que ele esteja plenamente apto a ser seu mestre em todos os sentidos.

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº IV

PÁGINAS 664 A

Onde Talātala também é chamado Karatala, e Rasātala Rūpatala.

Isto é apenas uma das necessidades da linguagem.

Talātala é uma repetição de Tala, tornando-o mais forte, e significando, quando relacionado aos nossos sentidos, que a matéria se tornou tangível e pode ser manuseada, pois Kara é “mão”. Voltando ao diagrama acima analisado, descobrimos que o Manas inferior aqui se apega às coisas e, assim, a correspondência é perfeitamente precisa e é uma correspondência feita entre um estado metafísico e físico.

Rasā é também Rūpa-tala porque, para apreciar e conhecer a forma física de qualquer coisa, são necessários tato, paladar e visão.

Pode não parecer à primeira vista que o paladar tenha algo a ver com o conhecimento da forma, mas tem, na medida em que a forma física participa da prithivi... ou terra, e a característica distintiva disso é o gosto ou sabor e o cheiro, estando todos inter-relacionados entre si.

E voltando novamente ao diagrama, onde agora procuramos o estado correspondente do eu enredado, vemos que sob Rasātala o princípio Kāma anseia pelo gosto de tudo.

O próximo na página 666 refere-se a Mahātala como conectado aos Elementais, que também pertencem ao precedente.

Aqui esses seres estão se aproximando do homem, pois vemos que, como dito na página, eles têm o poder, até certo ponto, de viver nos e pelos cinco sentidos inferiores do homem e correspondem a Kāma e Prāna na escala humana.

Mas, como são sem forma, ainda estão abaixo dos homens e não desenvolveram Manas.

Para eles, o homem parece um Deus, pois ele brilha à sua vista.

Eles também são perigosos para o homem.

Eles têm poder e certos tipos de conhecimento que ele não tem, mas são desprovidos daquilo que dá ao homem sua consciência.

Essas duas classes de seres são, até certo ponto, despertadas quando uma pessoa é hipnotizada ou sob efeito de drogas, pois então a consciência é colocada artificialmente em um estado artificial e fica mais enredada do que nunca, embora mostre conhecimento de coisas não conhecidas no estado normal.

É por isso, entre outras razões, que H.P.B. era contrária ao uso do hipnotismo e por que as regras da E.S.T. são contra o uso de drogas e narcóticos, exceto o tabaco.

Drogas e espíritos provocam esse estado em maior ou menor grau e, assim, agem contrariamente ao desenvolvimento da visão espiritual, mas o tabaco, quando usado apenas moderadamente, não tem tal efeito.


PAGE 672, “COLORS”

A explicação dada nesta página não é completa, pois nem cada palavra da elucidação foi dada de uma só vez por H.P.B., nem foi anotada literalmente em cada ocasião; mas é a seguinte, entendendo-se ao mesmo tempo que muito mais pode ser dito no momento apropriado.

Pois, nessas questões, as correspondências são quase infinitas e, para serem plenamente compreendidas, exigem mentes de grande poder analítico e memórias ainda não desenvolvidas nesta civilização.

A relação não é do azul com a Terra, mas com a terra ou p ithiv…, e a cor dada a isso é azul escuro, que, para ser devidamente conhecida, deve ser vista, pois não é possível descrever os matizes de uma cor.

É a mesma cor com que Krishna é frequentemente pintado, e no sentido aqui dado, corresponderá — conforme o uso a ser feito — ao Envelope Áurico.

Pois, em um sentido, o A. E. é a terra; para o Ego que percorre a corrente da evolução.

O nariz e a próxima divisão correspondem de modo semelhante, pela razão de que o olfato, característica de p ithiv…, é percebido especialmente pelo nariz, embora, como dito antes, os sentidos possam funcionar fora de sua ordem usual.

Mas é muito claro que a geração corresponde à terra, e a correspondência metafísica pode ser feita com o A. E., pois é através do poder preservador desse princípio que voltamos à terra repetidamente em nossa evolução.

Ao tomar a última divisão da página, chegamos agora a uma parte da fisiologia astral e interna que não é clara para mentes que, de fato, não compreendem nem mesmo o que hoje se conhece no mundo da anatomia e fisiologia físicas.

Como então explicar plenamente os outros sentidos e órgãos ocultos? O sentido mencionado como altamente desenvolvido nos animais não causa confusão, porque é nesse reino que o desenvolvimento começa e, portanto, nesse desenvolvimento ocorrem especializações e acelerações em sentidos individuais; no homem, esses são ocultos e potenciais devido ao maior poder que os outros têm e à grande combinação que ele precisa usar.

Isso pode ser ilustrado por qualquer máquina complicada de muitas partes feita pelo homem.

Em tal máquina, a menor alavanca é tão importante quanto as outras e exigiu tempo, pensamento e energia de um homem para ser feita, mas quando a máquina completa está em funcionamento, a ação de qualquer uma delas não é percebida, e vemos que o todo forma uma grande combinação realizando um certo trabalho.

O dispositivo mecânico conhecido como "cam" é um dos mais úteis, necessários e comuns, embora às vezes pareça rude e desajeitado, mas tornou-se conhecido em todas as suas muitas possibilidades através do trabalho de muitos anos e de muitos homens.

Contudo, sem a máquina em que trabalhar, ele não tem muita importância.

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº IV

PÁGINA

Este é um dos parágrafos mais importantes do livro.

Contém muito que levará qualquer estudante muito tempo para realizar e muito esforço.

Aqueles que não são naturalmente da ordem superior de psíquicos são recomendados a fazer um feixe dos quatro planos inferiores de consciência e fixá-lo no superior.

Isto deve ser feito, se benefício houver de ser derivado, sem intermissão e ao mesmo tempo as necessidades corporais devem ser atendidas, pois pelas palavras "fazendo 'ducks and drakes'" H.P.B. pretendia aludir àquele que atende ao corpo por práticas ascéticas e tenta compelir o corpo a observar certas regras que a mente estabelece.

Mas se alguém gasta tempo em contínua atenção às necessidades e regulamentações inferiores, o superior será certamente negligenciado, e a mente por fim será imersa em tais observâncias inferiores.

Os estados superiores devem, então, ser pensados e uma tentativa deve ser feita para fixar os pensamentos ali.

A própria tentativa de fazer isto resultará em uma elevação natural da mente ao ponto almejado, e se for continuada, então um hábito mental se seguirá, de modo que de estágio em estágio a mente se eleva mais e mais em direção àquilo que resolveu buscar.

Se persistido, então virão tempos em que um alcance à meta é realizado, do qual haverá uma queda temporária, mas não ao ponto mais baixo.

Esta é a lei da natureza, e sabendo-a, o estudante que se desencoraja por não ter sucesso é imprudente e esquecido, pois todas estas advertências são dadas não apenas para informação, mas também para uso e encorajamento.

WILLIAM Q. JUDGE.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                            INSTRUÇÃO Nº V

INSTRUÇÃO DA E.S. Nº V

ESTRITAMENTE PRIVADA E CONFIDENCIAL

NÃO É PROPRIEDADE DE NENHUM MEMBRO, E DEVE SER DEVOLVIDA SOB DEMANDA AO AGENTE DO CHEFE DA E.S.T.

INSTRUÇÃO Nº V      O estudo da Consciência tem de ser prosseguido.

Devemos, portanto, aprender a compreender mais plenamente a Constituição Septenária do Homem, e o funcionamento da consciência em cada parte dela.

O estudante, nesta Instrução, dedicar-se-á à compreensão do Quaternário Inferior, conforme definido no Diagrama V, e ao funcionamento da consciência tal como se manifesta através desse Quaternário Inferior.

O estudo da Tríade Superior pertence a Instruções posteriores, e para a compreensão da Tríade Superior é necessário que o Quaternário Inferior seja, em certa medida, compreendido.

E, primeiramente, que o estudante perceba claramente que não pode ver as coisas espirituais com os olhos da carne, e que, ao estudar mesmo o Corpo, deve usar os olhos da Inteligência Espiritual; caso contrário, falhará e seu estudo será infrutífero.

Pois o crescimento é de dentro para fora, e sempre o interior permanece o mais perfeito.

Mesmo o desenvolvimento de um sentido físico é sempre precedido por uma sensação mental, que procede a evoluir um sentido físico.

Como foi dito (p. 672), todos os sentidos são apenas diferenciações da consciência-sentido una, e tornam-se assim diferenciados no plano Astral, onde a vida perceptiva propriamente dita começa (p. 660); a partir daí, a diferenciação é continuada até o subplano mais baixo do plano Prākítico, ao qual pertencem as moléculas físicas de nossos Corpos.

Por exemplo, peixes que vivem em águas subterrâneas escuras são cegos; mas se forem capturados e colocados em um lago, em poucas gerações desenvolverão olhos.

No entanto, em seu estado original, embora não tivessem órgãos de visão física, eram ainda dotados de um sentido de visão.

De outro modo, como poderiam, na escuridão, ter encontrado sua presa e evitado obstáculos e perigos? Quanto menos envoltórios sobre a consciência-sentido, mais clara a visão, pois cada invólucro acrescenta algo de ilusão.

Somente quando o verdadeiro poder discernidor ou discriminativo é libertado é que a ilusão é superada, e a libertação desse poder é a união de Manas com Buddhi––a obtenção do Adeptado.

É por isso que no Devachan o ser ainda está sob ilusão, pois ali a mente é a mente de alguém que, enquanto no corpo, não havia feito a união de modo a completar a Trindade.

É somente quando a união é completada no ser humano vivo que o engano chega ao fim.


Enquanto isso, a cada descida a um plano inferior, a ilusão é aumentada.

Para tornar ativa a visão interior, o estudante deve purificar toda a sua natureza, moral, mental e física.

A Pureza da Mente é de maior importância do que a Pureza do Corpo.

Se o Upādhi não for perfeitamente puro, não poderá preservar recordações provenientes de um estado superior.

Um ato pode ser realizado com pouca ou nenhuma atenção, e é de importância comparativamente pequena.

Mas se for pensado, meditado na Mente, o efeito é mil vezes maior.

Portanto, é acima de tudo importante que os pensamentos sejam mantidos puros.

Lembre-se de que você tem, por assim dizer, de encerrar o Quadrado dentro do Triângulo; em outras palavras, deve purificar o Quaternário inferior de tal modo que ele vibre em uníssono com a Tríade superior.

E esta não é tarefa fácil.

A carne, o Corpo, o ser humano em sua parte material, é, neste plano, a coisa mais difícil de subjugar.

O mais elevado Adepto, colocado em um novo Corpo, tem de lutar contra ele e dominá-lo, e acha sua subjugação difícil.

Mas isso se deve ao automatismo do Corpo; os impulsos originais provieram do pensamento.

O que chamamos de desejos do Corpo tem sua origem no pensamento.

O pensamento surge antes do desejo.

O pensamento age sobre o Cérebro, sendo o Manas inferior o agente; o cérebro age sobre os órgãos corporais, e então o desejo desperta.

Não é o estímulo externo que desperta os órgãos corporais, mas o Cérebro, impressionado por um pensamento.

O pensamento errôneo deve, portanto, ser morto, antes que o desejo possa ser extinto.

O desejo é o resultado da separatividade, visando à satisfação do eu na Matéria.

Ora, a carne é uma coisa de hábito; ela repetirá mecanicamente um bom impulso ou um mau, conforme a impressão que lhe foi feita, e continuará a repeti-lo. Não é, portanto, a carne que é a tentadora original, embora possa repetir automaticamente os movimentos que lhe foram transmitidos, e assim trazer de volta tentações; em nove casos de cada dez, é o Manas inferior que, por suas imagens, conduz a carne às tentações.

Então o Corpo automaticamente estabelece repetições.

Por isso não é verdade que um homem imerso no mal possa, por conversão súbita, tornar-se tão poderoso para o bem quanto antes o era para o mal.

Seu veículo está demasiado contaminado, e ele pode, na melhor das hipóteses, neutralizar o mal, equilibrando as más causas kármicas que colocou em movimento, ao menos para aquela encarnação.

Não se pode pegar um barril de arenques

––––––––––      Upādhi significa aquilo através do qual uma força atua.

A palavra "veículo" é às vezes usada para transmitir a mesma ideia.

Se "força" for considerada como atuante, a "matéria" é o upādhi através do qual ela atua.

Assim, o Manas inferior é o upādhi através do qual o Superior pode trabalhar; o Liṅga-Śarīra é o upādhi através do qual o Prāṇa pode trabalhar.

O Sthūla Śarīra é o upādhi para todos os princípios que atuam no plano físico.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

e usá-lo para essência de rosas; a madeira está demasiadamente impregnada do gotejar do arenque.

Quando tendências e impulsos malignos foram profundamente impressos na natureza física, não podem ser revertidos de imediato.

As moléculas do Corpo foram direcionadas num sentido Kâmico e – embora tenham inteligência suficiente para discernir entre as coisas em seu próprio plano, isto é, para evitar coisas nocivas a si mesmas – não conseguem compreender uma mudança de direção, cujo impulso provém de um plano superior.

Se forem súbita e violentamente forçadas a uma ação reversa, resultarão doença, loucura ou morte.

Esse automatismo do Corpo – às vezes chamado de hábito – torna possível termos experiências boas e más nos sonhos.

Esta é outra razão pela qual devemos ser cuidadosos com as impressões que causamos no Corpo, especialmente quanto às impressões nas quais Kāma participa.

Nos sonhos sensoriais, o Manas inferior está adormecido; a consciência animal, quando uma tendência sensual lhe foi impressa pelo desejo, é mais facilmente impressionada por Kāma com imagens da Luz Astral, e assim a tendência de tais sonhos sensoriais é sempre em direção ao animal.

Devemos, portanto, treinar-nos para despertar imediatamente quando começamos um sonho que tende à direção sensorial; e a rejeição instantânea de pensamentos impuros durante o período de consciência desperta tenderá a estabelecer um hábito de rejeição que atuará automaticamente no sono.

Nos sonhos, e também sempre que nos sentamos calmamente para qualquer tipo de meditação, uma das primeiras coisas a acontecer é que os Elementais começam a apresentar aos nossos olhos interiores imagens de toda espécie, e o tipo de imagem apresentada será o resultado dos pensamentos anteriores e também do estado em que nos encontramos, tanto mental quanto fisicamente.

Pois se estivermos perturbados ou atormentados de qualquer maneira em pensamento, as imagens serão cada vez mais confusas, embora às vezes não aparentem superficialmente estar em confusão.

O estudante deve, portanto, guardar seus pensamentos, considerando-os como geradores de ação.

Cinco minutos de pensamento podem desfazer o trabalho de cinco anos.

E embora o trabalho de cinco anos possa ser percorrido mais rapidamente na segunda vez do que na primeira, ainda assim o tempo é perdido.

O estudante encontrará no que se segue uma variedade de classificações e divisões septenárias.

Ele deve ter em mente que todo Princípio no homem tem seus sete aspectos, e toda célula e órgão, seus sete componentes.

Um Princípio pode ter um órgão no Corpo especialmente relacionado a ele, como o Baço ao Liṅga-Śarīra; nem por isso o Liṅga-Śarīra deixará de ter sua correspondência em cada célula do Corpo, como também em outros grandes órgãos.

Assim, o Cérebro tem suas sete divisões, cada uma correspondendo a um Princípio, embora corresponda como um todo ao Homem Psico-Intelectual.

Nisto não há contradição, como o estudante elementar a princípio imagina, quando encontra diferentes correspondências

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

dadas para o mesmo Princípio, mas apenas uma exemplificação da grande verdade de que cada molécula é um espelho do universo, cada microcosmo o espelho de um macrocosmo.

O Corpo Físico do homem tem seus sete aspectos, cada aspecto representando um Princípio; então cada um destes tem suas sete subdivisões, cada subdivisão, por sua vez, representando um Princípio; e temos os "quarenta e nove fogos" como vistos no Sthūla-Śarīra. É por causa dessa intrincada correspondência, levada a cabo em cada detalhe, que o homem será, em última instância, capaz de entrar em contato com todo reino de ser no Universo.

Isto, e somente isto, torna o Rāja-Yoga possível.

-–––––––––

STHŪLA-ŚARĪRA

O Corpo não é um Princípio na estrita linguagem esotérica; é um upādhi antes que um Princípio.

Mas é um veículo de consciência e, portanto, deve ser considerado no estudo da Consciência.

À parte disso, pode ser considerado meramente como um aspecto mais denso do Liṅga-Śarīra, pois o Corpo e o Liṅga-Śarīra estão ambos no mesmo plano, e o Liṅga-Śarīra é molecular em sua constituição, como o Corpo.

A Terra e sua Luz Astral estão tão intimamente relacionadas entre si quanto o Corpo e seu Liṅga-Śarīra, sendo a Terra o upādhi da Luz Astral.

Nosso plano, em sua divisão mais baixa, é a Terra; em sua mais alta, o Astral.

A Luz Astral terrestre não deve, evidentemente, ser confundida com a Luz Astral universal.

O CORAÇÃO

A Consciência que é meramente a Consciência animal é composta da Consciência de todas as células do Corpo, exceto as do Coração.

Mas o Manas Superior não pode guiar diretamente o homem comum; ele deve agir através do Manas Inferior e, assim, alcançar a Consciência inferior.

O esforço, no entanto, deve ser continuamente feito para centrar a Consciência no Coração e para escutar as sugestões da Consciência Espiritual, pois, embora o êxito esteja distante, um começo deve ser feito e o caminho aberto. Há três centros principais no Corpo do Homem: o Coração, a Cabeça e o Umbigo; o Coração, como foi dito, é o centro da Consciência Espiritual; a Cabeça é o centro da Consciência Psíquica; e o Umbigo é o centro da Consciência Kâmica.

Quaisquer dois desses podem ser positivos e negativos um para o outro, de acordo com a predominância relativa dos Princípios e, portanto, de seu órgão para manifestação neste plano.

O significado das palavras positivo e negativo nessa relação é o mesmo que lhes é atribuído na ciência elétrica.

A corrente flui do positivo para o negativo, ou a impressão é feita pelo positivo sobre o negativo.

Por exemplo: a aura da Glândula Pineal vibra durante a atividade da Consciência no Cérebro e mostra o jogo das sete cores.

Essa perturbação septenária e o jogo de luz ao redor da Glândula Pineal são refletidos no Coração, ou melhor, na aura do Coração, que é negativa em relação ao cérebro no homem comum.

Essa aura

BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

então vibra e ilumina os sete cérebros do Coração, assim como a da Glândula Pineal ilumina os sete centros no Cérebro.

Se o Coração pudesse, por sua vez, tornar-se positivo e impressionar o Cérebro, a Consciência Espiritual alcançaria a Consciência inferior.

A Consciência Espiritual está ativa durante o sono profundo, e se os "sonhos" que ocorrem no chamado sono sem sonhos pudessem ser impressos pelo Coração no Cérebro, vossa Consciência não estaria mais restrita dentro dos limites de vossa vida pessoal.

Se pudésseis lembrar vossos sonhos no sono profundo, seríeis capazes de lembrar todas as vossas encarnações passadas.

Essa é a "memória do Coração"; e a capacidade de imprimi-la no Cérebro, de modo que se torne parte de sua Consciência, é a "abertura do Terceiro Olho". No sono profundo, o Terceiro Olho se abre, mas não permanece aberto.

Ainda assim, algumas impressões da Consciência Espiritual alcançam o Cérebro mais ou menos, tornando assim o Ego inferior responsável.

E há algumas dessas que são recebidas através do Cérebro, que não pertencem à nossa experiência pessoal anterior.

No caso do Adepto, o Cérebro é treinado para reter essas impressões.

A Escola Secreta Oriental conhece cada porção mínima do Coração e tem um nome para cada porção.

Ela as denomina pelos nomes dos Deuses, como o Salão de Brahma, o Salão de Vishnu, e assim por diante. Cada uma dessas corresponde a uma parte do Cérebro.

O estudante agora começará a compreender por que se dá tanta ênfase ao Coração em conexão com a meditação, e por que tantas alusões são feitas na antiga literatura hindu ao Purusha no Coração.

E assim, com relação à concentração, o Bendito MESTRE Koot Hoomi ... escreve: Vosso melhor método é concentrar-vos no Mestre como um Homem Vivo dentro de vós.

Fazei Sua imagem em vosso coração, e um foco de concentração, de modo a perder todo sentido de existência corporal no pensamento único.

Assim também Ele diz: A grande dificuldade a ser superada é o registro do conhecimento do Eu Superior no plano físico.

Para realizar isso, o Cérebro físico deve ser tornado um completo vazio para tudo, exceto para a Consciência Superior.

Quando o Cérebro é assim tornado um vazio, uma impressão do Coração pode alcançá-lo e ser retida; e é isto o que se menciona na p. 618, com relação ao Chela, que é capaz de reter apenas partes do conhecimento obtido.

A carta acima citada diz: Ao adquirir o poder de concentração, o primeiro passo é um estado de vazio.

Então segue-se gradualmente a consciência, e finalmente a passagem entre os dois estados torna-se tão rápida e fácil que passa quase despercebida.

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

Aquele que pode fazer isso à vontade tornou-se um Adepto e pode "armazenar o conhecimento que assim obtém em sua memória física." Tal é a função régia do Coração no Corpo humano, e sua relação com o Cérebro, que, como um todo, "é o veículo do Manas Inferior, entronizado no Kāma-Rūpa."

O CÉREBRO

O Cérebro, tomado como um órgão de Consciência, serve como veículo no plano objetivo do Manas Inferior, que trabalha sobre suas moléculas materiais de uma maneira que será explicada adiante.

Suas subdivisões correspondem às subdivisões do Manas Inferior e são seus órgãos; suas circunvoluções são formadas pelo pensamento, a atividade do Princípio pensante construindo circunvoluções cada vez mais complexas.

Há sete cavidades no Cérebro que durante a vida estão vazias, no sentido comum da palavra.

Na realidade, eles estão preenchidos com Ākāśa, tendo cada cavidade sua própria cor, de acordo com o estado de Consciência em que você se encontra.

(As cores são visíveis, é claro, apenas à visão purificada.) Essas cavidades são chamadas no Ocultismo de "Sete Harmônicas", a escala das Harmônicas Divinas, e é nelas que as visões devem ser refletidas, se quiserem permanecer na memória do Cérebro.

Estas são as partes do Cérebro que recebem impressões do Coração e permitem que a memória do Coração seja impressa na memória do Cérebro.

A quarta dessas cavidades é o Corpo Pituitário, que corresponde a Manas-Antaskaraṇa, a ponte para a Inteligência Superior; ele contém várias essências.

A quinta cavidade é o Terceiro Ventrículo, vazio durante a vida, exceto por uma luz pulsante, embora preenchido com um líquido após a morte.

A sexta cavidade é a Glândula Pineal, também oca e vazia durante a vida; os grânulos são precipitados após a morte.

A Glândula Pineal corresponde a Manas até ser tocada pela luz vibrante de Kuṇḍalinī, que procede de Buddhi, e então se torna Buddhi-Manas.

Quando Manas está unido a Buddhi, ou quando Buddhi – e portanto também Ātman – está centrado em Manas, ele atua nas três cavidades superiores, irradiando e emitindo um halo de luz, e isso às vezes se torna visível no caso de pessoas muito santas.

Os fogos estão sempre brincando ao redor da Glândula Pineal; mas quando Kuṇḍalinī os ilumina por um breve instante, todo o universo é visto.

Isso é o que ocorre ocasionalmente no sono profundo, quando o terceiro olho se abre.

E tal abertura é boa para Manas, que se beneficia dela, mesmo que o Homem Inferior não seja então alcançado e, portanto, não possa lembrar.


A sétima cavidade é a síntese de todas, a cavidade do próprio crânio, como preenchida com Ākāśa (ver Diagrama V). Ela corresponde à Aura Átmica, o sagrado Ovo Áurico.

A percepção, a percepção cerebral, está localizada na aura da Glândula Pineal, enquanto a própria Glândula Pineal, iluminada, corresponde ao Pensamento Divino.

O Corpo Pituitário é o órgão por excelência do plano psíquico.

A visão psíquica pura é causada pelo movimento molecular desse corpo, que está diretamente conectado ao nervo óptico, e assim afeta a visão e dá origem a alucinações.

Seu movimento pode facilmente causar flashes de luz, vistos dentro da cabeça, semelhantes aos que podem ser obtidos ao pressionar os globos oculares, causando assim movimento molecular no nervo óptico.

Quando a ação molecular é estabelecida no Corpo Pituitário, esses clarões são vistos, e uma ação adicional produz visão psíquica, assim como movimento semelhante na Glândula Pineal produz Clarividência Espiritual.

A embriaguez e a febre causam movimento desordenado no Corpo Pituitário, e assim produzem ilusões de visão, visões, alucinações.

Este corpo é às vezes tão afetado pela embriaguez que fica paralisado, e a proibição estrita de líquidos alcoólicos a todos os estudantes de Ocultismo baseia-se nesse efeito que o álcool produz sobre o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal.

A Glândula Pineal é o foco do sensorium espiritual, portanto inorgânico.

Sua ação não tem relação com a circulação do Sangue, mas está relacionada com a emanação ígnea espiritual que procede do Sangue.

Além disso: a Glândula Pineal, no polo superior do corpo humano, corresponde ao Útero (na mulher e seu análogo no homem) no polo inferior; os pedúnculos da Glândula Pineal correspondendo às Trompas de Falópio do Útero.

O Corpo Pituitário é apenas o servo da Glândula Pineal, seu porta-tochas, como os servos que carregam tochas e correm diante da carruagem de uma princesa.

O homem é andrógino, no que diz respeito à sua cabeça.

Os Corpora Quadrigemina correspondem ao Kāma-Manas, trazendo assim Kāma para dentro da divisão mánasica do cérebro humano.

O próprio Kāma tem como correspondência o Cerebelo, que é o centro e depósito de forças.

O Cerebelo fornece os materiais para a ideação.

Os lobos frontais do Cérebro são os finalizadores e polidores dos materiais fornecidos pelo Cerebelo, mas não podem criar esses materiais por si mesmos.

A correspondência de Kāma na parte inferior do Corpo é o Fígado, com o Estômago.

––––––––––        Clarividência comum não é o uso deste órgão.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

Para recapitular, temos:  Kāma                  corresponde com                       Cerebelo  Kāma-Manas                       “          “                Corpora Quadrigemina  Manas-AntaskaraŠa                “          “                Corpo Pituitário  Manas                            “          “                Glândula Pineal  Manas-Buddhi                     “          “                   “ “quando tocada por Kuš alinī  Ovo Áurico                       “           “               Cavidade do crânio preenchida com Ākāśa

Assim, o Cérebro, o veículo do Manas inferior com Kāma, como foi dito, tem suas subdivisões correspondentes às subdivisões, ou aspectos, do Manas em atividade, e também tem as cavidades relacionadas ao coração, tornando possível a produção de impressões na consciência física, e pela ação dentro dessas cavidades, tornando possível a ação do Buddhi-Manas no plano físico e o desenvolvimento da Clarividência Espiritual.

O FÍGADO E O ESTÔMAGO

O Fígado e o Estômago, como foi dito, são as correspondências de Kāma no tronco do Corpo, e com estes devem ser classificados o Umbigo e os Órgãos Geradores.

O Fígado está intimamente ligado ao Baço, assim como Kāma está ligado ao Liṅga-Śarīra, e ambos têm participação na geração do sangue.

O Fígado é o General, o Baço é o Ajudante de Ordens.

Tudo o que o Fígado não realiza é assumido e completado pelo Baço.

O BAÇO

O Baço corresponde ao Liṅga-Śarīra e serve como sua morada, na qual ele jaz enrolado. Assim como o Liṅga-Śarīra é o reservatório de vida para o Corpo, o meio e veículo de Prāṇa, o Baço atua como o centro de Prāṇa no Corpo, de onde a vida é bombeada e circulada.

Consequentemente, é um órgão muito delicado, embora o Baço físico seja apenas a cobertura do Baço real.

O SANGUE

A circulação da Vida, Prāṇa, através do Corpo é por meio do Sangue.

É o princípio vital em nós, mais prânico do que Prāṇa, e está intimamente aliado a Kāma e ao Liṅga-Śarīra. A essência do Sangue é Kāma, penetrado por Prāṇa, que é universal neste plano.

Quando Kāma deixa o Sangue, ele coagula.

De modo que o Sangue pode ser considerado como Kāma-Rūpa, a “forma de Kāma” em certo sentido.

Enquanto Kāma é a essência do Sangue, seus corpúsculos vermelhos são gotas de fluido elétrico, a transpiração que emana de cada célula dos vários órgãos, e causada a exsudar por ação elétrica.


Eles são a progênie do princípio foático.

Os anatomistas estão começando a descobrir novas ramificações e novas modificações no Corpo humano, e às vezes chegam muito perto de uma verdade sem, no entanto, alcançá-la completamente. Por exemplo, estão em erro quanto ao Baço, quando o chamam de fábrica dos corpúsculos brancos do Sangue, pois, como foi dito, ele é realmente o veículo do Liṅga-Śarīra. Mas esses mesmos corpúsculos brancos––que são os Devoradores, os limpadores do corpo humano––são exsudados do Liṅga-Śarīra e são da mesma essência que ele próprio.

Eles vêm do Baço, não porque o Baço os fabrica, mas porque são exsudados do Liṅga-Śarīra, que, como foi dito, está enrolado no Baço.

São os Nascidos-do-Suor da Chhāyā. O Sangue serve assim como upādhi físico para Kāma, Prāṇa e o Liṅga-Śarīra, e o estudante compreenderá por que ele desempenha um papel tão importante na economia animal.

Do Baço––enriquecido pelos elementos vitais de Prāṇa, servindo os corpúsculos do Liṅga-Śarīra como veículo desses elementos Prāṇicos, os Devoradores, que constroem e destroem o corpo humano––ele viaja por todo o corpo, distribuindo por toda parte esses portadores Prāṇicos.

Os corpúsculos vermelhos representam a energia Fóhatica no Corpo, intimamente ligada a Kāma e Prāṇa, enquanto a essência do Sangue é Kāma, presente em todas as partes do Corpo.

O SISTEMA SIMPÁTICO

Os Cordões Simpáticos têm sua origem em um ponto sagrado acima da Medula oblongata, chamado Trideni.

Desse mesmo ponto partem Iḍā e Piṅgalā, formando-se assim uma junção superior dos eixos simpático e cerebrospinal.

Os Cordões Simpáticos só são encontrados após um certo estágio da evolução animal, e estão evoluindo em complexidade para formar uma segunda Medula Espinhal.

No final da próxima Ronda, a Humanidade se tornará novamente hermafrodita, macho-fêmea, e então haverá duas Medulas Espinhais no corpo humano.

Na Sétima Raça, as duas se fundirão em uma só.

O poder criativo sexual do homem não é natural, ou melhor, não o era no princípio.

Foi um desvio anormal do curso da natureza humana ou divina, e tudo tende a eliminá-lo. O homem, no fim da Sexta e Sétima Raças, não terá órgãos sexuais.

A evolução do corpo físico corresponde às Raças, e com a evolução das Raças os Cordões Simpáticos se desenvolverão em uma verdadeira Medula Espinhal, crescendo os dois Cordões juntos e formando assim um só.

Estamos retornando pelo arco ascendente, com autoconsciência acrescentada.

A Sexta

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

A Raça corresponderá aos “Sacos de Pudim”, a Primeira Raça-Raiz, mas terá a perfeição da forma com a mais elevada inteligência e espiritualidade.

O Sistema Simpático está conectado com o Liṅga-Śarīra, Prāṇa e Kāma, mais do que com o Manas.

É tocado pelos Tāntrikas, que o chamam de Vīṇā de Śiva (alaúde), ou Vīṇā de Kālī, e é utilizado no Haṭha-Yoga.

Seu plexo mais importante, o Solar, é o cérebro do estômago, e as emoções são sentidas ali, devido à correspondência com Kāma. Assim, a percepção psíquica clarividente frequentemente atua nessa região, como na leitura de cartas, psicometrização de substâncias, etc.

A COLUNA ESPINHAL

A Coluna Espinhal é chamada Brahmadaṇḍa, a vara ou bastão de Brahmā, e é isto que é simbolizado pela vara de bambu carregada pelos ascetas, o cajado de sete nós do Yogi.

Os sete nós são os sete Nāḍīs ao longo da medula espinhal.

Os Yogis além do Himālaya, que se reúnem regularmente no Lago Mānasarovara, carregam um bastão de bambu de três nós e são chamados Tridaṇḍis. Os três nós significam os três ares vitais que atuam na Coluna Espinhal, simbolizados também no triplo cordão brâmane.

O cordão triplo tem outros significados, pode-se observar de passagem; como, por exemplo, simboliza as três iniciações de um Brāhmaṇa. A primeira ocorre no nascimento, quando ele recebe seu nome misterioso – que um hindu preferiria morrer a revelar – do astrólogo da família, que se supõe tê-lo recebido dos Devas.

Diz-se assim que a criança é iniciada pelos Devas.

A segunda iniciação ocorre quando ele tem sete anos de idade, e então recebe seu cordão.

A terceira é a iniciação em sua casta, uma cerimônia que é realizada quando ele tem onze ou doze anos de idade.

Mas isto é um parêntese.

Os sete Nāḍīs físicos estendem-se pela coluna vertebral, do sacro ao atlas.

Os superfísicos estão dentro da cabeça, e destes, o quarto é o Corpo Pituitário.

Os Nāḍīs físicos correspondem a regiões da Medula Espinhal conhecidas dos anatomistas.

Há seis ou sete Nāḍīs, ou plexos, ao longo da Medula Espinhal; mas o termo “Nāḍī” não é técnico; é usado como descritivo de qualquer nó, centro, gânglio ou corpo similar.

Os Nāḍīs sagrados são aqueles que estão situados acima de Sushumnā, ao longo de sua extensão.

Seis destes são conhecidos pela Ciência, enquanto o sétimo, próximo ao atlas, é desconhecido.

Mesmo os Tāraka Rāja-Yogis falam apenas de seis, e não mencionam o sagrado sétimo.

Sushumna é a passagem central, sendo Iḍā no lado esquerdo da Corda, e Piṅgalā no direito.

Quando as Cordas Simpáticas se fundem para formar uma nova Medula Espinhal, como dito acima, Iḍā e Piṅgalā 702                             BLAVATSKY: COLECTÂNEA DE ESCRITOS

serão unidas a Sushumna e também se tornarão uma só.

Assim, as Cordas Simpáticas, que estão tão amplamente relacionadas ao sistema glandular, mais desenvolvidas na mulher do que no homem, e o Eixo Cérebro-Espinal, conectado ao sistema muscular, mais desenvolvido no homem do que na mulher, alcançarão igualdade ou equilíbrio, e com isso o Andrógino torna-se a Humanidade típica.

O Ākāśa puro sobe por Sushumna; seus dois aspectos sobem por Iḍā e Piṅgalā.

Estes percorrem as paredes curvas da Corda na qual está Sushumna.

Eles são semimateriais, um positivo e outro negativo, um solar e o outro lunar, e esses dois põem em ação a corrente livre e espiritual de Sushumna.

Eles têm caminhos próprios e distintos; caso contrário, irradiariam por todo o corpo.

Pela concentração em Iḍā e Piṅgalā é gerado o "Fogo sagrado", e estes são os "sentinelas de ambos os lados" (p. 616), pela ação dos quais somente a corrente sushúmnica pode ser despertada para a atividade.

[Mas essa concentração não pode ser feita sem detalhes ainda não fornecidos.]      Sushumna, Iḍā e Piṅgalā são os três ares vitais e são simbolizados no fio brâmane.

Quando esses ares vitais estão ativos, estabelece-se uma circulação que percorre todo o Corpo, originando-se e retornando ao canal central.

É por isso que o homem foi representado como uma árvore, com sua circulação subindo pela parte interna e descendo pela parte externa da madeira.

Daí o uso de árvores no simbolismo e a representação do Corpo Dhyāni-Chohânico como uma árvore.

O estudante pode agora compreender por que ninguém pode, de maneira adequada ou segura, dedicar-se ao estudo do Ocultismo Prático, no sentido real da palavra, a menos que seja celibatário, e por que aqueles que obtêm alguns dos exercícios de Haṭha-Yoga e começam a praticá-los em meio à vida familiar comum, ou vivendo de forma sexualmente desregrada, devem, se obtiverem algum sucesso, atrair sobre si doenças físicas e, muito provavelmente, loucura.

A Medula Espinhal conecta o Cérebro aos Órgãos Genitais, e essa conexão é ainda mais fortalecida pelo Sistema Simpático.

O Cordão, no entanto, oferece uma passagem aberta, que se abre para as cavidades importantes do Cérebro.

A Excitação dos Órgãos Genitais envia impulsos e essências sutis ao Cérebro por meio dos canais espinhais.

Ora, os três ares vitais são regidos pela Vontade, e Vontade e Desejo são os aspectos superior e inferior de uma mesma coisa.

Esses ares, como dito, atuam nos canais e, portanto, a importância de sua pureza absoluta.

Pois se eles poluem os ares vitais energizados pela Vontade, resulta doença na melhor das hipóteses, Magia Negra na pior.

Portanto, toda relação sexual é proibida aos estudantes de Ocultismo Prático.

Para a instrução em Ocultismo Prático, é necessário ter adquirido o poder de concentração e, então, receber certas direções definidas.

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

Estas últimas seriam de pouca utilidade para um estudante que ainda não tenha alcançado o poder de concentrar sua Mente e Vontade.

Esse poder deve ser cultivado e treinado nos Graus Inferiores, e é com esse fim que foi estabelecida a Regra que ordena a meditação diária.

Não há outro caminho para alcançar o poder de concentração, e sem esse poder, amplamente desenvolvido, nenhum progresso pode ser feito no Ocultismo Prático, nem mesmo seu início sendo possível.

Escritos Reunidos VOLUME XII                                   NOTAS GERAIS SOBRE O CORPO

O Sthūla-Śarīra é composto de moléculas, informadas e almas pelos Átomos.

A molécula contém em si os Sete Princípios, em sua manifestação Prāk ítica.

Assim como o homem, como um todo, contém todo elemento que se encontra no universo, e como não há nada no Macrocosmo que não esteja no Microcosmo; assim também toda molécula é, por sua vez, o espelho de seu universo, o Homem.

É isso que torna o homem apenas capaz de conceber o universo neste plano de existência; ele tem em si o Macrocosmo e o Microcosmo.

O Átomo, esotericamente, contém os seis Princípios e habita na molécula, sendo a molécula o Corpo, ou Sthūla-Śarīra do Átomo, assim como Ātma contém tudo e habita no universo material.

Em seu aspecto mais elevado, ele está no sétimo subplano do plano Prāk ítico mais baixo, e é assim o Ātma do Cosmos objetivo.

É, portanto, espiritual, e é para sempre invisível neste plano, e em suas primeiras manifestações permanece atômico, como Ātma-Buddhi-Manas na molécula.

Assim, no subplano Prāk ítico mais baixo, é proporcionado o upādhi material através do qual os Princípios superiores podem atuar no Corpo.

O Ego é atômico, espiritual, e assim também são os Átomos que formam explicitamente os três Princípios superiores das moléculas, bem como contêm implicitamente os inferiores.

As moléculas formam-se ao redor do Átomo, e essas moléculas estão relacionadas ao Kāma-Manas, ao Kāma, ao Liṅga-Śarīra e, finalmente, como revestimento externo, aparecem como as moléculas do Sthūla-Śarīra. Os Corpos Astrais são moleculares, por mais etéreos que sejam em sua composição, enquanto o Ego é atômico.

Esta é a diferença entre a natureza e a essência dos Corpos Astrais e do Ego.

Esses Átomos são os trinta e três crores de Deuses encontrados nos livros hindus.

Mas, com tudo isso, a natureza real do Ego não pode ser compreendida pela mente finita.

O estudante pode agora compreender melhor a afirmação (p. 661) de que a consciência dos sentidos, sendo a das moléculas, está em Ātma-Buddhi e sem Manas.

O upādhi mânasico não é desenvolvido na molécula; portanto, o aspecto mânasico do Ātma setenário não pode manifestar-se nela, e não há autoconsciência na molécula, ou na célula composta de moléculas.

Assim, as células das pernas ou de outras partes são conscientes, mas são escravas de uma ideia ou volição enviada a elas, e obedecem-na. Não são autoconscientes e não podem originar uma ideia.


Quando estão cansadas, podem enviar ao cérebro uma sensação de desconforto, causada nelas pela exaustão, pela diminuição da energia PrâNica.

Assim, elas dão origem no cérebro à ideia de fadiga, o Manas inferior traduzindo a sensação cármica da célula de exaustão na ideia de fadiga.

A saúde física rude é um obstáculo para a vidência – como pode ser visto no caso de Swedenborg.

É um excesso de PrâNa que estabelece poderosas vibrações moleculares, e assim afoga o Atômico.

O Liṅga-Śarīra, ou duplo etéreo do Corpo, é de constituição molecular, mas de moléculas invisíveis aos olhos físicos.

Portanto, não é homogêneo.

[A Luz Astral nada mais é do que a sombra da verdadeira Luz Divina, e não é molecular.]

––––––––––                                            O LIṄGA-ŚARĪRA      O Liṅga-Śarīra, como muitas vezes foi dito antes, é o veículo do PrâNa e sustenta a vida no Corpo.

É o reservatório ou esponja da vida, recolhendo-a de todos os reinos naturais ao redor, e é o intermediário entre os reinos da vida PrâNica e da vida física.

A vida não pode passar imediata e diretamente do subjetivo ao objetivo, pois a natureza passa gradualmente de esfera a esfera, sem saltar nenhuma.

O Liṅga-Śarīra serve como intermediário entre o Prāṇa e o Sthūla-Śarīra, extraindo vida do oceano de Jīva e bombeando-a no Corpo físico como Prāṇa. Pois a vida é, na realidade, Divindade, Parabrahman, a Divindade Universal.

Mas, para que ela possa se manifestar no plano físico, deve ser assimilada à matéria desse plano; isso não pode ser feito diretamente, pois o puramente físico é grosseiro demais, e assim ela necessita de um veículo––o Liṅga-Śarīra. O Liṅga-Śarīra é, em certo sentido, a semente permanente do Sthūla-Śarīra do homem, e Weissmann, em sua teoria do germe hereditário, não está longe da verdade.

Mas seria um erro dizer que há uma semente permanente superalma por um único Ego em uma série de encarnações.

O Liṅga-Śarīra de uma encarnação se desvanece, à medida que o Sthūla-Śarīra ao qual pertence apodrece; o Ovo Áurico fornece a base do novo Liṅga-Śarīra e os Elementais Tāṇhicos o formam (p. 609) dentro do Invólucro Áurico, preservando-se assim a continuidade; ele permanece adormecido no estado fetal, durante o Devachan da entidade à qual pertence, e entra, no devido curso, no ventre de uma mulher.

Ele está primeiro no ventre, e então vem o germe que o fecunda, do pai –––––––––– A Doutrina Secreta, Vol.

I, 223, nota de rodapé.

––––––––––

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

genitor.

É a imagem subjetiva do homem que há de ser, o modelo do corpo físico no qual a criança deve ser formada e desenvolvida.

É então revestido de matéria, como o foram os Pitṛs Lunares, e por isso é frequentemente chamado de Chhāyā. Até a idade de sete anos, ele forma e molda o Corpo; após essa idade, o Corpo forma o Liṅga-Śarīra. A Mente e o Liṅga-Śarīra agem e reagem mutuamente um sobre o outro, e assim se prepara um molde para a próxima encarnação.

É a imagem perfeita do homem, bom ou mau, de acordo com sua própria natureza.

Não se pode, portanto, dizer que há uma semente Liṅga-Śārica permanente nas encarnações do Ego; é uma perpétua sucessão de destruição e reformação, o Manas, por meio do Ovo Áurico, fornecendo a semente permanente; "é o Céu e a Terra se beijando." Durante a encarnação, o germe, ou essência vital, do Liṅga-Śarīra está, como foi dito, no Baço; a Chhāyā jaz ali enrolada.

E agora deixe o estudante escapar de muita confusão distinguindo entre os vários Corpos Astrais e o verdadeiro Astral.

O Astral, por excelência, o Segundo Princípio no Homem, correspondente ao Segundo Princípio no Cosmos, é a progênie da Chhāyā dos Pitris Lunares e da Essência Áurica que a absorveu. (Ver p. 608.) Este é o moldador do Corpo do infante, o modelo mencionado acima.

Este tem como seu órgão físico o Baço, e durante a encarnação tem ali sua sede.

Ele fornece a base para todos os Corpos Astrais, para o Liṅga-Śarīra propriamente dito, e para os Māyāvi-Rūpas usados como veículos para diferentes Princípios.

Chamemo-lo então agora de Chhāyā, em vista de sua origem.

Quando um Corpo Astral deve ser formado, a Chhāyā evolui uma essência sombria, ondulante ou giratória, como fumaça, que gradualmente toma forma à medida que emerge.

Para que essa essência se torne visível, a Chhāyā atrai da atmosfera circundante, atraindo para si certas partículas minúsculas que nela flutuam, e assim o Liṅga-Śarīra, ou outro veículo astral, é formado fora do Corpo físico.

Esse processo tem sido frequentemente observado em sessões espíritas, nas quais ocorreu materialização.

Um esoterista viu a Chhāyā emergindo do lado esquerdo de Eglinton, e formando-se da maneira aqui descrita.

Este Corpo etéreo, construído fora do Sthūla-Śarīra, é o Liṅga-Śarīra, propriamente assim denominado; ele não poderia se formar no vácuo, é construído temporariamente, com a Chhāyā como sua fundação, e se dispersa quando a fundação Chhāyica é retirada para dentro do Corpo.

Este Liṅga-Śarīra está unido ao Corpo físico por um cordão umbilical, um cordão material, e portanto não pode viajar muito longe dele. Pode ser ferido por um instrumento afiado, e não enfrentaria uma espada ou baioneta, embora possa ––––––––––        [William Eglinton (1857-1933), famoso médium, sobre quem informações podem ser encontradas no Vol.

III, pp. 503-05, dos Escritos Reunidos.] –––––––––– facilmente atravessar uma mesa ou outro móvel.


Quando espadas são golpeadas contra Sombras, é a própria espada, não seu Liṅga-Śarīra, ou Astral, que corta.

Somente instrumentos afiados podem penetrar tais Astrals; assim, debaixo d'água, um golpe com um objeto contundente não o afetaria tanto quanto um corte o faria.

Nas sessões espiritualistas, o Liṅga-Śarīra do médium materializa-se, sendo a semelhança com pessoas falecidas causada principalmente pela imaginação, mas às vezes por um Elemental que projeta sobre o Liṅga-Śarīra um reflexo de uma imagem do defunto na Luz Astral, produzindo assim a semelhança.

As vestes em tais fantasmas são formadas a partir das partículas vivas do corpo do médium, e não são vestes reais, nem têm qualquer relação com as vestes do médium.

Todas as vestes materiais vistas em sessões de materialização foram pagas.

As formas materializadas devem, por ora, ser divididas em duas classes: (a) aquelas com uma forma definida produzida pelo pensamento subconsciente ou outro pensamento da pessoa a quem a forma pertence, ou como acima afirmado, e (b) aquelas cuja forma, ou aparência, ou manifestação se deve ao pensamento combinado da pessoa a quem pertence e da pessoa que a vê, de modo que a aparência externa se deve a um processo de pensamento ou imaginação exercido por um ou pelo outro.

A imaginação e o pensamento nesses casos ocorrem ou agem ao mesmo tempo, com um intervalo pequeno demais para ser notado.

São esses fatos sobre os Corpos Astrais que explicam os contos árabes e orientais sobre Jinns, diabinhos em garrafas, etc.

Os Dugpas são capazes de atuar sobre os Liṅga-Śarīras de outras pessoas.

Quando um homem visita outro em seu Corpo Astral, é o Liṅga-Śarīra que vai, mas isso não pode ocorrer a grande distância.

Da mesma forma, é o Liṅga-Śarīra que é visto na vizinhança de pessoas como seus "duplos". E é o Liṅga-Śarīra que é usado para mover objetos sem contato visível.

Um Liṅga-Śarīra pode ser formado pela Chhāyā que se desprende, sem qualquer conhecimento da pessoa que o emana, e pode vaguear, mas não é então plenamente dotado de Consciência.

Tal projeção do Corpo Astral não deve ser tentada.

Um tipo mais importante de Corpo Astral é o Māyāvī-Rūpa, ou Corpo Ilusório, e este é de diferentes graus.

Todos têm a Chhāyā como upādhi, mas podem ser inconscientes ou conscientes.

Se um homem pensa intensamente em outro à distância, seu Māyāvī-Rūpa pode aparecer a essa pessoa, sem que o projetor saiba de nada. Esse Māyāvī-Rūpa é formado pelo uso inconsciente de Kriyāśakti, quando o pensamento está em ação com muita intensidade e concentração.

É formado sem a ideia de projeção consciente, e é em si mesmo inconsciente, um corpo-pensamento, mas não um veículo de Consciência.

Mas quando um homem projeta conscientemente um Māyāvi-Rūpa e o utiliza como veículo de Consciência,

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

ele é um Adepto.

Nenhuma pessoa pode estar simultaneamente consciente da presença de outra, a menos que uma das duas seja um Adepto.

Na formação de um Māyāvi-Rūpa, como já foi dito, o upādhi é fornecido pelo Chhāyā, a "base de todas as formas". Quando um Adepto projeta seu Māyāvi-Rūpa, a inteligência diretora que o informa provém do Coração, a essência do Manas nele entrando; os atributos e qualidades são extraídos do Envelope Áurico.

Nada pode ferir o Māyāvi-Rūpa – nenhum instrumento afiado ou arma – pois, no que diz respeito a este plano, ele é puramente subjetivo.

Não tem conexão material com o Corpo físico, nenhum cordão umbilical.

É espiritual e etéreo, e passa por toda parte sem obstáculo ou impedimento.

Assim, difere inteiramente do Liṅga-Śarīra, que, se ferido, age por repercussão sobre o Corpo físico.

O Māyāvi-Rūpa é um Corpo Mânasico, e não deve ser confundido com o Liṅga-Śarīra; sua projeção é sempre um ato mânasico, pois não pode ser formado sem a atividade de Kriyāśakti.

O Māyāvi-Rūpa pode ser tão fortemente vitalizado que pode prosseguir para outro plano, e ali pode unir-se aos seres desse plano, e assim encarnar neles.

Mas isso só pode ser feito por um Adepto.

Dugpas e Feiticeiros, os Adeptos do Caminho da Mão Esquerda, são capazes de criar e usar Māyāvi-Rūpas próprios.

Como foi dito, a projeção do Liṅga-Śarīra não deve ser tentada, mas o estudante deve buscar exercer o poder de Kriyāśakti na projeção consciente do Māyāvi-Rūpa.

––––––––––                                         KĀMA E KĀMA-RŪPA

Embora o estudante não possa mais considerar Prāṇa como um dos Sete Princípios, uma vez que é a Vida Universal, não deve esquecer que ele vivifica tudo, como energia Prâṇica.

Cada Princípio é uma diferenciação de Jīva, e o movimento vital em cada um é Prāṇa, "o Sopro da Vida". É Nephesh: e Jīva torna-se Prāṇa apenas quando a criança nasce.

Assim, Kāma depende de Prāṇa, sem o qual não haveria Kāma. Prāṇa desperta os germes kâmicos para a vida, e torna todos os desejos vitais e vivos.

Prāṇa não é, deve-se lembrar, a produção das inúmeras "vidas" que compõem o Corpo humano, nem o conjunto das células e átomos do Corpo.

É o progenitor das "vidas", não seu produto.

Como exemplo, uma esponja pode ser imersa em um oceano; a água no interior da esponja pode ser comparada ao Prâna; a água externa é o Jiva. Prâna é o princípio motor na vida.

O Corpo deixa o Prâna, o Prâna não o deixa. Retire a esponja da água, e ela se torna seca––simbolizando assim a morte.


O Kâma durante a vida não forma um Corpo que possa ser separado do Corpo físico.

Ele é intermolecular, correspondendo molécula por molécula ao Corpo físico, e inseparável dele molecularmente.

Assim, é uma forma, mas não uma forma; uma forma dentro do Corpo físico, mas incapaz de ser projetada para fora como uma forma.

Este é o Homem Interior, ou Astral, em quem estão localizados os centros de sensação, os sentidos psíquicos, e de cujo rapport intermolecular com o Corpo físico dependem toda sensação e ação intencional.

Na morte, cada célula e molécula emite essa essência, e dela, com os resíduos do Envelope Áurico, forma-se o Kâma-Rûpa separado; mas isso nunca pode ocorrer durante a vida.

O Sangue é um bom símbolo do Kâma-Rûpa, pois enquanto dentro do Corpo, preenchendo cada porção, mas confinado em vasos, ele assume a forma do Corpo e tem uma forma, embora em si mesmo seja informe.

Se o termo Kâma-Rûpa for usado para indicar essa estrutura intermolecular que é o Homem Psíquico, então a forma separada post mortem deve ser chamada de Kâma-Rûpa-Astral, ou Astral do Kâma-Rûpa. Durante a vida, o Manas Inferior atua através desse Kâma-Rûpa, e assim entra em contato com o Sthûla-Śarîra; é por isso que se diz que o Manas Inferior está "entronizado no Kâma-Rûpa" (p. 635). Após a morte, ele anima o Kâma-Rûpa por um tempo, até que a Tríade Superior, tendo reabsorvido o Manas Inferior, ou a porção dele que pode reabsorver, passe para o Devachan.

O período normal durante o qual qualquer parte da consciência permanece no Kâma-Loka, isto é, está conectada com o Kâma-Rûpa, é de cento e cinquenta anos.

O Kâma-Rûpa eventualmente se desintegra e, deixando no Kâma-Loka os Elementais Tâhicos (p. 609), suas porções restantes vão para os animais, dos quais os de sangue vermelho provêm do homem.

Animais de sangue frio provêm da matéria do passado.

Já vimos que, no Corpo, o Kâma está especialmente conectado com o Sangue, o Fígado, o Estômago, o Umbigo e os Órgãos Geradores, deixando agora de lado seus órgãos na Cabeça, que estão conectados com seu aspecto psíquico, e não com seu aspecto animal.

Conectado tão fortemente aos órgãos que sustentam e propagam a vida, o ápice de Kāma é o instinto sexual.

Os idiotas mostram tais desejos, e também apetites ligados à comida, etc., mas nada mais elevado.

Portanto, para se livrar de Kāma, você deve esmagar todos os seus instintos materiais––“esmagar a matéria.” Mas ao mesmo tempo deve lembrar que Kāma, embora tenha como parte dele más paixões e emoções, instintos animais, ainda assim ajuda você a evoluir, dando também o desejo e o impulso necessários para ascender.

Pois em Kāma-PrāŠa estão os elementos físicos que impelem ao crescimento tanto física quanto psiquicamente, e sem esses elementos enérgicos e turbulentos o progresso não poderia ser feito.

O Sol tem um efeito físico e também mental sobre o homem, e esse efeito do Sol sobre a humanidade está conectado com Kāma-PrāŠa, com esses elementos Kâmicos mais físicos, pois de

INSTRUÇÃO ESOTÉRICA N.º V

o Sol flui o Princípio Vital que, caindo sobre eles, impele ao crescimento.

Portanto, o estudante deve aprender a dominar e purificar Kāma, até que apenas sua energia permaneça como força motriz, e essa energia seja dirigida inteiramente pela Vontade Mânasica.

––––––––––

MANAS INFERIOR, OU KĀMA-MANAS

O Manas Inferior é, em muitos aspectos, o mais difícil de compreender.

Há enormes mistérios ligados a ele. Considerá-lo-emos aqui como um Princípio, tratando mais tarde do funcionamento da Consciência na Quaternidade, e em cada um de seus membros. O ponto importante a apreender é sua relação com o Manas Superior.

Manas é, por assim dizer, um globo de pura Luz Divina, um Raio da Alma do Mundo, uma unidade de uma esfera superior, na qual não há diferenciação.

Descendo a um plano de diferenciação, ele emana um Raio que é ele mesmo, que só pode se manifestar através da personalidade já diferenciada.

Esse Raio é o Manas Inferior, enquanto o globo de Luz Divina, um Kumāra em seu próprio plano, é o Ego Superior, ou Manas Superior, o Manas propriamente dito.

Mas nunca se deve esquecer que o Manas Inferior é o mesmo em sua essência que o Superior.

Esse Ego Superior, na encarnação, projeta o Raio, o Ego Inferior.

A cada encarnação um novo Raio é emitido, e ainda assim em essência é o mesmo Raio, pois a essência é sempre una, a mesma em você e em mim e em todos.

Assim, o Ego Superior encarna em mil corpos.

A Chama é eterna.

Da Chama do Ego Superior o inferior é aceso, e deste um veículo inferior, e assim por diante. Pois este Raio pode manifestar-se nesta Terra, enviando seu Māyāvi-Rūpa. O Ego Superior é o Sol, podemos dizer, e os Manases pessoais são seus Raios; a missão do Ego Superior é emitir um Raio para ser uma alma em uma criança.

Somente assim o Ego Superior pode manifestar-se, pois assim ele se manifesta através de seus atributos.

Somente assim também pode ele colher experiência; e o significado da passagem nos Upanishads, onde se diz que os Deuses se alimentam dos homens, é que o Ego Superior obtém sua experiência terrena através do inferior.

Estas relações podem ser melhor concebidas pelo estudo do seguinte diagrama: ASPECTO MANVANTÁRICO DE PARABRAHMAN E MŪLAPRAKṚTI


MAHAT.

Atributos, Māyāvi-Rūpas, etc.

N. B. — O número de Raios é arbitrário e sem significado.

Quando o Raio é assim emitido, ele se reveste do mais alto grau da Luz Astral, e então está pronto para a encarnação; foi falado nesta fase como o Chhāyā, ou sombra, da Mente Superior, como de fato é. Esse revestir-se de uma forma inferior de Matéria é necessário para a ação no Corpo; pois, como emanação do Manas Superior e da mesma natureza, não pode, nessa natureza, causar qualquer impressão neste plano nem receber qualquer.

Um arcanjo, sem experiência, seria insensato neste plano, e não poderia dar nem receber impressões.

Portanto, o Manas inferior reveste-se com a essência da Luz Astral, e esse Invólucro Astral o isola de seu Pai, exceto através do Antaskaraṇa. O Antaskaraṇa é, portanto, aquela porção do Manas inferior que é una com o Superior, a essência, aquilo que retém sua pureza; nele são impressas todas as boas e nobres aspirações, e nele estão as energias ascendentes do Manas inferior, as energias e tendências que se tornam suas experiências devachânicas.

Todo o destino de uma encarnação depende de saber se essa essência pura, o Antaskaraṇa, pode conter o Kāma-Manas ou não.

É a única salvação.

Rompa isso e você se torna um animal.

Mas enquanto a essência interna do Ego Superior é imaculável, aquela parte que pode ser descrita como sua vestimenta externa, a porção do Raio que absorve a Matéria Astral, pode ser manchada.

Essa porção forma as energias descendentes do Manas inferior, e estas vão

INSTRUÇÃO DA E. S. Nº V

Em direção a Kāma, e esta porção pode, durante a vida, cristalizar-se de tal modo e tornar-se uma com Kāma, que permanecerá assimilada com a Matéria.

Assim, o Manas inferior, tomado como um todo, é, em cada Vida Terrestre, o que ele faz de si mesmo.

É possível que ele aja de maneira diferente em diferentes ocasiões, embora cercado cada vez por condições semelhantes, pois possui Razão e conhecimento autoconsciente do Certo e do Errado, do Bem e do Mal, que lhe foram dados. Ele é, de fato, dotado de todos os atributos da Alma Divina, e um desses atributos é a Vontade.

Nisto, o Raio é o Manas superior.

A parte da Essência é a Essência, mas enquanto está fora de si, por assim dizer, pode sujar-se e poluir-se, como explicado acima.

Assim também pode emanar-se, como dito acima, e pode passar sua essência para vários veículos, por exemplo, o Māyāvī-Rūpa, o Kāma-Rūpa, etc., e até mesmo para Elementais, aos quais pode dar alma, como ensinaram os Rosacruzes. Essa unidade da Essência com seu Pai Divino torna possível sua absorção em sua fonte, tanto durante a Vida Terrestre quanto durante o intervalo Devachânico.

Chega um momento, na mais alta meditação, em que o Manas inferior é recolhido para dentro da Tríade, que assim se torna o Quaternário, o Tetraktys de Pitágoras, o mais elevado, o mais sagrado de todos os símbolos.

Esse recolhimento ascendente do Manas inferior deixa o que era o Quaternário como uma Tríade inferior, que então é invertida.

A Tríade superior é refletida no Manas inferior.

O Manas superior não pode refletir a si mesmo, mas quando o Verde passa para cima, torna-se um espelho para o Superior; então não é mais Verde, tendo passado de suas associações.

A Psychē, assim separada de Kāma, une-se à Tríade superior e torna-se espiritual; a Tríade é refletida no Quarto, e o Tetraktys é formado.

Enquanto você não estiver morto, deve haver algo no qual a Tríade superior deva ser refletida; pois deve haver algo para trazer de volta à Consciência desperta as experiências vividas no plano superior.

O Manas inferior é uma tábua, que retém as impressões feitas sobre ele durante o transe; servindo assim como um transportador entre o Manas superior e a Consciência cotidiana.

Esse recolhimento do Manas inferior do Quaternário inferior, e a formação do Tetraktys, é o estado Turīya; é alcançado no Quarto Caminho, e é descrito em uma nota de A Voz do Silêncio como um estado de alta consciência espiritual, além do estado sem sonhos.

––––––––––        Ver Le Comte de Gabalis, do Abade de Montfaucon de Villars.

–––––––––– Como foi dito, o efeito do Sol sobre o homem está conectado com Kāma-PrāŠa; o da Lua é principalmente Kāma-Mānasico, ou psico-fisiológico.


Ele atua sobre o cérebro psicológico, a mente-cérebro.

.       Extraído da matéria deixada por H.P.B. . . para tal uso.

NOTA

Os funcionamentos da Consciência em cada membro do Quaternário e a questão dos Skandhas serão tratados em Instruções futuras.

WILLIAM Q. JUDGE.

Escritos Coligidos VOLUME XII                                                     –––––––––                                   DUPLOS E EX-DUPLOS         [O texto seguinte foi publicado em uma Circular emitida na E.S. e datada de Londres, outubro de     1893. Foi intitulada: Respostas à Correspondência.

Com Auxílios e Sugestões para Estudantes.

Uma     nota introdutória diz: (A seguinte carta de H.P.B.... deve ser estudada com grande     cuidado.)––Compilador.]

Como descobrir a fonte da "vontade por trás da sua consciência" (sua própria expressão) que varre o seu eu físico para fora das amarras do seu controle––um caso frequente com muitas pessoas? Isso envolve a revelação de um grande mistério: a descoberta, muitas vezes, da identidade do seu inimigo invisível, que parece conduzi-lo até lá e fazê-lo fazer aquilo que é perigoso e desaconselhável.

Não posso contar tudo, mas posso transmitir o suficiente para colocá-lo na pista certa.

Saiba então que a qualidade atômica dos seus duplos astrais não é uniforme.

Pelo contrário, ela varia imensamente com a combinação moral, espiritual e física do indivíduo.

Tomemos o exemplo do mesmo ego––que foi A. há mil e quinhentos anos, e agora é B. no ano de 1888.      Agora, o Duplo de A. é, após a morte do seu corpo, ou preponderantemente espiritual ou preponderantemente terrestre.

No primeiro caso, ele logo se dissipa no Kāma Loka e desaparece como fumaça; pois não tem Kāma Rūpa (corpo de fortes desejos e paixões) ao qual se agarrar e assimilar.

"O Li‰ga Śarīra do homem bom é como a névoa da manhã depois que deixou o corpo de ilusão; os méritos da virtude do homem que foi são como o sol.

Quando o sol nasce, seus raios quentes dissipam a imagem (Corpo Astral) como o perfume da rosa" (Aforismos Ocultos). Isto, se A. era mesmo um homem medianamente bom.

Mas suponhamos que ele tenha sido um grande sensualista, ou cruel, ou algo do tipo; seu Duplo, na sua morte, sobrevive por uma espécie de qualidade elástica, um choque de seus átomos entre si, através do meio sobrevivente daquela força intensa que fez do homem o sensualista ou o que quer que ele fosse.

INSTRUÇÃO E. S. Nº V

Agora, neste caso, o Duplo sobrevive e se mantém coeso, às vezes, por séculos.

Enquanto o Duplo de A., o homem bom, é desintegrado muito, muito antes do renascimento do seu Ego; o Duplo de A., o sensualista, pode perdurar até a próxima reencarnação.

E o que ocorre então é isto.

O Duplo anterior é atraído por afinidade à nova personalidade (ou antes ao Ego nela contido, seu antigo Ego). Agora, precisais aprender bem e conhecer a natureza, a origem e os modos dos Duplos, a gênese e as leis de dissolução desses reflexos dos homens, antes que possais me compreender bem.

Isso levaria muito tempo para explicar e não pode ser dado agora, mas tentai me compreender. O Duplo antigo frequentemente se apega à nova personalidade do seu ex-Ego e, se o Duplo atual é mais fraco, o primeiro obtém domínio sobre o último; ele o subjuga e faz, às vezes, com que o homem, de outra forma bom, se torne tudo aquilo que sua ex-personalidade foi no nascimento anterior, ou pior.

Isto, vejo, é o vosso caso.

Tendes um dos vossos Duplos, ou antes, vosso ex-Duplo, tentando ligar-se novamente a vós.

Contudo, é apenas um fantasma de um fantasma e, a menos que logo após a morte – o que não é o vosso caso, pois vossa encarnação passada tem muitos séculos – ou quando o falecido tenha sido excessivamente perverso, não pode afetar terceiros.

Mas, até que seja finalmente desintegrado e disperso, pode afetar seu antigo Ego agora, em nova forma, aquela individualidade dentro do vosso corpo presente e dos vossos corpos passados, que avança de nascimento em nascimento.

Pode dar a ele (o novo homem), em seu eu físico, uma tendência lasciva, ou cruel, ou egoísta, ou avarenta, contra seus melhores sentimentos, torná-lo vaidoso e obstinado, etc., e obter o melhor dele, a menos que ele lute arduamente para sacudir o íncubo.

São os ex-Duplos do homem e da mulher atuais que, se o homem foi mulher no nascimento anterior, ou a mulher foi homem, assumem as cascas ou formas de suas encarnações passadas e representam os "espíritos-esposas" e "espíritos-maridos" com os infelizes mortais.

São eles novamente – mas deixemos o assunto.

Vejo então, em sua fotografia, que pelo menos uma causa de seu problema é a influência de seu antigo Duplo não dissolvido.

Mas, como lhe disse em minha última carta, "o melhor remédio é sua Vontade" sob a inspiração magistral, e com a ajuda da espiritualidade.

Esta (a Vontade) é o único poder irresistível na natureza e no mundo psíquico; seja qual for o fantasma ou demônio, ele pode ser varrido para o nada ao concentrar sobre ele esta Vontade e ordenar que vá embora.                                                                                                       H.P.B. ...                        Obras Completas VOLUME XII                                                 APÊNDICE

NOTA SOBRE A TRANSLITERAÇÃO DE                                  TERMOS SÂNSCRITOS E OUTROS

O sistema de marcas diacríticas usado no texto deste volume, e na Bibliografia Geral, bem como no Índice, não segue estritamente nenhum estudioso específico, em detrimento de todos os outros.

No que diz respeito ao sânscrito, embora adira em grande medida ao Dicionário Sânscrito-Inglês de Sir Monier-Williams, como por exemplo no caso do Anusvāra, a transliteração inclui também formas introduzidas por outros estudiosos de sânscrito, sendo, portanto, de natureza seletiva.

A transliteração de termos que não sejam sânscritos foi verificada com uma variedade de fontes, e foi feita uma seleção para estar em conformidade com os padrões adotados pelos estudiosos mais conhecidos.

Como nos volumes anteriores desta Série, continuamos o uso de um circunflexo sobre uma vogal longa, em vez de usar o "macron" ou uma linha sobre elas.

Exceção a isso são as Instruções Esotéricas de H.P.B., nas quais o "macron" é usado em todo o texto.

Obras Completas VOLUME XII

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO                                          xxiii

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO

DOS PRINCIPAIS EVENTOS NA VIDA DE H. P. BLAVATSKY E DO CORONEL

HENRY S. OLCOTT, DE NOVEMBRO DE 1889 A DEZEMBRO DE 1890.                     (O período ao qual pertence o material do presente volume)

21 de novembro—Annie Besant assume a presidência da Loja Blavatsky, em Londres, pela primeira vez (Atas).

30 de novembro—O Coronel

Olcott profere palestra em Edimburgo (ODL, IV, 205-06; Lucifer, V, 341).

Outono—C. W. Leadbeater deixa o Ceilão e vai para a Inglaterra para se tornar tutor residente do filho de A. P. Sinnett, Denny; acompanhado pelo menino cingalês de 13 anos, C. Jinarâjadâsa (Ransom, 259).

Dezembro—A imprensa Ariana é anunciada como sendo estabelecida em Nova York (Path, IV, dez., 1889, pp. 290, 328).

16 de dezembro—Morte do Dr. Seth Pancoast, famoso cabalista e Vice-Presidente da S.T. em sua fundação (Path, IV, jan., 1890, p. 328).

17 de dezembro—Coronel Olcott palestra em Newcastle; de volta a Londres no dia seguinte, para presidir a reunião da Seção Britânica (ODL, IV, 207; Lucifer, V, 341-42).

19 de dezembro—Coronel Olcott está presente na reunião do Blavatsky Lodge (Lucifer, V, jan., 1890, pp. 432-35).

22 de dezembro—Pandit N. Bhâshyâchârya, Diretor da Biblioteca de Adyar, falece (ODL, IV, 203; Theos., XI, Supl. jan., 1890, p. lxi).

25 de dezembro—H.P.B. nomeia o Coronel Olcott seu agente confidencial para a E.S. nos países asiáticos (Lucifer, V, jan., 1890, p. 437; Theos., XI, Supl. mar., 1890, p. cv; ODL, IV, 184).

25 de dezembro—Coronel Olcott emite Ordem Executiva nomeando H.P.B. Presidente, e Annie Besant, Wm. Kingsland e Herbert Burrows membros, de um Conselho de Apelação, a ser conhecido como "os Comissários do Presidente" para a Grã-Bretanha e Irlanda (ODL, IV, 182-83; Theos., XI, Supl. fev., 1890, p. lxxxvii; Ransom, 262).

xxivv BLAVATSKY: ESCRITOS COMPILADOS 26 de dezembro—Coronel Olcott deixa Londres para Colombo, Ceilão, via Marselha; navega no SS Oxus, dez. 29, acompanhado por Edward Douglas Fawcett (Theos., XI, Supl. fev., 1890, p. lxxxviii; ODL, IV, 207).

2 de janeiro—Blavatsky Lodge elege Annie Besant como Presidente (Lucifer, V, jan., 1890, p. 436).

16 de janeiro—Coronel Olcott e E. D. Fawcett chegam a Colombo, Ceilão (ODL, IV, 209; Theos., XI, Supl. fev., 1890, p. lxxxviii).

5 de fevereiro—Coronel Olcott chega a Adyar (Theos., XI, Supl. fev., 1890, p. lxxxviii).

Fevereiro-março—H.P.B. passa algumas semanas em Brighton para se recuperar de um período de doença; melhora consideravelmente (Path, IV, mar., 1890, p. 389).

Maio-junho—H.P.B. com saúde bastante debilitada; tem períodos de prostração (Theos., XI, jun., 1890, p. 532).

24 de junho—Morte de T. Subba Row; cremado às 9:00 da manhã seguinte (ODL, IV, 234; Theos., XI, jul., 1890, pp. 576-78).

Junho—"Departamento de Trabalho de Ramos" organizado por W. Q. Judge nos EUA (Path, V, jun., 1890, pp. 102-03).

Junho—Época aproximada em que Gems from the East (um livro de aniversário) de H.P.B. é publicado (Path, V, jun., 1890, p. 104).

Julho—Coronel Olcott vai palestrar em Trichinopoly (ODL, IV, 238-39; Ransom, 265).

3 de julho — As instalações na 19 Avenue Road, St. John's Wood, Londres, estando prontas, o novo centro é inaugurado (Lucifer, VI, julho de 1890, pp. 431-36; Path, V, ago. de 1890, pp. 166, 197-98; Ransom, 267; Theos., XI, p. 662).

9 de julho — Cel. Olcott emite uma Ordem Executiva referente à formação de uma Seção Europeia da S.T. com H.P.B. como cabeça responsável da mesma (ODL, IV, 239; Ransom, 269; Theos., XI, Supl. ago. de 1890, p. c1ii; e XII, Supl. out. de 1890, p. i; Lucifer, VI, p. 520).

LEVANTAMENTO CRONOLÓGICO xxv

20 de julho — Carta mendaz do Dr. Elliott Coues no New York Sun. W. Q. Judge move um processo contra Coues e o Sun (ODL, I, 162; Ransom, 274; Lucifer, VI, ago. de 1890, pp. 523-24; Path, V, ago. de 1890, pp. 153 e seguintes).

Julho — O processo judicial de Mabel Collins contra H.P.B. é retirado do tribunal pelo advogado da autora e não é prosseguido (Path, V, ago. de 1890, p. 154).

16 de agosto — H.P.B., com a ajuda de outras pessoas, funda o "Clube das Mulheres Trabalhadoras" na 193 Bow Road, East End, Londres; é aberto nessa data na presença de H.P.B. Laura Cooper e Annie Besant são colocadas no comando; foi fechado em 1894, pois os custos se tornaram muito altos (Ransom, 266; Lucifer, VII, set. de 1890, pp. 79-80; Vahan, I, nº 2, dez. 14 de 1890, pp. 5-6).

25 de agosto — H.P.B. emite uma Ordem Executiva aos Teosofistas da Europa sobre sua assunção da posição de Presidente da Seção Europeia da S.T. (Lucifer, VII, set. de 1890, pp. 77-78).

Setembro — A "Prensa H.P.B." está prestes a ser instalada na nova Sede em Londres, e os fundos foram fornecidos. Claude Falls Wright está no comando. James M. Pryse acaba de chegar dos EUA e estabeleceu ali sua residência permanente como impressor (Sra. A. L. Cleather em sua "Carta de Londres", Theos., XII, nov. de 1890, p. 127).

Setembro — Echoes from the Orient, de W. Q. Judge, é publicado (Path, V, set. de 1890, anúncio).

21 de setembro — Morte de Megittuwatte, o grande sacerdote-orador budista ceilandês (ODL, IV, 248).

9 de outubro — Cel. Olcott parte para o Ceilão para abrir a Escola Budista para Meninas Sanghamitta, a primeira do tipo na ilha (ODL, IV, 250; Ransom, 266).

7 de outubro — Cel. Olcott, sentindo-se bastante desencorajado e doente, escreve a H.P.B., antes de partir para o Ceilão, que deseja se aposentar da Presidência da S.T. e deixar a liderança única a ela. (Nov.

- pede que ela assuma o cargo de Presidente.) H.P.B. recusa terminantemente (ODL, IV, 251-52; Ransom, 271; Theos., XII, General Report, como Supl. de janeiro de 1891, pp. 11-13).

27 de outubro—Coronel Olcott deixa o Ceilão; vai para Tinnevelly, onde é recebido por Bertram Keightley; juntos fazem uma turnê pelo sul da Índia; retornam a Adyar em 10 de novembro (Theos., XII, dez. 1890, pp. 186-87; ODL, IV, 252-53).

xxvi                                    BLAVATSKY: ESCRITOS REUNIDOS

17 de novembro—Coronel Olcott emite Ordem Executiva sobre a formação da Seção Indiana da S.T., com Bertram Keightley como Inspetor-Geral das Filiais Indianas (Theos., XII, Supl. dez. 1890, p. xiii).

1º de dezembro—Primeira edição de The Vahan publicada em Londres (Path, V, dez. 1890, p. 295; Lucifer, VII, nov. 1890, p. 253).

Dezembro—Coronel Olcott, devido a problemas de saúde e fadiga, coloca a Presidência "em Comissão"; nomeia Tookarâm Tatya, Norendro Nath Sen, N. D. Khandalavala, W. Q. Judge como Comissários do Presidente (Ransom, 272; Path, V, março 1891, p. 393).

CHAVE DE ABREVIAÇÕES

Lucifer—Uma Revista Teosófica, destinada a "Trazer à Luz as Coisas Ocultas das Trevas." Londres, 1887, etc.

Minutes—Atas da Loja Blavatsky em Londres. Original nos Arquivos dessa Loja atualmente.

ODL—Old Diary Leaves, do Cel. Henry Steel Olcott. Quarta Série, 1887-1892. Londres: Theos. Publ. Society; Adyar: Escritório do The Theosophist, 1910.

Path—The Path. Publicado e Editado em Nova York por William Q. Judge. Vol. I, abril de 1886, etc.

Ransom—Uma Breve História da Sociedade Teosófica. Compilado por Josephine Ransom. Adyar: Theosophical Publishing House, 1938.

Theos.—The Theosophist. Fundado por H.P.B. e Cel. Olcott em outubro de 1879. Em andamento.

Vahan—The Vahan. Um Veículo para o Intercâmbio de Notícias e Opiniões Teosóficas. Emitido pelo Conselho da Seção Britânica da S.T. Vol. 1, No. 1, 1º de dezembro de 1890, etc.

Escritos Reunidos VOLUME XII

H.P. BLAVATSKY                                 1831-   Um dos seis retratos tirados por Enrico Resta, em 8 de janeiro de 1889, em seu estúdio em 4, Coburg Place, Bayswater, Londres W., cuja chapa de vidro original está nos Arquivos da Loja Blavatsky da Sociedade Teosófica na Inglaterra. Reproduzido a partir de uma impressão original da chapa de vidro.

Escritos Reunidos VOLUME XII

CONDE ALESSANDRO DI CAGLIOSTRO 1743?-1795? Gravado por Robert Samuel Marcuard (1751-1792) a partir de uma pintura de Francesco Bartolozzi (1727-1815). (Bibliothèque Nationale, Coleção Caffarelli Calamy) Escritos Reunidos VOLUME XII

LORENZA SERAFINA FELICIANI Condessa di Cagliostro Escritos Reunidos VOLUME XII

CORONEL HENRY STEEL OLCOTT 1832- Retrato tirado por Elliot & Fry, 55 Baker Street, Londres W., e reproduzido de O Teosofista, Vol. LIII, agosto de 1932, página oposta à 632. Escritos Reunidos VOLUME XII

WILLIAM QUAN JUDGE 1851- Reproduzido de uma fotografia original tirada por Elliot & Fry, 55 Baker Street, Londres W. Escritos Reunidos VOLUME XII

JOHANN KASPAR LAVATER 1741- Escritos Reunidos VOLUME XII

GENERAL ALEXEY PETROVICH YERMOLOV 1772- Retrato pintado pelo Acadêmico Zaharov e reproduzido do periódico Drevnyaya i Novaya Rossiya, 1879, Livro I, Nº 2. Escritos Reunidos VOLUME XII

CONDESSA CONSTANCE WACHTMEISTER 1838- Reproduzido de uma impressão original pertencente à Sociedade Teosófica na América, Wheaton, Ill. Escritos Reunidos VOLUME XII

AVENUE ROAD, LONDRES H.P.B. residiu nesta casa de julho de 1890 até a época de sua morte em 8 de maio de 1891. Em frente à janela central ficava sua escrivaninha, na qual A Doutrina Secreta foi concluída. Escritos Reunidos VOLUME XII

O ESCRITÓRIO DO SECRETÁRIO-GERAL EM 19 AVENUE ROAD, LONDRES G.R.S. Mead (centro), com Walter R. Old e J.R. Ablett. Reproduzido de Folhas do Antigo Diário do Cel. Olcott, Série IV, página oposta à 247. Escritos Reunidos VOLUME XII

O CAMINHO Renomada pintura de Reginald Willoughby Machell, pertencente à Sociedade Teosófica, Pasadena, Califórnia. (Ver a explicação do próprio Sr. Machell sobre o simbolismo de sua pintura.) Escritos Reunidos VOLUME XII

DR. NIKOLAY IVANOVICH PIGOROV 1810- Reproduzido da Bolshaya Sovietskaya Entsiclopedia, Vol. XXXIII, 2ª edição, 1955. Escritos Reunidos VOLUME XII

O PRÓDIGO Pintura e moldura entalhada à mão por Reginald Willoughby Machell. Encontra-se agora nas coleções permanentes da Sociedade Histórica de San Diego, no Museu Junípero Serra, como doação de Iverson L. Harris. Ver o Apêndice Bio-Bibliográfico para uma bibliografia do artista.

Escritos Reunidos VOLUME XII

SIR EDWIN ARNOLD              1832- Escritos Reunidos VOLUME XII

JEAN-SYLVAIN BAILLY                       1736- Reproduzido de L.A. Thiers, História da Revolução Francesa,                      1854, Volume III.

Escritos Reunidos VOLUME XII

ISABEL COOPER-OAKLEY                    1854- Reproduzido de The Path, Nova York, Vol.

IX, julho de 1894. Escritos Reunidos VOLUME XII

COMANDANTE DOMINIQUE ALBERT COURMES              1843- Reproduzido de The Theosophist, Vol.

XXXII, maio de 1911. Escritos Reunidos VOLUME XII

DR. HENRY TRAVERS EDGE               1867-   Escritos Reunidos VOLUME XII

REGINALD WILLOUGHBY MACHELL                    1854- Aluno pessoal de H.P.B. e notável pintor e entalhador de madeira.

De uma fotografia tirada durante seus anos em Point Loma, Califórnia.

Escritos Reunidos VOLUME XII

URNA SIMBÓLICA    Desenhada por Reginald W. Machell como receptáculo para                    As cinzas de H.P.B.  Foi produzida por Sven Bengtsson, de Lund, Suécia, E está agora na Sede Teosófica Internacional                          em Adyar.

Escritos Reunidos VOLUME XII

JAMES MORGAN PRYSE                 1859-    Reproduzido de The Path, Nova York, Vol.

IX,                    junho de 1894. Escritos Reunidos VOLUME XII                 .

GOTTFRIED DE PURUCKER              1874- Escritos Reunidos VOLUME XII

GEORGE WILLIAM RUSSELL, CONHECIDO COMO “”               1867-